Reação de Ciro a notícia do pedido de Lula a Dino confirma agressividade do cearense e o peso político do maranhense

 

Ciro Gomes joga agressivamente, enquanto Flávio Dino mostra habilidade política

A reação agressiva do ex-governador Ciro Gomes (PDT) à notícia, divulgada pela coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, dando conta de que o ex-presidente Lula da Silva (PT) pediu ao governador Flávio Dino (PCdoB) que vá visitá-lo na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, produziu vários sinais claros de que a corrida pela vaga de candidato a presidente no âmbito das correntes centro-esquerda e esquerda já começou. Primeiro evidenciou, de maneira mais evidente, que Ciro Gomes está em campanha aberta, tendo o antipetismo como um dos seus motes. E, ao mesmo tempo, confirmou uma situação que vem se consolidando de maneira cada vez mais enfática: o governador Flávio Dino é, de fato, um dos nomes dessa seara com mais força e prestígio político para liderar uma grande aliança na disputa pelo comando do País em 2022. A reação crítica de Ciro Gomes ao convite de Lula da Silva a Flávio Dino, mais do que mais uma estocada no ex-presidente, a quem vem atacando duramente, é claramente um gesto de beligerância destinado a inibir a caminhada do governador maranhense nesse cenário ainda impreciso e no qual o candidato que vier a ter o apoio do PT agregará ao seu projeto um cacife extremamente poderoso.

O episódio, ao mesmo tempo, revelou, de maneira acentuada, as posturas dos dois líderes.

Ciro Gomes, ao mesmo tempo em que é um quadro de muita competência e experiência, que representa com o melhor produzido pela geração saída das lutas estudantis contra a ditadura no final dos anos 70, continua pavio curto, dono de uma agressiva e inacreditável incontinência verbal, sustentando seu projeto num discurso em que alveja qualquer um que possa lhe fazer sombra. A prova disso, foi quando esteve em São Luís, no início de 2018, em busca de apoio à sua candidatura presidencial pelo PDT, foi recebido como um líder pelo Flávio Dino, declarando, num pronunciamento no Palácio dos Leões, que o governador maranhense “foi a melhor coisa que surgiu na política brasileira nos últimos tempos”. Agora, que Flávio Dino desponta como fato novo no cenário nacional, Ciro Gomes avisa que vai tratá-lo como adversário, principalmente se o PT vier a apoiá-lo.

Flávio Dino tem demonstrado, além de prestígio, muita habilidade ao se movimentar nesse campo movediço. Se coloca como adversário e duro crítico do Governo Bolsonaro, mas sem a vulgaridade de entrar no plano pessoal com adjetivações grosseiras. Foi visitar Lula da Silva na prisão, mostrou força ao se reeleger em turno único e liderar a vitória acachapante do candidato do PT, Fernando Haddad, no Maranhão. Ultimamente, vem falando para plateias cada vez maiores e qualificadas, sempre muito aplaudido, e protagonizando gestos políticos surpreendentes, como a recente visita ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com quem trocou impressões sobre o cenário nacional e a situação dos estados e municípios – é sabido que FHC nutre muito respeito por Flávio Dino. Ou seja, ao contrário de Ciro Gomes, que não consegue controlar seu destempero, Flávio Dino é um político com os pés no chão, civilizado e que não usa agressividade grotesca no embate político.

Com sua tentativa de atrair Flávio Dino para o confronto aberto, antecipado e desnecessário nesse momento, Ciro Gomes parece não perceber que ao se manter nessa linha de atacar aliados e potenciais aliados mergulhará num desgaste que pode pulverizar sua pretensão presidencial, pois afinal, ainda tem três anos pela frente. Essa consciência é clara no governador, que trabalha duro para conciliar a gestão do Governo do Estado com a participação no grande debate em curso no País, principalmente pela revelação nada animadora revelação de que Jair Bolsonaro (PSL) se elegeu presidente sem um projeto de Governo para o Brasil. Ciro Gomes, por sua vez, parece não entender o que está acontecendo no País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Braide tem força eleitoral, mas precisa de um partido que lhe dê suporte

Eduardo Braide: à procura de um partido que lhe dê suporte

O deputado federal Eduardo Braide ainda não decidiu se permanecerá no PMN ou se trocará de partido para disputar a Prefeitura de São Luís. Ele foi sondado pelas agremiações que fazem Oposição ao governador Flávio Dino – MDB, PV e PSD -, esteve próximo de fazer um acordo com Josimar de Maranhãozinho para entrar no agora PL, e ainda está sendo sondado pelo PSDB. Dificilmente permanecerá no PMN, mas essa possibilidade existe. De qualquer maneira, tem prazo até   setembro para resolver o seu futuro partidário.

Eduardo Braide não precisa exatamente de um partido forte, cheio de caciques. Ele necessita de um partido que lhe dê suporte – Fundo Partidário e Fundo Eleitoral, por exemplo -, e sobre o qual tenha total controle. No PMN, ele tem o domínio absoluto, mas a agremiação nada lhe assegura em matéria de suporte, já que, por causa da desidratação que sofreu nas eleições de 2018, embora tenha eleito ele e o Pastor Gildenemyr para a Câmara Federal, perdeu o direito aos benefícios que a legislação eleitoral assegura a partidos que conseguem vencer as chamadas cláusulas de barreira. Sem esse suporte, seu poder de fogo eleitoral fica vulnerável. Daí ser fundamental para ele dispor de um partido minimamente estruturado.

Todos os levantamentos formais e informais feitos até agora para medir a posição dos aspirantes à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) indicaram que Eduardo Braide lidera a corrida com muita folga. E com um dado que chama a atenção: nenhuma pesquisa apontou tendência de queda. A muitos pontos de distância, o deputado estadual Duarte Jr. (PCdoB) aparece como o seu adversário mais próximo, que pode crescer se tiver sua candidatura confirmada pelo grupo dinista. Outros projetos de candidatura estão em andamento, mas não parecem ter força para causar uma reviravolta – pelo menos por enquanto. Eduardo Braide, porém, já tem experiência suficiente para saber que daqui a um ano a situação pode ser outra. Daí a necessidade de estar à frete de um partido que lhe dê condições de se movimentar.

 

 

Roberto Rocha avisa que o PSDB vai disputar nos grandes municípios, mas não deu um só nome

Roberto Rocha

O senador Roberto Rocha surpreendeu em entrevista a O Estado do Maranhão. Primeiro reconheceu que, a exemplo do que aconteceu na maior parte do País, do braço do PSDB no estado, que o tem como presidente, foi triturado nas eleições de 2018, mas avisou que o partido vai dar a volta por cima lançando candidatos num grande número de municípios, principalmente nos maiores. Vai a pergunta: quem o PSDB tem para lançar em São Luís, Caxias, Codó, Timon, Bacabal, Pedreiras, Pinheiro, São José de Ribamar, Santa Inês, Chapadinha com chances reais de sair das urnas eleito? Em outro trecho da entrevista, ao ser indagado sobre o seu futuro político, já que seu mandato de senador caminha para o final e se quiser continuar em Brasília terá de disputar a única vaga em 2022, respondeu de maneira ao mesmo tempo simplista e enigmático dizendo que ainda não decidiu porque até lá “muitas águas vão rolar”. Que águas são essas, com o poder de salvar um mandato solitário e sem lastro político nem partidário? Roberto Rocha não soltou qualquer pista capaz de esclarecer o enigma das águas rolantes.

São Luís, 02 de Junho de 2019.

 

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