Fracassada a manifestação em São Luís, uma pergunta ganhou força: quem fala em nome de Bolsonaro no Maranhão?

 

Maura Jorge, Alan Garcez, Chico Carvalho, Pará Figueiredo e Ribamar Monteiro: quem de fato fala em nome do presidente Jair Bolsonaro no Maranhão?

Depois do fracasso da manifestação de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e seu Governo em São Luís, uma pergunta, que já estava no ar, passou a ser feita com maior ênfase: afinal, quem lidera, efetivamente, o bolsonarismo no Maranhão? A indagação se dá pelo fato de que até aqui o bolsonarismo como movimento não tem no estado uma voz de referência que possa ser, de fato, levada a sério. Há no cenário figuras que tentam ocupar esse espaço – caso da ex-prefeita de Lago da Pedra e ex-candidata a governadora Maura Jorge, por exemplo -, mas que não encarnam de fato a representação. O partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL, é absolutamente inexpressivo, com chefes sem liderança e parlamentar sem expressão. Nem parlamentares que se declaram apoiadores do Governo Bolsonaro defendem essa posição como uma bandeira. Enfim, o bolsonarismo no Maranhão não existe como partido, como movimento, como grupo ou qualquer coisa parecida além de grupos de direita nas redes sociais.

A personalidade política mais identificada com o bolsonarismo no Maranhão é a ex-prefeita e ex-deputada estadual Maura Jorge. Ela abandonou o projeto presidencial do senador Álvaro Dias (Podemos-PR), atropelou simpatizantes que se preparavam para assumir a “bandeira”, recebeu o candidato do PSL em São Luís e foi por ele ungida como sua voz no estado, lançou-se candidata ao Governo do Estado em nome do ex-capitão – ficou em 4º lugar, à frente do senador Roberto Rocha (PSDB) –, mudou-se para Brasília no período da transição, e depois de semanas de angústia, retornou ao Maranhão sem cargo e sem o comando formal do PFL. Mesmo assim, continua se mostrando como voz do bolsonarismo, mas está claro que seu cacife minguou. Tudo indica que seu futuro é eleger-se de novo prefeita de Lago da Pedra pelo PSL.

O presidente regional do partido, vereador Chico Carvalho vinha fazendo malabarismo para manter-se no posto, mas viu o interesse diminuir com a instabilidade e as incertezas do Governo Bolsonaro. Tem recebido algumas filiações de aspirantes às eleições municipais, mas mesmo assim já chegou à conclusão de que o partido não tem muito futuro nem no Maranhão nem no resto do País. Sem um horizonte político muito largo, Chico Carvalho tem plena consciência de que seu partido não vai muito longe. É a mesma situação do coronel Ribamar Monteiro, que antes da corrida presidencial tentou tomar o partido, mas foi atropelado e perdeu até a condição de porta-voz do bolsonarismo no Maranhão. Esperneou e foi compensado há algumas semanas com um cargo federal sem qualquer expressão, mas se dizendo disposto a apoiar o bolsonarismo pela UDN, se a velha sigla liberal – que mediu forças com o PSD de direita entre a redemocratização de 1945 e o golpe de 1964 – for mesmo ressuscitada por partidários do bolsonarismo que não querem mais conversa com o PSL. O maior problema é que Ribamar Monteiro é um político de expressão zero.

Será o médico Alan Garcez o político com perfil para liderar o bolsonarismo no Maranhão? De todos os bolsonaristas de proa no estado, ele parece ser hoje o mais próximo da turma que cerca o presidente da República. Evidenciado pelo discurso contra o governador Flávio Dino (PCdoB), tendo em seguida incorporado as teses bolsonaristas, o médico Alan Garcez virou estrela da direita maranhense, e através de relações bem articuladas e por um raro senso de oportunidade, chegou equipe transição, de onde saiu com um cargo no terceiro escalão no Ministério da Saúde. Tentou assumir o controle do PSL no estado, mas em vez de comorar briga, preferiu transformar Chico Carvalho em aliado na escolha do candidato do partido a prefeito de São Luís, vaga que, pelo visto, já conquistou com o aval de movimentos de direita. Mas isso tudo não o credencia como “a voz” do Governo Bolsonaro no Maranhão.

Único deputado estadual eleito pelo PSL, Pará Figueiredo saiu das urnas para ser a expressão viva do partido no Maranhão. Jovem e filho do presidente do Tribunal de Justiça, o parlamentar parecia ser o porta-voz da “nova política” pregada pelo presidente da República durante a campanha. No entanto, quatro meses depois de empossado na Assembleia Legislativa, Pará Figueiredo não emitiu sinal de afinidade com o bolsonarismo nem expressou interesse algum em liderar o PSL no estado. E pelo que demonstrou até aqui, vai continuar na mesma pisada.

Fora das hostes do PSL e aliados de primeira hora, há gente grande tentando se assenhorar, se não do partido em si, do bolsonarismo no Maranhão. É o caso, por exemplo, do deputado federal Pastor Gildenemyr, que permanece no PMN, mas se mostra aberto a uma proposta de migração para o partido do presidente. E também do deputado federal Aloísio Mendes (Podemos), que tem se esforçado para mostrar intimidade e poder de fogo no Palácio do Planalto, sem falar, no entanto, como voz do bolsonarismo no estado nem trocar de partido.

Como se vê, o presidente Jair Bolsonaro, o seu Governo e o seu partido não têm e dificilmente terão no Maranhão um líder sério e confiável que fale em seu nome.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Deputados maranhenses do Centrão retornam a Brasília incomodados com ataques em manifestação

Os deputados federais André Fufuca (PP), Cléber Verde (PRB), Juscelino Filho (DEM), Aloísio Mendes (Podemos), Josimar de Maranhãozinho (PR), Júnior Lourenço (PR), Eduardo Braide (PMN), Pastor Gildenemyr (PMN), Marreca Filho (Patriotas) e Pedro Lucas Fernandes (PTB), que são os mais ativos integrantes do Centrão na Câmara Federal, retornaram a Brasília em meio a um clima de mal-estar no blocão por conta das manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e seu Governo. Em todos atos realizado Brasil a fora, a começar pelos ocorridos nas Capitais, o Centrão foi tratado como uma quadrilha de corruptos, que precisa ser combatida e varrida do Congresso Nacional. No ato minguado na Avenida Litorânea, os bolsonaristas ludovicenses não deixaram por menos. Ali, mesmo na presença de Pastor Gildenemyr, que discursou em defesa do Governo, das reformas e das manifestações, atacaram duramente os deputados do Centrão, chamando-os de corruptos. O problema é que o Centrão tem sido decisivo tanto nas vitórias quanto nas derrotas do Governo Bolsonaro na Câmara Federal. E pelo que disseram duas fontes à Coluna, os deputados maranhenses, assim como todos do blocão de centro, sabem que, mesmo negando, o Palácio do Planalto e os filhos do presidente da República têm dedo gordo nas estocadas ao Centrão, ao Congresso Nacional em geral e ao Supremo Tribunal Federal. E a partir da avaliação de que as manifestações foram bem menos expressivas do que o Governo está tentando fazer crer, não será surpresa se o Centrão passar recibo e der o troco já nas próximas votações. Pelo menos parte dos deputados maranhenses que integram o bloco seguiu para Brasília disposta a dizer ao Palácio do Planalto quem é que manda na Câmara Federal. É aguardar.

 

Glalbert Cutrim recebe líderes do MEI na Assembleia Legislativa

Glalbert Cutrim com líderes do movimento estudantil independente em visita à AL

O presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Glalbert Cutrim (PDT), recebeu, ontem (27), membros do Movimento Estudantil Independente (MEI), composto por estudantes de escolas públicas e universitários. Na visita, o grupo apresentou demandas e se inteirou um pouco sobre o funcionamento e como decide a Casa Legislativa. “É muito importante termos jovens envolvidos na política, e eu fico muito feliz em poder recebê-los. Eles estão sempre por dentro do cenário político nacional e local, nos dando mais fundamento e conteúdo para buscarmos melhorias para o Maranhão. Esperamos dialogar com eles com mais frequência”, disse o presidente em exercício. O vice-presidente do MEI, Walace Franklin, avaliou o encontro com o presidente e falou sobre o trabalho da entidade: “Tivemos um diálogo positivo e interessante, onde pudemos apresentar ao deputado Glalbert Cutrim o trabalho que desenvolvemos há 15 anos em São Luís, servindo como base de apoio para estudantes do ensino médio, fundamental e de faculdades das redes estadual e federal de ensino”. Após visita ao presidente interino, os estudantes acompanharam, pela primeira vez, uma sessão plenária da Assembleia Legislativa.

Em resumo, a visita de líderes do MEI à Assembleia Legislativa é mais um forte sinal de que o universo político do Maranhão vive um intenso processo de renovação, o que naturalmente atrai porta-vozes de mudanças que estão em curso na sociedade.

São Luís, 28 de Maio de 2019.

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