Milhares de estudantes vão às ruas em defesa da educação e fazem São Luís reviver a condição de Ilha Rebelde

 

Estudantes inundaram a Rio branco e marcharam para a Beiramar num protesto alegre, mas com recado forte

São Luís reviveu ontem à tarde os seus melhores momentos de cidade onde o protesto “está na veia”, como diz o ditado popular, o que lhe valeu o título de “Ilha rebelde”, identificada que sempre foi com o avesso do que o poder aqui e ali tenta lhe impor na marra. Foi impactante ver a Rua Rio Branco tomada por uma multidão de estudantes um protesto alegre, pacífico, mas contundente contra a decisão quase irracional do Governo Bolsonaro de cortar 30% dos recursos das universidades federais e institutos de formação superior, ora alegando falta de caixa, ora argumentando que essas instituições estão “jogando dinheiro fora”, e ora acusando algumas universidades respeitadas de estarem “fazendo bagunça”. Os estudantes maranhenses foram às ruas de São Luís dizer “não” a essa atitude política com viés ideológico, anunciada e sustentada pelo segundo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que está se revelando pior do que o primeiro, Ricardo Vélez, um colombiano de extrema direita que não sabe falar português e que caiu depois de passar meses no cargo sem saber o que fazer.

Os estudantes maranhenses levaram para as ruas seu espírito independente e libertário, e por seu intermédio dizer aos confusos e arrogantes mandatários do País que a Universidade Federal do Maranhão é uma instituição séria, movida pela liberdade de cátedra, pela ciência e pela democracia, o que faz dela um importante bastião onde a educação superior é levada a sério. E que ali todas as áreas têm cursos respeitados nacionalmente pela qualidade, como Medicina, Enfermagem, Engenharia Elétrica, Comunicação Social, Letras e Serviço Social, para citar alguns de referência conhecida. Foram às ruas também para lembrar que o uso da ameaça e mesmo da força não funciona no Campus do Bacanga e seus braços nas mais diferentes regiões do Maranhão.

A comunidade universitária deu um show de mobilização em todo o País, principalmente nos centros onde a academia é forte, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, com manifestações sérias, sem “bagunça”, sem desvio de conduta. E nesse contexto os estudantes maranhenses realizaram um protesto diferenciado, vibrante, inteligente, com cartazes, faixas, palavras de ordem e até interpretação teatral do drama que a Educação vive hoje no Brasil. Criticaram as medidas, cobraram uma revisão dessa política de confrontação, e deixaram um recado muito claro: não querem confronto, querem paz e apoio, mas se isso não for possível, estão prontos para lutar pelos nossos direitos. E a julgar para multidão que se formou na Praça Deodoro, serpenteou pela Rio Branco, pela Gonçalves Dias, pela Maria Aragão e inundou a Beira-Mar, a comunidade universitária de São Luís está pronta manter o clima de protesto.

A manifestação de ontem em São Luís foi plenamente justificada. Afinal, de acordo com as contas feitas pela reitora Nair Portela, se o contingenciamento de 30% for efetivamente cumprido, serão subtraídos nada menos que R$ 33 milhões, e a partir de agosto a UFMA e os Ifmas terão de fechar as portas, pois não haverá recursos para pagar energia elétrica, limpeza, conservação, segurança, só sobrará dinheiro para pagar servidores e alguns serviços essenciais. Será uma tragédia financeira que causará uma tragédia educacional de largo alcance, porque praticamente todos os cursos terão de ser interrompidos, já que suas aulas são presenciais, pesquisas serão suspensas e serviços de atendimento social vão deixar de existir. E por mais que o inacreditável ministro da Educação insista na ideia de apertar o torniquete nas universidades, fica mais claro que essa política é um erro monumental, pelo qual o Brasil pode vir a pagar um preço muito alto. Até porque não há registro de que algum País que tenha feito algo parecido.

E para quem duvida do poder de mobilização dos estudantes universitários do Maranhão, vale lembrar manifestações recentes, como as manifestações de 2013 e de 2014. E todas elas levando o DNA da greve de 1979, quando a “Ilha rebelde” foi transformada numa praça de guerra, porque o então governador João Castelo, insuflado pelos “Weintraubs” que o assessoravam no Palácio dos Leões, mandou a Polícia Militar reprimir as manifestações de rua com cassetete e gás lacrimogêneo. Hoje é quase impossível que se repita uma situação como aquela, porque, apesar dos conservadores e golpistas, o Brasil respira democracia, que é vivenciada integralmente no Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PR é rebatizado de PL, mas no Maranhão, nada muda com a troca de nome

Josimar de maranhãozinho 

Morreu o Partido da República (PR), nº 22. Nasceu o Partido Liberal (PL), nº 22. Na verdade, o PL está renascendo pela terceira vez. Foi criado ainda no Império, depois desapareceu na República Velha, para renascer em 1985, com a instalação da Nova República, pelas mãos do deputado federal Álvaro Valle, do Rio de Janeiro, passando para o controle do deputado federal paulista Waldemar Costa Neto, que o fundiu em 2006 com o Prona do incomparável Enéas, e lhe deu o nome de Partido da República. Agora, o próprio Waldemar Costa Neto o rebatiza como Partido Liberal.

No Maranhão, o novo PL será comandado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que há anos vinha controlando o PR como mão de ferro, só permitindo acesso a quem lhe jurasse fidelidade absoluta. Com o PL nada mudará. Josimar de Maranhãozinho é um político controvertido e audacioso e tem projetos ambiciosos, entre eles o de ser governador do Maranhão, e por isso só abre o partido aos que lhe juram lealdade. Além de Josimar de Maranhãozinho, o PL conta com o deputado federal Júnior Lourenço, aliado incondicional e seguidor fiel do presidente do partido. No plano estadual, o PL conta com uma bancada de quatro parlamentares: os deputados Detinha, mulher de Josimar de Maranhãozinho, e como ele para a Câmara Federal, campeã de votos para a Assembleia Legislativa, Hélio Soares, um político experiente que retornou ao parlamento estadual com o seu apoio, Vinícius Louro, que se reelegeu pelo PR, e agora Leonardo Sá, que se elegeu pelo PRTB, migrou para o PR e se torna agora membro do PL e será seu candidato à Prefeitura de Pinheiro.

Com o partido rebatizado, Josimar de Maranhãozinho sairá agora a campo para realizar duas ambições: encontrar bons nomes para lançar como candidatos às prefeituras de São Luís e Imperatriz, conquistas essenciais para o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões.

 

Curiosidade: em viagem ao Paraná, Yglésio Moisés investiga a fundo o sistema que faz de Curitiba uma cidade-modelo

Dr. Yglésio na audiência com Rafael Greca para falar sobre os avanços de Curitiba

Curiosa a viagem do deputado estadual Yglésio Moisés (PDT) a Curitiba, a moderna e referencial capital do Paraná. Para começar, foi participar do VII Fórum Paranaense de Mobilidade, uma especialidade do Paraná, principalmente de Curitiba, que revolucionou o conceito de transporte de massa urbano nos anos 70, na gestão do revolucionário e inovador prefeito Jaime Lerner (PDT). Yglésio Moisés aproveitou para visitar o atual prefeito, Rafael Greca (PDT), discípulo de Jaime Lerner, arquiteto que foi ministro do Turismo e é considerado um dos maiores craques em urbanismo em todo o País. O mais interessante foi que Moisés e Greca trocaram impressões sobre sistema de saúde, redução do déficit público, previdência municipal, Lei de Responsabilidade Fiscal, concursos públicos, cargos comissionados, e por aí vai. O deputado maranhense saiu da audiência com uma radiografia completa acerca de como funciona a máquina moderna e eficiente que embala e mantém Curitiba como uma cidade-referência em todos os aspectos. E prefeito agradeceu a visita: “Grande alegria receber o deputado Dr. Yglésio, que vem da bela São Luís passar frio em Curitiba. Estou presenteando ele com meu livro, da minha amada cidade, e desejando a ele que esse livro seja penhor de uma trajetória lá no Maranhão e pelo bem que nós desejamos para aquela cidade, tão linda que é Patrimônio da Humanidade”.

E não ficou só nisso. O deputado Yglésio Moisés visitou também a URBS – Urbanização de Curitiba S.A -, empresa responsável pelas ações estratégicas de planejamento, operação e fiscalização, que envolvem o serviço de transporte público, além do gerenciamento e administração de equipamentos urbanos de uso comercial da cidade, instalados em bens públicos. Ali se reuniu com o presidente da URBS, Ogeny Maia, com quem trocou informações sobre as soluções no trânsito de Curitiba, que, mesmo sem a presença de metrôs, consegue fluidez com o investimento em BRTs e construção de corredores exclusivos, mais baratos e, às vezes, até mais eficiente do que um metrô.

Saudável, sem dúvida, mas curioso que um deputado estadual maranhense desembarque em Curitiba para um evento sobre mobilidade urbana e mergulhe nas entranhas da Prefeitura curitibana para informar-se sobre tudo o que diz respeito à engrenagem que a tornou e a mentem como uma cidade-modelo.

Tem-se aí um pré-candidato a prefeito de São Luís?

São Luís, 31 de Maio de 2019.

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