Arquivos da categoria: Sem categoria

ESPECIAL: “Contradições”, o genial e arrebatador acerto de contas de Chico Maranhão com São Luís, o mundo, a arte e ele próprio

 

Em “Contradições” e seus codinomes Chico Maranhão canta o que pensa em versos fortes e magistrais

Provavelmente por não conhecerem bem o autor,  seus talentos e o universo que o originou, e por não terem desvendado o tesouro poético-musical que avaliaram, alguns críticos reconheceram em “Mandioca Pinga Sushi” uma resposta ao vaiado discurso de Caetano Veloso no Festival Internacional da Canção de 1968, enquanto outros elogiaram a reunião de elementos da cultura maranhense, lembraram sua participação naquele festival com o frevo “Gabriela” e outros dados isolados da sua obra e do seu perfil como artista. Nenhum, porém, alcançou o âmago, a beleza musical, a força poética e o sentido maior de “Contradições” ou “Contradiz sons” ou ainda “Contradiço és”, a mais recente e monumental obra musical de Chico Maranhão, um dos gigantes mais geniais e produtivos da Música Popular Maranhense (MPM) e, sem favor, da Música Popular Brasileira (MPB). Álbum duplo com 22 faixas, lançado em 2015, “Contradições” é muito mais do que a reunião de duas dezenas de joias musicais da lavra do artista, um conjunto cuidadosamente sequenciado que forma uma obra densa, ímpar e superior, que espanta e choca no primeiro momento, mas cresce e se impõe a cada audição.

O Disco 1 reúne 11 faixas: “Mandioca Pinga Sushi”, “Os Telhados de São Luís”, “Sobrados e Trapiches”, “Sobrado”, “Roça Brasil”, “Hino do Vira Vila”, “Ponto de Fuga”, “Meu Vovô”, “Bom Dia, Dia”, “Manguezal do Sal” e “A Vida é uma Festa”. O Disco 2, também com 11 faixas, guarda: “Filho d`uma Égua”, “Sós”, “Stradivarius Malúdico”, “Prostituta”, “Doce de Espécie”, “Quando Baixa o Crepúsculo”, “Contador de Lágrimas”, “Pé de Vento”, “Gritos”, “Passando a Vida” e “Sonhar”.

Em “Contradições”, Chico Maranhão faz um balanço denso e alentado da sua existência como artista, uma espécie de catarse, um ajuste de contas com a obra, com a arte, com a vida, com o mundo, e com ele próprio como poeta e compositor. Mais do que isso, o álbum revela suprema felicidade e profunda angústia, altos e baixos da sua relação com São Luís, seu berço e musa maior, e também com o resto do mundo, em especial São Paulo, onde se fez e se tornou arquiteto e compositor. Cada peça é obra com beleza e recado próprios, podendo existir só, isolada, exclusiva. Ao mesmo tempo, todas se interligam, como que num grande rosário em que cada conta tem seu peso, compondo, juntas no fio, a crônica nua e crua da trajetória e da produção de um poeta que faz música, portanto um artista de patamar muito elevado. Essa interligação dá a “Contradições” a ideia de roteiro e a composição de um grande musical, com traços fortemente operísticos. As 22 faixas de “Contradições” formam uma obra madura, arrebatadora, incomparável, diferenciada, que instiga, choca, provoca e desafia. E com um detalhe que o torna único: Chico Maranhão canta solto, dando a cada música uma interpretação que julgou correta, às vezes saindo do tom, às vezes atravessando o compasso, parecendo provocação.

No primeiro disco, que abre com o elevado e abusado revide a Caetano Veloso com “Mandioca Pinga Sushi”, o poeta, o cronista e o músico Chico Maranhão vão longe numa relação intensa e costurada com a sintonia possível, sem muitas concessões, como na tríade ludovicense formada pela canção “Os Telhados de São Luís”, pela balada “Sobrados e Trapiches” e o samba-choro “Sobrado”. Na primeira, o arquiteto que se identifica com a desconcertante genialidade de Gaudi, leva o poeta a transcender apontando corcovas, veludo, escuro, dúvidas, fome, lama, urubu, pólvora, candura e amor nos imensos, centenários e intrigantes telhados da velha cidade. Na segunda, o poeta e o arquiteto invocam o cronista e mostram os sobrados e trapiches de São Luís como o centro de um mundo sem igual, desenhando com versos fortes a estrutura, a natureza, a função, a “relação viril” e a história desses dois símbolos do Maranhão rico, que, com “ares de soberania”, abrigavam ao mesmo tempo o burguês e o escravo, suas riquezas e suas dores. A tríade se completa com “Sobrado”, um dos momentos supremos do álbum, no qual o poeta tenta reanimar um “sobrado vivo, caído na rua”, que carrega a lua “como um estivador”. Num monólogo que mistura ternura e provocação, instiga-o a atirar-se no mundo em busca da sua tez, ouvindo antes os astros e os românticos, alertando-o, porém, para não se entregar à desventura carregando o tempo, a lua, “Carnaval de rua sem rainha, mulata, cachaça, freguês”, e a mudar o compasso dessa arquitetura dando “uma punga de coreiro” e jogando “a bunda no terreiro”. E depois de propor que se encontrem em tempos mais felizes, pede à virgem dos Remédios que “jogue agora todos os remédios” sobre o sobrado.

Na sequência do primeiro disco, Chico Maranhão enternece com “Roça Brasil”, inspirada em moda de viola pantaneira, que fala do amor numa casinha da roça, sem “nada na porta do fundo e nada no fundo da porta”, provavelmente referindo-se ao tempo em que se isolou em um sítio na Maioba. Mostra um pouco sua paixão por São Paulo com o samba “Hino do Vira Vila”, lembrando o time de futebol de uma turma de um bar. Em seguida, Chico surpreende regravando o clássico samba arrastado “Ponto de Fuga”, uma das joias do disco “Lances de Agora”, repaginando-o com um arranjo duro, soturno, nada parecido com a leveza contagiante da antiga gravação. Recorre à ternura comovente com o samba “Meu Vovô”, “um anjo bom que Deus me deu, um menino como eu”. Na nona faixa, o samba-canção “Bom dia, Dia”, uma ode à luz do dia sob a qual o poeta diz sentir-se um rei, e ao contrário das noites vazias que lhe lembram morte, afirma que se fosse um deus de verdade faria “a humanidade humana outra vez”.

Outro momento de força do primeiro disco está na modinha, “Manguezal de Sal”. Desdobramento do poema “Mangue”, no qual o próprio Chico Maranhão celebra o mangue como “um mestre” e sua importância como fonte de vida nas reentrâncias do litoral maranhense, e saúda o manguezal cujas raízes “urinam gotas de vitaminas na lama crua das ilhas, onde o sururu habita e o caranguejo germina”, lembrando que “o sol que te ilumina é o sal que nos anima, sal de nossa vida”. E anuncia promessa para Santa Luzia “abrir os olhos do mundo pro mangal de nossos dias”. Na faixa, o poema “Mangue” é declamado em tom e ênfase certos pelo também poeta Celso Borges. Chico Maranhão fecha o primeiro disco com a trova “A vida é uma festa”, na qual casa perfeitamente festa, poesia e felicidade. Com intensidade surpreendente, o poema cantado abriga 28 vezes a palavra felicidade e 23 vezes a palavra poesia, cantadas com a força de quem fecha um primeiro ato.

Com carga dramática muito maior do que as do primeiro, as faixas do segundo disco dão a régua e o compasso do acerto de contas de Chico Maranhão com ele próprio, com a vida, com a solidão e com o mundo. São músicas que ganham ares supremos nos poemas musicados “Sós” e “Quando baixa o crepúsculo”, na toada “Gritos”, na saga cantada “Passando a vida” e no gran finale “Sonhar”. O disco é aberto com o samba “Filho d`uma Égua”, uma dura e mau humorada bronca do compositor na rapinagem musical feita por espertalhões e plagiadores do meio, que surrupiam obras de poetas pobres, e que por isso não merecem consideração. Avança com a aparente peça de musical infantil “Stradivarius Malúdico”, que sugere uma alentada e irônica crítica ao mundo da música e na relação dos instrumentos. Na moda de viola pantaneira “Cantador de Lágrimas”, Chico Maranhão relata a dor da sua viola que, atingida pela luz negra, desilusão do amor, não quer mais cantar, mas não descola “o seu peito do meu peito”, tornando-o um cantador de lágrimas. No denso balanço das suas relações, Chico Maranhão faz uma inebriada declaração de amor em “Doce de Espécie”, cantando o amor que o procura numa tarde escura, o algema como tema de um grande poema, o conquista pondo à vista um sentimentalista, o enobrece quando despe suas vestes, como um doce de espécie dessa e de outra espécie. Na faixa “Prostituta”, Chico Maranhão vai fundo no drama de uma dama que perdeu um amor, e por isso desabou, depois de chorar “mais que um fado”, e que sem ilusões desce a Rua do Desterro, convencida de que só ela amou. Canta em “Pé de Vento” os estragos de uma relação afetada por um pé de vento que levou para longe um boizinho que fizera para o seu amor, transformando-o em pedaços de versos. E na toada “Gritos” dá um forte brado de protesto contra as mudanças que desvirtuaram, distorceram e transformaram o Bumba-Boi, de modo que nem Pai Francisco nem Pai Euclídes “conseguem enxergá-lo mais”, e clama, enfático: “Quero meu boi no terreiro troando toada de pique”.

Chico Maranhão completa o seu monumental balanço catártico com quatro poemas musicados, que são ao mesmo tempo arrebatadores e avassaladores. Em “Sós”, o poeta, num diálogo com as estrelas, faz sua catarse nua e crua, revelando sua suprema solidão, suas esperanças, seus caminhos “às vezes tragédia”, mas sempre semeando toadas, compreendendo que a vida “é metamorfose que se realiza”, ele próprio segue internado “nas luzes do sol da poesia”, talvez mais contente ou mais consciente do que sempre foi, tendo talvez o amor como o único dos sóis. Na única parceria que faz no disco, Chico Maranhão canta o denso, trágico e demolidor poema sobre as noites de São Luís, “Quando baixa o crepúsculo”, do poeta maior Nauro Machado, dando aos seus versos superiores a leveza que as duras palavras escondem quando apenas declamado. A homenagem a Nauro Machado reforça uma identidade já registrada na genial canção “Velho amigo poeta”, do disco “Lances de agora”.

O momento maior de “Contradições” é a canção de vários movimentos “Passando a Vida” em que, com mais de 600 palavras cantadas ao longo de 12 minutos, e embaladas pelas notas graves de um piano, pela marcação de um violão e pelos rasgos estridentes de uma guitarra, Chico Maranhão relata, sua saga da Baía de Cumã para São Paulo e vice-versa, em que identifica duas “realidades irmãs, filhas do mesmo salmo”. Fazendo ponto e contraponto entre Cumã e São Paulo, Chico Maranhão é o cronista auxiliado pelo poeta e embalado pelo músico para compor, numa espécie de rapsódia, um registro definitivo da sua trajetória, situando seus passos em fatos históricos, lembrando “um monte de gente” nos embates políticos, nos confrontos de pensamentos, nas diferenças ideológicas, nos festivais, na MPB “e seus desafios”, como também seus suplícios, martírios, glórias e vitórias, de mentes, de medo. Registra marcas dos anos 60, como a peça Morte e Vida Severina, baseada no poema de João Cabral de Melo Neto – da qual participou tocando violão -, e Geraldo Vandré, o célebre autor de “Caminhando”, “construindo o seu perfil”. E fecha a apoteose citando a “navalha aberta duma nova história, certamente certa, certa e provisória, e que ficará muito mais certa depois que olhada como consciência histórica”, e lembrando a (Dona) Teté que se trata da consciência histórica da vida. E chega ao gran finale com “Sonhar”, no que parece ser um diálogo com a morte, no qual, do alto da sua obra monumental, reivindica a Deus o direito de continuar sonhando, num refrão em que o verbo sonhar é pronunciado 37 vezes.

“Contradições” é, em resumo, uma obra ímpar, realizada com força, paixão e esmero, mas sem o objetivo puro e simples de agradar. Não há registro conhecido de algo parecido na MPB, o que faz do acerto de contas de Chico Maranhão uma obra para ser ouvida, garimpada, refletida, como um livro de poemas.

“Contradições” é musicalmente superior, com vasta e variada riqueza melódica e com arranjo adequado e sofisticado para cada faixa. Sem metais – apenas uma flauta discreta soprada por Sávio Araújo em duas faixas -, a embalagem melódica tem a supremacia sofisticada do violão de 7 cordas, da viola e do cavaquinho de Luiz Júnior, e do violão escolado do próprio Chico Maranhão. Outra base do álbum é o piano de Carlos Parná (sete  faixas), e os de Henrique Duailibe (uma faixa) e de Murilo Rego (que sustenta os 12 minutos do grave e denso arranjo de “Passando a Vida”). Rui Mário e Zé Américo dão os seus shows de sempre nos seus acordeons, enquanto Jeisiel Bivis contempla com um espetáculo à parte no arranjo para teclado de “Stradivarius Malúdico”. Pouco exigida no conjunto da obra, a percussão de Wanderson Silva é precisa e competente quando atua, assim como o baixo de João Paulo. O coro formado por Edith Matos, Priscila Aguiar, Chico Saldanha e Luiz Júnior dá forte sustentação a várias faixas. Autor dos arranjos, o violonista Luiz Júnior se revela um músico maior e maduro ao colocar sua sensibilidade musical nas faixas de “Contradições”, tornando-o um álbum diferenciado, único.

São Luís, 06 de Fevereiro de 2021.

Saída de Maia do DEM e queda de ACM Neto por Bolsonaro podem ter repercussão forte na política maranhense

 

Saída de Rodrigo Maia do DEM e declarações de ACM Neto podem enfraquecer Juscelino Filho e prejudicar Weverton Rocha na corrida pelo Governo do Maranhão

Duas situações envolvendo o DEM no plano nacional podem ter forte repercussão no cenário político maranhense. Primeira: o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), hoje o nome de maior visibilidade do partido, informou a aliados próximos que deixará a legenda, alegando que foi traído pelo comando partidário na guerra pela sua sucessão na presidência da Câmara Federal, podendo vir a se filiar ao PSL ou ao Cidadania. Segunda: o presidente nacional do DEM, o baiano ACM Neto, avisou que caminha para apoiar o projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no ano que vem. A eventual saída de Rodrigo Maia será uma pancada na estatura do DEM, podendo enfraquecer o deputado federal Juscelino Filho, que preside a legenda no Maranhão, e se ele migrar para o Cidadania, a senadora Eliziane Gama ganha mais peso com o fortalecimento do seu partido. E a hipótese de o DEM vir a se aliar a Jair Bolsonaro em 22 coloca o PDT, hoje o seu principal aliado, numa saia justa, principalmente no Maranhão.

Rodrigo Maia não se conforma por ter sido traído por ACM Neto às vésperas da eleição na Câmara Federal, quando, com a ajuda do deputado Juscelino Filho – muito prestigiado na sua presidência -, abandonou a candidatura do deputado Baleia Rossi (SP). Oficialmente, anunciou “neutralidade”, mas na verdade orientou os deputados do DEM a migrarem de mala e cuia para a candidatura de Arthur Lira (PP-AL), o que liquidou as chances de Baleia Rossi. Diante disso, Rodrigo Maia anunciou que não fica no partido e deve anunciar seu desligamento do DEM na semana que vem. Sondado sobre para onde vai, o ex-presidente da Câmara Federal, que é um político da direita esclarecida, levantou duas hipóteses: o PSL, fortalecendo a banda que rompeu com o bolsonarismo, ou o Cidadania, que há muito perdeu seu viés esquerdista e hoje é visto como um partido de centro.

Oito entre dez analistas políticos dizem que a estratégia de ACM Neto de tirar o DEM do bloco de apoio a Baleia Rossi garantiu a vitória de Arthur Lira e agradou ao Palácio do Planalto, mas em compensação estilhaçou o partido, que vinha se transformando numa força a ser levada em conta, inclusive no jogo sucessório, com a possível candidatura do deputado federal e ex-ministro da Saúde H de Salvador nem ao presidente da República.

A saída de Rodrigo Maia, que levará com ele dezenas de políticos, entre eles vários deputados federais, fragilizará fortemente a musculatura do DEM, inclusive no Maranhão, onde o deputado federal Juscelino Filho dá as cartas, mas pode perder o apoio de alguns quadros do partido. Em outro plano, se Rodrigo Maia ingressar no Cidadania e reforçar o partido como alguns preveem, a senadora Eliziane Gama terá turbinado seu espaço no tabuleiro estadual.

O aviso de ACM Neto de que, além de perder Rodrigo Maia, o DEM poderá apoiar o projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro, pode ter efeito bombástico na aliança nacional do partido com o PDT, o que produzirá forte impacto no projeto do senador Weverton Rocha de disputar o Palácio dos Leões. Isso porque, se ACM Neto, de olho no Governo da Bahia no ano que vem e no Palácio do Planalto em 2026, empurrar o DEM para o colo de Jair Bolsonaro, colocará o PDT numa tremenda saia justa, podendo fragilizar o hoje bem delineado e viável projeto de poder do senador pedetista.

Evidente que são possibilidades, mas o que se viu na eleição para presidente da Câmara Federal, quando menos de 48 horas antes o comando nacional do DEM anunciou “neutralidade” – muito parecida com a “neutralidade que o PDT assumiu no 2º turno da guerra pela Prefeitura de São Luís -, dá para suspeitar que o DEM entrou numa ciranda sem norte. Nesse ambiente, o senador Weverton Rocha terá de mergulhar na cautela e montar um “plano b” no que respeita a alianças preferenciais.

Aguarda-se, portanto, o desembarque de Rodrigo Maia do DEM, o rumo que ele tomará e os desdobramentos desse movimento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Presidente da Famem participa de reuniões sobre coronavírus e regularização fundiária nos municípios

Erlânio Xavier (paletó cinza) com o procurador geral Eduardo Nicolau  e  com o corregedor geral da Justiça, desembargador Paulo Velten

O presidente da Famem, Erlânio Xavier (PDT), fez ontem dois movimentos que reforçaram o leque de ações da entidade para fortalecer a organização dos municípios nesse momento de transição em meio à assoladora crise sanitária e as suas consequências na vida socioeconômica das cidades e dos estados.

Ele cumpriu o primeiro compromisso no Ministério Público, onde participou de reunião promovida pelo procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, para tratar de pautas relacionadas com o enfrentamento do novo coronavírus, entre elas o aumento de leitos hospitalares, ações fiscalizadoras para evitar aglomerações e a busca de medidas consensuais para garantir o trabalho de artistas. Com a preocupação de quem, na condição de comandante de entidade municipalista, tem uma visão ampla dos problemas que a pandemia vem impondo aos municípios, o

Presidente da Famem reforçou a necessidade de medidas para conter aglomerações, defendendo, no entanto, que elas sejam consensuais. Realizado na sede do Ministério Público estadual, o evento reuniu promotores e procuradores de Justiça e representantes do Governo do Estado, entre eles o secretário-chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares, e da Prefeitura de São Luís, liderados pelo secretário municipal de Saúde, Joel Nunes.

O outro compromisso foi uma conversa com corregedor geral da Justiça, desembargador Paulo Velten, com quem tratou do processo de regularização fundiária dos municípios e erradicação do subregistro no Maranhão. A questão fundiária não é nova e é motivo de problema na esmagadora maioria dos municípios. Dois casos são exemplares. O primeiro é o de São Luís, que enfrenta graves problemas de ocupações por invasão, fazendo com que boa parte do território da Capital seja ocupada ilegalmente, o que torna a regularização um processo dificílimo. O outro exemplo é Açailândia, cujo perímetro urbano é cercado por particulares, muitas delas de propriedade suspeita ou irregular.

O corregedor geral da Justiça colocou setores do Judiciário para ajudar os prefeitos na formulação dessas políticas, concordando que a regularização das terras municipais é uma providência necessária e urgente. Acatando também a proposta do presidente da Famem de promover uma ampla reunião com prefeitos para discutir o tema e procurar soluções.

Com essas iniciativas, o presidente da Famem vem cumprindo o seu discurso de campanha e fortalecendo a natureza municipalista da entidade.

 

Decisão sobre lockdown a ser anunciada pelo juiz Douglas Martins gera expectativa

Douglas Martins pode determinar ou não, hoje, a decretação do lockdown no MA

O juiz Douglas Martins, titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, vai decidir hoje se acata ou não a ação de três defensores públicos que obriga o governador do Estado e os 217 municípios maranhenses a decretarem lockdown em todo o território maranhense. A bomba lhe caiu às mãos no início da semana, surpreendendo a todos pela sua intempestividade, já que a pandemia no Maranhão está sob controle, com leves alterações, as autoridades estaduais e municipais têm feito a sua parte, o mesmo acontecendo com a população, em que pesem as extremas dificuldades que os segmentos menos favorecidos.  Tanto que ao tomar conhecimento da ação o governador Flávio Dino (PCdoB) se posicionou contra, seguido pouco depois pelo prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos).  De perfil midiático, com um histórico de decisões polêmicas e fissurado em redes sociais, Douglas Martins decidiu “ouvir” o governador Flávio Dino e os 217 prefeitos, para embasar a decisão que vai anunciar nesta Sexta-Feira. A expectativa dominante é a de que ele não atacará a medida, mas não são poucos os que acreditam que o magistrado fechar com os defensores.

São Luís, 05 de Fevereiro de 2021.

Afastada dos confrontos políticos no estado, Eliziane Gama lidera bloco no Senado e ganha força para 22

 

Eliziane Gama: eficiência no Senado e opção para 2022 

Com atuação discreta durante a guerra eleitoral que no ano passado elegeu os novos prefeitos e vereadores e sem se envolver na disputa ferrenha entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) na barulhenta eleição da diretoria da Famem, situações pelas quais foi elogiada e criticada, a senadora Eliziane Gama (Cidadania) foi escolhida para liderar o Bloco Senado Independente (BSI), formado por nove parlamentares de quatro partidos – Cidadania, PDT, Rede e PSB – além de ter sido eleita para a 3ª suplência da Mesa do Senado, o que reforçou seu cacife no plenário da Câmara Alta. A liderança do BSI e a suplência no comando da Casa confirmaram o que já vinha sendo percebido por observadores mais atentos: Eliziane Gama resolveu investir toda sua energia política na primeira metade do mandato senatorial, atuando fortemente como parlamentar – com discursos densos sobre temas fortes, incluindo severas críticas ao Governo e às diatribes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) –, e como legisladora – já tem uma considerável produção legislativa. Além de brigar pelos interesses do Maranhão na Esplanada dos Ministérios.

Parece claro que nesse primeiro momento da sua trajetória na Câmara Alta a senadora fez uma opção clara e objetiva por não se envolver na dura e desgastante guerra política da planície. Isso pode ser explicado em parte pelo fato de não pertencer a um partido que joga pesado nesse campo – o Cidadania elegeu apenas um prefeito. E também pelo fato de que na maioria dos municípios a disputa se deu num ambiente em que mais da metade dos candidatos a prefeito associaram suas eleições a líderes que miram o Palácio dos Leões nas eleições de 2022, a exemplo do seu colega Weverton Rocha e do vice-governador Carlos Brandão. O seu envolvimento ostensivo na disputa municipal certamente a colocaria como parte desse confronto maior pela sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB). E como seu partido não tem lastro, o resultado das eleições municipais certamente a apontaria como uma liderança derrotada e sem base. O distanciamento da refrega a livrou de um desgaste desnecessário.

Já vista por seus pares como um quadro de excelência parlamentar, a senadora Eliziane Gama tem agora o desafio de mostrar que tem habilidade para jogar num tabuleiro de raposas. O BSI é um bloco que, independentemente das ações individuais dos seus integrantes, tem três focos, que estão interligados: a defesa da democracia, a defesa dos interesses nacionais e o fortalecimento do Senado. Sua tarefa é articular posições comuns dos integrantes do BSI em relação a questões e projetos importantes. Não será tarefa fácil unir o bloco, que reúne senadores como o determinado Weverton Rocha, o atuante e bem posicionado amapaense Randolfe Rodrigues (Rede), e o competente, mas temperamental, cearense Cid Gomes (PDT). Se topou o desafio, encarado por Weverton Rocha desde que o bloco foi formado, Eliziane Gama o fez convencida de que dará conta do recado.

O seu distanciamento das guerras na planície, porém, não a afastaram da elite política que se movimenta alimentando projetos de poder dentro da grande aliança comandada pelo governador Flávio Dino, a exemplo de Weverton Rocha, Carlos Brandão e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), e fora dela, como o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), e seu colega de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), para citar alguns exemplos. Em todas as conversas e avaliações isentas de partidarismo, Eliziane Gama é naturalmente incluída. E com um dado importante que favorece seu cacife: não tendo condicionamento partidário, tem perfil adequado para surgir como nome de consenso num ambiente de fortes tensões e diferenças. E não são poucos os que a veem por esse viés, enxergando um nome preparado e preservado para liderar a aliança dinista como candidata ao Governo em 2022.

Seus movimentos nos próximos meses dirão como será seu futuro próximo na seara política do Maranhão.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Governador fez o certo quando proibiu o Carnaval e suspendeu o ponto facultativo do dia 16

Flávio Dino: sem Carnaval é vida normal no estado

Sensata e coerente a decisão do governador Flávio Dino de suspender o ponto facultativo do dia 16, que seria a Terça-Feira de Carnaval. Com a impossibilidade sanitária de manter a mais importante festa popular do País em território maranhense, o governador decretou que neste ano, por causa do novo coronavírus, pela primeira vez em quatro séculos Momo não reinará no Maranhão.

Já foi dito, mas não custa nada lembrar, que Terça-Feira de Carnaval nunca foi feriado, a começar pelo fato de que a data muda a cada ano, acontecendo às vezes em março. Se não haverá folia, não faz sentido facultar o ponto e interromper a normalidade do serviço público e conceder uma folga sem razão de ser. Será, portanto, uma semana normal de trabalho, tanto na máquina pública quanto na atividade privada.

Qualquer outra decisão fazendo concessão total ou parcial, contrariaria o histórico de decisões acertadas e produtivas, tomadas pelo Governo do Estado desde que o novo coronavírus desembarcou no Maranhão fazendo vítimas, espalhando medo e causando danos na economia e nas finanças públicas. E por isso mesmo qualquer reação negativa a essa medida deve ser rejeitada de maneira enfática.

O que vale mesmo agora é preservar a vida, brigar pela vacinação de todos, para que se possa realizar o maior Carnaval do século no ano que vem.

 

Aliados maranhenses de Lira ganharam força, mas foram longe  na exibição

Aluísio Mendes e André Fufuca: aliados entusiasmados de Arthur Lira

Não há dúvida de que alguns entre os membros da bancada maranhense que votaram no deputado alagoano Arthur Lira (PP) para a presidência da Câmara Federal estão desde Terça-Feira mais fortes, e externaram isso no plenário e na festa que comemorou a vitória. Apoiador de primeira hora do candidato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado Aluísio Mendes (PSC), foi um dos mais presentes ao lado do candidato e depois presidente eleito, atuando às vezes como “anjo” protetor na retaguarda do alagoano, como mostram fotos e imagens daquele dia. Mas o campeão de entusiasmo foi o deputado André Fufuca (PP) – que já foi vice-presidente e até assumiu a presidência, mas dessa vez nada levou. O jovem parlamentar de Alto Alegre do Pindaré foi um dos mais animados na farra que se seguiu à eleição e posse de Arthur Lira, na qual deputados e convidados jogaram para o alto os cuidados com a pandemia, promoveram aglomeração, abraços, tapinhas nas costas e no rosto e até beijinhos na face, num espetacular festival de maus exemplos. Muito provavelmente, a euforia descuidada do deputado André Fufuca se baseou na lógica bolsonarista segundo a qual “o poder cura”.

São Luís, 04 de Fevereiro de 2021.

 

Nova Câmara de São Luís dá largada com seu comando ajustado por acordo do PDT com o prefeito Eduardo Braide

 

Eduardo Braide e Osmar Filho trocam cumprimentos diante do olhar de vereadores

Eleitos no ano passado, os 31 vereadores de São Luís iniciaram ontem, os seus trabalhos, com a abertura formal da Câmara Municipal. O presidente Osmar Filho (PDT) cumpriu o rito regimental abrindo os trabalhos na presença do prefeito Eduardo Braide (Podemos) e do procurador geral de Justiça Eduardo Nicolau. O ato em si e as declarações registradas deixaram no ar a impressão de que a única mudança genuína produzida pelas urnas foi o mandato coletivo “Nós” conquistado por cinco militantes do PT. Muito preocupado com medidas sanitárias para impedir que o novo coronavírus invada e assole o Palácio Pedro Neiva de Santana, o presidente Osmar Filho fez um discurso anêmico, sem densidade, no qual repetiu jargões conhecidos como a afirmação de que a Casa “é independente”, mas logo tendo o cuidado de acrescentar que seu objetivo é conviver em paz com o Poder Executivo. Palavras que certamente soaram como boa música aos ouvidos do prefeito Eduardo Braide.

O vereador-presidente tem razão quando prega a independência da Câmara Municipal de São Luís. Ela foi, de fato, uma instituição altiva, onde o debate ocorria com frequência, obrigando os prefeitos a manter as antenas ligadas e interpretar os sinais disparados pelo plenário. As disputas para o comando da Casa eram intensas e sem interferências externas – um exemplo: no auge da sua força como governador, Epitácio Cafeteira jogou pesado para emplacar seu sogro, Ilton Rodrigues, na presidência da Casa, mas amargou uma dura derrota. Em tempos mais recentes, a instituição fundada no século XVI por Simão Estácio da Silveira vem perdendo a altivez de outrora para se tornar um parlamento via de regra alinhado ao Palácio de la Ravardière.

Vivendo a realidade das casas legislativas, a nova Câmara Municipal de São Luís tem uma composição politicamente heterogênea, sem a presença de um partido dominante ou com força diferenciada. Sua nova composição é uma impressionante colcha de retalhos partidários: os 31 vereadores, que somam magros 142.171 votos de um total de 699 mil da Capital – 50 mil votos a menos do que os 193 mil recebidos pelo candidato do Podemos no primeiro turno – representam nada menos que 19 partidos, sendo que as duas maiores bancadas partidárias, a do Podemos, partido do prefeito Eduardo Braide, e a do PCdoB, partido do governador Flávio Dino, têm quatro vereadores cada uma.

Esse mosaico política e eleitoralmente frágil permite, por exemplo, que o PDT, que tem apenas três vereadores, eleja o presidente da Casa, o mesmo que presidiu os dois últimos anos da legislatura passada. Sua eleição entrou no pacote acertado pelo senador Weverton Rocha para o PDT apoiar o candidato do Podemos no 2º turno. Não fosse esse acordo, o vereador Osmar Filho não teria nenhuma chance de eleger-se presidente, mesmo tendo sido o mais votado. Não fosse o acordo, o prefeito Eduardo Braide teria sem maiores problemas um aliado seu no comando da Casa. Amarrado a esse acordo, que poderá ser estendido para 2022, com o possível – para muitos improvável – apoio do Podemos à provável candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do estado, dificilmente o presidente Osmar Filho colocará a Câmara Municipal, por sua maioria, em rota de colisão com o prefeito Eduardo Braide, que assim reúne as condições políticas para governar sem tensões, pelo menos nos dois primeiros anos da sua gestão.

O prefeito Eduardo Braide sabe que, além da promissória política, o apoio de uma maioria articulada custa caro para uma gestão que enfrentará amargas dificuldades financeiras. Os vareadores, é sabido, vivem sob a pressão das suas bases, e por isso pressionam o prefeito. Ontem, eles surpreenderam com a criação de três blocos parlamentares. Um indicativo de que o líder do Governo, vereador Marcial Arruda (Podemos), terá muito trabalho na articulação, num ambiente que exigirá também do presidente da Casa bem mais do que se mostrar um bom administrador, o que nada significa em matéria de produção legislativa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Defensores pedem lockdown, juiz faz consultas e governador acha medida desnecessária

Douglas Martins vai decidir

O Maranhão – aí incluídos seus cidadãos, suas autoridades municipais e estaduais, seus representantes e suas instituições – foi surpreendido pela iniciativa de três defensores públicos de pedir à Justiça que determine que o Governo do Estado e os municípios decretem lockdown por 14 dias em todo o território estadual como medida extrema de combate ao novo coronavírus. O pedido foi encaminhado ao juiz-titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, Douglas Martins, que determinara a decretação do primeiro lockdown, cumprido pelo governador Flávio Dino (PCdoB), mas criticado País a fora, não pela medida em si, mas pela maneira como ela foi decidida e imposta ao Governo do Estado. Horas depois de receber a bomba engatilhada pelos defensores, o magistrado anunciou que fará consultas ao Governo do Estado e aos prefeitos de todo o estado para tomar uma decisão abalizada acatando ou rejeitando o pedido.

Antes de ser consultado pelo juiz, o governador Flávio Dino disparou uma ducha de água fria no pedido dos defensores informando que, apesar do aumento do número de casos de Covid-19, a pandemia está sob controle no Maranhão, conforme avaliação do Comitê Científico que o assessora nessa área. O governador foi claro ao informar que todas as medidas possíveis estão sendo tomadas, não estando, portanto, cogitando decretar a mais extrema das medidas contra a pandemia nem no estado inteiro nem em regiões isoladas. Na sua avaliação, o Maranhão está preparado para enfrentar esses momentos de alteração no cenário da pandemia.

O lockdown é, de fato, uma medida extrema. Nenhuma forma de distanciamento se mostrou mais eficiente em todo o planeta. E exatamente por ser extrema, só deve ser adotada em situações extremas, não podendo ser determinada a partir de um estalo de três defensores públicos. A começar pelo fato de que a medida propõe o isolamento de 7,5 milhões de pessoas espalhadas por 217 municípios nos 331 mil quilômetros quadrados do território maranhense. Quando adotado na Ilha de São Luís em junho do ano passado, num momento em que o novo coronavírus avançava de maneira avassaladora no estado, foram as duas semanas de lockdown na Ilha de São Luís, associadas aos esforços do Governo do Estado para montar uma eficiente estrutura hospitalar que evitou o pior. A medida proposta agora pelos três defensores é visivelmente intempestiva e, por enquanto, desnecessária, não devendo descartada. Tudo leva a crer que, caso o juiz Douglas Martins acate o pedido dos defensores e determine a decretação do lockdown em todo o território estadual, o Governo do Estado fará contraponto na Justiça.

Vale aguardar.

 

Fotografia de Eliziane Gama com Márcio Jerry em Brasília gera especulação no meio político

Eliziane Gama e Márcio Jerry no gabinete da senadora em Brasília: imagem deu o que falar

Uma fotografia registrando o senador Weverton Rocha (PDT) e o secretário Márcio Jerry (PCdoB), divulgada no início da semana, deu origem a uma onda de especulações sobre a corrida ao Palácio dos Leões, entre elas a possibilidade de o presidente do PCdoB vir a ser candidato a vice-governador numa chapa liderada pelo pedetista. Ontem, numa espécie de contrapeso, o próprio secretário Márcio Jerry voltou a provocar especulações ao divulgar outra fotografia, essa com a senadora Eliziane Gama (Cidadania), em Brasília, causando a mesma onda de especulações. Mesmo distanciada da ciranda política estadual e se dedicando integralmente ao exercício do seu mandato – com eficiência e bons resultados, vale destacar –, a senadora Eliziane Gama começa a ser incluída nas listas dos prováveis candidatos à sucessão do governador Flávio Dino, o que tem causado rumores nos bastidores da aliança partidária por ele liderada. Provavelmente satisfeita por estar sendo lembrada, a senadora do Cidadania faz, porém, de conta de que não é com ela.

São Luís, 03 de Fevereiro de 2021.

Fala de Othelino Neto e foto de Weverton Rocha e Márcio Jerry indicam que 22 já está na pauta

 

Othelino Neto disse que não disputará o Senado se Flávio Dino for candidato; Weverton Rocha e Márcio Jerry no Congresso: foto deu o que falar no meio político

Por mais que algumas lideranças tentassem alimentar o discurso segundo o qual é muito cedo para se falar de sucessão estadual em 2022, algumas declarações feitas ontem, em gestos e entrevistas, mostraram que a pauta sucessória já está em vigor e que será tema de infindáveis manifestações e articulações até abril do ano que vem, quando fase prévia do jogo terminar e a guerra propriamente dita será iniciada. Primeiro foram as declarações do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) sobre seu futuro nas próximas eleições; segundo, foi uma imagem fotográfica do senador Weverton Rocha, presidente estadual do PDT, e o deputado federal licenciado, presidente estadual do PCdoB e atual secretário de Cidade. Os dois registros deram o que falar nos bastidores da política e fora deles, dando margem a uma frenética série de especulações, confirmando assim a suspeita de que o tema sucessório dificilmente sairá da posição de prioridade que já ocupa na agenda política estadual.

Em várias entrevistas, o presidente Othelino Neto, que assumiu ontem o mandato para o qual fora eleito ainda em abril de 2019, confirmou que seu projeto inicial era disputar a vaga de senador. Mas essa possibilidade entrou em banho-maria quando o governador Flávio Dino (PCdoB), que chegou a admitir disputar a Presidência da República, desde que por uma grande aliança juntando o centro-direita, o centro, o centro-esquerda e a esquerda, e até mesmo disputar uma cadeira na Câmara Federal para ajudar seu partido na luta pela sobrevivência formal, avisou recentemente que sua opção primeira é pela candidatura ao Senado, o que começa a ganhar forma definitiva. Nesse caso, Othelino Neto foi claro: não será candidato a senador e buscará a reeleição de deputado estadual.

Um dos quadros que mais ganharam musculatura política nos últimos tempos, Othelino Neto tem um leque de opções bem maior do que Senado e Assembleia Legislativa. Nos vários cenários possíveis, ele pode, por exemplo, vir a ser candidato a vice-governador numa chapa de consenso da aliança dinista liderada por Weverton Rocha ou pelo vice-governador Carlos Brandão (Republicanos). Ou pode ainda, numa hipótese remotíssima, mas possível na política do Maranhão, vir a assumir o Governo se o vice-governador optar por outro rumo, o que lhe daria a possibilidade de tentar a reeleição. O presidente da Assembleia Legislativa é centrado, tem os pés no chão e sabe planejar seu futuro com cuidado, como demonstraram todos os seus passos desde que conseguiu eleger-se vice-presidente do parlamento estadual em fevereiro de 2015.

Numa outra perspectiva, a imagem que registrou Weverton Rocha e Márcio Jerry ontem, em Brasília, deu margem a uma série de especulações, sendo a mais factível e interessante delas a que enxergou no registro o prenúncio da candidatura do líder pedetista como candidato a governador e o líder comunista como candidato a vice, numa chapa abençoada por Flávio Dino, que a completaria como candidato ao Senado. O frenesi causado pela imagem de ontem, na verdade, só deu mais força a uma possibilidade que já vem sendo imaginada há tempos nos bastidores da política. O próprio Márcio Jerry foi perguntado sobre o assunto, tendo respondido com evasivas, mas com um largo sorriso no rosto, que disse mais que suas palavras.

O fato é que, num gesto de coerência raro na política, o presidente da Assembleia Legislativa praticamente arquivou seu projeto senatorial ao condicioná-lo à decisão quase certa do governador Flávio Dino de candidatar-se à vaga. Deixa em aberto, por enquanto, seu próximo passo, mas com a sabedoria de não criar obstáculo à liderança do governador Flávio Dino e a cautela de ter pavimentado sua reeleição ao parlamento estadual nas últimas eleições, nas quais participou diretamente da eleição de 19 prefeitos. Já em relação à sugestiva imagem ligando Weverton Rocha e Márcio Jerry, trata-se de uma possibilidade, muito remota, é verdade, mas não descartável, pois basta lembrar o que aconteceu nos surpreendentes movimentos que resultaram na recente eleição do prefeito de São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia reabre empossando nova Mesa e é saudada por Flávio Dino

Nova Mesa Diretora: Othelino Neto ao centro, ladeado por Cleide Coutinho, Paulo Neto, Andrea Resende e Pará Maranhão à esquerda, e por Glaubert  Cutrim, Detinha, Rildo Amaral e César Pires à direita, eleitos antecipadamente em abril de 2019

A Assembleia Legislativa do Maranhão iniciou suas atividades do ano legislativo de 2021 (o terceiro da 19ª Legislatura) de forma inédita: empossando a nova Mesa Diretora, eleita no primeiro semestre de 2019. Sob a presidência do deputado Othelino Neto, que renovou o mandato naquela eleição, o novo comando do Poder Legislativo do Maranhão terá a seguinte composição: 1º vice-presidente: Glaubert Cutrim (PDT), 2º vice-presidente: Detinha (PL), 3º vice-presidente: Rildo Amaral (Solidariedade), 4º vice-presidente: César Pires (PV), 1º secretário: Andréia Rezende (DEM), 2º secretário: Cleide Coutinho (PDT), 3º secretário: Pará Figueiredo (PSL) e 4º secretário: Paulo Neto (DEM).

Consumada a posse das nova Mesa, em ato presenciado pelo procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau e pelo desembargador Tyrone Silva, representante do Judiciário, o presidente Othelino Neto definiu o momento: “Este novo biênio é importante para todos nós. Continuaremos trabalhando muito pelo Maranhão, cumprindo com o nosso dever de legislar e fiscalizar as ações do Poder Executivo, ajudando aqueles que mais precisam da proteção do Estado”. E completou: “A presença dos senhores mostra, mais uma vez, para o Maranhão inteiro e para o Brasil, a capacidade de diálogo que nós temos. O Maranhão dá um bom exemplo para o Brasil. Quem ganha com isso é a sociedade, quando nós todos, servidores públicos, estamos cumprindo com o nosso dever. Ruim seria se nós tivéssemos a capacidade de, mesmo na divergência, dialogar. Esse espírito público que supera divergências ideológicas é que tem norteado a Assembleia Legislativa do Maranhão”.

O governador Flávio Dino, que participou do ato remotamente, por videoconferência, saudou o Legislativo: “Quero transmitir meus votos de êxito nesta nova etapa da caminhada do Parlamento do nosso Estado. Sempre com a convicção de que independência e harmonia serão as marcas dessa nova quadra, como tem sido desde que tive a alegria e a honra de ser empossado como chefe do Poder Executivo estadual. Assim temos caminhado e assim continuaremos, porque acreditamos que os trilhos da Constituição são aqueles que nos conduzem a bons destinos”.

 

Senado faz sucessão civilizada; na Câmara Federal, novo presidente começa atacando antecessor

Rodrigo Pacheco venceu no Senado e Arthur Lira foi eleito na Câmara Federal

O Brasil assistiu ontem ao Congresso Nacional renovar seus comandos com dois cenários absolutamente diferentes. No primeiro, o Senado da República deu um exemplo de seriedade, com o presidente eleito, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), apoiado pelo Palácio do Planalto, deu uma prova de civilidade política, desfazendo ali mesmo o clima de disputa ao saudar respeitosa decentemente a sua oponente, a senadora Simone Tebet (MDB-MT), e elogiar a obra do seu antecessor, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Além disso, abriu seu discurso mandando um recado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os golpistas que o cercam no Palácio do Planalto: não admitirá qualquer ameaça à democracia, à Constituição, às liberdades civis e o Estado Democrático de Direito. Foi uma transição de fazer inveja ao antes civilizado e hoje combalido Senado norte-americano, principal referência parlamentar do planeta até o mês passado.

Na Câmara Federal o ambiente foi outro. Numa decisão que surpreendeu até mesmo seus partidários, o novo presidente, deputado Arthur Lira (PP-AL), não completou uma hora no cargo e já partiu para o revanchismo. O seu primeiro ato formal foi uma resolução legislativa desmanchando ato do seu antecessor, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), aceitando deum bloco de partidos de esquerda que apoiou seu adversário, deputado Baleia Rossi (MDB-SP). E o fez de maneira agressiva, deixando muito claro que vai manter a Casa em clima de guerra, ao contrário do novo presidente do Senado, que preferiu unir a Câmara Alta.

Os dois cenários deixaram claro que, a exemplo do ex-presidente Davi Alcolumbre, o presidente Rodrigo Pacheco, terá relação próxima com o presidente Jair Bolsonaro, mas não permitirá sua interferência no Senado. Já os primeiros atos e gestos do presidente da Câmara Federal indicaram que, ao contrário do seu antecessor, o presidente Jair Bolsonaro e sua turma vão, direta ou indiretamente, dar as cartas na Casa.

São Luís, 02 de Fevereiro de 2021.

Assembleia retoma atividades sob pressão da pandemia e com deputados movidos pelo desafio da reeleição

 

Othelino Neto comandando sessão usando máscara, em sessão remota e e plenário que abriga tensões

Ainda sob o impacto da pandemia do novo coronavírus, mas sem a agitação que costuma marcar eleições para o comando da Casa, uma vez que a Mesa Diretora que assumirá foi eleita no ano passado, numa bem-sucedida articulação que culminou com a reeleição do presidente Othelino Neto (PCdoB), a Assembleia Legislativa retoma seus trabalhos nesta Segunda-Feira (1º). Depois de terem fechado a primeira metade do atual mandato com a guerra política que sacudiu suas bases nas eleições municipais, os deputados estaduais vão para os dois últimos anos movidos agora pelo mais duro e complicado de todos os seus desafios: a reeleição. Até a corrida às urnas decorrerão 20 meses, ou seja, 600 dias, durante os quais o parlamento estadual vai funcionar sob pressão crescente, que em muitos momentos eclodirá nos embates que via de regra acontecem como reflexo da luta antecipada pelo voto. Traquejado nesse jogo, o presidente Othelino Neto terá de usar toda a sua habilidade para reduzir ao máximo os danos políticos dos conflitos entre deputados que certamente ocorrerão no plenário e fora dele.

A Assembleia Legislativa entrará no terceiro período da atual legislatura em clima de contagem regressiva. Isso porque, daqui a menos de 14 meses, o governador Flávio Dino (PCdoB) deve encerrar seu Governo desincompatibilizando-se para, tudo indica, disputar uma cadeira no Senado da República. Pelo que está programado, pelo menos até aqui, o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) assumirá o Governo e o comando da máquina pública, devendo causar uma mudança, se não exatamente radical, muito expressiva no cenário político, a começar pelo fato de que ele não esconde que o seu projeto é candidatar-se à reeleição. Tem como contraponto o senador Weverton Rocha (PDT), que – mesmo afirmando que não disse que é candidato – mas também não declarou categoricamente que não o será – vem trabalhando intensamente para viabilizar sua candidatura, o que tem tensionado a aliança partidária comandada pelo governador Flávio Dino.

Mantida sob controle pela surpreendente habilidade do presidente Othelino Neto de administrar conflitos, conseguindo assim um clima de normalidade nas ações legislativas e institucionais em meio a muitas e profundas diferenças, a Assembleia Legislativa é uma casa politicamente dividida. Não exatamente na divisão clássica com Situação e Oposição, mas no jogo da luta pelo poder. Ali se movem parlamentares que trabalham pelo fortalecimento do projeto do vice-governador Carlos Brandão e também os que abraçaram o movimento liderado pelo senador Weverton Rocha. Porém, mesmo fazendo uma acirrada medição de forças, as duas frentes têm sido cuidadosas no sentido de evitar que suas ações comprometam a liderança do governador Flávio Dino, que igualmente tem sabido administrar os conflitos que aqui e ali sacodem a base que lidera.

Independentemente do fato de estar sendo em parte movida por tensões, a Assembleia Legislativa deverá funcionar com forte consciência institucional e com bom desempenho legislativo. O ânimo dominante na Casa é repetir a correta e eficiente atuação do ano passado, quando, mesmo afetada pelos efeitos devastadores da pandemia- perdeu um deputado, Zé Gentil (Republicanos), para o coronavírus – os deputados fizeram a parte deles ao assegurar legalidade às medidas com as quais o governador Flávio Dino comandou a bem-sucedida guerra contra a pandemia no Maranhão. Naquele período, a Casa foi uma das primeiras do País a realizar sessões remotas, durante as quais propôs e viabilizou medidas que muito contribuíram na guerra pandêmica em território estadual.

O período legislativo que começa nesta Segunda-Feira será, portanto, marcado por forte conotação política. Tanto no plano individual de cada deputado devido à preocupação com a reeleição, quanto no plano geral, à medida que todos eles, a começar pelo presidente Othelino Neto, estarão diretamente envolvidos na guerra que será travada pela sucessão do governador Flávio Dino.

Serão, até onde é possível antever, 20 meses de muita movimentação no complicado, sinuoso, movediço, desafiador e instigante campo da política. Os deputados estaduais sabem muito bem onde vão pisar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bancada maranhense dará maioria a Arthur Lira, com votos que chamam a atenção

Gil Cutrim, Pedro Lucas Fernandes, Juscelino Filho e Edilázio Jr.: votos que chamam a atenção

As articulações dos últimos dias foram decisivas, e já não há mais dúvidas de que o deputado alagoano Arthur Lira (PP), candidato à presidência da Câmara Federal apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), terá a maioria dos votos da bancada maranhense. Pelas contas feitas ontem por um parlamentar, votarão nele os deputados Aluísio Mendes (PSC), Edilázio Jr. (PSD), Gil Cutrim (PDT), Juscelino Filho (DEM), Pedro Lucas Fernandes (PTB), Cléber Verde (Republicanos), André Fufuca (PP), Josimar de Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL), Pastor Gildenemyr (PL), Marreca Filho (Patriotas) e Josivaldo JP (PHS). O candidato do MDB, o paulista Baleia Rossi, apoiado pelo ainda presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), terá os votos de João Marcelo (MDB), Hildo Rocha (MDB), Rubens Jr. (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Simplício Araújo (Solidariedade) e Zé Carlos (PT).

Nesse contexto, quatro votos chamam a atenção.

O primeiro é o do deputado Gil Cutrim, está à cavalheiro para votar em Arthur Lira, primeiro por não esconder sua simpatia pelo bolsonarista, e depois pelo fato de que tem se notabilizado por não seguir a orientação do PDT em votações na Câmara Federal, via de regra votando a favor do Governo Bolsonaro. Político de direita, Gil Cutrim já esteve numa lista de deputados que seriam expulsos do partido por contrariar sua orientação em votações importantes. Se mantém no PDT, que é de centro-esquerda, graças à inexplicável “compreensão” do senador Weverton Rocha, manda-chuva do partido. Vai votar em Arthur Lira seguro de que não será importunado com cobranças.

O outro voto é o do deputado Pedro Lucas Fernandes. Inicialmente, havia manifestado intenção de votar em Baleia Rossi, mesmo contrariando a tendência do seu partido, que era a de apoiar Arthur Lira, o que acabou se confirmando com o martelo batido por Roberto Jefferson, que mesmo processado, condenado e preso por corrupção, continua mandando no partido. Pedro Lucas Fernandes não resistiu à pressão e bandeou-se para o candidato bolsonarista. Isso depois de haver prometido voto a Baleia Rossi na véspera da visita do emedebista a São Luís.

O terceiro é o voto do deputado Juscelino Filho, que será de Arthur Lira. A escolha de Juscelino Filho seria natural não fosse o fato de Baleia Rossi ser apoiado por Rodrigo Maia. A situação é a seguinte: o DEM nacional rachou por conta da disputa na Câmara Federal, ficando Rodrigo Maia de um lado apoiando Baleia Rossi, e o presidente nacional do partido, ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, aliando-se a Arthur Lira. Mesmo tendo sido muito prestigiado pelo presidente Rodrigo Maia, presidindo comissões importantes sem qualquer base de experiência para tanto, já no primeiro mandato, o que é raro, Juscelino Filho “esqueceu” o apoio que recebeu e optou por Arthur Lira para ficar numa boa com ACM Neto. Rodrigo Maia estaria decepcionado com o parlamentar.

Dos quatro, o voto mais consciente e determinado em Arthur Lira será o do deputado Edilázio Jr.. Afinado com o Palácio do Planalto e militante ativo do bolsonarismo, desde o início dessa disputa, ele se posicionou como eleitor de Arthur Lira, inclusive liderando a comitiva de recepção na visita do candidato a São Luís. Aconteceu, porém, que Baleia Rossi teria procurado o ex-presidente José Sarney, que integra o comando nacional do MDB, na esperança de que ele convencesse Edilázio Jr., que é genro de Ronald Sarney, a apoiá-lo. A julgar pela posição inalterada do parlamentar ao lado de Arthur Lira, ou José Sarney não fez o pedido, ou fez, mas não foi atendido. Fica a dúvida.

 

Roberto Rocha tem duas decisões a tomar: definir seu caminho nas urnas e o futuro do PSDB

Roberto Rocha: atuação no Senado alinhada ao Governo

Uma indagação percorre o meio político: qual o rumo que o senador Roberto Rocha pretende dar ao braço maranhense do PSDB. A curiosidade é justificada. Os tucanos maranhenses saíram das eleições municipais de 2016 com 28 prefeitos e nas de 2020 com apenas quatro. Em 2014, o PSDB elegeu apenas um deputado federal (João Castelo) e dois deputados estaduais (Neto Evangelista e Sérgio Frota), e em 2018 nenhum deputado federal e apenas um deputado estadual (Wellington do Curso). Roberto Rocha elegeu-se senador em 2014 pelo PSB, tendo assumido o comando do PSDB dois anos depois.

O senador, que preside o ninho dos tucanos maranhenses, não tem se mostrado muito ativo no que diz respeito a cuidar do PSDB. Político experiente, nascido e crescido bebendo na rica fonte que era o pai, Luiz Rocha – um político forjado no mundo das articulações, tanto que saiu de Balsas, passou pelo Movimento Estudantil, Câmara Municipal de São Luís, Assembleia Legislativa, Câmara Federal, pelo Governo do Estado e Prefeitura da sua terra natal, uma carreira vitoriosa – o senador parece não encontrar ânimo para a intensa e desgastante gestão partidária.

No final do ano, Roberto Rocha anunciou que a partir deste ano se dedicaria politicamente ao Maranhão. Tem uma decisão difícil para tomar, que inclui quatro alternativas: tentar renovar o mandato de senador tendo o governador Flávio Dino como adversário, disputar o Governo do Estado, tentar uma cadeira na Câmara Federal, ou simplesmente chutar o balde da política e ir para casa e se dedicar aos negócios e à família. Antes disso, terá de definir um rumo para o PSDB, antes que ele desapareça do mapa político do Maranhão.

São Luís, 31 de Janeiro 2021.

Roseana joga com experiência ao descartar Senado e Governo para disputar uma cadeira na Câmara Federal

 

Roberto Costa e Roseana Sarney: duas gerações em sintonia política dentro de um MDB em renovação

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) não entrará na disputa para o Senado no ano que vem, mas está animada para participar da corrida eleitoral, mais provavelmente como candidata à Câmara Federal ou, numa possibilidade remota, e quase descartada, ao Governo do Estado. O descarte do projeto senatorial e o ânimo pré-eleitoral da ex-governadora foram revelados ontem pelo deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente e principal articulador do braço maranhense do MDB, e que também tem atuado como interlocutor frequente e porta-voz eventual da líder emedebista. Com a revelação, Roberto Costa encerrou uma onda de especulações quanto ao futuro político de Roseana Sarney, ao mesmo tempo em que a recolocou efetivamente no tabuleiro das articulações para as decisivas eleições do ano que vem.

O desinteresse em concorrer à vaga no Senado, a ser aberta com o fim do mandato do senador Roberto Rocha (PSDB), pode ser explicado por dois vieses. O primeiro é que ela enfrentaria uma disputa muito difícil com o governador Flávio Dino (PCdoB), que já decidiu ser esse o seu caminho na corrida eleitoral, visto quase unanimemente como nome imbatível para a vaga. Entrar nesse embate seria, portanto, um movimento desgastante e de altíssimo risco, no qual uma derrota certamente colocaria ponto final na sua trajetória política. Aos 67 anos e com uma jornada que contabiliza sete eleições com cinco vitórias – uma para deputada federal (1990), três para o Governo (1994, 1998 e 2010) uma para o Senado (2002) – e duas derrotas, ambas para o Governo (2006 e 2018), tendo sido também lembrada para presidente da República (2002), não faz sentido queimar seu prestígio num confronto difícil.

O viés que prevê sua candidatura à Câmara Federal é mais lógico e faz todo sentido. Começa com o fato de que atuará como “puxadora” de votos para o MDB, podendo, com uma campanha planejada e inteligente, usar o seu prestígio político para alcançar uma boa votação e, assim, contribuir ajudando o partido a eleger uma minibancada federal. Se alcançar o patamar dos 200 mil votos e se os deputados João Marcelo e Hildo Rocha repetirem o desempenho de 2018, o MDB poderá eleger quatro deputados federais, ou mais. Além disso, Roseana Sarney nunca escondeu que gosta mais da agitação da Câmara Federal do que o formalismo às vezes sonolento do Senado. Com a experiência política que acumulou de 1985 para cá, poderá perfeitamente se tornar uma referência na bancada do seu partido.

É sabido que no seu círculo mais íntimo de relações a ex-governadora sofre pressões de saudosistas que dariam tudo para tê-la de volta ao Palácio dos Leões. Esses “conselheiros” avaliam que ela teria chance de se dar bem no cenário de uma disputa entre o futuro governador Carlos Brandão (Republicanos) e o senador Weverton Rocha (PDT), que incluísse também o senador Roberto Rocha. Mas qualquer avaliação cuidadosa, distanciada de paixão ou interesse, certamente remeterá para a conclusão segundo a qual na corrida sucessória suas chances seriam modestas e seus riscos estratosféricos. Isso porque a corrida sucessória que se aproxima se dará num ambiente de disputa entre dois padrões determinados e duros, no qual a ex-governadora não se encaixa muito bem. Logo, é difícil imaginar a ex-governadora participando de uma guerra implacável pelo Palácio dos Leões em 2022.

É fato que Roseana Sarney está politicamente viva, conserva uma boa fatia de prestígio político e tem acumulado um rico baú de experiências nessa seara. Quando faz opção por um mandato na Câmara Federal, com chance de vitória, dá uma demonstração de que compreende com clareza que não faz sentido arriscar o seu prestígio em projetos sem futuro. Vem demonstrando essa compreensão da realidade ao apoiar, por exemplo, o processo de renovação que seu partido, o MDB, vem vivenciando sob o comando do deputado Roberto Costa, que reconhece e respeita a liderança que ela ainda exerce dentro do partido e do que restou do Grupo Sarney.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maranhão foi o líder nordestino na geração de empregos formais em 2020

Flávio Dino satisfeito com a geração de empregos

O Maranhão foi o estado nordestino e o 4º do País que mais criou empregos em 2020 em meio à avassaladora pandemia do novo coronavírus, que atingiu fortemente a economia e causou uma massacrante onda de desemprego. Foram 19.753 postos de trabalho com carteira assinada formalizados no período de Janeiro a Dezembro, segundo os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Governo Federal. Isso apesar do impacto destruidor da pandemia sobre as atividades econômicas, especialmente os setores comercial e de serviços.

Para esse resultado contribuíram vários fatores, sendo o principal deles a forma planejada com que o Governo do Estado encarou o desastre pandêmico. O primeiro passo foi manter o ritmo de investimentos em obras públicas, garantindo assim grande parte dos empregos na construção civil, além de uma série de ações sociais.

O passo mais arrojado foi dado em Agosto, com o lançamento do Plano Emergencial de Empregos Celso Furtado, um programa de investimentos de R$ 558 milhões em obras públicas, compras governamentais e editais de fomento para alavancar a economia estadual. Além disso, adotou uma série de medidas de estímulos às atividades econômicas.

Com todos os motivos para tal, o governador Flávio Dino comemorou o feito em suas redes sociais: “Fechamos 2020 com um dos maiores saldos positivos de empregos do Brasil. Em termos de variação percentual, o 4º melhor desempenho do Brasil e o 1º lugar do Nordeste (em variação percentual e em número absoluto)”.
E completou: “Cumprimento a classe trabalhadora, os empresários e a nossa equipe pelos números”.

Que venha mais em 2021.

 

Posição da bancada maranhense na eleição da Câmara Federal continua indefinida

Disputa entre Baleia Rossi e Arthur Lira e definida na bancada maranhense

A três dias da eleição, continua rigorosamente indefinida a divisão dos 18 votos da bancada maranhense na disputa para a presidência da Câmara Federal. Os dois principais candidatos, Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Arthur Lira (PP-AL), bancado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), passaram por São Luís em campanha e deixaram o Maranhão cantando vitória.

Cantoria dos candidatos e aliados à parte, o fato é que ontem à tarde o cenário era o seguinte: Baleia Rossi contava com os seguintes votos: João Marcelo (MDB), Hildo Rocha (MDB), Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB) e Zé Carlos (PT). Arthur Lira tinha como certos os seguintes votos: Juscelino Filho (DEM), Aluísio Mendes (PSC), Pastor Gildenemyr (PL), André Fufuca (PP), Gil Cutrim (PDT), Cléber Verde (Republicanos), Edilázio Jr. (PSD) e Pedro Lucas Fernandes (PTB).

Estavam indefinidos: Josimar de Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL), Marreca Filho (Patriotas) e Josivaldo JP (PHS).

A decisão continua nas mãos de Josimar de Maranhãozinho, que controla os votos de Júnior Lourenço e Marreca Filho.

São Luís, 29 de Janeiro de 2021.

Governo mantém canal aberto para estabelecer relações republicanas com a Prefeitura de São Luís

 

Flávio Dino aberto a parceria; Eduardo Braide ainda não se manifestou sobre o tema

Indagado recentemente sobre como será a relação do Governo do Estado com a Prefeitura de São Luís de agora por diante com a saída de um aliado, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), e a entrada de um adversário político, o prefeito Eduardo Braide (Podemos), no Palácio de la Ravardière, o deputado federal licenciado, presidente estadual do PCdoB e atual secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, respondeu de pronto, sem um segundo de vacilo: “Isso só depende do prefeito”. E sem dar tempo para outra pergunta, esgotou o assunto completando: “O governador Flávio Dino já disse que está pronto para ter relações institucionais e republicanas com todos os prefeitos do Maranhão”. Apesar de sucinta, a resposta do novo titular da Secid revelou, com clareza solar, o posicionamento do Palácio dos Leões em relação ao novo status político da Prefeitura de São Luís, que saiu da condição de aliada importante para se tornar uma cidadela oposicionista.

Vale lembrar que, anunciado o resultado do segundo turno da disputa na Capital, com a vitória inquestionável do candidato do Podemos, o governador Flávio Dino divulgou mensagem em que saudou os 217 eleitos e anunciou que, independentemente das eventuais diferenças políticas, o Governo manterá suas portas abertas para todos os que quiserem estabelecer parcerias com a administração estadual. Poderia ter se manifestado no final do primeiro turno, quando 216 já estavam eleitos, mas fez questão de esperar pela definição da disputa em São Luís, para incluir o novo gestor, aliado ou adversário, no contexto das relações institucionais do Governo, sob o argumento de que as populações municipais, a começar pelos 1,2 milhão de ludovicenses, não podem arcar com o ônus de diferenças políticas.

Neste primeiro mês da nova ordem, não houve acenos do Palácio de la Ravardière nem do Palácio dos Leões. Ao mesmo tempo, vale registrar que nenhuma rusga veio à tona para causar mal-estar. O ambiente de distanciamento político e institucional foi alterado pelo início da vacinação, com a linha direta instalada entre os secretários estadual e municipal de Saúde, respectivamente, Carlos Lula e Joel Nunes Júnior, que dialogaram produtiva e civilizadamente. O resultado do entendimento foi que, a exemplo do que fez com muitas prefeituras, o Governo do Estado forneceu milhares de seringas, agulhas e EPIs à Prefeitura de São Luís, numa saudável relação de cooperação. O link instalado na área de Saúde confirmou o teor da mensagem do governador Flávio Dino aos prefeitos depois do segundo turno em São Luís.

Há, no meio político, certa expectativa quanto ao futuro dessa relação. Alguns acham que ela será produtiva nos próximos meses, mas com alto risco de entrar em turbulência com a aproximação da grande e decisiva disputa eleitoral do ano que vem. Ao mesmo tempo em que há vozes estimulando o prefeito Eduardo Braide a envergar o pragmatismo e dar o primeiro passo em busca de parcerias com o Governo, há também as que o estimulam a manter distância do Palácio dos Leões, preferindo tê-lo como adversário. Político que não costuma consultar “oráculos” para tomar suas próprias decisões, o prefeito Eduardo Braide se mantém aparentemente alheio a essa situação. Da sua parte, o governador Flávio Dino abriu as portas, e até onde se pode perceber, não fez qualquer gesto em sentido contrário.

É verdade que ainda é cedo, as feridas da disputa eleitoral ainda estão sarando, e a nova gestão da Capital, mesmo tendo encontrado uma máquina ajustada – em boa medida com a ajuda ao Governo -, ainda está se instalando e tentando encontrar um eixo e um ritmo. Ao mesmo tempo, o Governo estadual entra na reta final turbinado, com grande portfólio em São Luís. Cedo ou tarde o prefeito Eduardo Braide terá de se posicionar, voluntaria ou circunstancialmente, em relação à mensagem do governador Flávio Dino aos prefeitos. O secretário Márcio Jerry tem razão quando diz que a relação, se vier a ser estabelecida e o nível que ela alcançará, só depende do prefeito.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Márcio Jerry e Rubens Jr. voltarão à Câmara Federal para votar em Baleia Rossi

Márcio Jerry e Rubens Jr.:apoio a Baleia Rossi

Os secretários Márcio Jerry (Cidades) e Rubens Jr. (Articulação Política) serão exonerados hoje para reassumirem amanhã suas cadeiras na Câmara Federal, hoje ocupadas pelos suplentes Gastão Vieira (PROS) e Elizabeth Gonçalo (Avante). Márcio Jerry e Rubens Jr. reassumirão momentaneamente seus mandatos para cumprir a decisão do PCdoB de que sua bancada, de sete deputados, votará integralmente no candidato do MDB à presidência da Câmara Baixa, Baleia Rossi (SP), que com o apoio do atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ), enfrentará o deputado alagoano Arthur Lira (PP), candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Além da recomendação do PCdoB no sentido de que seus deputados votem em Baleia Rossi, o candidato emedebista esteve na semana passada em São Luís, em campanha, deixando o Maranhão com a promessa de votos da maioria da bancada maranhense, tendo como dúvida apenas os três votos controlados pelo deputado Josimar de Maranhãozinho.  Além do mais, se permanecesse no mandato, Gastão Vieira poderia seguir seu partido e votar em Arthur Lira, seguindo a orientação do PROS, que abraçou o candidato bolsonarista, assim como Elizabeth Gonçalo, que poderia votar de acordo com a determinação do Avante.

Márcio Jerry e Rubens Jr. se licenciarão novamente na Terça-Feira (2), para serem renomeados secretários de Cidades e de Articulação Política.

 

Até pensadores da direita já preveem o fim do bolsonarismo nas eleições de 2022

Jair Bolsonaro: desequilíbrio a caminho da derrota

As agressões do presidente Jair Bolsonaro à Imprensa, ontem, numa reação desequilibrada à revelação de que seu governo gastou, em 2020, R$ 1,8 bilhão em alimentos, incluindo R$ 15 milhões em leite condensado, mostraram que ele começa a sentir o peso do descrédito, mesmo falando para uma plateia de aliados e puxa-sacos, entre eles o indescritível ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A fala do presidente é reveladora de que o chão em que pisa já não é tão firme e que os baixos índices de aprovação, à sua criminosa irresponsabilidade no trato da pandemia, ao insucesso na economia, fracassos associados às dezenas de pedidos de impeachment protocolados na Câmara Federal estão aumentando o seu desequilíbrio e confirmando a sua incapacidade de presidir o Brasil. Sua posição está de tal modo fragilizada que até intelectuais de direita começam a perceber que, se ele não for tirado do cargo antes, por impeachment, sua era termina no dia 31 de dezembro de 2022. Prova disso está nas linhas desse artigo, de autoria do cientista político Márcio Coimbra, coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília e ex-Diretor-Executivo do Interlegis no Senado Federal. Segue o texto:

 

Intuição vs. Estratégia: Bolsonaro fora do 2º Turno

Bolsonaro pode não chegar ao segundo turno em 2022. A previsão pode ser precipitada, dirão alguns, porém, foi o mesmo que ouvi quando disse que Bolsonaro venceria as eleições presidenciais. Estávamos em 2016. Fato é que a política tem caminhos curiosos, mas ao observar cenários e padrões de comportamento, tudo indica que o desgaste do presidente impulsionado pelos dados ruins da economia e da pandemia podem condenar seu governo e sua eventual tentativa de reeleição. É aquilo que as pesquisas mostram.

As eleições de 2018 guardavam um elemento especial, uma espécie de onda de renovação que ocorre a cada três décadas. O mesmo fenômeno havia levado ao poder Fernando Collor em 1989, Jânio Quadros em 1960 e criou as condições para a chegada de Getúlio Vargas ao poder em 1930. Em todas ocasiões houve troca de ciclo político e o estabelecimento de um novo jogo de forças que duraria cerca de três décadas.

Assim, a eleição de 2018 vem romper com a Nova República e estabelecer um novo equilíbrio de poder. Longe de liderar este processo, como fez Getúlio Vargas, Jair Bolsonaro posiciona-se apenas como o elemento disruptivo que chega para romper com as antigas estruturas, assim como foram Jânio Quadros e Fernando Collor. Sem habilidade para lidar nos andares mais altos da política, tende a ser engolido por ela.

Ao rejeitar o debate político no Congresso Nacional em seu primeiro ano e ser tragado pela pandemia no segundo ato, Bolsonaro não entregou reformas, mudanças ou realizações. Entra na terceira parte de seu mandato com um déficit que beira 1 trilhão, negando a pandemia, com taxas recordes de desemprego e sem recursos para pagar novamente o auxílio emergencial, instrumento que manteve sua popularidade estável em tempos bicudos.

Tudo indica que o presidente entrará no ano final de sua Presidência ferido politicamente, porém ainda acreditando em sua habilidade de virar o jogo. Bolsonaro é um político intuitivo, mas não um estrategista. Venceu 2018 a bordo de uma onda que não existe mais. 2022 é um jogo de estratégia, não mais de intuição. Terá ao seu lado seus fiéis seguidores, porém terá perdido o impulso que o levou até a Presidência, representando o lajavatismo, antipetismo, liberalismo e até o conservadorismo. O bolsonarismo como fenômeno chega enfraquecido em 2022.

As eleições municipais de 2020 já deram o tom do eleitorado. Se em 2016 apontava para renovação e inauguração de uma nova política, no ano passado refluiu e reencontrou-se com a realidade. Ao eleger o centro pragmático e despachar os outsiders que não ofereceram gestão da pandemia, reabilitou a política real e preparou o caminho para a retomada do poder nas eleições gerais. Uma equação na qual não cabe Bolsonaro.

Caminhamos para um pleito menos emocional e mais racional, sem rupturas ou surpresas. Assim como nos Estados Unidos, políticos conhecidos e tradicionais tendem a se impor com sua experiência e bom senso. Políticos que conhecem a máquina e sabem gerar resultados tendem a ter vantagem nas urnas. 1989 está para 2018 assim como 1994 talvez esteja para 2022.

Por tudo isso, talvez tenhamos um presidente que não chegue ao segundo turno. Comandará a máquina, mas diante de uma combalida situação econômica, é possível que não tenha fôlego para impulsionar sua candidatura. O eleitorado cansou de aventuras. Está sofrendo a dor de uma pandemia e o derretimento da economia. O país precisa de gestão e recuperação. Precisa de um líder que vá além das narrativas. O caminho está aberto para sua chegada.

São Luís, 28 de Janeiro de 2021.

Márcio Jerry avisa: Governo Dino investirá alto no último ano e irá forte para as eleições

 

Márcio Jerry: entusiasmado com as tarefas que lhe foram dadas pelo governador Flávio Dino

Os embates entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) nas eleições municipais do ano passado, principalmente em São Luís, e na eleição para o comando da Famem, há duas semanas, causando tensões e fissuras na aliança governista, foram eventos naturais num cenário em que as forças políticas se preparam para disputar a sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB), mas ficaram para trás. Agora que o governador trabalha para turbinar o último ano do seu Governo – que termina em Abril do ano que vem -, o clima é de brandura política, para suavizar o ambiente, com menos tensão e mais diálogo, mais entendimento. O foco é a centralidade do comando do governador Flávio Dino, que preferencialmente disputará vaga no Senado e conduzirá no seu campo o processo da sua sucessão. E quem ignorar isso estará cometendo um grave erro.

O cenário, que inclui também o aviso enfático, foi desenhado ontem pelo deputado federal licenciado Márcio Jerry, atual secretário de Cidades, presidente estadual do PCdoB e principal integrante do núcleo central do Governo estadual, em entrevista ao programa Ponto & Vírgula, na Difusora FM, comandado pelo blogueiro Leandro Miranda. O secretário assinalou que, de acordo com o seu entendimento, ao contrário do que aconteceu em 2014 e 2018, a grande disputa de 2022 não comportará um debate sobre nomes, mas sobre conteúdo. “O desafio será como manter os avanços sociais alcançados nos sete anos e meio do Governo Flávio Dino, com um número muito maior de escolas e de professores”, exemplificou o secretário. Sobre esse contexto, Márcio Jerry disse que já conversou com Weverton Rocha e com Carlos Brandão, revelando que os dois estão alinhados a esse processo.

Sem esconder sua empolgação com a tarefa de comandar a Secid, que operacionalmente é uma ponte entre o Palácio dos Leões e as Prefeituras, Márcio Jerry admite que irá atuar, também intensamente, no campo político. E não poderia ser diferente, a começar pelo fato de que a pasta que lhe foi entregue tem relação direta com as prefeituras, o que o colocará em contato permanente com prefeitos e líderes municipais, tocando obras em pelo menos uma centena de municípios. Indagado sobre se a relação republicana com municípios incluirá São Luís, agora sob o comando d prefeito Eduardo Braide (Podemos), adversário declarado do Governo, o titular da Secid foi taxativo: “Claro que sim. O Governo tem um gigantesco portfólio de obras em São Luís. O governador Flávio Dino não tem problemas de manter relações institucionais e republicanas com qualquer município. Só depende do prefeito”.

As declarações do secretário das Cidades revelaram que, independentemente da guerra contra o coronavírus, na qual o Governo do Maranhão tem sido referência para o País, o governador Flávio Dino vai dedicar os próximos 14 meses ao robustecimento das ações administrativas e às articulações políticas, tanto internamente quanto no âmbito nacional. No front interno, cuidará de fortalecer a aliança que lidera, dando ênfase às articulações para a sua sucessão, de preferência alcançando um grande entendimento em torno de um candidato. Já no plano externo, insistirá até onde for possível na formação de uma grande frente reunindo a centro-direita, o centro, o centro esquerda e a esquerda em torno de projeto para derrotar o bolsonarismo nas urnas de 22.

Conhecedor profundo e tarimbado das entranhas políticas do Maranhão, principalmente no campo em que milita com a experiência de várias eleições como coordenador, incluindo as duas de Edivaldo Holanda Jr. (2012-2016) e duas do governador Flávio Dino (2014-2018), Márcio Jerry sabe exatamente o que deve ser feito para desenhar e viabilizar um projeto político-eleitoral num ambiente carregado de incertezas como o que começa a ganhar forma no Maranhão. Ele assinala que, diferentemente de 2014 e 2018, quando a aliança se mobilizou pela eleição e pela reeleição do governador Flávio Dino, a guerra eleitoral que se aproxima será decisiva para o futuro do estado.

O principal desafio agora será encontrar o nome certo para comandar a aliança, vencer a eleição e avançar no processo de mudanças.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Especulação sugere mudança nas lideranças do Governo na Assembleia Legislativa

 Rafael Leitoa e Marco Aurélio: especulação 

As mudanças que o governador Flávio Dino fez na sua equipe, remontando o núcleo central do Governo, levaram ao surgimento de rumores de que ele poderá mudar a liderança do Governo na Assembleia Legislativa, cargo hoje ocupado pelo deputado Rafael Leitoa (PDT), e estimular rodízio na liderança do Bloco que lhe dá sustentação na Casa, exercida atualmente pelo deputado Marco Aurélio (PCdoB), que disputou a Prefeitura de Imperatriz e ficou em segundo lugar.

Mais do que uma avaliação de que está na hora de fazer essas mudanças, a troca de líderes da base parlamentar governista é uma tradição nas casas legislativas a casa dois anos. Ao mesmo tempo, vale a observação de que o deputado Rafael Leitoa é um líder governista atuante e eficiente, que vem dando conta do recado com intensa movimentação em plenário e nos bastidores do Parlamento. A mesma avaliação pode ser feita em relação ao deputado Marco Aurélio, que vem conduzindo, também com empenho e eficiência a bancada governista na Casa, inclusive elogiado pelos colegas pela maneira correta com que atua em nome do Palácio dos Leões.

É improvável que o governador Flávio Dino tenha interesse em mexer nas suas lideranças na Casa, mas as especulações trouxeram à tona o velho ditado segundo o qual onde há fumaça, há fogo.

 

Expert em bastidores do Congresso, Roseana Sarney poderia ajudar Baleia Rossi

Roberto Costa, Baleia Rossi e Roseana Sarney durante a visita ao casarão do Calhau, na semana passada

Não será surpresa se nos próximos dias a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) entrar no circuito de Brasília em apoio ao candidato do MDB à presidência da Câmara Federal, o deputado paulista Baleia Rossi. Quando esteve em São Luís, na última Sexta-Feira (22), Baleia Rossi visitou a ex-governadora, que recebeu a comitiva no casarão da família no Calhau. Na conversa, ela se colocou à disposição para ajudá-lo conversando com alguns amigos que mantem no Congresso Nacional. Nada ficou acertado, mas Baleia Rossi demonstrou satisfação com a oferta.

Se entrar em campo em apoio ao emedebista, Roseana Sarney pisará um terreno que conhece muito bem, independentemente de que lá esteja, uma vez que o jogo é sempre o mesmo. Quando assessorou o então presidente José Sarney, Roseana Sarney fez muitas pontes com o meio político de então, mantendo contato com deputados federais e senadores sempre que necessário. Como deputada federal (1991-1994), atuou fortemente nos bastidores, tendo sido a coordenadora do movimento que derrubou o então presidente Collor de Mello.  E como senadora, foi líder do Governo Lula no Congresso Nacional, articulando a base de apoio para votações. E só deixou o cargo para assumir o Governo do Estado com a cassação do governador Jackson Lago (PDT).

Não é possível saber se, convocada por Baleia Rossi, ela conseguiria bons resultados. É certo, porém, que ela conhece o caminho das pedras no Planalto Central.

São Luís, 27 de Janeiro de 2021.