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Flávio Dino inicia 2018 em alta e confirmando o protagonismo que assumiu e manteve durante 2017

 

Flávio Dino durante a entrevista à equipe do Jornal Pequeno
Flávio Dino durante a entrevista à equipe do Jornal Pequeno no Palácio dos Leões

O governador Flávio Dino (PCdoB) começou 2018 como terminou 2017: o protagonista do cenário político e da disputa pelo poder no Maranhão. Essa posição foi reforçada por uma informação divulgada no dia 2 pelo portal G1, o braço virtual do sistema Globo: o governador do Maranhão ocupa o 1º lugar entre todos os governadores brasileiros no cumprimento de 92% das suas promessas de campanha – ver mais na seção Ponto & Contraponto. A posição política e administrativa do governante maranhense ficou bem definida nas entrevistas-balanço que ele concedeu ao longo do mês de dezembro a diversos meios de comunicação, incluindo o jornal Folha de S. Paulo e o Jornal Pequeno. Em todas as elas, o governador Flávio Dino foi demonstrou serenidade, equilíbrio e firmeza e coerência na abordagem dos temas que dominaram todas as conversas com a imprensa – política partidária, eleições locais e nacionais, economia e resultados de Governo –, não deixando qualquer margem de dúvida sobre suas afirmações e informações.  O bate-rebate mais abrangente foi travado com a equipe do JP, liderada pelo editor-chefe Lourival Bogéa. E sua frase mais contundente – apesar da aparente suavidade – foi na resposta que deu ao ser indagado sobre como acha que será a eleição tendo a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) como candidata:

– Acho que será uma eleição mais emocionante. Eu gosto de fortes emoções. Alguém que torce pelo Botafogo tem que gostar de emoções fortes… Acho que é uma eleição mais (…) nítida, muita clara, muito fácil de fazer o contraste. Então, será uma eleição saborosa, eu diria.

O tom dessa resposta – na qual se podem identificar vários vieses, mas nenhuma agressividade reprovável – dominou toda a entrevista ao JP, durante a qual Flávio Dino se mostrou um chefe de Estado e de Governo  tranquilo, seguro do que está fazendo, e com nítida aparência de quem está em paz com a sua consciência como gestor. Mostrou-o também com os pés firmes no chão no que diz respeito ao político que se prepara para a guerra em busca da reeleição, portanto, no pleno controle da situação. Nesse aspecto, o seu estado de ânimo é o oposto do que vêm demonstrando seus adversários já assumidos, a começar pela ex-governadora Roseana Sarney, que alinhava um discurso destinado a minimizar os méritos de Flávio Dino como gestor, insistindo na tese segundo a qual as grandes obras do atual Governo foram planejadas e iniciadas no Governo anterior. Bem avaliado em todas as pesquisas e líder nos levantamentos sobre intenção de voto, o governador vem resistindo bem aos esforços de vozes do Grupo Sarney e do senador Roberto Rocha (PSDB) – que tem sido duro nas críticas ao Governo – de apresentá-lo como “incompetente”, “perseguidor”, e por aí vai.

Na entrevista ao JP – concedida antes da avaliação publicada pelo G1 -, o governador Flávio Dino quebrou o silêncio em relação à postura oposicionista do senador Roberto Rocha, mas se limitou a afirmar, categoricamente, que não sabe por que o então aliado rompeu a aliança política que os ligava: “Realmente não sei te explicar, porque a gente era aliado político, não éramos amigos, também não éramos inimigos, mas  ele, de repente, começou a me tratar como inimigo, do nada”. E foi enfático ao afirmar que nada aconteceu para que Roberto Rocha se tornasse seu adversário. A resposta do governador não resolverá esse mistério, já que também o senador até aqui não ofereceu uma versão factual convincente para o rompimento.

Valorizada pelo fato de que não foi uma “conversa de compadres”, a entrevista ao JP levou o governador Flávio Dino a colocar em pratos limpos sua relação com o PT e o ex-presidente Lula da Silva. Contrariando críticos e adversários políticos, defende enfaticamente o direito de o ex-presidente Lula ser candidato a presidente, avaliou que não será fácil se a condenação foi confirmada – a decisão sobre o recurso contra a condenação a nove anos de cadeia sairá no dia 24 -, e sugere que o ex-presidente deve queimar até o último recurso. E foi além ao esclarecer sua relação com o líder petista, e o fez com uma franqueza que outro político dificilmente usaria para tratar de assunto juridicamente tão controverso e politicamente tão delicado: “Tenho conversado com o ex-presidente Lula. Não me considero amigo pessoal dele. Porque amigo pra mim é uma coisa bem singular: amigo é quem vai na casa da gente, a gente visita na casa dele. O presidente Lula é para mim, hoje, um aliado político, como eu sou do PT, em termos estaduais. Agora, o que Lula vai fazer em 2018 realmente eu não faço a menor ideia”.

Nas respostas dadas à equipe do JP, Flávio Dino mostrou-se um governante e líder político absolutamente seguro das posições que defende, e consciente de que será o alvo principal dos seus concorrentes ao Palácio dos Leões, mas certo também de que será osso duro de roer e que pode reunir munição para disparar contra-ataques política e eleitoralmente letais. A informação do G1 dando conta de que ele é o primeiro em cumprimento de promessas, com 92%, é um diferencial que vai pesar nesse embate.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Levantamento do G1 coloca Dino como o governante mais eficiente do País

Antiga Residência de veraneio de governadores, a Casa de Apoio Ninar ganhou forte importância simbólica
Antiga Residência de veraneio de governadores, a Casa de Apoio Ninar ganhou forte importância simbólica, oferecendo tratamento para crianças com microcefalia

O levantamento do portal G1 com todos os Estados mostra que governador Flávio Dino é o campeão em cumprimento de compromissos de campanha. Segundo o G1, que pertence ao Grupo Globo, faltando um ano para o encerramento do seu mandato, Flávio Dino já cumpriu integralmente ou está cumprindo 92% dos compromissos assumidos com o eleitorado em 2014.

Ao completar o primeiro ano de gestão, em 2015, Flávio Dino havia cumprido integralmente 12 compromissos, e dez estavam em andamento. Em 2016, foram 15 cumpridos integralmente e 14 em andamento. Agora, ao fim de 2017, foram 22 cumpridos integralmente e 12 estão em andamento.

Do total de 37 compromissos assumidos com o eleitorado na campanha eleitoral, portanto, o governador do Maranhão já cumpriu ou está cumprindo 34, de acordo com o levantamento do G1, o que equivale a 92% dos compromissos honrados em três anos.

Entre eles, está implementar o Bolsa Escola, aumentar a rede de ensino em tempo integral, reformar e recuperar as escolas do Estado, aumentar o número de médicos no Maranhão, aumentar o número de policiais, dar utilidade social à Casa de Veraneio do governador com a instalação da Casa de Apoio Ninar e criar a Secretaria de Transparência e Controle.

Cálculo feito pelo G1 mostrou que o percentual alcançado pelo governador Flávio Dino está bem acima da média nacional, que é de 60%. Os Governos que mais se aproximam do Maranhão são os de Rondônia (85%), Goiás (82%), Ceará (80%) e São Paulo (75%).

 

Negado por Sarney, veto a Pedro Fernandes pode causar o desfecho de um tiro no pé

A pedido de José Sarney, Michel Temer vetou Pedro Fernandes para atingir Flávio Dino
A pedido de José Sarney, Michel Temer vetou Pedro Fernandes para atingir Flávio Dino no caso do MTE

Se pretendeu fragilizar o poder de fogo político e eleitoral do governador Flávio Dino impedindo que o deputado federal Pedro Fernandes (PTB) assumisse o Ministério do Trabalho e Emprego e, no cargo, atuasse para fortalecer o líder do PCdoB, o ex-presidente José Sarney (MDB) pode ter cometido um monumental erro de cálculo. Certamente concebida para ser discreta, sem ecos para o público, como é o estilo da velha e tarimbada raposa, a operação para inviabilizar a nomeação do parlamentar petebista ganhou uma dimensão muito maior do que o ex-presidente esperava. E ganhou forma de peso incômodo quando, após Pedro Fernando contar para o Brasil inteiro que foi vetado por ele, José Sarney veio a público negar, com um discurso enfático, mas pouco convincente, o seu envolvimento direto no episódio, que também tirou mais uma lasca da já combalida credibilidade do presidente Michel Temer (MDB). Isso porque ninguém acreditou na sua versão. Todas as notas, reportagens e comentários feitos nos mais diversos canais de informação do País – jornais, TVs, rádios, portais e blogs – bateram forte na mesma tecla: Pedro Fernandes foi vetado por José Sarney, por causa do governador Flávio Dino. Ontem, o Jornal Nacional colocou uma pá de cal na versão do ex-presidente da República ao abrir sua edição com o apresentador afirmando, enfática e categoricamente, que José Sarney vetou Pedro Fernandes por causa de Flpavio Dino, não deixando mais qualquer margem de dúvida sobre essa versão. E a conclusão dominante é a de que o ex-presidente tem a exata noção do poder de fogo do governador e vai fazer o que estiver ao seu alcance, mesmo prejudicando um político do quilate do deputado federal Pedro Fernandes, que já foi seu aliado por muitos anos, e que mesmo na Oposição, sempre o tratou com muito respeito. O assunto será certamente tratado durante a campanha eleitoral, e é fácil antever que o bônus político e eleitoral será dividido entre o deputado e o governador.

São Luís, 3 de Janeiro de 2018.

 

Indicação de Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho foi atingida por uma demonstração de força nada republicana

 

Pedro Fernandes se diz vetado por José Sarney
Pedro Fernandes diz que indicação foi vetado por José Sarney

Primeiro a surpresa, depois, perplexidade. Foram esses os sentimentos que atingiram milhares e milhares de maranhenses ao serem informados de que o deputado federal Pedro Fernandes não será mais nomeado ministro do Trabalho porque, mesmo indicado unanimemente pela bancada do PTB, teria sido, segundo o próprio parlamentar, vetado pelo ex-presidente José Sarney (PMDB). O motivo: Pedro Fernandes, que durante décadas foi aliado do Grupo Sarney, decidiu seguir outro rumo e integrar a aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Por meio de assessores, o ex-presidente José Sarney negou enfaticamente a interferência, mas todos os indícios apontam no sentido de que a restrição foi manifestada e aceita pelo presidente da República, causando um enorme constrangimento na bancada federal do PTB, que recebeu do Palácio do Jaburu um pedido para substituir o parlamentar maranhense.

Está mais que claro que Pedro Fernandes foi vetado, e todos os sinais indicam que esse veto partiu do Grupo Sarney. Nenhum argumento técnico ou ético motivou o presidente a mudar a indicação do PTB. Para começar, no campo político o deputado Pedro Fernandes e seu partido têm sido aliados corretos do presidente Michel Temer, pagando preço político alto por ter votado contra a sua decapitação nas duas vezes em que ele esteve com a cabeça na guilhotina da Câmara Federal. Além disso, Pedro Fernandes votou a favor da reforma Trabalhista e vem defendendo com firmeza a da Previdência e outras matérias polêmicas propostas pelo Governo, correndo o sério risco de sofrer desgaste eleitoral. Pedro Fernandes é considerado um dos quadros mais corretos, honestos, ativos e eficientes da Câmara Federal, onde exerce o quinto mandato como um dos três deputados mais assíduos, participando de praticamente 100% das seções e votações. Por fim, tecnicamente Pedro Fernandes é um engenheiro civil de larga experiência, com sólida formação técnica, que inclui estudos sobre a realidade trabalhista no Brasil, que é a base ideológica, doutrinária e programática do seu partido, o PTB, fundado por Getúlio Vargas. Ninguém duvida, portanto, de que ele seria um bom ministro, plenamente afinado com as orientações do Palácio do Planalto.

E não bastassem esses argumentos, Michel Temer e Pedro Fernandes foram colegas de Câmara Federal, se conhecem muito bem. Tanto que, conforme informações de bastidores, o presidente Michel Temer teria festejado a indicação de Pedro Fernandes para o cargo, tendo inclusive marcado a data da sua posse para esta quinta-feira (4).

O argumento usado para justificar o veto foi o de que aqui na sua base política, o PTB está alinhado ao governador Flávio Dino, pelo fato de o vereador por São Luís Pedro Lucas Fernandes (PTB), exerce o cargo de Secretário de Articulação Metropolitana do Governo do Estado. A versão mais corrente, confirmada pelo próprio Pedro Fernandes, foi a de que, insatisfeito por ter um adversário seu no Maranhão sendo nomeado ministro de Estado, resolveu melar a escolha fazendo chegar sua insatisfação ao presidente Michel Temer. Politicamente fragilizado, e certamente não querendo ter um José Sarney no seu encalço, o presidente da República sucumbiu ao reclame do velho cacique e resolveu amargar o constrangimento de descartar um aliado correto e decente e desagradar a uma bancada inteira para atender a um capricho político absolutamente desarrazoado, aparentemente motivado apenas pela necessidade de exibir poder.

O argumento da aliança de Pedro Fernandes com o governador Flávio Dino não se sustenta, uma vez que outros partidos aliados do presidente estão afinados com o governador Flávio Dino. Um deles é o DEM, que declarou apoio ao governador, inclusive com o aval do seu quadro mais importante, o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia. O outro é o PP, cujo presidente regional, deputado André Fufuca, 1º vice-presidente da Câmara Federal e aliado de proa do Palácio do Planalto, selou uma aliança com o governador Flávio Dino o mundo não desabou. O PRB, que está se fortalecendo sob o comando do deputado federal Cléber Verde, é afinado com o Governo Michel Temer e mantém uma aliança firme com o Governo do PCdoB. Ou seja, o argumento meramente partidário não se sustenta.

Restam, portanto, poucas dúvidas de que a indicação do deputado federal Pedro Fernandes para o cargo de ministro do Trabalho foi atingida por uma mera e nada republicana demonstração de força.

 

PONTO & CONTRAPONTO

ADEUS

Funeral de Humberto Coutinho mobiliza líderes políticos e comove milhares de caxienses

Flávio Dino abraça Cleide Coutinho; Othelino Neto solidário com
Flávio Dino, Othelino Neto e Lourival Serejo solidários com Cleide Coutinho; Fábio Gentil  no velório; caxienses choram no  adeus

O funeral do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT) traduziu corretamente o seu tamanho pessoal e político. As personalidades presentes, tendo à frente o governador Flávio Dino (PCdoB), o agora presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), o vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Lourival Serejo, representando o Poder Judiciário, e o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (PRB), deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores, secretários de Estado e líderes, empresariais, sindicais e comunitários, demonstraram, em suas manifestações, que estavam ali para reverenciar um cidadão que se destacou como líder político, médico e empresário e que, tivesse ganhado um pouco mais de tempo, estaria agora no epicentro da disputa pelas duas cadeiras do Senado.

Humberto Coutinho partiu com dignidade e com despedidas justas. No adeus coletivo, dominado por um profundo e visível sentimento de respeito, foi marcado por lágrimas, música e muitas palmas. Foi como autoridades, amigos, familiares, aliados e a população de Caxias se despediram dele ontem, durante o velório realizado no Ginásio da Facema e no cortejo que percorreu as principais ruas e avenidas da cidade.

A comoção veio à tona durante a missa de corpo presente. E transbordaram quando o governador Flávio Dino e a Dra. Cleide Coutinho fizeram discursos emocionantes.  “Pela primeira vez, em 11 anos, eu chego aqui e Humberto Coutinho não estava me esperando. Jamais pensei que um dia eu ia assinar um decreto oficial em homenagem a esse grande homem”, disse Flávio Dino, sem conseguir conter as lágrimas. Ele acrescentou que o presidente Humberto Coutinho era um homem leal. “Humberto foi muito leal comigo”, afirmou, se dirigindo a Dra. Cleide e declarando que “você pode contar comigo, Caxias pode contar comigo. A maior homenagem que podemos dar é uma salva de palmas ao amigo Humberto Coutinho”.

Cleide Coutinho lembrou que Humberto Coutinho lhe disse, em São Luís, que o maior presente que poderia receber seria morrer em Caxias. “Agradeço a sua gentileza, que fez com que isso acontecesse perto dos amigos e da sua família”, disse reportando-se ao governador Flávio Dino.

Visivelmente comovido, o prefeito Fábio Gentil disse que o nome de Humberto Coutinho ficará fincado na história de Caxias. “Ele era um ser humano de coração extraordinário, foi um político que contribuiu muito para o crescimento de Caxias. Os frutos por ele plantados continuarão a ser regados. É uma perda irreparável”, disse o prefeito.  “Eu perdi um grande amigo. Ele entrou na política junto comigo e fará muita falta”, disse Gastão Vieira.

Cortejo

Durante todo o percurso do cortejo as pessoas acenavam dando adeus a Humberto Coutinho. A cidade parou para acompanhar a passagem do cortejo. Um dos momentos mais marcantes aconteceu em frente à Casa de Saúde e Maternidade onde os funcionários fizeram uma linda homenagem a Humberto Coutinho, cantando a música ‘Como é grande o meu amor por você’. Em frente à Faculdade de Ciência e Tecnologia do Maranhão (Facema), também foi prestada homenagem especial. Em seguida, o cortejo passou pela TV Sinal Verde, Avenida Senador Alexandre Costa, Estação Rodoviária, Coheb, seguindo para o bairro do Itapecuruzinho, onde ocorreu o sepultamento em capela da família, que fica ao lado do Cemitério Olaria.

Homenagens

O Maranhão político perdeu um grande, um grande líder, um conciliador muito admirado por todos. Essa foi declaração uníssona entre os políticos presentes ao funeral do presidente Humberto Coutinho.

Além do governador Flávio Dino e do prefeito Fábio Gentil, o presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto – ainda comovido com a perda do pai, o jornalista Othelino Filho, declarou: “É com o sentimento de tristeza que estamos aqui na despedida de Humberto Coutinho que deixa um vácuo muito grande na política do Maranhão”.

“É uma grande perda para o Estado. Humberto foi um grande amigo, um companheiro. O Maranhão perde um grande político, um ser humano excelente e que tinha um coração de ouro”, acentuou a deputada Francisca Primo (PCdoB). “É uma tristeza muito grande. Ele foi um grande líder e um pai para todos os deputados. É uma perda muito grande para todos nós. Peço a Deus que o coloque em um bom lugar. Ele fará muita falta”, disse Glauberth Cutrim (PDT). “O Maranhão está em luto. Caxias perde o seu grande herói. Nós sentimos muito a morte do presidente Humberto”, acentuou o deputado Cabo Campos (DEM). “É uma grande perda para todos nós. Ele era um bom homem, um bom pai de família, um bom amigo, um grande político não só para Caxias, mas para todo o Maranhão. Ele deixou a sua marca na história. Ele vai deixar muita saudade”, acentuou Ricardo Rios (SD), 1º secretário da Mesa da Assembleia Legislativa.

O deputado Alexandre Almeida (PSD) afirmou que, indiscutivelmente, Humberto Coutinho conseguiu, através de sua profissão como médico, transformar a vida de milhares de maranhenses, por isso ele se destacou na política. “Ele tinha a arte de ouvir, teve uma carreira muito destacada. Sujeito que vai fazer falta para a Assembleia, para o povo do Maranhão. Lamento e deixo o meu abraço e agradecimento pelo que ele representa para todos nós”. disse Alexandre Almeida.  “Fica uma lacuna. É uma perda irreparável. Ele era uma pessoa que começou a dar o exemplo pela família. Ele tinha um bom relacionamento com toda Assembleia. É motivo de muita dor a sua partida. Peço a Deus que conforte  a sua família e que o coloque em um bom lugar”, afirmou o deputado Eduardo Braide (PMN).

Cleomar Tema (Tuntum e Famem) faz homenagem ao amigo e líder Humberto Coutinho

Amizade e aliança política inabaladas há de três décadas
Cleomar Tema e Humberto Coutinho: amizade e aliança política  mantidas sem abalos durante quase três décadas

“Ele deixa uma história de ousadia, lutas e conquistas. O meu amigo, o meu companheiro Humberto Coutinho deixa um grande legado para as gerações futuras do nosso Estado. Foi um grande e autêntico líder, um homem leal aos seus ideais, cumpridor de suas palavras e que, por todos os seus predicados, era extremamente respeitado, tanto pelos amigos como pelos adversários”. O resumo da personalidade política de Humberto Coutinho foi feito pelo prefeito de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema (PSB), ao comentar a perda daquele que foi o seu maior e mais importante parceiro politico e amigo desde que se aliaram em 1990.

Cleomar Tema não conseguiu esconder a forte emoção que lhe dominou ao comentar a perda. Lembrando que essa aliança se sustenta há três décadas, o presidente da Famem destacou que ele e Humberto Coutinho estiveram nas “trincheiras de luta” por todos esses anos. “Aprendi muito com o Humberto Coutinho, recebi muitas orientações dele e posso assegurar que foi um homem, um político e um pai de família extraordinário”, destacou.

Tema acrescentou que tanto a FAMEM, cuja nova sede leva o nome do ex-mandatário caxiense, como o município de Tuntum estão de luto oficial por três dias. Cleomar Tema ao afirmar que o Maranhão jamais esquecerá os ensinamentos daquele que ele considera um dos maiores políticos maranhenses. O prefeito de Tuntum e presidente da Famem divulgou nota de pesar, cujo teor é o seguinte:

Nota de Pesar

O presidente Cleomar Tema e toda a Diretoria da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) lamentam, com profundo pesar, o falecimento do presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Humberto Coutinho, fato este ocorrido na noite de segunda-feira, dia 1º de janeiro de 2018, no município de Caxias.

Humberto Coutinho foi e sempre será referência na militância municipalista do estado do Maranhão, seja na condição de prefeito de Caxias, cidade que ele administrou por dois mandatos, seja pela sua trajetória de político que sempre defendeu o fortalecimento dos municípios.

Humberto Coutinho ficará guardado na memória de todos os prefeitos e prefeitas maranhenses. Seu nome e seu espírito de estadista continuarão honrando as lutas da Famem, cuja sede nova, inaugurada no mês passado, recebeu o nome de Casa do Municipalismo Humberto Coutinho.

À família e amigos, nossos sinceros sentimentos.

Ao povo do Maranhão, homenagearemos, sempre, a memória de um homem íntegro, político fiel às suas convicções, e que sempre lutou e trabalhou pelo progresso de nosso estado.

Cleomar Tema

Prefeito de Tuntum e presidente da Famem

 

São Luís, 02 de Janeiro de 2018.

A morte de Humberto Coutinho causa perdas ao Legislativo, ao Governo, à classe política e à vida de Caxias

Humberto Coutinho: a morte o tirou de cena no auge da sua bem sucedida carreira política
Humberto Coutinho: a morte o tirou de cena no auge da sua bem sucedida carreira política

 

Caxias perdeu o seu maior e mais influente e carismático líder político neste século, a Assembleia Legislativa perdeu o seu presidente mais forte e agregador das últimas legislaturas, o governador Flávio Dino (PCdoB) perde o seu “co-piloto” e principal estabilizador político da sua nave governamental, a medicina perdeu uma importante referência como profissional e empresário da área, e os mais próximos perderam um amigo sincero para todas as horas. O que causou essas e outras perdas foi a morte do médico, empresário, líder político, ex-prefeito de Caxias, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Humberto Coutinho (PDT). Ele perdeu a guerra de quatro anos contra um agressivo câncer no intestino, contra o qual usou de todos os recursos médicos disponíveis. Sua partida, aos 71 anos, se deu no melhor momento da sua carreira política – chegou a ser apontado como pré-candidato a senador com largas chances de eleição -, abrindo um enorme vazio no universo da política maranhense e na sua família, da qual era chefe absoluto, dividindo essa liderança com a esposa, a médica e política Cleide Coutinho.

Humberto Coutinho foi uma personalidade fora dos padrões e acima da média. Com quase dois metros de altura, jeitão meio desengonçado e aparência carrancuda, parecia um personagem distante e inabordável. O médico cirurgião, no entanto, revelou-se um sujeito boa praça, afável e que com o tempo se tornou uma referência profissional, com nítida tendência ao messianismo, potencial que ele inteligentemente usou como plataforma para vivenciar sua maior paixão depois da esposa, parceira, amiga e guadiã Cleide Coutinho e seus filhos: a política. Tal paixão foi tão forte que depois de alguns anos de militância, aposentou o médico e deu vida integral ao político, como deputado estadual (cinco mandatos), prefeito de Caxias (dois mandatos), o que foi suficiente para chegar à presidência do Poder Legislativo por três anos consecutivos e ao Governo do Estado por quase uma semana, o que lhe permitiu, ainda que por tempo exíguo, realizar o sonho de todo político maranhense: sentar na cadeira principal do Palácio dos Leões.

O político Humberto Coutinho nasceu nas bases do Grupo Sarney, mas migrou para a Oposição quando os chefes do sarneysismo abraçaram seus adversários em Caxias, não lhe deixando outro caminho. Subestimado, Humberto Coutinho mostrou a sua força política exercendo mandato após mandato de deputado estadual e elegendo-se prefeito por dois mandatos. E o grito definitivo de independência que deu em relação ao Grupo Sarney aconteceu quando ele abraçou a bandeira do governador José Reinaldo Tavares em 2002, para em seguida tornar-se um dos artífices da histórica e espetacular vitória do médico e ex-prefeito de São Luís, Jackson Lago (PDT) no pleito de 2006. Naquela frenética corrida ao voto, abraçou o projeto e viabilizou a eleição do ex-juiz federal Flávio Dino para a Câmara Federal, apoiando sua candidatura ao Governo do Estado em 2010. Manteve sua posição inalterada, apesar do bombardeio adversário, e virou o jogo mais uma vez ao ter participação decisiva na vitória de Flávio Dino para o Governo do Estado em 2014, ganhando do novo líder estadual o carinhoso apelido de “co-piloto”. E foi com essa soma de experiência e  força políticas que ele desembarcou de volta à Assembleia Legislativa em fevereiro de 2015 para ser eleito presidente do Poder quase que por unanimidade e sem qualquer discussão. Sua chegada ao comando do Poder Legislativo foi fruto de uma bem articulada campanha que comandou quando as urnas informaram sua volta ao Palácio Manoel Bequimão, embalado por grande votação.

No comando do Poder Legislativo, Humberto Coutinho se movimentou de tal modo que em pouco tempo se tornou referência, respeitado por aliados e por adversários dentro e fora da instituição parlamentar. Ali, aprimorou a regra política segundo todos os deputados, governistas e oposicionistas, receberiam rigorosamente o mesmo tratamento. E fez cumprir tal regra como uma espécie de princípio respeitado por todos. Na presidência, funcionou como ponte segura e confiável entre Oposição e Governo, intermediando negociações delicadas para destravar a tramitação e aprovação de matérias polêmicas propostas pelo Palácio dos Leões, e mediando conflitos internos entre deputados e promovendo  entendimentos difíceis sobre temas complicados. E foi capaz de gestos absolutamente surpreendentes, como a visita que fez ao empresário João Abreu, preso por suspeita de envolvimento em suposto esquema de corrupção ocorrido no Governo Roseana Sarney, no qual ele foi secretário-chefe da Casa Civil.

O gigante político Humberto Coutinho chegou ao topo do poder fazendo política à maneira antiga, à base da conversa ao pé do ouvido, elevando ao extremo o valor da palavra e da confiança, nunca se deixando mover por interferências externas. Tanto que no meio político era apontado como o maior e mais correto cumpridor de acordos. Não lia jornal – salvo quando um assessor ou aliado da sua confiança lhe mostrava um texto que lhe interessaria -, quase não assistia TV nem se informava por outros canais eletrônicos, como rádio, portais e blogs, por exemplo. Informava-se pela conversa direta, alimentada por uma enorme teia de amigos e aliados. Vários interlocutores ouviram dele que seu maior prazer era sentar numa roda de conversa política. “É disso que eu mais gosto”, disse ao colunista em conversa informal.

Não surpreende, portanto, que a classe política esteja sob o impacto da perda de Humberto Coutinho, que atinge diretamente a população aguerrida e politicamente ativa de Caxias, uma terra que sabe brigar pelos seus ideais e que costuma referenciar seus líderes.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino, José Joaquim Figueiredo e Othelino Neto lamentam a partida de Humberto Coutinho

 

Humberto Coutinho e Cleide Coutinho recebem Flávio Dino em uma das várias visitas do governador ao deputado
Humberto Coutinho e Cleide Coutinho recebem Flávio Dino em uma das várias visitas que o governador fez ao deputado na residência da família, em Caxias

A morte do presidente Humberto Coutinho impactou fortemente a classe política, reforçando com clareza o peso da sua presença no complicado xadrez da política maranhense. O governador Flpavio Dino, que tinha nele um aliado forte e confiável, depois de decretar luto oficial por sete dias e determinar que ele tenha funerais de Chefe de Estado, declarou, em tom fortemente comovido: “A perda do amigo leal é imensa e muito dolorosa”. E acrescentou: “Humberto Coutinho presidia a Assembleia Legislativa com eficiência e grande liderança, e exerceu o governo do Estado”.

Por sua vez, o presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos, em nome dos demais membros da Corte, divulgou nota externando “profundo pesar pela perda do presidente da Assembleia Legislava”, ao mesmo em que se solidariza com a família do deputado, desejando conforto e serenidade em momento tão difícil de imensurável perda. “Toda a classe judiciária do Maranhão presta condolências e expressa os mais sinceros pêsames”, afirma o desembargador-presidente José Joaquim Figueiredo dos Anjos.

O presidente em exercício da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PC do B), sobre quem recairá a responsabilidade de comandar o Poder Legislativo, afirmou que o Maranhão perde um de seus grandes líderes. Segundo ele, Humberto Coutinho era um homem de poucas palavras e um conciliador, mas que teve a coragem cívica de ser um dos grandes pilares de momentos relevantes da nossa política recente.

– Humberto foi fundamental na marcante eleição de governador do saudoso Jackson Lago (PDT) e foi avalista desse movimento histórico da construção de um Maranhão de todos nós, sob a liderança de seu aliado e estimado amigo Flávio Dino – disse o deputado Othelino Neto.

Também da Oposição saíram manifestações de pesar pela partida de Humberto Coutinho. Uma delas foi da ex-governadora Roseana Sarney, para quem  “O Maranhão perde uma liderança política e um homem que lutou fortemente durante os últimos anos pelo restabelecimento de sua saúde. Ao longo de minha trajetória política, eu e Humberto Coutinho mantivemos uma relação de muito respeito”.

 

A trajetória bem sucedida de um médico que acabou se apaixonando pela política

Humberto Coutinho e Othelino Neto: boa sintonia no comando da Assembleia Legislativa
Humberto Coutinho e Othelino Neto: boa sintonia no comando do Poder Legislativo

Humberto Ivar Araújo Coutinho nasceu em 21 de agosto de 1946 no povoado Pedreiras, município de Matões. Formado em Medicina em 1970 pela Universidade Federal da Bahia, desde 1971 começou a exercer a profissão pelo então INSS em Caxias e na Casa de Saúde de Maternidade de Caxias, hospital que fundou juntamente com sua esposa, a médica e ex-deputada estadual Cleide Barroso Coutinho.

Iniciou sua carreira política em 1988 como vereador, o mais votado de Caxias, elegendo-se logo a seguir, em 1990, deputado estadual com reeleições sucessivas nos pleitos de  1994, 1998 e 2002. Em 2004, foi eleito prefeito da cidade de Caxias, sendo reeleito em 2008 com a maior votação dada a um candidato a prefeito na história da cidade.

Enquanto prefeito, indicou e apoiou a esposa Cleide Barroso Coutinho como candidata a deputada estadual que se elegeu em 2006 e se reelegeu em 2010. Todas as suas eleições sempre tiveram como base eleitoral as cidades de Caxias, Parnarama, São Domingos, Paraibano e Tuntum. Em 2014 foi votado também nas cidades de São Mateus, Aldeias Altas, Alexandre Costa e São João do Sóter.

Em 2014, “Dr. Humberto”, como era conhecido, retornou à Assembleia Legislativa como o deputado mais votado (67.982) da aliança que levou Flávio Dino ao Governo do Estado, o que lhe deu suporte para se eleger e se reeleger presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão.

São Luís, 02 de Dezembro de 2018.

2017 foi politicamente intenso e teve Flávio Dino como o seu grande protagonista

 

Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Edson Lobão, Sarney Filho, Rubens Jr., Eliziane Gama, João Marcelo, Humberto Coutinho, Othelino Neto, Rogério Cafeteira, Rafael Leitoa, Bira do Pindaré, Marco Aurélio, Eduardo Braide, Max Barros, Edilázio Jr.
Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Edson Lobão, Sarney Filho, Rubens Jr., Eliziane Gama, João Marcelo, Humberto Coutinho, Othelino Neto, Rogério Cafeteira, Rafael Leitoa, Bira do Pindaré, Marco Aurélio, Eduardo Braide, Max Barros, Edilázio Jr.. Andrea Murad, César Pires, Adriano Sarney, Roberto Costa, Márcio Jerry e Cleomar Tema se destacaram ao longo de 2017 

Se não foi de grandes lances, 2017 foi um ano político intenso no Maranhão, com algumas situações que alinhavaram o que vem pela frente, a começar pelas eleições de 2018. Nos seus 365 dias, não há dúvida de que o governador Flávio Dino (PCdoB) foi o grande protagonista e epicentro de todos os movimentos, mesmo aqueles que não o envolveram diretamente, pontificando também além das fronteiras maranhenses. Depois dele, o grande agitador da política maranhense foi o senador Roberto Rocha (PSDB), que deu grandes voltas e acabou exatamente onde planejara. Sem protagonizar qualquer momento importante, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) movimentou a cena política ao suspender a aposentadoria para tentar voltar a residir no Palácio dos Leões.  Em meio à intensa movimentação de deputados federais como Weverton Rocha (PDT), Rubens Jr. (PCdoB), Eliziane Gama (PPS) e Hildo Rocha (PMDB), e de deputados estaduais como Othelino Neto (PCdoB), Eduardo Braide (PMN) e Andrea Murad, o nome mais pronunciado foi o do secretário Márcio Jerry (Articulação Política e Comunicação). E numa dimensão paralela, os movimentos mais visíveis foram os do prefeito de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema (PSB).

Queiram ou não os seus adversários, o governador Flávio Dino foi o grande protagonista do Maranhão em 2017. Comandou o Governo com autoridade inabalável, fazendo uma gestão eficiente e racional, com pesados investimentos em educação, saúde e infraestrutura. Nesse campo, enfrentou ataques ferozes dos seus adversários, principalmente do Grupo Sarney, que acusaram alguns segmentos de desvios com o objetivo de alvejá-lo, mas saiu por cima em todos os episódios em que se deu o enfrentamento. Politicamente, o governador alicerçou sua condição de candidato à reeleição – o favorito, segundo pesquisas -, firmando-se também como uma das mais importantes vozes da esquerda no País, alimentando o discurso de golpe contra o mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), criticando duramente o Governo do presidente Michel Temer, mas mantendo uma relação institucional respeitosa com o Palácio do Planalto. Manteve-se como defensor tenaz o ex-presidente Lula da Silva (PT), que na sua visão está sendo alvo de uma “violência absurda” perpetrada “pela direita”. No geral, chega ao final de 2017 como um dos três melhores entre os atuais governadores.

Criticado por muitos, observado com atenção por alguns e defendido por vários, o senador Roberto Rocha ocupou espaço expressivo na cena política maranhense. Numa movimentação intensa e bem articulada, ele conseguiu exatamente o que queria: voltar ao PSDB, assumir o seu comando e ser ungido candidato dos tucanos ao Governo do Estado e brigar pelo controle do PSB. E consumou seu projeto desbancando o vice-governador Carlos Brandão, que teve de mudar de partido. Mantém inalterado o seu projeto de candidatura ao Palácio dos Leões. Fecha o ano como vitorioso, apesar das restrições que lhe fazem.

Roseana Sarney suspendeu sua aposentadoria para apresentar-se como pré-candidata ao Governo do Estado. Sem protagonizar qualquer episódio e ocupada em livrar-se de uma série de denúncias, se movimenta também para reagrupar as forças que controlou enquanto esteve no pode. Amparada em pesquisas polêmicas, e embalada por um eficiente esquema de comunicação, segue afirmando que será candidata. Tem mostrado ser ainda detentora de fatia expressiva do eleitorado, e é até aqui o adversário mais forte do governador Flávio Dino. No Grupo Sarney, o deputado federal e ministro do Meio Ambiente Sarney Filho (PV) vem contribuindo fortemente para movimentar a disputa para o Senado, devendo fazer dobradinha com o senador Edison Lobão (PMDB), também apontado entre os favoritos.

De um modo geral, a bancada federal atuou de maneira aceitável, principalmente quando se transformou em bloco na defesa de interesses do Maranhão. Mas entre os 18 integrantes, cinco são foram destaque. Weverton Rocha foi o grande nome do PDT na Casa, primeiro por comandar a bancada do partido, e depois pelo protagonismo que exerceu nos grandes debates travados na Casa. Rubens Jr. seguiu a mesma trilha, imprimindo movimento intenso à bancada do PCdoB, na qual, como vice-líder, teve atuação mais destacada do que a da líder Jandira Feghali (RJ), tudo isso sem descuidar da responsabilidade que assumiu como coordenador da bancada maranhense. André Fufuca (PP) foi a grande revelação, primeiro ao ser eleito 1º vice-presidente da Câmara Federal e, nessa condição, ter assumido a presidência da instituição num momento crítico e tenso, surpreendendo a todos pelo equilíbrio que demonstrou no comando da Casa quando o presidente Rodrigo Maia assumiu interinamente a Presidência da República. Boa atuação também teve o deputado Hildo Rocha (PMDB), que na avaliação de muitos foi produtivo e diferenciado. Eliziane Gama (PPS) realizou um forte trabalho parlamentar e correu o Maranhão com uma oportuna campanha contra as drogas e chegou ao final do ano como nome forte para o Senado. João Marcelo (MDB) focou seu ano parlamentar trabalhando pelas suas bases. Sempre considerado um bom  deputado, com inclusão nas avaliações que se fazem a cada ano em Brasília, o deputado Pedro Fernandes (PTB) encerra 2017 coroando sua carreira na condição de escolhido para comandar o Ministério do Trabalho.

Na Assembleia Legislativa, o ano fechou com o presidente Humberto Coutinho (PDT) mantendo a titânica luta pela vida. Mesmo com sua ausência, a instituição funcionou plenamente sob a presidência interina do deputado Othelino Neto, que vem se firmando como um dirigente hábil e equilibrado, comandando as sessões com firmeza e correção. Na casa legislativa se destacaram em plenário os deputados Rogério Cafeteira (PSB), Rafael Leitoa (PDT), Levi Pontes (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Marco Aurélio (PCdoB) e Fábio Braga (SD) pela base governista, e Eduardo Braide (PMN), Edilázio Jr. (PV), Max Barros (PRP), Adriano Sarney (PV), César Pires (PEN) e Andrea Murad (PMDB) pela Oposição. Em atuação paralela se destacaram os deputados Roberto Costa (PMDB), que trava uma guerra intensa pelo comando da Prefeitura de Bacabal.

Duas personalidades contribuíram decisivamente para movimentar o cenário político estadual, o prefeito de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema, e o secretário de Articulação Política e Comunicação, Márcio Jerry. No quinto mandato de prefeito de Tuntum, Cleomar Tema foi eleito presidente da Famem pela terceira vez, resgatando fortemente o ideário municipalista que andava meio combalido no Maranhão, tornando-se o líder de um grande movimento de prefeitos na busca de recursos para os municípios. Numa outra seara, o secretário Márcio Jerry – que também preside o braço estadual do PCdoB -, foi o integrante mais ativo do Governo, exatamente por ser o articulador político e o principal porta-voz do governador Flávio Dino e apontado como forte candidato à Câmara Federal.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Globo apura mal, divulga fake news contra Pedro Fernandes e é obrigada a se corrigir

O apresentador Heraldo Pereira corrigiu a falha grosseira contra Pedro Fernandes
O apresentador Heraldo Pereira corrigiu a falha grosseira contra Pedro Fernandes

Na pressa de se mostrar como xerife da moralidade e, assim, para melar a nomeação do deputado federal Pedro Fernandes (PTB) para o cargo de ministro do Trabalho, a Rede Globo tropeçou feio. A emissora apontou o novo ministro como envolvido em malfeitos do tipo “peculato” e “lavagem de dinheiro”, sem ao menos perguntar-lhe se tal acusação fazia algum sentido. Assim, “brindou” milhões de telespectadores com uma apuração jornalística chinfrim, descuidada e incompleta, que apresentou o parlamentar maranhense como um sujeito com a polícia no seu encalço. Se tivesse realmente procurado informar-se por uma busca jornalisticamente correta, teria facilmente sabido que, a pedido do próprio Ministério Público Federal – que também errou feio na investigação, mas concertou seu erro -, no dia 19 de dezembro o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal mandou arquivar a denúncia, por não ter  encontrado nela o mais leve indício que a comprovasse. Ou seja: além de correto e coerente com as orientações do seu partido, e de ser um dos três deputados mais assíduos e atuantes na Câmara Federal, Pedro Fernandes é um político ficha limpa, sem qualquer ressalva moral ou ética na sua carreira pública de três décadas, seja como detentor de mandato, seja como ocupante de cargos públicos executivos. Ontem, um dia depois que sua fake news jogou injustamente o futuro ministro do Trabalho aos leões, o Jornal Nacional fez a correção, com visível má vontade dos seus apresentadores, que foram obrigados a corrigir a informação fajuta. Inconformados, jogaram no ar uma especulação igualmente fake, a de que o presidente Michel Temer ainda estaria avaliando o nome de Pedro Fernandes. Conversa fiada, pois a verdade é que o presidente e o deputado foram colegas de Câmara por vários mandatos e conhecem muito bem um ao outro, e que o Michel Temer concordou de cara com a indicação de Pedro Fernandes, tendo marcado sua posse para o dia 4 de janeiro.

 

Jornalismo fotográfico perde Francisco Campos

Francisco Campos: vida dedicada a registrar imagens do maranhão
Francisco Campos: vida dedicada a registrar imagens do maranhão

A Coluna registra com pesar o falecimento prematuro do repórter-fotográfico Francisco Campos. Um dos profissionais mais importantes e ativos da sua geração, Francisco Campos documentou visualmente o Maranhão nos seus mais diferentes aspectos e ângulos, o que o tornou dono de um acervo importante da memória do estado. Fotógrafo de O Imparcial, onde trabalhou por mais de uma década, Francisco Campos dedicou grande parte da sua vida à cobertura do cotidiano de São Luís, o que lhe permitiu mostrar a Cidade Patrimônio da Humanidade em todos os seus vieses. Seu trabalho intenso, e realizado com paixão, é uma contribuição decisiva para que as futuras gerações saibam como eram a Capital do Maranhão e o estado no período em que atuou fazendo um bom jornalismo. Uma grande perda.

São Luís, 28 de Dezembro de 2017.

PTB manda Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho premiando sua trajetória de competência técnica e correção política

 

Pedro Fernandes: trajetória técnica e política premiada pelo PTB com Ministério do Trabalho
Pedro Fernandes: trajetória técnica e política premiada pelo PTB com indicação para o Ministério do Trabalho

O comando nacional do PTB acertou em cheio ao indicar o deputado federal Pedro Fernandes para ser o novo ministro do Trabalho, substituindo a Ronaldo Nogueira, que pediu demissão alegando foro íntimo, segundo anúncio feito pelo líder do partido na Câmara Federal, Jovair Arantes (PTB-GO). A cúpula petebista não teve maiores dificuldades para chegar a Pedro Fernandes, hoje um dos mais destacados representantes do trabalhismo no Congresso Nacional. Sua posse está marcada para quarta-feira, 4 de janeiro, e conta com o apoio unânime da bancada petebista na Câmara Federal, e segundo assessores do Palácio do Planalto, a indicação foi muito bem recebida pelo presidente Michel Temer (MDB). Além dos atributos do parlamentar, pesou na escolha sua posição firme seguindo a orientação do seu partido no apoio à Reforma Trabalhista.

Pedro Fernandes chega ao Ministério do Trabalho num momento delicado, em que os ecos a favor e contra a Reforma Trabalhista, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Michel Temer, ainda são ouvidos nos quatro cantos do País, principalmente no meio sindical, que se dividiu. O PTB também sofreu uma divisão em relação à Reforma, mas o comando nacional do partido firmou convicção quanto à necessidade de mudança, por considerar que a CLT, o maior legado do presidente Getúlio Vargas, seu fundador, caminhava para um século de existência sem uma atualização. Como ministro do Trabalho, Pedro Fernandes terá papel importante nos esforços do presidente Michel Temer para emplacar a Reforma da Previdência, cujo projeto encontra-se em tramitação no Congresso Nacional e deve ser submetido ao crivo dos deputados em fevereiro. Com o rico conhecimento que detém em relação aos humores da Câmara Federal, o novo ministro do Trabalho será certamente escalado para atuar na articulação favorável ao projeto de mudança nas regras previdenciárias.

Engenheiro civil por formação e profissão e político por convicção, o deputado federal Pedro Fernandes é o que se pode apontar como um homem público integral e dono de vasta experiência acumulada: foi vereador de São Luís, deputado estadual e é deputado federal por seis mandatos consecutivos, o que o coloca entre os membros mais vivenciados e respeitados do Congresso Nacional, respondendo há mais de uma década pela presidência do PTB no Maranhão. Em três décadas de vida pública, Pedro Fernandes foi secretário de Obras de São Luís, presidente da Coliseu, Secretário de Estado das Cidades e secretário de Estado de Educação. Como congressista, foi vice-líder do PTB, presidiu Comissões importantes da Câmara Baixa, comandou Comissões Especiais, representou o Brasil em missões internacionais e coordenou a Bancada Maranhense. E detém um recorde na Casa: é o parlamentar mais assíduo, praticamente sem faltas em mais de duas décadas.

Ao mesmo tempo em que, como ministro do Trabalho, assume um papel importante e decisivo para consolidar a Reforma Trabalhista e aprovar a Reforma da Previdência, Pedro Fernandes se coloca numa posição delicada no xadrez da política maranhense. É que o PTB sempre foi aliado de ponta do Grupo Sarney, que apoia o Governo Michel Temer e, por isso, as duas reformas. Só que neste ano, o PTB maranhense afastou-se do MDB e se aliou ao PCdoB por meio do vereador Pedro Lucas Fernandes, herdeiro político do líder petebista, que assumiu a Secretaria de Assuntos Metropolitanos, nomeado pelo governador Flávio Dino, um crítico ácido e implacável das duas reformas propostas pelo presidente Michel Temer. Por esse viés, o ministro Pedro Fernandes estará em conflito com o Palácio dos Leões.

Independentemente dos pequenos conflitos político-partidários que sua nomeação gera no cenário estadual, a ida do deputado federal Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho é um ganhou político e tanto para o Maranhão. É que além de administrar os problemas do trabalhismo no País, esse ministério cuida de vários programas de grande envergadura, como os que investem na formação profissional de jovens, e que poderão ser incrementados no Maranhão pelas mãos do ministro Pedro Fernandes.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maranhão fez ministros em quase todos os governos de Sarney a Temer

A nomeação do deputado federal petebista Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho do Governo Michel Temer aumenta o poder de fogo do Maranhão, que já tem o deputado federal Sarney Filho (PV) como ministro do Meio Ambiente. É expressiva a lista de maranhenses que ocuparam ministérios desde o Governo do presidente José Sarney (MDB). Naquele período – segunda metade dos anos 80 do século passado -, o engenheiro José Reinaldo Tavares foi o poderoso ministro dos Transportes, que entre outras façanhas, desencadeou o processo de construção da Ferrovia Norte/Sul. Também no Governo do presidente José Sarney o advogado Joaquim Itapary foi ministro da Cultura. No Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o então deputado federal Sarney Filho foi ministro do Meio Ambiente. Em seguida, o Governo de Lula da Silva (PT) teve o maranhense Silas Rondeau e, em seguida, o senador Edison Lobão (MDB) no comando do poderoso e cobiçado Ministério de Minas e Energia. Edison Lobão permaneceu no cargo no Governo de Dilma Rousseff (PT), que também teve na sua equipe o deputado federal Gastão Vieira (MDB) como ministro do Turismo, tendo o então ex-ministro Flávio Dino como presidente da Embratur. No Governo do presidente Michel Temer, o deputado federal Sarney Filho voltou ao Ministério do Meio Ambiente.  Agora, o deputado federal Pedro Fernandes aumenta a lista dos maranhenses ministros.

 

Figueiredo dos Anjos reforça defesa de uma Justiça simples, rápida e acessível ao cidadão

José Joaquim: por uma Justiça mais próxima do cidadão
José Joaquim: vai atuar por uma Justiça mais leve, rápida e próxima do cidadão

Uma Justiça simples, real, despida de qualquer dificuldade, a fim de que a população a compreenda melhor e possa nela crer, convencida de que ela é a defensora natural do patrimônio moral e material da sociedade. É essa a Justiça ideal para uma sociedade tão problemática e social e economicamente desigual como é a do Maranhão, na visão do novo presidente do Poder Judiciário, desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos, para quem a Justiça tem de ser acessível ao cidadão e à sociedade, exatamente por ser a sua mais sólida garantia. Foi esse o mote principal pregado no seu discurso de posse e repetido nas várias vezes em que se manifestou nos primeiros momentos no exercício do comando da mais alta Corte de Justiça do Maranhão, tendo como equivalentes institucionais apenas o chefe do Poder Executivo e o chefe do Poder Legislativo. E foi exatamente o tom fortemente político – não partidário -, que chamou a atenção dos que o ouviram e perceberam nele um magistrado diferenciado. E para praticar a Justiça como quer o novo presidente do TJ, será necessário a adoção da estratégia de elevar a primazia é elevar a primazia absoluta à qualidade da prestação jurisdicional, entendendo-se por qualidade não apenas o teor científico das decisões proferidas, como também o tempo que se leva para proferi-las e para fazer com que elas sejam cumpridas. E nesse sentido, prevalecerá a orientação cujo foco no Tribunal de Justiça é manter atualizadas as atividades institucionais que objetivam maior aproximação com os cidadãos, dando resposta judicial efetiva à sociedade maranhense. Se conseguir viabilizar pelo menos parte do que anunciou como objetivo, o novo presidente do TJ vai fazer História.

São Luís, 27 de Dezembro de 2017.

Edivaldo Jr. fecha quinto ano no comando de São Luís com cacife para ir bem mais longe

 

Edivaldo Jr.:caminhando embalado pela vizinhança do Palácio dos Leões
Edivaldo Jr.:caminhando embalado pela vizinhança do Palácio dos Leões

Parece contraditório, mas é raro um governante reeleito de São Luís  atravessar incólume o primeiro ano do segundo mandato. Via de regra, quando consegue a reeleição, passa a ser duramente cobrado, sendo empurrado impiedosamente do paraíso da vitória nas urnas ao purgatório das cobranças dos inconformados com buracos, transporte deficiente, escola insuficiente e saúde precária. Nesse contexto formado pela história recente da Capital, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) desponta, se não exatamente como um fenômeno, pelo menos como um caso à parte de gestor bem sucedido. Ao longo de 2017, o prefeito de São Luís enfrentou todas as agruras produzidas pela crise que complicou os investimentos públicos e encolheu a receita para cobri-los. Contou com o apoio possível e determinado do governador Flávio Dino (PCdoB), de quem é parceiro político de primeira linha, e soube garimpar recursos em Brasília, mesmo sendo de um partido que faz oposição dura ao Governo Michel Temer (PMDB).

Três fatos ocorridos nas últimas três semanas mostraram com clareza resultados da eficiente movimentação política e institucional do prefeito Edivaldo Jr.. O primeiro foi a aprovação pela Câmara Municipal, com os votos de 25 dos 31 vereadores, da Lei 241/17, que autoriza o Município a contratar com a Caixa Econômica Federal empréstimo no valor de R$ 240 milhões, recursos do programa de crédito Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), destinado a bancar projetos de saneamento e infraestrutura nas regiões urbana e rural de São Luís. O segundo fato foi a assinatura de um convênio firmado pela Prefeitura com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para a restauração completa da Praça Pedro II, que é o símbolo urbano maior da importância de São Luís. E o terceiro fato foi a reabertura do Teatro Arthur Azevedo inteiramente restaurado. Nos três exemplos, prefeito Edivaldo Jr. teve participação decisiva.

O prefeito de São Luís teve um ano excepcional, apesar do sufoco financeiro que inibiu os investimentos. Deu passos significativos para melhorar o transporte de massa, agilizou significativamente o fluxo de veículos onde antes havia estrangulamento realizando obras simples e baratas a partir de projetos inteligentes de engenharia de trânsito, avançou bem na rede de educação com escolas de bom padrão e climatizadas, manteve de pé e funcionando o sempre complicado sistema municipal de saúde, espalhou cerca de 200 quilômetros de asfalto na malha viária da cidade, e conseguiu embalar a máquina administrativa pagando em dia os barnabés, tudo isso graças a uma gestão financeira draconiana, mas com resultados. O prefeito Edivaldo Jr. ainda se debate problemas que ainda desafiam a eficiência da sua gestão, como limpeza pública e saneamento, por exemplo, mas que estão equacionados, segundo um prócer da sua equipe, prevendo que a coleta do lixo será ampliada e que a infraestrutura será melhorar com os investimentos que serão feitos com os recursos do empréstimo a ser firmado com a Caixa.

A impressão geral é a de que depois de anos se debatendo com os problemas mais traumáticos, o prefeito Edivaldo Jr. conseguiu impor o seu domínio pleno sobre a máquina municipal e, por meio dele, vem encarando os desafios. E o faz com a sobriedade e os movimentos de um político experimentado, que foge do alarde e da exposição fácil e sem contar vantagem. Esse comportamento é por muitos confundido com timidez, mas é na verdade uma estratégia bem urdida de evitar exposições desnecessárias. E nesse embalo, o mais jovem prefeito da história de São Luís vai se firmando como um quadro político confiável, que a cada dia acumula cacife para dar passos mais largos, entre eles o de disputar ao Governo do Estado depois de concluir o mandato municipal. Tem, como todo mundo, pontos fracos que precisa corrigir, mas parece disciplinado o suficiente para fazê-lo, do contrário, não teria suportado o peso dos problemas que encontrou quando se mudou para o Palácio de la Ravardière.

Depois de fechar o quinto dos oitos anos de mandato com sua gestão firmada numa linha ascendente, e se não vier a cometer erros primários, o prefeito Edivaldo Jr. tem as condições necessárias para fechar seus oito anos credenciado para encarar mais anos de mandato numa escala acima.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Astro de Ogum pode ser condenado a bancar restauração de mudanças que fez no prédio da Câmara

Astro de Ogum faz juramento que, segundo o MPF, andou descumprindo como presidente
Astro de Ogum faz juramento que, segundo o MPF, andou descumprindo como presidente da Câmara Municipal

Enquanto o chefe do Poder Executivo de São Luís fecha articula acordos para preservar o patrimônio histórico ano em alta, o chefe do Poder Legislativo municipal entrou de recesso denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF). Não por um deslize grave, mas por uma decisão que desrespeitou as regras de preservação do patrimônio histórico. É que, por ignorância ou simples uso do poder sem critérios, o vereador Generval Martiano Moreira Leite, conhecido como Astro de Ogun (PMN), que preside a Câmara Municipal de São Luís, promoveu alterações na fachada e na estrutura do Palácio Pedro Neiva de Santana, sede do Legislativo da Capital, uma joia de estilo neoclássico encravada na Praia Grande e que é tombado pelo Iphan, pertence à Receita Federal e é cedido por comodato para uso dos vereadores de São Luís.

No afã de mostrar serviço aos seus pares – por gratidão pelo mandato presidencial que lhe deram ou já em campanha para renová-lo no ano que vem, Astro de Ogun, provavelmente sem consultar seus búzios e, por isso, não foi informado de que o imóvel é tombado pelo patrimônio histórico, resolveu promover mudanças radicais na estrutura e na estética do prédio. Instalou um letreiro em espaço proibido, substituiu o revestimento de pisos e paredes, instalou forro em PVC, trocou luminárias, mudou esquadrias que não podiam ser mudadas e pintou o prédio com cores impróprias, segundo relatório do MPC.

No seu relatório, o MPF afirma que o presidente Astro de Ogum é o responsável direto pelas intervenções, que não se limitaram à manutenção da integridade física ou estrutural do imóvel, mas modificaram uma parcela significativa da fachada, o que prejudica gravemente o seu valor histórico e cultural. O relatório afirma que Astro de Ogun não obedeceu a ordem judicial que proibiu modificações no imóvel sem prévia autorização do Iphan.

Pelo conjunto da “obra” e para constrangimento dos 30 vereadores, o presidente Generval Martiano Moreira Leite pode ser condenado a bancar – do próprio bolso e sem envolver um único centavo do dinheiro público que administra – a reparação dos danos causados à integridade estrutural e estética do Palácio Pedro Neiva de Santana.

 

Disputa pelo comando nacional do PSB causa expectativa no Maranhão

Bira do Pindaré e Roberto Rocha, disputa pelo controle do PSB no Maranhão
Bira do Pindaré e Roberto Rocha, disputa pelo controle do PSB no Maranhão

É de expectativa o clima dentro do braço maranhense do PSB, por conta da eleição que definirá o comando nacional do partido, no próximo ano. A situação é mais ou menos a seguinte: se o grupo do Recife, comandado por Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos, vencer a disputa, a secção do PSB no Maranhão permanecerá com o deputado estadual Bira do Pindaré, mas se o grupo vitorioso for o do vice-governador de São Paulo, Márcio  França, é quase certo que o PSB do Maranhão será entregue a alguém indicado pelo senador Roberto Rocha. O grupo do Recife quer o partido na linha de ação atual e dá todo apoio ao deputado Bira do Pindaré, garantindo, por exemplo, a permanência do deputado estadual Rogério Cafeteira e do prefeito de Tuntum e presidente da Famem Cleomar Tema. Já o grupo de São Paulo fecha totalmente com o senador Roberto Rocha, que terá forte influência se o partido ficar na órbita do PSDB.

São Luís, 26 de Dezembro de 2017.

 

 

 

 

Chapa de Roseana Sarney está definida, faltando apenas confirmar João Alberto como candidato a vice

 

Roseana Sarney encabeçará chapa com João Alberto como vice e Edison Lobão e Sarney Filho para o Senado
Roseana Sarney encabeçará chapa com João Alberto como vice e Edison Lobão e Sarney Filho para o Senado

Todos os sinais emitidos até agora indicam que a chapa a ser liderada pela ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) terá nas vagas de candidatos ao Senado o senador Edison Lobão (PMDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV) devendo a vaga de candidato a vice-governador ser preenchida pelo senador João Alberto (PMDB). Nos bastidores do Grupo Sarney ninguém com voz confiável enxerga outra composição, embora aqui e ali circule a especulação segundo a qual a vaga de vice possa vir a ser, numa situação remota, usada como moeda de troca numa composição partidária que envolva tempo de TV. O fato é que dificilmente a chapa sarneysista fugirá desse arranjo, ficando em aberto apenas a situação do senador João Alberto, considerado um dos melhores e mais confiáveis quadros forjado nas entranhas do sarneysismo. E não foi sem razão que, na semana passada, o suplente de deputado federal Chiquinho Escórcio (PMDB), visto por muitos como o confiável porta-voz informal do ex-presidente José Sarney (PMDB) para esse tipo de tarefa, declarou que João Alberto será mesmo o companheiro de chapa de Roseana Sarney.

A candidatura do senador Edison Lobão à reeleição é incontestável dentro do Grupo Sarney. Dono de cacife próprio, com espaço intocável na cúpula nacional do PMDB e na bancada do partido no Senado, Lobão conta com o fato de que, mesmo tendo sido ministro de Minas e Energia nos Governos Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), mantém um relacionamento estreito com o presidente Michel Temer (PMDB). Mesmo bombardeado impiedosamente pela Operação Lava Jato, que não conseguiu até agora uma prova concreta que justifique, Edison Lobão é considerado um dos caciques do Senado, do qual já foi presidente. Ele exerce no momento, pela terceira vez, a presidência da poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Alta, e se mantém como uma das vozes mais influentes do Congresso Nacional. Ao mesmo, dedica todo o seu tempo à articulação política, dando atenção plena a deputados, prefeitos e vereadores maranhenses, numa atividade que não tem dia nem hora, o que lhe permite manter o seu enorme prestígio entre os políticos. Não surpreende, portanto, que Lobão apareça nas pesquisas entre os preferidos do eleitorado mais para um das vagas no Senado.

Se posicionado numa hierarquia formal do Grupo Sarney, o deputado federal Sarney Filho, atual ministro do Meio Ambiente, seria o quinto nome mais influente, atrás apenas de José Sarney, Roseana Sarney, Edison Lobão e João Alberto. E chegou a esse status com uma carreira não inteiramente dissociada, mas construída por caminhos pouco identificados com a cúpula do grupo. Votou pelas diretas já, enveredou pelo ambientalismo quando os verdes da Europa avançavam no campo partidário, foi um dos fundadores da versão nacional do PV, foi ministro do Governo Fernando Henrique (PSDB) e é um dos cardeais da Câmara Federal. Investiu no fracassado projeto de candidatura ao Palácio dos Leões em 1990, quando achou que seria puxado pelo então governador Epitácio Cafeteira, e foi colocado em plano secundário quando a irmão decidiu ser candidata em 1994. Mais de duas décadas depois, bateu pé e avisou que seria candidato a senador “de qualquer maneira”, num projeto inicialmente avalizado pela ex-primeira-dama do País, Dona Marly Sarney e finalmente apoiado pela família. O projeto de Sarney Filho vai além do mandato de senador, que ele tem como um caminho para, se eleito, criar as condições para disputar o Governo do Estado em 2022.

É quase 100% certo que João Alberto não tentará renovar o mandato de senador, ainda que seja visto nas pesquisas como um nome forte. As razões são várias, e a primeira delas é o cansaço, à medida que, aos 82 anos, não lhe motiva enfrentar a ponte aérea São Luís-Brasília-São Luís. Dono de uma carreira na qual ganhou a confiança e o respeito da Opinião Pública, e de um currículo sem manchas no campo da ética, o que lhe garante o exercício, no momento, do quinto mandato consecutivo de presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto tem dito em conversas reservadas que prefere permanecer no Maranhão fazendo política a partir do comando do PMDB, que ele detém há mais de duas décadas, focando também na política municipal, como a de Bacabal, que não lhe dá um dia de descanso. Perguntado sobre a vaga de candidato a vice, João Alberto não confirma nem nega, enfatizando sempre que é homem de grupo e que logo chegará a hora de decidir o sem futuro, já ficando certo de que não será mesmo candidato a senador.

Não há no horizonte do Grupo Sarney nenhum sinal que indique outra versão da chapa a ser encabeçada pela ex-governadora Roseana Sarney. A começar pelo fato de que não existem nomes com densidade política e eleitoral para substituir os quadros já definidos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Reportagem da Folha sobre novo livro reconhece a dimensão literária de José Sarney

O político José Sarney sempre se impôs ao escritor
O político José Sarney sempre se impôs ao escritor, que agora reage e ganha espaço

O ex-presidente José Sarney ocupou parte expressiva da edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo, com duas reportagens a respeito dele, ambas assinadas pela jornalista Thais Bilenky, enviada especial a São Luís.  Uma tratou da chegada, em breve, do seu 120º livro, e outra avalia que a Fundação da Memória Republicana, que abriga o acervo documental e objetos – de automóveis a obras de arte relacionados com o seu período no comando da República -, estaria passando por um processo de abandono e descaso, não indo muito além disso.

A primeira reportagem é sobre o novo livro “Galope à Beira Mar”, que segundo informa, reúne “causos” envolvendo personalidades políticas, que vão do célebre deputado federal Ulisses Guimarães (MDB), que foi sombra ativa e incômoda do seu período presidencial (1985/1989) ao palhaço Tiririca, que há duas semanas renunciou ao mandato de deputado federal por São Paulo. São causos resgatados pela memória do político que há mais de seis décadas pontifica no cenário nacional como deputado federal, governador do Maranhão, senador, presidente da República, presidente do Senado e do Congresso Nacional e conselheiro de três dos cinco presidentes que o sucederam, incluindo Michel Temer (MDB), que o consulta com frequência.

Chama atenção no tratamento que a reportagem sobre o novo livro dá ao José Sarney intelectual. Em lugar do deboche e da ironia que permearam muitos registros jornalísticos elaborados com a intenção preconceituosa de tentar minimizar a importância do sobre o intelectual e escritor José Sarney nos jornais de São Paulo, a reportagem sobre “Galope à Beira Mar” mostra o ex-presidente como um gênio das letras cujas principais obras estão traduzidas para uma dúzia de  idiomas, incluindo inglês, francês, alemão e espanhol.

“Do experiente articulador político José Sarney não se esperem análises conjunturais nem históricas ou juízo de valor sobre aliados e adversários neste trepidante 2018. O ex-presidente que se tornou conselheiro de seus sucessores escolheu revelar uma faceta bem-humorada de contador dos causos que coleciona ao longo de 87 anos, com a pena leve e atenta às ironias da vida”, diz a reportagem. E acrescenta: “Os personagens da vida pública recente do país quase todos estarão contemplados, mas não em sua versão noticiosa. O decano da Academia Brasileira de Letras preferiu se ater a detalhes, às graças e “às voltas que a política dá” –como deu quando Fernando Collor ouviu de Ulysses Guimarães um sonoro não ao pedir para ser seu vice na chapa presidencial de 1989. Perdeu Ulysses, ganhou Collor”.

Sarney é lembrado como autor de 120 títulos – entre romances, contos, crônicas, poesia, registros e discursos – com o destaque de ser o decano da Academia Brasileiras de Letras, e como dono do texto de um escritor cuja consagração é mais que justa e cujas obras mereceram elogios de alguns de intelectuais como o antropólogo francês Claude Levis Strauss e o escritor e pensador mexicano Otavio Paz.

Em resumo, há na reportagem da Folha honestidade jornalística e um esforço superficial, mas correto, para dimensionar o escritor José Sarney, cujo tamanho político também está longe de ser medido.

 

Ricardo Murad enfrenta a suspeite de que sua candidatura é um projeto laranja

Ricardo Murad: projeto de candidatura sob suspeita
Ricardo Murad:  candidatura sob suspeita de ser uma armação contra Flávio Dino

Poucos fatos políticos repercutiram tanto, negativamente, como o lançamento da candidatura do ex-deputado Ricardo Murad ao Governo do Estado pelo PRP. Desde que o ex-todo-poderoso secretário de Estado da Saúde anunciou esse projeto numa entrevista semiaberta no Hotel Luzeiros, cercado de chefes do partido no Maranhão, Ricardo Murad passou a ser alvo de elogios, manifestados por alguns sarneysistas, e de muitas pancadas, estas desferidas por adversários do Grupo Sarney e por franco-atiradores. No seu discurso, Ricardo Murad se esforçou para não dar as explicações que todos estavam esperando, preferindo apresentar pontos do que seria o seu plano de governo, que tem como um dos itens a construção de uma ponte de concreto ligando São Luís à Baixada Ocidental. O ponto central das críticas a Ricardo Murad é o fato de ele se lançar candidato contra Roseana Sarney, que lhe deu sobrevida política e as condições para    que pudesse eleger a filha, Andrea Murad, e o genro Souza Neto, para a Assembleia Legislativa o que não teria sido possível sem o comando da SES e do arrojado e controvertido programa Saúde é Vida. E a principal suspeita: sua candidatura seria a primeira de um “consórcio” destinado a minar o favoritismo do governador Flávio Dino e forçar um segundo turno, ou seja, fazer o papel de laranja. Difícil acreditar que um político com o talento e a experiência de Ricardo Murad aceite fazer um papel desses, sobretudo sabendo que o golpe será revelado por inteiro durante a campanha.

São Luís, 25 de Dezembro de 2017.

Assembleia faz seu papel de instituição e encerra ano com bom desempenho legislativo e forte ação política

 

Cercado de deputados, Othelino Neto preside a sessão de encerramento do semestre legislativo
Entre os deputados Roberto Costa, Glaubert Cutrim, Toca Serra, Eduardo Braide, Fábio braga e Fábio Macedo, Othelino Neto preside a sessão que fechou o semestre 

A Assembleia Legislativa fechou ontem o ano legislativo cumprindo a contento as suas obrigações institucionais. O encerramento se deu com uma sessão movimentada, comandada pelo presidente em exercício, deputado Othelino Neto (PCdoB), e ao longo da qual os deputados limparam a pauta. Durante o período legislativo de 2017, iniciado em fevereiro, sob a presidência do deputado Humberto Coutinho (PDT), que depois se afastaria por problemas de saúde, o parlamento estadual funcionou como Poder Legislativo, examinando, aprovando ou rejeitando Propostas de Emenda Constitucional (PEC), Projetos de Lei (ordinária ou complementar), Resoluções Legislativas e todos os mecanismos e regras oficiais cuja existência depende da aprovação do Plenário. E como Casa política, onde os 42 deputados, divididos entre Situação e Oposição, e confrontando diferenças políticas, ideológicas e partidárias, travaram embates duros, principalmente no segundo semestre, quando a corrida eleitoral foi iniciada informalmente.

A Casa Legislativa atuou na medida das suas possibilidades Foram mais de uma centena de propostas encaminhadas principalmente pelo Poder Executivo, cujo funcionamento, principalmente na área fiscal e tributária, está condicionado a decisões do Legislativo. No último dia de funcionamento legislativo, o parlamento estadual tomou uma série de decisões, que um deputado apelidou de “pacote de bondades”.

Numa sessão que durou cerca de cinco horas, com algumas interrupções e uma série de escaramuças entre Situação e Oposição, a Casa Legislativa aprovou o Projeto de Lei nº 345/2017, proposto pelo Poder Executivo, que regula o Programa Mais Esporte; o Projeto de Lei nº 364/17, do Poder Executivo, que institui gratificação especial aos auditores; o Projeto de Lei, do Poder Executivo, que cria o Programa de Incentivo à Agricultura Familiar; e fechou o semestre com a aprovação de Projeto de Lei nº 338/2017, que concede reajuste de 5% aos vencimentos dos servidores do Poder Judiciário maranhense. Ao longo do ano, diversos projetos importantes foram crivados pelo plenário, entre eles as mudanças no Fundo de Previdência do Estado e as mudanças tributárias, que só foram aprovadas depois de muitas horas de debate

No embate institucional e parlamentar, a Situação – uma aliança partidária que garante maioria folgada ao governador Flávio Dino (PCdoB)l liderada pelo deputado Rogério Cafeteira (PSB)  – ganhou todas, só permitindo vitória oposicionista por concessão. No bloco situacionista se destacara, além do líder do Governo, os deputados Rafael Leitoa (PDT), Bira do Pindaré (PSB), Marco Aurélio (PCdoB), Levi Pontes (PCdoB), Othelino Neto e Humberto Coutinho (PDT), estes últimos no comando da Casa. Por sua vez, a Oposição se especializou no jogo de escaramuças, obstrução e no uso de todos os instrumentos regimentais para, pelo menos, atrapalhar a votação de matérias de interesse do Governo, conseguindo algumas vitórias, apesar do poder de fogo da maioria. Nesse jogo parlamentar atuaram com destaque os deputados Eduardo Braide (PMN), Adriano Sarney (PV), Edilázio Jr. (PV), Max Barros (PRP), Adrea Murad (PMDB), Souza Neto (PROS), César Pires (PEN) e Wellington do Curso (PP).

No campo político, a Assembleia Legislativa traduziu fielmente o desenho do quadro maranhense, polarizado pelas forças sob o comando do governador Flávio Dino e as que representam as diversas tendências do Grupo Sarney. Os representantes das forças ligadas a Flávio Dino não deixaram provocações sem respostas. Os mais ativos foram Rogério Cafeteira, que rebateu os ataques com dureza, e Othelino Neto, que bateu forte num estilo surpreendente: ferino e sem aumentar o tom de voz. E nesse embate, quatro oposicionistas se destacaram: Edilázio Jr. e Adriano Sarney, que atuaram de maneira agressiva, mas mais identificada com a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), já Andrea Murad e Souza Neto, sob a orientação direta do ex-deputado Ricardo Murad (PRP) atacaram o Governo e o governador em todos os níveis e tons possíveis numa tribuna parlamentar. A expectativa é que no próximo ano legislativo, que coincidirá com a campanha eleitoral, os embates sejam mais duros e ácidos.

Os deputados estaduais vão para o recesso “amolar a faca e afiar a língua”, como disse um deles, ontem, em conversa descontraída com a Coluna.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Parlamento amarga o problema de saúde do presidente Humberto Coutinho

Humberto Coutinho: ausência criou vazio de liderança, mas a AL se manteve atuante
Humberto Coutinho: ausência criou vazio de liderança, mas a AL se manteve em pleno funcionamento

O bom desempenho da Assembleia Legislativa como instituição foi possível graças ao senso de equilíbrio dos seus dirigentes. Isso porque o Poder Legislativo foi duramente atingido pelos problemas de saúde do presidente Humberto Coutinho (PDT), que se consolidou como um líder que soube, ao mesmo tempo, manter sintonia fina com o Palácio dos Leões e administrar as tensas diferenças entre Situação e Oposição. Eleito e reeleito para presidência da Casa, o deputado Humberto Coutinho soube, como poucos, dar dignidade à atividade parlamentar, não distinguindo, no essencial, deputado oposicionista de deputado governista. Essa linha de ação foi tão efetiva, que ele se transformou numa rara unanimidade na História do Poder Legislativo.

Mas o destino foi duro com o deputado Humberto Coutinho. Ele foi atingido duramente por câncer no intestino no melhor momento da sua trajetória, quando já era dada como certa sua candidatura ao Senado com o aval até de oposicionistas. Mas a doença o atacou cruelmente, minando-lhe as forças num processo já dura meses e meses e que recentemente o obrigou a afastar-se das atividades e recolher-se em Caxias, onde junto com familiares e amigos próximos, deixa no ar a impressão de que está vivendo os seus últimos momentos.

 

Othelino Neto surpreende, assume o comando e mantém Legislativo nos trilhos

Othelino Nevo: serenidade e firmeza no comando do parlamento estadual
Othelino Nevo: serenidade e firmeza no comando do parlamento estadual

A forte liderança do presidente Humberto Coutinho produziu a preocupação de que, sem ele no comando, o Poder Legislativo poderia entrar em crise. Mas o que vem acontecendo vem mostrando que o parlamento estadual é uma instituição muito mais sólida do que alguns imaginavam. Diante do vazio de liderança causado pelo afastamento do presidente, ascendeu ao comando da instituição o seu 1º vice-presidente, deputado Othelino Neto (PCdoB), parlamentar da nova geração, que vem se revelando um político hábil, com desenvoltura de articulador e que vem mantendo a Assembleia Legislativa nos trilhos, tomando decisões com firmeza e desassombro, causando em todos os deputados, mesmo os da Oposições, que o consideram um adversário linha de frente, uma boa impressão.

Com equilíbrio e prudência, e sem deixar de consultar seus pares, o deputado Othelino Neto vem fazendo uma leitura correta do momento, tomando as decisões certas. Tanto que, numa articulação cuidadosa e que, se mal conduzida, poderia gerar um imbróglio complicado e perigoso, ele conseguiu que a Casa mudasse a regra, de modo que, em caso de afastamento e morte do presidente, o 1º vice-presidente assume imediatamente a presidência, tornando-se titular sem necessidade de uma eleição, como previa a regra anterior. Othelino Neto comandou as sessões com segurança, tomou decisões delicadas e difíceis, manteve o respeito à Casa e aos seus integrantes. Sua atuação garantia que, mesmo traumatizada pelo sofrimento do presidente Humberto Coutinho, a Assembleia Legislativa seguiu em frente, sob o controle firme do presidente em exercício.

Ontem, o presidente em exercício Othelino Neto aproveitou o encerramento dos trabalhos legislativos para fazer uma mensagem saudação aos colegas de plenário pela passagem do Natal e fim de ano. Primeiro, ele nomeou a Comissão de Recesso Parlamentar, composta pelos deputados Glalbert Cutrim (PDT), Cabo Campos (DEM), Raimundo Cutrim (PCdoB), Graça Paz (PSL), Roberto Costa (PMDB), Levi Pontes (PCdoB) e Hemetério Weba (PV).

Avaliou o desempenho da Casa durante o ano: “Tivemos um ano muito produtivo, onde a Assembleia Legislativa apreciou com a devida responsabilidade, celeridade e com a crítica necessária, centenas de projetos de lei, de autoria do Poder Executivo, de autoria do próprio Poder Legislativo, do Judiciário, de instituições como Ministério Público, Tribunal de Contas, enfim, terminamos o ano, várias audiências públicas realizadas no Estado todo. Esta Assembleia foi durante este ano, bem o retrato deste novo momento porque passa o Maranhão”, afirmou.

E parabenizou os deputados pela atuação: “Quero parabenizar todos os deputados por suas atuações no ano de 2017 e ao mesmo tempo desejar a todos e todas, um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Que 2018 seja de muita alegria  para todos nós, nossas famílias e para todas as famílias do Maranhão”.

São Luís, 22 de Dezembro de 2017.