Todos os posts de Ribarmar Correa

Edivaldo Jr. começa a se movimentar de olho nas urnas

 

edivaldo pt
Edivaldo Jr. reunido com a cúpula do PT de São Luís no Palácio de la Ravardière

O prefeito Edivaldo Jr. (PTC) recebeu, ontem, em audiência no Palácio de la Ravardière, a cúpula municipal do PT, comandada pelo presidente da agremiação, Fernando Magalhães. O fato poderia ser tranquilamente interpretado como um evento de rotina, já que o PT tem representantes em cargos da administração municipal. Mas, analisando bem as circunstâncias e o contexto em que ela aconteceu, é fácil deduzir que o prefeito Edivaldo Jr. começa a dar adeus à lentidão administrativa e a movimentar com firmeza a roda que o embalará na corrida em busca da reeleição no ano que vem. A reunião com a cúpula do PT é o mais forte sinal de que o prefeito de São Luís está mesmo saindo da timidez política para entrar de vez na montagem de uma coalização que liderará na direção das urnas.

O release divulgado pela assessoria da Prefeitura foi tímido e escorregou para longe do viés político. Mas publicou integralmente o que o prefeito disse de essencial: “Foi uma alegria receber aqui a executiva municipal do PT, que atendendo ao meu convite, veio aqui e pudemos dialogar. Falamos sobre o trabalho que a prefeitura está colocando em prática na cidade, do apoio que estamos recebendo do Governo Federal, pois muitas obras são feitas com este investimento na cidade como a maternidade que está sendo construída, o programa Minha Casa Minha Vida e reforma em postos de saúde. Também falamos sobre o novo momento da prefeitura trabalhando em parceria com o Governo do Estado”.

Edivaldo Jr. não precisava dizer tanto para exibir o real motivo da reunião com o PT. Afinal, até as pedras que circundam a sede da Prefeitura sabem que o que está por trás da reunião é uma demonstração clara de que ele quer o PT como parceiro e não como adversário no ano que vem. O prefeito sabe que já não contará com o PSB, cujo apoio se foi juntamente com seu vice, o senador Roberto Rocha, hoje figura política vista com enormes restrições no Palácio de la Ravardière, principalmente depois de evidências que revelaram sua aproximação com o seu principal adversário até aqui, a deputada federal Eliziane Gama (PPS).

Os líderes petistas não tergiversaram e desenharam o evento com precisão. Fernando Magalhães, que é um dos mais atentos e pragmáticos dirigentes do PT, declarou: “Atendemos ao convite do prefeito e conversamos sobre conjuntura política, uma vez que o PT está no Governo Municipal, e também sobre os trabalhos desenvolvidos em parceria com o Governo Federal. Outras reuniões irão acontecer onde iremos aprofundar esta conversa”. E na sequência, o vereador Honorato Fernandes completou: “Considero produtiva a reunião, pois uma das grandes marcas do PT é o diálogo, sempre foi desta forma que construímos o debate, e uma vez que fazemos parte do Governo Municipal nada mais natural do que nos inteirarmos dos projetos em andamento na Prefeitura bem como das ações desenvolvidas em parceria com o Governo Federal”.

A reunião com o PT mostrou um prefeito Edivaldo Jr. bem diferente do gestor preocupado, sob fogo cerrado e aparentando desânimo. O prefeito que se apresentou foi um Edivaldo Jr. com astral elevado, usando terno e gravata e falando muito mais do que costumava até algum tempo atrás. Relatou, entusiasmado, as principais conquistas do seu governo, mostrou o que está em andamento e revelou o que está a caminho. Ou seja, o prefeito recebeu a cúpula do PT em grande estilo, sem escancarar, mas sem esconder que é candidato à reeleição e que espera contar com o partido na aliança que vai construir a partir de agora.

Em resumo: ao se reunir com o PT, ontem, o prefeito Edivaldo Jr. pode ter dado o pontapé inicial na corrida em busca da reeleição.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

A culpa é de… I

A segurança pública voltou a ser tema de debate, ontem, na Assembleia Legislativa. Começou com a deputada Andrea Murad (PMDB), que num longo discurso bateu forte na política de segurança do governo Flávio Dino, usando com o argumento a repercussão nacional da execução de um mecânico em plena rua por um guarda municipal e sob os olhos da polícia. Depois foi a vez do deputado Adriano Sarney (PV), que voltou a defender o requerimento em que sugere ao governador que peça ao Ministério da Justiça o envio de tropas federais para fazer segurança nas ruas.

 

A culpa é de… II

A bancada governista reagiu às investidas dos oposicionistas. O líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSC), contestou todos os ataques da deputada Andrea Murad e voltou a afirmar que a proposta do deputado Adriano Sarney é uma jogada publicitária. O deputado Othelino Neto (PCdoB), foi mais duro, batendo mais uma vez na tecla que mais incomoda a oposição: o fato de que a situação chegou a esse limite por culpa de governos passados, principalmente o último de Roseana Sarney (PMDB).

 

São Luís, 08 de Junho de 2015.

Cafeteira, uma lenda da política que luta para viver um século

 

cafe 1
Cafeteira no Senado tendo ao fundo  sua imagem como governador do Maranhão
cafe 7
Cafeteira em três m omentos: no plenário do Senado, cuidando da imagem e dizendo o que pensa

Uma foto divulgada na internet reacendeu o interesse pelo lendário ex-deputado federal, ex-prefeito de São Luís, ex-governador do Maranhão e ex-senador Epitácio Cafeteira, já entronizado na galeria dos mais ativos e mais importantes políticos do Maranhão nos últimos 60 anos, visto por muitos como o grande adversário do ex-presidente José Sarney. A foto mostra Cafeteira no que parece ser um leito hospitalar, sorrindo, tendo ao lado as duas pessoas mais importantes da sua vida: a esposa Isabel Cafeteira e a filha Janaína. O ar de descontração num ambiente tão formal causa a impressão de que, apesar dos problemas de saúde que vem enfrentando na última década seu estado de ânimo continua como sempre, muito elevado e dominando a postura de cidadão, chefe de família e de líder político vitorioso, apesar de alguns tropeços eleitorais.

O agora político aposentado Epitácio Cafeteira Afonso Pereira é uma figura ímpar, não apenas pelo seu desempenho político, mas principalmente pelas adversidades que teve de superar para construir uma carreira incomparável no cenário político do Maranhão, na maior parte do tempo em confronto aberto com José Sarney. Orador ferino com uma incrível capacidade de se comunicar com  a massa, foi suplente de deputado federal em 1962, conseguiu assumir a vaga e, de pronto, apresentou emenda à Constituição Federal restabelecendo a eleição para prefeito de capital, que na época era nomeado pelo governador. Fez uma campanha tão intensa dentro do Congresso Nacional que sua proposta foi aprovada por larga maioria. Essa vitória o colocou no centro da disputa para a Prefeitura de São Luís em 1965 e da qual saiu com uma vitória acachapante sobre o ex-prefeito Ivar Saldanha, apoiado pelo então governador Newton Bello.

O Maranhão vivia uma onda de euforia com a eleição do jovem governador José Sarney. Mas as idiossincrasias da política acabaram por colocar o prefeito de São Luís e o governador do Estado em situação de confronto. Com forte apoio popular e pesando bem cada movimento, Cafeteira se manteve de pé no embate com o governador. A briga chegou a tal ponto que Sarney teria sugerido aos militares a cassação de Cafeteira, que passou um período de duas semanas dentro do Palácio de la  Ravardière disposto a só entregar o cargo num conflito armado. Não aconteceu nem uma coisa nem outra e o prefeito saiu da guerra politicamente mais forte do que entrou.

A oportunidade de dar o troco em José Sarney (Arena) veio na eleição de 1970 para o Senado. Cafeteira (MDB) se candidatou exatamente para disputar a vaga com o ex-governador. Perdeu a eleição na sua maior base, São Luís, para um economista sem maior expressão, José Mário Ribeiro da Costa (MDB), que venceu os dois por larga maioria. A derrota para o Senado foi um golpe duro, que o deixou sem mandato por quatro anos. A reabilitação veio em 1974, 1978 e 1982, três eleições seguidas para deputado federal e com votação crescente a cada pleito.

O grande “pulo do gato” se deu em 1984, quando Sarney, rompido com o regime militar, criou a Frente Liberal e se aliou ao MDB em torno da candidatura de Tancredo Neves a presidente da República. A cúpula do movimento quis Sarney como candidato a vice, mas para isso ele precisava do aval do comando do PMDB no Maranhão. Hábil, Cafeteira não deixou que o então deputado federal Cid Carvalho e o futuro ministro Renato Archer, que junto com ele formavam a trindade pemedebista maranhense, criassem problema e antecipou seu apoio à filiação de Sarney ao PMDB maranhense, saindo do episódio com o compromisso de que, se Tancredo e Sarney fossem eleitos, os dois dariam apoio incondicional à sua candidatura do Governo do Estado. Tudo aconteceu como ele imaginou. Sua candidatura a governador uniu a sua forte liderança pessoal e o prestígio de Sarney no embalo do Plano Cruzado. A campanha o transformou num fenômeno eleitoral, pois pela primeira vez um candidato a governador no Maranhão bateu o patamar de 1 milhão de votos, o que representou quase 80% da votação, deixando o seu adversário, o então senador João castelo, com apenas 20%.

Cafeteira e Sarney conviveram harmonicamente até o último dia do mandato presidencial, tanto que fez questão de descer a rampa do Palácio do Planalto junto com Sarney em meio a vaias e aplausos. As divergências e o novo rompimento vieram com as eleições de 1990, sob a presidência de Fernando Collor, com quem Cafeteira flertou no primeiro momento. Sarney queria ser candidato a senador pelo PMDB do Maranhão. Cafeteira também, e se juntou a Renato Archer e Cid Carvalho, que o apoiaram. Sarney, que previra a reviravolta, usou o Plano B montado no Amapá. Os dois foram eleitos e se mantiveram em campos opostos.  Nos anos 90, Cafeteira amargou duas derrotas eleitorais, ambas para Roseana Sarney. A primeira em 1994, quando os dois foram para o segundo turno e ela o venceu por uma diferença de apenas 18 mil votos, o que ensejou uma briga judicial que não mudou o cenário. A segunda em 1998, quando Roseana Sarney se reelegeu no primeiro turno. Sofreu outra derrota em 2002, quando disputou vaga de senador com João Alberto.

As derrotas seguidas deixaram a impressão de que o caminho do político genial seria a aposentadoria. Ledo engano. Em 2006, surge uma nova aliança com Sarney, que o convidou para ser candidato a senador porque no seu grupo não tinha nome com força para enfrentar João Castelo, este aliado a Jackson Lago. Resultado: Jackson venceu a eleição para governador, mas Cafeteira derrotou Castelo, numa reviravolta espetacular. Cumpriu seu mandato enfrentando sérios problemas de saúde, entre eles um derrame que lhe tirou os movimentos das pernas e o obrigou a usar cadeira de rodas. Mesmo assim, participou da maioria das sessões do seu mandato de oito anos, sendo apontado como um dos senadores mais regulares daquela legislatura.

Político solitário, que sempre confiou mais na sua relação direta com o eleitorado por atos e gestos que muitos identificam como populistas, Epitácio Cafeteira deixou marcas fortes por onde passou como detentor de mandato. Na Prefeitura de São Luís, cuidou de atender a demandas da população mais pobre, o que reforçou a visão quase messiânica de largas faixas do eleitorado. Mas também tomou decisões polêmicas que ensejam críticas até hoje: suspendeu os bailes de máscara durante o Carnaval, uma tradição de São Luís e retirou os últimos bondes que circulavam, na Capital.

Como governador, Cafeteira realizou uma obra, que se não foi grandiosa, também não sofre críticas. Uma das mais importantes foi o Projeto Reviver, no qual foi realizada a grande base que, anos mais tarde, garantiria o título de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. O governo Cafeteira foi movido por um claro senso de Justiça, pois nele as pessoas mais pobres se sentiram mais seguras, exercitando a cidadania. Para citar apenas um exemplo: como governador ele não permitiu que a Polícia Militar fosse usada para garantir o cumprimento de reintegração de posse em áreas de propriedade duvidosa.

Cafeteira também enfrentou denúncias e acusações, que tentaram colocá-lo no banco dos políticos de trajetória rasurada. Uma reportagem publicada pela revista Isto É em 1990 relatou uma situação que, se verdadeira, ligaria o então ex-governador e candidato a senador a um esquema de corrupção. Cafeteira reagiu com indignação, respondeu politicamente em tom agressivo e, para muitos, demonstrou que estava sendo vítima de uma armação. Enfrentou também o nebuloso Caso Reis Pacheco, que foi acusado de mandato dar fim a um funcionário da Vale que num acidente automobilístico matou o seu sogro e grande amigo, vereador Hilton Rodrigues. Localizado no interior do Pará, Reis Pacheco está vivo até hoje e afirma categoricamente que não foi vítima de uma tentativa de assassinato. Também do Caso Reis Pacheco Cafeteira saiu ileso, mantendo intacta sua história pessoal e política.

Além da família, Cafeteira tem uma paixão: o xadrez, que joga com um grupo fechado de amigos. Seu fascínio por esse jogo é tão forte que ele em alguns momentos bancou, do próprio bolso, temporadas de Mequinho, um dos maiores enxadristas de todos os tempos, no exterior. É também um homem  de gosto refinado, gosta de roupas bem talhadas, tem sempre um pente ao alcance da mão e jamais relaxa o nó da gravata. Gosta também de carros de marcas europeias, como a alemã Mercedes, o exemplo. Nunca, porém, foi visto em atitude esnobe.

É esse Cafeteira que saiu da cena política e agora vislumbra outra conquista: driblar os problemas de saúde para completar um século de vida. Essa luta traduz o clássico refrão da sua música de campanha para governador: “Cafeteira tem a fibra de um lutador. Cafeteira é povo unido, meu governador”.

 

São Luís, 06 de Junho de 2015.

 

Embates sobre a crise na segurança têm fundo político

 

dino 11
Flávio Dino promete resolver problemas antigos da segurança pública

A tragédia ocorrida no final da tarde de quarta-feira (3), sobre a Ponte José Sarney – quando diante de uma tentativa de assalto, um passageiro resolveu agir como justiceiro, sacou uma arma e matou a tiros, conscientemente, o assaltante Carlos Araújo, de 16 anos, e, provavelmente por falta de controle, tirou a vida da estudante Alexandrina Rodrigues, de 19 anos – colocou mais pólvora no já explosivo debate sobre segurança pública no Maranhão, em especial em São Luís. Nesse cenário, a população acompanha amedrontada e indignada uma guerra de números e de acusações entre o governo estadual e seus adversários. O primeiro tenta convencer o cidadão de que em apenas cinco meses melhorou o combalido Sistema Estadual de Segurança Pública e, assim, reduziu a criminalidade. O outro lado também se vale de números e tenta mostrar que, apesar de tudo, o governo passado fez mais.

Qualquer avaliação isenta e equilibrada certamente concluirá que nenhum dos dois está 100% certo, já que ambos recorrem a argumentos convincentes e a outros nem tanto. A guerra é, no fundo, política, com as vozes do que restou do grupo Sarney – a começar pelo próprio ex-presidente José Sarney na sua coluna domingueira no jornal O Estado do Maranhão – procurando e dando forma a todo e qualquer indício que possa evidenciar defeitos na política de segurança pública do novo governo. Por sua vez, as vozes governistas – a começar pelo governador Flávio Dino, que trata do assunto no twitter – propagam uma serie de medidas que estariam melhorando o desempenho do aparelho policial e, com isso, derrubando os números da violência no estado.

As manifestações feitas pelas vozes do que restou do grupo Sarney fazem todo sentido quando reclamam da barbárie que continua infernizando a Ilha de Upaon Açu, em especial a cidade de São Luís, onde vivem quase 1,3 milhão de maranhense e hoje é pontilhada por bolsões de pobreza como Cidade Olímpica, Coroadinho, áreas do eixo Itaqui/Bacanga, Ilhinha, Jaracaty, entre muitas outras onde o crime dá as cartas. Na mesma medida, as vozes governistas contra-atacam lembrando que tudo o que está aí em matéria de violência é a soma de governos do Grupo Sarney, principalmente os últimos cinco anos da governadora Roseana Sarney (PMDB) e acrescentam que, não fossem as medidas já tomadas pelo governador Flávio Dino (PCdoB), a situação estaria muito pior.

Nesse embate, o governador Flávio Dino leva uma pequena vantagem, à medida que o seu argumento mais forte, eficiente e incontestável é o de que seu governo está consertando problemas gerados em governos passados, a começar pelo anterior. Nos debates recentes na Assembleia Legislativa sobre segurança, a oposição sempre perdeu força quando governistas responsabilizaram a ex-governadora Roseana Sarney pelo que está acontecendo no estado. Mas no contrapeso a tropa governista não consegue esconder seu mal-estar quando tragédias como a que aconteceu quarta-feira na Ponte José Sarney, que desenham, com precisão, o tamanho do problema da violência no Maranhão.

Em meio a ditos e desmentidos envolvendo governo e oposição, algumas verdades se impõem, gostem ou não os dois segmentos. O aparelho policial é pobre e o efetivo é pequeno, o que torna impossível garantir segurança, pelo menos razoável, num território de 331 mil quilômetros quadrados, dividido em 217 municípios, com uma população de 7 milhões de habitantes – um sétimo concentrado em São Luís (1,1 milhão), 19% de analfabetos, 148 policiais por 100 mil habitantes, prisões explodindo, e parte da população pobre.

O governador Flávio Dino prometeu dobrar o efetivo policial, hoje com nove mil integrantes, entre policiais militares e civis, mas tudo o que conseguiu até agora foi convocar mil aprovados em concurso realizado ainda no governo Roseana Sarney, dos quais cerca de 350 estão sendo treinados para serem colocados nas ruas. Não se duvida do propósito do governador, mas duvida-se de que ele venha dispor de condições financeiras para bancar o projeto. Além disso, somente aumentar o efetivo não resolve o problema cuja raiz está na desigualdade econômica, social e cultural da população, realidade que todo comunista que se preza conhece, ainda que tenha nascido, crescido e se formado num ambiente de elite.

 

 

Problemas de hoje foram herdados

 

Há pelo menos três décadas a segurança pública vem sendo um problema grave no Maranhão. Os governos desse período enfrentaram enormes desafios.  No governo João Castelo, São Luís, que tinha a metade da população atual, começou a mudar com a chegada do Consórcio Alumar e a realidade daquele momento de transformação foi mantida sob certo controle por uma política de segurança relativamente bem sucedida sob o comando do secretário Raimundo Marques. Já no governo Luís Rocha o momento mais crítico foi em meados do terceiro ano, quando a Polícia Civil cruzou os braços numa greve surpreendente num período de ditadura. Rocha reagiu indignado e ao invés de negociar, mandou prender os principais líderes do movimento, entre eles o médico legista João Bentivi. A pistolagem mostrou os dentes em vários casos, entre eles o assassinato do empresário Chico Baixinho, homem forte no governo, até hoje não esclarecido inteiramente.

Sob a euforia da presidência de José Sarney, o Maranhão viveu relativa tranquilidade no Governo Epitácio Cafeteira. Era porém uma calma aparente, porque o crime organizado e a pistolagem ganharam corpo e força,  principalmente na Região Tocantina, onde imperava Davi Alves Silva. De efeito retardado, a bomba caiu na mesa do governador João Alberto que, diante das pressões, realizou a Operação Tigre, uma ação de enfrentamento direto, sob o comando do secretário Pedro Elmano e do coronel Walter Brasil, sem medir consequência e cujo resultado foi um Maranhão mais aliviado em questão de meses.

O governo Edison Lobão teve três secretários: o hoje desembargador Rachid Maluf, o coronel do Exército Raimundo Ventura e o advogado tocantino Agostinho Noleto. Lobão enfrentou problemas, mas no seu governo não ocorreu nenhum evento marcante nessa área. Os oito primeiros anos de governo de Roseana Sarney foram agitados. Primeiro com a declaração de guerra ao crime organizado, que agitou o Maranhão e, na esteira disso, a CPI do Crime Organizado da Câmara Federal, que contribuiu muito para desmontar as quadrilhas da época. Mais tarde, aconteceu a execução do delegado Mendonça, que chocou o Maranhão, e a reação que resultou, entre outras coisas, na chacina do Bando Bel, numa estrada do interior. Naquele período, Roseana teve três secretários de Segurança, sendo o último o delegado federal e hoje deputado estadual Raimundo Cutrim, que efetivamente começou a mudar a máquina policial.

Durante os seus cinco anos de governo, José Reinaldo Tavares enfrentou os mais diversos problemas, mas manteve uma política de segurança equilibrada, parte dela comandada também por Raimundo Cutrim. No Governo Jackson Lago a política de segurança foi agitada pelo diferencial de ter uma mulher, Eunice Vidigal, no comando, já com São Luís enfrentando problemas de assaltos nas ruas. Nos quase seis anos do segundo período de Roseana Sarney a segurança foi comandada pelo agente federal Aluísio Mendes, hoje deputado federal, que enfrentou as consequências de São Luís ter-se transformado numa metrópole, com o consequente aumento da marginalidade e da chegada de um inimigo muito mais poderoso, o crack. Daí os frequentes assaltos em ônibus, em frente a bancos, em plena luz do dia. Foi também quando o crime organizado começou a dar as cartas dentro dos presídios, resultando em chacinas, degolas, incêndio a ônibus, como o de janeiro de 2014, que terminou em tragédia, cujas as imagens de crianças incendiadas foi notícia em todo o planeta.

O que o governo Flávio Dino está enfrentando é reflexo direto dos acertos e erros de todo esse período. Apesar dos problemas, o atual governo tem crédito de sobra para acertos ou também deixar sua cota de embaraços para os próximos.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Votaria contra

 

adriano 1Mesmo depois de a maioria da Assembleia Legislativa ter mandado para o arquivo morto o requerimento de sua autoria sugerindo que o governador Flávio Dino pedisse tropas federais para combater o crime nas ruas de São Luís, o deputado Adriano Sarney (PV) (foto) insiste no propósito. Argumenta que a Casa aprovou, na legislatura passada, requerimento idêntico de autoria do deputado Bira do Pindaré (PSB) dirigido à então governadora Roseana Sarney. Só que o contexto era outro, a Assembleia Legislativa tinha outra composição e o deputado não estava lá – se estivesse, muito provavelmente teria votado contra, como votou contra o seu requerimento o deputado Hemetério Weba, do seu partido, o PV.

 

José Carlos Castelo Branco

cheiro verdeA coluna registra com muito pesar a morte do publicitário José Carlos Castelo Branco (foto). Membro destacado de uma competente geração de profissionais da publicidade formada pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) na segunda metade dos anos 70, José Carlos construiu com Alex Brasil uma sociedade que modernizou a publicidade em São Luís, juntamente com Evilson Almeida e outros. Mais tarde, surpreendeu ao abrir o restaurante Cheiro Verde, que até hoje é uma referência. Deixa muitos amigos e vai fazer falta, principalmente porque partiu muito cedo.

 

São Luís, 05 de junho de 2015.

 

 

 

Sucessão em São Luís tem dois times de pré-candidatos

 

edivaldo jr 2-horz
Primeiro time: Edivaldo Jr. Eliziane Gama, Gastão Vieira e João Castelo

 

natalino 1-horz
2º Time: Natalino Salgado, Ricardo e Andrea Murad, Neto Evangelista e Rose Sales

 

astro-horz
2º time: Astro de Ogum, Edilázio Jr., Saulo Arcangeli, Marcos Silva e Luis Pedrosa

 

É bem maior do que se imagina o número de aspirantes a vestir o fardão de candidato à Prefeitura de São Luís. Além dos nomes conhecidos e já pré-candidatos assumidos, um número expressivo – e que cresce a cada dia – dos que sonham sentar-se na cadeira principal do Palácio de la Ravardiàre. São políticos que querem dar um passo à frente escalão, que têm nome e estão em busca de renome. Uns têm situação partidária definida, outros nem tanto e alguns nem isso têm. Entre esses estão alguns que podem surpreender, como surpreendeu, por exemplo, em 2012 a então deputada estadual Eliziane Gama (PPS), que impressionou a muitos com sua desenvoltura discursiva, embora não tenha apresentado uma só proposta inovadora para melhorar a vida em São Luís.

O primeiro time de pré-candidatos está praticamente definido e é formado pelo prefeito Edivaldo Jr. (PTC), que buscará a reeleição; a deputada federal Eliziane Gama, que não esconde sua condição de pré-candidata; o deputado federal João Castelo (PSDB), que não tem se manifestado sobre o assunto, mas é o nome mais sólido do seu partido; e o ex-deputado federal Gastão Vieira (PROS), que tem confirmado sua pré-candidatura em conversas reservadas.

rore 3
Roseana Sarney: um caso à parte

O segundo time é liderado pela ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), que nunca disse que é candidata a prefeita, mas recentemente começou a admitir essa possibilidade com o recado segundo o qual continua na política. Junto com ela vêm o reitor da UFMA, Natalino Salgado, que só precisa agora de um partido, que pode ser o PT; o ex-deputado Ricardo Murad ou a filha, a deputada Andrea Murad, que dependem da posição da ex-governadora Roseana Sarney e do aval da cúpula estadual e municipal do PMDB, que os quer ver pelas costas; o deputado Neto Evangelista, que é a segunda opção do PSDB; vereadora Rose Sales, que deixou o PCdoB e se filiou ao PP; o engenheiro Ricardo Guterres ou o suplente de senador Clóvis Fecury; o vereador e presidente da Câmara Astro de Ogun (PMN); Marcos Silva e Saulo Arcangeli, que podem decidir no par ou impar a vaga de candidato do PSTU; e, finalmente, Luis Pedrosa, que seria a primeira opção do PSOL. Nesse contexto desponta ainda o deputado Edilázio Jr., que pode ser o candidato do PV ou buscar outro partido para entrar na disputa.

Focada nos desdobramentos da Operação Lava Jato e no processo, que corre sob sigilo na Justiça estadual, que apura suspeita de corrupção no acerto com a empreiteira Constran para pagamento de precatório milionário, a ex-governadora dificilmente encontrará disposição para entrar numa briga em que correria o sério risco de ser derrotada. O PMDB quer lançar candidato próprio, mas rejeita duramente o projeto do ex-deputado Ricardo Murad de ser ele mesmo o candidato ou a deputada Andrea Murad. Roseana está dividida nesse racha no seu grupo, podendo resolver o problema levando o PMDB a apoiar um candidato do PT. Essa aliança poderá se dar em torno da possível candidatura do reitor da UFMA, Natalino Salgado, que tem recebido insistentes convites da cúpula nacional do PT, que gostou do seu trabalho como gestor. Outros partidos estão cercando o reitor, mas tudo indica que se ele vier mesmo a ser candidato, o será pelo PT, para o que já tem o aval da cúpula estadual do partido.

A vereadora Rose Sales se desencantou com o PCdoB, mas não deixará a política; ao contrário, há quem garanta que ela encontrou no PP o meio que precisava para entrar na briga majoritária, num projeto ainda embrionário, mas possível. Já Ricardo Guterres, um técnico competente e lúcido, poderá ser o candidato do DEM, isso se o dono do partido, Clóvis Fecury, não ensaiar a sua própria candidatura, o que é improvável. O deputado Edilázio Jr. estuda o cenário e procura a melhor maneira de nele se encaixar como político jovem e ousado, podendo vir a ser um diferencial. No plano dos nomes viáveis entra também o vereador Astro de Ogum, que vem demonstrando desenvoltura no comando da Câmara e ampliando sua influência no cenário político municipal, o que lhe dá gás para entrar na briga.

Finalmente, a turma da extrema esquerda. O PSOL tem Luis Pedrosa, que se saiu muito bem como candidato a governador, mas pode lançar o ex-deputado Haroldo Sabóia. Já o velho e radical PSTU não surpreenderá se lançar mais uma vez Marcos Silva ou Saulo Arcangeli.

É esse o cenário do momento. O tempo dirá quem vai mesmo entrar na briga ou recolher as armas.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Adeus a um líder

apolonioA coluna registra, com pesar, a morte de Apolônio Melônio (foto), o líder do Boi da Floresta, que também era muito conhecido como Boi do Apolônio. Foi quase um século – ele morreu aos 94 anos – de dedicação total e absoluta à cultura popular do Maranhão, cultivando com seu “batalhão” o sotaque de matraca. Apolônio começou quando bumba-boi era um folguedo marginal, periférico e esnobado pelas elites, tanto que “não passava do João Paulo”. Morador da Floresta, no centro do complexo da Liberdade, Apolônio Melônio formou gerações e gerações de cantadores, vaqueiros, índios, amos e novilhos, que levou para as praças públicas, hotéis, residências e palácios com a dignidade de um verdadeiro líder. Deixa um grande vazio no universo dos “batalhões” de São Luís.

 

São Luís, 03 de Junho de 2015.

Violência gera equívoco e debates intensos na Assembleia

 

adriano-horz
Adriano Sarney errou na dose e Eduardo Braide aproveitou para virar o jogo

 

A violência que grassa no Maranhão tem sido tema de fortes debates na Assembleia Legislativa. O mais recente deles aconteceu em torno de requerimento do deputado Adriano Sarney (PV) sugerindo ao governador  Flávio Dino (PCdoB) pedir ao Ministério da Justiça o envio de tropas federais para reforçar a segurança nas ruas de São Luís. O requerimento, claro, foi atropelado pela maioria governista, mas, antes do atropelamento, ensejou debates interessantes sobre o problema da violência, com a manifestação de propostas lúcidas, sugestões já batidas, lugares comuns surrados e teses absolutamente fora de contexto.

A sugestão do deputado Adriano Sarney para que o governador peça tropas federais para reforçar o combate à violência nasceu, na verdade, na semana passada, quando ele, que tem se revelado competente e bem preparado, cometeu, ou por inexperiência ou por ingenuidade, o equívoco de sugerir um processo de intervenção no Maranhão, sob a alegação de que, na sua avaliação, o governo estadual não estaria sendo capaz de conter o avanço da violência. A proposta intervencionista caiu como um presente na bancada governista, dando a falcões como os deputados Eduardo Braide (PMN) e Othelino Neto (PCdoB) o motivo que eles precisavam para demolir, com argumentos sólidos, a iniciativa do parlamentar oposicionista.

A proposta foi tão infeliz que levou à tribuna deputados que até então se limitavam a assistir ao duelo. Mais do que isso: deu tanto gás aos deputados governistas que num dado momento do debate, Eduardo Braide, num lance de esperteza, colocou Adriano Sarney contra a parede com uma pergunta fatal: “Deputado, o senhor acha que deveria ter havido intervenção no governo passado por causa dos problemas de violência?” Surpreendido pela pergunta, o deputado do PV não encontrou outra saída e respondeu: “Sim, eu acho”, colocando, a contragosto, uma pá de cal sobre a política de segurança comandada por sua tia, a governadora Roseana Sarney.

O deputado Adriano Sarney não se deu por vencido aproveitou o fim de semana para curar os hematomas e buscar uma saída honrosa. Não se sabe se de lavra própria ou de algum “gênio” conselheiro, o líder da bancada do PV apresentou, na sessão de segunda-feira, a bomba que lhe devolveria o discurso contra a violência: o tal requerimento sugerindo ao governador do Estado pedir tropas federais para reforçar a segurança nas ruas de São Luís. O argumento, fundado na lógica, se apoiava em reiteradas declarações do governador Flávio Dino e de governistas de alto coturno afirmando que um dos problemas da violência é a insuficiência do efetivo policial. Fazia sentido, mas no afã de convencer a maioria da Assembleia Legislativa, o parlamentar tropeçou mais uma vez na inexperiência, ao tentar fazer um inexplicável e descabido terrorismo com o plenário afirmando que colegas que não aprovassem o requerimento teriam insônia e problemas de consciência e se sentiriam responsáveis pela violência a partir de então.

A maneira equivocada com que defendeu seu requerimento se transformou mais uma vez em munição para os governistas. Eduardo Braide, Othelino Neto e o líder Rogério Cafeteira (PSC) desmontaram um por um os argumentos. E resumindo, afirmaram que o governador Flávio Dino tem discernimento suficiente para pedir tropas federais para reforçar a luta contra a violência no Maranhão no momento em que julgar conveniente. E que, por enquanto, a sugestão do parlamentar, que em todos os momentos recebeu valioso e rico apoio do deputado Edilázio Jr. (PV), está fora de cogitação. E colocado em votação, o requerimento foi mandado, por esmagadora maioria, para o arquivo morto do parlamento.

O que restou da sequência de episódios foi uma série de discursos favoráveis e contrários interessantes, bem fundamentados, que revelaram bom nível dos deputados envolvidos. O único problema: nenhuma saída contra a violência, que é de fato o que interessa.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Líder alfineta

rogerio cafe 2O líder Rogério Cafeteira (foto) deu uma interpretação pragmática ao requerimento do deputado Adriano Sarney sugerindo que o governador Flávio Dino peça tropas federais para reforçar a segurança nas ruas de São Luís. “Deputado, o que Vossa Excelência queria era que esse requerimento fosse aprovado para que amanhã o seu jornal estampasse uma manchete dizendo que o senhor resolveu o problema de segurança do Maranhão. Era só isso que o senhor queria”, disse Cafeteira, em tom irônico. Adriano Sarney sorriu meio sem graça da estocada.

 

Qual é a verdade?

Um dos argumentos da oposição que tira governistas do eixo é a afirmação do Governo estadual de que mil aprovados do concurso para a Polícia Militar já foram convocados. Os oposicionistas classificam a informação de “mentira”, demonstrando que apenas um contingente de poucos mais de 300 estão sendo preparados para ir para as ruas. Esse jogo de informação e contrainformação tem gerado certo desgaste para o Palácio dos Leões, principalmente depois de declaração recente do governador Flávio Dino afirmando que os convocados já passam de dois mil.

 

São Luis, 02 de Junho de 2016

Destempero de Jefferson Portela põe governo na defensiva

 

jefferson 1-horz
Jefferson Portela bateu forte em deputados e César Pires liderou a reação contra ele

Não bastassem os problemas que o governador Flávio Dino (PCdoB) enfrenta na área de segurança pública, agora o Palácio dos Leões se vê obrigado a acionar a sua base na Assembleia Legislativa para, pelo menos, minimizar a dura tréplica dos deputados oposicionistas César Pires (DEM), Edilázio Jr. (PV) e Adriano Sarney (PV) à réplica do secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, a cobranças feitas pelo primeiro por causa da chamada “Chacina de Panaquatira”. Usando o twitter, provavelmente inspirado na forma de comunicação preferida do governador do Estado, o secretário, entre outras pancadas, escreveu que os parlamentares da oposição são “lixo da história” e “sabujos do Sarney”.

O clima se tornou pesado para o lado do secretário Jefferson Portela, ontem, na Assembleia Legislativa. O primeiro atingido a se manifestar foi o deputado César Pires, que usou pelo menos uma dezena de adjetivos para desqualificar o secretário: “incompetente”, “inconsequente”, “descontrolado”, “destemperado”, “incapaz”, “agressivo”, “irresponsável”, “despreparado”, “incoerente” e “metido a”.  Na mesma linha se manifestou o deputado Edilázio Jr., para quem Jefferson Portela “é a incompetência em pessoa”, “despreparado para exercer cargo tão importante, porque só consegue responder uma crítica com agressão”. E Adriano Sarney também não amenizou, pois além de criticar duramente a reação “destemperada” do secretário de Segurança, cobrou uma ação da Assembleia Legislativa exigindo reparo e sugeriu, em tom de cobrança, que o governador demita Portela e nomeie o deputado Raimundo Cutrim (PCdoB) para o cargo, “que foi um grande secretário”.

O episódio é claro. O secretário Jefferson Portela pisou na bola ao reagir agressivamente às críticas dos parlamentares de oposição à atuação da Polícia, sob seu comando, na tragédia em que três pessoas, entre elas um policial, foram assassinadas por bandidos numa residência em festa, e que se tornou manchete nacional.

Dono de um temperamento forte, diante da crítica – que, diga-se de passagem, foi incisiva, mas não agressiva – o secretário, provavelmente mal informado sobre o que fora dito pelos parlamentares, esqueceu as nuanças políticas do cargo e encarnou o militante do PCdoB. E nessa condição, usou o twitter, não para responder às críticas, como faria o secretário de Estado que ele deixou de lado naquele momento, mas para dar troco a agressões que não lhe foram dirigidas. O erro foi tão grotesco, que os próprios deputados da base governista sentiram a pancada.

Na democracia brasileira, detentor de mandato parlamentar tem a prerrogativa de dizer o que pensa sem o risco de censura ou retaliação. Ao secretário de Estado não é garantido esse direito, por não ser ele detentor de mandato, mas um assessor de ponta responsável por uma tarefa de caráter administrativo. Cabe-lhe responder com esclarecimentos e explicações, e nunca com ofensas ou agressões, principalmente se a crítica ou a cobrança for feita por um deputado, seja da situação ou da oposição. E as manifestações dos deputados oposicionistas foram de cobranças duras, mas é fato que não houve excesso em nenhuma das falas. Daí não haver motivo para a reação “destemperada” do secretário de Segurança.

O virulento contra-ataque de Jefferson Portela causou forte mal-estar na Assembleia Legislativa e colocou o Palácio dos Leões numa delicada situação de defesa. Tanto que, conforme destacou Edilázio Jr., “Nenhum deputado governista saiu em defesa desse secretário incompetente”. E o incômodo do governo era tanto que após a artilharia verbal pesada da oposição contra a metralha de Jefferson Portela no twitter, o deputado governista Othelino Neto (PCdoB) – que, diga-se de passagem, tem sido competente no embate com a oposição -, teve de fazer malabarismo verbal para revelar o sentimento do Palácio dos Leões acerca do incômodo episódio.

“O governador Flávio Dino desaprova palavras ofensivas contra deputados”, disse Othelino Neto, fazendo as vezes de porta-voz do Palácio dos Leões. E em seguida criticou a oposição pelas cobranças que ela tem feito ao governo na área de segurança, recorrendo ao argumento fatal: a situação está assim porque o governo passado não fez o que deveria ter feito. Diante do esforço de Othelino Neto para minimizar o episódio, dois outros deputados governistas, Fernando Furtado e Marco Aurélio, ambos do PCdoB, ensaiaram, quase que como uma obrigação, uma defesa do secretário Jefferson Portela.

O que ficou claro ontem foi o seguinte: Jefferson Portela se comportou mal como secretário, a oposição reagiu à altura, o governo ficou numa saia justa, mas deixou claro que, mesmo com a orelha vermelha, Portela continuará no cargo. Até porque, fora os rompantes, trata-se de um bom policial.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Líder de longe

rogerio cafe 2O líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSC), assistiu de longe a reação dos deputados oposicionista às pancadas do secretário Jefferson Portela. Era natural que ele ocupasse a tribuna para externar a posição do governador Flávio Dino em relação ao caso, mas a tarefa foi desempenhada pelo deputado Othelino Neto. O não envolvimento do líder no caso sugeriu uma série de indagações e ensejou especulações as mais diversas. A primeira dá a entender que o secretário não tem prestígio na bancada governista. A outra: o líder foi atropelado por Othelino Neto ou o escalou para dar o recado do governador.

 

Ninguém mais

O deputado Edilázio Jr. acertou em cheio quando disse que o secretário Jefferson Portela não recebeu manifestações de apoio na bancada governista. Ao contrário, ele foi duramente criticado por aliados nos bastidores por ter reagido agressivamente às cobranças feitas por deputados de oposição. As manifestações a favor do secretário se resumiram aos seus colegas de partido Marco Aurélio e Fernando Furtado. Othelino Neto defendeu a política de segurança do governo, mas em nenhum momento a associou ao secretário.

 

São Luís, 02 de junho de 2015.

Tucanos em crise tentam dar nova identidade ao PSDB

 

brandão 2-horz
Brandão preside um partido cm Castelo insatisfeito e Madeira liderando uma banda

Numa das suas edições recentes, o jornal O Estado de S. Paulo trouxe matéria especial sobre a crise de identidade que atinge o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em quatro páginas densas, o jornal paulista mostra que depois da derrota em 2014 os tucanos estão perdendo o rumo como oposição, abandonando teses que sempre defenderam ardorosamente e fracionando o partido em grupos que professam posições diferentes. A crise de identidade vivida pelo PSDB nacional caminha para contaminar e causar desdobramentos graves no braço maranhense do partido, cuja unidade é mantida por uma linha muito frágil, devido às diferenças que movem os grupos que o integram. Uma das consequências de um provável racha no PSDB do Maranhão poderá ser a saída de um dos seus mais importantes líderes, o deputado federal João Castelo.

Nesse contexto, os líderes do tucanato nacional veem com perplexidade e preocupação membros do PSDB tomando rumos diferentes da orientação partidária em todo o país, desenhando alianças que dificilmente levarão o partido a um rumo do seu real interesse. E um dos exemplos está no Maranhão, onde o PSDB é representado no Governo pelo vice-governador Carlos Brandão, mas sem uma aliança sólida com o restante do partido.

Uma observação cuidadosa encontra o braço maranhense do PSDB em situação quase conflituosa com as posições hoje defendidas pelo partido e que agora os segmentos mais tradicionais da legenda tentam reimplantar como princípios imutáveis. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e muitas outras vozes tucanas criticaram duramente o atual presidente do partido, senador Aécio Neves por ele insistir na tese de impeachment  para a presidente Dilma Rousseff e nas críticas que ele vinha fazendo ao ajuste fiscal. Para aqueles líderes, defender impeachment de Dilma parece intenção de golpe, coisa que, em tese, o PSDB abomina. E criticar o ajuste fiscal é negar o que fez o próprio governo Fernando Henrique, que ajustou brutalmente as suas contas para equilibrar o governo e inventou e implantou o fator previdenciário.

Em meio à turbulência o partido vive uma situação de fragilidade, não dá sinais de que tenha teses a defender e procura dar a volta por cima para se firmar como uma agremiação que possa vir a disputar o poder de fato no estado. Um exemplo recente foi a filiação do ex-prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva, que se prepara para brigar de novo pelo cargo.

No contexto geral, o PSDB maranhense encontra-se, de fato, sem poder efetivo e com o futuro incerto. Tem o vice-governador do Estado, Carlos Brandão, que se movimenta com habilidade, é prestigiado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), mas não tem poder de fato. Preside o partido sem fazer o papel de líder, porque nas entranhas da agremiação enfrenta adversários que aguardam a oportunidade certa para tomar-lhe o comando partidário. Brandão é homem de proa de um governo tecnicamente anti-tucano, embora o governador comunista tenha realizado sua campanha com um pé no ninho.

Pesa para fragilizar ainda mais a unidade do PSDB a chamada “corrente Tocantina” do partido, comandada de Imperatriz pelo prefeito Sebastião Madeira cuja identidade partidária é genuinamente tucana. E é exatamente o projeto político de Madeira que poderá aprofundar mais ainda a crise de identidade do PSDB no Maranhão. O prefeito é candidato assumido a senador em 2018. Tem mantido um bom relacionamento com o governador Flávio Dino, mas o fato de Madeira haver apoiado a pré-candidatura de Luis Fernando Silva, com o aval da então governadora Roseana Sarney o distancia do Palácio dos Leões, onde o “núcleo duro” ligado ao governador o vê com reservas, e ele sabe disso.

Hoje, o PSDB do Maranhão tem pelo menos três correntes que o tornam uma colcha de retalhos e que dificilmente se enquadrará, unido, no perfil partidário agora desenhado pelos líderes do tucanato nacional. Essas diferenças vão se acentuar quando o partido tiver de decidir como participará da corrida para a prefeitura de São Luís, por exemplo.

 

PONTOS & CONTRAPONTO

 

Fantasma em Rosário

ricardo 8O jornal O Imparcial divulgou ontem, em manchete de 1ª página, a  descoberta, pela Secretaria de Estado de Transparência e Controle, do resultado de uma auditoria denunciando o pagamento, pelo Governo do Estado, de R$ 4,2 milhões por um hospital de 50 leitos em Rosário. De acordo com a reportagem, o hospital simplesmente não existe. Segundo o jornal, procurado para esclarecer, o ex-secretário de Saúde, Ricardo Murad (foto), respondeu o seguinte: “Sem maiores elementos, tenho pouco a dizer, a não ser que o programa é atestado pela gerenciadora do BNDES, que detém o poder de autorizar o pagamento de faturas apresentadas pelas empresas. Essa situação não tem condição de acontecer”. Claro que esta explicação de Murad deixa muitas dúvidas no ar e certamente não convenceria um promotor de Justiça bem informado.

 

João Goulart

DSC01393A Assembleia Legislativa aprovou ontem o Projeto de Lei Nº 110/2015, proposto pelo governador Flávio Dino que autoriza o Governo do Estado a adquirir imóveis pertencentes ao INSS na cidade de São Luís, através de doação em pagamento de dívida com o Instituto. Na mensagem, o governador explica que o pagamento dos imóveis será feito com uma dívida de R$ 9,9 que o INSS tem para com o Estado do Maranhão. O projeto prevê a aquisição de três imóveis, sendo um deles o Edifício João Goulart (foto), um espigão cuja presença fere violentamente a beleza arquitetônica da Praça Pedro II, mas que certamente será muito útil para abrigar órgãos públicos.

 

São Luís, 30 de Junho de 2015.

Pesquisa: Eliziane forte, Edivaldo Jr. enroscado e Roseana com maior rejeição

 

eliziane 2-vert
Eliziane lidera, Edivaldo Jr. está complicado, Castelo está vivo e Roseana tem alta rejeição

 

A corrida ao Palácio de la Ravardière no ano que vem será, sem sombra de dúvida, uma das mais acirradas desde 1985, quando o eleitorado das capitais brasileiras retomaram o direito de escolher os seus prefeitos. Além do perfil dos pré-candidatos – alguns dos quais estão transformando essa corrida eleitoral no mais importante projeto das suas vidas -, o acirramento foi confirmado por uma pesquisa feita pelo instituto Escutec no período de 12 a 15 deste mês e na qual perguntou a 807 eleitores sobre em quem eles votariam se a eleição fosse realizada hoje. Os números encontrados confirmam a previsão de que, mais do que uma corrida eleitoral de rotina, essa será uma guerra pelo poder.

Indagados espontaneamente sobre em quem votariam para prefeito de São Luís se a eleição fosse hoje, 18,1% escolheram a deputada federal Eliziane Gama (PPS), 11,3% apontaram o ex-prefeito João Castelo (PSDB), 9,2% o prefeito Edivaldo Jr. (PTC), 6,3% o ex-prefeito (São José de Ribamar) Luis Fernando Silva (PSDB), 3, 8% a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), 0,7%  o suplente de senador Lobão Filho (PMDB), 0.4% o deputado estadual Neto Evangelista (PSDB), 0,1% a deputada Andrea Murad (PMDB) e 0,1% o ex-prefeito Tadeu Palácio. Essa manifestação espontânea, sem indução, desenha páreo duro entre Eliziane, Edivaldo Jr. e João Castelo.

Mas quando, imediatamente após a manifestação espontânea, a pergunta sobre em quem vai votar é novamente feita, só que agora oferecendo ao eleitor uma lista de pré-candidatos, o cenário mantém a lista de preferências, mas muda expressivamente os percentuais. Num cenário com  Roseana, Eliziane aparece com 33,5%, seguida da ex-governadora com 15%, Edivaldo Jr. com 13,8%, Luis Fernando com 10%, a vereadora Rose Sales com 4.1%, Gastão Vieira (PROS) com 3,1%, enquanto 15% responderam que não votariam em nenhum deles e 5,6% disseram não saber. Esse cenário aponta Eliziane bem situada, e uma briga ferrenha entre Roseana e Edivaldo Jr. para vaga de adversário de Gama no 2º turno.

Já num cenário em que sem Roseana e com Castelo, Eliziane salta 40,4%, João Castelo aparece em segundo com 13,3%, seguido de Edivaldo Jr. com 12,8%, além de Rose Sales com 5,9%, Gastão Vieira com 4,6%, Fábio Câmara com 2,1% e, dados que se repetem: 15,5% responderam que não votariam em nenhum deles e 5,6% não souberam responder.  Esse cenário mostra que, tanto quanto Roseana, Castelo desequilibra a disputa.

Um terceiro cenário, este sem Roseana nem Castelo, Eliziane alcança 42,8% das preferências, seguida de Edivaldo Jr. com 13,3%, Neto Evangelista com 6,4%, Rose com 5,7%, Gastão com 5,5%, Fábio Câmara com 2,1%, enquanto que 18,3% responderam que não querem nenhum deles e 5,5% não souberam responder. Nesse cenário, Eliziane chega ao seu teto, enquanto Edivaldo Jr. se mantém, indicando que no momento sua faixa de preferências está estabilizada em 13%. O dado mais expressivo desse cenário são os 18,3% que não votariam, que, somados aos 5,5% de indecisos, formam um contingente de 23,8% de votos a serem conquistados.

Outro cenário, porém, cria uma enorme dificuldade para Roseana Sarney, Edivaldo Jr. e João Castelo, favorecendo diretamente Eliziane Gama: o da rejeição. Nesse quesito, a ex-todo-poderosa governadora Roseana Sarney leva a pancada maior ao ser rejeitada por 33,5% dos entrevistados, percentual que é o dobro das suas preferências. Logo atrás dela aparece o prefeito Edivaldo Jr. com uma rejeição expressiva: 22,2%, o que, grosso modo, é uma vez e meia o seu percentual de preferências. Com 10%, João Castelo mostra que tem uma rejeição menor do que as preferências, o que lhe dá um potencial de crescimento e mostra que ele não está no limbo. Os demais têm os seguintes percentuais de rejeição: Ricardo Murad (6,2%), Eliziane (3,8%) e Gastão (3,3%).

Numa avaliação geral, estão mesmo no páreo a deputada federal Eliziane Gama, até aqui como líder nas preferências, e o prefeito Edivaldo Jr. numa posição crítica, mas não desesperadora. Vale as seguintes indagações: Roseana Sarney vai entrar na briga, com uma rejeição que é o dobro das suas preferências?  João Castelo será mesmo candidato, com percentual de preferência maior do que o de rejeição?  As respostas poderão indicar o caminho hoje desenhado num embate do prefeito com a deputada do PPS.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

2º turno I

Salvo no cenário em que a ex-governadora Roseana Sarney participa, em todos os demais a deputada federal Eliziane Gama venceria no 1º se a eleição para a Prefeitura de São Luís fossem realizadas hoje. E venceria todos os candidatos quem fosse para o 2º turno.

 

2º turno II

Se a disputa fosse com o prefeito Edivaldo Jr., o resultado seria acachapante: ela teria 57,9% contra 17,2% do prefeito. Nesse cenário, um exército de 20% dos eleitores não votaria nem na deputada nem no prefeito. Se a disputa do 2º turno fosse com Roseana Sarney, a deputada do PPS teria 54,8% contra 24,3% de da ex-governadora. E nesse caso, nada menos que 16,2% dos eleitores não votaria em nenhuma das duas.

 

São Luís, 30 de Maio de 2015.

Vitorioso na UFMA, Natalino agora mira a Prefeitura de São Luís

 

natalino 4
Natalino Salgado pode ser candidato a prefeito de São Luís  após boa gestão na UFMA

Uma interpretação superficial dirá que a eleição do novo reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) nada tem a ver com a eleição, daqui a 18 meses, do novo prefeito de São Luís. Mas um acompanhamento mais ampliado do cenário político rascunhado na Ilha de Upaon Açu identificará sinais bem nítidos de que a relação não é formal, mas é direta. Isso porque, apesar de muitos ainda avaliarem a informação com restrição e até com má vontade, é absolutamente verdadeiro que o reitor Natalino Salgado caminha efetivamente para sair candidato ao Palácio de la Ravardière, num confronto eleitoral que envolverá o prefeito Edivaldo Jr. (PTC), a deputada federal Eliziane Gama (PPS), o ex-deputado federal Gastão Vieira (PROS), o deputado estadual Neto Evangelista (PSDB), relação que pode ser aumentada com o suplente de senador Lobão Filho ou o ex-deputado Ricardo Murad (PMDB), o deputado estadual Edilázio Jr. (PV) e a vereadora Rose Sales (sem partido).

Vários leitores perguntaram por que a Coluna tem dado importância a esse projeto. A resposta é simples: se vier mesmo a entrar na corrida ao voto pelo cargo de prefeito de São Luís, Natalino Salgado será, sem dúvida, o fato novo dessa disputa eleitoral. E entrará calçado numa trajetória bem sucedida como administrador público, que pode ser constatada na revolução que operou no Hospital Universitário e, nos últimos oito anos, como reitor da UFMA, que recebeu mergulhada na timidez e a entregará ao seu sucessor transformada num complexo dinâmico e que praticamente dobrou de tamanho.

O desempenho administrativo na UFMA jamais seria conseguido por um neófito em política, um mau articulador. Para começar, arrancar recursos de Brasília nos últimos tempos não foi tarefa para amadores, principalmente em área como a educação, cujo caixa é historicamente baixo. Convencer e cair nas graças dos burocratas da Esplanada dos Ministérios é resultado, sobretudo, de boa articulação política, associado a um demonstrativo de que os recursos liberados a duras penas são bem aplicados. Natalino Salgado conquistou a tecnocracia brasiliense e o comando do PT, conseguiu muitos recursos e os aplicou bem na estrutura e em outras melhorias, como a ampliação da oferta de cursos e de vagas.

Quem conhece as entranhas da UFMA sabe que a instituição é um permanente palco de embates políticos, onde se defrontam as mais diversas correntes ideológicas, principalmente as de esquerda. Para dar apenas um exemplo: ali, o PSOL, que não fez um vereador no Maranhão em 2012 nem um deputado federal ou deputado estadual nem senador em 2014, controla hoje nada menos que a Apruma, o poderoso e influente braço associativo e sindical de professores e servidores, e teve gás para lançar candidato a reitor, o professor Antônio Gonçalves, que ficou em segundo lugar. E nessa seara transitam com força expressiva o PSTU, as mais diversas correntes do PT, o PCdoB, o PPS, o PCB e também segmentos de centro e de direita, como PMDB, PSDB e PV. Assim, comandar essa máquina gigantesca, sobreviver a dois mandatos no embate permanente com correntes adversárias e ainda eleger o sucessor – a professora Nair Portela – e o vice-reitor – professor Fernando Carvalho – em turno único, faz do reitor Natalino Salgado um candidato a raposa credenciado a entrar na briga pela prefeitura de São Luís.

Sua entrada na corrida eleitoral servirá no mínimo para elevar o nível da campanha, exigindo dos demais candidatos que se preparem de fato para um embate de ideias e não para uma briga de rua. Não é sem razão, portanto, que o reitor da UFMA, cujo mandato termina em novembro, está sendo assediado por partidos como PT, PMDB, PSDB, entre outros.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Roseana e o PMDB I

rose 5A ex-governadora Roseana Sarney (foto)não está nem um pouco satisfeita com a crise que se instalou dentro do PMDB. Enfrentando o furacão da Operação Lava Jato, que tramita na Justiça Federal, e a tormenta do Caso do Precatório, que corre em sigilo na Justiça Estadual, disse, a pelo menos dois interlocutores, que não tem tempo nem disposição para mediar agora um entendimento entre o comando do partido, liderado pelo senador João Alberto, e o ex-deputado Ricardo Murad, que quer assumir o controle do diretório do PMDB de São Luís para sair candidato a prefeito. A bomba, que vinha se inflamando há tempos, estourou nesta semana na Assembleia Legislativa, numa reação dura do deputado Roberto Costa, que comanda o diretório da capital, a declarações da deputada Andrea Murad, intérprete dos sentimentos do pai. A eclosão teria irritado a ex-governadora.

 

Roseana e o PMDB II

O problema do PMDB é simples. Os dirigentes do partido, que o vêm mantendo dentro das regras, não aceitam que o ex-deputado Ricardo Murad, que não tem lá essas afinidades com a história do PMDB, assuma a direção da agremiação em São Luís e se lance candidato a prefeito sem o aval dos seus líderes maiores e intermediários. Sempre que colocada diante do problema em momentos de tensão, Roseana Sarney tenta acalmar os ânimos, sem, no entanto, costurar uma solução definitiva sobre o assunto. Isso porque sabe que não pode atropelar o comando do partido, e ao mesmo tempo não quer contrariar o cunhado.

 

São Luís, 29 de Maio de 2015.

 

 

Edivaldo Jr. e Flávio Dino ganham direito de brigar pela a reeleição

 

edivaldo jr 5-horz
Edivaldo Jr. e Flávio Dino ganharam o direito de brigar pela reeleição

 

O prefeito de São Luís, Edivaldo Jr. (PTC) – e todos os seus colegas eleitos em 2012 – e o governador Flávio Dino (PCdoB) foram dormir mais tranquilos na noite de quarta-feira. Motivo: a Câmara Federal decidiu, no bojo da reforma política, que eles poderão concorrer à reeleição, o primeiro em 2016 e o segundo em 2018. E com uma vantagem a mais, o mandato a ser tentado na reeleição poderá ser de cinco anos, o que dá aos aspirantes um gás a mais na preparação para as guerras eleitorais.

A situação do prefeito Edivaldo Jr. é desafiadora. A peleja na qual ele brigará por mais um mandato será acirrada, dado o número de pré-candidatos. Os aspirantes – Eliziane Gama (PPS), Roseana Sarney ou Lobão Filho (PMDB), Gastão Vieira (PROS), Neto Evangelista (PSDB), Edilázio Jr. (PV), entre outros – estão desde agora se munindo de argumentos para fazer uma campanha implacável com o objetivo de ocupar a sala principal do Palácio de la Ravardière.

A julgar pelo que tem sido evidenciado nas últimas semanas, as dificuldades do prefeito Edivaldo Jr. são respeitáveis. Para começar, sua gestão viveu os dois primeiros anos esbarrando em dificuldades, de modo que a máquina pública municipal não deu as respostas que o atento e instável eleitor da Capital esperava. Nesse campo, o prefeito sinaliza um  começo de reação, apresentando alguns resultados que têm sido festejados por seus aliados. Essa melhoria de desempenho, no entanto, ainda não convenceu de todo o eleitorado, que lhe mantém com nota baixa, mas com inclinação para avaliações melhores, conforme mostrou pesquisa recente do Escutec. Isso significa dizer que o prefeito está, de fato, se preparando para o embate do ano que vem.

No campo político, o prefeito Edivaldo Jr. vive um momento que, dependendo de como está sendo encarado, pode ser de afirmação ou de fragilidade. Eleito como um projeto do então candidato a governador Flávio Dino, o prefeito foi um dos aliados mais ativos na vitoriosa campanha de Dino ao Governo do Estado. Ocorre que adversários do prefeito – como a deputada federal Eliziane Gama, por exemplo, pré-candidata assumida -, também apoiaram o candidato Flávio Dino, e por causa disso, o governador já declarou que não se envolverá em disputa entre dois aliados. A posição do governador criou um embaraço para o prefeito e o seu projeto de reeleição. Mas se ele tiver vontade, determinação e personalidade política, a neutralidade de Dino pode ajudá-lo, se esta for aproveitada de maneira madura e ele se mostrar um prefeito politicamente independente da tutela do Palácio dos Leões. Vai depender só dele.

O governador Flávio Dino, por seu turno, está em início da caminhada e tem pela frente desafios gigantescos a serem vencidos. Flávio Dino sabe que essa reforma política poderá mudar não apenas o processo eleitoral e tempo de mandatos, mas também alcançar o coração e a mente do eleitorado, tornando-o mais exigente, principalmente depois das decepções que o afetaram após as eleições de 2014. Ou seja, o governador tem discernimento político suficiente para fazer essa leitura, o que lhe dá condições de nortear as ações do seu governo para uma gestão bem sucedida.

Não há dúvida de que Flávio Dino se elegeu para governar por oito anos, o que implica vencer a guerra eleitoral de 2018. Ele chegou ao poder consciente de que tirou dele um grupo poderoso e influente, mas ao mesmo tempo em declínio e minado pelo desgaste que contamina impérios longevos demais. Isso o obriga a fazer esforços bem maiores, porque a partir de 2018 a briga pelo poder será ferrenha, já que governador e presidente terão mandato de cinco anos, sem reeleição.

Nesse contexto, o prefeito Edivaldo Jr. tem a chance e o tempo necessário para mostrar que não é um fracasso administrativo nem candidato a um fracasso político. E o governador Flávio Dino vive a mesma situação, com a diferença de que está iniciando seu governo, não sofreu ainda desgaste sério e tem todas as condições de se tornar um projeto bem sucedido.

 

PONTOS & CONTRAPONTO

 

Debatendo a reforma

Alguns deputados federais maranhenses estão participando intensamente dos debates da reforma política. Sarney Filho (PV), Victor Mendes (PV), Hildo Rocha (PMDB), Eliziane Gama (PPS), Rubens Jr. (PCdoB), José Reinaldo Tavares (PSB), João Castelo (PSDB) e Aluísio Mendes (PTdoB), Cléber Verde (PRB) e João Marcelo de Souza (PMDB) estão atuando ativamente integrados às suas bancadas. Os demais não têm demonstrado muito interesse pelo que está sendo considerado o grande momento da nova Câmara Federal.

 

Levantando a bandeira

sarney filho 3O deputado Sarney Filho jogou todo o peso da sua experiência parlamentar e matreirice política para chamar para si uma bandeira de interesse dos prefeitos de todo o país: a ampliação do mandato. Na terça-feira, o líder do PV foi à tribuna e surpreendeu seus pares com uma proposta ousada, que já corria nos bastidores, mas que não havia sido defendida abertamente no plenário: a ampliação, por mais dois anos, do mandato dos atuais prefeitos. De lá p ara cá, Sarney Filho não tem perdido os prefeitos de vista e vez por outra cobra da presidência da Câmara a votação da proposta.

 

Proposta indecente

hildo rocha 2O deputado federal Hildo Rocha (foto) se juntou à corrente contrária à adoção do mandato de cinco anos para os atuais deputados federais, como prevê uma das propostas da reforma política. Rocha usou o microfone para criticar duramente a iniciativa, argumentando que não faz sentido aumentar o tempo do mandato parlamentar. “Mandato de cinco anos para os deputados é uma aberração, é uma traição ao povo, além de ser inconstitucional e imoral. Não há como aceitar essa imoralidade”, declarou Rocha, aplaudido por uns e censurado por outros.

 

São Luís, 28 de Maio de 2015.