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Flávio Dino faz política madura e eficiente ao firmar aliança com Ildon Marques em Imperatriz

 

Ildon Marques (e) e Flávio Dino firmam aliança na posse de Frederico Ângelo
Ildon Marques (e) e Flávio Dino aliança na posse de Frederico Ângelo

A aliança política que colocou no mesmo campo o governador Flávio Dino (PCdoB) e o empresário Ildon Marques, ex-interventor e ex-prefeito de Imperatriz causou reações diversas. Aliados do governador e do ex-prefeito festejaram o fato como um lance político de peso para os dois, enquanto adversários de Flávio Dino e ex-aliados de Ildon Marques criticaram duramente o governador e tentaram triturar o ex-prefeito. A verdade indiscutível é que o episódio produziu dois fatos surpreendentes e incontestáveis: de um lado, numa jogada de político tarimbado, o governador Flávio Dino reforçou expressivamente seu cacife em Imperatriz e na Região Tocantina como um todo ao atrair para a aliança governista um político regional da estatura do ex-prefeito Ildon Marques; de outro, ao aliar-se ao governador, o ex-prefeito de Imperatriz deu uma inequívoca demonstração de que é um político independente, que faz as suas próprias escolhas sem ter de dar satisfações a quem quer que seja nem se dobrar a patrulhamento. Se a aliança vai ser produtiva e duradoura, essa é outra conversa. E não há que discutir sobre a legitimidade política dos dois para se aliarem.

Empresário de ponta no comércio, com negócios que vão do supermercado ao agronegócio e que tem como carro-chefe a rede de lojas Liliani, com ramificação no Maranhão, Pará, Tocantins, Goiás, Piauí e Ceará, o que faz dele dono de uma das grandes fortunas da região e, ao mesmo tempo, Ildon Marques – que é também um homem de visão de mundo abrangente – milita na política quase que por diletantismo, não sendo, portanto, um político profissional, que depende de mandatos para se bancar. E foi assim quando começou,  tentando, sem sucesso, ser deputado federal constituinte em 1986, e em seguida como candidato a vice-governador na chapa de João Castelo em 1990. Já era conhecido por sua independência quando em 1995 foi nomeado interventor em Imperatriz ela então recém empossada governadora Roseana Sarney (PMDB), que o escolheu para livrar a Prefeitura do controle do crime organizado, na época sob influência do ex-prefeito e ex-deputado Davi Alves Silva.

Em 2015, Ildon Marques, um capitalista por convicção e profissão, sempre açoitado pelas esquerdas, surpreendeu os meios empresarial e político ao atender ao convite do senador Roberto Rocha assumido saiu de um longo recolhimento para atender a convite do senador Roberto Rocha para filiar-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e de novo candidatar-se a prefeito de Imperatriz. Ficou em segundo lugar – o eleito foi Assis Ramos (PMDB). Mais recentemente, não se sentiu à vontade do ingresso do senador Roberto Rocha no PSDB e, por essa via, unir-se ao seu maior adversário, o ex-prefeito Sebastião Madeira, Ildon Marques rompeu com o senador. Nesse contexto, poderia tranquilamente refazer sua aliança com o Grupo Sarney e apoiar o projeto ainda impreciso da ex-governadora Roseana Sarney, decidiu surpreender novamente e dar uma guinada ainda mais radical do que a de filiar-se ao PSB: aliou-se ao governador Flávio Dino, de quem fora adversário ferrenho até pouco tempo. E com isso reafirmou sua independência e mostrou que está vivo e que pretende encarar as urnas em 2018.

O governador Flávio Dino deu uma demonstração de inteligência e pragmatismo políticos ao costurar a aliança e consolidá-la ao criar a Agência Metropolitana do Sudoeste do Maranhão, um órgão de planejamento, acompanhamento e fiscalização, entregando-a a Frederico Ângelo, indicado pelo ex-prefeito Ildon Marques, que com a experiência de interventor e prefeito duas vezes, conhece como pouco os problemas urbanos de Imperatriz e dos municípios da região. Com isso, passou a ter a seu favor uma voz que era duramente crítica a ele e ao seu Governo, e poderá auferir desse lance dividendos eleitorais importantes na Região Tocantina. Afinal, ainda que não esteja mais no auge do seu prestígio. Ildon Marques continua sendo uma voz eleitoralmente poderosa e influente, principalmente em Imperatriz.

A Oposição, claro, sentiu a pancada e joga pesado para minimizar o fato, mas seus líderes sabem que a aliança do governador Flávio Dino com o ultra capitalista Hildon Marques foi um tiro certeiro vai fazer a diferença, principalmente em Imperatriz, ainda que a Prefeitura esteja sob o comando do PMDB.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha aproveita contra-ataque de aliados de Flávio Dino para ampliar espaço na corrida sucessória

Roberto Rocha reafirma questionamento no Senado
Roberto Rocha reafirma questionamento contra Flávio Dino na tribuna Senado

Estava escrito nas estrelas: a reação dura e ampla das algumas das principais vozes que integram o “núcleo duro” do governador Flávio Dino, batendo forte no senador Roberto Rocha (PSDB) por ter ele sugerido, na CPMI da JBS, que o então candidato a governador Flávio Dino teria recebido dinheiro ilegal do grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista, hoje presos, e sido protegido pelo vice-procurador geral da República, Nicolao Dino, “braço direito do então procurador geral da República, Rodrigo Janot”, teria um preço elevado. A reação empurrou o senador tucano, que é candidato ao Governo do Estado pelo PSDB, para o centro do campo de batalha onde é travada a guerra pelo Palácio dos Leões.

Claro está que Roberto Rocha atacou na CPMI, aproveitando uma transmissão de TV ao vivo ara todo o Brasil, contando com a reação dos generais do governador, para alimentar o assunto, dando-lhe a importância que pretendia dar. E com o silêncio da ex-governadora Roseana (PMDB), que ainda não sabe se será candidata ao Governo, Roberto Rocha ocupou todo o espaço destinado aos adversários de Flávio Dino e investiu como se fosse uma corrida já polarizada. A estratégia deu certo, tanto que o senador tucano reverberou o ataque na tribuna do Senado, agora bem mais enfático, dando ao seu questionamento, que ganhou cor de acusação, um tamanho eu ele não teve quando feito na CMPI.

É claro que o governador Flávio Dino ficou incomodado com o ataque do senador Roberto Rocha, mas é certo também que esse incômodo não tirou do eixo, porque, de acordo com a afirmação dos seus aliados o chefe do Executivo nada deve e por isso, nada teme.  O problema é que o senador Roberto Rocha parece ter convicção de que sua candidatura ao Governo do Estado será turbinada por sai campanha, que irá para o tudo ou nada. Os responsáveis pelo contra-ataque devem se preparar para reagir, sob pena de abrir mais espaço o para o atacante.

Especial

Programa de compras fortalece agricultura familiar e melhora a alimentação escolar em São José de Ribamar

Frutas e legumes comprados de pequenos produtires
Produtos  comprados de pequenos produtores rurais

À exemplo do que acontece nas mais diferentes áreas, a produção de alimentos destinados às escolas passa por um processo de melhoria e eficiência com a ponte que liga diretamente, sem intermediários, os produtores e os centros de consumo. O elo é o programa Compra Local Municipal, por meio do qual Prefeitura de São José de Ribamar, via Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semagri), vem fazendo uma pequena revolução no desenvolvimento da agricultura familiar e da pesca artesanal.

Os números são estimulantes: somente neste ano, o Compra Local já aplicou R$ 450 mil na compra direta da produção agrícola familiar. O programa, que aplica recursos próprios exclusivamente do município,  para compra de alimentos, fortalece a economia das famílias dos agricultores e pescadores artesanais, também garante a segurança alimentar das crianças e adolescentes das 107 escolas do Município.

Todo o investimento, que até o momento corresponde a 624,94%, em relação ao total gerado em 2016, que não ultrapassou a casa dos R$ 71.000,00 mil reais, reflete não apenas no aquecimento econômico do setor, como também vem garantindo a expansão dos negócios de pequenos agricultores.

Os recursos, da receita própria do própria do município, já alcançaram 277 agricultores com a compra direta de mais de 67 toneladas de alimentos por eles produzidos só neste ano. O prefeito Luis Fernando explica que o investimento retorna não apenas no movimento da economia local, mas reflete na qualidade e em condições dignas para o aprendizado dos alunos.

“A compra da produção é uma forma de incentivar a agricultura familiar, mas tudo é feito obedecendo a critérios rigorosos, que vão desde o plantio, à colheita, além do transporte, que é feito de forma a não comprometer os produtos”, explicou o prefeito Luis Fernando, chamando atenção para o fato de que os alimentos saem das áreas de produção direto para as escolas, sem intermediário, e que isso vem se refletindo na melhoria do aprendizado dos alunos. E mais: o que não é consumido nas escolas segue para o programa Cozinha Escola e para entidades filantrópicas, escolas comunitárias e instituições que cuidam de pessoas vulneráveis.

O secretário de agricultura, Isaac Buarque de Holanda, reitera que o objetivo é incentivar cada vez mais o plantio assistido dos agricultores como forma permanente de produção local. “Temos uma agricultura forte que precisa ser estimulada cada vez mais. E é exatamente isso que o prefeito vem fazendo”, disse o secretário. (Com ASCOM/SJR)

São Luís, 02 de Novembro de 2017.

Flávio Dino mantém silêncio sobre a escolha dos dois candidatos a senador que apoiará em 2018

 

Flávio Dino avalia em silêncio os movimentos de José Reinaldo, Weverton Rocha, Eliziane Gama, Waldir Maranhão e Hilton Gonçalo rumo ao Senado
Flávio Dino avalia em silêncio os movimentos de José Reinaldo, Weverton Rocha, Eliziane Gama, Waldir Maranhão e Hilton Gonçalo rumo ao Senado

O governador Flávio Dino (PCdoB) ainda não bateu martelo sobre os dois nomes que ele e a aliança que lidera apoiarão na corrida ao Senado no ano que vem. Ele não disse claramente que o deputado federal Weverton Rocha (PDT) é candidato consumado do grupo, mantém silêncio sepulcral em relação à candidatura do ex-governador e atua deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB), dá a impressão de ter uma leve simpatia pela deputada federal Eliziane Gama (PPS), mas não confirma o suposto compromisso de apoiar a (improvável) candidatura do deputado federal Waldir Maranhão (PTdoB) a pedido do ex-presidente Lula, e parece desconhecer totalmente a possibilidade de o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), vir a ser candidato a senador. Esse clima de completa indefinição por parte do governador Flávio Dino vem deixando os pré-candidatos com os nervos à flor da pele diante da incerteza de que farão parte da chapa na qual o governador será candidato à reeleição. E enquanto a definição não vem, os aspirantes vão tentando viabilizar suas candidaturas no campo político para em seguida tentar viabilizá-las no campo eleitoral.

O deputado federal Weverton Rocha é, de longe, o mais arrojado e determinado candidato do campo liderado pelo governador Flávio Dino. É líder inconteste do PDT e sempre alinhado ao Governo, mas sem abrir mão da sua total independência e liberdade de ação, como ficou demonstrado nas eleições municipais de 2016, quando contrariou a orientação do PCdoB e impôs sua escolha, como aconteceu em Imperatriz, onde o projeto de eleger Rosângela Curado (PDT) fracassou de maneira retumbante. Compensou, porém, o fracasso tocantino com a reeleição maiúscula do prefeito Edivaldo Jr. (PDT) em São Luís. Weverton Rocha vem concentrando sua ação política no projeto senatorial, que já declarou irreversível, ainda que as pesquisas estejam indicando sérias dificuldades eleitorais. Há quem diga nos bastidores que o governador Flávio Dino não bateu martelo por Weverton Rocha porque não foi convencido pelas pesquisas.

O ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares é o mais bem situado dos candidatos do campo político governista, podendo contar com o apoio de mais de uma centena de prefeitos, entre eles o de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB), que atua como articulador desse projeto. O governador Flávio Dino mantém silêncio quase obstinado sobre o projeto senatorial do ex-governador, mas já é evidente que o que os separa são fortes as diferenças programáticas, situação que tem dificultado o relacionamento político entre eles. José Reinaldo afirma que sua candidatura ao Senado é para valer e que até aqui não há como revê-la. Nesta semana, o deputado José Reinaldo avisou que nada o afastará do governador Flávio Dino.

A pré-candidatura do deputado federal Waldir Maranhão ao Senado é um caso excepcional, por que parece furta-cor, fumacenta e inconsistente, segundo tem mostrado as mais diferentes pesquisas. Ela só existe porque o parlamentar, a pedido do governador, tomou decisões radicais a favor da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), tendo sido avalizada pelo ex-presidente Lula (PT), que estaria disposto a apoiá-la durante a campanha eleitoral propriamente dita. Ainda assim, o governador Flávio Dino se mantém fechado, sem assumir aberta e claramente tal projeto.

Uma grande expectativa está sendo formada sobre qual será a posição do governador Flávio Dino em relação à deputada Eliziane Gama (PPS), que vem despontando nas pesquisas como nome forte para a Câmara Alta. Corre nos bastidores que ele estaria inclinado a declarar-lhe apoio junto com Weverton Rocha. Eliziane Gama admitiu várias vezes a possibilidade de se candidatar ao Senado, mas estaria aguardando um sinal mais forte por parte do chefe do Executivo para se posicionar de maneira definitiva.

Politicamente forte e ativo, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, tem soltado evidências de que está interessado em entrar na briga por uma das vagas de senador. O projeto, no entanto, não ecoou na seara governista.

Um político influente e com trânsito Palácio dos Leões avalia que não há por parte do governador Flávio Dino qualquer sentimento de rejeição em relação a nenhuma das candidaturas de aliados ao Senado e que seu silêncio se explica com o fato de ele estar avaliando a consistência de cada uma, para poder fazer as escolhas mais viáveis. Faz sentido.

 

PONTO E CONTRAPONTO

 

Othelino Neto reage a Roberto Rocha e diz que ele queria fazer “negociatas” no Governo

Othekini Neto dispara chumbo grosso contra Roberto Rocha
Otheiino Neto:  chumbo grosso contra Roberto Rocha

Em mais uma evidência de que a guerra sucessória começou de vez, outra voz de peso do PCdoB reagiu forte às declarações com as quais o senador Roberto Rocha (PSDB) levantou, na CPMI da JBS, a suspeita de que o governador Flávio Dino teria sido beneficiado com dinheiro doado da empresa dos irmãos Batista na campanha de 2014 e que seu nome teria sido retirado de uma pista de 16 governadores por pressão do seu irmão, o vice procurador-geral da República Nicolau Dino. Na rota e no tom das reações de dois pesos pesados do PCdoB maranhense, o secretário Márcio Jerry (Assuntos Políticos e Comunicação) e deputado federal Rubens Jr. (vice-líder da bancada do PCdoB e principal porta-voz do governador maranhense na Câmara Federal), o 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa classificou de “irresponsável” a atitude do senador tucano, e afirmou que ele se afastou do grupo governista porque o governador Flávio Dino o teria impedido de “fazer negociatas” no Governo.

O deputado Othelino Neto (PCdoB) fez, na tribuna do Legislativo, um duro e indignado discurso contra o senador Roberto Rocha. “Vi, mais uma vez, espantado, a irresponsabilidade do senador Roberto Rocha. Numa cena em que parecia desconectado da realidade, ele dava a entender que estava em transe. Resolveu tirar, sei lá de onde, essa declaração irresponsável. Isto não apareceu em nenhuma delação, não foi suposto por ninguém, apenas por ele, num ato que expressa ódio, destempero, despreparo e arrogância de quem se arvora da imunidade parlamentar para caluniar pessoas de bem”, comentou Flávio Dino.

Segundo Othelino Neto, o ataque a Flávio Dino porque o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de inquérito para apurar possíveis irregularidades cometidas na campanha de Roberto Rocha ao Senado, com base em denúncia feita pelo seu concorrente,  Gastão Vieira (PMDB). O inquérito, de número 4610, do Supremo Tribunal Federal (STF), que está tramitando em segredo de Justiça, apura possíveis  irregularidades na prestação de contas, inclusive supostas falsificações de documento, o que poderá comprometer seriamente o senador.

Para Othelino Neto, em devaneio, Roberto Rocha pretendeu atribuir este inquérito ao governador Flávio Dino, como se ele tivesse poder de influenciar naquilo que propõe o procurador-geral Rodrigo Janot. “A irresponsabilidade realmente é de espantar. Mas o político que sugeriu, que difamou, no caso da JBS, especificamente, é o mesmo que votou contra as medidas cautelares que haviam sido determinadas pelo Supremo Tribunal Federal para serem aplicadas contra o senador Aécio Neves em razão das relações estranhas, possivelmente, espúrias com a JBS”, assinalou. Disse também estranhar que o senador Roberto Rocha, que não deixou que um colega seu, do PSDB (Aécio Neves), fosse investigado, agora queira “jogar lama” em quem tem uma vida limpa. “É muita irresponsabilidade, é muita leviandade, é pena que o Maranhão tenha um senador desse quilate”, afirmou.

No seu revide, Othelino Neto afirmou que Roberto Rocha nunca conseguiu superar o fato de ter chegado ao governo do Estado. “Na cabeça do senador, o fato dele ser filho de um ex-governador dava-lhe o direito de ser governador, antes dos outros. Ele falava sempre que tem fila, como se a fila fosse algo hereditário, porque a cultura política do senador é a oligárquica que o povo já enterrou. Então, ele nutre isso, essa angústia, esse recentemente”, comentou.

E concluiu com uma afirmação bombástica, a de que Roberto Rocha teria sido impedido por Flávio Dino de fazer negociatas no Governo: “O governador Flávio Dino não permitiu que ele fizesse negociatas no governo do Maranhão, porque não aceita que ninguém o faça. E se esse era o preço para que ele continuasse aliado do governador e no nosso campo político, que ele vá para lá!”

 

Projeto amplia exigência de servidores em cargos comissionados do Tribunal de Justiça

Cleones Cunha vê homenagem a servidores no projeto
Cleones Cunha vê homenagem a servidores no projeto aprovado na AL

A Assembleia Legislativa deu um passo decisivo para evitar o apadrinhamento funcional no Poder Judiciário ao aprovar, terça-feira (31), o Projeto de Lei nº 280/2017, que, alterando outros dispositivos legais, assegura que amplia a exigência de que só servidores da instituição podem ocupar cargos de confiança na estrutura funcional do Poder Judiciário.

Na mensagem que encaminhou à Assembleia Legislativa, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Cleones Cunha, afirma que justifica a proposta explicando que a medida amplia a acessibilidade aos cargos, funções e empregos públicos, estabelecendo que as funções de confianças devem ser exercidas, exclusivamente, por servidores ocupantes de cargos efetivos e os comissionados (direção, chefia e assessoramento), nos casos e condições e percentuais mínimos previstos em lei.

“Assim, em homenagem ao princípio da moralidade administrativa, e visando o reconhecimento e a valorização dos servidores de carreira do Poder Judiciário, submeto à apreciação do presente projeto de Lei, para o qual solicito precioso apoio à aprovação”, afirma o desembargador Cleones Cunha.

Ele acrescenta na Mensagem que a proposta apresentada foi devidamente submetida e aprovada pelo Pleno do Tribunal de Justiça, em sua sessão do dia 2 de agosto do corrente, deliberando, também, sob o envio da pertinente mensagem à Assembleia Legislativa.

“Cabe acentuar que a aprovação do projeto em apreço não causará aumento de despesas com pessoal (GND1) por parte do Poder Judiciário, tendo em vista que a ocupação do cargo em comissão, por servidor efetivo, é mais econômico ao Poder Judiciário”, declara o presidente do TJMA. (Assessoria da Assembleia Legislativa)

São Luís, 01 de Novembro de 2017.

Deflagrada a guerra sucessória: Rocha ataca Dino em CPMI e Jerry e Rubens Jr. reagem com chumbo grosso

 

Roberto Rocha ataca Flávio Dino, e é atacado por Márcio Jerry e Rubens Jr.
Roberto Rocha ataca Flávio Dino, e é atacado por Márcio Jerry e Rubens Jr. deflagrando a guerra pela sucessão

Se alguém ainda acreditava na possibilidade de, pelo menos, uma convivência do tipo “cada um para seu lado e vida que segue” entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e o senador Roberto Rocha (PSDB), estava errando feio. E a confirmação desse erro veio ontem, quando Roberto Rocha aproveitou reunião da CPMI da JBF & JFS, da qual é titular, perguntou ao depoente do dia, o ex-diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, se o governador Flávio Dino integra a lista de 16 governadores que receberam dinheiro do grupo em 2014. E como Saud preferiu invocar o seu direito de ficar calado e mergulhar no silêncio, Rocha fez o ataque explosivo: dizendo que o governador Flávio Dino seria o 16º da lista, mas que o nome dele foi retirado por pressão do vice-procurador geral da República, Nicolau Dino, um dos braços direitos do ex-procurador geral, Rodrigo Janot. As afirmações do senador Roberto Rocha causaram forte repercussão no meio político e foram recebidas no Palácio dos Leões como uma declaração de guerra.

E a resposta não demorou, e veio em manifestações contundentes feitas pelo secretário de Assuntos Políticos e Comunicação e presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry, e pelo deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), na forma de um discurso indignado na Câmara Federal.

O secretário Márcio Jerry disse, via rede social, que Roberto Rocha “aparentando desequilíbrio, faz acusações  absurdas a Flpavio Dino  numa tentativa desesperada de aparecer. Em 2012, ajudamos a eleger o Roberto Rocha (então no PSB) a vice-prefeito de São Luis na chapa de Edivaldo Jr. (então no PTC) acreditando numa regeneração política. Mostrou-se rapidamente em processo de degeneração”. E prosseguiu afirmando que “depois de trair vilmente seus aliados, Roberto Rocha resolve mentir desavergonhadamente. O desespero o faz cometer tais desatinos”. Logo em seguida, o deputado federal Rubens Jr. entrou nas redes sociais afirmando que “tem gente que procura uma mácula de corrupção contra o governador Flávio Dino, mas não acha. Aí inventa delírio”. O parlamentar assinalou que “as principais virtudes do Flávio Dino são a integridade e a honestidade, marcas também do seu Governo”. E concluiu: “Já vi gente reclamando dessas virtudes, por ter interesses contrariados”.

O episódio – que com certeza terá outros desdobramentos, principalmente se o vice-procurador geral da República Nicolau Dino resolver reagir – é revelador de que o que era troca de esticadas por conta do afastamento político ganhou agora a agressividade de guerra permanente. Esse estado de ânimo foi desenhado no dia em que o senador saiu do PSB – dizem que por pressão do governador Flávio Dino – e ingressou no PSDB para ser logo após o anúncio da mudança. Mas a troca de biscas e cascudos ganhou peso de vale-tudo ontem, quando o senador Roberto Rocha, aproveitou a reunião da CPMI da JBS & JFS, que estava sendo transmitida ao vivo pela TV Câmara, tentou um golpe para desnortear o governador Flávio Dino, incluindo-o no listão de beneficiados com a grana suja de Joesley e Wesley Batistas, mafiosos que ganharam milhões com dinheiro fácil do BNDES. Não obteve a declaração que queria, e como que num impulso para não perder o mote, acusou o governador, instalando e tornando irreversível o estado de guerra.

Ficou claro agora que, ao contrário do que muitos acreditaram, o senador Roberto Rocha está vivo, reforça seu cacife político no Planalto e manifesta clara disposição de ocupar um lugar destacado na corrida ao Palácio dos Leões. O problema é que, saído da escola ranheta do movimento estudantil, traquejado na militância na magistratura e pós-graduado no Congresso Nacional e nos bastidores da política maranhense, o governador Flávio Dino tem cacife para jogar pesado contra o senador, podendo também infernizar a sua campanha e, pelo menos até aqui, sem comprometer o seu favoritismo.

O fato é que a guerra sucessória começou de vez. O senador Roberto Rocha, com a força do mandato e a retaguarda da cúpula nacional do PSDB, vai jogar pesado para se tornar a “segunda” e não a “terceira via”. Terá pela frente um protagonista de quilate elevado, poder de fogo imensurável e determinado a levar em frente o seu projeto de poder.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Liminar faz Zé Vieira voltar ao cargo, mas não muda o desfecho que está a caminho

Zé Vieira volta ao cargo por mais um período de interiniudade
Zé Vieira volta ao cargo por mais um período de interinidade  em Bacabal

Na sua edição de ontem, a Coluna previu que Zé Vieira (PR) não voltaria para o comando da Prefeitura de Bacabal, que ficaria com o vice-prefeito Florêncio Neto (PHS) até que, com base em pronunciamento judicial irreversível enquadrando-o como “ficha-suja”, a Justiça Eleitoral decida se anula os votos da sua chapa e declare o candidato Roberto Costa (PMDB), que ficou em segundo lugar, vencedor do pleito, ou anule a eleição para prefeito e convoque um novo pleito. Não há como fugir desse desfecho. A liminar concedida pela desembargadora Cleonice Freire é uma decisão fragilíssima e meramente protelatória, que em nada muda o juízo já formado na Justiça Federal sobre o “status” de inelegível de Zé Vieira. Qualquer advogado especialista em Direito Eleitoral com relativo conhecimento acerca dos processos que correm um na Justiça comum e outro na Justiça Eleitoral dirá que tecnicamente não há como Zé Vieira e Florêncio Neto permanecerem no comando administrativo e político de Bacabal depois do reconhecimento da condição ilegal com que o primeiro disputou a eleição. Vale lembrar que tudo começou quando o Ministério Público Eleitoral impugnou a candidatura de Zé Vieira argumentando ser ele “ficha-suja”, dando origem à chicana recursal que resultou na confirmação da denúncia do MPE pela Justiça Federal. Os fundamentos do impedimento de Zé Vieira estão amarrados nas duas frentes judiciais e a batida final de martelo sobre sua saída é somente uma questão de tempo. Ele e seus advogados sabem disso.

 

Otimista, Levy Pontes buscará a reeleição certo de que o Maranhão está  mudando sob Flávio Dino

Levy Pontes vê mudança na política
Levy Pontes vê mudança na política maranhense

As mudanças na legislação eleitoral impostas com a reforma política limitada feita pelo Congresso Nacional vão melhorar os padrões de escolha do eleitorado. Isso porque a campanha será mais rápida e mais barata e obrigará os candidatos a “enfiar o pé no tênis e encarar o eleitor”. Quem faz essa avaliação é o deputado Levy Pontes (PCdoB), que encara com realismo e otimismo, mas sem ilusões, a sua caminhada em busca da reeleição. Médico por formação e profissão e filho do ex-prefeito de Chapadinha e ex-deputado estadual Pontes de Aguiar, uma das maiores raposas da história recente da política maranhense, Levy Pontes vai partir para a conquista do segundo mandato com um discurso claro e realista, baseado principalmente nos resultados do Governo Flávio Dino em todo o estado e, em particular, na região polarizada por Chapadinha, seu berço político e sua principal base eleitoral. O parlamentar chapadinhense está convencido de que sob o Governo Flávio Dino o Maranhão encontra-se sob um denso processo de mudança que está melhorando a feição social e econômica do estado e com ações de largo alcance social, especialmente nas páreas de educação e saúde, e que isso está sendo percebido pelo eleitorado. O deputado Levy Pontes, que já foi líder do Governo na Assembleia Legislativa e permanece como um dos quadros mais ativos da bancada governista vai para a corrida eleitoral embalado pelo otimismo.

São Luís, 31 de Outubro de 2017.

Rosário: pesquisa sobre sucessão mostra força de prefeitos e disputa dura entre Flávio Dino e Roseana Sarney

 

Flávio Dino e Roseana Sarney sentem a força de Irlahi Morais e Hilton Gonçalo em Rosário
Flávio Dino e Roseana Sarney sentem a força de Irlahi Morais e Hilton Gonçalo na corrida sucessória estadual em Rosário

Aliados da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) comemoram o fato de ela ter aparecido 3,7% à frente do governador Flávio Dino (PCdoB) na preferência do eleitorado de Rosário, na disputa pelo Governo do Estado, parecendo não levar em conta que aquele pedaço da Região do Munin é politicamente excepcional, tanto que o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB) aparece em terceiro lugar com 17%, nada parecido com o resto do Maranhão. Essa dianteira, que mais sugere um empate técnico, foi encontrada pelo instituto Conceito no dia 17 de setembro, quando foram entrevistados 280 eleitores rosarienses de diversas idades. Os números encontrados pelos entrevistadores do instituto Conceito sob re as preferência do eleitorado daquela cidade foram os seguintes: Roseana Sarney com 32,2%, Flávio Dino com 29,5%, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), com 17%, o senador Roberto Rocha (PSDB) com 6,2%, e a ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (Podemos), com 1,4% – não souberam responder 5,5% e 8,2% anulariam o voto. Lembrando que a margem de erro é de 3%, podendo a ex-governadora chegar a 36,2% ou a 30,2%, e o governador a 32,5% ou a 26,5%.

Para começo de conversa, o peso dos principais candidatos a governador – Flávio Dino, que tentará a reeleição, e Roseana Sarney, que provavelmente tentará voltar ao Palácio dos Leões mostra Rosário tem um eleitorado com os pés no chão e decidiu polarizar a disputa entre o governador e a ex-governadora, mas deixando no ar que têm uma solução regional, que é o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo. Os rosarienses, como os bacabeirense e os santa-ritenses, votam cada vez mais mal humorados com candidatos a governador, movidos por duas tremendas decepções coletivas, a derrocada escandalosa do polo industrial de confecções de Rosário, na segunda metade dos anos 90 do século passado – que ainda gera consequências, e o escandaloso fiasco em que se transformou o sonho de ver aquela região tornar-se polo petrolífero, com a implantação da gigantesca refinaria Premium I.

O que faz com que Roseana Sarney ainda tenha uma boa perspectiva eleitoral em Rosário é o poder de fogo da prefeita Irlahi Morais (PMDB), que com o apoio do senador João Alberto, do deputado federal João Marcelo e do deputado estadual Roberto Costa, transformou o Rosário numa espécie de cidadela pemedebista, tornando-se linha de frente no projeto que prevê a candidatura da ex-governadora ao Palácio dos Leões. Sem o apoio decisivo da prefeita pemedebista, que se reelegeu quebrando uma nefasta sequência de prefeitos destrambelhados que não passaram de um mandato, a ex-governadora Roseana Sarney talvez fosse batida por Hilton Gonçalo. E governador Flávio Dino tem condições de virar o jogo, e o fará com mais facilidade se conseguir, como espera, fincar as bases de um complexo mais realista de refino de petróleo em Bacabeira, como está sendo alinhavado.

No que diz respeito ao terceiro lugar do prefeito santa-ritense Hilton Gonçalo (17%) na preferência dos rosarienses, trata-se de um fenômeno localizado no pedaço do Munin que reúne Rosário, Bacabeira e Santa Rita, onde ele parece consolidado como o maior líder. Não há como não enxergá-lo como tal depois da proeza que protagonizou de voltar à Prefeitura de Santa Rita com quase 80% votos, eleger a mulher, Fernanda Gonçalo (PMN), prefeita do município de Bacabeira (17 mil habitantes), e a irmã, Irene Gonçalo), em Pastos Bons (19 mil habitantes), uma cidade referência no sertão maranhense. E no caso, vale repetir, não fosse a prefeita Irlahi Morais, provavelmente Hilton Gonçalo estaria disputado em Rosário com Flávio Dino.

Não se trata de inibir a comemoração dos partidários da ex-governadora Roseana Sarney com o “gostinho” isolado de vê-la à frente do governador Flávio Dino. Mas, vale repetir, Rosário é uma realidade completamente à parte no contexto dos municípios maranhenses, sujeita a mudanças. Por isso ninguém duvida de que, diante desses números, o governador Flávio Dino vai jogar pesado para melhorar o seu desempenho e virar o jogo. Sabendo que com a movimentação da prefeita Irlahi Morais, com o PMDB mantido no poder central e seus representantes maranhenses com acesso fácil ao Palácio do Planalto e à Esplanada dos Ministérios, o jogo ali deve endurecer e poderá surpreender a favor de um dos lados.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Zé Reinaldo segue construindo base e ganha apoio enfático do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB)

Zé Reinaldo embalado por Tema Cunha e Rubens Jr.
Zé Reinaldo embalado por Tema Cunha e Rubens Jr. durante encontro em S. Mateus

Ao mesmo tempo em que se defronta com incompatibilidades política e ideológica com o governador Flávio Dino (PCdoB), o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares (ainda no PSB, mas a caminho do DEM) vai se movimentando e construindo uma base de apoio político ampla e consistente à sua candidatura ao Senado e que deverá, no momento certo, ganhar sua expressão eleitoral. Na noite de sábado, José Reinado foi alvo, em São Mateus (40 mil habitantes), do 2º Encontro da Gratidão, organizado pelo prefeito Miltinho Aragão  (PSB) – o primeiro aconteceu há três meses em Tuntum, organizado pelo refeito e presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB), um dos mais entusiasmados apoiadores do projeto senatorial do ex-governador. Foram a São Mateus vários prefeitos, entre eles Tema Cunha, 25 prefeitos da região e o ex-prefeito Chico Leitoa (Timon), representando o comando do PSB.

Além do presidente da Famem, a presença mais forte no evento de São Mateus foi a do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), cujas palavras para justificar o evento foram de uma precisão política exemplar:

“É mais do que justo  esse pleito do ex-governador José Reinaldo por tudo o que ele representa para o nosso campo político no Maranhão. Sem o apoio do governador José Reinaldo, não teria surgido Flávio Dino,  Jackson não teria sido eleito em 2016 e a história não teria sido do jeito que foi. Ele já se sacrificou várias vezes. Em 2010 perdeu uma eleição em que todos nós fomos derrotados. E em 2014 ele recuou para uma candidatura de deputado federal para que pudéssemos apoiar um outro candidato a senador. Agora em 2018 acreditamos que chegou a hora de o José Reinaldo ser o senador de todos nós”.

 Florêncio Neto assume como prefeito de Bacabal, mas sabe que não ficará no cargo

Florêncio Neto: prefeito provisório
Florêncio Neto: prefeito provisório

A posse do vice-prefeito Florêncio Neto (PHS) no cargo de prefeito Bacabal ocupando temporariamente o espaço formal e político aberto com o afastamento – tudo indica definitivo – do prefeito Zé Vieira (PR) é o desfecho previsto do imbróglio cuja etapa decisiva só acontecerá quando a Justiça Eleitoral disser como será a etapa final do processo eleitoral naquele município.

O agora prefeito Florêncio Neto sabe que, salvo por uma distorção judicial, não continuará no cargo. Pelo simples fato de que a confirmação de que Zé Vieira é ficha suja certamente levará a Justiça Eleitoral a explodir a chapa na qual foi eleito como vice. A Justiça Eleitoral só tem duas alternativas possíveis ao reconhecer formalmente a inelegibilidade de Zé Vieira: anular os votos da chapa por ele liderada e empossar o deputado estadual Roberto Costa (PMDB), que assim passa a ser o primeiro colocado, tornando-se prefeito em definitivo, ou convocar uma nova eleição para prefeito de Bacabal, nesse caso tendo o presidente da Câmara Municipal como prefeito interino.

É essa a etapa final do roteiro. Qualquer coisa fora disso será mero jogo para ganhar tempo, mas sem nenhum efeito prático. Nada mais.

São Luís, 30 de Outubro de 2017.

Conflitos ideológicos afastam José Reinaldo de Flávio Dino e atingem fortemente partidos de esquerda

 

José Reinaldo, Roberto Rocha, Ricardo Murad e Raimundo Cutrim: exemplos de contradição ideológica
José Reinaldo, Roberto Rocha, Ricardo Murad e Raimundo Cutrim: exemplos importantes de contradição ideológica

Nenhuma fala do governador Flávio Dino (PCdoB) indicou até agora o motivo pelo qual ele tende a não apontar o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB) como um dos nomes que disputarão as duas cadeiras no Senado pela aliança governista em 2018. Nos bastidores, na crônica política, nas artérias da blogosfera e nas rodas de conversa estabeleceu-se a convicção de que o grande empecilho à unção do ex-governador como candidato da Situação são as suas posições alinhadas à direita no plano nacional – votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), duas vezes pela permanência do presidente Michel Temer (PMDB), a favor da reforma trabalhista e tende a apoiar a reforma da Previdência, entre outras posições -, mesmo se mantendo leal ao governador e às linhas gerais do seu Governo. O caso é, provavelmente, o mais revelador da celeuma partidária que transformou a realidade política brasileira numa espécie de geleia geral, na qual as escolhas partidárias se dão mais por conveniência e instinto de sobrevivência do que pela opção por um projeto para o País.

Quatro casos exemplificam bem essa confusão que escancara a falta de uma cultura política e partidária no país e que, pelas distorções que essa carência promove, torna o cenário partidário nacional um caso raro de uma contradição que se reflete nos movimentos da política do Maranhão.

O primeiro e mais importante envolve o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares, ainda filiado ao PSB, sem que em nenhum momento da sua vida política tenha mostrado qualquer traço de simpatia, por mais leve que fosse, pelos postulados da esquerda. As posições assumidas por José Reinaldo no Congresso Nacional são a própria tradução da sua plena identificação com o liberalismo, que representa a face mais democrática e moderna da direita, que rejeita qualquer postulado como a defesa intransigente da propriedade, a liberdade de mercado, a livre empresa, o conceito pleno de lucro e a redução da presença do Estado no processo econômico, postulados inaceitáveis, em diferentes medidas, pelo governador Flávio Dino e pelo comando nacional do PSB. O ex-governador já registrou, com bastante clareza, que não pretende afastar-se da aliança política do governador, mas foi igualmente claro ao afirmar também não mudará suas posições liberais, as quais defende como princípios. Além do mais, José Reinaldo tem demonstrado alinhamento político com o Governo do presidente Michel Temer, o que incomoda profundamente o Palácio dos Leões. O conflito de posições causou e alimenta o distanciamento, num processo em que não existe culpado, bandido ou mocinho e que se resolve quando um deles – no caso José Reinaldo – encontrar o seu quadrado partidário. Por conta das contradições ideológicas, o nó que está dado, e se José Reinaldo não procurar sua turma, terá de rever seu projeto, já que, a menos que haja um recuo radical por parte do governador Flávio Dino, ele dificilmente será candidato pela aliança governista.

O segundo exemplo está na contradição ideológica que embalou o senador Roberto Rocha até pouco tempo. As posições liberais assumidas pelo senador foram fator decisivo para o seu afastamento e rompimento com o governador Flávio Dino e da sua saída do PSB e retorno ao ninho dos tucanos, no qual se encaixa com perfeição. Roberto Rocha nasceu politicamente no seio da direita, na vertente sarneysista do valente e autêntico ex-líder estudantil, ex-vereador de São Luís, deputado estadual, ex-deputado federal, ex-prefeito de Balsas e ex-governador do Maranhão Luiz Rocha, também advogado e grande produtor rural, introdutor entusiasmado do agronegócio no estado, DNA ideológico que cedo ou tarde tornaria inviáveis sua permanência no PSB e sua condição de figura de proa no núcleo de comando na aliança comandada pelo governador. O rompimento foi, portanto, uma consequência natural de uma incompatibilidade de berço, reforçada com outros fatores, como a legítima e saudável ambição politica de cada um.

Os dois exemplos que se seguem são ao mesmo tempo ilustrativos e contundentes dessa contradição que alimenta a imprecisão da face e da essência de partidos de esquerda – porque, curiosamente, não há esquerdista “militando” em partido de direita. O primeiro: é muito difícil compreender que o deputado Raimundo Cutrim tenha se tornado um quadro do PCdoB. Delegado federal de carreira, que atuou fortemente nos anos de chumbo, quando a Polícia Federal foi usada pela ditadura para caçar e varrer do mapa político nacional militantes da esquerda, Raimundo Cutrim entrou na política pelas entranhas do sarneysismo com o qual rompeu e acabou ingressando no movimento liderado pelo governador Flávio Dino, tornando-se apenas uma voz e um voto governista na Assembleia Legislativa, sem qualquer traço de identificação com a matriz ideológica do partido ao qual está filiado ninguém sabe exatamente por que. O quarto exemplo: será possível que o ex-deputado Ricardo Murad – político nascido no berço de ouro do sarneysismo, recém-filiado ao PRP, tenha comandado o PSB e defendido teses socialistas no Maranhão? Saído do velho PDS no final dos anos 90 do século passado, depois de romper com o Grupo Sarney, abrigou-se no PSB, que se encontrava sem norte no Maranhão e cujo comando assumiu com estardalhaço, depois de encantar o respeitado deputado federal José Carlos Sabóia, à época o principal líder do partido no estado. Seu perfil claramente de direita não se encaixou no partido, como não se encaixaria depois no PDT. Voltou ao seu quadrado de origem.

Nesse contexto, impressiona que o ex-governador José Reinaldo, que terá portas abertas em qualquer agremiação partidária do centro e da direita insista em permanecer no PSB amargando as restrições que agora lhes são feitas e que se refletem com muita força no seu relacionamento cada vez mais frágil com o governador Flávio Dino que, tudo indica, dificilmente o anunciará como seu candidato a senador.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bacabal: Justiça afasta Zé Vieira e TSE deve cassá-lo, empossar Roberto Costa ou convocar nova eleição

Zé Vieira e Florêncio Neto devem sair. Roberto Costa na expectativa
Zé Vieira e Florêncio Neto devem sair. Roberto Costa aguardando decisão do TSE

O Maranhão político e a parte mais antenada do eleitorado acompanham o tenso e imprevisível desenrolar da guerra judicial pelo comando da Prefeitura de Bacabal, cujo desdobramento mais recente foi o afastamento do prefeito Zé Vieira e a providência da Câmara Municipal de convocar o vice-prefeito Florêncio Neto (PHS) para assumir o cargo, mas a convicção o alcançou sob o impacto de uma tragédia familiar (a morte do seu filho), causando um incômodo hiato de acefalia na gestão municipal.

A guerra em curso em Bacabal é travada, de um lado, pelo prefeito eleito e agora afastado Zé Vieira (PR), que lidera um grupo pesado que reúne pesos pesados da política local, como o ex-prefeito José Alberto e o deputado estadual Carlinhos Florêncio (PHS), que é pai do vice-prefeito Florêncio Neto, e de outro pelo deputado estadual Roberto Costa (PMDB), candidato do grupo liderado pelo senador João Alberto (PMDB) e segundo colocado na disputa.

A guerra se dá em duas frentes judiciais, uma na Justiça Eleitoral, alimentada por ação do Ministério Público Eleitoral que impugnou a candidatura de Zé Vieira argumentando que ele é ficha-suja, seguindo-se uma sucessão de recursos, de modo que a decisão está na agulha do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a outra frente na Justiça comum e que, após a sucessão de recursos, chega à confirmação de que Zé Vieira é mesmo ficha suja e não pode ser prefeito, aliás, não poderia sequer ter sido candidato. O primeiro desfecho foi a ordem judicial (Justiça comum) afastando Zé Vieira e mandando o presidente da Câmara Municipal empossar o vice-prefeito, o que deve ser feito hoje ou amanhã.

Na frente eleitoral, o TSE vai decidir a qualquer momento se cassa ou não a chapa de Zé Vieira e assim o despacha junto com o vice-prefeito Florêncio Neto. É quase certo que decidirá pela cassação diante da confirmação da Justiça comum que Zé Vieira é ficha suja. Nesse contexto, a decisão esperada é se, cassada a chapa de Zé Vieira-Florêncio Neto, o cargo será entregue ao segundo colocado, deputado Roberto Costa, ou será empossado interinamente o presidente da Câmara Municipal e convocada nova eleição em 90 dias. O que for dito fora desse cenário é artimanha destinada a beneficiar um ou outro envolvido na peleja.

Uma pendência está resolvida: ainda que venha ser beneficiado por recurso improvável, Zé Vieira dificilmente voltará ao cargo, podendo ser considerado fora do jogo. E a julgar por tudo o que foi apurado e decidido até agora no âmbito da Justiça Eleitoral, uma avaliação simples e isenta sugere que o vento está soprando a favor do deputado Roberto Costa, embora seja também provável a convocação de nova eleição.

 

Wellington diz que se Fufuca e o PP quiserem, ele será candidato a governador ou a senador

Wellington do Curso vai seguir a orientação de André Fufuca
Wellington do Curso vai seguir a orientação de André Fufuca na corrida eleitoral

“Se o PP e o André Fufuca quiserem, eu posso ser candidato à reeleição, a governador e a senador. Só não aceito ser candidato a deputado federal, para não disputar votos com André Fufuca (presidente do partido), que é meu líder, o cara politicamente mais correto que encontrei na política do Maranhão”. A declaração, feita em tom enfático, revelou o estado de ânimo do deputado estadual Wellington do Curso (PP) em relação ao seu futuro político imediato. Ao mesmo tempo, amenizou a impressão da Coluna de que estivesse amargando um processo de isolamento por conta das suas posições duramente críticas em relação ao Governo do Estado. Na conversa aberta e direta, Wellington do Curso causa a impressão de que a reaproximação do PP com o Palácio dos Leões, ao contrário do que muitos imaginam, não o coloca em situação delicada no partido nem refreiam suas investidas contra ações do Governo, que considera impróprias ou inadequadas. “Estou bem, e sinceramente não estou preocupado com eleição. Devo ser candidato à reeleição, mas não sou apegado a cargo e estou a disposição do partido e do meu líder André Fufuca. Vamos conversar. Se ele e o partido acharem que eu deva ser candidato à reeleição, eu serei. Se acharem que eu deva ser candidato a senador, eu serei. Mas se acharem que eu deva ser candidato a governador, eu serei. Não tem problema nenhum”, diz, com surpreendente firmeza em se tratando de um político jovem em ano eleitoral. Wellington do Curso não tocou no assunto, mas não consegue esconder que o seu grande projeto é disputar a Prefeitura de São Luís em 2020, acreditando que até lá terá ampliado e consolidado o espaço político e eleitoral que conquistou sozinho na eleição de 2016, quando bateu a casa dos 100 mil votos e foi o terceiro colocado na disputa em São Luís enfrentando o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e o deputado Eduardo Braide (PMN). Vale, portanto, acompanhar com atenção os próximos passos de Wellington do Curso.

São Luís, 28 de Outubro de 2017.

Ricardo Murad vai do céu ao inferno político, passando de candidato a governador a condenado por abuso de poder

Ricardo Murad e Tereza Murad: condenador por abuso nas eleições
Ricardo Murad e Tereza Murad: condenador por abuso nas eleições de 2012

Num intervalo de apenas três dias, nesta semana, o ex-deputado Ricardo Murad saiu da pista asfaltada na qual iniciava os movimentos para tentar decolar como candidato a governador, para atolar em terreno charco como condenado pela Justiça Eleitoral a ficar oito anos longe das urnas por causa de estripulias e abusos que, segundo a  juíza Josane Araujo Farias Braga, da 8ª Zona Eleitoral (Coroatá), ele cometera em 2012, como secretário de Estado da Saúde, para favorecer sua mulher, Tereza Murad, então candidata à Prefeitura de Coroatá.

A reviravolta interrompeu abruptamente a largada da corrida que faria rumo às eleições de 2018 e obrigou-o, agora, a concentrar recursos e energia para tentar reverter a condenação, sem o que terá apenas uma atuação fantasmagórica como mentor e coordenador informal do projeto de reeleição da filha, deputada estadual Andrea Murad (PMDB), e do genro, deputado estadual Souza Neto (PROS), e num plano mais geral, atuará em posição de comando – principal ou secundário – da campanha de Roseana Sarney (PMDB), provável candidata do Grupo Sarney ao Governo do Estado. Embora surpreendente e controversa, a situação se encaixa como uma luva encomendada no perfil político do ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia Legislativa, ex-deputado federal, ex-prefeito de Coroatá, ex-secretário municipal de Governo de Coroatá, ex-gerente metropolitano e ex-secretário de Estado da Saúde – cargo no qual comandou o Saúde é Vida, o maior, mais arrojado e controverso programa do último Governo de Roseana Sarney.

Há pouco mais de uma semana, Ricardo Murad saiu de uma clausura que havia se imposto para dedicar-se à sua defesa contra a acusação de que cometera desvios cabeludos na Secretaria de Estado da Saúde, imbróglio que levou a Polícia Federal a buscá-lo em casa e levá-lo, em vexatória condução coercitiva, para depor na sua sede em São Luís. E como não poderia ser diferente, Ricardo Murad saiu da reclusão para, à sua maneira sempre estridente, agitar o meio político anunciando sua saída do PMDB e ingressar no nanico PRP e deixar no ar especulações sobre seu futuro político. Calculando cada passo, dias depois (23), Ricardo Murad voltou a público para anunciar sua candidatura ao Governo do Estado, gerando frisson na blogosfera e na classe político. Ontem (26), porém, uma explosiva decisão da Justiça Eleitoral de Coroatá o condenou a oito anos sem direitos políticos, interrompeu assim o roteiro por ele escrito e bem ensaiado, para retornar ao cenário político gerando fatos e atraindo atenção, movimentos nos quais é mestre com graduação, pós-graduação  e PHD.

Mas ninguém deve apostar alto que Ricardo Murad foi abatido de vez por uma decisão judicial de primeira instância acusado de abusar do poder. Quem o conhece – e sua trajetória confirma -, sabe que ele vai jogar pesado no tapetão judicial para livrar-se desse obstáculo e reverter os danos dessa reviravolta. Poucos são os políticos que jogam tão bem nessa seara onde só os craques e ousados sobrevivem. Uma avaliação cuidadosa e isenta da situação concluirá, sem maiores esforços, ser expressiva a probabilidade de o ex-secretário e seus advogados consigam, pelo menos, suspender os efeitos da sentença condenatória.

Ninguém duvida também de que Ricardo Murad venha a conseguir reverter a situação e seguir em frente com o seu projeto de poder. Afinal, não é a primeira que o ex-presidente da Assembleia Legislativa (1987/1989) vive uma situação complicada e que mistura gestão pública com política. E tudo indica que reverterá temporariamente a condenação, mesmo levando em conta o fato de que existe agora uma tendência na Justiça no sentido de que os juízes sejam mais rigorosos em condenação, de modo a tornar mais difícil a aceitação de recursos e a concessão de liminares com efeito suspensivo que autorizem fichas sujas a participar se processo votando e sendo votado, em situação sub júdice. Daí se razoável supor que, mesmo bombardeado pela Justiça Eleitoral, Ricardo Murad tem chance de disputar votos em 2018 como candidato a governador, senador, deputado federal e conforme anunciou.

Do ponto estritamente político, o projeto do ex-deputado Ricardo Murad de candidatar-se a governador pode ser entendido por vários vieses, menos o que o identifique como uma aventura. O primeiro seria uma estratégia para “puxar” as candidaturas de Andrea Murad e Souza Neto à reeleição. O segundo seria uma forma de pulverizar a votação para governador e assim levar a disputa para um segundo turno entre o governador Flávio Dino e Roseana Sarney. E o terceiro é que a candidatura de Ricardo Murad a governador poderia ser o “Plano B” do Grupo Sarney caso a ex-governadora resolva continua curtindo a aposentadoria que anunciou depois de passar o Governo para o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo em dezembro de 2014.

O fato é que, mesmo duramente bombardeado pela via judicial, carregando agora uma condenação que poderá torná-lo um pária político por quase 3.300 dias, o que o segregará das eleições de 2018, 2020 e 2022, Ricardo Murad dá mostras de que continua ousado, polêmico e bom de briga. Se tem futuro político, o tempo dirá um pouco mais na frente.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Deputados contra e a favor de Michel Temer estão enfrentando cobranças nas ruas

Se g=for denunciado de novo, Michel temer terá o apoio da maioria da bancada maranhenseHildo Rocha
Deputados pró e contra Michel Temer estão enfrentando questionamentos e críticas.

Os deputados federais maranhense estão enfrentando a avaliação do cidadão sobre a decisão da Câmara Federal arquivar, por maioria, o pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o presidente Michel Temer (PMDB) e dois dos seus ministros, denunciados pelo Ministério como suspeitos de formação de quadrilha e também de tentativa de obstruir a Justiça. De um modo geral, os 11 parlamentares que votaram pelo arquivamento – Sarney Filho (PV), Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Victor Mendes (PSD), José Reinaldo Tavares (PSB), Júnior Marreca (PEN), Juscelino Filho (DEM), André Fufuca (PP), Pedro Fernandes (PTB), Aluísio Mendes (PTN) e Cléber Verde (PRB) – o mau humor do eleitorado que não quer Michel Temer na presidência da República. De um modo geral, o discurso dos deputados alinhados ao Palácio do Planalto se lastreie em três pontos: a denúncia “é fraca” e nada prova contra o presidente; garantir a permanência do presidente evitou que o País tivesse sua crise agravada pela agitação que certamente aconteceria com a escolha do novo presidente pela própria Câmara Federal; e, finalmente, é que, fora as denúncias, o Governo Michel Temer está avançando bem na retomada do processo econômico saudável. Uns estão enfrentando vaias aqui e ali, cobranças contundentes e críticas duras. Já os deputados de Oposição, que votaram contra o presidente – Weverton Rocha (PDT), Rubens Jr. (PCdoB), Eliziane Gama (PPS), Julião Amin (PDT), Zé Carlos (PT), Waldir Maranhão (PTdoB) – estão em situação bem mais confortável, embora enfrentem também, porém em menor escala, aliados de Michel Temer, que os criticam e estão tentando “prejudicar” o País onde as empresas estão começando a se revigorar reiniciando o processo econômico em novas de bases.

Em Tempo: os deputados Luana Costa (PSB) faltou à sessão e Deoclídes Macedo (PDT) foi substituído pelo titular da vaga, Julião Amin (PDT), que fez questão de participar da vtação histórica para dizer “não” ao presidente.

Tribunal de Justiça oxigena magistratura com promoções de juízes

Cleones Cunha (centro) n ato da posse dos magistrados
Cleones Cunha (centro) no ato da posse dos magistrados, ocorrida na quarta-feira

Um ato comandado nesta semana pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Cleones Cunha, movimentou segmentos da magistratura maranhense, Ele empossou sete juízes de Direito, cujas promoções e remoções foram aprovadas em sessão plenária administrativa realizada na  quarta-feira (25). Com a medida, a presidência do TJ, de acordo com proposta da Corregedoria Geral da Justiça, oxigenou parte da magistratura, avançando de acordo com as regras que norteiam a magistratura.

Os juízes Raphael Leite Guedes e Maria da Conceição Privado Rêgo foram promovidos, pelos critérios de antiguidade e merecimento, respectivamente. Raphael Leite Guedes passará a atuar na 1ª Vara da Comarca de Buriticupu (entrância intermediária). Já Maria da Conceição Privado Rêgo vai exercer suas atividades judicantes na Comarca da Ilha de São Luís (entrância final).

Os juízes Ivis Monteiro Costa (critério de antiguidade) e Josane Araújo Farias Braga (critério de merecimento) foram removidos para a Vara Única da Comarca de São Bento e para a 2ª Vara da Comarca de Vitorino Freire, respectivamente.

Representados por procuração pela magistrada Lavínia Helena Macedo Coelho, o juíz Holídice Cantanhede Barros (pelo critério de antiguidade) foi removido para o Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Pinheiro.

Também representado pela magistrada Lavínia Helena Macedo Coelho, o juiz Marcos Antonio Oliveira (pelo critério de antiguidade) foi promovido para o cargo de Juiz de Direito de entrância final, com titularidade na mesma unidade judiciária de entrância intermediária da qual é titular.

Delvan Tavares Oliveira (pelo critério de antiguidade) foi promovido para o cargo de Juiz de Direito de entrância final, com titularidade na mesma unidade judiciária de entrância intermediária da qual é titular. Ele foi representado também pela juíza Lavínia Helena Macedo Coelho.

Prestigiaram a cerimônia de posse a desembargadora Maria das Graças Duarte Mendes, os juízes Isabella Lago (diretora-geral do TJMA), Júlio Praseres (auxiliar da Presidência), Marilse Medeiros (secretária-geral da Esmam), Kariny Reis Bogéa Santos (3ª Vara da Comarca de Santa Inês), Flávio Gurgel  e familiares.

É isso aí.

São Luís 26 de Outubro de 2017.

 

Sobrevivência de Michel Temer reanima Roseana Sarney e faz Flávio Dino reforçar o poder de fogo que acumulou

 

Michel Temer pode embalar Roseana Sarney e criar dificuldades para Flávio Dino
Michel Temer pode embalar Roseana Sarney e criar dificuldades para Flávio Dino na corrida eleitoral

O salvamento, ontem, do mandato do presidente Michel Temer (PMDB), com a decisão da Câmara Federal de arquivar a segunda e última contra ele, colocou ponto final nas incertezas e ligou o sinal verde para que as forças políticas do Maranhão comecem de fato a se organizar para a guerra eleitoral que se aproxima. De um lado, a sobrevivência do presidente teve o efeito de uma injeção de ânimo no Grupo Sarney, funcionando como a senha que faltava para que sua estrela maior, a ex-governadora Roseana Sarney, tire finalmente da gaveta o projeto por meio do qual espera voltar ao Palácio dos Leões. De outro lado, o livramento do presidente Michel temer teve sabor de derrota política para as forças lideradas pelo governador Flávio Dino (PCdoB), sem que isso, no entanto, signifique danos ao seu projeto de poder. A nova situação do chefe da Nação pode ser também vista como uma injeção de ânimo no projeto da terceira via do senador Roberto Rocha (PSDB).

Como estava sendo desenhado, o projeto eleitoral do Grupo Sarney encontrava-se até ontem estancado numa tensa e incômoda indefinição, já que o único nome viável que dispõe para disputar o Governo do Estado, a ex-governadora Roseana Sarney não admitia ser candidata sem ter a retaguarda do PMDB no poder, que na intimidade ela chama de “cavalo selado”. O cavalo foi selado no final da votação da Câmara Federal, com a ajuda direta dos votos favoráveis dados pelos deputados Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Sarney Filho (PV), Victor Mendes (PSD), Júnior Marreca (PEN), Pedro Fernandes (PTB) e Aluísio Mendes (PTN), uma vez que os outros deputados que votaram a favor do presidente – Cléber Verde (PRB), André Fufuca (PP), José Reinaldo Tavares (PSB) e Juscelino Rezende (DEM) – já migraram do Grupo Sarney para a aliança que dá sustentação ao governador Flávio Dino.

As diversas correntes do Grupo Sarney ganhou, na noite de quarta-feira, o argumento que precisava para convencer a ex-governadora Roseana Sarney a se candidatar, por acreditar, como ela, que com a permanência do pemedebista no Palácio do Planalto, os candidatos do PMDB poderão ter suas candidaturas turbinadas ao longo da campanha. E é nesse clima que a ex-governadora está sendo estimulada a entrar na briga, mesmo com as muitas dificuldades que rondam seu projeto.

De outro lado, a vitória d presidente confirmou um já esperado saber de derrota ao grupo liderado pelo governador Flávio Dino. Os votos dos deputados Rubens Jr. (PCdoB), Weverton Rocha (PDT), Julião Amin (PDT), Eliziane Gama (PPS), Zé Carlos (PT) e Waldir Maranhão (PTdoB) – a deputada Luana Costa (PSB) não compareceu – foram importantes como uma necessária e democrática manifestação da Oposição, mas não o suficiente para barrar o rolo-compressor acionado, também dentro das regras democráticas, pelo Palácio do Planalto. A sobrevivência de Michel Temer certamente significará tempos difíceis para o atual Governo do Maranhão, e fortes embaraços políticos durante a corrida pelo voto.

Viabilizado como bom gestor, o governador Flávio Dino está cacifado para tocar seu projeto de reeleição sem maiores sobressaltos. Mas sabe que uma candidatura como a de Roseana Sarney embalada por um PMDB no poder central, disposto a impedir a volta da esquerda ao primeiro plano e jogando tudo para eleger o sucessor do presidente Michel Temer, retomar o poder nos estados e sair das urnas ainda como o maior partido do Brasil, constitui uma ameaça política e eleitoral que não pode se desprezado.

Nesse contexto, que tende a uma forte polarização, a sobrevivência do presidente Michel Temer pode abrir também uma brecha para o senador Roberto Rocha elaborar e tocar o seu projeto eleitoral. Agora tucano de proa e rezando na cartilha da aliança PSDB-PMDB, mas chancelado pelo tucanato como candidato a governador, ele poderá contribuir para levar a disputa para um segundo turno e valorizar seu cacife nos acordos que eventualmente se farão para fechar o processo eleitoral.

O fato é que o arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer ganhou a importância de marco decisivo para definir o cenário em que se dará a corrida eleitoral que desenhará o futuro do Maranhão nos próximos tempos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Rubens Jr. Weverton Rocha e Hildo Rocha fizeram a diferença na sessão que livrou Michel Temer

Rubens Jr., Weverton Rocha e Hildon Rocha foram destaque
Rubens Jr., Weverton Rocha e Hildo Rocha foram destaques na sessão de ontem

Os 17 deputados federais maranhenses – a deputada Luana Costa não compareceu – que contribuíram para decidir o destino da denúncia contra o presidente Michel Temer votaram manifestando duras e firmes posições contra e a favor do chefe da Nação. Mas ao longo do dia, no decorrer dos movimentos legítimos e interessantes feitos pela Oposição para embaraçar o processo, ameaçar o quórum e, se fosse possível, até adiar a votação, tudo com o objetivo maior de forçar o Governo a se desdobrar para manter sua base unida mostrando suas garras, três deputados maranhenses se destacaram: Rubens Jr., Weverton Rocha e Rubens Jr..

Hoje um dos membros mais destacados da bancada do PCdoB, atuando de igual para igual com “monstros sagrados” como a comunista fluminense Jandira Feghali, o deputado Rubens Jr. teve posição destacada na estratégia da Oposição de tirar o sono no Palácio do Planalto. Coube a ele a tarefa de infernizar a vida dos líderes governistas ao apresentar uma proposta de fatiar a denúncia em três, argumentando, de maneira firme e convincente, que eram três os denunciados – o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Wellington Moreira Franco (Secretaria de Governo). A proposta, que chegou a ser considerada por vários líderes, apavorou os articuladores do Governo, que foram buscar socorro no deputado-presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), tendo ele batido martelo mantendo a denúncia como uma só peça. Rubens Jr. ocupou todos os espaços para infernizar a vida dos líderes governistas com a proposta.

Líder da bancada do PDT e atualmente um dos deputados mais influentes na Oposição, a começar pelo fato de que mantém a linha de atacar fortemente o Governo, Weverton Rocha foi um dos mais ativos líderes oposicionistas na movimentação oposicionista para obstruir a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer e seus ministros. Além de articular com eficiência a bancada do PDT, que manteve firmemente sua posição a favor da denúncia e da investigação, Weverton Rocha manteve sua artilharia verbal na ativa no espaço onde os oposicionistas em obstrução montaram um plenário paralelo, de onde desferiram duros petardos verbais contra o Governo.

O deputado pemedebista Hildo Rocha se movimentou em sentido contrário. Enquanto a tropa oposicionista instigava os deputados a não darem quórum de 342 votos para garantir a abertura da sessão, o pemedebistas se mantinha no plenário e convocava seus colegas pelo microfone para comparecerem ao plenário para garantir a votação. Nos vários discursos rápidos que fez, convocou os colegas, fez críticas duras aos que tentavam inviabilizar a sessão e chamou várias vezes de “fujões” os que teimavam em se manter longe do o plenário. Foi, de longe, o governista que mais atuou para que o quórum fosse alcançado.

 

Em votação agitada, Wellington d Curso propõe concessão de medalha para João Dória

Wellington do Curso homenageia João Dória em decisão polêmica
Wellington do Curso tenta homenagear João Dória em decisão polêmica 

Amargando um processo de isolamento político e partidário, já estando com um é fora do PP, de onde se não sair de vez será convidado a fazê-lo, o deputado Wellington do Curso emitiu ontem um sinal claro de que está interessado em aterrissar no ninho dos tucanos. E o fez de uma maneira nada ortodoxa, mas surpreendente: propondo a concessão da Medalha do Mérito Nagib Haickel, uma importante honraria da Assembleia Legislativa a ninguém menos que o atual prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB).  A proposta foi aprovada por 14 votos contra 13 em primeiro turno.

Habitualmente uma consensual e via de regra aprovada por acordo tácito, a proposta de Wellington do Curso destinada a homenagear o prefeito de São Paulo se transformou num surpreendente imbróglio, porque a bancada do Governo resolveu politizar a discussão e firmar posição contra a concessão. Apanhado de surpresa, o autor da proposta se movimentou em meio a um forte bate-boca e encontrou a solidariedade e o apoio da bancada da Oposição. E após um “jogo-de-dá-não dá” animado por um forte bate-boca entre governistas e oposicionistas, o requerimento foi aprovado por um voto de vantagem, podendo esse placar ser revertido no segundo turno, que deve ocorrer hoje. Curiosamente, o voto que deu a vantagem foi o do deputado Sérgio Frota, único tucano da Casa e que ironicamente integra a base de apoio do Governo

O resultado da votação mostrou que Wellington d Curso está politicamente isolado, mas já com a possibilidade de desembarcar no ninho dos tucanos. Quem sabe?

São Luís, 25 de Outubro de 2017.

Decisão da Câmara Federal sobre Michel Temer vai definir cenários para Flávio Dino e Roseana Sarney

 

Flávio Dino quer Michel temer fora: Roseana Sarney quer salvá-lo
Flávio Dino quer Michel Temer fora: Roseana Sarney é contra

Qualquer que seja o resultado da votação de hoje, por meio da qual a  Câmara Federal decidirá se autoriza ou não o Supremo Tribunal Federal abrir investigação para apurar a denúncia feita pela Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB), ele terá impacto  forte e importante no futuro político imediato do Maranhão . Se os deputados federais atenderem ao pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) e autorizarem a abertura de investigação do chefe do Governo por suspeita de envolvimento com obstrução da Justiça e organização criminosa, a notícia será bem recebida pelo liderado pelo governador Flávio Dino, cujo partido, o PCdoB, está empenhado numa intensa campanha para catapultar o presidente. Mas se o plenário da Câmara Federal, como da outra vez, negar a autorização e mandar o pedido para o arquivo, deixando o presidente livre para concluir seu mandato, a comemoração será feita pelo Grupo Sarney, que tem o PMDB, partido do presidente Michel Temer, como carro-chefe.

Mesmo ciente de que, a menos que haja um fato político extraordinário e não previsto em qualquer agenda, praticamente inexiste a possibilidade de a maioria abandonar o presidente Michel Temer, o PCdoB lidera o movimento oposicionista na Câmara Federal. E o fato de o deputado Rubens Jr., vice-líder do partido, ter tomado a iniciativa de propor o fatiamento da denúncia contra Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, apostando que a medida poderia complicar a vida do primeiro, produz naturalmente a impressão de que o parlamentar se movimenta com o aval do Palácio dos Leões. A posição claramente anti-Temer do governador Flávio Dino e do seu partido ganhou desenho definitivo já na cruzada que ele liderou contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). E ganhou novas cores no início deste mês, quando comandou um megacomício em frente ao Palácio dos Leões para marcar o encerramento da incursão política do ex-presidente Lula (PT) pelo Nordeste.

A ação anti-Temer do governador Flávio Dino trabalha com um objetivo rigorosamente improvável, o de que, aprovada a abertura de investigação da denúncia, Michel Temer será afastado e o presidente da Câmara Federal, o deputado fluminense Rodrigo Maia (DEM) se mudará para o Palácio do Planalto e convocará uma eleição presidencial para um mandato tampão, e que Lula será imbatível nesse pleito, abrindo caminho para a volta da esquerda ao poder e, com isso, turbinando o Governo do PCdoB e o cacife político do governador.

A sobrevivência de Michel Temer no comando da República, que está desenhada e deve ser confirmada hoje, representará o fechamento das portas dos ministérios para o atual Governo do Maranhão, salvo no que não for possível fechar. Os sinais dessa rebordosa já foram emitidos nas visitas recentes de ministros ao Maranhão para cumprir agendas afinadas com seus aliados, num claro processo de instrumentalização dos projetos de candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) ao Governo do Estado e do deputado federal Sarney Filho (PV), atual ministro do Meio Ambiente, ao Senado. E é exatamente nessa perspectiva que Roseana Sarney, sob a orientação do ex-presidente José Sarney (PMDB), está trabalhando na mega articulação para consolidar a maioria parlamentar favorável à permanência do presidente Michel temer no Palácio do Planalto.

Independentemente do que será decidido hoje pela Câmara Federal, o cenário reproduz situações bem claras. A primeira delas é que, ganhando ou perdendo, o governador Flávio Dino tem uma situação obviamente mais confortável, o que torna mais viável o seu projeto de reeleição, a começar pelo fato está no exercício pleno do poder, realiza, como prometeu, um bem sucedido governo de mudança e tem o reconhecimento da Opinião Pública. Já a ex-governadora Roseana Sarney, mesmo com sua indiscutível importância política e com o seu expressivo cacife eleitoral, só dará movimento ao seu projeto de voltar ao Palácio dos Leões se o presidente Michel Temer for mantido no poder. E como é quase certo que ele continuará morando por mais 14 meses no Palácio do Jaburu, é também quase certo que Roseana Sarney venha a enfrentar as urnas em meio a céu aberto, trovoadas e temporais.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Decisão de João Alberto sobre Representação contra Aécio Neves foi tecnicamente inatacável

João Alberto reafirma que  fez o que achou certo
João Alberto reafirma que fez o que achou certo e se baseou em parecer técnico

Por mais que se questione politicamente, não há como negar que do ponto de vista legislativo e regimental a decisão do presidente do Conselho de Ética do Senado, senador João Alberto (PMDB), de mandar arquivar a Representação do PT pedindo a cassação do mandato do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) foi tecnicamente inatacável. Submetida ao crivo formal da Advocacia Geral do Senado (AGS) – formada por uma turma de craques em Direito Constitucional e em Regimento da Casa -, a Representação foi cuidadosamente analisada sob todos os aspectos. De cara, os analistas encontraram sua perda de sentido: era uma repetição quase integral da Representação do PSOL sobre o mesmo assunto e que fora primeiro arquivada pelo presidente João Alberto, desarquivada pelos membros do Conselho e de novo arquivada sob vários argumentos, entre eles o que o senador Aécio Neves não era ainda nem réu, não tendo, portanto, exercido o seu pleno direito de defesa. Ou seja, o Conselho cometeria uma aberração ética se julgasse e condenasse o senador antes que ele fosse formalmente acusado em processo legal. Outras distorções na Representação foram apontados pelos analistas da AGS, mas o fato de ser uma repetição da do PSOL foi fatal. “A opinião da Advocacia Geral do Senado foi de não conhecer a peça, tendo em vista que era uma reedição da (Representação) que já tinha sido arquivada. Se pudesse fazer isso, daqui a pouco, processos passados poderiam ser novamente questionados, o que não é legal”, disse o presidente João Alberto, justificando sua decisão de arquivar a peça do PT. O tarimbado parlamentar falou com a segurança de quem estava solidamente lastreado e blindado da acusação de fazer jogo político para salvar o senador mineiro. Tanto que ao comentar a decisão do presidente do Conselho de Ética, o líder do PT, senador pernambucano Humberto Costa, fez um comentário vazio e desanimado, como que entregando os pontos e reconhecendo que pisou na bola ao repetir a Representação do PSOL, que também foi parar no arquivo morto.

 

Graça Paz defende Roberto Rocha dos petardos verbais de Othelino Neto

Graça Paz defende Roberto Rocha dos petardos de Othelino Neto
Graça Paz defende Roberto Rocha dos petardos ferinos de Othelino Neto

O discurso da deputada Graça Paz (PSL) reagindo aos duros petardos verbais disparados pelo deputado Othelino Neto (PCdoB) no senador e candidato do PSDB ao Governo do Estado Roberto Rocha (PSDB), entre eles o de que candidato tucano ao Governo do Estado “é alérgico a voto”, produziu duas revelações. A primeira: ao contrário do que muitos imaginavam, o senador Roberto Rocha não é o candidato solitário que alguns vinham vendendo. A manifestação da deputada Graça Paz mostrou que o tucano pode formar uma tropa de defensores capazes de trombetear sua candidatura no fogo dos bate-rebates. Afinal, líder ou não, bom de voto ou não, o fato é que do herdeiro do bem sucedido ex-governador Luiz Rocha é até aqui um político muito bem sucedido, que chegou exatamente onde planejou chegar. Se manterá esse desempenho, isso será mostrado nos próximos tempos. A segunda revelação: Roberto Rocha foi surrado verbalmente por Othelino Neto, visto por muitos como um dos quadros mais competentes da tropa parlamentar governista, também – e principalmente – reconhecido pelo talento como tribuno, que alveja fortemente adversários sem gritar e via de regra exibindo muita  segurança. Se o 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa for escalado para ser o contrapeso do senador Roberto Rocha, não há dúvidas de que confrontos verbais ácidos e inteligentes animarão a campanha.

São Luís, 24 de Outubro de 2017.

 

Crise das emendas é pano de fundo da guerra eleitoral que vai desembocar nas urnas em 2018

 

João Alberto, Edison Lobão, Roberto Rocha, Flávio Dino e André Fufuca: protagonistas de uma crise de fundo eleitoral
João Alberto, Edison Lobão, Roberto Rocha, Flávio Dino e André Fufuca: envolvidos numa crise que na verdade é parte da guerra eleitoral de 2918, que já começou

O ensaio de crise que colocou de um lado os senadores João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSDB) e de outro os deputados federais e prefeitos por causa da distribuição dos R$ 110 milhões de emendas da bancada ganhou forma de entrevero político, deixando no ar uma ideia do que vem por aí na campanha eleitoral. O que deveria se esgotar como numa queda de braço entre congressistas e dirigentes municipais, como acontece todos os anos quando o Congresso Nacional define o pacote orçamentário da União, foi transformado num simulacro de confronto político, que acabou envolvendo o governador  Flávio Dino (PCdoB), que nada tinha nada a ver com o que estava sendo discutido. De um lado estiveram os três senadores – dois em fim de mandato e pensando em reeleição e um querendo ser governador -, todos os deputados correndo atrás de votos e duas centenas de prefeitos brigando por recursos por meio dos seus representantes do Congresso Nacional. O conflito interrompeu a “tradição” segundo a qual as emendas conseguidas por deputados federais e senadores eram destinadas a partir de entendimentos com prefeitos das suas bases eleitorais, ficando apenas um percentual para as chamadas “emendas de bancada” para ações a cargo do Governo do Estado.

O que aconteceu? Diante dos graves problemas que os municípios enfrentam na área de Saúde, principalmente na seara hospitalar, com poucos leitos de UTI, e pela necessidade de ampliar o serviço de hemodiálise, cuja limitação responde por um número cada vez maior de óbitos, os prefeitos, liderados pelo presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Cleomar Tema Cunha, tentaram fechar com deputados federais e senadores um acerto para que os R$ 110 milhões em emendas de bancada seriam inteiramente destinados à área de Saúde, para serem aplicados, via Governo do Estado, em leitos de UTI e serviços de hemodiálise. Os senadores discordaram do rateio e propuseram que a parte dos deputados federais (R$ 70 milhões) e a deles seriam destinadas à Codevasf, para a aplicação em estradas vicinais, saneamento, poços artesianos e outros serviços em pequenas comunidades, como tem sido ao longo do tempo.

Pelo que conversaram nos bastidores, os senadores deixaram claro que não concordaram que os 30% que lhes cabem no bolo das emendas de bancada – quase R$ 40 milhões – fossem também destinados à Saúde, deixando de fora programas de assistência aos municípios desenvolvidos pela Codevasf. Mais do que isso, não aceitaram o fato de que, destinados à Sapude, os R$ 110 milhões da emenda passassem pelo controle do Palácio dos Leões, o que, na sua avaliação, favoreceria politicamente o governador Flávio Dino.

A posição dos senadores foi duramente criticada, principalmente por parte dos deputados mais ligados ao Governo do Estado, que o acusaram de quebrar um acordo firmado com a Famem. As reações, algumas contundentes, como a do 2º vice-presidente da Câmara Federal, André Fufuca (PP), acabaram por politizar uma situação que poderia ter sido resolvida na base da conversa. Na quinta-feira passada, durante um ato de entrega do moto-niveladoras a Prefeituras, no Palácio Henrique de La Rocque, André Fufuca, recém-integrado à aliança governista, bateu forte nos senadores, causando um ácido mal-estar político. Em seguida, no seu discurso, o governador Flávio Dino, que foi empurrado para a briga, tentou isolar-se e ao seu Governo, dizendo que a proposta de destinar todo o pacote da bancada para a Saúde era uma proposta dos prefeitos e que ele nada tinha a ver com o caso, deixando claro que seu arrojado programa na área vai seguir em frente sem as emendas. Inicialmente exposta para minimizar a crise, a posição do governador funcionou como gasolina da fogueira. Flávio Dino foi duramente criticado pelo senador Edison Lobão, que traduziu o sentimento dos demais senadores em relação ao imbróglio.

Em cada passo dessa crise, que continua gerando desdobramentos, está a sombra provocadora da guerra eleitoral que já está em curso. Isso porque é evidente que os prefeitos jogaram acertadamente quando propuseram concentrar numa área crítica como a da Saúde, tentando reduzir o déficit de UTIs na rede municipal, por exemplo. Óbvio também que não se pode condenar os senadores põe terem decidido destinar sua parte no pacote de emendas para reforçar as sempre benéficas ações da Codevasf nos mais diversos rincões do estado. Claro está, portanto, que a crise das emendas é consequência da guerra eleitoral em curso. E que muitas outras eclodirão até as vésperas das eleições, no início de outubro do ano que vem.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Michel Temer: deputados maranhenses repetirão manterão votos dados na primeira denúncia

Maioria da bancada vai de novo com o presidente Miche Temer
Maioria da bancada continua com Miche Temer

Nada será diferente amanhã no posicionamento da bancada maranhense sobre o pedido de autorização para que o Supremo Tribunal Federal abra investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), acusado pela Procuradoria Geral da República de obstrução da Justiça e de chefiar uma organização criminosa. Alterada com a saída do suplente Alberto Filho (PMDB) para ceder lugar ao ministro Sarney Filho (PV), que reassumirá por três dias para garantir seu voto e ajudar na articulação destinada a consolidar a maioria desenhada em favor do presidente da República. O placar deve ser exatamente como o da primeira denúncia: 11 votos a favor e sete contra.  Além de Sarney Filho, os deputados que são alinhados ao Grupo Sarney votarão pelo arquivamento do pedido e da denúncia os deputados Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Pedro Fernandes (PTB), Aluísio Mendes (PTN), Júnior Marreca (PEN), Cléber Verde (PRB), André Fufuca (PP), José Reinaldo (PSB), Vitor Mendes (PSD) e Juscelino Filho (DEM). Na mesma linha de atuação, os deputados que representam a aliança liderada pelo governador Flávio Dino votarão contra contra o presidente Michel Temer: Rubens Jr. (PCdoB), Weverton Rocha (PDT), Deoclídes Macedo (PDT), Zé Carlos (PT), Luana Costa (PSB) e Eliziane Gama (PPS). Por incrível que pareça, o voto que ainda é dúvida é o do deputado Waldir Maranhão, que hoje segue a orientação do governador Flávio Dino,  favorável à investigação, mas enfrenta a cúpula do seu partido, o nanico PTdoB, que está fechado com o Palácio do Planalto e estaria ameaçando de expulsão deputados que votarem contra o presidente Michel Temer. A aposta mais forte pe a de que Waldir Maranhão vote a favor da denúncia.

 

Sarney Filho e Rubens Jr. se destacam na bancada na corrida para segurar ou derrubar Michel Temer

Sarney Filho e Rubens Jr. se destacam na bancada no que diz respeito Pa denúncia contra Michel Temer
Sarney Filho e Rubens Jr. se destacam na bancada no que diz respeito à denúncia r

Na guerra parlamentar em que um se desdobra para segurar para segurar o presidente Michel Temer no cargo e outro está fazendo de tudo para despachá-lo para casa, dois deputados se destacam, Sarney Filho e Rubens Jr. Sarney Filho joga todo o peso da sua experiência de nove mandatos para afastar o presidente da guilhotina política visando dois objetivos. O primeiro é se garantir no comando do Ministério do Meio Ambiente até junho do ano que vem. O segundo é ampliar seu cacife político para entrar na briga – na qual é até aqui um dos favoritos – por uma vaga no Senado embalado pelo sopro sempre poderoso do Palácio do Planalto. Rubens Jr. – que vem crescendo fortemente no meio parlamentar de Brasília – visa, claro, se fortalecer como um dos líderes do PCdoB no plano nacional. E nesse contexto, opera para aumentar o seu cacife político e eleitoral no Maranhão para garantir a reeleição e manter de pé o seu projeto – viável, diga-se de passagem – de chegar ao Palácio dos Leões em 2022.

São Luís, 23 de Outubro de 2017.