Duas pesquisas e duas fortes suspeitas sobre os números que apresentam como tendências do eleitorado

 

Flávio Dino e Roseana Sarney: posições diferentes em situações parecidas
Flávio Dino e Roseana Sarney: pesquisas diferentes, números diferentes e muita polêmica na corrida ao Palácio dos Leões

A guerra pelo poder no Maranhão começou de vez, e num dos primeiros movimentos, as forças em confronto travam uma batalha que produz munição para os dois lados, mas também surge como um explosivo foco polêmica. De um lado, o Jornal Pequeno publicou na sua edição de domingo (03), com destaque, mas sem estardalhaço, pesquisa do instituto maranhense Exata, informando que, a 10 meses da eleição para o Palácio dos Leões, o governador Flávio Dino (PCdoB) tem 63% das intenções de votos contra 29% da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), seguidos do senador Roberto Rocha (PSDB) e da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (Podemos), ambos com 4%. Ontem, a agência Jakarta Publicidade, do interior de São Paulo, recebeu a imprensa no Hotel Luzeiros para divulgar os resultados de uma pesquisa feita pelo instituto Vox Populi que mostra Flávio Dino com 37% e Roseana Sarney com 35% das intenções de voto, em surpreendente situação de empate técnico, dentro da margem de erro, que é de três pontos para mais e para menos. Os dois seguidos por Eduardo Braide (PMN) com 7%, Roberto Rocha com 5%, Maura Jorge com 3%, Ricardo Murad com 2% e Eliziane Gama (PPS) com 1%.

Os números das duas pesquisas chamam atenção pela distância abissal que os separa. O Exata encontrou uma diferença de 30 pontos percentuais de Flávio Dino sobre Roseana Sarney, enquanto que no levantamento do Vox Populi essa diferença é de apenas 2%, podendo nem existir, já que está dentro da margem de erro. Alguma coisa está errada nesse confronto, pois independente dos métodos utilizados e dos “territórios” investigados, não há como sequer admitir como razoável uma diferença tão elástica como os resultados mostrados pelos dois institutos.  O eleitor minimamente informado certamente suspeitará dos dois resultados, não havendo como chegar a uma conclusão que o convença.

O instituto Exata tem um histórico respeitável de acertos nos seus levantamentos eleitores, já que nenhum resultado eleitoral recente, principalmente de disputas pelo Palácio dos Leões, contrariou números por ele apoiado e divulgados. A diferença de 30 pontos percentuais a favor de Flávio Dino em relação a Roseana Sarney chama atenção, é verdade, e também não ter incluído o deputado Eduardo Braide no levantamento, isso não é suficiente para classificar o levantamento como tendencioso nem levantar suspeita sobre a honestidade dos seus percentuais. Nesse contexto, a pesquisa informa que o governador tem 62% de aprovação, o que bate com os 63% de intenção de voto. Pelo que foi divulgado, o Exata não informou quem é o contratante, tendo divulgado apenas que a pesquisa ouviu 1.415 pessoas entre 27 de novembro e 1º de dezembro, tem margem de erro de 3,2% e que é fruto de uma parceria com o Jornal Pequeno – que não é de agora, diga-se de passagem.

Realizada no período de 10 a 28 de novembro, tendo ouvido 1007 eleitores, a pesquisa Vox Populi foi apresentada como um grande acontecimento. A imprensa foi informada que o levantamento foi encomendado pela agência Jakarta Publicidade, mas nada foi dito sobre quem, de fato, a contratou e pagou. A apresentação dos números foi feita no Hotel Luzeiros, cinco estrelas conhecido como reduto do ex-deputado Ricardo Murad. Quem fez a apresentação foi o diretor da agência, Janderson Landim, que voou de São Paulo para São Luís e contratou espaço luxuoso no hotel para exibir os igualmente surpreendentes percentuais encontrados pela pesquisa. Como que num esforço para dar credibilidade aos números, além de não informar o contratante, espalhou uma nuvem de suspeita sobre todos os institutos maranhenses, apontando-os como facciosos: “Pensamos em contratar um instituto nacional para dar maior isenção ao levantamento, pois mesmo tendo bons institutos de pesquisas no Maranhão, é sabido que os principais são ligados, de uma forma ou de outra, a grupos políticos locais. Daí que achamos mais interessante contratar o Vox Populi”, disse. Pareceu uma tentativa de minimizar a desconfiança histórica dos maranhenses com o Vox Populi, que nunca acertou uma previsão eleitoral no Maranhão.

Enquanto a pesquisa Exata funciona para turbinar o ânimo dos aliados e simpatizantes do governador Flávio Dino, que mantém a condição de franco favorito, a pesquisa Vox Populi parece destinada a tirar aliados e simpatizantes da ex-governadora Roseana Sarney da letargia em que se encontram até aqui.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão “ganha” duas fazendas, que ele nem sabe onde ficam

Edison Lobão avisa que será candidato à reeleição
Edison Lobão agora é apontado como fazendeiro

A revista Isto É anuncia ao mundo que o senador Edison Lobão (PMDB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, seria dono de duas “fazendas fantasmas”, ambas na região central do Maranhão. Como as demais acusações que lhe fizeram na Operação Lava-Jato, Isto É publica uma reportagem fazendo afirmações claramente suspeitas, pois inclui ex-ministro de Minas e Energia como “dono” de duas fazendas que, juntas, formam 120 mil hectares. E se desmente logo nos parágrafos seguintes ao informar que as fazendas têm donos e que um deles seria “ligado” ao senador, ou seja, dando a entender que Edison Lobão não cometeu nenhum crime, passando de dono de tudo a alguém apenas “ligado” a um dos fazendeiros, como se isso fosse uma falta grave.

Jornalista e advogado, Edison Lobão sempre foi um homem urbano, o que torna, portanto, espantosa e pouco convincente a informação de que ele estaria envolvido em esquema de fraude fiscal ou usando as tais fazendas como biombo para transações nada republicanas. A denúncia de Isto É pode até ser verídica no que diz respeito aos seus proprietários, mas parece frouxa e suspeita em relação ao senador Edison Lobão.  Ao se ler o texto de Isto É, a impressão que se tem é a de que o senador pemedebista foi colocado ali como uma espécie de bucha de canhão para valorizar o caso. E tal denúncia chega exatamente no momento em que Edison Lobão aparece em pesquisa como um dos favoritos para uma das vagas de senador a serem disputadas em 2018. Até aqui, o senador Edison Lobão não foi sequer acusado formalmente de crimes tipificados. E não o foi porque até agora não se reuniu provas que verdadeiramente o incriminassem. Um exemplo é que a acusação que lhe foi feita por Paulo Roberto Costa, o diretor da Petrobras que comandou o esquema milionário de desvios da petrolífera, citou Edison Lobão afirmando que quando ministro de Minas e Energia ordenou que ele repassasse quantias milionárias a parceiro para a campanha eleitoral. Uma das denúncias de Paulo Roberto Costa foi afirmar que Lobão o mantou R$ 1 milhão para Roseana Sarney, mas não apresentou nenhuma prova e por isso a ex-governadora foi liberada e o imbróglio foi parar n o arquivo morto.

Não é à toa que o advogado do senador, o renomado criminalista de Brasília Antônio Carlos de Almeida Castro, declarou reiteradas vezes que nada há de contrato com o senador, o que significa que nenhuma das investigações tem a ver cm o senador maranhense.

 

 Projeto de Roberto Costa propõe destravar a cadeia sucessório na Assembleia Legislativa

Roberto Costa: projeto para destravar cadeia sucessória na AL
Roberto Costa: projeto para destravar cadeia sucessória na AL

Faz todo sentido o projeto de lei de autoria do deputado Roberto Costa (PMDB) para destravar a cadeia sucessória na Assembleia Legislativa. Na sua iniciativa, Roberto Costa propõe que, em caso de vacância no cargo de presidente da Assembleia Legislativa, o 1º vice-presidente assuma o comando da Casa sem a necessidade de o preenchimento do cargo seja feito por eleição. O projeto reza que com a ascensão do vice-presidente ao cargo de presidente, todos os demais membros da Mesa Diretora ascendem, de modo que o último titular na estrutura de comando da Casa seja eleito pelo voto ou por aclamação do plenário. Se fosse proposto pelo presidente em exercício, deputado Othelino Filho (PCdoB), que é vice-presidente, poderia ser visto como uma jogada de oportunismo, mas a proposta é do deputado pemedebista Roberto Costa, um dos parlamentares mais próximo do presidente licenciado, deputado Humberto Coutinho (PDT). O projeto de Roberto Costa simplifica imensamente o processo sucessório no Poder Legislativo, por evita uma luta fatricida pelo poder em caso de vacância, que só acontece quando o presidente titular renuncia ou perde a vida. Pelo seu histórico de político correto, o deputado Roberto Costa dificilmente tomaria tal iniciativa sem consultar o presidente Humberto Coutinho (PDT), que se encontra em Caxias sob tratamento severo de combate a um processo infeccioso.  Até onde se soube ontem, o projeto já contaria com 26 assinaturas e tudo indica que se colocado em pauta será aprovado por maioria folgada de dois terços dos deputados. Vale aguardar.

São Luís, 04 de Dezembro de 2017.

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