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PSL do Maranhão não tem perspectivas e patina com Chico Carvalho, Maura Jorge, Alan Garcez e Pará Figueiredo

 

Chico Carvalho, Maura Jorge, Alan Garcez e Pará Figueiredo formam um PSL sem rumo nem perspectiva

Anunciado o resultado da eleição presidencial, com a vitória do candidato Jair Bolsonaro, no final de Outubro do ano passado, todos os sinais indicaram que a agremiação dele, Partido Social Liberal (PSL), que também saiu das urnas numericamente vitorioso, seria transformado numa força política maiúscula, com poder de fogo para dar as cartas na definição dos destinos políticos do País. Passados cinco meses e meio da eleição e três meses e meio do novo Governo, o PSL é um partido sem lastro, confuso, sem consistência e sem líderes fortes e, ainda por cima, alvejado por graves denúncia de corrupção com desvio de recursos milionários do Fundo Eleitoral. No Maranhão, o PSL é um partido sem cara e sem rumo, comum presidente sem força, projetos de lideranças que não emplacaram e um único deputado estadual que até aqui não disse a que veio nem demonstra qualquer traço de interesse pelo futuro do partido. Ou seja, PSL maranhense é quase um partido fantasma.

No comando do PSL desde quando o partido não alimentava qualquer perspectiva de um diz chegar ao poder, o vereador Chico Carvalho, apoiado pelo vereador Isaías Pereirinha, passou anos e anos fazendo malabarismo para mantê-lo de pé, viu, de repente, sua posição ameaçada perla ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge. Como um furacão, a ex-prefeita saiu às ruas com o ousado projeto de disputar o Governo do estado, acreditando que uma aliança com o então candidato presidencial Jair Bolsonaro lhe daria gás suficiente, se não para eleger-se governadora, pelo menos para assumir uma posição de liderança com poder de fogo para tornar-se o braço maranhense do Governo Bolsonaro.

Derrotada nas urnas, tendo recebidos surpreendentes 4% dos votos para governador, Maura Jorge, motivada pela aproximação com Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, embarcou para Brasília e lá montou acampamento durante a transição, em busca de um posto no qual representasse o Governo no Maranhão. Participou de reuniões, recepções, posses, jantares, mas voltou para casa fragilizada, sem ter recebido o apoio da cúpula nacional do partido para se tornar sua líder no Maranhão. No momento, caminha para deixar o PSL na esteira de um projeto de refundação da UDN, arquitetado pela família Bolsonaro.

Na mesma linha de Maura Jorge, mas com um projeto muito menos ambicioso, o médico Alan Garcez, que projetou para si um espaço de aliado e defensor de Jair Bolsonaro. Alan Garcez conseguiu espaço na transição federal e acabou por ganhar um posto intermediário na grade do Ministério da Saúde, e nele mergulhar, pelo menos por enquanto. Antes de submergir, ensaiou uma aliança com o presidente Chico Carvalho, mas de lá para cá não se manifestou sobre o partido, nem para incentivar à sombra algumas notícias vagas dando conta de que ele poderia vir a ser candidato a prefeito de são Luís.

Mas o caso mais emblemático que alimenta a condição de quase fantasma do PSL no Maranhão é o deputado estadual Pará Figueiredo. Nem durante, nem depois da eleição e nem após   iniciadas as atividades na Assembleia Legislativa o parlamentar se posicionou clara e efetivamente como um deputado do PSL, não tendo feito qualquer referência em relação ao partido e o Governo do partido no plano nacional. Pará Figueiredo poderia tranquilamente se tornar referência do PSL e até mês o assumir o comando do partido no estado, por ser jovem e poder apresentar-se como a face nova do partido. Sua atitude, porém, é a de quem não tem aptidão para comandar, parecendo satisfeito apenas com o mandato, que exerce sem maiores gestos e sem dar um pio sobre o partido e o futuro que aspira dentro ou fora dele.

O PSL do Maranhão é um partido sem cara, sem forma, sem líder, sem projetos, portanto sem perspectivas. E poderá tornar-se menos importante ainda se o rumor de que o presidente Jair Bolsonaro pretende deixá-lo vier a se confirmar. A tendência é que, salvo a possibilidade de vir a eleger um ou outro prefeito, um vereador aqui e outro ali, no ano que vem, a tendência que parece evidente é a de que poderá voltar ao que era antes do “Fator” Bolsonaro”, sem maiores perspectivas e comandado pelo vereador Chico Carvalho, que é PHD nesse jogo da sobrevivência.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

DEM vai para convenção sexta-feira disposto a se fortalecer para as eleições municipais

Juscelino Filho quer trazer a cúpula do DEM, Rodrigo Maia e ACM Neto para a convenção em São Luís

O DEM caminha para realizar sua convenção estadual na próxima sexta-feira (26). Determinado a se tornar uma das grandes forças partidárias do Maranhão com as eleições municipais. Tanto que o presidente do partido, deputado Juscelino Filho está empenhando para que o presidente nacional, o prefeito de Salvador ACM Neto,  o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, desembarquem em São Luís para o evento. Além da confirmação de Juscelino Filho como presidente, um dos pontos altos da reunião partidária será a apresentação das suas estrelas atuais, a começar pelo prefeito de Imperatriz, Assis Ramos, que migrou do MDB para o DEM recentemente, numa   grande tacada dada por um partido em tempos recentes no Maranhão. A agremiação já conta com os secretários Luis Fernando Silva (Projetos Especiais) e Rogério Cafeteira (Esportes e Lazer), além dos deputados estaduais Neto Evangelistas (pré-candidato do partido à Prefeitura de São Luís, Antônio Pereira, Daniella Temer, Paulo Neto e Andreia Resende. O DEM que vai para a convenção é bem diferente do partido que entrou na corrida eleitoral do ano passado renovado, mas sem maiores perspectivas. Um bom trabalho de articulação, motivado pelo pragmatismo inteligente, o vem transformando numa potência política, em condições de sair das urnas do ano que vem fortalecido e com capilaridade no plano municipal. E o projeto da cúpula do DEM é ambiciosa: lançar candidatos a prefeito na grande maioria dos municípios e fazer um grande número de vereadores das eleições do ano que vem. Assim, o DEM se prepara para chegar em 2022 com força máxima e com direito de sentar de negociações com cacife para falar grosso.

Em Tempo: A Convenção Estadual 2019 do DEM será realizada sexta-feira (26). O evento será aberto às 9h no Auditório Terezinha Jansen, no Multicenter Sebrae.

 

Corrida sucessória em Bacabal tenciona a convivência de Roberto Costa com Carlinhos Florêncio no parlamento

Roberto Costa e Carlinhos Florêncio: relação tensa antecipa o clima de disputa política  em Bacabal

O entrevero entre os deputados Roberto Costa (MDB) e Carlinhos Florêncio (PCdoB), com troca de palavras duras, ontem, no plenário da Assembleia Legislativa, nada mais é do que um reflexo nítido do quadro de agitação política em Bacabal. Agora fora do poder e sem o suporte do ex-prefeito Zé Vieira, Carlinhos Florêncio tenta assumir a liderança da oposição no município, onde Roberto Costa lidera a nova geração da corrente formada elo ex-governador João Alberto (MDB) e atua intensamente como o grande fiador e apoiador da gestão do prefeito Edvan Brandão (PSC). Todas as informações levantadas em Bacabal apontam Roberto Costa como o nome mais forte do grupo para disputar a Prefeitura. Já o deputado Carlinhos Florêncio é visto como virtual candidato, mas não assumiu ainda a posição de pretendente decidido. O fato é que Roberto Costa se mantém presente na vida de Bacabal, participando de todos os eventos da cidade e viabilizando, juntamente com o deputado federal João Marcelo (MDB), todo o suporte possível ao prefeito Edvan Brandão, consolidando assim a sua condição de pré-candidato a prefeito. Esse é o motivo causador das tensões que vêm marcando a já difícil convivência dos dois na Assembleia Legislativa. Um cenário em que Roberto Costa está melhor posicionado.

São Luís, 23 de Abril de 2019.

Bita do Barão cresceu com méritos de pai de santo, mas não chegaria onde chegou sem a ligação com José Sarney

 

Bita do Barão: ligação com José Sarney turbinou seu reinado no Terecô em Codó e o projetou para o Brasil como babalorixá

Não se discute a importância do pai de santo Wilson Nonato de Souza, conhecido como Bita do Barão – falecido na semana que passou – no universo da Umbanda no Maranhão, nem que ele foi, de longe, o mais destacado nome do Terecô, uma variação da Umbanda intensamente praticada na região Leste do estado – Codó, Caxias, Timon, por exemplo. É fato incontestável que do seu terreiro em Codó, pomposamente batizado “Palácio de Iansã”, ele reinou absoluto por mais de meio século, ganhou projeção nacional, chegando a ser apontado por alguns como um dos mais importantes líderes umbandistas do País. Nenhum reparo a esses méritos. Ao mesmo tempo, não há como contestar nem sequer discutir que muito, mas muito mesmo, da importância que Bita do Barão alcançou e cultivou com raro talento foi fruto da sua relação com o ex-presidente José Sarney (MDB) e sua família. Ambos mantiveram uma convivência tão próxima e tão intensa, no plano religioso, familiar  folclore político, que correu o Brasil ao longo de muitos anos. Bita do Barão viveu e morreu como o pai de santo-conselheiro da família Sarney.

Bita do Barão e José Sarney são contemporâneos, e a relação que construíram começou provavelmente durante a campanha para o Governo do Estado em 1965. Durante suas incursões pelos mais diversos recantos do Maranhão em busca de votos, José Sarney conheceu e se afeiçoou a diversas figuras diferenciadas entre políticos, empresários, sacerdotes, artistas, intelectuais, ou simplesmente pessoas destacadas por suas atitudes, seus talentos ou sua religiosidade, enfim, por qualquer traço que os tornassem ímpares, diferentes dos demais. O melhor exemplo desse traço da personalidade de José Sarney foi Moacir Neves, um dos seus amigos mais próximos, que unia um talento excepcional para os negócios a uma forte vocação para exibir sua veia folclórica, principalmente quando assumia a condição de vidente, tendo previsto, com mais de uma década de antecipação, que José Sarney seria presidente da República. E são poucas as réstias de dúvidas de que o pai de santo codoense se enquadra com precisão absoluta nesse universo que tanto fascina o ex-presidente da República, um católico roxo, que confia piamente na proteção divina, reza contrito e fervoroso, e cultiva relações fortes com a cúpula conservadora da Igreja Católica brasileira.

Qualquer investigação simples na linha do tempo certamente encontrará que – sem discutir o seu destaque na seara do Terecô -, Bita do Barão impulsionou sua projeção à medida que foi se consolidando com jogador de búzios para  José Sarney no campo político. Esse viés da relação levou muitos políticos e empresários de peso a buscar vidência e proteção de santos no Palácio de Iansã, dando ao babalorixá um tamanho que ele certamente não teria sem a marca Sarney espalhada no seu terreiro colorindo sua biografia. Nas asas dessa relação, Bita do Barão usou seu talento nato excepcional para a promoção pessoal, construiu uma trajetória de muito sucesso e ganhou muito dinheiro, a ponto de dar-se o luxo de usar Botox para falsear a idade, de viver coberto de ouro e de alimentar a lenda (?) segundo a qual que teria um baú cheio de joias, como aqueles que instigaram a imaginação nos filmes de piratas caribenhos. Muito inteligente, com muita perspicácia, sempre encontrou meios de alimentar rumores a seu respeito, mas com o cuidado extremo de esconder a verdade a todo custo.

Por seu turno, José Sarney jamais negou ou sequer minimizou sua relação com Bita do Barão, mas sempre encontrou formas de mostrar que era seguido e não seguidor. Sempre deixou passar a impressão de que Bita do Barão era uma das suas pontes com o eleitorado umbandista. Nessa linha, Roseana Sarney (MDB) manteve e reforçou a relação, ampliando ainda mais o poder de fogo do babalorixá, que em momentos de campanha sempre vinha a público para anunciar que, segundo os santos consultados no seu terreiro, a filha de José Sarney venceria a eleição. Errou feio em 2006 e em 2018, duas eleições em que Roseana Sarney foi derrotada na disputa para o Governo do Estado – com a diferença de que 2018, quando as pesquisas apontaram que a derrota da ex-governadora era irreversível, ele entrou no circuito para prever o insucesso da ex-governadora nas urnas.

Em resumo: Bita do Barão se tornou o “rei” do Terecô com muitos méritos, pela sua religiosidade, pela sua capacidade de liderar, pelo talento superior de chamar a atenção e amealhar prestigio e fortuna. No entanto, os píncaros que alcançou foram, sem sombra de dúvida, frutos bem cultivado da produtiva ligação com o ex-presidente José Sarney.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visitas de ministros ao Maranhão e audiências no DF mostram acerto na relação institucional São Luís-Brasília

Flávio Dino com o vice Hamilton Mourão, e com os ministros general Santos Cruz, Marcos Pontes e Ricardo Salles

Em 110 dias de cultivo, as boas relações institucionais do Governo de centro-esquerda do governador Flávio Dino (PCdoB) com o de direita radical do presidente Jair Bolsonaro (PSL) vêm surpreendendo o mundo político, principalmente pela distância política e ideológica que os separam. Um impressionante número de ministros de Estado já desembarcou em São Luís para tratar de temas diversos com autoridades estaduais, enquanto outro tanto já recebeu o governador e diversos secretários em audiências em Brasília. O próprio governador Flávio Dino já foi recebido na Capital da república pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Já estiveram em São Luís os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Ricardo Sales (Meio Ambiente) e general Santos Cruz (Secretaria da presidência da República). Em Brasília, secretários do Governo do Maranhão já foram recebidos pelos ministros da Saúde (Luiz Mandetta), Educação (o então ministro Carlos Vélez), Infraestrutura (Tarcísio Delgado), Cidadania (Osmar Terra) e Paulo Guedes (Economia). Um dado a ser anotado é que, apesar das profundas diferenças políticas e ideológicas que separam os dois Governos, em nenhum desses encontros, tanto nas visitas dos ministros ao Maranhão quanto nas audiências em Brasília foi registrado qualquer traço de mal-estar. Ao contrário, esses encontros têm se dado em clima de absoluta normalidade, sem nenhuma declaração de amor político, marcados por atenção e gentileza. Um exemplo: a visita do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um jovem advogado da direita ranzinza, deu-se e clima de plena civilidade política, tendo o ministro e o governador feito um sobrevoo nos Lençóis Maranhenses e se reunido no Palácio dos Leões sem um segundo de mal-estar. O dado mais relevante dessa relação é que o governador Flávio Dino não abre mão da sua condição de oposicionista, fazendo duras críticas a decisões do Governo Federal e da direita que o compõe, enquanto os novos habitantes do Planalto e da Esplanada dos Ministérios não perdem a oportunidade de bater forte e impiedosamente na esquerda. É a democracia em curso, apesar das tensões no ar.

 

PCdoB vai lançar Marco Aurélio e Clayton Noleto como pré-candidatos em Imperatriz

Marco Aurélio e Clayton Noleto serão confirmados pré-candidatos do PCdoB à Prefeitura de  Imperatriz

O PCdoB deve iniciar nas próximas semanas o processo de escolha do seu candidato a prefeito de Imperatriz. E o primeiro passo será a confirmação do deputado Marco Aurélio (PCdoB), atual líder do Blocão governista na Assembleia Legislativa, e Clayton Noleto, secretário de Infraestrutura do Governo do Estado, como pré-candidatos. Com a definição, o partido vai liberar os dois para construíram suas candidaturas, de modo a que no momento adequado – provavelmente em fevereiro do ano que vem – esteja em condições de apontar o mais viável política e eleitoralmente. Marco Aurélio e Clayton Noleto terão o desafio de agregar em torno dos seus projetos, atraindo para suas órbitas lideranças e grupos que possam fortalecê-los politica e eleitoralmente. Até agora, todas as avaliações que chegaram ao conhecimento da Coluna apontam o deputado Marco Aurélio como o nome eleitoralmente mais forte, o que não significa dizer que o secretário Clayton Noleto seja carta fora do baralho. A decisão do PCdoB foi tomada depois que o prefeito Assis Ramos, que é candidatíssimo à reeleição, deixou o MDB e ingressou no DEM, partido que integra a base de apoio do governador Flávio Dino. O presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, já apontou o deputado estadual Duarte Jr. o deputado federal licenciado Rubens Jr. e o vice-prefeito Júlio Nogueira como pré-candidato do partido em São Luís. A iminente definição de Marco Aurélio e Clayton Noleto como pré-candidato em Imperatriz revela a existência de uma estratégia em curso.

São Luís, 21 de Abril de 2019.

ESPECIAL: Josias Sobrinho, um dos gênios da MPM, reinventa alguns dos seus clássicos em “Apanhado Geral, um”

 

Em cima a capa de Aapanhado Geral, um. Embaixo, Josuas Sobrinho entre os dois filhos Lucas e Cassiano Sobrinho,

A história recente da Música Popular Maranhense (MPM) tem sido marcada por uma produção intensa, variada, mas nela são poucos os registros de ousadia no que diz respeito à reinvenção. Os clássicos da MPM produzidos até aqui são em geral mantidos em sua maioria em versão original, com pequenas variações entre uma e outra gravação. “Apanhado geral, um”, de Josias Sobrinho (2018), subverte essa tendência. O disco reúne 12 canções – 11 de sua autoria e um poema de Bandeira Tribuzi que musicou –  do seu vasto repertório, com o diferencial que elas são embaladas com arranjos fortemente enriquecidos com recursos eletrônicos, influência da nova geração de músicos da família, os filhos Cassiano e Lucas Sobrinho.

Estrela de primeira grandeza da MPM, nascida na efervescência cultural que mexeu com São Luís na segunda metade dos anos 70, apesar da ditadura – foi um dos criadores do Laborarte, por exemplo -, dono de uma obra vasta, com muitas gravadas por inúmeros intérpretes, Josias Sobrinho vem brindando o Maranhão e o Brasil com uma música genialmente original e enraizada no que há de mais autêntico e mais puro no rico universo da cultura popular, e que também avança por diferentes vieses, como a denúncia do drama social e a crítica política, sendo alguns exemplares verdadeiros manifestos. E com uma vantagem excepcional: faz uma música fácil, simples, rapidamente assimilável, boa de cantar, mas ao mesmo tempo sofisticada, com pleno domínio da língua e dos sons. A música de Josias Sobrinho é ímpar, com marca própria, que ganha mais densidade quando ele próprio a interpreta com sua voz doce e elegantemente desafinada. Seus raros discos mostram isso com clareza solar.

“Apanhado geral, um” é, portanto, o resultado da ousadia da reinvenção. Estudioso de música em enfoque e perspectiva bem mais largos, chegando mesmo ao rigor da investigação acadêmica mais ampla, Josias Sobrinho ousou ver sua música de raiz embalada em arranjos modernos, com guitarras, teclados e sopros cuidadosamente harmonizados com violão malandro e comportado, cavaquinho, contrabaixo, pandeiro, pandeirões e matracas, produzindo um mix que acertou na mosca em cada faixa. Cassiano e Lucas Sobrinho, seus herdeiros musicais, foram fundamentais nessa ousada aventura musical de dar a clássicos versões modernas sem lhes arranhar a integridade. Vale   registrar que os arranjos de “Três potes”, “Rosa Maria” e “Catirina” são de Zé Américo Bastos com percussão feita por Papete – aliás, esse foi um dos últimos trabalhos de Papete.

As faixas

O disco é aberto com um belo exemplo: “A primeira canção”, um poema de amor caliente, passional, que define o amor como loucura e como a primeira das coisas que fazem sofrer, recorrendo ao célebre desfecho “esta é a última canção que eu faço para você”, dado por Roberto Carlos num dos seus clássicos. Essa expressão de amor arrochado ganha a forma de um tango bolerado, arranjado pelo acompanhamento de um acordeon – nada de bandoneon -, que se mistura com uma base de guitarra e é salpicado com notas sutis de bandolim, bem marcado por um contrabaixo “portenho”.

Em seguida vem “Terra de Noel”, o clássico samba rebelde, apaixonado, que incita o exercício do sacrossanto direito  cidadão de ser consciente da situação, e que exatamente por isso vive na ponta da língua de todo maranhense como um recado direto e sem rodeio aos que pensam em barrar o trem da História. O recado de Josias Sobrinho, que divide a interpretação com o compositor Chico Saldanha, é embalado por um arranjo clássico harmonizado por acordes poderosos de acordeon, tendo como base cavaquinho, contrabaixo e percussão em bateria.

Na sequência, “Três potes”, um manifesto verde com forte teor político, que musicou o roteiro de uma peça no final dos anos 70, é expressado na defesa de uma fonte, onde a siricora avisa que nessa guerra a muda vai falar na preparação do “dia de findar a nossa dor”,  “enxotando urubus” e “expulsando carcarás”. A versão ganha um belo arranjo de violão acústico, um contrabaixo centrado e o adorno rítmico de uma percussão adequada ao tema, com apitos, ganzás e triângulo, produzindo um belo exemplo de reinvenção.

O disco reinventa “Catirina”, a toada de boi de matraca com que Josias Sobrinho enaltece e eterniza a musa do bumba-boi, permeando a letra com uma história de amor, lembrando, com um toque genial, que “a saudade é traça que estraçalha o coração”, e pedindo que ela poupe um boi que é de pasto mas carrega cela e envergonha São João. A toada é ricamente adornada com um belo arranjo, que explora, com equilíbrio e beleza, os vários recursos do teclado eletrônico, mas poderosamente ritmada por pandeirões de primeira linha.

Em nova versão, “Rosa Maria”, essa encantadora musa de todos, já consagrada como um clássico do cancioneiro popular maranhense, cresce em dimensão. Ganha com um arranjo que dá força à sua letra, que desenha uma mulher exuberante, encantadora, sedutora, apimentada e cheirosa, pura sensualidade, mas de atitude, que provoca sentidos, mas controla ímpetos apenas com um olhar poderoso. Tudo isso num genial poema aberto, de simplicidade angelical, com apenas 37 palavras – entre nomes, pronomes e verbos, preposições, etc…. – que exalam sensualidade e desejo, dando a cada um asas para imaginar a sua própria Rosa Maria. A musa renasce como um samba de roda com a base de um pandeiro e percussão grave, que lembra longe a pancada dos viradores dos blocos tradicionais de São Luís, dando suporte grandioso ao belo arranjo de violão e de um contrabaixo que aqui e ali faz as vezes de um sete cordas e às variações perfeitamente encaixadas do cavaquinho.

“Pão Geral”, poema de Bandeira Tribuzi musicado por Josias Sobrinho mantém a versão original em ritmo de toada, com um arranjo maravilhoso em base de cordas. No poema, Bandeira Tribuzi, proclamando o amadurecimento do seu coração, declara seu amor ao tempo e ao mundo, aos “rebanhos no céu”, aos reflexos da nuvem no rio, ao trigo que cresceu e gerou o pão, a campos sem muros, e por aí vai… Essa música foi feita originalmente para o disco “Pão Geral, tributo a Tribuzi”, que reúne 14 poemas do poeta musicados pela nata da MPM, produzido pelo poeta Celso Borges.

“Sinto muito”, é na verdade uma descoberta de um amor avassalador, daqueles “que deixa a gente bambo” – tem coisa com mais cara de São Luís do que isso? Trata-se de um reggae com sotaque ludovicense, com contrabaixo de raiz, acompanhamento tradicional de guitarra-base, mas com o diferencial de um violão com cordas e teclados bem afinados.

“Pif-paf” é um choro-canção que exalta a boêmia, o jogo de cartas, a música apaixonada, a alegria da noite e que termina num chorinho que relaxa e faz adormecer, “ferindo as cordas do meu cavaquinho”. Josias Sobrinho divide a interpretação com voz educada e afinada do cantor Cabeh, num dueto impagável.  O arranjo é magistral, iniciando com um belo solo de clarineta, com uma base de violão e pancadas de pandeiro. A introdução abre caminho para a entrada arrebatadora do cavaquinho e dos acordes de um violão sete cordas poderoso, que ao longo da peça faz também um dueto com a clarineta num arranjo que chega a comover e que dá vida e sentido ao belo choro-canção.

Em “Cabocla de cena”, o cantador declara seu amor por uma cabocla de pena, prometendo, que, se a televisão não atrapalhar, no São João ele lhe escreverá uma carta e um poema, certo de que tem o seu amor. Trata-se de uma toada que no início se mostra estilizada, ritmada com bateria, com acompanhamento de um teclado, mas que em seguida ganha a condição plena de toada, embalada com matracas e pandeirões, que se mesclam com os teclados e a guitarra num mix agradável, sem que a música perca sua beleza original ou suas raízes.

“Mandacarú pedante”, sem dar pistas se tem um alvo preferencial, a faixa é mais uma dura crítica à mediocridade que está por trás do pedantismo, a ponto de definir o alvo da crítica como um mandacarú, vegetal que com seus espinhos afasta a todos, e que vive a triste sina “numa cidadela onde a estupidez domina”. É mais um reggae com tintura ludovicense, animado com um solo de rock “pesado”, que como os clássicos evolui no compasso de um contrabaixo de cores jamaicanas, e embelezado por um solo de guitarra de alto nível, que permeia toda a peça.

“Onde está meu carneirinho”, “de marré, marré”, é um poema  que dedica ao neto Levi, que mexe com a infância, com a proeza de, aninhado no seu ser, “saber do tempo como quem sabe da espera, pois quem sabe faz a lua nova aparecer”, pois sem ele estaria “verso solto na poesia”, “sempre em falso a me perder”. Trata-se de um xote leve, que ganhou base eletrônica, mas chega às alturas com os acordes de um violoncelo que domina pelo encanto da sua bela harmonia. O arranjo ganha mais força na “conversa” que trava com um acordeon intrometido e que, no embalo de zabumba e de uma percussão suave, traz o xote para o chão junino.

“Apanhado Geral, um” termina com “Dois em dois”, uma ode aos netos gêmeos Samuel e Nícolas, filhos de  Cassiano Sobrinho, que faz a outra voz no dueto familiar. Os  dois são, na sua definição, “bons motivos pra sonhar, parecidos, mas de forma singular”, “tão diferentes mas de forma unipar”, que o encontram em tempo de “serenizar”. A peça é um blue compassado, com arranjo para guitarra e teclados, que evoluem deliciosamente numa bela sequência de acordes, que mostra com total clareza a sua capacidade de se reinventar, consolidando perfeitamente a proposta do disco.

Em Tempo: “Apanhado Geral, um”, além de arrojado e bem arranjado ganha brilho maior pelo talento dos músicos Rui Mário, Roberto Chinês, Mauro Travincas, Marcão Santos, Fleming Sandes e Jecovisky Pereira (“A Primeira Canção” e “Terra de Noel”); Zé Américo Bastos, Israel Dantas e Papete (“Três Potes”, “Catirina” e “Rosa Maria”); Luis Jr., Rui Mário e Luis Cláudio (“Pão Geral”); Marcos Lussaray, Serginho Carvalho, Carlão, Marcos Silva e Jecovisky Pereira (“Sinto Muito); Marcos Lussaray, Paulo Trabulsi, Gordo Elinaldo, Jecovisky Pereira, Carlos Piau e Fernando DF (“Pif-Paf); Henrique Duailibe, Edison Bastos, Lenita Pinheiro, Renata Gaspar e Ivandro Coelho (“Mandacaru Pedante”); Rui Mário, Daniel Sena e Luiza Sena (“Onde está meu Carneirinho”); Sued Richarllys, Lucas Sobrinho e Cassiano Sobrinho (“Dois em Dois”).

Que venha “Apanhado Geral, dois”. O Maranhão desde já agradece.

 

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PONTO & CONTRAPONTO

 

Grupo Sarney quer retomar o poder pelo Porto do Itaqui, mas estratégia é frágil

O Grupo Sarney vê o Itaqui como porta de entrada para voltar ao poder no estado

As investidas dos seus deputados federais e estaduais denunciando supostas irregularidades no Porto do Itaqui vão aos poucos revelando a estratégia do Grupo Sarney para reassumir pelo menos uma fatia de poder no Maranhão. A equação é simples, parece eficiente, mas um resultado favorável é muito, mas muito mesmo, remoto. O plano é o seguinte: convencer o Palácio do Planalto a retomar o controle do complexo portuário do Maranhão e, em caso positivo, conseguir emplacar um gestor da sua confiança no comando da Emap. O problema é que as denúncias feitas até aqui não encontram solo fértil para prosperar em Brasília. Primeiro porque que os porta-vozes sarneysistas, entre os quais se destaca o deputado federal Edilázio Jr. (PSD), não conseguiram convencer os novos donos de Brasília de que as denúncias são consistentes. Depois, além de não terem encontrado nada de errado na gestão do Porto do Itaqui pelo Governo Flávio Dino (PCdoB), tendo ministros reconhecido a boa gestão em curso no complexo, o presidente Jair Bolsonaro e a turma que o cerca têm pés atrás em relação ao Grupo Sarney, não o querendo como inimigo, mas também dando espaço para uma relação muito próxima. Em resumo: até mesmo sarneysistas mais centrados reconhecem que a estratégia não vai dar certo e que o grupo do ex-presidente não retomará o poder desembarcando no Porto do Itaqui.

 

Bira do Pindaré é pré-candidato assumido a prefeito de São Luís, mas atua bem para consolidar projeto

Bira do Pindaré tem nome confirmado pelo PSB para disputar Prefeitura de São Luís

O deputado federal Bira do Pindaré (PSB) vem cumprindo exatamente o roteiro que ele traçou para viabilizar o projeto de chegar à Prefeitura de São Luís. É pré-candidato definido e declarado, mas por enquanto não vai entrar em discussão sobre o assunto, preferindo empenhar-se em exercer seu mandato de maneira eficiente. No foro interno, nas conversas que vem mantendo com seus apoiadores, aliados e eventuais aliados e parceiros, Bira do Pindaré investe numa possível aliança com o PT, que além de examinar a possibilidade de lançar candidato próprio ou apoiar o candidato a ser lançado pela aliança liderada pelo governador Flávio Dino, pode vir a juntar-se ao PSB indicando o vice na chapa do socialista. Bira do Pindaré trabalha com cuidado e sem alarde, certo de que tem cacife para ser o adversário com cacife para encarar o deputado federal Eduardo Braide (PMN) numa disputa de igual para igual. Entre as hipóteses com que trabalha, está a de levar sua candidatura para um segundo turno e contar com o apoio de todas as forças mobilizadas pelo dinismo.  Por enquanto, o parlamentar socialista está jogando certo: faz um bom mandato na Câmara Federal, com posições partidárias e independentes, e trabalha sua candidatura sem pressionar o Palácio dos Leões. Sabe que tem adversários e aliados por lá.

São Luís, 20 de Abril de 2019.

Presidente do ParlaNordeste, Othelino Neto entrega “Carta de São Luís” aos presidentes da Câmara Federal e do Senado

 

Em cima, observado por deputados federais e estaduais do Maranhão e outros estados,Othelino Neto entrega a Carta de São Luís a Davi Alcolumbre, no Senado, Embaixo, faz a entrega Rodrigo Maia, na Câmara Federal

A Carta de São Luís, documento final do 3º Encontro dos presidentes de Assembleias Legislativas do Nordeste, realizado em São Luís no início do mês, foi entregue ontem, formalmente, pelo presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão e do ParlaNordeste, deputado Othelino Neto (PCdoB), aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM/AP), e da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em Brasília. Na Carta, os chefes dos Poderes Legislativos nordestinos se posicionam em relação a temas que no momento são alvos de debates no Congresso Nacional: Reforma da Previdência, Pacto Federativo e Fortalecimento dos Órgãos Regionais de Desenvolvimento, também definidos como prioritários pelos nove governadores do Nordeste, que se reuniram na Capital do Maranhão em Meados de março, sob a coordenação do governador Flávio Dino (PCdoB).  Nas duas reuniões de ontem, Othelino Neto estava acompanhado dos seus colegas presidentes das Assembleias de Assembleias Legislativas do Piauí, Themístocles Filho, de Sergipe, Luciano Bispo, e da Bahia, Nelson Leal.

Na condição de presidente do ParlaNordeste, o deputado Othelino Neto não foi porta-voz de apenas nove chefes de Poderes Legislativos, mas de centenas de deputados estaduais dos nove estados nordestinos, que representam milhões de eleitores de toda a região. Os temas enfocados na Carta estão diretamente relacionados à vida das populações do Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. Isso ficou muito claro, primeiro, no encontro dos governadores, e mais ainda na reunião dos presidentes de Legislativos. Vale lembrar que os deputados estaduais formam a linha de frente do poder de pressão sobre os deputados federais e senadores

O projeto da Reforma da Previdência encaminhado pelo presidente Jair Bolsonaro foi duramente criticado pelos deputados-presidentes, principalmente em dois pontos, o que muda radicalmente as regras da aposentadoria rural, e que, se aprovado, vai reduzir drasticamente o número de aposentados dessa categoria, produzindo miséria na coletividade e levando centenas de municípios à falência. E o outro é a proposta de extinção do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atende a milhões de brasileiros sem qualquer amparo do Estado. A Carta de São Luís retirada desses dois itens como condição essencial para atrair apoio dos parlamentares estaduais nordestinos ao projeto proposto pelo Governo. Na audiência na Câmara Federal, o presidente Rodrigo Maia garantiu que os dois itens apontados na Carta de São Luís serão retirados do projeto de Reforma da Previdência.

A redefinição do Pacto Federativo, que também começa a tomar de conta dos debates no Congresso Nacional, é reivindicação prioritárias dos Executivos e Legislativos da região, estando igualmente destacados nos registros das reuniões de governadores e presidentes de Assembleias. A principal reivindicação é a mudança nas regras de distribuição dos recursos arrecadados em tributos federais, que hoje ficam integralmente em poder da União, que repassa uma fatia a estados e municípios na forma de Fundo de Participação (FPE e FPM). A discussão não é nova, mas vem ganhando intensidade e força, com tendência no sentido de uma redefinição.  A Carta de São Luís cobra exatamente essa providência.

O terceiro ponto mais enfático da Carta de São Luís entregue ontem aos presidentes do Senado e da Câmara Federal é a defesa do fortalecimento dos órgãos regionais de desenvolvimento, como Sudene, Chesf, BNB, DNOCS, Codevasf, e Sudam, no caso específico do Maranhão, que tem parte do seu território na Região Amazônica.  Para os chefes de Legislativos estaduais, esses órgãos são atualmente indispensáveis, e ao longo da sua existência têm demonstrado que no contexto de políticas sérias de desenvolvimento, são fundamentais. Na Carta, os deputados-presidentes são enfáticos: “Não iremos compactuar com qualquer política do Governo Federal que vise enfraquecê-los, na medida em que tais ações só iriam prejudicar o Nordeste e seu povo”.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, além de terem sido receptivos, se comprometeram a levar a Carta de São Luís ao conhecimento dos seus pares, assinalando que ela servirá de subsídio na discussão dos temas pelos seus pares. O presidente Othelino Neto ouviu os dois líderes do Congresso Nacional acompanhado dos seus colegas do Piauí, Themístocles Filho, de Sergipe, Luciano Bispo, e da Bahia, Nelson Leal, dos deputados estaduais Rafael Leitoa (PDT), Dr. Yglésio (PDT), Ciro Neto (PP) e Felipe dos Pneus (PRTB), e dos deputados federais, Juscelino Filho (DEM) –  que coordena a bancada maranhense – Gil Cutrim (PDT), Gastão Vieira (PROS), Edilázio Jr. (PSD), Josimar Maranhãozinho (PR), Zé Carlos (PT) e André Fufuca (PP).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Marco Aurélio descarta insatisfação de grupo e diz que a base do Governo é sólida forte

Marco Aurélio: liderança segura e eficiente no Blocão 

O deputado Marco Aurélio (PCdoB), líder do Bloco Parlamentar Unidos pelo Maranhão, que reúne 26 deputados, descartou a existência de qualquer movimento de insatisfação dentro da base governista na Assembleia Legislativa. Sobre o episódio da última quinta-feira (11), quando, supostamente insatisfeitos, cinco deputados governistas se ausentaram da sessão da Assembleia Legislativa para não votar projetos do Governo que estavam pautados. O líder do bloco governista avalia que não houve, a rigor, um ato de rebeldia dos deputados, mas apenas a atitude de não querer participar da sessão. Tanto que o “pacote” de projetos governistas foi aprovado na segunda-feira sem problemas e com votos de sobra. Com habilidade cada vez mais refinada, já tendo assimilado todas as nuanças que movem os bastidores da Assembleia Legislativa, principalmente no que diz respeito à relação dos deputados da base com o Palácio dos Leões, o líder do “Blocão” diz que eventuais insatisfações, tanto na grande base quanto nos blocos menores, são resolvidas com diálogo, e que nesse ponto o presidente Othelino Neto tem tido um papel fundamental como mediador. “É impressionante a credibilidade que o presidente vem conquistando junto aos deputados”, assinala o deputado Marco Aurélio.

 

Fábio Macedo retoma o mandato propondo que gás natural seja vendido em postos no Maranhão

Fábio Macedo retoma atividade parlamentar 

Pouco mais de um mês após ter constrangido o Poder Legislativo ao protagonizar, fortemente alcoolizado, um momento de abalo moral e ético envolvendo-se numa briga com um cantor brega   chamado “Cachorrão” na periferia de Teresina, o que acabou em sua detenção e o levou a fazer um pedido público de desculpas e requerer uma licença de 30 dias para tratamento de saúde, o deputado Fábio Macedo (PDT) retornou terça-feira à Assembleia  Legislativa sem passar pela Comissão de Ética, uma vez que não houve nenhuma denúncia formal contra ele. Aparentemente refeito da pancada moral e com aparência saudável, ele ocupou a tribuna na condição de presidente da importante Comissão de Assuntos Econômicos propondo a convocação da empresa Eneva para uma audiência pública na qual seja discutido que parte do gás natural produzido no Complexo de Produção de Gás Parnaíba, que reúne os municípios de Lima Campos, Capinzal do Norte e Santo Antonio dos Lopes seja destinada à rede de distribuição de combustíveis para ser utilizado por veículos automotores que circulam no estado, a exemplo do que acontece em 17 estados produtores de gás natural, a começar pelo Rio de Janeiro.  “Levantamos essa bandeira porque acreditamos que as riquezas produzidas aqui tenham que beneficiar o nosso povo. Não é justo que todo gás natural seja utilizado somente para abastecer a termoelétrica, cuja energia produzida não é nem utilizada pela nossa população”, disse Fábio Macedo, que já havia rascunhado essa proposta no mandato passado.

São Luís, 18 de Abril de 2019.

Flávio Dino alerta que a Democracia está ameaçada por causa da crise econômica e do tropeços do Governo Bolsonaro

 

Flávio Dino faz alerta para os riscos que a democracia brasileira está correndo

A democracia do Brasil encontra-se sob risco. O alerta, feito em tom sereno, mas grave, é do governador Flávio Dino (PCdoB), para quem a estagnação econômica medida nos três primeiros meses do Governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), associada à falta de medidas fortes para estimular a retomada da economia e à inanição da máquina pública e o incentivo à violência social e ao ódio político formam um caldeirão que pode resultar numa ditadura.  “O Brasil está parando e lamento que alguns não queiram ver”, disse o governador, lamentando o colapso das finanças públicas, que vem resultando na desativação dos serviços públicos federais. Para o chefe do Governo do Maranhão, cenário produz terreno é fértil para estimular a implantação gradativa de um Estado militar e policialesco no Brasil, que pode desembocar no desmonte do Estado Democrático de Direito, caminho certo para a implantação de um regime de força.

– Tiros, armas, a ideia falsa de que somente militares nos salvarão, violência e ódio para todos os lados, o suposto horror à ‘velha política’. Receita que pode conduzir a uma ditadura aberta – observou Flávio Dino, temendo que esses estopins, associados à ineficiência dos serviços públicos e ao sentimento de desesperança da população, produzam o desmente do Estado Democrático de Direito no País.

Os exemplos registrados nos primeiros 116 dias do Governo Jair Bolsonaro mostraram um presidente absolutamente despreparado para comandar um País tão grande, diversificado e complexo como o Brasil. O capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro passa a impressão de que nada aprendeu sobre o Brasil quando esteve na ativa e nos 36 anos que passou na Câmara Federal. Os dois exemplos mais recentes – a intervenção intempestiva e descabida na Petrobras para suspender um aumento no preço do óleo diesel, desmoralizando publicamente a direção da empresa, que nada mais fez do que seguir as regras,  e o gesto de proibir os fiscais do Ibama de destruir caminhões e máquinas apreendidos na selva nas operações de combate à extração criminosa de madeira, que certamente foi comemorada com grande festa pelos criminosos dessa área em todo o País, inclusive no Maranhão – são reveladores do despreparo do capitão da reserva quanto à moderação e às cautelas que devem mover um chefe de Estado, principalmente em relação a questões de tamanha gravidade.

O Governo Bolsonaro não encontrou rumo até agora. Por absoluta falta de preparado do presidente, o Governo não tem uma política econômica clara – pois apesar de montar um superministério e dispor de poderes excepcionais, o ministro da Economia não apresentou um projeto concreto para reativar a economia -, não tem um projeto para a Educação, ninguém sabe o que anda fazendo o ministro da Saúde, o ministro do Turismo virou suspeito com a Polícia Federal no seu encalço por desvio de milhões do Fundo Eleitoral no partido do presidente (PSL), o ministro da Infraestrutura fala muito e nada concretiza, e por aí vai. E o chefe do Governo, além de passar bom tempo tuitando, adotou uma política externa que está assombrando a maior parte do corpo diplomático brasileiro ao comprar briga com a China e com os povos árabes em favor de Israel e mergulhar o País na crise da Venezuela, além de ter adotado uma atitude quase submissa ao Governo republicano e conservador de Donald Trump nos EUA – se os democratas voltarem ao poder, o presidente brasileiro vai ficar numa situação delicada. E o pior é que a situação só tende a se agravar.

Tudo isso está acontecendo em meio a uma situação de forte tensão social, com desemprego aumentando, a economia travada e uma forte ameaça de desordem no ar, que se manifesta na crise do Rio de Janeiro, por exemplo. Os problemas, – cujas soluções de curto, médio e longo prazos dependem de ações do Governo – se avolumam, formam esse bolsão bombástico rascunhado e apontado pelo governador Flávio Dino como a grande ameaça à Democracia com a qual os brasileiros se reencontraram depois de amargarem uma ditadura militar de 21 anos. Daí ser um gesto de sensatez política – independentemente da cor partidária – dar a devida atenção ao que diz o governador do Maranhão, uma das vozes mais firmes e equilibradas da política brasileira na atualidade.

 

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bancada maranhense: placar da Reforma da Previdência tem seis a favor, quatro contra e oito indefinidos

O plenário da Câmara Federal, com os painéis de votação, onde os deputados maranhenses votarão a Reforma da Previdência, que esta em debate na Casa

É intensa a movimentação dos deputados federais do Maranhão dentro das suas bancadas partidárias para definir suas posições na votação da Reforma da Previdência, mesmo com o projeto ainda engatinhando na Câmara Federal. Até ontem, o placar era o seguinte: a favor: Aluísio Mendes (Podemos), André Fufuca (PP), Edilázio Jr. (PSD), Hildo Rocha (MDB), Pastor Gildenemyr (PMN) e Pedro Lucas Fernandes (PTB); contra: Márcio Jerry (PCdoB), Gil Cutrim (PDT), Bira do Pindaré (PSB) e Zé Carlos (PT); e indefinidos: Cléber Verde (PRB), Gastão Vieira (PROS), Eduardo Braide (PMN), Josimar de Maranhãozinho (PR), Júnior Lourenço (PR), Juscelino Filho (DEM) e Marreca Filho (Patriotas).

A base de apoio do governador Flávio Dino está dividida: três estão a favor, quatro estão contra e cinco estão indefinidos. Na Oposição, três são a favor e dois estão indefinidos. Não se sabe a posição atual do deputado federal João Marcelo, mas a julgar pela nomeação do seu irmão, João Manoel, para a secretaria de Esporte de Alto Rendimento do Ministério da Cidadania, a tendência dele é votar a favor.

Nas contas de um observador experiente, os sete indefinidos, independentemente das suas posições políticas e partidárias no cenário nacional e no Maranhão, votarão a favor. E a velocidade com que se definirão dependerá dos acenos do Palácio do Planalto.

 

Assembleia de Deus dá mais uma prova de que não vê os comunistas maranhenses como anticristos

Pastor Damasceno anuncia homenagem da Assembleia de Deus a Othelino Neto com sua honraria mais importante

O deputado Pastor Cavalcante (PROS), um dos mais destacados nomes do mundo evangélico maranhense, acaba de dar mais uma prova de que, pelo menos no Maranhã, os comunistas não são os anticristos como vem tentando mostras o presidente Jair Bolsonaro e sua turma. O representante do PROS anunciou que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), será agraciado com a comenda “Pastor Luiz de França Moreira”, a mais importante honraria concedida pela Assembleia de Deus no Maranhão. Para se ter uma ideia da importância da comenda, ela foi instituída há 15 anos e até agora apenas oito cidadãos foram agraciados, entre elas o governador Flávio Dino, outro comunista que não assusta os assembleianos. O presidente da Assembleia Legislativo, é claro, recebeu a notícia da homenagem com o astral nas alturas, primeiro por ser o oitavo a viver o privilégio, e depois por saber que a sua condição ideológica de comunista em nada interfere na sua relação com o mundo evangélico maranhense, a começar pela Assembleia de Deus, que é a sua fatia mais expressiva em número e organização. A justificativa da homenagem ficou ainda mais expressiva quando, ao anunciá-la na tribuna, o deputado Pastor Damasceno revelou:  “Quando eu fiz uma explicação aos diretores da Instituição de como funcionam os trabalhos legislativos nesta Casa, toda a Diretoria da nossa Convenção entendeu a necessidade e importância de nós fazermos a entrega de uma comenda honrosa ao presidente deste Poder”.

Em Tempo: A homenagem acontecerá no dia 13 de julho em sessão da Convenção de Pastores em Balsas.

São Luís, 17 de Abril de 2019.

Seminário confirmou que há convergência de todos em tudo que diz respeito ao uso comercial da Base de Alcântara

 

Ouvido com atenção pelo ministro Marcos Pontes,e autoridades presentes, o governador Flávio Dino abre o seminário que discutiu o futuro da Base de Alcântara

Raramente um evento para debater um tema política, econômica, tecnológica e socialmente complexo, marcado por vieses que vão das raízes da escravidão à sofisticação tecnológica da exploração espacial, passando pela lógica do mercado de uma indústria dominada por poucos, e ainda pelo temor natural de risco à soberania nacional, produziu tanta convergência de ideias e interesses como o Seminário “Base de Alcântara:  Próximos Passos”, realizado ontem em São Luís por iniciativa do Governo do Estado para discutir o Acordo de Salvaguarda Tecnológica por meio do qual o Brasil abre caminho para a exploração comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Empunhando tão somente as armas da boa vontade e do interesse comum, o governador Flávio Dino (PCdoB) e o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, comandaram um debate que definiu finalmente um roteiro possível, sensato e equilibrado para definir meios que assegurem que o uso comercial do CLA seja um bom negócio para o Brasil, para o Maranhão e para Alcântara, incluindo a cidade histórica e as comunidades quilombolas que circundam a base.

Para começar, o seminário reuniu o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania), o vice-presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara Federal, deputado Márcio Jerry (PCdoB), a reitora da UFMA Nair Portela, cientistas, técnicos civis e militares de diferentes patentes da Aeronáutica envolvidos no funcionamento do CLA, militares, etc.. E todos, por diferentes caminhos e sem forçar barra, convergiram para os pontos que de fato estavam e discussão e são mesmo de interesses público. Ficou evidenciada a consciência geral de que Alcântara é uma dádiva e o CLA uma joia que só precisa lapidar e usar em função do bem comum. Mas que tudo isso só fará sentido se a soberania nacional for integralmente preservada.

A primeira convergência levantada pelo governador Flávio Dino e corroborada em gênero, número e grau pelo ministro Marcos Pontes: o CLA, que já consumiu centenas de milhões do contribuinte, amargou uma tragédia humana e tecnológica, tem de funcionar e gerar dividendos e benefícios para os brasileiros; e o Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST), já firmado com os Estados Unidos, é o caminho mais promissor. As mais de duas centenas de participantes do seminário, interpretando o sentimento da sociedade brasileira e independentemente de viés político e de cor partidária, veem o AST como fato consumado e torcem para que, com ou sem ajustes, ele seja aprovado o quanto antes pelo Congresso Nacional e pelo Congresso dos EUA. Nenhuma voz contrária se manifestou até aqui.

Com o aval entusiasmado do governador Flávio Dino, a segunda convergência se deu em relação ao entorno do CLA envolvendo comunidades quilombolas, que é uma das mais delicadas e complexas e que poderia causar divergências e tensões. As preocupações foram mandadas para o espaço pelo ministro Marcos Pontes, que com sua autoridade de astronauta assegurou que as pendências para com as comunidades quilombolas afetados com a instalação do CLA nos anos 70 do século passado serão resolvidas. E no que diz respeito às comunidades que temem perder suas raízes com uma eventual expansão da área do Centro, o ministro de Ciência e Tecnologia, de novo com a sua autoridade de astronauta, garante: a área do CLA está adequada às suas necessidades e não há necessidade de expansão territorial. Convergência integral também nesse mister.

Todos querem que de alguma maneira o AST produza meios para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil e do Maranhão, atualmente empenhado nesse campo com de unidades do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), além do interesse que a produção tecnológica desperta na UFMA e na UEMA. A convergência nesse sentido é ampla, mas como se trata de investimentos futuros, o seminário abriu caminho para que o tema seja debatido à exaustão, para que venham a ser definidos caminhos e projetos bem amarrados nessa seara muito promissora, mas também muito complexa.

E, finalmente, o ponto sobre o qual todos concordam, mas que certamente deverá gerar uma dura queda de braços entre a União, que é a dona do Centro e do Programa Espacial Brasileiro, que naturalmente vai levar a parte do leão, o Governos do Estado, que é o dono do território que abriga o programa, e Alcântara, que é dona da área onde o CLA está implantado. O Acordo firmado com os EUA nada tem a ver com essa medição de força, que é uma questão interna. Até porque nenhum país, a começar pelos EUA, firmará um acordo intrometendo-se nessa seara, até porque seria a abertura de uma brecha enorme para permitir fisgadas na soberania nacional. A divisão dos dólares que aterrissarão no país será o resultado de um acerto que envolverá a classe política como um todo.

O mais virá à medida que quando o acordo virar uma realidade e o CLA for de fato transformado de fato numa base de onde serão lançados foguetes de quem puder pagar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carlos Brandão fatura prestígio ao acompanhar Marcos Pontes a Alcântara

Carlos Brandão (direita) curtiu a tarefa de acompanhar Marcos Pontes em Alcântara

Sem esconder o jeitão de quem está mesmo determinado e brigar pela vaga de candidato a governador pela aliança liderada pelo governador Flávio Dino, que parece estimulá-lo, o vice-governador Carlos Brandão (PRB) vem ocupando todos os espaços que lhe são abertos. Ontem, por exemplo, ele foi destacado para acompanhar o ministro Marcos Pontes (Ciência e tecnologia) a Alcântara, onde visitou o CLA e a cidade. Curtiu e faturou bem a viagem, a começar pelo fato de estar ciceroneando o ministro, que é muito carismático e ainda mantém grande prestígio como o primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço. Ele visitou o cosmo numa nave russa Soyuz para uma missão na Estação Espacial Internacional em março de 2006, durante o Governo do presidente Lula da Silva (PT), que garantiu sua viagem pioneira e o recebeu como um herói. Onde chega, Marcos Pontes é festejado, principalmente em ambientes escolares. Não foi diferente ontem em Alcântara, onde sua visita foi comemorada por quem o encontrou, a começar por estudantes. Carlos Brandão, que nada tem de bobo, embarcou na nave de Marcos Ponte e marcou posição no Seminário que discutiu o Acordo de Salvaguarda Tecnológica.

 

Detinha mostra força política ao reunir Felipe Camarão e Marcelo Tavares na Assembleia Legislativa

Othelino Neto (centro) conduz reunião entre Detinha e Marcelo Tavares e Felipe Camarão e seus adjuntos sobre educação

Uma reunião realizada ontem na Assembleia Legislativa mostrou o peso político da deputada Maria Deusdete Rodrigues, politicamente conhecida como Detinha, que saiu das urnas como campeã de votos, e que segue firme a linha de ação do marido, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que junto com ela comanda o PR, uma das forças partidárias crescentes no Maranhão. A seu pedido, o presidente Othelino Neto conduziu a reunião em que ela discutiu a situação educacional nos 17 municípios que integram a região do Alto-Turi diretamente com o secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, que foi ao Palácio Manoel Beckman acompanhado de ninguém menos eu o chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares. Munida de argumentos e documentos, a deputada explanou a atual situação das escolas da regional de Zé Doca, que passam, principalmente, por dificuldades relativas à falta de infraestrutura e de professores. As escolas, segundo ela, estão sem professores desde o início do ano letivo e, além disso, com problema na infraestrutura e na qualidade do ensino naquela região. O secretário Felipe Camarão, que levou junto os secretários-adjuntos Anderson Lindoso e Nádia Dutra, ouviu com atenção as demandas levadas pela deputada e disse que a reunião foi produtiva e positiva. Ele apresentou o quadro atualizado da região com o quantitativo de professores e expôs as medidas que estão sendo tomadas no âmbito administrativo. E prometeu que na semana que vem, uma equipe irá até a região para colocar em ordem o que estiver fora. E marcou nova reunião para depois da Semana Santa. Vivamente impressionada com o domínio que o secretário Felipe Camarão tem da situação, a deputada Detinha agradeceu a atenção e a compreensão dos secretários Felipe Camarão e Marcelo Tavares e a presença do deputado Othelino Neto, intermediando a reunião, que na verdade foi uma demonstração de força política e prestígio pessoal.

São Luís, 16 de Abril de 2019.

 

Márcio Jerry lista Duarte Jr, Rubens Jr. e Júlio Pinheiro como pré-candidatos do PCdoB e dá largada na corrida em São Luís

 

Márcio Jerry apontou Duarte Jr., Rubens Jr. e Júlio Pinheiro como pré-candidato do PCdoB à sucessão do prefeito de São Luís, Edivaldo Jr., nas eleições do ano que vem

O PCdoB tem três pré-candidatos à sucessão do prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PDT), no ano que vem. São eles: o deputado estadual Duarte Jr., o deputado federal licenciado e atual secretário de Estado das Cidades Rubens Pereira Jr. e o vice-prefeito Júlio Pinheiro. A lista tríplice não é produto de especulação, mas de uma declaração de ninguém menos que o deputado federal Márcio Jerry, presidente estadual do PCdoB) e mais influente conselheiro político do governador Flávio Dino. Com a declaração, feita no contexto de uma entrevista à Rádio Timbira, ontem, Márcio Jerry ligou em definitivo as turbinas para a corrida ao Palácio de la Ravardière, liberando sinal verde para que os três listados iniciem uma medição de força para se viabilizarem dentro do partido. Ao mesmo tempo, deu aos pretendentes de outros partidos, a começar pelo PDT, a informação que todos queriam para montarem suas estratégias. Além do mais, Márcio Jerry deixou implícito que não é pré-candidato, sem no entanto, eliminar totalmente a possibilidade de vir a entrar na disputa numa situação excepcionalíssima.

A lista do PCdoB para disputar a Prefeitura de São Luís não surpreendeu. Os três nomes já vinham sendo citados com frequência, principalmente depois que Felipe Camarão (DEM), secretário de Estado de Educação, que vinha sendo apontado por muitos como o nome da preferência do Palácio dos Leões para a disputa, anunciou formalmente que não será candidato. Mais votado do PCdoB para deputado estadual, Duarte Jr. saiu das urnas pré-candidatíssimo e disposto a jogar pesado para consolidar o projeto que já vinha formulando desde que comandou o Procon e o Mais Cidadão; Rubens Jr. também saiu das urnas muito forte, reeleito que foi com votação consistente para a Câmara Federal, tendo sua pré-candidatura ganhado forma quando o governador Flávio Dino o convocou para assumir a Secretaria das Cidades, cargo técnica e politicamente “associado” a eleição municipal; e Júlio Pinheiro vem trabalhando para, na condição de vice-prefeito, viabilizar a condição de “candidato natural”. Cada um tem agora o desafio de mostrar ao partido é o eleitoralmente mais viável.

Desde outros tempos, os registros vêm mostrando que as disputas para a Prefeitura de São Luís se dão sempre em terreno movediço, no qual grande parte do eleitorado costuma aguardar a evolução da campanha para só então se posicionar, como ocorreu nas duas mais recentes. Em 2013, o prefeito João Castelo (PSDB) começou como favorito e terminou atropelado pelo jovem Edivaldo Jr., então candidato do minúsculo PTC; em 2016, o favoritismo do prefeito Edivaldo Jr. foi perigosamente minado pelo crescimento surpreendente do deputado Eduardo Braide (PMN), este ajudado por outra surpresa, o deputado Wellington do Curso (PSB). Afora as eleições de Jackson Lago (PDT), que sempre foram maiúsculas, as   corridas para a Prefeitura de São Luís sempre foram muito disputadas.

O pleito do ano que vem tem três ingredientes importantes a serem anotados: e primeiro: Eduardo Braide vem liderando todas pesquisas feitas até aqui; o Grupo Sarney, que já teria definido o deputado estadual Adriano Sarney (PV), vai fazer de tudo para derrotar ou ver derrotado o candidato do PCdoB, seja ele quem for; e dentro da aliança liderada pelo governador o PDT vai fazer de tudo para emplacar um nome do partido à sucessão do prefeito pedetista Edivaldo Holanda Jr., e no mesmo campo desponta a pré-candidatura importante do deputado federal Bira do Pindaré (PSB).

No contexto de agora, Duarte Jr. tem a vantagem de ser hoje um nome influente nas redes sociais em São Luís, fatos que vem se tornando cada vez mais decisivos nas disputas eleitorais, mas precisa de base política; Rubens Jr. tem forte suporte político, mas precisa se fortalecer eleitoralmente na Capital, e Júlio Pinheiro precisa das duas bases para viabilizar sua candidatura. Como se vê, tudo indica que a escolha do candidato do PCdoB será um processo complicado, renhido, mas politicamente saudável.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa mostra credibilidades das 10 mais importantes instituições brasileiras

A Imprensa e o Supremo foram atingidos na sua credibilidade, segundo a pesquisa

Pesquisa feita pelo Data Folha e publicada pelo jornal Folha de São Paulo investigou a credibilidade das 10 mais importantes instituições brasileiras. O resultado foi o seguinte: 45% acham que a instituição brasileira mais acreditada são as Forças Armadas, 29% acham que é a Presidência da República, 25% apontam o Ministério Público, 24% consideram que a instituição mais acreditada é a Imprensa, 22% acham que são as grandes empresas, 18% avaliam que é o Supremo Tribunal Federal, 10% preferem as redes sociais, 8% indicam o Congresso Nacional e apenas 1% escolheram os partidos políticos como instituições de maior credibilidade. Para quem acompanha há muito esse tipo de avaliação, dois dados dessa pesquisa chamam realmente a atenção. O primeiro é a queda dramática do Supremo, que até na primeira década deste século aparecia sempre as entre as mais acreditadas e agora amarga forte descrédito, provavelmente refletindo a Justiça como um todo. O outro dado é a Imprensa, que não chegou ao fundo do poço, mas perdeu prestígio, gostemos ou não nós, militantes do mundo da informação, que vem sendo implacavelmente invadido por canais das redes sociais que se passam por imprensa sem sê-lo. São os novos tempos, sobre os quais paira uma perigosa nuvem obscurantista, que precisa ser enfrentado com firmeza, equilíbrio e competência.

 

Cidadão Edilázio Jr. tropeça nas palavras e atinge duramente o deputado federal Edilázio Jr.

O deputado federal Edilázio Jr. (PSD) – foto – envolveu-se numa polêmica e dela está saindo com o pesado ônus de um pedido de desculpas por declarações que como político jamais poderia ter dado. Morador da Península, na Ponta D`Areia, onde um apartamento de 150 metros quadrados não sai por menos de R$ 3 milhões, o deputado declarou guerra ao projeto do Cais São Luís-Alcântara, imaginado para a área do antigo Iate Clube. Numa reunião na qual técnicos do Governo do Estado foram expor o projeto a moradores da área, o deputado fez um pronunciamento impressionante, no qual externou sua condição de morador apavorado com a possibilidade de o Cais atrair para ali motoqueiros, vans, carrinhos de venda de comida, enfim, pobres. O exemplo que Edilázio Jr, dá da babá do seu filho, que poderá usar o Cais São Luís-Alcântara é inacreditável. Suas palavras, mesmo lapidadas com ressalvas, exalam preconceito, a começar pelo fato de que para ele a Península deve ser território exclusivo dos que ali residem, livre da perigosa e incômoda arraia miúda. Aplaudido pelos vizinhos que pensam como ele e que estão preocupados com o risco de desvalorização dos seus imóveis, o deputado Edilázio Jr. só se deu conta da trombada que deu com a realidade quando o áudio com seu discurso ganhou mundo. E reagiu com uma nota em que afirma ter sido “mal interpretado”, jura ser a favor dos “menos favorecidos de São Luís” e, para espanto de todos, pede desculpas pela suposta má interpretação que deram às suas palavras. Na nota ele confirma o que disse no discurso, mostrando convicção, o que torna surpreendente e até mesmo espantoso o pedido de desculpas. É como se tivesse dizendo “Não quero o cais aqui, não quero motoqueiros aqui, não quero vencedor de espetinho aqui, me desculpe por não querer vocês aqui”. O cidadão Edilázio Jr. disse o que pensa, um direito inalienável, por mais condenáveis que sejam suas declarações. Já o deputado federal Edilázio Jr. trombou feio com a ética e o bom senso.

 

Seminário deve definir posições em relação ao CLA em tempos de Acordo com EUA

A relação do CLA com o Maranhão no Acordo com os EUA será debatida por Flávio Dino e Marcos Pontes

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação, Marcos Pontes, aterrissa nesta segunda-feira em São Luís para participar do seminário, “Base de Alcântara: Próximos Passos”, promovido pelo Governo do Estado para debater o futuro do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) a partir do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) recém firmado pelos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump e que permitirá o uso do CLA pelos Estados Unidos para lançamento de foguetes de programas espaciais. Não será um evento qualquer. Acontecerá no auditório Terezinha Jansen, no Multicenter Sebrae, e será dividido em duas etapas. Na parte da manhã (9h), sob o comando do governador Flávio Dino, será discutido tema Geopolítica Espacial e, claro, a inserção definitiva do CLA nesse universo. À tarde (14h) será discutido o desenvolvimento regional a partir do Acordo, seguido de debate sobre produção de conhecimento científico, estando o encerramento previsto para as 18h. O evento deve ser o grande momento de discussão sobre a relação social e econômica do Maranhão com a Base de Alcântara no contexto da corrida espacial.

São Luís, 14 de Abril de 2019.

 

Rubens Jr. não confirma, mas é opção da Situação para disputar a Prefeitura de São Luís

 

Rubens Jr. pode vir a ser candidato a prefeito de São Luís, mas poderá apoiar Neto Evangelista e Duarte Jr. contra Eduardo Braide como candidato da Situação

Ao responder com um “nem sim nem não” à indagação de O Imparcial sobre se será candidato à Prefeitura de São Luís, argumentando que não é momento de falar das eleições municipais de 2020, o secretário de Estado das Cidades, Rubens Pereira Jr. deixou no ar a impressão que já domina os bastidores da corrida sucessória: o Palácio dos Leões vai entrar forte para ter um candidato de peso à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). Deputado federal licenciado e nome de proa do PCdoB, Rubens Jr. sinaliza, com a resposta, que ele próprio está no jogo, como estão os deputados estaduais Duarte Jr. (PCdoB) e Neto Evangelista (DEM). Eles estão se movimentando com o aval do governador Flávio Dino (PCdoB) que, sem manifesta preferência, estimula os pretendentes a se   movimentarem no sentido de viabilizarem suas candidaturas. Nesse contexto, o secretário das Cidades é nome de peso, com possibilidades concretas de vir a ser ungido como candidato governista a prefeito da Capital.

Nesse contexto, uma verdade se impõe: o Palácio dos Leões vai usar dos os meios políticos republicanos para manter a Prefeitura na seara governista, mas trem pela frente a desafiadora tarefa de encontrar um candidato que faça frente e reverta o favoritismo do deputado federal Eduardo Braide (PMN), que até aqui lidera com folga essa corrida. Eduardo Braide demonstrou em 2016, quando ameaçou fortemente a reeleição do prefeito Edivaldo Jr., e em 2018, quando recebeu mais de 100 mil votos em São Luís para deputado federal, que não é um balão, ao contrário, é um candidato consistente. Daí a dificuldade de o governador Flávio Dino definir um candidato que enfrente o pré-candidato do PMN de igual para igual e em condições de virar o jogo e vença a eleição.

Assim como Neto Evangelista, Rubens Jr. pode vir a ser esse nome: é membro destacado da nova e bem sucedida geração de políticos maranhenses, com dois mandatos de deputado estadual e no segundo mandato de deputado federal, sempre com votação expressiva e crescente, e com excelente desempenho parlamentar, tanto na Assembleia Legislativa, quando na Câmara Federal, onde foi uma das vozes mais ativas na defesa do mandato da então presidente Dilma Rousseff (PT) e, depois, como opositor do Governo Michel Temer (MDB). Não foi, portanto, sem razão que o governador Flávio Dino o convocou para assumir a Secretaria das Cidades, cuja razão de ser fala por si.

Sem manifestar qualquer evidência nesse sentido, chegando mesmo a ironizar especulações abertas e amplas sobre possibilidades de candidaturas, o governador Flávio Dino trabalha com três nomes: Rubens Jr. e Duarte Jr., ambos do seu partido, e Neto Evangelista, podendo, numa possibilidade muito remota, acionar o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) para o desafio de enfrentar Eduard Braide. Os três fortes, leves e com cacifes diferenciados. Rubens Jr. é peso pesado na política convencional, na corrida pelo voto, ensinada pelo pai, o ex-deputado Rubens Pereira. Duarte Jr. é um outsider bem-sucedido, que tem muito poder de fogo nas redes sociais, que conquistou quando foi xerife ativo e ousado do Procon. E Neto Evangelista é também adepto da política convencional, da conversa, do agrado, com contato direto com o eleitor.

No momento, Rubens Jr. é, dos três, o que está mais estrategicamente posicionado se levada em conta a possibilidade de ele vir a ser candidato a prefeito de São Luís. Comanda uma pasta que trata exatamente dos assuntos – pavimentação, saneamento, habitação, equipamentos urbanos, etc. – que são discutidos nas campanhas para as eleições municipais. Se tiver recursos e vier a comandar ações bem planejadas, que mostrem as linhas gerais de uma gestão municipal como prefeito de uma cidade complexa e problemática como São Luís, poderá sair candidato com substância para quebrar o favoritismo do adversário que lidera. Ou aguardar para ser candidato ao Governo do Estado em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Nomeação de João Manoel Souza para secretaria do Ministério da Cidadania vincula MDB maranhense ao Governo Bolsonaro

A confirmação do professor e pastor pentecostal João Manoel Souza (foto) para a Secretaria de Esportes de Alto-Rendimento do Ministério da Cidadania atrela fortemente o braço maranhense do MDB ao Governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Por mais que o ex-governador João Alberto, que preside o partido no estado, afirme que nada teve a ver com a nomeação, feita a partir de uma indicação do ex-presidente José Sarney (MDB), a nomeação tem, sim, seu viés político. A partir de agora, o deputado federal João Marcelo (MDB), que vinha atuando com uma posição independente, deverá agora alinhar-se à base governista, seguindo a corrente emedebista da qual faz parte o ministro da Cidadania, Osmar Terra. Isso porque, mesmo afirmando que não negocia cargos, o Governo Bolsonaro não entregaria a importante secretaria ao professor João Manoel sem uma contrapartida política, tendo ele um irmão deputado federal. Ou seja, ainda que informalmente, sem uma declaração que oficialize sua posição, o braço maranhense do MDB está alinhado ao Governo Bolsonaro a partir de agora.

 

Comissão da Assembleia Legislativa vão debater problemas da Região metropolitana de São Luís

Hélio Soares, Dr. Yglésio e Carlinhos Florêncio: foco a região metropolitana

A metropolização da Ilha de São Luís será tema de audiência pública agendada pela Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Social da Assembleia Legislativa será realizada no dia 30 deste mês. Um dos focos da audiência será a situação dos matadouros existentes nos quatro municípios da Região Metropolitana, que reúne os municípios de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. A audiência pública foi definida pelos deputados Dr. Yglésio (PDT), Hélio Soares (PR) e Carlinhos Florêncio (PCdoB). Os deputados também definiram a realização de uma reunião com os técnicos da Aged, na manhã da próxima terça-feira, para tratar questão dos matadouros públicos do Maranhão. Criada no Ato das Disposições Provisórias da Constituição Estadual de 1989 e regulamentada duas décadas depois, a Região Metropolitana da Ilha de São Luís ainda não se concretizou apesar de algumas políticas comuns firmada por seus municípios. Bem lembrado pelos membros da Comissão, o problema dos matadouros é um dos seus desafios, primeiro por se tratar de um caso grave de saúde pública, e depois pelo grande menos atenuem, o processo, os parlamentares já terão dado uma grande contribuição para a metropolização, que, se bem planejada, é o meio mais eficiente de integrar municípios que se concentram numa região, principalmente a liderada pela Capital.

 

Daniella Tema alerta para estrago das chuvas em Tuntum e reafirma pedido de ajuda feito pelo prefeito Cleomar Tema

Daniella Tema: preocupação com Tuntum por causa das chuvas

Tuntum está enfrentando problemas por causa das fortes chuvas que atingiram o município nos últimos dias. A preocupação foi externada pela deputada Daniella Tema (DEM), ela relatou uma série de ocorrências, como a cheia do piscinão do Balneário Tiúba, na cidade, que apresentou rachaduras, e o transbordo do riacho Tuntum, que corta a área urbana, causando erosão e alagando áreas urbanas. Ainda que menores dos que que atingiram a cidade em 2018, quando um vendaval atingiu o município e deixou centenas de famílias desabrigadas, os estragos causados pelas chuvas de agora são preocupantes, segundo avaliou a deputada.

Daniella Tema destacou que, ainda no domingo (7), o prefeito Cleomar Tema (PSB) pediu ajuda à Defesa Civil do Estado, e foi atendido. Na manhã de segunda-feira, agentes da Defesa Civil se deslocaram Tuntum, onde fizeram vistorias técnicas e, no primeiro momento não detectaram nenhum evento de maior gravidade, que ponha em risco a população de Tuntum. Eles também asseguraram que não há risco de rompimento da barragem que forma o piscinão.

Daniella Tema também adiantou que destinará parte de suas emendas para que o município faça os devidos reparos nas estruturas atingidas pelas chuvas.

São Luís, 10 de Abril de 2019.