Republicanos reage ao ingresso de Brandão no PSDB, anuncia apoio a Weverton e movimenta o jogo sucessório

 

Da direita para a esquerda: Arthur Lira, Marcos Pereira, Cléber Verde e Weverton Rocha no ato de ingresso de Gil Cutrim (C) no Republicanos, uma reação clara e forte à saída de Carlos Brandão, que migrou para o PSDB, que promete fortalecer 

A política não é uma ciência exata, evolui por força das circunstâncias, movida pela inteligência e pela habilidade dos seus atores; ao mesmo tempo, alguns movimentos da política são frutos da lógica, o que os torna previsíveis. Estava escrito nas entrelinhas da lógica que a súbita e surpreendente migração do vice-governador Carlos Brandão do Republicanos para o PSDB causaria fortes reações no tabuleiro em que se movem as peças da corrida ao Palácio dos Leões. E elas aconteceram Quinta-Feira (18), com a saída do Republicanos da base de apoio do projeto do vice para se incorporar ao suporte partidário que embala o projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), levando de quebra o deputado federal Gil Cutrim, que deixou o PDT, mas permaneceu no campo de ação do líder pedetista. A migração do Republicanos para o projeto de Weverton Rocha não é uma hipótese. Foi consumada por declaração do presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), e confirmada pelo presidente regional, deputado federal Cléber Verde, no ato da filiação de Gil Cutrim, em Brasília, na presença do candidato a candidato pedetista.

No jogo de “perde-ganha”, todas as evidências indicam que Weverton Rocha saiu fortalecido com a incorporação do Republicanos à base partidária do seu projeto de poder. Para começar, acrescentou, em tese, os 25 prefeitos, 24 vices e pelo menos 211 vereadores eleitos pelo partido no ano passado, um cacife sonhado por qualquer pré-candidato a governador e que estava nas mãos do vice-governador Carlos Brandão. Se a política fosse uma ciência exata, nas contas feitas neste momento, o senador Weverton Rocha teria turbinado fortemente o seu projeto de candidatura ao juntar os 25 prefeitos republicanos aos 42 eleitos pelo PDT, o que – de novo em tese – lhe asseguraria o apoio de quase 30% dos prefeitos maranhenses. Pelas mesmas contas, a impressão causada pelo episódio é a de que o vice-governador perdeu força política e partidária.

Mas os movimentos da política costumam surpreender. Político experiente na seara municipalista, que conheceu a fundo quando chefiou a Casa Civil do Governo intensamente político de José Reinaldo Tavares (2002/2006), e aprimorou essa relação nos últimos seis anos despachando no Palácio Henrique de la Rocque, Carlos Brandão sabe como essas peças se movem. Para começar, é óbvio que ele correrá atrás do prejuízo garimpando prefeitos do Republicanos para o PSDB. Disse publicamente a vários interlocutores de que vai fortalecer o PSDB. Um político próximo a ele calcula que pelo menos seis lhe são fiéis e estariam se preparando para se converter ao tucanato. No momento em desvantagem, o vice-governador poderá reverter esse jogo quando assumir o comando do Estado e passar a despachar no gabinete principal do Palácio dos Leões.

A migração do vice-governador para o PSDB e a rebordosa do Republicanos migrando para a esfera de Weverton Rocha desenharam o quadro da corrida sucessória neste momento. Mas esse é somente o primeiro movimento partidário, uma vez que outras definições estão a caminho, sendo a mais importante delas o rumo que o PCdoB vai tomar, que significará a escolha do governador Flávio Dino. O governador pretende resolver essa equação até dezembro, preferindo que o desfecho seja um entendimento entre Weverton Rocha e Carlos Brandão, de modo a produzir uma candidatura de consenso, que pode ser a de um dos dois, ou o lançamento de um terceiro nome, como a senadora Eliziane Gama (Cidadania), por exemplo. Ou não.

O quadro de agora indica também que muitos cordões ainda estão soltos, como a definição do governador Flávio Dino, que provavelmente terá de optar entre Weverton Rocha e Carlos Brandão. Entrará na guerra nacional? Disputará o mandato de Senador? Permanecerá no Governo até o fim? Ninguém duvida de que a definição do mandatário maranhense terá peso decisivo para a montagem do cenário definitivo. Ao mesmo tempo, mesmo sem certeza absoluta, é fácil prever que o caminho mais provável do governador Flávio Dino será a candidatura ao Senado. Nesse caso, Carlos Brandão assumirá o Governo em abril, o que mudará drasticamente o cenário que estiver desenhado naquele momento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ainda sem solução três migrações partidárias importantes no cenário político maranhense

Roberto Rocha, Pedro Lucas Fernandes e Duarte Júnior: situação partidária indefinida

Com a definição do deputado federal Gil Cutrim, que não ganhou um partido para chamar de seu, mas ficou bem agasalhado no Republicanos com o aval do senador Weverton Rocha, que intermediou seu ingresso na agremiação comandada pelo deputado federal Cléber Verde, restam três situações partidárias a serem resolvidas, a do senador Roberto Rocha, que está de saída do PSDB, a do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que deixou o PTB, e a do deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos).

O senador Roberto Rocha permanece no PSDB, mas sem qualquer elã com o partido, alinhado que está totalmente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O parlamentar vive tensa expectativa em relação à definição do presidente, que previu resolver sua situação partidária até o final deste mês, mas faltando pouco mais de uma semana para o fim do prazo, não soltou qualquer pista sobre o seu rumo partidário. A interlocutores, o senador afirmou que seu projeto é ingressar no mesmo partido ao qual o presidente vier a se filiar, ou, se isso não possível, numa legenda identificada com o bolsonarismo. Roberto Rocha estuda a possibilidade de ser candidato a governador.

Isolado no PTB, cujo presidente, Roberto Jefferson, lhe tirou o comando do partido no Maranhão e o entregou à deputada estadual Mical Damasceno, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes avalia, juntamente com seu pai, o prefeito de Arame Pedro Fernandes, várias propostas, devendo resolver sua pendência nas próximas semanas, certo de que é desgastante ficar sem partido na Câmara Federal. Para ele, o ideal é assumir controle deu uma legenda no Maranhão.

Por conta da distância e das diferenças que o separam da corrente liderada pelo senador Weverton Rocha, é difícil que o deputado estadual Duarte Júnior permaneça no Republicanos, pelo qual disputou a Prefeitura de São Luís. Nenhum problema com o presidente Cléber Verde, mas todos os problemas como senador Weverton Rocha. A tendência do parlamentar é migrar para o PSDB, fortalecendo a posição do vice-governador Carlos Brandão, que foi o seu principal padrinho e avalista na agremiação.

Vale aguardar os próximos movimentos.

 

Apoiadores tentam atribuir a Bolsonaro liberação de recursos para UTI por ordem do Supremo

Flávio Dino reagiu ao corte no custeio de leitos de UTI, foi ao Supremo, que obrigou Jair Bolsonaro a restaurar o custeio de 279 leitos para tratamento de Covid no MA

Apoiadores e simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Maranhão tentam criar um factoide ao divulgar que ele liberou R$ 13,3 milhões para o custeio de 279 leitos de UTI no Maranhão, como se fosse um gesto deliberado de quem está preocupado com o combate à pandemia do novo coronavírus no Maranhão.

Os recursos foram liberados por determinação da Justiça atendendo a ação movida pelo governador Flávio Dino. Na ação, o governador do Maranhão denunciou que o ministro da Saúde, general Pazuello, havia suspendido em dezembro do ano passado o custeio desses leitos, obrigando o Governo do Maranhão a bancá-los com seus próprios recursos. O braço jurídico do Ministério da Saúde e a Advocacia Geral da União tentaram ainda minar a cobrança-denúncia, mas a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal acatou-a integralmente e determinou que o custeio fosse retomado, com a liberação imediata de recursos para o Governo do Estado. A decisão da ministra deixou o presidente e seu ministro irritados.

Ao tentarem manipular informações de informações apoiadores e simpatizantes repetem o presidente, que recentemente incluiu FPE, SUS, Fundeb, entre outras transferências constitucionais, portanto obrigatórias para estados e municípios, como sendo recursos liberados pelo seu Governo para os entes federativos. O jogo bolsonarista de manipular números causou reações indignadas de governadores e prefeitos, e gerou uma ação para obrigar o presidente Jair Bolsonaro a explicar sua atitude.

São Luís, 21 de Março de 2021.

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