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Tensão e mal-estar na BR-135 indicam que a campanha já começou e será marcada pela agressividade verbal

 

Flávio Dino discursa enquanto João Alberto o ataca com adjetivos fortes em ambiente constrangido
Flávio Dino discursa enquanto João Alberto, ao lado dos ministro Moreira Franco  e Maurício Quintella, o ataca com adjetivos fortes em ambiente com forte mal-estar

O tiroteio verbal que tencionou ontem o ato de inauguração de um trecho de 11 quilômetros da duplicação da BR-135 entre a Estiva e Bacabeira, envolvendo o deputado federal Hildo Rocha (PMDB), secretários do Governo do Estado, o governador Flávio Dino (PCdoB) e o senador João Alberto (PMDB), com fagulhas respingando no ministro Sarney Filho (Meio Ambiente) foi uma demonstração ao mesmo tempo cristalina e oportuna de que a corrida eleitoral na qual serão definidos os destinos da aliança liderada pelo governador e do Grupo Sarney, já começou e ameaça ser bem mais do que um mero confronto político-eleitoral. E o fato de ter acontecido na presença de dois ministros visitantes – Mauricio Quintella (Transportes) e  (Secretaria da Presidência da República), que vieram trazer a boa entregar oficialmente a boa nova rodoviária em nome do presidente Michel Temer (PMDB), funcionou como um aviso de que a disputa pelo Governo do Maranhão envolverá bem mais do que as forças politicas locais.

O pugilato verbal deixou a impressão de que os protagonistas foram para ao Campo de Perizes com um roteiro definido, ou pelo menos ali chegaram com ânimos armados para o que desse e viesse. E não deu outra. Na sua vez de falar, o deputado Hildo Rocha, que tem se notabilizado pelo tom agressivo e frequente com que trata o atual Governo do Maranhão, destacou a obra, mas logo em seguida apertou o gatilho verbal, disparando uma série de petardos explosivos contra o governador Flávio Dino, que era o anfitrião dos ministros visitantes, mesmo em se tratando de uma obra federal. Numa atitude absolutamente previsível, secretários e assessores do Governo estadual revidaram no mesmo tom, criando uma situação que resultou em vaias ao parlamentar pemedebista.

No seu discurso, o governador Flávio Dino, depois de ter ouvido elogios efusivos dos ministros visitantes, aproveitou a onda para, em tom ao mesmo tempo ameno e provocador, dizer que seu Governo encerrou uma época. Ao ouvir os comentários do governador – que não foram exatamente acusações agressivas -, o senador João Alberto (PMDB) reagiu interrompendo o discurso do governador chamando o chefe do Governo de “mentiroso” e outros adjetivos, criando uma situação de forte constrangimento nu ambiente que deveria ser, no mínimo, mais civilizado. E num rasgo de habilidade, o governador Flávio Dino não respondeu ao senador João Alberto, que também se conteve diante do mal-estar que tomou conta do ambiente e do evento. Flávio Dino seguiu discursando e quebrou o roteiro ao creditar a obra de duplicação da BR-135 à bancada federal, chamando os seus coordenadores mais recentes, a começar pelo deputado federal Pedro Fernandes (PTB), a se perfilarem para uma foto que os consagrarão como os “pais da criança”. Chegou a convidar o deputado Hildo Rocha, mas ele se recusou a atender ao convite.

As agressões e o constrangimento que marcaram a inauguração da do trecho da duplicação da BR-135 mostraram, com a ênfase necessária, que a corrida eleitoral no Maranhão será acirrada e tensa, com o governador Flávio Dino e a aliança partidária que lidera decididos a manter o poder, e o Grupo Sarney e seus aliados determinados a derrotá-los e se reinstalar no controle da máquina estadual sob o comando da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) – que, aliás, “contribuía” à distância para o clima de tensão ao conceder, no mesmo instante, uma entrevista à Rádio Mirante AM, durante a qual disparou duras críticas ao governador Flávio Dino.

O confronto eleitoral que se desenha no Maranhão tende a ganhar peso, a começar pelo fato de que, agora, o Grupo Sarney está na Oposição com o propósito de voltar ao poder, e sem dispor dos instrumentos da máquina administrativa estadual, vai se valer do poder de fogo que puder mobilizar na administração federal, controlada pelo PMDB e na qual o ex-presidente José Sarney tem influência indiscutível. Só que no comando do Estado está um governador diferente, liderando, mais que um Governo, um movimento de  uma nova geração de políticos forjada no combate ao sarneysismo, e que, pelo menos até aqui, as pesquisas apontam como favorito na disputa de outubro. Flávio Dino sabe que enfrenta um adversário duro, implacável e que, por uma questão de sobrevivência, está determinado a voltar ao poder. Nesse contexto, o governador está demonstrando que, apesar da desvantagem midiática, tem cacife e autoridade política e pessoal para enfrentar o bombardeio. Sua postura no episódio de ontem mostrou isso.

A questão agora é saber como o Palácio do Planalto vai agir depois que o presidente Michel Temer ouvir o relato do ministro Moreira Franco sobre o que viu no Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Dino “resgata” Pedro Fernandes na presença de ministros de Temer

Pedro Fernandes: foi resgatado por Flávio Dino na inauguração na BR-135
Pedro Fernandes: foi resgatado por Flávio Dino na inauguração na BR-135

Mesmo tendo adotado uma posição discreta, como quem não estava querendo chamar atenção, o deputado federal Pedro Fernandes (PTB) saiu do agitado ato de inauguração do trecho duplicado da BR-135, em Perizes, com a alma, se não inteiramente lavada, pelo menos enxaguada. É que o governador Flávio Dino resolveu entregar os louros da obra à bancada federal, e aproveitou para massagear o ego do parlamentar, apontando-o como o mais ativo na briga pela duplicação da rodovia. Ao destacar Pedro Fernandes, Flávio Dino pretendeu ainda resgatar a estima do petebista, que ainda tenta digerir a inacreditável situação em que dormiu convidado para ser ministro do Trabalho e acordou desconvidado, tendo a culpa pelo desconvite atribuída ao ex-presidente José Sarney. O fato é que, na avaliação do Palácio dos Leões, Pedro Fernandes, que está em o processo de aliança com Flávio Dino, foi injustiçado, tendo o Maranhão perdido um ministro por conta dos interesses do Grupo Sarney. No momento, está em curso o desenho de uma versão segundo a qual o que derrubou Pedro Fernandes teria sido mesmo a relação dele com o governador Flávio Dino, que teria sido mostrada ao presidente Michel Temer, inclusive com a exibição de uma foto do gabinete do governador na qual aparece a foto oficial da ainda presidente Dilma Rousseff (PT) e não a do atual mandatário do País, como manda a convenção. O presidente da República não tolerou a ideia de que um ministro seu seja aliado a um governador que não o considera presidente. O fato que, indepedentemente do fato e das versões, o deputado Pedro Fernandes foi “resgatado” da situação constrangedora a que fora submetido no caso. E principalmente diante do fato de que o veto a seu nome criou um enorme embaraço pela o presidente da República por conta da escolha da deputada federal Cristiane Brasil para substituí-lo.

Othelino Neto entrega Comunicação a Edwin Jinkins e Diretoria Geral a Valney Pereira

Edwin Jinkins (C) recebe a visita de Othelini Neto (D), no Complexo de Comunicação, acompanhado de Rubens Pereira (e)
Edwin Jinkins (C) recebe a visita de Othelino Neto (D), no Complexo de Comunicação, acompanhado de Rubens Pereira (e) e tem função importante na nova gestão da AL

Titularizado na presidência do Poder Legislativo, o deputado Othelino Neto (PCdoB) já imprime a marca do seu comando operando mudanças na equipe dirigente da instituição. Ontem, formalizou mudanças na Diretoria Geral da Casa, nomeando Volney Pereira diretor geral, e confirmou a já esperada designação do jornalista Edwin Jinkins para a Diretoria de Comunicação.

Edwin Jinkins chega ao comando da Diretoria de Comunicação da Assembleia Legislativa como um dos jornalistas mais bem sucedidos da sua geração, destacando principalmente nas atividades de assessoramento e direção de comunicação em instituições pública, para onde levou a experiência de repórter e editor que adquiriu nas redações. É contemporâneo do presidente Othelino Neto, que é jornalista com nível superior – é também economista -, e que antes de entrar para a vida pública atuou como repórter nos jornais de São Luís.

Pós-graduado em Marketing Político, Edwin Jinkins assume a Diretoria de Comunicação da Assembleia Legislativa em substituição a Carlos Alberto Ferreira, que exerceu o cargo na gestão do presidente Humberto Coutinho. Chega ao cargo com o lastro do profissional que militou no jornalismo impresso, e exerceu cargos como chefe da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, superintendente de Comunicação do Porto do Itaqui, secretário de Comunicação das Prefeituras de São Luís e Imperatriz, e chefe de Comunicação do Tribunal de Contas do Estado.

O prestígio de Edwin Jinkins na equipe do novo comando da Assembleia Legislativa ficou claro ontem, com a visita que recebeu do presidente Othelino Neto ao seu gabinete, no centro de Comunicação.

Administrator de empresas e professor, Volney Pereira tem larga experiência na administração pública. Foi coordenador administrativo do Cintra, gestor da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais nos Governos de José Reinaldo Tavares (PFL) e Jackson Lago (PDT), secretário adjunto de Finanças da Secretaria Municipal de Educação de São Luís, chefe de gabinete do então vice-presidente Othelino Neto e agora diretor geral da Assembleia Legislativa em substituição ao ex-diretor Carlos Alberto Martins.

São Luís, 12 de Janeiro de 2018.

Esquerda mobiliza partidos, entidades e militantes em Frente para defender direito de Lula ser candidato

 

Lula da Silva inspira Frente de defesa do seu direito de ser candidato
Lula da Silva inspira Frente de defesa do seu direito de ser candidato a presidente, que está ameaçado por julgamento

Em meio a um forte clima de expectativa que começa a se espraiar pelo País com a aproximação do julgamento – marcado para o dia 24 -, pela Justiça Federal do Paraná, do recurso por meio do qual o ex-presidente Lula da Silva (PT) tenta anular a sentença com que o juiz Sérgio Moro o condenou a mais de nove anos de prisão, sob a acusação de ter recebido um apartamento como propina, partidos de esquerda, entidades sindicais, movimentos sociais, artistas, intelectuais lançam hoje, em São Luís, a Frente em Defesa da Democracia e do Direito de Lula ser Candidato. O ato da mobilização acontecerá às 16 horas, no Centro de Criatividade Odylo  Costa, filho. O argumento central do movimento é que Lula da Silva foi condenado num processo cheio de falhas e que não existem provas concretas de que justifiquem a condenação, o que torna a decisão um caso de uso político da Justiça. Acrescentam seus organizadores que se a condenação de Lula for mantida e ele não puder ser candidato, a democracia brasileira entrará em crise e estará sob  grave risco.

Esse movimento tem condições favoráveis para ganhar força no Maranhão, menos por preocupação com a democracia, mais pelo risco de o ex-presidente Lula ter a condenação confirmada e for, por isso, impedido de se candidatar. O líder petista é hoje, de longe, o político com maior prestígio entre os maranhenses, chegando sua popularidade a alcançar mais de 70% na média estadual, tendo município onde 83% da população o querem de volta à Presidência da República. São dados levantados em pesquisas insuspeitas, contratadas pelas duas forças políticas que preponderam atualmente no estado, a aliança liderada pelo governador Flávio Dino e o Grupo Sarney. Todos os levantamentos feitos até agora dizem que se Lula for candidato a presidente, os quase cinco milhões de eleitores maranhenses lhes darão pelo menos 70% dos votos. Ele fulminaria todos os demais candidatos a presidente lançados até aqui. Claro que esse é um cenário de agora, 10 meses antes das eleições e num momento em que o ex-presidente está no epicentro de um grande debate nacional sobre justiça e política.

Organizada no Maranhão pelo PT, com o apoio do PCdoB, PSB, PDT e PSOL, e por centrais sindicais mais à esquerda e movimentos sociais de base, que têm o ex-presidente como referência, a Frente em Defesa da Democracia e do Direito de Lula ser Candidato pretende mobilizar todos os segmentos desse campo para fazer face ao que seus organizadores chamam de “golpe contra a democracia”. Levantam a suspeita de que por trás dos processos contra o líder petista estão forças que não aceitam a esquerda no poder nem programas sociais e de transferência de renda da envergadura do Bolsa Família, Mais Médicos, Fies, entre outros. E para isso espera atrair profissionais liberais, professores, estudantes e todos os grupos organizados possíveis para fazer frente a movimentos que estão atuando na contramão, a favor da condenação de Lula e do seu banimento da vida política.

A Frente em Defesa da Democracia e do Direito de Lula ser Candidato conta com o apoio político enfático do governador Flávio Dino (PCdoB), um dos mais contundentes críticos de alguns aspectos da Operação Lava Jato, e provavelmente a voz mais firme e credenciada na defesa do líder petista, contra quem, acredita, estão cometendo “uma atrocidade política inaceitável”. O governador maranhense é partidário incondicional do direito de Lula ser candidato nas eleições de outubro. E defende esse direito com fortes argumentos jurídicos, mas também como o político que quer o aliado ao seu lado nos palanques maranhenses na corrida eleitoral de outubro.

Um dos seus organizadores, o jornalista e ex-deputado estadual Luis Pedro, explica o movimento: “Nós consideramos que o julgamento do presidente Lula não é um julgamento jurídico, ele tem fortes conotações políticas claras com o objetivo de deixar o ex-presidente na condição de inelegível. Nós consideramos que uma eleição sem Lula é golpe. Nós também consideramos que o golpe de 2016, quando foi afastada a presidente Dilma, legitimamente eleita com 54 milhões de votos. Agora temos a continuidade do golpe, que é a tentativa de condenar o Lula. Achamos que essa tentativa tem de ser barrada com o povo nas ruas, expressando sua indignação”.

É uma aposta alta, com algumas controvérsias, mas que tem a legitimidade de qualquer ato político numa sociedade que se move pelo estado democrático de direito.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

A um passo do PRB, Brandão caminha para superar revés sofrido no PSDB

Carlos Brandão e Cléber Verde à frente de prefeitos do PSDB que podem migrar para o PRB
Carlos Brandão e Cléber Verde  (centro) à frente de prefeitos do PSDB que podem migrar para o PRB depois que o comando tucano foi trocado no Maranhão

Quem subestimou a capacidade política do vice-governador Carlos Brandão – no momento no exercício do cargo –, pode ter cometido um erro de avaliação. O café da manhã no qual reuniu ontem 27 dos 30 prefeitos eleitos pelo PSDB com o presidente estadual do PRB, deputado federal Cleber Verde, demonstrou claramente que ele já virou a página do seu dramático desligamento do ninho dos tucanos, no final do ano que passou. Depois de uma série de conversas com diversos líderes partidários, o vice-governador encontrou abrigo no PRB, negociando com Cléber Verde uma aliança, antes improvável, para ingressar no partido, podendo ser acompanhado por muitos prefeitos que compareceram ao encontro e que estariam insatisfeitos sob a liderança partidária do senador Roberto Rocha (PSDB).

É verdade que atender ao convite para o café não significa a adesão automática deles à proposta de mudança de partido. Mas é verdade também que a maioria desse grupo de prefeitos poderá ingressar no PRB, a começar pelo fato de que eles foram eleitos com o incentivo direto de Carlos Brandão e com o aval do governador Flávio Dino, certos de que o PSDB permaneceria na base governista. Agora, esses prefeitos estão entre a cruz e a espada: não querem deixar a base governista estadual, mas também não querem perder o link federal pela via do tucanato. E aí surge a indagação: com quem ficarão?

Outra parte dessa equação envolve diretamente o PRB. O partido elegeu 14 prefeitos – entre eles Fábio Gentil, de Caxias -, mas que se ganhar, nesse acordo, o reforço de mais vinte – que certamente serão acompanhados por muitos vereadores -, entrará na corrida eleitoral deste ano com mais de 30 prefeitos, como o segundo maior partido do Maranhão em número de prefeituras, só perdendo para o PCdoB (46). Esse reforço excepcional na estrutura do PRB dará a Cleber Verde um ganho formidável de musculatura no comando nacional do partido.

E em qualquer situação, se a operação for confirmada, e ele consiga levar pelo menos metade dos prefeitos tucanos inconformados para o PRB, o vice-governador sairá da reviravolta por cima, credenciando-se continuar como companheiro de chapa do governador, o que abre a possibilidade concreta de vir a ser o titular em 2022.

 

Márcio Jardim tem lastro político para ser o candidato do PT ao Senado

Márcio Jardim: nome com legitimidade politica para ser candidato a senador
Márcio Jardim: nome com legitimidade politica para ser candidato a senador

Um comentário e três telefonemas de leitores registraram o que consideraram um “pecado” da Coluna não ter incluído Márcio Jardim (PT) entre os nomes que se movimentam na direção das duas vagas de senador. De fato, ainda que não tenha até aqui conquistado mandato eletivo e suas incursões eleitorais não tenham sido bem sucedidas, Márcio Jardim pode, sim, vir a ser o nome do PT na corrida senatorial. O ex-secretário de Esportes do Governo Flávio Dino reúne todas as credenciais para entrar nessa disputa, ainda que sua trajetória ainda não inclua sucessos eleitorais. À exemplo do secretário Márcio Jerry (PCdoB) e do próprio governador Flávio Dino, o item mais expressivo e decisivo do seu currículo político são os anos de militância, iniciados no movimento estudantil, na adolescência, com dedicação integral. E com um dado que o legitima ainda mais: jamais mudou de lado, conservando seus princípios e convicções sem arredar um milímetro da linha inicial da sua caminhada como militante político de esquerda. Precisa agora mostrar que tem o suporte político do partido e, depois, se viabilizar eleitoralmente.

São Luís, 10 de Dezembro de 2018.

 

Peso dos candidatos deve tornar acirrada e imprevisível a disputa por vagas no Senado

 

Edison Lobão, Weverton Rocha, Sarney Filho, José Reinaldo, Eliziane Gama e Hilton Gonçalo: todos com peso para surpreender
Edison Lobão, Weverton Rocha, Sarney Filho, José Reinaldo, Eliziane Gama e Hilton Gonçalo: todos com peso para surpreender na corrida pelas vagas de senador

A Coluna já registrou e volta a registrar: a disputa para as duas no Senado será a mais dura e complicada das eleições deste ano no Maranhão. Não há dúvidas de que a corrida para a cadeira principal do Palácio dos Leões será intensa, e de que a guerra para as 18 cadeiras na Câmara Federal e as 42 da Assembleia Legislativa será renhida, no voto a voto, mas, a julgar pelos seus aspectos definidos até agora, a peleja pelos mandatos senatorias terá um acirramento diferenciado. Nos pleitos senatoriais travados nas últimas décadas, os maranhenses escolheram basicamente entre dois nomes fortes para uma vaga e entre quatro nomes expressivos para duas vagas, em alguns casos com desfechos claramente previsíveis. A guerra eleitoral que esta em preparação tem tudo para ser um pouco mais do que uma medição de força entre o Grupo Sarney e a aliança comandada por Flávio Dino (PCdoB).

Pelo que está sendo desenhado, as duas vagas na Câmara Alta deverão ser alvos de um confronto entre pelo menos seis candidatos, todos com peso político e eleitoral, o que remete o desfecho para a cinzenta seara da imprevisibilidade. No páreo estão o senador Edison Lobão (PMDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV) pelo Grupo Sarney; os deputados federais Weverton Rocha (PDT), José Reinaldo Tavares (migrando do PSB para o DEM), Eliziane Gama (PPS) e Waldir Maranhão (PTdoB) brigando pelas duas vagas da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), sendo que um deles pode sair candidato avulso; e, finalmente, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (saindo do PCdoB para ingressar no Avante ou no PSDB), além de nomes chance remotas como Marquinhos (DEM),  vereador de São Luís, e Raimundo Noleto, sindicalista ligado ao PSOL.  Outros nomes podem surgir ainda, mas certamente para integrar o pelotão dos candidatos sem chance de chegar lá.

Independentemente do que estejam dizendo as pesquisas a menos de 300 dias da corrida às urnas, todos os nomes apontados pelos grandes grupos políticos têm chance de eleição. Para começar, neste momento, erra feio quem duvida do poder de fogo do ex-deputado federal, ex-governador, ministro de Minas e Energia e senador por quatro mandatos Edison Lobão. Mesmo fragilizado pelo o bombardeio que vem sofrendo pelos canhões da Lava Jato, o atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado tem mostrado uma excepcional capacidade de resistência política e consistência eleitoral, fatos que o colocam entre os que podem chegar lá. O deputado federal Weverton Rocha, se ainda não apareceu com grande poder de fogo eleitoral, tem fortalecido seu projeto de candidatura com uma desenvoltura política surpreendente, à qual alia rara ousadia e surpreendente mobilidade, fatores decisivos numa corrida eleitoral, que ganha peso como um dos candidatos do governador Flávio Dino. Com o lastro de nove mandatos, dois períodos como ministro do Meio Ambiente e uma intensa e produtiva atuação política e partidária – foi um dos fundadores do PV, por exemplo –, além, claro, do sobrenome, o deputado federal Sarney Filho é também postulante de proa nessa disputa.

Dono de um dos currículos mais ricos da sua geração, tanto como técnico, quanto como político, o deputado José Reinado Tavares é nome leve no meio político e bem aceito no eleitorado. É reconhecido como secretário, ministro dos Transportes e governador, e como o líder político que virou o jogo no Maranhão ao comandar a eleição de Jackson Lago (PDT) em 2006. Será forte mesmo se se lançar como candidato independente. Numa outra dimensão, a corrida senatorial deve ser mais acirrada com a candidatura da deputada federal Eliziane Gama, uma política jovem, que vem crescendo a cada eleição para mandatos parlamentares. Ela entra nessa corrida como um dos nomes de ponta, mostrando que o tropeço na eleição para a Prefeitura de São Luís em 2016 não apagou o vigor eleitoral da deputada federal mais votada nas eleições de 2014, que saiu das urnas com inacreditáveis 140 mil votos. Por fim, a disputa senatorial pode contar com o atual prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, um médico de ação política forte, que tem surpreendido com o seu desempenho eleitoral – venceu a eleição com mais de 80% dos votos, elegeu a mulher, Fernanda Gonçalo (PMN), prefeita de Bacabeira, e a irmã Iriane Gonçalo (SD) para a Prefeitura de Pastos Bons. É visto no meio politico como um nome que pode crescer durante a campanha e surpreender.

Nenhum desses postulantes está entrando nessa briga admitindo a possibilidade de não ser eleito. O poder de fogo e a determinação de cada um tornarão essa corrida ao Senado uma guerra eleitoral como poucas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Na esteira da “Beira Rio”, Imperatriz vai ganhar “Panelódromo”

Segundo maior colégio eleitoral do Maranhão e sempre candidata a capital de um novo estado, Imperatriz se consolida também como dona do eleitorado a ser conquistado a cada eleição pelos candidatos a governador. A aproximação da corrida eleitoral anima uma disputa também em obras entre o governador Flávio Dino e o prefeito Assis Ramos (PMDB). Como resposta à esmagadora maioria de votos que recebera dos imperatrizenses em 2014 e, claro, pretendendo manter essa relação, o governador entregou no final do ano passado a Avenida Beira Rio, um espaço público de primeira grandeza, que já se transformou em orgulhoso cartão postal da Princesa do Tocantins. Ainda devendo uma grande obra, daquelas que possam reforçar a candidatura da sua aliada Roseana Sarney, o prefeito Assis Ramos começou a se mexer nessa direção e decidiu brindar Imperatriz com a construção do “Panelódromo”, um oportuno projeto destinado a dar espaço, mais higiene e, sobretudo, dignidade às vendedoras de comida – em especial o delicioso mocotó, chamado ali de panelada -, que ao longo de décadas se consolidaram como uma marca da cidade, apesar da teimosia das administrações municipais de não dar àquela atividade a atenção devida. De acordo com o jornal O Progresso, outro ícone indelével da cidade, o prefeito Assis Ramos garante que o “Panelódromo” vai sair do papel logo, logo, ou seja, ao longo da campanha eleitoral. Para reforçar o discurso da ex-governadora Roseana Sarney no contrapeso ao governador Flavio Dino. A população comemora.

O Globo tropeça sobre a corrida senatorial no Maranhão

Mais uma fake news da chamada grande imprensa em relação à política do Maranhão. O jornal O Globo publicou, em matéria de sua edição de domingo (7) que o ex-presidente José Sarney (PMDB) “está empenhado  na reeleição dos senadores pemedebistas Edison Lobão e João Alberto”. Alguma coisa está errada nesta informação, porque o segundo candidato na chapa do Grupo Sarney é, até aqui, o deputado federal Sarney Filho, atual ministro do Meio Ambiente. Até o final da semana passada, a chapa Edison Lobão/Sarney Filho permanecia inalterada, com o ministro do Meio Ambiente absolutamente empenhado em consolidar a sua candidatura, sem abrir qualquer fresta de dúvida sobre esse projeto. No fim de semana também o senador João Alberto disse à Coluna que não sabe ainda qual será o seu papel na guerra eleitoral deste ano. Confirmou a informação de que está cansado, não quer mais viver na ponte aérea São Luís/Brasília/São Luís. Mas sempre deixando claro que é homem de partido, de grupo, e o que o que a maioria decidir a seu respeito ele cumprirá. O Globo errou, porque não há qualquer sinal de que Sarney Filho possa vir a desistir da candidatura e nem que João Alberto esteja pensando em brigar pela reeleição.

São Luís, 09 de Janeiro de 2018.

Rocha e Madeira se movimentam em busca de reforços para viabilizar o projeto da “terceira via”

 

Roberto Rocha e Sebastião Madeira conversam com nomes  como Hilton Gonçalo e Ricardo Murad para o OSDB
Roberto Rocha e Sebastião Madeira conversam com nomes como Hilton Gonçalo e Ricardo Murad para o OSDB

Enquanto o governador Flávio Dino (PCdoB) opera no sentido de fortalecer a base partidária que sustentará sua candidatura à reeleição, e a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) trabalha para dar musculatura política e partidária ao seu projeto de candidatura, a chamada “terceira via”, que tem por base a candidatura do senador Roberto Rocha (PSDB) a governador, atua para montar uma chapa majoritária e dar forma a um projeto minimamente viável que a leve às eleições de outubro. O movimento dos tucanos se intensificou em dezembro e já abriu uma frente de conversa com o ex-deputado Ricardo Murad (PRP), que já se lançou candidato ao Governo do Estado, e agora tenta atrair prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), considerado uma espécie de coringa para compor uma chapa ao Senado. Em princípio acanhada, e por isso mesmo subestimada por alguns observadores apressados, a movimentação dos tucanos aparenta informalidade, mas na verdade a movimentação dos chefes tucanos acendeu sinal de alerta nos gabinetes políticos do Palácio dos Leões.

Aparentemente sem a preocupação com a acusação de serem “regra três” do Grupo Sarney, os tucanos resolveram partir para o ataque em busca de alianças viáveis. E a tarefa abrir portas e entabular conversas tem sido cumprida pelo tarimbado ex-prefeito de Imperatriz e secretário geral do PSDB Sebastião Madeira. Na semana que passou, Madeira conversou com o ex-deputado Ricardo Murad, candidato a governador pelo PRP, com o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB) e trocou dedos de proza com a ex-governadora Roseana Sarney. Seus encontros não terminaram em acordos, as conversas não chegaram ao nível de negociação, mas os fatos em si agitaram os bastidores partidários e atiçaram as especulações sobre a corrida eleitoral.

Das três conversas, a que gerou mais disse-não-disse foi a que teve como interlocutor o prefeito santarritense Hilton Gonçalo, um político independente, bom de voto e muito respeitado entre os políticos de todos os níveis e em quem muitos veem um nome de peso para disputar, por exemplo, uma vaga no Senado. Numa conversa informal no ato em que o senador Roberto Rocha reuniu prefeitos de municípios situados ao longo da Ferrovia Carajás, Sebastião Madeira abriu as portas do PSDB para Hilton Gonçalo, admitindo a possibilidade de ele ser candidato a senador pelo partido. Gonçalo, que anda insatisfeito com o PCdoB – com o qual não tem qualquer afinidade, não disse nem sim nem não, mas deixou campo aberto para novas conversas. Diante da movimentação dos tucanos na direção do prefeito de Santa Rita, o governador em exercício, Carlos Brandão, recém saído do PSDB, foi a Santa Rita visitar Hilton Gonçalo, com quem conversou sobre o cenário político  onde conversou com o prefeito sobre filiação partidária e  Brandão vai se filiar ao PRB. E no sábado, Sebastião Madeira conversou com a ex-governadora Roseana Sarney, com quem trocou figurinhas sobre o cenário que está sendo montado para a corrida às urnas.

Roberto Rocha, que é candidato a governador, e Sebastião Madeira, cujo projeto é ser de novo deputado federal, são políticos experientes e sabem que não irão a lugar algum se ficarem fechados na redoma do seu partido à espera de um milagre, fenômeno que não existe, principalmente no meio político. Indagado sobre o que há de concreto nesse flerte com chefes do Grupo Sarney de um lado, e expoentes da aliança governistas de outro, o ex-prefeito Sebastião Madeira diz tratar-se tão somente de um cuidado de deixar janelas abertas em todas as direções. Garante, de pés juntos, que toda a sua movimentação é no sentido de viabilizar a caminhada do senador Roberto Rocha ao Palácio dos Leões e a do candidato presidencial tucano – ainda a ser definido – ao Palácio do Planalto.

Os tucanos se movem nesse contexto tentando atrair apoios, venham eles da direta ou da esquerda, cientes de que no seu arraial liberal há espaço para insatisfeitos de todas as tribos. Trata-se de uma lógica simples e direta, e que pode produzir bons frutos, como, por exemplo, converter o “comunista” Hilton Gonçalo ao tucanato e lança-lo candidato ao Senado. Seria uma tacada e tanto para impulsionar a “terceira via”

 

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão deve fechar com PRB e Neto Evangelista ainda não decidiu novo partido

Carlos Brandão já saiu do PSDB, e Neto Evangelista deve serguir o mesmo caminho procuranabrigos
Carlos Brandão já saiu do PSDB, e Neto Evangelista deve seguir o mesmo rumo

A guinada do PSDB continua desmontando situações que pareciam definitivamente ajustadas. Duas delas são emblemáticas, porque mexem com o círculo que envolve o governador Flávio Dino.

A primeira é a situação do vice-governador Carlos Brandão, que deixou o PSDB na tsunami que sacudiu o partido em todo o País e que no Maranhão o seu controle foi entregue ao senador Roberto Rocha. Depois de avaliar algumas possibilidades, Brandão estacionou no PRB, para negociar com o deputado federal Cléber verde o ingresso dele e mais pelo menos 20 dos 29 prefeitos eleitos pelo partido em 2016. O problema é que ao desembarcar no partido com esse poder de fogo, a tendência natural é uma disputa, cedo ou tarde, pelo comando do partido. Político hábil e muito sagaz, Cléber Verde está estudando a melhor maneira de acomodar o grupo sem gerar tremores internos nem ameaçar o seu sólido comando. Se não houver um contratempo, a migração de Carlos Brandão e dos prefeitos deve acontecer em fevereiro.

A outra situação partidária delicada está vivendo o deputado Neto Evangelista, hoje secretário estadual de Desenvolvimento Social. Filiado ao PSDB, ele terá de optar por continuar no partido e romper com o governador Flávio Dino ou romper com o ninho dos tucanos para ingressar numa legenda da base aliada do governador. Desde que assumiu a secretaria, Neto Evangelista vem enfrentando dificuldades para permanecer no PSDB. Primeiro foi a candidatura da deputada Eliziane Gama (PPS), que tinha o apoio da cúpula nacional do PSDB à Prefeitura de São Luís. Ele foi obrigado a apoiá-la contra o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), apoiado pelo govenador Flávio Dino. Agora, encontra-se num imbróglio cuja única solução é deixar o partido, a menos que rompa com o governador Flávio Dino para apoiar a candidatura do senador Roberto Rocha ao Governo. Deve deixar o PSDB em fevereiro ou março, assim que encontrar sua futura morada partidária.

 

Futuro de Lula definirá posição de ala do PT para as eleições no Maranhão

Julgamento de Lula vai definir postura do PT maranhense
Julgamento de Lula vai definir postura do PT maranhense para a corrida eleitoral

Nas contas de um integrante do círculo de ferro do governador Flávio Dino, o braço maranhense do PT vai continuar sinalizando divisão até o dia 24, quando a Justiça Federal do Paraná julgar o recurso do ex-presidente Lula da Silva contra a sentença do juiz Sérgio Moro que o condenou a nove anos e meio de prisão. Se a sentença cair e Lula ficar livre para ser candidato a presidente em outubro, a banda do PT que participou ativamente do Governo de Roseana Sarney (PMDB) vai pressionar fortemente para que o partido tenha a vaga de candidato a vice-governador ou, numa hipótese mais remota, uma das vagas de candidato a senador. Se a condenação do ex-presidente for mantida e ele não puder ser candidato ou conseguir sê-lo pendurado em liminares precárias, a corrente petista comandada por Raimundo Monteiro baixará a bola e engrossará as fileiras da aliança comandada por Flávio Dino. Vale aguardar.

São Luís, 08 de Janeiro de 2018.

Roseana Sarney perde força partidária com a migração de aliados importantes para a base de Flávio Dino

 

Roseana Sarney perde partidos aliados para a aliança liderada por Flávio Dino
Roseana Sarney perde apoio de partidos aliados tradicionais  para a aliança liderada por Flávio Dino

Dificilmente a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) entrará na briga pelo Governo do Estado com a base partidária que a respaldou em outras eleições. O governador Flávio Dino (PCdoB), ao contrário, irá à guerra pelo voto com seu lastro partidário expressivamente ampliado exatamente com agremiações de peso no leque de agremiações influentes no cenário nacional. Roseana Sarney deve montar sua coligação sem a participação do DEM, PP, PRB, PTB e PT, partidos que foram decisivos, por exemplo na sua eleição, em turno púnico, em 2010. Agora, esses partidos engrossarão as fileiras da aliança liderada por Flávio Dino, o que lhe dará um reforço político e tanto, podendo se traduzir em poder de fogo eleitoral. A mudança de rumo de democratas, pepistas, republicanos, petebistas e petistas está sendo um duro golpe no suporte político e partidária do Grupo Sarney, o que compromete gravemente o projeto eleitoral da ex-governadora, enquanto o governador só fortalece o seu cacife.

A cúpula do Grupo Sarney fez todos os movimentos possíveis para evitar, por exemplo, que o DEM migrasse para a base do governador Flávio Dino. Houve inúmeras tentativas de convencer o presidente do partido, senador Agripino Maia (RN), no sentido de conter a migração, mas o deputado federal Juscelino Filho e seu tio, deputado estadual Stênio Rezende, mantiveram as cartas na mesa e foram buscar apoio no presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (RJ), que é o atual manda-chuva de fato do partido. Depois de intensas articulações, o Rezende ouviu dele que o DEM estará liberado para aliar-se a Flávio Dino, desde que dê a garantia de que o ex-governador José Reinaldo Tavares ingresse no partido e seja candidato a senador. A condição foi aceita, e José Reinaldo se filiará ao DEM no início de fevereiro, mais precisamente no dia 7, segundo o próprio ex-governador.

O PP, que na corrida governamental passada fechou com Flávio Dino numa operação armada pelo então deputado federal Waldir Maranhão, que o presidia no estado, vai continuar com o governador. A queda de Waldir Maranhão da presidência do partido e a ascensão do deputado André Fufuca ao seu comando criou a expectativa de que o PP mudasse o seu curso para aliar-se a Roseana Sarney. Nada feito. No final do ano passado, em meio a uma onda de especulações, e depois de emplacar o secretário de Esportes, na vaga aberta pelo petista Márcio Jardim, André Fufuca bateu martelo e decidiu que o PP vai continuar no arco da aliança partidária liderada pelo PCdoB.

No caso do PTB, o partido deixou a base do Grupo Sarney no ano passado, numa operação que levou o vereador Pedro Lucas Fernandes a assumir a Secretaria das Cidades e se posicionou como integrante da aliança articulada por Flávio Dino. A guinada do PTB causou inclusive a separação partidária – sem crise e sem rompimento político – entre o deputado federal Pedro Fernandes, pai do vereador Pedro Lucas, e o ex-deputado estadual Manoel Ribeiro, que militou no PTB desde os anos 80 do século passado, época em que o partido foi refundado e era liderado no Maranhão pelo médico Cesário Coimbra. E foi exatamente a nova posição do PTB que gerou a crise que inviabilizou a nomeação do deputado federal Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho a partir de pressões feitas pelo ex-presidente José Sarney (PMDB) sobre o presidente Michel Temer (PMDB). Os fatos recentes indicam que não há volta.

Uma das perdas mais significativa para Roseana Sarney é o PT, que fez o vice-governador (Washington Oliveira, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado) na chapa da pemedebista em 2010, mas que agora passou a integrar a aliança comandada pelo governador Flávio Dino. Ao fechar o apoio do PT, o governador garante nada menos que o apoio do ex-presidente Lula da Silva, que tem a esmagadora maioria de intenções de votos nos 217 municípios maranhenses. O problema é que, ciente desse poder de fogo, o PT maranhense, que é dividido, com uma banda fechada com Flávio Dino e outra banda fazendo o jogo do “quem dá mais”, quer tirar máximo de proveito desse acordo pelo apoio do partido. Em princípio, é quase certo que o PT integrará a aliança comandada pelo PCdoB, mas o grupo petista que foi derrotado na eleição interna agora tenta arrancar uma contrapartida importante, como a vaga de vice-governador, sob pena de inviabilizar a parceria.

A realidade é que, até aqui, o governador Flávio Dino em matéria de aliança partidária para a coligação que sustentará sua candidatura, o governador Flávio Dino leva até aqui vantagem expressiva e indiscutível sobre a ex-governadora Roseana Sarney.  Mas a ciranda para a formação de coligações majoritárias para as eleições deste ano está apenas nos seus primeiros movimentos. Muita coisa ainda vai acontecer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Caso Zé Vieira alimentou surpreendente ciranda de liminares no Tribunal de Justiça

Cleonice Freire, Ribamar Castro, Nelma Sarney, Bayma Jr., Raimundo Melo e Lourival Serejo já decidiram sobre o Caso Zé Vieira
Cleonice Freire, Ribamar Castro, Nelma Sarney, Bayma Jr., Raimundo Melo e Lourival Serejo já decidiram sobre o Caso Zé Vieira na refrega judicial por Bacabal

No mais surpreendente e impressionante – para dizer o mínimo numa avaliação isenta – jogo de “tira-bota-bota-tira” em curso no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ), o prefeito de Bacabal, Zé Vieira (PR), foi afastado do cargo por decisão liminar para assegurar o cumprimento da determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que confirmou, no final de novembro, a sua condição de inelegível do prefeito, determinando que o vice-prefeito Florêncio Neto (PHS) assuma cargo, por força de Resolução da Câmara Municipal com base na sentença da Corte federal até que o imbróglio judicial seja resolvido.

A nova decisão monocrática que atropelou, sexta-feira (5), foi a quinta nua espécie de guerra entre desembargadores, dando lastro à desagradável impressão de que os membros da mais alta Corte de Justiça do Maranhão não sabem exatamente o que fazer, estão testando conhecimentos ou a forças externas muito poderosas estão influenciando as decisões tomadas até agora, o que seria um desastre para a instituição judiciária maranhense em matéria de credibilidade da Justiça estadual. A situação se agrava já se sabe que essa medição de força alimenta uma das situações mais esdrúxula relacionada com as eleições de 2016, como se houvessem duas correntes, uma a favor e outra contra a permanência de Zé Vieira no cargo.

Agora, foi a vez do vice-presidente do TJ, desembargador Lourival Serejo, também liminarmente, fulminar a liminar por meio da qual o desembargador Raimundo Melo desfez decisão do decano da Corte, desembargador Bayma Araújo e desmanchou a medida que determinara o afastamento de Zé Vieira do cargo. A liminar do desembargador Lourival afastando o desembargador Raimundo Melo põe novamente em movimento uma sequência espantosa e sem precedentes – pelo menos em tempos recentes – de “bota-tira” na Prefeitura de Bacabal, causando nos leigos a impressão de que os integrantes do Tribunal de Justiça do Maranhão não conhecem a regras a serem invocadas para solucionar uma situação como essa.

Primeiro, o STJ comunicou, em novembro, ao então presidente do TJ, desembargador Cleones Cunha, a situação irregular do prefeito Zé Vieira e mandou afastá-lo do cargo. O presidente do TJ repassou a decisão ao juiz de base, que cumpriu à risca a decisão da Corte federal e mandou afastar o prefeito. Zé Vieira recorreu então ao TJ, tendo seu recurso caído na mesa do desembargador Ribamar Castro, que na condição de relator confirmou a decisão do juiz. Zé Vieira recorreu novamente, e seu recurso caiu no plantão noturno da desembargadora Cleonice Freire, que cassou a liminar contra o prefeito alegando o desembargador Ribamar Castro não era o relator. Ministério Público recorreu contra a volta de Zé Vieira e o recurso caiu na mesa de Ribamar Castro, que de novo mandou Zé Vieira para casa. Antes de entregar o ouro, Zé Vieira bateu de novo às portas do TJ contra decisão do relator Ribamar Castro, tendo seu recurso caído agora na mesa da desembargadora Nelma Sarney, que cassou sua liminar e mandou Zé Vieira de volta ao cargo. A decisão de Nelma Sarney foi questionada sob a alegação de que ela não poderia desfazer a decisão de Ribamar Castro. Criou-se um impasse, e na ausência do presidente e da vice-presidente do TJ, que poderiam resolvê-lo, o caso foi parar na mesa do decano – desembargador mais antigo – Bayma Araújo, tido por todos como um especialista em processo, portanto com cabedal jurídico e autoridade para encerrar o imbróglio. Bayma Araújo não vacilou: confirmou a relatoria de Ribamar Castro e afirmou que a decisão de Nelma Sarney não valeu, mantendo assim Zé Vieira fora do cargo. O imbróglio parecia solucionado, mas não o foi. Zé Vieira voltou ao TJ, recorrendo da decisão de Bayma Araújo. O recurso caiu na mesa do desembargador Raimundo Melo, que surpreendeu meio mundo ao desautorizar o decano Bayma Araújo, colocar o relator Ribamar Castro de escanteio, confirmar a decisão de Nelma Sarney e mandar Zé Vieira de volta ao cargo. Essa decisão foi contestada com novo recurso contra a decisão de Raimundo Melo. O recurso caiu na mesa do vice-presidente do TJ, desembargador Lourival Serejo, reconhecido por seus conhecimentos jurídicos. E não deu outra: desmanchou de cabo a rabo a decisão do desembargador Raimundo Melo, confirmou Ribamar Castro como relator e referendou suas decisões.

A pergunta que muitos fazem é: Quando essa ciranda terá seu movimento final?

 

Pesquisas que mostram Lula e Temer no Maranhão causa desalento no Grupo Sarney

Roseana Sarney perde espaço com Michel temer e Flávio Dino ganha com Lula da Silva
Roseana Sarney perde espaço com Michel Temer e Flávio Dino ganha com Lula da Silva, mostram informações levantadas em pesquisas feitas pelo Grupo sartney

Nas avaliações do cenário que está se desenhando para as eleições de outubro, a cúpula do Grupo Sarney tem encontrado duas informações decisivas e desalentadoras encontradas elas pesquisas feitas até aqui para consumo próprio. A primeira é o ainda avassalador poder de fogo eleitoral do ex-presidente Lula (PT), que tem acima de 50% das intenções de voto em praticamente todos os municípios, chegando em alguns casos a 80%, produzindo um certeza: se o líder petista vier a ser candidato, deve dar uma sova e tanto nos seus adversários. A outra é a baixa popularidade do presidente Michel Temer (PMDB), que de acordo com os números, não ultrapassa 5% de apoio em nenhum município. O problema é que, mesmo que a ter um candidato presidencial que não seja do PMDB, a candidatura de Roseana Sarney estará fortemente atrelada ao presidente da República, que além de ser um dos cardeais do PMDB, será a grande referência de qualquer candidatura destinada a combater o PT. Ou seja, além enfrentar dificuldades para explicar a sua relação com o presidente Michel Temer, a ex-senadora Roseana Sarney, poderá assistir Flávio Dino surfando no seu prestígio ao dele associado ao do ex-presidente petista, o que poderá se transformar num rolo-compressor esmagador durante a campanha e consolidar o favoritismo do governador na corrida ao Palácio dos Leões.

São Luís, 07 de Janeiro de 2018.

Othelino assume o comando do Legislativo usando a prudência e pedindo paciência e compreensão aos seus pares

 

Othelino Neto (centro) assume o comandodo Legislativo com o respaldo de seus pares
Othelino Neto (centro) assume comando do Legislativo com respaldo de seus pares

O Poder Legislativo como instituição não pode parar, e deve seguir em frente primando pelo princípio do equilíbrio interno e pela harmonia nas relações com o Poder Executivo e o Poder Judiciário, formando com eles o tripé que sustenta a democracia. Foi motivado por essa equação que o deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), na faixa dos 40 anos, assumiu, formalmente, a presidência da Assembleia Legislativa, sucedendo o deputado Humberto Coutinho (PDT), que faleceu domingo (1º). Além da pesada tarefa de chefiar um Poder, Othelino Neto tem agora a obrigação de comandá-la como uma Casa política, composta por diversas correntes partidárias e onde diferenças e interesses se chocam a todo momento, alimentando o permanente embate entre Governo e Oposição. Seu maior desafio é presidir a Assembleia Legislativa depois de três anos de gestão de um líder da estatura do deputado Humberto Coutinho, que se tornou uma rara unanimidade na condução do Poder.

Jornalista e economista por formação, servidor público – é concursado do Tribunal de Contas do Estado -, e político nascido nas teias do movimento estudantil, Othelino Neto vem construindo uma carreira surpreendente, que o fez militante do PV, do qual foi um dos fundadores no Maranhão, foi secretário de Estado do Meio Ambiente no Governo José Reinaldo Tavares, foi suplente de deputado e efetivado em 2013, e deputado eleito em 2014, sendo eleito e reeleito também 1º vice-presidente da Alema. Com o agravamento do estado de saúde do presidente Humberto Coutinho, o 1º vice foi assumindo gradativamente as responsabilidades de comandar a Casa como presidente interino.

Um dos quadros mais ativos da aliança liderada pelo governador Flávio Dino, Othelino Neto vinha sendo voz frequente e posicionada no combate à oposição sarneysista no plenário da Assembleia Legislativa. Com um discurso pausado, bem articulado, e permeado de frases duras para atingir fundo os adversários, sem elevar o tom de voz nem se exceder em agressividade.  O orador Othelino Neto sempre disse o necessário para incomodar os atacantes oposicionistas. Cioso do que deve ser o discurso parlamentar, sempre manteve a linha, evitando que o embate duro, mas civilizado, resvalasse para a agressão pessoal a quem quer que fosse. Nesse contexto, em que pese a seus corajosos contra-ataques às investidas da Oposição sarneysista, mantem relacionamento afável com todos os deputados. E com esse ânimo, consegue estabelecer o diálogo nas situações mais tensas, mostrando que aprendeu, à sua maneira e ao seu estilo, a separar diferenças politicas de conflitos parlamentares, como fez sempre o ex-presidente Humberto Coutinho.

Othelino Neto assume o comando do Poder Legislativo num momento especialmente delicado, pois além de suceder o experimentado gigante político Humberto Coutinho, há menos de um mês o parlamentar perdeu o pai, o renomado jornalista Othelino Filho, que era também sua referência pessoal e seu conselheiro político. Ciente dos desafios que se aproximavam com o agravamento da saúde do presidente Humberto Coutinho, o presidente em exercício vestiu a capa da coerência, calçou as sandálias da humildade e assumiu progressivamente a postura da moderação. E na entrevista coletiva que concedeu após o ato formal de investidura no cargo, o novo presidente do Poder Legislativo pediu “paciência e compreensão”. Avisou que a instituição não será submetida a mudanças traumáticas, e que os ajustes, se necessários, serão feitos progressivamente.

Politicamente, o grande desafio do presidente Othelino Neto é comandar a Mesa e cumprir a pauta, principalmente por se tratar de um ano eleitoral. Ele terá de ser o mediador dos duros embates que certamente serão travados e o principal interlocutor do governador Flávio Dino em nome da Casa, usando discernimento e habilidade para desarmar bombas e construir consensos. Tem plena consciência de que não será nada fácil, mas já tem experiência suficiente para saber que se as regras forem usadas, sua presidência pode ser bem sucedida, e sua estrada, longa e cheia de percalços. É fato que a partida de Humberto Coutinho deixou um enorme espaço para o surgimento de uma nova liderança no parlamento. A oportunidade está com o jovem deputado do PCdoB.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Fábio Macedo assume a 1ª vice-presidência e Rafael Leitoa se torna deputado titular

Fábio Macedo assina ato de posse como novo 1º vice-presidente do Legislativo
Fábio Macedo assina ato de posse como novo 1º vice-presidente do Legislativo

Marcado pela discrição, devido ao fato de a instituição encontrar-se ainda sob o impacto da morte do presidente Humberto Coutinho, o ato de formalização do deputado Othelino Neto como presidente do Poder Legislativo aconteceu sem pompa, na sala da Presidência, no Palácio Manoel Beckman.

“Estamos ainda num momento de tristeza e muito pesar, com o falecimento do presidente Humberto, mas esse rito formal tinha que ser feito, mas como ele era sempre preocupado que a Assembleia continuasse seu ritmo e sua rotina, agora vamos dar prosseguimento ao belo trabalho que foi feito por ele. Não só internamente, mantendo a harmonia entre os deputados de diferentes correntes, que são marcas características de um Parlamento, mas trabalhando principalmente para ajudar a melhorar a vida dos maranhenses, porque é à população que devemos a maior satisfação”, assinalou.

O ato marcou também a efetivação de do deputado Fábio Macedo no cargo de 1º vice-presidente; Josimar de Maranhãozinho (PP) na 2ª vice e Adriano Sarney (PV) na 3ª vice, por ordem de sucessão natural, deixando em aberta a 4ª vice-presidência. Na mesma oportunidade, Rafael Leitoa (PDT) se tornou deputado efetivo na vaga de Humberto Coutinho, abrindo vaga de suplente que foi assumida por Fernando Furtado (PCdoB), porque o titular Neto Evangelista (PSDB) continua como secretário de Estado de Desenvolvimento Social.

 

Posse administrativa e sem convites atraiu governador em exercício e 1º vice da Câmara Federal

Governador em exercício, Carlos Brandão saúda Othelino Neto como novo presidente do Legislativo
Governador em exercício, Carlos Brandão saúda Othelino Neto como novo presidente do Poder Legislativo, defendendo o clima de parceria com o Poder Executivo

O que seria um mero ato administrativa, para o qual não houve convite, a formalização do deputado Othelino Neto na presidência da Assembleia Legislativa e dos ajustes na composição da Mesa Diretora e do Plenário acabou se transformando num ato político de expressão. No comando interino do Governo do Estado, Carlos Brandão (PRB) fez questão de comparecer. E aproveitou para declarar, num discurso informal não previsto, que foi “prestigiar a posse do amigo Othelino, mesmo nesse momento triste – mas a vida tem que continuar -, e desejar sucesso muito grande e contribuir para o sucesso de sua gestão”.

E mesmo em meio ao recesso parlamentar, deputados estaduais e federais se deslocaram para o Palácio Manoel Beckman para respaldar a  posse do novo presidente. Além do governador em exercício Carlos Brandão, compareceram o deputado federal André Fufuca (PP) – que exerce o importante cargo de 1º vice-presidente da Câmara Federal -, o deputado federal e ex-governador José Reinaldo Tavares (sem partido mas em vias de ingressar no DEM), e os deputados estaduais Marco Aurélio (PCdoB), Roberto Costa (PMDB), Rafael Leitoa (PDT), Glaubert Cutrim (PDT), Cabo Campos (DEM), Zé Inácio (PT), Adriano Sarney (PV), Levi Pontes (PCdoB), Ricardo Rios (SD), Graça Paz (PSL), Ana do Gás (PCdoB), Josimar de Maranhãozinho (PP) e Paulo Neto (PSDC).

São Luís 04 de Janeiro de 2018.

Flávio Dino inicia 2018 em alta e confirmando o protagonismo que assumiu e manteve durante 2017

 

Flávio Dino durante a entrevista à equipe do Jornal Pequeno
Flávio Dino durante a entrevista à equipe do Jornal Pequeno no Palácio dos Leões

O governador Flávio Dino (PCdoB) começou 2018 como terminou 2017: o protagonista do cenário político e da disputa pelo poder no Maranhão. Essa posição foi reforçada por uma informação divulgada no dia 2 pelo portal G1, o braço virtual do sistema Globo: o governador do Maranhão ocupa o 1º lugar entre todos os governadores brasileiros no cumprimento de 92% das suas promessas de campanha – ver mais na seção Ponto & Contraponto. A posição política e administrativa do governante maranhense ficou bem definida nas entrevistas-balanço que ele concedeu ao longo do mês de dezembro a diversos meios de comunicação, incluindo o jornal Folha de S. Paulo e o Jornal Pequeno. Em todas as elas, o governador Flávio Dino foi demonstrou serenidade, equilíbrio e firmeza e coerência na abordagem dos temas que dominaram todas as conversas com a imprensa – política partidária, eleições locais e nacionais, economia e resultados de Governo –, não deixando qualquer margem de dúvida sobre suas afirmações e informações.  O bate-rebate mais abrangente foi travado com a equipe do JP, liderada pelo editor-chefe Lourival Bogéa. E sua frase mais contundente – apesar da aparente suavidade – foi na resposta que deu ao ser indagado sobre como acha que será a eleição tendo a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) como candidata:

– Acho que será uma eleição mais emocionante. Eu gosto de fortes emoções. Alguém que torce pelo Botafogo tem que gostar de emoções fortes… Acho que é uma eleição mais (…) nítida, muita clara, muito fácil de fazer o contraste. Então, será uma eleição saborosa, eu diria.

O tom dessa resposta – na qual se podem identificar vários vieses, mas nenhuma agressividade reprovável – dominou toda a entrevista ao JP, durante a qual Flávio Dino se mostrou um chefe de Estado e de Governo  tranquilo, seguro do que está fazendo, e com nítida aparência de quem está em paz com a sua consciência como gestor. Mostrou-o também com os pés firmes no chão no que diz respeito ao político que se prepara para a guerra em busca da reeleição, portanto, no pleno controle da situação. Nesse aspecto, o seu estado de ânimo é o oposto do que vêm demonstrando seus adversários já assumidos, a começar pela ex-governadora Roseana Sarney, que alinhava um discurso destinado a minimizar os méritos de Flávio Dino como gestor, insistindo na tese segundo a qual as grandes obras do atual Governo foram planejadas e iniciadas no Governo anterior. Bem avaliado em todas as pesquisas e líder nos levantamentos sobre intenção de voto, o governador vem resistindo bem aos esforços de vozes do Grupo Sarney e do senador Roberto Rocha (PSDB) – que tem sido duro nas críticas ao Governo – de apresentá-lo como “incompetente”, “perseguidor”, e por aí vai.

Na entrevista ao JP – concedida antes da avaliação publicada pelo G1 -, o governador Flávio Dino quebrou o silêncio em relação à postura oposicionista do senador Roberto Rocha, mas se limitou a afirmar, categoricamente, que não sabe por que o então aliado rompeu a aliança política que os ligava: “Realmente não sei te explicar, porque a gente era aliado político, não éramos amigos, também não éramos inimigos, mas  ele, de repente, começou a me tratar como inimigo, do nada”. E foi enfático ao afirmar que nada aconteceu para que Roberto Rocha se tornasse seu adversário. A resposta do governador não resolverá esse mistério, já que também o senador até aqui não ofereceu uma versão factual convincente para o rompimento.

Valorizada pelo fato de que não foi uma “conversa de compadres”, a entrevista ao JP levou o governador Flávio Dino a colocar em pratos limpos sua relação com o PT e o ex-presidente Lula da Silva. Contrariando críticos e adversários políticos, defende enfaticamente o direito de o ex-presidente Lula ser candidato a presidente, avaliou que não será fácil se a condenação foi confirmada – a decisão sobre o recurso contra a condenação a nove anos de cadeia sairá no dia 24 -, e sugere que o ex-presidente deve queimar até o último recurso. E foi além ao esclarecer sua relação com o líder petista, e o fez com uma franqueza que outro político dificilmente usaria para tratar de assunto juridicamente tão controverso e politicamente tão delicado: “Tenho conversado com o ex-presidente Lula. Não me considero amigo pessoal dele. Porque amigo pra mim é uma coisa bem singular: amigo é quem vai na casa da gente, a gente visita na casa dele. O presidente Lula é para mim, hoje, um aliado político, como eu sou do PT, em termos estaduais. Agora, o que Lula vai fazer em 2018 realmente eu não faço a menor ideia”.

Nas respostas dadas à equipe do JP, Flávio Dino mostrou-se um governante e líder político absolutamente seguro das posições que defende, e consciente de que será o alvo principal dos seus concorrentes ao Palácio dos Leões, mas certo também de que será osso duro de roer e que pode reunir munição para disparar contra-ataques política e eleitoralmente letais. A informação do G1 dando conta de que ele é o primeiro em cumprimento de promessas, com 92%, é um diferencial que vai pesar nesse embate.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Levantamento do G1 coloca Dino como o governante mais eficiente do País

Antiga Residência de veraneio de governadores, a Casa de Apoio Ninar ganhou forte importância simbólica
Antiga Residência de veraneio de governadores, a Casa de Apoio Ninar ganhou forte importância simbólica, oferecendo tratamento para crianças com microcefalia

O levantamento do portal G1 com todos os Estados mostra que governador Flávio Dino é o campeão em cumprimento de compromissos de campanha. Segundo o G1, que pertence ao Grupo Globo, faltando um ano para o encerramento do seu mandato, Flávio Dino já cumpriu integralmente ou está cumprindo 92% dos compromissos assumidos com o eleitorado em 2014.

Ao completar o primeiro ano de gestão, em 2015, Flávio Dino havia cumprido integralmente 12 compromissos, e dez estavam em andamento. Em 2016, foram 15 cumpridos integralmente e 14 em andamento. Agora, ao fim de 2017, foram 22 cumpridos integralmente e 12 estão em andamento.

Do total de 37 compromissos assumidos com o eleitorado na campanha eleitoral, portanto, o governador do Maranhão já cumpriu ou está cumprindo 34, de acordo com o levantamento do G1, o que equivale a 92% dos compromissos honrados em três anos.

Entre eles, está implementar o Bolsa Escola, aumentar a rede de ensino em tempo integral, reformar e recuperar as escolas do Estado, aumentar o número de médicos no Maranhão, aumentar o número de policiais, dar utilidade social à Casa de Veraneio do governador com a instalação da Casa de Apoio Ninar e criar a Secretaria de Transparência e Controle.

Cálculo feito pelo G1 mostrou que o percentual alcançado pelo governador Flávio Dino está bem acima da média nacional, que é de 60%. Os Governos que mais se aproximam do Maranhão são os de Rondônia (85%), Goiás (82%), Ceará (80%) e São Paulo (75%).

 

Negado por Sarney, veto a Pedro Fernandes pode causar o desfecho de um tiro no pé

A pedido de José Sarney, Michel Temer vetou Pedro Fernandes para atingir Flávio Dino
A pedido de José Sarney, Michel Temer vetou Pedro Fernandes para atingir Flávio Dino no caso do MTE

Se pretendeu fragilizar o poder de fogo político e eleitoral do governador Flávio Dino impedindo que o deputado federal Pedro Fernandes (PTB) assumisse o Ministério do Trabalho e Emprego e, no cargo, atuasse para fortalecer o líder do PCdoB, o ex-presidente José Sarney (MDB) pode ter cometido um monumental erro de cálculo. Certamente concebida para ser discreta, sem ecos para o público, como é o estilo da velha e tarimbada raposa, a operação para inviabilizar a nomeação do parlamentar petebista ganhou uma dimensão muito maior do que o ex-presidente esperava. E ganhou forma de peso incômodo quando, após Pedro Fernando contar para o Brasil inteiro que foi vetado por ele, José Sarney veio a público negar, com um discurso enfático, mas pouco convincente, o seu envolvimento direto no episódio, que também tirou mais uma lasca da já combalida credibilidade do presidente Michel Temer (MDB). Isso porque ninguém acreditou na sua versão. Todas as notas, reportagens e comentários feitos nos mais diversos canais de informação do País – jornais, TVs, rádios, portais e blogs – bateram forte na mesma tecla: Pedro Fernandes foi vetado por José Sarney, por causa do governador Flávio Dino. Ontem, o Jornal Nacional colocou uma pá de cal na versão do ex-presidente da República ao abrir sua edição com o apresentador afirmando, enfática e categoricamente, que José Sarney vetou Pedro Fernandes por causa de Flpavio Dino, não deixando mais qualquer margem de dúvida sobre essa versão. E a conclusão dominante é a de que o ex-presidente tem a exata noção do poder de fogo do governador e vai fazer o que estiver ao seu alcance, mesmo prejudicando um político do quilate do deputado federal Pedro Fernandes, que já foi seu aliado por muitos anos, e que mesmo na Oposição, sempre o tratou com muito respeito. O assunto será certamente tratado durante a campanha eleitoral, e é fácil antever que o bônus político e eleitoral será dividido entre o deputado e o governador.

São Luís, 3 de Janeiro de 2018.