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Eliziane enfrenta dificuldade para montar base partidária para disputa em São Luís

 

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Eliziane: dificuldades para montar base partidária e ganhar tempo de TV

A decisão do PCdoB de integrar a coalizão partidária a ser liderada pelo prefeito Edivaldo Jr. (PTC) em busca da reeleição no ano que vem bateu no projeto de candidatura da deputada federal Eliziane Gama (PPS). A informação funcionou como uma espécie de recado segundo o qual, ainda que anunciando que o Governo do Estado não terá candidato à Prefeitura de São Luís, as forças políticas controladas pelo governador Flávio Dino vão participar, sim, do processo político na Capital e, mais do que isso, dando suporte ao projeto de reeleição do atual ocupante do Palácio de la Ravardière. Com isso, não apenas a parlamentar popular socialista, mas também os tucanos deverão reavaliar seu projeto nessa direção e tomar uma posição que lhe garanta uma participação na corrida eleitoral com chances de chegar a bom termo.

A situação de Eliziane Gama é, de longe, a mais delicada nesse contexto. Líder disparada nas preferências do eleitorado, segundo todas as pesquisas realizadas até aqui, a deputada federal faz parte da base de apoio do governador Flávio Dino, mas com cacife político suficiente para seguir o seu próprio caminho. Nas conversas iniciais, ela tentou obter do governador Flávio Dino a garantia de que ele ficaria neutro na disputa em São Luís, mesmo sabendo que esse era um pleito que dificilmente seria atendido. Afinal, o governador foi o grande responsável pela eleição de Edivaldo Jr. e o prefeito de São Luís manteve-se rigorosamente fiel como aliado. E agora, depois que o pior da prefeitura já passou e as parcerias estão em andamento, não há como Dino deixar o prefeito de lado.

Politicamente inteligente, a deputada sabe que não contará com o apoio do Palácio dos Leões nem com a simpatia da máquina estatual na sua caminhada eleitoral. Além disso, já dispõe de informações e evidências suficientes para avaliar o cenário atual e perceber que o prefeito Edivaldo Jr. começa a ganhar força e deve se tornar um adversário difícil de ser batido. Isso fica mais claro a cada semana, com uma agenda de lançamento de obras e inaugurações que só tende a se tornar mais intensa, o que vai aos poucos dando musculatura política e eleitoral ao prefeito.

No campo partidário, Eliziane tentou fazer uma ponte com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, para editar na corrida eleitoral de São Luís a aliança do PPS com os tucanos. Ouviu do presidente tucano que o caminho do PSDB será o de ter candidato próprio à Prefeitura da Capital, e mesmo que isso não venha ocorrer, a segunda opção, já definida pelo presidente regional, vice-governador Carlos Brandão, será emplacar os tucanos na aliança do candidato preferencial do Palácio dos Leões, no caso, o prefeito Edivaldo Jr.. Tentou o mesmo caminho com os líderes do DEM e deles ouviu o seguinte: controlado pelo ex-prefeito Mauro Fecury, o DEM do Maranhão integra o Grupo Sarney, e ponto final.

Sem o apoio dos seus aliados no plano nacional, a pré-candidata do PPS tem se desdobrado para encontrar um caminho que lhe assegure uma coligação com peso político e, principalmente, bom tempo de TV. Esse último item é crucial para a campanha da deputada, que tem natureza midiática e precisa de espaço para propagar o seu discurso. Para justificar essa preocupação, basta lembrar que ela ganhou densidade eleitoral ao participar de dois debates na campanha para prefeito em 2012. E foi na esteira daquela campanha, que soube valorizar com bom desempenho na Assembleis Legislativa, que ela emergiu das urnas em 2014 como o mais votado candidato a deputado federal, com mais de 130 mil votos, deixando para trás pesos pesados dessa esfera eleitoral, como os deputados Cléber Verde (PR) e Sarney Filho (PV), por exemplo.

O cenário até aqui desenhado é amplamente favorável a Eliziane Gama no que diz respeito às preferências do eleitorado. Mas não muito promissor em matéria de suporte partidário para embalar sua candidatura. Suas esperanças estão na possibilidade de uma aliança com o PSB, controlado em São Luís pelo ex-vice-prefeito e atual senador Roberto Rocha, mas sob uma condição complicada: seu vice terá de ser o atual vereador Roberto Rocha Jr. (PSB). Além disso, já deve ter previsto que, por mais que o governador Flávio Dino se distancie da disputa, sua força política será naturalmente direcionada para a candidatura do prefeito Edivaldo Jr.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Homenagem tocantina

O fim de semana foi politicamente animado em Imperatriz. Ali, o deputado Antonio Pereira (DEM) reuniu dezenas de líderes locais e da região em um jantar no qual o homenageado foi o deputado federal José Reinaldo Tavares (PSD). Não foi uma reunião qualquer. Antonio Pereira, que desfruta de muito prestígio na Região Tocantina, convidou prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e líderes de diversas correntes políticas para a reunião. Em plena atividade e mirando o Senado nas eleições de 2018, José Reinaldo Tavares, que quando governador investiu na região, foi por todos saudado como líder estadual. O jantar organizado pelo deputado Antonio Pereira repercutiu fortemente nos meios políticos da Região Tocantina.

 

São Luís, 13 de Julho de 2015.

Seis meses após a posse, Flávio Dino consolida governo e fortalece seu projeto de poder

 

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O governador Flávio Dino fala no lançamento de um dos vários programas que embalam seu governo

O novo governo do Maranhão, comandado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), completou seis meses no dia 1º de julho. E contrariando expectativas, preferiu fugir à regra e não divulgar balanço dos primeiros 180 dias. Nesse período, o Maranhão continuou amargando os mesmos problemas, principalmente em áreas sensíveis, como a segurança, por exemplo, mas com a diferença de que agora a máquina pública se move em nova dinâmica e tem à frente um governador que prega e tenta promover mudanças. Até aqui, o governo colocou em prática quase todos os programas anunciados em janeiro. Esforçou-se para demonstrar que está acertando e melhorando o estado, manifestou claro interesse em varrer da estrutura do serviço público qualquer vestígio do Grupo Sarney e deu demonstrações de que o projeto de governo e de poder – muito criticado por adversários e visto com reservas por alguns segmentos – é consistente e tem tudo para vingar.

O ponto central da avaliação dos primeiros seis meses do governo é que ele tem um governador que, se não é identificado como um líder messiânico,   tem demonstrado firmeza nas decisões e está no controle das ações – nada é feito sem a sua anuência -, desfruta de credibilidade – tem até aqui mais de 70% de aprovação – e tem mostrado desenvoltura política no tabuleiro interno e boa articulação no cenário nacional. É visto como correto e eficiente por muitos e centralizador e arrogante por alguns, além dos que não acreditam no seu governo – que são poucos, diga-se.

Com o cacife que lhe deram 1,8 milhão de eleitores, Flávio Dino comanda uma equipe jovem, aparentemente comprometida com o seu projeto de governo e de poder. À frente desse grupo, se desdobra para realizar um governo eficiente na execução da tarefa principal, que é fazer com que os programas até agora anunciados – como o Mais IDH, por exemplo – produzam resultados palpáveis, que justifiquem o projeto de mudança e o apoio popular. Mesmo escassos, por ser ainda muito cedo, os números divulgados até agora indicam que os programas implantados caminham em boa direção.

No balanço geral, o governo está desenvolvendo um ousado programa educacional, que inclui escola de tempo integral, contando com o apoio de professores beneficiados, já em janeiro, com reajuste salarial e implantação de vantagens previstas do Estatuto do Magistério deixado pronto pelo governo anterior.  No campo da Segurança Pública, tem divulgado que, apesar dos problemas, convocou mais três mil concursados para reforçar a Polícia. Na edição de sábado (11), jornais publicaram que foram pavimentados 1.200 quilômetros de rodovias, o que será um recorde levando-se em conta o espaço de tempo. Garante que está melhorando as condições dos presídios e reduzindo os índices de violência, apesar das quase três dezenas de assaltos a bancos no interior. Está levando o Mais IDH aos municípios mais pobres e na semana passada implantou o Mais Bolsa Família. No campo da Saúde, tenta fazer funcionar a megaestrutura deixada incompleta pela gestão passada, mas com problemas a serem solucionados que devem desaguar numa CPI já pedida na Assembleia Legislativa. E estão em curso projetos habitacionais herdados do governo anterior, ao que deverão se somar mais 160 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida anunciadas quinta-feira pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, em visita ao Maranhão. Inúmeros outros programas “Mais” estão em curso no campo da capacitação de jovens, desenvolvimento tecnológico, empreendedorismo, produção agrícola familiar, entre outros.

Ao longo do seu primeiro semestre, apesar de alguns percalços e do esforço dos seus adversários para mostrar o contrário, o Governo Flávio Dino não sofreu qualquer acusação de desvio ou mal feitos com o dinheiro público nem de ações desastradas que o comprometessem. No seu discurso, o governador tem dito e repetido, por exemplo, que bateu forte na corrupção e desarticulou “as quadrilhas que desviavam os recursos públicos”, mas teve o cuidado de não dar nome aos quadrilheiros. Para avançar ainda mais contra a corrupção, criou a Secretaria de Transparência e Controle, por meio da qual monitora as ações do próprio governo, vasculha danos ao erário causados pelo governo de Roseana Sarney (PMDB) e torna públicos os números financeiros da atual gestão.

O governo abriu canais de diálogo com os mais diferentes segmentos da sociedade civil organizada, como o empresarial, o sindical e o religioso, por exemplo, criando perspectivas de colaboração bilateral. E nessa marcha, que agrada à maioria e inibe a minoria, o governador segue em frente exibindo confiança, apesar do cenário de crise. E o faz garantido por três fatores: assumiu uma máquina em condições bem melhores do que esperava, encontrou à sua disposição mais de R$ 1,5 bilhão do empréstimo de R$ 3,5 bilhões contratados pelo governo anterior com o BNDES e fundiu seus programas com os que já estavam implantados, ajustando-os ao seu plano geral de ação. São esses recursos que, somados aos à receita do Estado, o estimulam o programa Diálogos Territoriais, por meio do qual ouve das populações regionais  sugestões para o Plano Plurianual para os próximos quatro anos.

 

Ação política e projeto de poder

Na esteira dos 63,5% de votos que recebeu nas urnas e dos mais de 70% de aprovação ao seu governo, o governador Flávio Dino desenha um projeto de poder sem paralelo em tempos recentes. Sua eleição foi limpa e indiscutível, sua base partidária é – com poucas exceções – a mesma que o respaldou na campanha eleitoral, tem maioria folgada na Assembleia Legislativa, onde conta com o suporte político firme do presidente Humberto Coutinho. E seu partido, o PCdoB, se movimenta para crescer e ganhar força nas eleições municipais do ano que vem. Seus agentes políticos trabalham duro para minar e fragilizar, até onde for possível, o que restou do Grupo Sarney, para espantar o fantasma da volta por cima.

Não viveu situações políticas dramáticas, mas já enfrenta problemas no campo em que é o chefe, como o mal-estar com o senador Roberto Rocha (PSB), que ainda não foram superados; tenta manter o PSDB na sua esfera, o que está ficando difícil; opera para construir boas relações com o PT e outros segmentos de esquerda. E começa a definir posições em relação às eleições do ano que vem, uma delas a de que seu partido, o PCdoB, participará da aliança pela qual o prefeito Edivaldo Jr. (PTC) tentará a reeleição, mas ele próprio não quer perder a deputada federal Eliziane Gama (PPS) nem o deputado federal João Castelo da sua esfera política.

E no contexto nacional, se mantém, junto com seu partido, na base de apoio da presidente Dilma Rousseff, de quem tem recebido forte apoio – haja vista o grande número de ministros que veio ao Maranhão nestes seis meses -, sem no entanto fechar as portas para outras frentes políticas que o apoiaram na campanha. O fato é que, nestes seis meses, o governador Flávio Dino, aplaudido por quem o vê como um democrata e criticado por quem vê nele um “ditador”, vai aos poucos consolidando o seu governo e sem esconder que ele e o grupo que lidera chegaram ao poder para nele permanecer por muito tempo.

 

São Luís, 11 de Julho de 2015.

Pedido de mais prazo mostra que PF vai manter Roseana e Lobão sob pressão

 

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Polícia Federal quer investigar mais suspeita sobre  Costa, Lobão, Roseana e Youssef

A decisão da Polícia Federal (PF) de pedir à Justiça mais 60 dias para investigar a suposta doação, em 2010, no valor de R$ 2 milhões, feita pelos chefões do esquema de corrupção na Petrobras, a pedido do então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, à campanha da então governadora Roseana Sarney (PMDB) à reeleição, está dando o que falar nos bastidores da Operação Lava Jato. O pedido assanhou os advogados de Roseana e Lobão, que consideram desnecessária a concessão de mais prazo para a PF aprofundar a investigação, alegando que a denúncia feita pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, com base nas investigações da PF, já estaria suficientemente esclarecida e nada provou contra os dois.

O ponto mais polêmico é que além de pedir mais tempo, a PF quer colocar de novo cara a cara o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef. Isso porque até aqui Paulo Roberto Costa mantém a versão segundo a qual, atendendo a orientação do ministro Edison Lobão, autorizou o doleiro Alberto Youssef que entregasse R$ 2 milhões, em dinheiro vivo, à governadora Roseana Sarney, para financiar sua candidatura à reeleição. Lobão nega peremptoriamente que tenha dado tal orientação a Paulo Roberto Costa; Roseana jura de pés juntos que tal acerto não existiu e que ela não recebeu nenhum centavo do esquema; e o doleiro declarou em vários depoimentos que não fez esse repasse, versão que manteve na acareação com o ex-diretor da Petrobras.

Até agora, depois de muitos depoimentos, cruzamento de dados e acareações, a denúncia contra Roseana e Lobão na Operação Lava Jato encontra-se na estaca zero. Isso porque só existe de concreto a declaração de Paulo Roberto Costa afirmando que autorizou Youssef a fazer o repasse, mas sem apresentar qualquer dado ou informação que comprove sua versão. Contra o que disse e reafirmou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef afirmou e reafirmou que não recebeu tal orientação de Costa e que não fez repasse financeiro à governadora Roseana Sarney em 2010. A declaração do doleiro reforça a defesa de Roseana Sarney e Edison Lobão, que batem nas mesmas teclas, ela dizendo que não recebeu dinheiro do esquema da Petrobras, ele afirmando enfaticamente que não deu tal orientação ao ex-diretor da petroleira.

A negação reafirmada de Alberto Youssef colocou a PF e o Ministério Público Federal numa espécie de saia justa, já que sem a confirmação do repasse ou alguma prova material de que ele foi feito, não há como manter Roseana e Lobão sob investigação. O pedido de mais dois meses de prazo  para a investigação, com a possibilidade de nova acareação, é uma espécie de cartada decisiva da PF, que espera que em novo encontro direto, o doleiro reveja sua versão e confirme a do ex-diretor da Petrobras. Caso contrário, dificilmente o Supremo abrirá processo contra a ex-governadora e o ex-ministro e atual senador pelo PMDB.

O pedido da PF de mais tempo se baseia no argumento segundo o qual “a investigação reclama, na busca da verdade, uma acareação entre Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que pode implicar a harmonia ou o distanciamento das versões por eles apresentadas, sob o compromisso de dizer a verdade”, segundo o documento que fundamenta o pedido de mais prazo. O problema é que os dois deram e mantiveram suas versões em depoimentos comuns, em depoimentos sob o regime de delação premiada – que não admite mentiras – e na única acareação entre o doleiro e o ex-diretor da Petrobras. Se agora, em nova acareação, Alberto Youssef mudar sua versão, esta será imediatamente colocada sob suspeita.

Não se diga que, mesmo sem confirmação de que o dinheiro foi entregue, Roseana Sarney e Edison Lobão estão em situação folgada no contexto da Lava Jato. Ao contrário, a pressão sobre os dois permanece intensa, e o pedido de mais prazo demonstra que a PF está determinada a reverter a situação favorável a eles.

 

São Luís, 10 de Julho de 2015.

 

 

 

 

Ter ou não ter candidato a prefeito é o dilema que alimenta a crise no PSDB

 

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Brandão não quer candidato próprio, Castelo qiuer e Madeira não tem sucessor.

Como uma espécie de reflexo local da crise de identidade que agita as entranhas da sua versão nacional, o PSDB do Maranhão encontra-se mergulhado numa crise profunda, que se evidencia nos primeiros movimentos com vistas às eleições municipais de 2016, notadamente em São Luís e em Imperatriz. Em relação à Capital, as duas principais correntes do partido estão medindo forças, uma defendendo candidatura própria a prefeito e outra propondo que o partido abra mão da candidatura e se alinhe no apoio a um candidato ligado ao Governo do Estado. E no caso de Imperatriz, o PSDB não terá candidato próprio – pelo menos até aqui –, o que o obrigará a apoiar um candidato de outro partido.

Na corrida ao Palácio de la Ravardière, a corrente que defende candidatura própria é liderada pelo deputado federal João Castelo, ele próprio ex-prefeito e nome tucano mais bem situado na corrida, aparecendo na segunda colocação em todos os cenários, conforme pesquisas recentes. Já o vice-governador Carlos Brandão, que preside o partido no Maranhão, não quer candidatura própria, preferindo incluir os tucanos nas fileiras de apoio a um candidato do agrado do Palácio dos Leões. As duas correntes estão em guerra declarada dentro do partido.

O grupo liderado pelo deputado federal João Castelo segue à risca a orientação dada pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), durante o congresso em que a agremiação o reelegeu para o cargo e definiu uma série de diretrizes, entre elas a relacionada com as eleições municipais. Aécio Neves foi claro e direto: a cúpula do PSDB decidiu que o partido terá candidato próprio a prefeito em todas as capitais e grandes centros urbanos do país. A orientação caiu como um reforço e tanto nas pretensões do ex-prefeito João Castelo, discretamente avalizada pelo deputado estadual Neto Evangelista, tucano da mais nova geração.

O projeto de candidatura própria, no entanto, enfrenta uma muralha de resistência na posição do vice-governador Carlos Brandão. Muito afinado com o governador Flávio Dino (PCdoB), Brandão avalia o seu caminho natural, e consequentemente o do PSDB por ele presidido, que é seguir identificado e alinhado ao projeto político do governador e apoiar um candidato inteiramente identificado com a linha de ação do seu governo. Mesmo tendo dito que não tem candidato, 10 entre 10 governistas estão certos de que no gabinete principal do Palácio dos Leões a torcida é pela reeleição do prefeito Edivaldo Jr. (PTC). Ciente dessa tendência, João Castelo tem reagido com firmeza e, assim, entrado em choque com Carlos Brandão, que também joga pesado e argumenta que a orientação de Aécio Neves admite exceções.

Inclinado a apresentar-se como candidato tucano para disputar a Prefeitura contra Edivaldo Jr. e a deputada federal Eliziane Gama (PPS), Castelo briga pela vaga. Ao mesmo tempo, ciente de que dificilmente conseguirá a vaga de candidato diante da posição do presidente Carlos Brandão, mas certo de que sua posição nas preferências do eleitorado de São Luís não depende necessariamente de partido, Castelo se movimenta discretamente em busca de um partido no qual tenha o controle e garanta sua candidatura a prefeito de São Luís. Sabe que no PSDB ele dificilmente terá sinal verde para se candidatar. Sua posição é a mesma do deputado Neto Evangelista, que ocupa cargo de secretário na equipe do governador Flávio Dino.

No caso de Imperatriz, não há exatamente uma crise. Ali, o partido sofre por não ter nos seus quadros um nome de peso que possa ser apresentado como sucessor do prefeito Sebastião Madeira. Tucano de primeira linha e com projetos ambiciosos, Madeira vive a curiosa situação do líder que não conseguiu preparar um sucessor e terá de se valer de terceiros para não ficar de fora da corrida eleitoral.

Assim, o partido segue em cima de crise em São Luís, que dificilmente será resolvida, já que as duas correntes mantêm inalteradas as suas posições, e em Imperatriz, onde não tem candidato próprio.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Para todos

fábio bragaO deputado Fábio Braga fez ontem um animado agradecimento pela inauguração do MA-020, rodovia de 79 quilômetros que liga Coroatá a Vargem Grande e integra uma grande região do leste maranhense. Mas, ao contrário do que fizeram outros deputados, Braga ampliou o leque de governadores que deram força à obra. O primeiro citado foi, claro, o governador Flávio Dino, que concluiu e inaugurou. Mas por justiça e elegância, Fábio Braga lembrou que o projeto da MA-020 foi definido pelo governador José Reinaldo Tavares, a obra foi licitada pelo governador Jackson Lago e iniciada pela governadora Roseana Sarney. “Não poderia deixar de fazer esses registros, porque nós, de Vargem Grande, sabemos reconhecer os que trabalham por nós, e por isso não confundimos ´frei Damião com freio de caminhão`”, destacou.

 

 

São Luís, 09 de Julho de 2015.

Pedida na Assembleia a CPI da Saúde para “pegar” Ricardo Murad

 

Os deputados Rafael Leitos (d) e Fernando Furtado (chapéu) protocolam o pedido de CPI
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Alvo maior, Murad pode produzir  bons momentos na CPI da Saúde

 

Na sessão de segunda-feira (6), ao rebater um duro ataque feito pela deputada Andrea Murad (PMDB) à política do governo na área de saúde, o deputado Levi Pontes (SD), usando um tom que misturou alerta, advertência e ameaça, previu que em pouco tempo a parlamentar mudaria o tom de voz e atuaria de maneira “mais tímida e humilde”. O motivo da fala de Levi Pontes foi revelado ontem, quando os deputados Fernando Furtado (PCdoB) e Rafael Leitoa (PDT) protocolaram na Mesa da Assembleia Legislativa pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de desvios e mal feitos na Secretaria de Estado da Saúde, no período que vai de abril de 2009 a dezembro de 2014. Trata-se dos seis anos do último governo de Roseana Sarney (PMDB), no período em que foi secretário da área o então deputado estadual Ricardo Murad (PMDB). A CPI terá como foco especial a execução do gigantesco e polêmico programa Saúde é Vida.

Respaldado por 29 assinaturas, o pedido de CPI é, do ponto de vista administrativo, o caminho possível para que as denúncias feitas até agora por vozes governistas sejam passadas a limpo, de modo a esclarecer como foram gastos mais de R$ 500 milhões na estruturação do megaprograma, principalmente na construção de hospitais naquele período. Mas, visto pelo viés da política, o pedido de CPI é uma declaração definitiva de guerra, que terá da tropa governista o objetivo de colocar em xeque o que restou do Grupo Sarney, a começar pelo ex-secretário Ricardo Murad e, claro, a ex-governadora Roseana Sarney.

Anunciado de maneira estridente em meados de 2009, o programa Saúde é Vida foi, de longe, a ação mais ousada e polêmica do último governo. Seriam construídos 72 hospitais de 20 e 50 leitos e quatro macrorregionais de 100 leitos, além da reforma do Carlos Macieira, do Hospital Geral e da reestruturação de todo o Sistema Estadual de Saúde. A previsão inicial era a de que tudo estivesse pronto e funcionando no final de 2012, mas o governo terminou em dezembro de 2014 com as reformas concluídas em parte, a reestruturação em andamento, mas só a metade dos 72 hospitais construídos e inaugurados – alguns não equipados -, e os demais inconclusos, a começar pelos quatro macrorregionais – Imperatriz, Santa Inês, Caxias e Bacabal. Tudo isso coberto por densas nuvens de dúvidas e suspeitas em relação aos gastos e transformadas em denúncias e acusações após a posse do Governo Flávio Dino (PCdoB).

Durante a campanha de 2014, o então secretário Ricardo Murad intuiu que seria bombardeado implacavelmente se Flávio Dino vencesse a eleição. Já naquele momento passou a disparar ataques ao candidato a governador, que foram mantidos ao governador. Com uma minibancada de dois deputados – a filha Andrea Murad e o genro Souza Neto (PTN) -, o agora ex-deputado e ex-secretário faz uma intensa e implacável oposição ao novo governo, para muitos usando a tática, segundo a qual a melhor defesa é o ataque. Ele próprio vem alimentando desde janeiro bombardeios duros ao governo nas redes sociais e em entrevistas a rádios e jornais. Suas vozes insistiram muito na acusação de que “movido por ódio”, o governador do Estado está “retaliando” e “perseguindo”.

Da sua parte, o governo, por meio dos seus representantes na Assembleia Legislativa, respondeu a todas as acusações, denúncias e provocações feitas pela tropa de choque de Murad. E criou a Secretaria de Estado de Transparência e Controle, que desde janeiro vem vasculhando as contas do governo passado, especialmente as da SES, não afirmando, mas não escondendo, que o objetivo é “pegar” Ricardo Murad e “mandá-lo para a cadeia”. E a CPI foi o instrumento que encontrou para virar o programa Saúde é Vida pelo avesso e colocar o ex-secretário contra a parede, em xeque mate. E seus apoiadores dizem que dispõem de “farto material” para levar Murad às cordas e à lona.

Ricardo Murad não é um adversário qualquer. Da mesma maneira que como gestor atropela até ordem de governador para apresentar resultados, ele é organizado e talhado na confrontação política. É verdade que está isolado e que não conta com o apoio de toda a bancada de oposição, mas isso não diminui sua ousadia. Dono de uma oratória poderosa e envolvente e de muitas informações, o ex-deputado poderá protagonizar embates memoráveis ao sentar no banco dos suspeitos na CPI, principalmente se se encontrar em situação delicada e perigosa.

Tudo indica que serão 120 dias para entrar para a história política do Maranhão.

 

PONTOS & CONTRAPONTO

Brado de filha

andrea 4Momentos antes do ato em que os deputados Fernando Furtado e Rafael Leitoa protocolaram o pedido de instalação da CPI da Saúde, a deputada Andrea Murad foi à tribuna, em princípio para manifestar-se a favor dos índios guajajara que protestavam por escolas. E num determinado trecho do seu discurso, aumentou o tom de voz e, como que fazendo um desabafo estridente, declarou: “Vocês querem destruir a reputação de Ricardo Murad, mas não vão conseguir negar que ele foi um grande secretário, que ele revolucionou a saúde no Maranhão”. Pelo visto, a previsão do deputado Levi Pontes, segundo a qual em breve a deputada diminuirá o tom de voz e atuará com timidez, pode não se confirmar.

 

Duas línguas

othelino 5-horzO debate relacionado aos índios guajajara que faziam ontem um protesto no plenário da Assembleia Legislativa mostrou uma surpreendente divisão na bancada governista e no próprio PCdoB. Depois da pancadaria da oposição no governo e no governador Flavio Dino, o deputado Othelino Neto (PCdoB), enfrentando até algum desgaste, foi à tribuna e reafirmou a posição do Palácio dos Leões: as providências do Governo do Estado em relação às reivindicações dos índios só serão adotadas depois que eles encerrarem o protesto. Logo em seguida, o deputado Raimundo Cutrim, também do PCdoB, foi à tribuna e fez uma proposta radicalmente diferente do que falou Othelino Neto em nome do governo. Apresentando-se como conhecedor dos problemas indígenas quando delegado da Polícia Federal em Roraima, Cutrim sugeriu a criação de uma comissão de deputados para levar um conjunto de sugestões ao governador Flávio Dino – exatamente o que o governo não queria ouvir. Faltou, no caso, uma articulação das lideranças governistas para unificar o discurso.

 

São Luís, 08 de Julho de 2015.

Parcerias com o Governo reforçam Edivaldo Jr. para a corrida às urnas no ano que vem

 

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Ao lado do deputado Humberto Coutinho, presidente da Assembleia Legislativa, o prefeito Edivaldo Jr. abre largo sorriso ao ouvir o governador Flávio Dino
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Eliziane Gama e João Castelo lideram as pesquisas,

O lançamento, segunda-feira, do Projeto Interbairros, no qual Governo do Estado e Prefeitura de São Luís estão se unindo, via convênios, para a construção de 14 vias destinadas a interligar bairros e, assim, aliviar o sufocante trânsito de São Luís com a redução dos congestionamentos, tem também o seu viés político. O programa é um desses tiros no centro do alvo, a começar pelo fato de que a malha viária da capital encontra-se na iminência de entrar em colapso. E, associado a outras ações, como o recém lançado pacote de recuperação e pavimentação de eixos viários, o governador Flávio Dino (PCdoB) injeta no prefeito Edivaldo Jr. (PTC) uma dose de ânimo administrativo que, ninguém duvida, será revertido em cacife político para as eleições do ano que vem.

No que pode ser interpretado como uma estratégia, o governador Flávio Dino vai delineando os contornos do cenário para a corrida eleitoral de 2016 em São Luís. Cumpre sua parte do trato político firmado ainda em 2012, quando, ao fazer a opção pelo então deputado federal Edivaldo Jr. como seu candidato a prefeito, fez campanha pregando que a eleição dele seria o primeiro passo do movimento que o elegeria governador em 2014. E se aquele projeto vingasse, o Governo do Estado quebraria a velha, surrada e cruel regra segundo o qual, controlados por adversários políticos, Governo do Estado e Prefeitura de São Luís nada fariam juntos. O trato está sendo cumprido à risca.

Essa aliança administrativa forjada com material político coloca, aparentemente, o governador Flávio Dino numa situação embaraçosa em relação a outros aliados seus também se preparando para disputar a cadeira principal do Palácio de la Ravardière com claras possibilidades de levar a melhor nas urnas. E para evitar problemas e afastamentos, o governador avisou, em alto e bom tom, que não tem candidato a prefeito. Mas acrescentou, na mesma batida: a disputa política à sua volta não pode impedi-lo de firmar as tão sonhadas parcerias com a Capital.

No tabuleiro sucessório de São Luís, os três nomes com plena viabilidade estão entre os aliados do Governo do Estado: a deputada federal Eliziane Gama (PPS), o deputado federal João Castelo (PSDB) e o prefeito Edivaldo Jr.. Os três integram a base política liderada pelo governador Flávio Dino, mas têm posições bem diferentes. Eliziane Gama faz cerrada oposição ao Governo da presidente Dilma Rousseff, o que não interessa ao Governo do Estado. João Castelo vem se equilibrando numa posição ambígua, em que, mesmo tucano, vem amenizando o discurso em relação ao Governo Federal. Já o prefeito Edivaldo Jr., na linha do governador, está alinhado ao Palácio do Planalto.

Qualquer análise, superficial ou aprofundada, do cenário certamente levará à conclusão de que o atual prefeito de São Luís é, politicamente, o parceiro mais confiável e conveniente ao governador. Isso, no entanto, não quer dizer que Flávio Dino esteja disposto a abrir mão de ter na sua esfera de ação política quadros como Eliziane Gama e João Castelo, até porque não seria nada proveitoso tê-los como adversários.

As parcerias firmadas até agora dão novo ânimo à atual gestão da Capital, e não há dúvidas de que no campo político o prefeito Edivaldo Jr. é o grande beneficiário. E todas as avaliações feitas indicam que ele dispõe de tempo e gás para se credenciar a um segundo mandato. Tais condições são o caminho, mas não lhe asseguram a reeleição, de vez que, a deputada Eliziane Gama aparece até aqui com larga vantagem nas primeiras medições das preferências do eleitorado para uma eleição que acontecerá daqui a 14 meses. E até lá tudo pode acontecer.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Hildo Rocha acende rastilho de pólvora I

hildo rocha 2O deputado federal Hildo Rocha (PMDB) (foto) fez ontem um discurso que pode ter acendido um rastilho de pólvora que poderá levar a uma bomba política de proporções difíceis de mensurar ou a um traque sem qualquer consequência. Ele levantou a suspeita de que o governador Flávio Dino (PCdoB) recebeu dinheiro da empreiteira UTC, do empresário Ricardo Pessoa, apontado como chefão do esquema de corrupção que desviou bilhões da Petrobrás e financiou campanhas eleitorais e foi apanhado pela Operação Lava Jato. Sem fazer acusação direta, Hildo Rocha registrou, primeiro, que a deputada fluminense Jandira Feghali, uma das maiores estrelas do PCdoB, recebeu dinheiro sujo da UTC, conforme planilhas apresentadas por Ricardo Pessoa. E que no depoimento do empresário consta que ele deu dinheiro para dois candidatos a governador, um deles seria o atual governador do Maranhão.

 

Hildo Rocha acende rastilho de pólvora II

No seu discurso, o deputado Hildo Rocha revelou que tomou conhecimento desse rumor no final de maio, quando oficiou ao Ministério Público Federal solicitando as planilhas. Foi atendido em parte, porque as folhas que citariam os governadores foram retiradas. Rocha relatou que conversou com vários congressistas e advogados sobre o assunto e que ouviu de alguns deles a suspeita de que a não revelação do nome do governador poderia ser um acerto com o procurador federal Nicolau Dino, subprocurador geral da República e um dos braços direitos do procurador geral Rodrigo Junot. “Todos me disserem que eu estou perdendo tempo”, destacou. O deputado pemedebista demonstrou que não tem certeza absoluta, mas que está convencido de que o tal governador cujo nome está sendo mantido sob sigilo é o do chefe do executivo do Maranhão. Reclamando do vazamento seletivo, o deputado avisou que vai continuar tentando colocar tal suspeita a limpo.

 

São Luís, 07 de Julho de 2015.

 

 

Planilhas de empresário e reportagem da Globo atingem Lobão

 

Ricardo Pessoa
Pessoa reafirmou denúncia, a Globo repicou e Lobão sofreu mais desgaste

Na noite de sábado (4), os maranhenses foram surpreendidos por uma matéria de fôlego no Jornal Nacional, da Rede Globo, repercutindo declaração do empresário Ricardo Pessoa, em depoimento em regime de delação premiada, afirmando que o senador Edison Lobão (PMDB), ex-ministro de Minas e Energia, recebeu R$ 1 milhão – pago em duas ou três parcelas – para remover alguns obstáculos que estariam atrapalhando as ações do consórcio de empreiteiras na construção da Usina Nuclear Angra 3. Ricardo Pessoa apresentou como prova algumas planilhas montadas por ele próprio, as quais, afirma, representariam o mapa da corrupção. A bomba contra o senador é questionada do ponto de vista formal, mas ninguém duvida de que ela aumenta o estrago já feito na imagem política e pessoal dele.

A informação foi divulgada pela revista Veja – que apontou o senador maranhense como “achacador” – e pelos grandes jornais, que registraram a declaração de Pessoa em relação ao ex-ministro de Minas e Energia. Mas a Globo foi mais longe, elegendo a denúncia contra Lobão como a mais importante do conjunto das supostas provas publicadas por Veja. A rede deslocou um repórter para por a limpo a informação segundo a qual o dinheiro teria sido recebido por um amigo do então ministro de Minas Energia. O cenário da reportagem foi Brasília, mas o esforço de investigação jornalística terminou como começou, sem acrescentar uma vírgula ao que já tinha sido publicado, deixando no ar a suspeita de que a intenção implícita na pauta foi disparar chumbo grosso contra o senador.

Como vem acontecendo desde a primeira denúncia sobre o esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato, a defesa do senador Edison Lobão, representada pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, tem contestado as denúncias. Usa um argumento para muitos insuficiente, mas que aos olhos da Justiça é francamente favorável ao ex-ministro de Minas e Energia: a falta de provas consistentes e incontestáveis. Para quem acha que Lobão é favorecido, a delação não vale se não é acompanhada de prova material ou documental irrefutável, o que dificilmente seria produzida num esquema de corrupção.

Craque em política, tarimbado no jogo do poder e senador que tem grande peso na bancada do PMDB, Lobão se mantém na trincheira e alimenta a briga com delatores da Lava Jato que o acusam de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Sabe, por outro lado, que o estrago político está feito, com potencial para inviabilizar qualquer projeto eleitoral futuro. Com a experiência que acumulou durante mais de três décadas de uma bem sucedida caminhada política, Lobão sabe inclusive que o estrago pode alcançar o suplente de senador Lobão Filho, seu herdeiro político e apontado como um dos nomes do PMDB para disputar a Prefeitura de São Luís no ano que vem.

Alvejado por duas acusações – a outra é a de que teria ordenado ao então diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a entregar R$ 2 milhões à então governadora Roseana Sarney em 2010 -, Lobão volta agora suas atenções para o Supremo Tribunal Federal, que poderá acatar as denúncias da Procuradoria Geral de Justiça e abrir processo contra ele. Se isso acontecer, ele terá amplo direito de defesa, podendo ser inocentado no final. Mas o processo não interessa a Lobão, que agora se esforça mesmo é para desqualificar a denúncia e mandar o caso para o arquivo morto. Isso porque responder a um processo dessa natureza impõe ao acusado um longo período de tensão e desgaste.

As planilhas de Ricardo Pessoa e a reportagem da Rede Globo na edição do Jornal Nacional do dia 2 nada acrescentaram ao que já tinha sido seguidas vezes publicado. Por outro lado, aumentaram expressivamente o estrago moral e político do senador.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Pancadas no atacado

andrea 4A deputada Andrea Murad (PMDB) disparou ontem meia hora de pancadas verbais no governador Flávio Dino (PCdoB) e seu governo. A pretexto de fazer um balanço do seu próprio mandato, a parlamentar disparou no atacado contra o governo: repicou as críticas e acusações na área de saúde, bateu forte no valor de alguns aluguéis de contratos recentes, repetiu a pancadaria verbal na área de segurança e fez duras e ácidas críticas diretas ao governador do Estado, enfatizando a visita que ele fez a Coroatá sexta-feira (3) para inaugurar a MA-020 – que liga aquela cidade a Vargem Grande – e que, segundo afirmou, foi obra planejada e licitada pelo governo passado.

Fogo nos ex-secretários

Ao se referir diretamente ao governador Flávio Dino, a deputada Andrea Murad relatou que uma repórter “que não tem medo de ninguém”, perguntou ao chefe do Executivo porque ele não construía mais estradas, ao que ele respondeu que está ainda tapando os rombos deixados por quadrilhas que roubavam o dinheiro das estradas. A deputada então avançou: “Então o governador está dizendo que Luis Fernando Silva e Max Barro roubaram o dinheiro das estradas? Luis Fernando Silva é ladrão?”

Só para lembrar: Luís Fernando Silva foi secretário de Infraestrutura do governo Roseana Sarney, responsável direto pelo programa rodoviário levado a cabo até o dia em que ele deixou o cargo e se filiou ao PSDB em ato do qual participou o governador. E Max Barros (PMDB) faz uma oposição moderada, sem ataques ao governo.

 

O que vem por aí?

leviGovernista de primeira linha, o ponderado, mas firme, deputado Levi Pontes (SD) foi à tribuna para rebater os ataques de Andrea Murad ao governo e ao governador. Disse que ela fala o que não sabe e cobrou respeito ao governador Flávio Dino, que na sua avaliação está realizando um governo voltado para os interesses da população, citando o programa Mais IDH como exemplo. E como se estivesse fazendo um anúncio em tom sombrio, disse que em breve “o que vem por aí” fará com que a deputada “fique tímida”, sem “condições de falar como fala agora”. Mas não deu nenhuma pista do que “vem por aí”.

 

São Luís, 06 de Julho de 2015.

Governo dá gás para reforçar a ação de Ricardo Murad na oposição

 

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Flávio Dino e comitiva inauguram festivamente a MA-020 em Coroatá, como se… 
ricardo 8
… estivesse provocando Ricardo Murad

 

Ao desembarcar sexta-feira em Coroatá, para inaugurar a MA-020, receber um terreno no qual será construída uma unidade do Instituto Estadual de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação (Iema), e também anunciar reforço do Governo do Estado às fazendas da Esperança, uma ação da Igreja Católica para tratar viciados em drogas, o governador Flávio Dino (PCdoB) deixou no ar a impressão de que ele e seu governo travam uma guerra direta com o ex-deputado estadual, ex-todo-poderoso secretário estadual de Saúde e atual mandachuva daquele município, Ricardo Murad, atualmente no PMDB.

As ações iniciais do governo de vasculhar o passado recente da Secretaria de Estado da Saúde em busca de desvios e propinagem no programa Saúde é Vida, com foco especial na construção de dezenas de hospitais, parece não ter produzido – pelo menos até aqui – resultados que intimidem o ex-secretário, de vez que ele vem chamando diariamente o governo para a briga.

Não é segredo para ninguém que o novo governo esperava encontrar na máquina estadual uma situação de terra arrasada e evidências escancaradas de mal feitos criminosos os quais, apurados, mostrariam ao Maranhão a “ação nefasta das quadrilhas que dominavam o Estado”. Nesse contexto e por dedução lógica, a SES, comandada pelo controvertido cunhado da governadora Roseana Sarney (PMDB), seria o espaço maior das supostas falcatruas. E como quem vai com muita sede ao pote, o novo governo criou a emblemática Secretaria de Estado de Transparência e Controle, entregou-a a um arqui-inimigo do Grupo Sarney, o competente e ativo advogado Rodrigo Lago, e deu sinal verde para colocar tudo em pratos limpos. Durante meses, rumores do tipo “Ricardo Murad vai para a cadeia” agitaram os meios políticos.

Passados seis meses, ou seja, 180 dias de investigação, o que veio à tona foram suspeitas menores, como uso irregular de helicóptero, denúncias de que alguns hospitais inaugurados foram fechados logo após a inauguração, e, mais recentemente, o caso de um hospital que teria sido pago e não construído em Rosário. Nada de macro, com desvios comprovados e responsáveis identificados. Há quem diga que as auditagens estão acumulando provas contra o ex-secretário de Saúde e que cedo ou tarde elas virão à tona.

Até aqui, um semestre depois, nenhuma investida do governo tirou Ricardo Murad do seu eixo. Ao contrário, reagiu a todas com a clássica estratégia segundo a qual a melhor defesa é o ataque. E nessa linha, vem afrontando o governo com ataques virulentos e acusações soltas, sem, no entanto, deixar de dar explicações técnicas e numéricas sobre cada caso denunciado. Vem atuando pessoalmente, por meio de redes sociais e notas técnicas nos jornais, e na Assembleia Legislativa, onde a deputada Andrea Murad (PMDB), sua filha, e o deputado Souza Neto (PTN), sem genro, metralham o governo diariamente com denúncias e acusações as mais diversas. A ação parlamentar é reforçada pelos deputados Adriano Sarney e Edilázio Jr., que nem de longe rezam na cartilha política de Ricardo Murad, mas endossam sua estratégia e mantêm seus espaços como membros de proa da oposição.

Da sua parte, as vozes do governo se manifestam de maneira pulverizada, com um ou outro secretário atacando nas redes sociais, a assessoria de comunicação formal divulgando releases sobre supostos mal feitos na SES. O líder Rogério Cafeteira (PSC) atua na função de rebater os virulentos ataques de Murad e sua pequena tropa, apresentando números e informações que os desmentiriam, aproveitando também para fazer duras acusações do ex-secretário de Saúde. Outros deputados governistas, como Levi Pontes (SD) reforçam a ação do líder e enfatizam as supostas distorções.As reações governistas só têm estimulado o atual mandachuva de Coroatá a ousar mais a cada dia.

Não se sabe se é uma estratégia com a qual o governo esteja fazendo jogo de cena para, em algum momento, apanhar o ex-secretário de Saúde no contrapé e inviabilizar sua ação política. Mas o que se viu até aqui foi que o governo calculou mal a quantidade de chumbo que esperava encontrar nas gavetas e arquivos da Secretaria de Saúde para disparar contra Ricardo Murad. Com isso, deu-lhe gás para alimentar sua fama de ser trator em política. E a ida do governador a Coroatá, reforçou a impressão de que o ex-secretário foi mesmo “eleito” como o principal adversário do governo.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Voto espontâneo

eliziane 4-horzA Coluna publica hoje um dado da pesquisa Exata/Fiema, TV Guará e Jornal Pequeno não publicado no post de ontem. Trata-se da manifestação espontânea, aquela em que não se apresenta nomes ao entrevistado. Nesse levantamento, a deputada federal Eliziane Gama (PPS), que lidera em todas as simulações estimuladas, aparece em primeiro com 10% das intenções de voto. Em segundo aparece o prefeito Edivaldo Jr. (PTC), com 9%. O ex-prefeito João Castelo desponta na terceira colocação com 6%. A ex-governadora Roseana Sarney é citada por 2% dos entrevistados, seguida de Luís Fernando Silva, Bira do Pindaré e Rose Sales com 1% cada um. Outros candidatos que não foram citados.

Massa que decide

Na pesquisa espontânea dois dados chamaram atenção. O primeiro foi o empate técnico entre a deputada Eliziane Gama (10%) e o prefeito Edivaldo Jr. (9%). O outro dado é bem mais expressivo: 11% disseram que nã votariam em ninguém, e 56% simplesmente responderam que não sabem. Esse percentual de indecisos é que vai definir os rumos da disputa.

 

São Luís, 04 de Julho de 2015.

Pesquisa mostra Eliziane na frente, mas cenário indica que Edivaldo Jr. pode avançar

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Eliziane lidera a corrida; Edivaldo Jr. começa a se movimentar e Castelo observa

Pesquisa do instituto Exata, contratada pela Fiema, TV Guará e Jornal Pequeno, mostra que a corrida para a Prefeitura de São Luís será acirrada. Os números indicam que se a eleição fosse agora, a deputada federal Eliziane Gama (PPS) ganharia passaporte para assumir o comando no Palácio de la Ravardière. Seus principais adversários seriam o ex-prefeito João Castelo (PSDB) e o prefeito Edivaldo Jr.. Mas uma análise cuidadosa, que observe os mais diferentes aspectos desse desenho, poderá indicar que, apesar de muito expressiva, a vantagem da pré-candidata do PPS pode sofrer danos se o prefeito Edivaldo Jr. (PTC), seu principal oponente, reagir como está ensaiando e o quadro da disputa vier a incluir mesmo o ex-prefeito João Castelo (PSDB) e a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), ou alguém de peso a ela ligado. O expressivo número de votos indefinidos (nenhum, brancos, nulos e não sabe) aponta para uma possível mudança de cenário se o prefeito Edivaldo Jr. acelerar o movimento da máquina municipal nos próximos 15 meses.

A pesquisa simulou cinco cenários, nos quais Eliziane Gama disputa com Edivaldo Jr., João Castelo e vários outros nomes citados como possíveis candidatos, entre eles Roseana Sarney e o deputado estadual Bira do Pindaré (PSB). Ela aparece em todos com a maior votação, variando de nome para nome. No primeiro cenário da pesquisa estimulada foram incluídos os cinco nomes já citados, mais o ex-prefeito de São José de Ribamar Luis Fernando Silva (PSDB), a vereadora Rose Sales (PP), o deputado estadual Neto Evangelista (PSDB), Marcos Silva (PSTU), Antonio Pedrosa (PSOL), Ricardo Murad (PMDB ou PTN), Zéluís Lago (PPL) e Natalino Salgado (ainda sem partido). Nos demais cenários, foram colocados apenas três candidatos.

Com 13 nomes, o primeiro cenário mostra Eliziane com 28%, seguida de Castelo com 17% e Edivaldo Jr. com 14%. Em seguida, despontam empatados com 6% Roseana, Bira do Pindaré e Luís Fernando. Logo abaixo, com 3%, aparecem Rose Sales e Neto Evangelista, seguidos de Marcos Silva com 2%, e, finalmente, surgem Antonio Pedrosa, Ricardo Murad, José Luís Lago e Natalino Salgado, todos com 1%. Nulos, brancos e indecisos: 11%.

O segundo cenário, com oito nomes, um pouco mais realista, mostra Eliziane liderando a corrida com 29%, seguida de Castelo com 17% e Edivaldo Jr. com 15%. Pindaré e Roseana empatam com 7%, um a mais que Luís Fernando. Rose Sales e Neto Evangelistas têm 3% cada. Brancos, nulos e indecisos: 13%.

Quando são apresentados apenas três candidatos os números se afastam. Eliziane sobe para 41% das intenções de voto, seguida de Castelo com 23% e Edivaldo Jr. com 18%. Nulos, brancos e indecisos: 18%.

Em outro cenário com três nomes, incluindo Roseana no lugar de Castelo, Eliziane sobe para 47%, ficando Edivaldo Júnior com 19% e Roseana Sarney, com 14%. Nulos, brancos e indecisos: 20%.

Em caso de 2º turno, a pesquisa simulou cinco situações. Entre Eliziane e Edivaldo Jr., ela seria eleita com 54% dos votos, contra 21% do prefeito. Brancos, nulos e indecisos: 25%.

Num cenário entre Castelo e Edivaldo Jr., o ex-prefeito vence com 36% contra 30%. Brancos, nulos e indecisos: 34%.

Entre Edivaldo Jr. e Roseana, o prefeito se reelegeria com 36% dos votos, contra 25% da ex-governadora. Brancos, nulos e indecisos: 39%.

Se a disputa fosse entre Eliziane e Roseana, a deputada se tornaria prefeita com 59% dos votos, contra 18% da ex-governadora. Brancos, nulos e indecisos: 23%.

Num 2º turno entre Edivaldo Jr. e Luís Fernando, o prefeito venceria por 34% contra 26%. Brancos, nulos e indecisos: 40%.

E, finalmente, numa disputa entre Eliziane e Luís Fernando, a deputada alcançaria estratosféricos 60% contra 15%. Brancos, nulos e indecisos: 25%.

Os números da pesquisa e o tempo que falta para a corrida às urnas – só acontecerá em outubro do ano que vem – recomendam muita cautela nas avaliações. Mas, grosso modo, eles estimulam a previsão de que a grande disputa se dará entre o prefeito Edivaldo Jr. e a deputada Eliziane Gama. Os números que a favorecem largamente agora são frutos do momento: ela está em plena evidência, saiu das eleições de 2014 como mais votada para a Câmara Federal, e lá vem ocupando espaços com muita habilidade, principalmente na CPI da Petrobras; ele saindo de dois anos de gestão sem a força do obrismo, e avisando que arrumou a casa e que a agora vai movimentar a máquina nos quatro cantos da cidade.

Eliziane Gama é uma política talentosa, que sabe dizer as coisas certas nas horas adequadas, que desenvolveu uma grande capacidade de se comunicar, tornando-se um produto midiático. Por isso precisa mostrar consistência, densidade e, principalmente, conhecimento da realidade de um município como São Luís, associando a isso propostas efetivas para resolvê-los. Dizer que está errado sem mostrar o que é certo não vai funcionar. Se ela não ganhar a consistência necessária e não tiver gás para se manter em evidência, sua vantagem poderá se perder no espaço.

O prefeito Edivaldo Jr. é exatamente o oposto. Os primeiros tempos do seu governo deram margem para que ele fosse apontado como inexperiente e não devidamente preparado para exercer o desafiador mandato de prefeito de São Luís. Encontrou uma máquina com as engrenagens emperradas e os cofres vazios.  “Apanhou” durante dois anos, mas aproveitou esse período para avaliar os problemas e arrumar a casa. Hoje, a situação é bem diferente. O prefeito tímido, que evitada câmeras, é hoje um gestor sorridente, que tem o governador do Estado como aliado e que está pronto para deslanchar. Ao contrário da sua maior adversária, o prefeito tem a possibilidade de sair da retranca e partir para o ataque.

No centro da disputa, o deputado federal João Castelo sabe que tem um teto em São Luís e que dificilmente encontrará gás para avançar e entrar na disputa para valer. Mas sua experiência recomenda que ele permaneça  no cenário da corrida.

As próximas pesquisas apontarão os caminhos.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Indecisos podem mudar cenário

Um dos dados mais importantes dados da pesquisa é a soma dos percentuais de eleitores que não engolem nenhum dos candidatos, dos que têm a intenção de votar nulo ou em branco e dos que disseram que não sabem em quem votar. Há cenários em que essa soma alcança mais de 40%ntenção de votar nulo, de votar em branco. Em todos eles, uma simples alteração nesse cenário pode mudar radicalmente o resultado da disputa. Trata-se, portanto, de um dado que reforça a suspeita de que a vantagem de Eliziane Gama pode ser ameaçada.

 

Inclusão estranha

luis fernando

Um dado da pesquisa Exata chamou a atenção e não foi bem entendido: a inclusão de Luis Fernando Silva (PSDB), já candidato assumido à Prefeitura de São José de Ribamar, onde, segundo todas as pesquisas e prognósticos, será eleito. Sua inclusão na corrida causa estranheza, pois até agora não surgiu no cenário político nenhum sinal de que ele estaria disposto a trocar uma eleição certa por uma aventura em que ele não ganha em nenhum cenário. Incluí-lo na pesquisa parece uma estratégia de medir o poder de fogo de João Castelo e de Neto Evangelista, que são do PSDB. Para alguns observadores, pareceu perda de tempo.

 

Melhor ficar em casa

rose 5A pesquisa Exata recomenda que a ex-governadora Roseana Sarney fique em casa e não se aventure numa disputa eleitoral em São Luís. Em diferentes cenários, sua melhor posição foi numa disputa de 2º turno com o prefeito Edivaldo Jr., na qual ela perderia feio. Isso não significa dizer que sua posição nas preferências do eleitorado não possa mudar para melhor. O problema é que a ex-governadora há muito deixou de ser uma novidade e já não gera expectativas, uma vez que o eleitorado já a conhece sabe como ela atua e o que é capaz de fazer.

 

São Luís, 3 de Julho de 2015.

Maioria da bancada maranhense votou pela redução da maioridade penal

 

Sessão extraordinária destinada a continuar as votações da PEC da maioridade penal (PEC 171/93)
Plenário da Câmara Federal logo após a aprovação da redução da maioridade penal

A Câmara Federal aprovou, na madrugada de quinta-feira, a redução da maioridade penal para 16 anos. O fez no desfecho de uma das mais bem engendradas e competentes manobras regimentais já registradas naquela Casa, comandada pelo deputado fluminense Eduardo Cunha (PMDB) e revertendo uma derrota ocorrida 24 horas antes. Foram 323 votos a favor da mudança na Constituição da República e 155 contrários, com o registro de apenas duas abstenções e na ausência de 34 deputados. Nesse contexto, a bancada maranhense, composta de 18 representantes, se dividiu, com 10 deputados votando a favor da mudança e sete dando votos contra. Um deputado maranhense, Victor Mendes (PV) não compareceu à sessão.

A aprovação da medida revelou uma Câmara Federal claramente sob forte  influência de segmentos organizados que veem o cenário da violência no Brasil a partir dos estardalhaços midiáticos, deixando de lado as implicações sociais e as consequências que ela pode gerar, por exemplo, no sistema prisional brasileiro, definido, sob qualquer ótica, como a mais próxima definição do inferno, para citar o viés religioso.

A decisão tomada – que ainda precisa ser confirmada em 2º turno e passar pelo crivo do Senado da República antes de ser promulgada – poderá entrar para a História por duas portas. Uma, a porta de uma medida que contribuirá expressivamente para reduzir a criminalidade e a violência no país. A outra poderá resultar no aumento da criminalidade numa proporção tamanha, que obrigará a mesma Casa legislativa a rever sua decisão em meio a uma situação dramática.

A bancada maranhense participou do debate e da votação com os deputados mais ou menos posicionados pela cor ideológica. Os parlamentares de direita (PEN, PRB, PRP e PP) e de centro (PMDB, PSDB e PSB) votaram maciçamente a favor da redução da maioridade penal. Já os deputados de centro (PMDB), centro-esquerda (PTB, PDT e PV) e esquerda (PCdoB, PPS e PT) votaram em bloco contra a redução da maioridade penal. Essa divisão foi formada na primeira votação e se manteve na segunda, com duas diferenças: Waldir Maranhão votou contra na primeira e a favor na segunda, e o deputado José Carlos votou contra na primeira e não participou da segunda votação.

Os votos maranhenses foram os seguintes: André Fufuca (PEN), Alberto Filho (PMDB), Aluísio Mendes (PSDC), Cléber Verde (PRP), Hildo Rocha (PMDB), João Castelo (PSDB), José Reinaldo Tavares (PSB) Júnior Marreca (PEN), Juscelino Filho (PRP) e Waldir Maranhão (PP) votaram a favor da redução da maioridade penal. E os deputados João Marcelo (PMDB), Pedro Fernandes (PTB), Sarney Filho (PV), Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PPS), Zé Carlos (PT) e Rubens Jr. (PCdoB) votaram contra a mudança.

Não há como ignorar os votos dos ex-governadores João Castelo e José Reinaldo Tavares. Com a experiência de terem o problema da violência sob sua responsabilidade quando governaram o Estado, Castelo e Tavares deram votos em tese consistentes, partindo-se do pressuposto de que conhecem os dois lados da moeda, sendo, portanto, difícil contestá-los. Aluísio Mendes descarregou no seu voto a visão de agente federal que enfrentou a violência no dia a dia como fundador e chefe do GTA e secretário de Segurança Pública.  Difícil identificar o que motivou os votos de Cléber Verde, Hildo Rocha e Júnior Marreca. Mais complicado ainda é compreender os votos dos deputados Fufuca Dantas e Juscelino Filho, dois jovens que acabaram de sair da adolescência sem passar a ideia de que a compreendem. Estranha, muito estranha, a mudança de posição de Waldir Maranhão, que é professor universitário.

O deputado João Marcelo, que é sociólogo por formação, votou contra a redução da maioridade penal. O deputado Pedro Fernandes não apenas votou contra, como fez campanha contra a PEC aprovada ontem. Na mesma linha atuou o deputado Sarney Filho, que liderou a bancada do PV no esforço para derrubar a proposta. O deputado Rubens Jr. se perfilou com a bancada do PCdoB, pregando voto contra. A deputada Eliziane Gama se movimentou intensamente contra a mudança, inteiramente identificada com a bancada do PPS. O mais ativo no plenário foi o deputado Weverton Rocha, que não apenas usou todos os espaços de articulação para inviabilizar a PEC, mas também foi uma das vozes a contestar, com muita ênfase, a manobra do presidente Eduardo Cunha.

Resta agora aguardar o segundo turno na Câmara, para depois saber como votarão os três senadores maranhenses.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Título para o bispo

roberto 6A Assembleia Legislativa aprovou ontem projeto de lei que concede o título de Cidadão Maranhense a dom Armando Martins Gutierres, bispo diocesano de Bacabal. O título foi proposto pelo deputado Roberto Costa (PMDB) (foto), que há muito cultiva relações de amizade com o sacerdote. Dom Armando é espanhol – natural de Madri – e veio para o Brasil em 1988, para a diocese de Mogi das Cruzes (SP), onde, além do sacerdócio, exerceu o magistério, seguindo depois para a diocese de Juiz de Fora (MG), sendo nomeado bispo de Bacabal pelo papa Bento XVI, sucedendo a Dom José Belisário, na época nomeado arcebispo metropolitano de São Luís. Em tempo: Roberto Costa levantou mesmo um fortim político em Bacabal.

 

Para não parar

pedro fernandes 4O deputado federal Pedro Fernandes (PTB) (foto) protocolou no Ministério dos Transportes documento em que mostra o elevado número de acidentes na BR-135, no trecho entre o Estreito dos Mosquitos e Bacabeira, que está sendo duplicado. O relatório dá ênfase ao acidente mais recente (26/06), que deixou quatro mortos. O deputado espera que as informações sensibilizem o ministro para a necessidade de concluir a duplicação o mais rapidamente possível, para evitar a continuidade da tragédia que ali se repete quase que diariamente. Pedro Fernandes diz no documento que os maranhenses já não suportam essa situação e não aceitam que as obras, que estão em ritmo muito lento, parem de vez. A iniciativa do deputado é nobre.

 

São Luís, 02 de Julho de 2015.