Dino resiste a pressões para escolher entre Weverton e Brandão na corrida sucessória

 

Flávio Dino administra pressões para escolher entre Weverton Rocha e Carlos Brandão para sua sucessão

Por mais fortes e intensas que sejam as pressões para que defina agora o nome que ele e seu partido apoiarão na disputa pelo Palácio dos Leões, o governador Flávio Dino (PCdoB) não se movimentará nessa direção antes de Outubro, quando faltará exatamente um ano para as eleições. A prioridade maior do governante maranhense é o combate ao novo coronavírus e a manutenção dos serviços do Estado – educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, etc. Isso não significa dizer que o governador manterá nesse período uma atitude de indiferença absoluta em relação à corrida sucessória, pois afinal, os postulantes, em especial o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), estão se movimentando como se já estivessem no ano eleitoral. A seu modo e dentro de sua própria agenda, Flávio Dino seguirá monitorando os movimentos dos aspirantes à sua sucessão, para que possa montar a equação que resultará na escolha de um nome de consenso dentro da aliança partidária que comanda.

Também em busca de definição quanto ao próprio futuro político, uma vez que, querendo ou não, encontra-se no epicentro dos preparativos para a disputa presidencial, da qual poderá participar como cabeça-de-chapa ou como vice, podendo também disputar cadeira no Senado, o que é mais provável, o governador Flávio Dino vai ajustar o processo de escolha. Isso passa, primeiro, por uma ampla consulta a prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, chefes partidários e até mesmo a líderes de segmentos da sociedade civil, como empresários e sindicalistas, por exemplo. Depois disso, virão as pesquisas e as conversas mais diretas e mais decisivas dentro da aliança.

O governador Flávio Dino sabe que a disputa dentro da aliança governista está ganhando corpo a cada dia, e que, mesmo havendo outros nomes disponíveis, dificilmente o martelo será batido fora da esfera do senador e do vice-governador. Igualmente, está claro que o objetivo de chegar a um nome de consenso, como prega o secretário de Articulação Política, Rubens Júnior, é, pelo menos até aqui, uma quimera. Isso porque, a julgar pela determinação que estão mostrando agora, é rigorosamente improvável que Weverton Rocha abra mão do seu projeto de poder para apoiar a candidatura de Carlos Brandão, ou vice-versa. A política costuma surpreender, produzindo situações a princípio inadmissíveis, mas nesse caso, a tendência clara é que a disputa pelo Palácio dos Leões se dê dentro da aliança governista, por mais inusitado que isso possa ser.

Essa dificuldade explica o fato de o governador Flávio Dino haver montado um roteiro com intervalos de tempo tão longos, para construir uma solução consensual. Para ele, é mais importante usar todos os recursos de negociação para manter a base unida em torno de uma candidatura, do que a ver dividida em duas correntes que se digladiarão num processo quase autofágico. Mas, a julgar pelo estado de ânimo que vêm exibindo no esforço para consolidar suas candidaturas, Weverton Rocha e Carlos Brandão caminham para o embate direto. Nesse caso, a balança perderá o equilíbrio se, candidato ao Senado, o governador tiver que escolher um candidato, a menos que o PCdoB lance a candidatura de Flávio Dino por uma terceira via, numa chapa sem candidato ao Palácio dos Leões. Desse modo, ele só se posicionaria no segundo turno.

É visível que o cenário é confuso, e que qualquer definição resultará de um amplo e complexo processo de negociação. Isso porque o vice-governador Carlos Brandão arma sua candidatura como a única chance que terá de disputar o Governo como governador. O senador Weverton Rocha também vê em 22 sua grande chance, uma vez que, no meio do mandato senatorial, disputará sem o risco de ficar sem nada no caso de ser mandado para casa se não vencer a eleição.

Como se vê, o cenário é complexo e exigirá, de fato, muita conversa. E isso o governador Flávio Dino sabe fazer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PERDA

Freitas Diniz partiu deixando um legado de coragem e coerência como defensor da democracia

Freitas Diniz: discurso forte contra a ditadura e de ataques a José Sarney no Maranhão

O mundo político perdeu ontem para o novo coronavírus um dos seus representantes mais ativos e coerentes: Domingos Freitas Diniz. Ele partiu aos 88 anos, depois de uma trajetória política que começou na base vitorinista na década de 1950 do século passado, atuando no Governo Matos Carvalho, e que, com o golpe militar de 1964 e a implantação da ditadura crua com a edição do AI-5 em 1968, se tornou um dos fundadores do MDB, ganhando dimensão como uma das vozes mais contundentes contra a opressão do regime militar e um dos mais duros adversários de José Sarney no Maranhão.

Natural de Araioses e engenheiro civil por formação, Freitas Diniz fundou e dirigiu a Companhia Energética do Maranhão no Governo Matos Carvalho, assumindo, em seguida, a Secretaria de Viação e Obras Públicas e diretor do Departamento de Estradas e Rodagem no Governo Newton Bello. Foi um dos fundadores do MDB no Maranhão. Elegeu-se deputado federal em 1966, ficou na suplência em 1974, elegeu-se novamente em 1978, mas não conseguiu novo mandato em 1982. Rompeu com o MDB e se filiou ao PT, com o qual também rompeu em 1985, não mais disputando eleições.

Com ou sem mandato, Freitas Diniz se notabilizou em três searas.

A primeira foi sua participação na fundação do MDB no Maranhão, integrando o grupo formado por Cid Carvalho, Lister Caldas, Adail Carneiro, Bayma Serra, José Dominici, Bernardo Almeida, Mauro Bezerra e Isaac Dias –  ex-deputado estadual e ex-prefeito de São Bento, agora o único vivo.

A segunda foi a sua militância contra a ditadura militar, escapando por pouco de cassação, o que lhe deu grande prestígio como oposicionista dentro e fora do MDB.

E a terceira seara foi a dura e implacável oposição que fez a José Sarney no Maranhão e durante os seus cinco anos de presidência da República. Sua ação política inspirou muitos quadros oposicionista, com destaque para Haroldo Saboia, que como ele rompeu com o MDB.

Em Tempo: Um exemplo da sua coerência: em 1977, um grupo de estudantes da UFMA, articulado pelo então estudante de Jornalismo e militante político Coelho Neto, estava reunido no restaurante universitário, que funcionava no prédio do Instituto de Letras e Artes, na Praça Gonçalves Dias. De repente, alguns agentes da polícia política, chegaram ao local em três fuscas brancos, e de armas em punho, renderam os estudantes e os levaram para o DOPS, que ficava Rua 28 de Julho. Um dos estudantes conseguiu escapar e foi pedir apoio a Freitas Diniz, no Centro. Quando os estudantes – entre eles o autor desta Coluna, então aluno do Curso de Comunicação – eram interrogados pelo delegado Florismar Campelo, que queria saber o motivo da reunião –, Freitas Diniz, acompanhado do então deputado estadual José Brandão (MDB), chegou ao DOPS, teve uma conversa dura com o delegado e exigiu que os estudantes fossem liberados, já que nada havia contra eles. Sem argumento para continuar com interrogatório, o delegado liberou o grupo. Freitas Diniz foi um exemplo de coragem e coerência política.

 

Em nota, Assembleia Legislativa homenageia Freitas Diniz

Tão logo tomou conhecimento da morte do ex-deputado federal Freitas Diniz, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), divulgou a seguinte nota:

A Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão lamenta o falecimento do ex-deputado federal maranhense Domingos Freitas Diniz, 88 anos, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (22), em São Luís.

Engenheiro Civil por formação, Freitas Diniz cumpriu três mandatos de deputado federal pelo Maranhão, de 1967 a 1975 e de 1979 a 1983, sempre pelo MDB. Também foi filiado ao PT, partido do qual foi tesoureiro nacional. Durante sua trajetória profissional, ocupou relevantes cargos públicos. 

Neste momento de pesar, a Assembleia Legislativa presta condolências e solidariedade aos familiares e amigos, consternados com a dor da perda.

São Luís, 23 de Março de 2021.

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