Entrevista mostra que Flávio Dino vai partir para o confronto direto com Roseana Sarney e Roberto Rocha

 

Flávio Dino vai para o confronto direto com Roseana Sarney e Roberto Rocha
Flávio Dino vai para o confronto direto com Roseana Sarney e Roberto Rocha durante a campanha eleitoral

Sinais fortes estão indicando que a campanha para o Governo do Estado será marcada por uma dura guerra verbal entre os principais candidatos. O governador Flávio Dino (PCdoB) deixou claro, ontem, numa entrevista à Rádio São Luís, que não vai ficar sentado esperando que seus adversários o ataquem. Ao contrário, ele deu uma demonstração clara e inequívoca de que vai tomar a iniciativa e chamar para a briga a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) – se ela for candidata ao Governo do Estado – e o senador Roberto Rocha (PSDB) – que já é candidato assumido. Provocado sobre a guerra eleitoral que se aproxima, o comunista disparou chumbo grosso na direção da pemedebista e do tucano. Sobre a ex-governadora, disse que ela representa “o atraso”, e em relação ao senador, avaliou que ele tomou o “caminho errado” e espera que ele retome “o caminho certo”. Com suas declarações, Flávio Dino respondeu a algumas estocadas que recebera de ambos recentemente.

Ao disparar sua metralhadora verbal na direção de Roseana Sarney e Roberto Rocha, Flávio Dino avisa aos seus contendores de que está preparado para o confronto. Sua iniciativa evidencia que ele entende que não pode ficar na defensiva, pois isso geraria no eleitorado a impressão de que preferiria atravessar a campanha sem o confronto direto com os demais candidatos a morar quatro anos no Palácio dos Leões. Não se preparar para o embate verbal seria uma demonstração de franqueza que não cabe no figurino de um político nascido no enfrentamento implacável das assembleias estudantis e chegou à maturidade como líder mais destacado de uma geração. E essa marca do confronto aberto está presente nos discursos do governador.

Na entrevista à Rádio São Luís, o líder comunista foi brando com o senador Roberto Rocha, como se estivesse querendo trazer de volta uma ovelha desgarrada do seu rebanho. Limitou-se a lamentar que o senador tenha rompido com o seu grupo, revelando a perspectiva de que ele dê uma guinada de volta à aliança governista. Só que Roberto Rocha encontra-se a anos luz dessa aliança, tanto no plano puramente político, quanto no viés ideológico. O senador tucano assumiu claramente a sua condição de adversário do governador e está determinado a disputar o Palácio dos Leões. E para consolidar essa guinada, vem usando retórica com o peso necessário para ocupar o espaço que precisa para seguir em frente, e nessa linha discursiva a pancadaria será direcionada ao governador.

Nesse contexto, é rigorosamente certo que o confronto mais duro se dará entre Flávio Dino e Roseana Sarney, caso ela venha mesmo a ser candidata. Mas é certo também que o senador Roberto Rocha, com a ousadia que vem exibindo, não se conformará com a condição de “regras três”. Com certeza vai usar todos os recursos da retórica para se apresentar como um candidato viável e, por esse caminho, tentar atrair o governo para o confronto direto, se possível isolando a ex-governadora.

Com o recado dado ontem no microfone da Rádio São Luís, o governador Flávio Dino mostrou-se disposto a levar a campanha para um enfrentamento direto e sem rodeios, no qual usará como munição a sua obra de Governo, o discurso da mudança e as duras críticas que faz há anos ao Grupo Sarney. Roseana Sarney, lógico, não se intimidará e reagirá no tom que lhe convier, mesmo sabendo que cada reação produzirá um novo ataque. O senador Roberto Rocha, por seu turno, deverá se valer do discurso intenso e provocador, mais ou menos como está fazendo já há algum tempo, para mostrar ao mundo que abandonou o barco da esquerda para ser o expoente tucano na campanha que se aproxima.

 

PONTO & CONTRAPONTO

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O vice-governador Carlos Brandão ainda não assimilou o ingresso do senador Roberto Rocha no PSDB nem sua candidatura ao Governo do Estado sacramentada pela cúpula do tucanato nacional. Numa demonstração de que não está conformado e que não está disposto a vender barato essa mudança de rota do partido no Maranhão, Carlos Brandão mandou veicular na TV uma série de peças publicitárias que fazem um balanço da vida recente do partido, que cresceu fortemente nas eleições de 2016, quando saiu das urnas com 29 prefeitos, vários vice-prefeitos e uma penca expressiva de vereadores. Os anúncios enfatizam que o PSDB nunca foi tão forte no Maranhão e credita toda turbinada aos esforços do vice-governador. Com tintura de balanço final e em tom de despedida, as peças não fazem qualquer referência à mudança de rumo que o partido começou a viver no último dia 04 em Brasília, quando a cúpula partidária se juntou para receber de volta sua ovelha desgarrada. Pelo tom da propaganda partidária, Carlos Brandão avisa que manterá controle absoluto sobre o ninho maranhense até o momento em que for obrigado a deixá-lo. Essa mudança deve acontecer no início de novembro, quando o partido se reunirá para receber Roberto Rocha como candidato a governador e o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, como seu novo chefe. Nessa situação, se Carlos Brandão decidir mesmo deixar o partido, o que deve acontecer, o fará de cabeça erguida e acompanhado de boa parte da força que acumulou nas eleições municipais.

 

Sarney Filho deve desfazer nó partidário até o final do ano

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É quase certo que o deputado federal Sarney Filho, atual ministro do Meio Ambiente, não disputará cadeira de senador pelo PV. Em rota de colisão com o comando nacional da agremiação verde, ele avaliou uma série de opções e estaria agora namorando o PSD e flertando com o PMDB. O motivo maior das suas rusgas com o PV – partido que ajudou a fundar no País a partir do movimento ambientalista que ajudou a criar na Câmara federal ainda nos anos 80 do século passado – são diferenças em relação a posições que os verdes tomarão na corrida presidencial. Um grupo quer abraçar a candidatura de Marina Silva (Rede), outra advoga uma aliança com a esquerda para apoiar Lula da Silva (PT), se ele vier a ser candidato.  A condição de ministro obriga Sarney Filho a seguir o rumo que o presidente Michel Temer na corrida presidencial. Isso porque a nomeação do parlamentar maranhense para o ministério foi uma escolha pessoal do presidente e não uma indicação do PV. Sarney Filho, que aparece nas pesquisas como um dos favoritos na corrida senatorial, deve desfazer esse nó até o final do ano.

São Luís, 09 de Outubro de 2017.

 

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