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Brandão lidera missão em São Paulo, conversa com Doria e trata sobre vacinas no Butantan

 

João Doria recebe Carlos Brandão como líder do ninho dos tucanos do Maranhão

“A expectativa é muito grande de salvar milhares de vidas”. A declaração foi dada pelo o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) após cumprir ontem uma agenda especial em São Paulo, tanto no plano institucional, como emissário do Governo do Maranhão, quanto no plano político, como recém reconvertido à condição de tucano. Na capital paulista, liderando uma comitiva integrada pelos secretários Carlos Lula (Saúde) e Rubens Jr. (Assuntos Políticos), o vice-governador do Maranhão reuniu-se com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e visitou o Instituto Butantan, onde recebeu informações importantes sobre imunização em reunião com diretor-presidente da autarquia, Dimas Covas. Com João Doria, que o recebeu como o novo líder do PSDB no Maranhão, Carlos Brandão conversou sobre pandemia, procedimentos e vacina, além de uma pitada de política. E com Dimas Covas, o vice-governador tratou de vacina e externou o interesse do governador Flávio Dino na Butanvac, o primeiro imunizante totalmente brasileiro, que será produzido em larga escala pelo instituto paulista.

Institucionalmente, a visita do vice-governador do Maranhão ao governador de São Paulo deve produzir bons resultados. Primeiro por ter sido um reforço e tanto no relacionamento dos Governos do Maranhão e de São Paulo, uma vez que o secretário Carlos Lula teve acesso a informações sobre procedimentos e projetos relacionados com a luta contra o novo coronavírus em São Paulo. Mais ainda com a visita ao Butantan, onde o secretário de Saúde do Maranhão, que preside o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass) dialogou com o diretor-presidente Dimas Covas sobre a produção da Coronavac e da Butanvac, que o Governo do Maranhão tem interesse em comprar, para ampliar o leque de opções. Por sua vez, o secretário de Articulação Política reforçou a posição do governador Flávio Dino na construção ou reconstrução de pontes e na mobilização de todos os recursos humanos e materiais para o combate eficaz ao novo coronavírus.

Politicamente, Carlos Brandão saiu entusiasmado do Palácio dos Bandeirantes após a conversa com o governador João Doria, que o recebeu como líder maior do PSDB no Maranhão, manifestando a intenção de apoiar seus esforços para o crescimento e fortalecimento do partido no estado. Mas foi enfático ao esclarecer que a motivação da viagem a São Paulo não foi política, mas institucional. A missão foi estreitar as relações com o Governo de São Paulo e ampliar ao máximo o leque de informações do Governo sobre a luta contra o coronavírus naquele estado e sobre a produção de imunizantes.

“Não estou tratando disso agora. Minha preocupação é a mesma do governador Flávio Dino, que é a guerra contra a pandemia. Nós só vamos tratar de política depois que essa situação sanitária estiver totalmente controlada e pelo menos metade dos maranhenses estiver vacinada”, declarou o vice-governador. Mas, provocado sobre as duas pesquisas – Exata e Escutec – publicadas recentemente sobre corrida à sucessão do governador Flávio Dino, na qual é nome de destaque como pré-candidato ao Palácio dos Leões, aparecendo com 15%, à frente do senador Roberto Rocha (sem partido), com 12% num cenário sem a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), tendo o senador Weverton Rocha (PDT) em primeiro com 25%, resumiu todas as suas impressões com a seguinte resposta:

– Se for aquilo mesmo, eu estou muito bem.

Mesmo diante do fato de ter sido recebido como um tucano de proa pelo governador João Doria, o que deu um caráter fortemente político à sua visita a São Paulo, o vice-governador Carlos Brandão evitou fazer declarações políticas diretas, do tipo preto-no-branco, argumentando que o momento é inadequado para colocar o projeto político-eleitoral à frente do combate ao novo coronavírus. E sem esconder seu projeto político, usou toda sua experiência para dizer que não é hora de tratar do assunto.

– Ninguém, está interessado nisso agora. Nesse momento, todos nós estamos lutando para vencer o coronavírus.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Maranhãozinho tenta limpar imagem em live, mas suas declarações só aumentam dúvidas

Entre Detinha e Marreca Filho, Josimar de Maranhãozinho se diz perseguido pela PF

Em live que comandou ontem, apoiado pela deputada estadual Detinha (PL), sua mais fiel apoiadora, e pelo deputado federal Marreca Filho (Patriotas), um dos seus três escudeiros, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) tentou dar uma demonstração de que está politicamente de pé. Falou de vários assuntos, mas centrou fogo em dois: sua candidatura ao Governo do Estado e a encrenca em que está metido com a Polícia Federal, que está no seu calcanhar investigando suspeita de desvio de recursos federais da Saúde.

Sobre sua candidatura a governador, disse que ela está de pé e que não se situa no campo político e partidário liderado pelo governador Flávio Dino. Reafirmou que é pré-candidato, mas no meio político duas em três raposas – aí incluídos parlamentares e prefeitos – dizem que ele não vai a lugar algum com a tal candidatura. A aposta dominante entre os especuladores é que ele será mesmo é candidato a deputado estadual, tanto que já lançou a deputada Detinha à Câmara Federal. Isso se não tiver sua candidatura impugnada até lá.

Já no que diz respeito à Polícia Federal, o deputado voltou a afirmar que está sendo vítima de perseguição. Ele tenta vender a seguinte versão sobre os R$ 5 milhões em dinheiro vivo que a PF encontrou no seu escritório em São Luís e garante não tratar-se de dinheiro de corrupção. Não deu nome aos bois nem esclareceu o motivo de a dinheirama estar guardada em sacos de papel no seu escritório.

O fato é que, depois de surpreender com um poder de fogo impressionante, procura agora um caminho para seguir em frente, o que não está nada fácil.

 

Governo e movimentos sociais debatem por regras fundiárias mais justas no Maranhão

Flávio Dino, Chico Gonçalves e Rodrigo Lago: articulação por mais direitos ao homem do campo sobre a terra

O Governo do Maranhão promove no momento um amplo debate com movimentos sociais para definir uma plataforma de direitos para as pessoas que vivem no campo com o estabelecimento de regras e procedimentos para a regularização fundiária. O debate está sendo articulado pelo Interma e envolve diretamente o secretário dos Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, e o secretário de Agricultura Familiar, Rodrigo Lago. Além da regularização fundiária propriamente dita, o debate inclui a definição de regras claras relacionadas com a função social da terra, a preservação de biomas e da natureza de modo geral. Para Rodrigo Lago, a perspectiva é “criar um novo marco legal das terras no Maranhão, que permita a melhora efetiva de direitos para a população do campo e da cidade”. E vai mais longe: “Nossa ideia é avançar em direitos e melhorar o marco regulatório”.

Defensor intransigente de uma política fundiária que assegure o acesso do homem do campo à terra devidamente regularizada, dentro de um conceito avançado de reforma agrária, o governador Flávio Dino tem um cuidado especial sobre o assunto. Que começa com a regra segundo a qual política agrária deve ser debatida com os movimentos sociais. Daí o fato de um debate em curso no Interma ter a participação direta do governador, dos secretários da área e de representante da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão (Fetaema), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),  da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem), Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima), da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (Miqcb).

O debate em curso é, em si, um marco importante do processo de regularização fundiária no Maranhão, e deve resultar num projeto de lei a ser encaminhado à Assembleia Legislativa.

São Luís, 06 de Abril de 2021.

Enquanto sua sucessão está indefinida, Flávio Dino é apontado com largo favoritismo para o Senado

 

Flávio Dino: favoritismo absoluto na disputa para o Senado no pleito de 2022

A movimentação política, que ocorre em meio aos estragos feitos pelo novo coronavírus, vai aos poucos desenhando o perfil dos que poderão, de fato, disputar a sucessão presidencial, ao mesmo tempo que nos estados a corrida aos Governos vai ganhando forma, assim como as bases da disputa pela vaga que cada um deverá preencher no Senado. No Maranhão, com aprovação que alcança o patamar dos 63%, o governador Flávio Dino (PCdoB) vive uma situação ao mesmo tempo privilegiada e complexa. O privilégio vem do fato de ser ele, de longe, o maior líder político da atualidade no estado, e a complexidade porque pesa sobre os seus ombros a responsabilidade de comandar o processo da corrida à sua sucessão dentro da aliança que lidera, e ainda definir, de uma vez por todas, o seu próprio futuro, dividido que ainda está entre participar da corrida presidencial como candidato a presidente ou a vice, e concorrer à vaga do Maranhão no Senado.

Mesmo ainda sinalizando que poderá, agora muito remotamente, participar da corrida para o Palácio do Planalto ou para o Palácio do Jaburu, o governador do Maranhão admite com mais ênfase concorrer à cadeira de senador. Assim, participará da disputa nacional fortalecendo a candidatura presidencial que vier a apoiar dentro do estado, dedicando também suas forças à tarefa de articular a corrida ao Palácio dos Leões em favor de um aliado, e correr o Maranhão pedindo o aval dos maranhenses para representá-los no Senado da República. Em todas as rodas de conversa, esse é o projeto que mais entusiasma as bases que o apoiam e que temem desacertos, se ele tiver de se ausentar do estado para correr o País nas asas de um projeto federal.

Na semana que passou, duas pesquisas (Exata e Escutec) vieram à tona como fortes trombetas de alerta, informando que sem o seu comando direto, a aliança que construiu pode rachar numa disputa autofágica pelo Governo entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e com a sombra da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) sobre eles, reforçada pela presença do senador Roberto Rocha (sem partido), em plano inferior, mas com capacidade indiscutível de causar estragos perigosos para o grupo. Ou seja, para assegurar que o seu grupo continue no poder, o governador Flávio Dino terá de comandar o processo de perto, ele próprio, sem fazer delegações. Poderá fazê-lo como candidato a senador, o que não será possível como candidato a presidente ou a vice.

Mesmo levando em conta as surpresas que a política prega aqui e ali, é nítida a possibilidade de o governador se eleger senador em 2022. As pesquisas trouxeram todas as indicações nesse sentido. Flávio Dino como governador é aprovado por 63% da população, segundo a pesquisa Exata, e tem 45% de intenções de voto para o Senado contra 18% de Roseana Sarney e 16% de Roberto Rocha num cenário; e 52% contra 22% de Roberto Rocha num cenário sem Roseana Sarney. A pesquisa Escutec encontrou praticamente o mesmo cenário: 51% de intenções de voto contra 21% do senador Roberto Rocha.

Os números encontrados pelos dois levantamentos não deixam dúvidas de que, pelo menos até aqui, e muito provavelmente até 2022, o governador Flávio Dino não encontrará maiores dificuldades para se eleger senador. A começar pelo fato de que os nomes com maior potencial de enfrentamento, a ex-governadora Roseana Sarney e o senador Roberto Rocha, dificilmente entrarão nessa disputa movidos pela quase certeza de que serão derrotados. Isso porque no Maranhão de agora não há quadros políticos com estatura e potencial eleitoral para se dar bem numa disputa desse quilate contra Flávio Dino.

Políticos experientes e pragmáticos costumam dizer que não há candidato imbatível, mas há candidato muito difícil, muito difícil mesmo, de ser batido. O governador Flávio Dino, que só comemora quando as urnas falam, encontra-se nesse patamar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Troca de comando no PSDB deixa Wellington do Curso em situação crítica

Wellington: dilema entre sair do ninho ou aderir ao Governo Flávio Dino

O deputado Wellington do Curso passa o feriadão da Semana Santa mergulhado em reflexões para resolver um dilema: permanecerá filiado ao PSDB sob o comando do vice-governador Carlos Brandão? Depois de ter sido triturado dentro do partido pelo senador Roberto Rocha, que não permitiu que ele disputasse a Prefeitura de São Luís pela legenda, Wellington do Curso agora se encontra numa espécie de sinuca de bico. É que sob o comando de Carlos Brandão, o PSDB passa automaticamente para a base de apoio do governador Flávio Dino, o que deixa Wellington do Curso numa situação extremamente desconfortável, já que ele é, na Assembleia Legislativa, um dos mais agressivos opositores do Governo do PCdoB. Wellington do Curso só tem duas alternativas: permanecer no ninho dos tucanos e aderir ao Governo ou arrumar a mala e deixar o partido. Não há terceira via.

 

Dentista prático Zeca Medeiros ocupará a vaga do jornalista Batista Matos na Câmara de São Luís

Zeca Medeiros

Um piauiense nascido em Miguel Alves, José Campos Medeiros, politicamente apelidado de Zeca Medeiros, vai ocupar a vaga aberta com a morte prematura, do vereador Batista Matos (Patriotas), vítima do novo coronavírus. Dentista prático por profissão, ganhou a vaga na condição de primeiro suplente do Patriotas, posição que conseguiu recebendo 1.749 votos. Aos 56 anos e veterano de tentativas eleitorais malsucedidas, Zeca Medeiros vai se instalar no Palácio Pedro Neiva de Santana com o desafio de substituir um militante político fortemente caracterizado pela competência e pela visão correta da política, fruto da sua formação como jornalista e do seu envolvimento com a luta comunitária por uma vida mais digna.

São Luís, 04 de Abril de 2021.

Eliziane Gama declara apoio a Weverton Rocha e injeta gás na corrida ao Palácio dos Leões

 

Eliziane Gama declara apoio a Weverton Rocha e diz que seu apoio e do Cidadania a Flávio Dino é incondicional

A declaração de apoio da senadora Eliziane Gama (Cidadania) ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado injetou expressivo volume de gás na corrida à sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB). Em entrevista, ontem, à TV Mirante, a senadora foi clara e direta no seu posicionamento: “Nós entendemos que dentro do grupo que é coordenado pelo nosso líder, que é o governador Flávio Dino, o nome do Weverton encontrou mais condições, envolvendo mais lideranças políticas, trazendo propostas importantes”. Com a declaração, a senadora descartou, ao que parece de maneira definitiva, a possibilidade de ela própria vir a ser candidata, como vinha sendo frequentemente especulado, ou de apoiar o projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Na mesma entrevista, Eliziane Gama declarou que ela e seu partido apoiarão o governador Flávio Dino “como candidato para o que ele desejar. Se for presidente da República, vice-presidente, Senado, ele como líder terá o nosso apoio incondicional”.

Surpreendente pela ênfase com que foi declarado, o posicionamento de Eliziane Gama chega nove meses antes do prazo estipulado pelo governador Flávio Dino para definir o candidato da aliança que lidera à sua sucessão. O governador e seus principais porta-vozes têm defendido a articulação de uma candidatura de consenso dentro da base partidária governista, o que significa promover um complicado e improvável entendimento entre Weverton Rocha e Carlos Brandão, que vêm emitindo todos os sinais de que não estão dispostos a abrir mão dos seus projetos. A declaração da senadora, feita com tamanha antecipação em relação ao prazo estimado pelo governador, parece expressar exatamente a impossibilidade de acordo entre os dois candidatos a candidato.

A manifestação de Eliziane Gama pró-Weverton Rocha é o resultado de uma longa maturação, tempo em que ela, com sua refinada argúcia política e um faro apurado para identificar caminhos pré-eleitorais, analisou todos os cenários possíveis na seara dinista e chegou à conclusão de que o seu colega de Senado atende melhor às suas expectativas. E começou a ser delineado com a participação dela, na semana passada, em encontro em que Weverton Rocha reuniu aliados em Brasília, entre eles o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB). Na reunião, oficialmente realizada para o grupo tomar posição contra o novo coronavírus, o que foi feito, os presentes também discutiram os movimentos no tabuleiro da sucessão no Maranhão, tendo todos se manifestado pela candidatura de Weverton Rocha. Eliziane Gama entrou na reunião com o nome na relação dos pré-candidatos, mas dela saiu como apoiadora linha de frente do projeto de poder do líder do PDT.

Além de ser um reforço e tanto a Weverton Rocha, a declaração da senadora Eliziane Gama à TV Mirante funcionou como um recado direto ao vice-governador Carlos Brandão, que a partir de agora fará suas contas sem contar com apoio senatorial, o que o obrigará a buscar mais força na Câmara Federal, na Assembleia Legislativa, nas prefeituras e nas Câmaras Municipais. O senador Weverton Rocha, por sua vez, começou a Semana Santa aumentando a musculatura, já que sua colega de Senado, mesmo sem um partido forte, é um quadro de excelência política, tem uma base fiel e fala com a autoridade de detentora de mandato majoritário com bom desempenho político e legislativo. Além disso, representa, em tese, os mais de 1,5 milhão de votos recebidos no pleito de 2018.

Ao declarar apoio a Weverton Rocha, Eliziane Gama também comunica sua decisão ao Palácio dos Leões, já que é improvável que tenha conversado sobre o tema com o governador Flávio Dino que, por sua vez, prega a construção de uma candidatura consensual dentro da aliança. Ao mesmo tempo, a senadora dá ao vice-governador Carlos Brandão tempo suficiente para se movimentar no sentido de compensar a perda. Mas, independentemente do que vem por aí na esteira do seu posicionamento, Eliziane Gama jogou aberto e isso aumenta sua estatura e reforça a sua credibilidade política.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Novo comandante do Exército esteve no Maranhão já fez doação de fuzis ao Estado

Flávio Dino e Paulo Sérgio Nogueira entre Jefferson Portela, Othelino Neto e coronel Guedes no registro da audiência em que foram entregues fuzis no Palácio dos Leões

O novo comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, não é um estranhou ao governador Flávio Dino nem ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino neto. Em Julho de 2019, mais precisamente no dia 18, quando ainda comandante militar do Norte, ele desembarcou em São Luís para cumpro uma missão no Palácio dos Leões: entregar 100 fuzis para uso da Polícia Militar – 50 doados pelo Exército e 50 adquiridos com recurso do Governo do Maranhão. A entrega foi feita em audiência na sede do Governo, num ato descontraído, apesar de o tema central da visita ter sido a entrega de armas para reforçar a segurança pública.

Sempre afável, o então comandante militar do Norte pareceu muito à vontade na conversa que travou com o governador e o presidente da Assembleia Legislativa, ambos militantes comunistas e membros destacados do PCdoB. Formalismos à parte, a audiência transcorreu em clima amistoso, sem qualquer sinal de incômodo de alguma das partes e dos presentes, entre eles o secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, filiado ao PCdoB, e o deputado Duarte Jr., então também membro do PCdoB e vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa.

O governador Flávio Dino agradeceu a doação, destacando que juntamente com a compra, a segurança pública do Maranhão estava sendo reforçada, deixando a sociedade maranhense mais segura.  Por sua vez, o general de Exército Paulo Sérgio Nogueira destacou a importância da doação, reforçando a disponibilidade do Exército Brasileiro em manter a parceria com o Governo do maranhão, não só com a doação de armamentos, mas em várias outras áreas, como inteligência, operacional e logística. “O Exército está sempre pronto a esse tipo de parceria. E essa doação, inicialmente de 50 fuzis, que poderão, inclusive, acontecer outras doações. A gente fica muito satisfeito em poder apoiar o Governo do Estado do Maranhão na defesa da nossa sociedade e o reforço à Secretaria de Segurança Pública no combate ao crime organizado”, assinalou.

O governador Flávio Dino tem os argumentos que precisa para levar à frente a parceria, agora com o apoio do ministro do Exército.

 

Maranhão pede à Anvisa que autorize a importação, pelos estados, da vacina russa Sputnik V

Carlos Lula e a vacina Sputnik V, que deve ser comprada se Anvisa  der autorização

O Maranhão é um dos nove estados que se uniram para comprar a vacina russa Sputnik V, o que, se for concretizado, terá importância decisiva no processo de imunização das populações das regiões Norte e Nordeste. Juntamente com os da Bahia, Acre, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Piauí, Ceará, Pernambuco e Sergipe, o Governo do Maranhão protocolou na Anvisa um pedido de exportação, com base no fato de que a agência deu sinal verde para a importação do imunizante russo.

O pedido do assinado pelo governador Flávio Dino e formulado pelo secretário de Saúde, Carlos Lula, seus oito respectivos colegas, está sob análise da Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa (RDC) e será definido em reunião já marcada para a próxima semana entre os cinco diretores da Anvisa e os governadores dos nove estados. Desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, de Moscou, a vacina russa será produzida no Brasil pela União Química. Atualmente, a Anvisa já analisa o pedido de autorização de uso emergencial do imunizante.

São Luís, 03 de Abril de 2021.

Primeiras pesquisas indicam rumos que a corrida ao Palácio dos Leões pode tomar

Roseana Sarney, Weverton Rocha. Carlos Brandão e Roberto Rocha são os mais citados, mas as duas pesquisas comportam diferentes leituras e interpretações

As duas primeiras pesquisas (Exata, contratada pelo programa “Ponto & Vírgula”, da Rádio Difusora, onde o PDT dá as cartas, e Escutec, contratada por O Estado do Maranhão, pertencente aos Sarney), feitas para medir o início da corrida ao Palácio dos Leões nas eleições do ano que vem, desenharam praticamente o mesmo cenário: a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) arrancando na frente, seguida do senador Weverton Rocha (PDT), do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e do senador Roberto Rocha, desenhando um contexto também mesclado por nomes como o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), entre outros. Os percentuais de preferência, todos abaixo dos 30%, assim como os expressivos números de indecisos e de rejeição a todos, mostraram que o campo está aberto, permitindo previsões e ilações de todos os vieses, até mesmo a possibilidade, muito pouco provável, do surgimento de um outsider no tabuleiro nos meses que restam para a definição formal de candidaturas. Liderança sólida mesmo só a posição do governador Flávio Dino (PCdoB), que não tem adversário na disputa para o Senado, uma situação previsível e que reúne todas as condições para se confirmar na campanha e nas urnas.

Na pesquisa Exata – que curiosamente não incluiu o senador Roberto Rocha (sem partido) como opção para o Governo do Estado -, Roseana Sarney aparece com 30% das intenções de voto, seguida por Weverton Rocha, que aparece com 20%, seguido de Edivaldo Holanda Jr. (10%), Josimar de Maranhãozinho (7%), Carlos Brandão (6%) e Lahesio Bonfim (5%), com 9% rejeitando todos os nomes e 13% de indecisos. Em cenário sem Roseana Sarney, Edivaldo Holanda Jr. e Lahesio Bonfim, a pesquisa Exata mostra Weverton Rocha com 32%, seguido de Carlos Brandão (16%), Josimar de Maranhãozinho (13%), mas com 20% dizendo não querer nenhum deles e 19% declarando-se indecisos. Ou seja, mesmo indicando a boa posição do senador Weverton Rocha, os cenários trouxeram um recado claro: os que querem mesmo chegar ao Palácio dos Leões terão que trabalhar até as eleições.

A pesquisa Escutec foi mais longe na investigação das preferências. Primeiro estimulando o eleitor a escolher entre nada menos que 12 nomes, e o resultado foi o seguinte: Roseana Sarney (23%), Weverton Rocha (14%), Edivaldo Holanda Jr. (13%), Carlos Brandão (9%), Roberto Rocha (8%), Eliziane Gama (3%), Wellington do Curso (3%), Simplício Araújo (2%), Márcio Jerry, Lahesio Bonfim, Josimar de Maranhãozinho e Felipe Camarão com 1% cada. E depois excluindo oito nomes e focando em quatro, com os seguintes resultados: Roseana Sarney (29%), Weverton Rocha (20%), Carlos Brandão (12%) e Roberto Rocha (11%), com 18% de “nenhum” e 10% de indecisos. Em outro cenário, com apenas três nomes, sem Roseana Sarney, encontrou o seguinte: Weverton Rocha (25%), Carlos Brandão (15%) e Roberto Rocha (13%), revelando 30% de “nenhum” e 17% de indecisos.

As pesquisas mostram que, mesmo distanciada da política e de ter manifestado intenção de se candidatar à Câmara Federal, Roseana Sarney alimenta ainda um bom cacife, mas sem a indicação de que tenha potencial para crescer, o que sugere que dificilmente irá além dos 30% em qualquer situação. Já o senador Weverton Rocha, que vem embalado por um poderoso suporte de mídia, aparece com potencial de crescimento, o mesmo acontecendo com seu principal adversário, Carlos Brandão, que não dispõe de estrutura midiática. A vantagem que o senador tem sobre o vice-governador nos vários cenários não significa muita coisa nessa fase de “aquecimento” para a corrida propriamente dita. Ignorado pela pesquisa Exata, o senador Roberto Rocha, por sua vez, dá sinais de vida na pesquisa Escutec, aparecendo com 8%, 11% e 13%, dependendo do leque de adversários, cacifes nada desprezíveis

Ciente de que os tempos são outros e que, na ciranda da política, distância prolongada do poder desfaz prestígio, Roseana Sarney certamente saboreou a liderança nas duas pesquisas, mas, especialista que é no assunto, já deve ter feito e refeito as contas e certamente concluído que numa campanha para valer dificilmente irá além dos 30 pontos percentuais. Traduzindo: a liderança não a estimulou a pensar realmente em candidatar-se ao Governo.

O senador Weverton Rocha certamente se animou com as duas pesquisas, mas não tanto quanto gostaria. Menos pela posição de Roseana Sarney, mais pelos números de Carlos Brandão, sobre quem aparece com vantagem razoável, mas não segura a ponto de achar-se numa liderança consolidada. E o sinal de alerta, tanto para o senador quanto para o vice-governador, está nos percentuais dos que não querem nenhum dos nomes mostrados na pesquisa e de indecisos, que num cenário da pesquisa Escutec com Roseana Sarney somam 28%, e noutro, sem ela, a soma dispara para 47%. E a velha lógica da política ensina que quem tiver competência para convencer essa turma vencerá a eleição.

Em Tempo: A pesquisa Exata ouviu 1.403 pessoas, entre 11 e 14 de março, com margem de erro de 3,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa Escutec ouviu 1.400 eleitores entre os dias 20 e 23 de março, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 90%.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino elogia correção de Brandão em ato de lançamento de obras em Caxias

Entre Carlos Brandão e Fábio Gentil à esquerda e Cleide Coutinho e Adelmo Soares à direita, Flávio Dino une contrários e prestigia Caxias

Numa audiência em que anunciou um pacote de obras para Caxias, o governador Flávio Dino reafirmou confiança plena no vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Ele se manifestou na presença do prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos que pode migrar para o PSDB), dos deputados estaduais Cleide Coutinho (PDT) e Adelmo Soares (PCdoB) e do secretário estadual de Turismo, Catulé Jr.. No ato, Flávio Dino informou que seu Governo ampliará o prédio de Ciências da Saúde da UEMA, implantará um Restaurante Popular, um parque ambiental e construirá uma Praça da Família, investimentos que ultrapassam R$ 15 milhões.

Na sua fala, o governador Flávio Dino dirigiu-se diretamente ao vice-governador Carlos Brandão, lembrando que, ao entrar na política, 15 anos atrás, recebeu em Caxias o apoio dos líderes Humberto Coutinho e Cleide Coutinho. Os dois apoiavam Carlos Brandão, que abriu mão daquele apoio para que o então ex-juiz Flávio Dino pudesse viabilizar sua candidatura tendo Caxias como base forte.

– Quem ia ter o apoio do grupo liderado pelo Humberto era o Brandão, e ele num gesto de cortesia, de amizade e de fraternidade. Na época, se dirigiu ao então governador Zé Reinaldo e disse que concordava que houvesse essa inserção minha na política eleitoral, a partir da cidade de Caxias. Brandão tem sido correto comigo nesses anos todos, desde esse momento inaugural, em 2006, e agora no exercício do Governo – assinalou Flávio Dino.

O governador também voltou a afirmar que deixa o Governo em abril do próximo ano certo de que Carlos Brandão, que assumirá o comando do Poder Executivo, continuará as obras por ele deixadas.

Uns viram na manifestação do governador quase que uma declaração de apoio ao projeto sucessório do vice-governador, enquanto que outros entenderam a fala como um recado aos adversários de Carlos Brandão.

 

Edivaldo Jr. pode ter voo travado se continuar dependendo das decisões da cúpula do PDT

Edivaldo Holanda Jr.: com bom cacife, mas sem futuro claro no PDT

Curiosa e complicada, sob todos os aspectos e vieses, a situação do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., dentro do PDT, cidadela partidária de domínio absoluto e indiscutível do senador Weverton Rocha. O ponto central da complicação está no fato de que, a menos que o senador arquive o seu projeto de suceder o governador Flávio Dino (PCdoB), o ex-prefeito não terá a mínima chance de vir a ser o candidato pedetista ao Palácio dos Leões pelo partido. E a explicação é óbvia, pois em qualquer situação em que Weverton Rocha colocar sua candidatura o partido o apoiará, ainda que com algumas dissenções irrelevantes.

Ao ex-prefeito de São Luís restarão poucas e remotas alternativas como membro do PDT, levando-se em conta a candidatura de Weverton Rocha ao Governo fora de uma aliança com o (PCdoB). A primeira seria candidatar-se a senador, mas aí teria de enfrentar Flávio Dino, o que seria caminhar para o abismo. A segunda, entrar como candidato a vice de Carlos Brandão (PSDB) numa chapa da aliança dinista, o que em princípio é uma ficção. Fora disso, resta-lhe o plano proporcional, com chances reais de eleger-se deputado federal.

Por outro lado, Edivaldo Holanda Jr. só poderá alçar voo próprio e ser candidato a qualquer mandato majoritário ou proporcional se deixar o PDT e assumir o controle de um partido, como o quase inexistente PTC, no qual se elegeu prefeito em 2012. Não é sem razão que o controle dessa legenda no Maranhão continue com seu pai, o deputado estadual Edivaldo Holanda, sugerindo uma espécie de “reserva técnica” para situações excepcionais.

Nos bastidores, são frequentes as conversas dando conta de que o ex-prefeito de São Luís analisa com cuidado a possibilidade de mudar de partido. Nada há de concreto nessa direção, mas poucos políticos experientes acreditam que, com o cacife que acumulou, Edivaldo Holanda Jr. fique de braços cruzados esperando, conformado, que o chefe maior do PDT decida seu destino.

São Luís, 30 de Março de 2021.

Bem na primeira pesquisa, Roseana se anima a voltar à cena política, mas sem definir candidatura

 

Roseana Sarney: bem na primeira pesquisa sobre 22, mas cautelosa por experiência

Os 30% de intenções de voto que recebeu na pesquisa Exata, a primeira sobre a corrida ao Palácio dos Leões e que a fizeram aparecer como líder destacada entre os demais candidatáveis, a começar pelo senador Weverton Rocha (PDT), que apareceu com 20%, e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), preferido por 6% dos entrevistados, deram o impulso que faltava para a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) se animar de vez com o projeto de cancelamento da sua aposentadoria política. Dias antes da pesquisa, a líder do que restou do Grupo Sarney anunciara a intenção de assumir o comando do seu partido no Maranhão, e depois da divulgação das intenções de voto reveladas pela pesquisa Exata, ela deixou transparecer a empolgação ensaiando uma cobrança ao governador Flávio Dino (PCdoB) em favor de empresários. Isso depois de haver aparentemente descartado disputar a única vaga para o Senado nesse pleito e concordado com o projeto de se candidatar à Câmara Federal, para usar o seu prestígio eleitoral ajudando o MDB a eleger uma minibancada de deputados federais.

Roseana Sarney é, sem a menor sombra de dúvida, o político maranhense que mais conhece as nuanças de uma pesquisa. Desde que entrou na política para disputar votos, nas eleições de 1990, a herdeira de José Sarney se tornou uma “escrava” dos levantamentos, dependendo deles para definir todos os seus movimentos. Foi fundo nas entrelinhas dos levantamentos, aperfeiçoando sua condição de exímia leitora de percentuais, primeiro com o marqueteiro baiano Duda Mendonça, e depois com sociólogo pernambucano Antônio Lavareda, de quem se tornou discípula fiel e aplicada durante anos. Nem a imprevista e amarga derrota nas urnas para Jackson Lago (PDT) em 2006 desfez seu encanto com os números. Entrou na disputa de 2010 estimulada pelas pesquisas.

Em 2018, Roseana Sarney se candidatou meio a contragosto, sabendo que não teria chance de derrotar Flávio Dino. Sua participação naquele pleito teria sido uma espécie de exigência da cúpula sarneysista para turbinar as candidaturas do deputado federal Sarney Filho (PV) e a do senador Edson Lobão às vagas no Senado. Deu no que deu.

Com a sua larga e sólida experiência na superfície e nas entranhas da política maranhense, Roseana Sarney tem noção clara de que pouca coisa mudou de 2018 para cá. Sabe que disputando com o vice-governador Carlos Brandão – que deverá concorrer como governador, o que o torna um candidato politicamente poderoso -, com o senador Weverton Rocha – que no ano que vem estará no auge do seu mandato senatorial, portanto politicamente muito forte – e ainda com o senador Roberto Rocha – que irá para o “tudo ou nada” empunhando a bandeira bolsonarista – enfrentará uma barra pesada, já que só contará mesmo com o seu cacife político e prestígio pessoal. Esse cenário pode até induzi-la a entrar no jogo, mas sem o peso de outros tempos.

Conhecedora de todas as artes e de todas as manhas desse jogo, Roseana Sarney sabe que os 30% de agora dificilmente serão mantidos à medida que as candidaturas ganharem forma, conteúdo e musculatura. E se o embate rascunhado agora entre Weverton Rocha e Carlos Brandão for confirmado, ganhará certamente a dimensão de uma guerra altamente explosiva, a julgar pela determinação de ambos. Isso poderá beneficiá-la ou funcionar como um sinal vermelho à sua candidatura. Qualquer avaliação honesta e isenta certamente concluirá que a liderança de agora dificilmente se manterá, como indica a sua elevada rejeição, segundo a mesma pesquisa.

Mesmo com as indicações pouco favoráveis do cenário, convém aos candidatáveis a não subestimarem a ex-governadora. A recomendação se baseia em um só dado: Weverton Rocha e Carlos Brandão foram incluídos na pesquisa como aspirantes assumidos, enquanto Roseana Sarney foi colocada como uma possibilidade remota. Isso lhe dá uma vantagem nada desprezível.

Em Tempo: A pesquisa Exata ouviu 1.403 pessoas, no período de 11 a 14 de março. A margem de erro é de 3%, para mais ou para menos, e o nível de confiabilidade é de 95%.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Republicanos pode perder Fábio Gentil ao se aliar ao PDT

Fábio Gentil

A migração do vice-governador Carlos Brandão para o PSDB e a simultânea incorporação do Republicanos ao projeto de poder do senador Weverton Rocha (PDT) colocaram o prefeito de Caxias, Fábio Gentil, numa situação delicada. Hoje, sem dúvida, uma das maiores lideranças do partido, dado o seu prestígio político e o seu peso eleitoral. Fábio Gentil não ficou numa posição confortável com a guinada dada pela agremiação comandada pelo deputado federal Cléber Verde.

A explicação é simples: ao se aliar ao PDT, o Republicanos automaticamente se alia ao que restou do Grupo Coutinho em Caxias, cuja líder, a deputada Cleide Coutinho, permanece filiada à agremiação pedetista. Cléber Verde dificilmente convencerá Fábio Gentil a permanecer num partido que se alia aos seus principais adversários na cidade que comanda. Seria politicamente desastroso. E o prefeito da Princesa do Sertão, com a tradição e o peso político que têm, não parece dispostos a entregar nem os anéis nem os dedos.

Se o prefeito Fábio Gentil deixar o partido, o Republicanos perderá muito da sua musculatura. Isso porque, além do prefeito de Caxias, o partido de Cléber Verde perderá o deputado Duarte Jr., que tem hoje densidade eleitoral em São Luís, e o Comandante Schnneyder, que não aceita a aliança do partido com o PSB em Timon.

 

DESTAQUE

Assembleia Legislativa lança campanha forte alertando população contra a pandemia

Assembleia Legislativa: sem movimento, mas atuante na luta contra a pandemia

De longe a instituição maranhense mais engajada na luta com o novo coronavírus, a Assembleia Legislativa lançou nova campanha com o objetivo de alertar a população para a necessidade de manter todos os cuidados e medidas preventivas contra a propagação da pandemia no Maranhão. Por orientação do presidente Othelino Neto (PCdoB), preocupado diante do recrudescimento da virose, a Diretoria de Comunicação elaborou uma campanha mostrando depoimento de pessoas impactadas pela perda de familiares para a Covid-19.

A nova campanha, que como as anteriores tem também objetivo de estimular as pessoas a se engajarem na luta fazendo a parte que lhe cabe se prevenindo – usando máscaras, lavando as mãos, evitando aglomerações, entre outros cuidados – é lançada no momento em que o Brasil amarga 300 mil mortes, desde o início da pandemia, há um ano, das quais, mais de cinco mil no Maranhão.

O presidente Othelino Neto (PC do B) aprovou a campanha providenciada pela Diretoria de Comunicação manifestou-se em suas redes sociais, nesta quinta-feira (25) comentando seu conteúdo. No seu comentário, o chefe do Poder Legislativo destacou a importância da campanha como um alerta à população neste momento. “Vamos continuar usando máscara, fazendo a higiene das mãos, mantendo o distanciamento social e, se puder, fique em casa”, recomendou o presidente.

São Luís, 26 de Março de 2021.

Grupo de Weverton se reúne em Brasília e se posiciona contra erros de Bolsonaro e em defesa da vacina

 

Entre Eliziane Gama e Othelino Neto, Weverton Rocha liderou ato de parte da bancada federal e deputados estaduais por medidas eficientes contra a pandemia

Um grupo de parlamentares, prefeitos e presidentes de partidos no Maranhão se reuniu ontem em Brasília para marcar sua posição a favor de uma política que acelere, urgentemente, o processo de vacinação no País e, por via de desdobramento, no estado. Articulado pelo senador Weverton Rocha (PDT, do qual é presidente), e realizado em seu gabinete, o ato reuniu a senadora Eliziane Gama (Cidadania), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), os deputados federais Cléber Verde (presidente do Republicanos), Juscelino Filho (presidente do DEM), Gil Cutrim (Republicanos) e Pedro Lucas Fernandes (ainda no PTB), os deputados estaduais Glaubert Cutrim (PDT e 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa) e Márcio Honaiser (PDT), atual Secretário de Desenvolvimento Social, o presidente da Famem Erlânio Xavier (PDT), o ex-prefeito de Timon e atual presidente do PSB no Maranhão Luciano Leitoa, e o presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Osmar Filho (PDT). Todos manifestaram posição crítica em relação ao desastre que tem sido a posição do Governo Federal, a começar pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), diante da tragédia que vem sendo causada pelo novo coronavírus no Brasil. E encerraram a reunião exibindo cartazes com a palavra-de-ordem “Vacina para todos Já!”

Politicamente, os participantes da reunião integram o ensaio de frente partidária formada em torno do projeto de poder do senador Weverton Rocha. Tudo bem. Mas, por mais que o grupo seja movido por esse viés, não há como não avaliar como politicamente correta e saudável uma iniciativa de debater essa crise na perspectiva maranhense. Afinal, quase todos os presentes estão no exercício de mandatos, portanto credenciados para se posicionar face ao que está acontecendo no País e no estado. Só para ter uma medida da legitimidade política do grupo, os senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama são respaldados por mais de três milhões de votos, o presidente Othelino Neto exprime informalmente o pensamento de parte dos deputados estaduais, enquanto o presidente da Famem fala, em tese, em nome dos prefeitos maranhenses.

Articulada em algumas iniciativas, a bancada federal do Maranhão está dividida nessa questão, o que é natural na realidade da política. Mas, numa situação como essa, em que o Brasil já contabiliza 300 mil mortos, entre eles mais de cinco mil maranhenses, seria razoável que os integrantes da bancada se desarmassem partidária e ideologicamente e formassem uma frente em defesa de alguns pontos essenciais, como mais vacinas, aporte financeiro para os estados bancarem as enormes despesas hospitalares, campanha por uso de máscaras e distanciamento social possível – incluindo lockdown, se necessário. Algo parecido com a reunião realizada ontem no gabinete do senador Weverton Rocha, da qual participaram a senadora Eliziane Gama e apenas quatro deputados federais.

No campo intermediário da bancada atuam o senador Roberto Rocha (sem partido), aliado incondicional do presidente Jair Bolsonaro, e os deputados federais Pastor Gildenemyr (PL), Aluísio Mendes (líder do PSC), Edilázio Júnior (PSD), Hildo Rocha (MDB) e Josivaldo JP (Podemos), seguindo alinhados ao Palácio do Planalto, apesar das evidências de que, por negligência e incompetência, o Governo Federal tem sido um fracasso retumbante no enfrentamento da pandemia. Mesmo assim, esses parlamentares se mantêm posicionados na esfera governista, na contramão da maioria dos maranhenses, que segundo pesquisa, reprova a gestão do presidente da República.

Outros nove deputados federais, que representam a metade da bancada maranhense – André Fufuca (PP, do qual é presidente estadual), João Marcelo (MDB), Josimar de Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL), Marreca Filho (Patriotas), Gastão Vieira (PROS), Elizabeth Gonçalo (Avante), Bira do Pindaré (PSB), Zé Carlos (PT) -, atuam isolados, seguindo orientações partidárias ou defendendo conceitos próprios, mas sem um foco regional. Uns mais e outros menos, esses parlamentares passam a impressão de que estão distantes da guerra titânica travada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) contra a pandemia no Maranhão.

Nesse inacreditável cenário de divisão da bancada, o senador Weverton Rocha, com o apoio da senadora Eliziane Gama, vem dando seguidas demonstrações de que se encontra, de fato, na linha de frente da guerra contra os desmandos do Governo central e pela busca de soluções para o enfrentamento mais eficiente da pandemia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Conass reelegeu Carlos Lula por ele vem mostrando que é um gestor de excelência

Carlos Lula: em alta como gestor e como presidente reeleito do Conass

O Secretário de Estado da Saúde do Maranhão, Carlos Lula, foi reeleito, por unanimidade, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), à frente do qual permanecerá até 2022. A decisão dos 27 integrantes do Conass se deu no dia em que o Brasil amargou a marca de 300 mil mortos pelo novo coronavírus, que assumiu o novo ministro da Saúde, com a desafiadora missão de definir as linhas de uma política nacional de saúde, com foco na guerra à pandemia.

A reeleição de Carlos Lula foi o reconhecimento dos seus colegas secretários de Saúde pelo trabalho de articulação que ele tem desenvolvido à frente do Conselho e pelos resultados alcançados por sua gestão no combate à pandemia no Maranhão. Ele tem sido incansável e eficiente nas duas frentes, apesar das enormes dificuldades que se materializam quase que diariamente à sua frente. Tranquilo e sem afetação, consolidou sua posição à frente quando muitos apostaram que o novo coronavírus levaria o governador Flávio Dino a mudar o comando da área de Saúde.

Advogado, consultor e professor de Direito, Carlos Lula chegou à área de Saúde com a missão de sanear e colocar nos eixos as empresas que prestavam serviços para a área, marcadas por fortes denúncias de desvio e ineficiência. Seu trabalho foi tão produtivo que o governador Flávio Dino lhe entregou a pasta, com carta branca para revolucionar o Sistema Estadual de Saúde dando forma e movimento aos esqueletos hospitalares deixados pelo Governo anterior. Em pouco tempo, o advogado especialista em processo civil se revelou um excelente gestor.

A pandemia lhe trouxe um enorme desafio, que, passado um ano e muitas situações excepcionais, vem sendo vencido com firmeza e consistência, o que coloca o Maranhão como um dos estados com maior eficiência no combate à pandemia. O resultado do seu trabalho consolida definitivamente o argumento de que não precisa ser médico para ser um bom secretário de Saúde. Precisa apenas ser um bom gestor. E isso o secretário de Saúde do Maranhão vem mostrando que tem de sobra.

 

Pressão política faz Bolsonaro adiar filiação partidária

Roberto Rocha depende de Jair Bolsonaro para definir seu futuro partidário

Colocado contra a parede pelo desastre que tem sido sua política de combate à pandemia, o presidente Jair Bolsonaro teria jogado para abril a sua definição partidária, que pretendera resolver em março. Nos corredores do Palácio do Planalto todos já trabalham com a certeza de que o presidente só deixará de ser um pária partidário em abril ou maio, dependendo das circunstâncias. A indefinição partidária do presidente está deixando o senador Roberto Rocha em situação delicada, à medida que, agora fora do PSDB, precisa de um pouso partidário, preferindo filiar-se na agremiação que receber a filiação de Jair Bolsonaro.

São Luís, 25 de Março de 2021.

Decisão do Supremo mostra que críticas de Dino sobre ações de Moro contra Lula eram corretas

Flávio Dino viu suas criticas a Sérgio Moro confirmadas pelo Supremo no nebuloso caso do triplex do Guarujá 

“Hoje o Supremo encerrou um triste capítulo da História do Direito no Brasil. Um juiz parcial, que persegue ilegalmente um acusado, é incompatível com o Estado de Direito. Seus atos são nulos e imorais. Só lamento que tais atos geraram lesões irreparáveis para Lula e para o Brasil”. Foi como reagiu ontem o governador Flávio Dino (PCdoB) ao tomar conhecimento da decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal de julgar o ex-ministro Sérgio Moro parcial como juiz federal no rumoroso caso do tríplex do Guarujá, em que condenou o ex-presidente Lula da Silva (PT) por corrupção. Com a decisão, que atendeu a habeas corpus impetrado pela defasa do ex-presidente, todas as provas do processo estão anuladas, de acordo com o entendimento da Corte. Se a Justiça Federal de Brasília, onde o processo se encontra agora, decidir retomá-lo, terá que começar a investigação da estaca zero.

A reação do governador Flávio Dino avalizando a decisão é o desfecho de um posicionamento firmado por ele desde o início da investigação da denúncia de delatores da Lava Jato, que acusaram o ex-presidente Lula da Silva de receber o apartamento de Guarujá como suborno da Odebrecht em troca de participação da empreiteira em obras contratadas pela Petrobras. Na época, Flávio Dino saiu em defesa de Lula da Silva tecendo severas críticas aos procedimentos do juiz federal Sérgio Moro, sugerindo inclusive a nulidade das provas, sob o argumento de que elas foram baseadas unicamente em delações premiadas, algumas delas visivelmente inconsistentes, também criticadas por outros observadores. As críticas do governador ecoaram nacionalmente, foram corroboradas por várias vozes da seara judiciária e do meio jurídico, sem que Sérgio Moro e procuradores integrantes da força-tarefa esboçassem qualquer reação.

As críticas de Flávio Dino aos procedimentos e decisões de Sérgio Moro em relação ao ex-presidente Lula da Silva foram contundentes, mas cuidadosamente pontuais. Isso porque, já nas primeiras manifestações, o governador foi enfático em deixar claro que seu foco não era a Operação Lava-Jato, com a qual ele concorda, mas contra as várias ilegalidades, para ele flagrantes e irrefutáveis, que eivaram processos como o do triplex de Guarujá e o do Sítio de Atibaia. Nas suas críticas – umas feitas em tom de alerta, outras com viés de denúncia aberta -, Flávio Dino acusou diretamente o juiz Sérgio Moro de manipular as regras e armar conluio com procuradores com o objetivo de forjar a condenação do ex-presidente, atingindo inclusive os seus familiares, o que viria ser confirmado na troca de telefonemas revelados pela Operação Spoofing.

À medida que os processos contra Lula da Silva avançaram, Flávio Dino apontou neles a motivação política do juiz titular da Lava-Jato com o objetivo de minar a credibilidade do ex-presidente Lula da Silva e do PT, como foi o caso da decisão de tornar pública a conversa telefônica entre Lula da Silva e a então presidente Dilma Rousseff (PT), um ato escandaloso que indignou muitas vozes defensoras do Estado Democrático de Direito. Flávio Dino foi cáustico e contundente sobre o assunto quando Sérgio Moro renunciou à magistratura para se tornar ministro da Justiça do Governo de Jair Bolsonaro, confirmando a suspeita de que atuara mesmo com objetivo político.

O governador Flávio Dino criticou a atuação do juiz federal Sérgio Moro com a autoridade de quem foi juiz federal sem mancha na trajetória, que incluiu mandato de presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), tendo renunciado à magistratura para entrar na política em 2006 pela porta da frente: disputando com sucesso o mandato de deputado federal, para em seguida eleger-se e reeleger-se governador do Maranhão. Flávio Dino ingressou na magistratura federal como primeiro colocado no mesmo concurso em que Sérgio Moro obteve classificação sem brilho. Os dois se conhecem, o que talvez explique o fato de Sérgio Moro não responder às críticas de Flávio Dino como juiz titular da Operação Lava-Jato nem como ministro da Justiça. E provavelmente manterá silêncio quanto à manifestação do governador sobre a decisão da 2ª Turma do Supremo confirmando sua parcialidade em relação a Lula da Silva no caso do tríplex de Guarujá.

A julgar pela decisão dos ministros da Corte maior, Flávio Dino esteve certo desde quando fez a primeira crítica a Sérgio Moro.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa Exata mostra diferença abissal entre Flávio Dino e Jair Bolsonaro

Flávio Dino e Jair Bolsonaro: diferença abissal em prestígio no Maranhão

A pesquisa Exata, contratada pela TV Difusora e divulgada ontem, mostra com precisão a diferença que o maranhense enxerga entre um governante que tem feito a sua parte e um que chegou ao poder pela enganação e se revelou o maior engodo da história do Brasil até aqui.

De acordo com o levantamento, o governador Flávio Dino é aprovado por 63% da população contra 33% que não aprovam e 4% que não souberam responder. Para um governante no meio do segundo mandato e enfrentando uma situação inusitada e extremamente complicada, que exige decisões incômodas para a grande maioria, alcançar esse percentual de aprovação é uma prova de credibilidade rara na seara da política e da governança.

Na contramão dessa realidade, a pesquisa revela que entre os maranhenses 69% não aprovam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), provavelmente o maior percentual de desaprovação a um governante já registrado no estado. O presidente é aprovado por 27% dos maranhenses, enquanto 4% responderam que não sabem o que pensar do presidente da República.

Como se vê, a diferença entre o governador e o presidente é abissal. Numa leitura simples, o cenário revela que o primeiro, mesmo cometendo eventualmente um ou outro equívoco, está fazendo uma gestão limpa e eficiente como um todo, e dedicando esforços extraordinários no combate ao novo coronavírus. Já o segundo, além de “comandar” uma gestão sem pé nem cabeça, tem sido um verdadeiro desastre em relação à pandemia, contribuindo decisivamente para o avanço do novo coronavírus, mas tentando engabelar os brasileiros com discursos desonestos, como o de ontem, na TV, em horário nobre.

 

Braide mostra controle financeiro ao antecipar salário de servidores

Eduardo Braide: controle

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), anuncia a antecipação, para Sexta-Feira (26), do pagamento dos salários dos servidores. “Notícia boa a gente compartilha logo”, declarou o prefeito, aproveitando para agradecer “a dedicação de vocês”.

A boa notícia é reveladora de dois fatores. O primeiro: Edivaldo Holanda Júnior (PDT) deixou as finanças da prefeitura de São Luís, se não ajustadas – deixou dívidas de mais de R$ 500 milhões -, pelo menos administráveis. O segundo: Eduardo Braide entregou a gestão financeira e fiscal a dois craques em finanças públicas, Jesus Azzolini (Fazenda) e Simão Cirineu (Planejamento).

Os dois fatores, somados à determinação do prefeito de não gastar o que não pode, já estão produzindo os primeiros bons resultados da sua gestão.

São Luís, 24 de Março de 2021.

Dino resiste a pressões para escolher entre Weverton e Brandão na corrida sucessória

 

Flávio Dino administra pressões para escolher entre Weverton Rocha e Carlos Brandão para sua sucessão

Por mais fortes e intensas que sejam as pressões para que defina agora o nome que ele e seu partido apoiarão na disputa pelo Palácio dos Leões, o governador Flávio Dino (PCdoB) não se movimentará nessa direção antes de Outubro, quando faltará exatamente um ano para as eleições. A prioridade maior do governante maranhense é o combate ao novo coronavírus e a manutenção dos serviços do Estado – educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, etc. Isso não significa dizer que o governador manterá nesse período uma atitude de indiferença absoluta em relação à corrida sucessória, pois afinal, os postulantes, em especial o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), estão se movimentando como se já estivessem no ano eleitoral. A seu modo e dentro de sua própria agenda, Flávio Dino seguirá monitorando os movimentos dos aspirantes à sua sucessão, para que possa montar a equação que resultará na escolha de um nome de consenso dentro da aliança partidária que comanda.

Também em busca de definição quanto ao próprio futuro político, uma vez que, querendo ou não, encontra-se no epicentro dos preparativos para a disputa presidencial, da qual poderá participar como cabeça-de-chapa ou como vice, podendo também disputar cadeira no Senado, o que é mais provável, o governador Flávio Dino vai ajustar o processo de escolha. Isso passa, primeiro, por uma ampla consulta a prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, chefes partidários e até mesmo a líderes de segmentos da sociedade civil, como empresários e sindicalistas, por exemplo. Depois disso, virão as pesquisas e as conversas mais diretas e mais decisivas dentro da aliança.

O governador Flávio Dino sabe que a disputa dentro da aliança governista está ganhando corpo a cada dia, e que, mesmo havendo outros nomes disponíveis, dificilmente o martelo será batido fora da esfera do senador e do vice-governador. Igualmente, está claro que o objetivo de chegar a um nome de consenso, como prega o secretário de Articulação Política, Rubens Júnior, é, pelo menos até aqui, uma quimera. Isso porque, a julgar pela determinação que estão mostrando agora, é rigorosamente improvável que Weverton Rocha abra mão do seu projeto de poder para apoiar a candidatura de Carlos Brandão, ou vice-versa. A política costuma surpreender, produzindo situações a princípio inadmissíveis, mas nesse caso, a tendência clara é que a disputa pelo Palácio dos Leões se dê dentro da aliança governista, por mais inusitado que isso possa ser.

Essa dificuldade explica o fato de o governador Flávio Dino haver montado um roteiro com intervalos de tempo tão longos, para construir uma solução consensual. Para ele, é mais importante usar todos os recursos de negociação para manter a base unida em torno de uma candidatura, do que a ver dividida em duas correntes que se digladiarão num processo quase autofágico. Mas, a julgar pelo estado de ânimo que vêm exibindo no esforço para consolidar suas candidaturas, Weverton Rocha e Carlos Brandão caminham para o embate direto. Nesse caso, a balança perderá o equilíbrio se, candidato ao Senado, o governador tiver que escolher um candidato, a menos que o PCdoB lance a candidatura de Flávio Dino por uma terceira via, numa chapa sem candidato ao Palácio dos Leões. Desse modo, ele só se posicionaria no segundo turno.

É visível que o cenário é confuso, e que qualquer definição resultará de um amplo e complexo processo de negociação. Isso porque o vice-governador Carlos Brandão arma sua candidatura como a única chance que terá de disputar o Governo como governador. O senador Weverton Rocha também vê em 22 sua grande chance, uma vez que, no meio do mandato senatorial, disputará sem o risco de ficar sem nada no caso de ser mandado para casa se não vencer a eleição.

Como se vê, o cenário é complexo e exigirá, de fato, muita conversa. E isso o governador Flávio Dino sabe fazer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PERDA

Freitas Diniz partiu deixando um legado de coragem e coerência como defensor da democracia

Freitas Diniz: discurso forte contra a ditadura e de ataques a José Sarney no Maranhão

O mundo político perdeu ontem para o novo coronavírus um dos seus representantes mais ativos e coerentes: Domingos Freitas Diniz. Ele partiu aos 88 anos, depois de uma trajetória política que começou na base vitorinista na década de 1950 do século passado, atuando no Governo Matos Carvalho, e que, com o golpe militar de 1964 e a implantação da ditadura crua com a edição do AI-5 em 1968, se tornou um dos fundadores do MDB, ganhando dimensão como uma das vozes mais contundentes contra a opressão do regime militar e um dos mais duros adversários de José Sarney no Maranhão.

Natural de Araioses e engenheiro civil por formação, Freitas Diniz fundou e dirigiu a Companhia Energética do Maranhão no Governo Matos Carvalho, assumindo, em seguida, a Secretaria de Viação e Obras Públicas e diretor do Departamento de Estradas e Rodagem no Governo Newton Bello. Foi um dos fundadores do MDB no Maranhão. Elegeu-se deputado federal em 1966, ficou na suplência em 1974, elegeu-se novamente em 1978, mas não conseguiu novo mandato em 1982. Rompeu com o MDB e se filiou ao PT, com o qual também rompeu em 1985, não mais disputando eleições.

Com ou sem mandato, Freitas Diniz se notabilizou em três searas.

A primeira foi sua participação na fundação do MDB no Maranhão, integrando o grupo formado por Cid Carvalho, Lister Caldas, Adail Carneiro, Bayma Serra, José Dominici, Bernardo Almeida, Mauro Bezerra e Isaac Dias –  ex-deputado estadual e ex-prefeito de São Bento, agora o único vivo.

A segunda foi a sua militância contra a ditadura militar, escapando por pouco de cassação, o que lhe deu grande prestígio como oposicionista dentro e fora do MDB.

E a terceira seara foi a dura e implacável oposição que fez a José Sarney no Maranhão e durante os seus cinco anos de presidência da República. Sua ação política inspirou muitos quadros oposicionista, com destaque para Haroldo Saboia, que como ele rompeu com o MDB.

Em Tempo: Um exemplo da sua coerência: em 1977, um grupo de estudantes da UFMA, articulado pelo então estudante de Jornalismo e militante político Coelho Neto, estava reunido no restaurante universitário, que funcionava no prédio do Instituto de Letras e Artes, na Praça Gonçalves Dias. De repente, alguns agentes da polícia política, chegaram ao local em três fuscas brancos, e de armas em punho, renderam os estudantes e os levaram para o DOPS, que ficava Rua 28 de Julho. Um dos estudantes conseguiu escapar e foi pedir apoio a Freitas Diniz, no Centro. Quando os estudantes – entre eles o autor desta Coluna, então aluno do Curso de Comunicação – eram interrogados pelo delegado Florismar Campelo, que queria saber o motivo da reunião –, Freitas Diniz, acompanhado do então deputado estadual José Brandão (MDB), chegou ao DOPS, teve uma conversa dura com o delegado e exigiu que os estudantes fossem liberados, já que nada havia contra eles. Sem argumento para continuar com interrogatório, o delegado liberou o grupo. Freitas Diniz foi um exemplo de coragem e coerência política.

 

Em nota, Assembleia Legislativa homenageia Freitas Diniz

Tão logo tomou conhecimento da morte do ex-deputado federal Freitas Diniz, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), divulgou a seguinte nota:

A Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão lamenta o falecimento do ex-deputado federal maranhense Domingos Freitas Diniz, 88 anos, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (22), em São Luís.

Engenheiro Civil por formação, Freitas Diniz cumpriu três mandatos de deputado federal pelo Maranhão, de 1967 a 1975 e de 1979 a 1983, sempre pelo MDB. Também foi filiado ao PT, partido do qual foi tesoureiro nacional. Durante sua trajetória profissional, ocupou relevantes cargos públicos. 

Neste momento de pesar, a Assembleia Legislativa presta condolências e solidariedade aos familiares e amigos, consternados com a dor da perda.

São Luís, 23 de Março de 2021.