Todos os posts de Ribarmar Correa

Em sabatina no Supremo, Roberto Rocha expõe sua inclinação pelo PSDB, o seu desconforto no PSB e seu afastamento de Flávio Dino

 

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Roberto Rocha: elogios aos governos de Geraldo Alkmin e Aécio Neves por ações na segurança pública e nenhuma menção aos esforços de Flávio Dino na área

 

Se alguém ainda tinha dúvidas de que o senador Roberto Rocha (PSB) se afastou definitivamente do governador Flávio Dino (PCdoB) e que está de fato caminhando para deixar o PSB e ingressar no PSDB, a participação dele na sabatina do ministro da Justiça licenciado Alexandre Moraes, ondem, na CCJ do Senado, funcionou como indicativo claro das duas guinadas em busca de caminho próprio. Com um discurso bem articulado, Roberto Rocha dividiu sua intervenção em duas partes. Na primeira criticou enfaticamente a interferência eventual do Supremo Tribunal Federal nos demais Poderes da República, citando a polêmica prisão do senador matogrossense  Delcídio do Amaral PT, que na sua opinião foi um caso de abuso do Judiciário e em relação ao qual o Senado se dobrou; na segunda, abordou o tema segurança pública tecendo rasgados elogios à política para essa área posta em prática em São Paulo e em Minas Gerais, sem fazer uma menção sequer sobre os esforços que estão sendo feitos nesse campo pelo Governo do Maranhão.

Quando se manifestou sobre o tema segurança pública, Roberto Rocha fez  elogios enfáticos às gestões do PSDB em São Paulo, destacando a do governador Mário Covas e colocando nas alturas a do atual governador Geraldo Alkmin, e em Minas Gerais, fazendo o mesmo com relação à gestão do atual senador tucano Aécio Neves, que na sua avaliação realizou “um grande trabalho” na área de segurança. Dados por ele apresentados mostram que os tucanos paulistas e mineiros investiram também no sistema carcerário, melhorando substancialmente os indicadores da violência nos dois estados. Como contrapeso, com situações negativas,  Roberto Rocha curiosamente citou Pernambuco,  berço de elogiados governos do seu partido, o PSB, sob a liderança do então governador Eduardo Campos, morto em 2014 num acidente aéreo durante pré-campanha à presidência da República; e o Maranhão, que usou como exemplo para citar dois índices negativos nessa área.

Qualquer reflexão, por mais simples que seja, sobre as manifestações do senador Roberto Rocha levará automaticamente à conclusão de que o seu discurso tinha intenções e alvos certos, matando assim três coelhos com uma só cajadada. Com a habilidade das raposas políticas com muita tarimba acumulada, Roberto Rocha sinalizou sua irrefreável inclinação pelo PSDB quando elogiou o desempenho do governador paulista Geraldo Alkmin, que é pré-candidato assumido à presidência da República, e com um trabalho político intenso para ganhar corações e mentes em todo o país, incluindo o Maranhão. (Esse movimento preparatório de Geraldo Alkmin foi confirmado pelos deputados Rogo teles (PV) e Wellington do Curso (PP), que regressaram de reunião da Unale em São Paulo impressionados com os afagos que receberam do governador paulista). Roberto Rocha sinalizou claramente que aspira retornar ao PSDB.

Quando citou o Maranhão no contexto da sua fala, o senador Roberto Rocha disse apenas que o estado tem uma população carcerária de seis mil detentos que enfrenta graves problemas na área de segurança pública. O senador ignorou completamente os investimentos feitos pelo governador Flávio Dino, como a contratação de mais de mil novos policiais militares aprovados em concurso nem na aquisição de novas viaturas e armamento; não disse também uma só palavra sobre as mudanças feitas no sistema penitenciário estadual, que já começam a dar resultados e são apontadas como referência para outros estados em situação dramática, como Acre, Amazonas e Rio Grande do Norte, onde explodiram rebeliões sangrentas nos presídios, resultando em dezenas de mortes.

Com a sua manifestação de ontem na CCJ, o senador Roberto Rocha deixou claro o projeto de seguir o seu próprio caminho, de preferência de reconvertendo ao liberalismo dos tucanos e se afastando do neocomunismo praticado pelo governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão comandou sabatina de Moraes na CCJ
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Edison Lobão na presidência da CCJ durante sabatina de Alexandre de Moraes

Muitos elogiaram, muitos criticaram duramente e muitos aceitaram como normal o fato de o senador Edison Lobão (PMDB) na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na sabatina do jurista Alexandre de Moraes como indicado do presidente Michel Temer para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal aberta com a morte do ministro Teori Zavaski. Montado em décadas de experiência parlamentar e mesmo com alguma dificuldade com a voz, o senador maranhense cumpriu a sua obrigação institucional com a mais absoluta segurança, assegurando plena normalidade no processo de avaliação do candidato a ministro pelos senadores. Os que elogiaram a presença de Edison Lobão no comando do ato legislativo o fizeram porque sabem que tem desafiado seus acusadores a apresentarem uma prova sequer que o incrimine no processo de investigação. Os que criticaram sua presidência o fazem por entender que um investigado – não réu -, não poderia presidir a sabatina a um candidato a ministro do Supremo. E os que consideraram natural acham que se ele é o presidente da CCJ, seja ou não investigado, nada impede que ele cumpra sua prerrogativa institucional. Perguntaram à ministro aposentada do STJ, Eliana Calmon, conhecida por sua posições radicais contra desvios e distorções nas instituições brasileiras, sobre o que ela achou de Edison Lobão presidir a sessão da sabatina, ela respondeu que se o senador fora eleito presidente, o foi porque contra ele só pesam denúncias que estão sob investigação. Se ele não é réu, tem legitimidade para presidir a sessão. Ou seja, o senador fez o que tinha direito e obrigação de fazer.

 

Eleição na Câmara vira jogo em Bacabal
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Contra a vontade de Zé Vieira, Edvan Brandão foi eleito ontem presidente da Câmara de Bacabal

A eleição, ontem, do vereador Edvan Brandão (PSC) presidente da Câmara Municipal de Bacabal foi mais um passo dos vários que ainda faltam ser dados para devolver a normalidade institucional ao município, mandada para o espaço quando o candidato Zé Vieira (PR) registrou sua candidatura a prefeito e foi o mais votado. O Ministério Público Eleitoral impugnou o registro depois de constatar que, condenado pelo Tribunal de Contas da União, ele se tornou ficha suja e, de acordo com o entendimento do MPE, não poderia ser sequer ser candidato. Mas a roleta dos recursos judiciais começou a rodar e acabou produzindo uma série de liminares que lhes asseguraram até a posse. Agora, o processo é inverso, com as liminares fajutas começando a cair. A eleição, finalmente, do presidente da Câmara de Bacabal ganha, assim, status de fato politicamente correto e de larga importância, pois abre caminho para que a normalidade se reinstale no município, com ou sem uma nova eleição.

 

São Luís,  de Fevereiro de 2017.

 

Edivaldo Jr. sai do casulo administrativo e entra na ciranda política apoiando Flávio Dino e Weverton Rocha em 2018

 

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Edivaldo Jr. saíndo da clausura para entrar na política partidária por Flávio Dino e Weverton Rocha nas eleições

Depois de muito tempo dedicado exclusivamente aos desafiadores e  renitentes problemas administrativos e, por alguns meses, dividindo essa maratona com a corrida à reeleição, o prefeito de São Luís, Edivaldo Jr., saiu da clausura imposta pela gestão e resolveu dedicar parte do seu tempo à política partidária, agora visando às eleições gerais de 2018. Seu primeiro movimento nessa direção foi deslocar-se domingo para Codó, para participar de uma reunião com cerca de 30 prefeitos em torno da pré-candidatura do presidente regional do seu partido, o PDT, deputado federal Weverton Rocha, ao Senado. No encontro, que teve o prefeito Francisco Nagib (PDT) como anfitrião e atraiu prefeitos de outras cidades importantes, como Luciano Leitoa (PDT), de Timon, e Vianey Bringel (PSDB), de Santa Inês, Edivaldo Jr. foi a personalidade de maior peso. E deixou claro que, sem descuidar da administração, vai jogar todo o peso da sua ação política e partidária para embalar as candidaturas do governador Flávio Dino (PCdoB) à reeleição, e a de Weverton Rocha ao Senado, numa demonstração de reconhecimento da importância dos dois na corrida que ele venceu por mais quatro anos no Palácio de la Ravardière.

Ao contrário de outros momentos políticos, quando preferiu permanecer sob o manto da discrição, Edivaldo Jr. faz agora uma leitura pragmática do cenário político para 2018, e parece concordar com a observação segundo a qual um prefeito nas condições políticas em que ele se encontra é vital para qualquer candidatura. Tanto é verdade que ele teve importância decisiva no desempenho da candidatura de Flávio Dino em São Luís. Agora, seu compromisso é repetir o apoio ao governador e contribuir politicamente para que o candidato pedetista ao Senado saia das urnas da Capital com uma boa votação. Atua praticando a lei da compensação, reconhecendo que os dois foram decisivos na guerra que travou para renovar o mandato em outubro do ano passado.

Envolvendo-se diretamente nos projetos eleitorais do PDT e do PCdoB para as eleições do ano que vem, o prefeito Edivaldo Jr. poderá definir o seu papel no cenário político do Maranhão nos próximos tempos. Ninguém duvida que ele é figura de proa no movimento liderado pelo governador Flávio Dino, e é consenso nas rodas de conversa política que Edivaldo Jr. seja o nome que o governador precisa para dar continuidade ao seu projeto de poder em 2022, caso obtenha nas urnas de 2018 autorização da maioria para permanecer no Palácio dos Leões por mais quatro anos. Isso porque qualquer leitura que se fizer a partir de agora concluirá que Edivaldo Jr. só tem dois caminhos a seguir: disputar uma cadeira no Senado ou entrar na briga pelo Governo do Estado, pois qualquer outro mandato que venha a pleitear a partir de agora será visto como um passo atrás. Nesse contexto, o prefeito de São Luís tem duros desafios pela frente.

Com a experiência que acumulou até aqui, avançando numa carreira bem sucedida (dois mandatos de vereador de São Luís, um mandato de deputado federal e dois mandatos de prefeito de São Luís), com votações sempre crescentes, Edivaldo Jr. está se credenciando  para ser peça-chave  na política estadual nos próximos tempos. Sabe, no entanto, que essa caminhada só será viável se ele deixar a Prefeitura tendo colocado São Luís nos trilhos da modernidade, comandando uma administração de resultados visíveis e incontestáveis. Isso porque o fracasso da sua gestão poderá inviabilizar a sua caminhada política, transformando-o em versão de ex-prefeito Tadeu Palácio, que foi varrido do mapa político do Maranhão depois de comandar São Luís por nada menos que seis anos.

Não há dúvida, portanto, de que a decisão de sair do casulo administrativo  e entrar na eletrizante ciranda político-partidária como suporte importante e até mesmo decisivo para os próximos passos políticos que serão dados por Flávio Dino e Weverton Rocha. Edivaldo Jr. sabe que tem adversários dispostos a tudo para minar a sua caminhada e, claro, ocupar o espaço que conquistou pelo voto. Sua nova postura político-partidária é sinal forte de que não está disposto a ficar para trás.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Não há mais como conciliar Roberto Rocha e Flávio Dino
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Roberto Rocha e Flávio Dino em campos no tabuleiro político

Não há mais qualquer possibilidade de reconciliação entre o senador Roberto Rocha (PSB) e o governador Flávio Dino e seus liderados do PCdoB. A gota dágua foi um texto em Rocha transforma os comunistas maranhenses em “burros”, “mentirosos” e “corruptos”, num dos ataques mais virulentos de ex-aliado que se tem notícia nos últimos tempos. A repercussão no Palácio dos leões foi forte e serviu de argumento definitivo para que Roberto Rocha seja banido de qualquer espaço que ainda possa ocupar no Governo do Estado. Roberto Rocha, que também foi espezinhado por aliados do governador, decidiu romper com o grupo e construir uma terceira via, de modo que lhe seja possível escolher seus parceiros para as eleições do ano que vem, nas quais ele será candidato a governador. Na sua posição atual, o senador maranhense está à vontade para se posicionar no tabuleiro político maranhense como um segmento que está aberto a alianças, desde que a condição não seja abrir mão da sua pré-candidatura a governador.  E como o reatamento com Flávio Dino parece fora de cogitação, Rocha só tem dois caminhos: manter sua candidatura como terceira via mesmo ou negociar uma aliança com o Grupo Sarney

 

Dino inaugura quarto IEMA
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Bira do Pindaré festeja a rede de IEMAs

Enquanto seus adversários se perdem em busca de algum indício de irregularidade no Governo, o governador Flávio Dino avança na consolidação de um dos seus projetos mais ambiciosos: a implantação de uma rede de Institutos de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA). Ontem, o governador inaugurou a quarta do IEMA no estado, em Axixá, que beneficiará toda a Região do Munim. Responsável pela concepção e pelo início da implantação dessa rede de escolas onde estudantes dão os primeiros passos em ciência e tecnologia e recebem treinamento profissionalizante, o deputado Bira do Pindaré (PSB) festejou a inauguração da unidade de Axixá: “A unidade conta com estrutura completa, composta por salas, laboratórios, auditório, refeitórios, áreas de vivencia e quadra. A qualidade da estrutura e da logística da escola supera a expectativa. É muito bom ver o entusiasmo das professoras, dos professores e dos funcionários, que, pela primeira vez, terão a oportunidade de trabalhar em uma escola pública de qualidade, em condições adequadas, com toda a estrutura preparada para as aulas”, assinalou Bira do Pindaré, anunciando a inauguração de mais três unidades nos próximos dias.

A inauguração do IEMA em Axixá foi também festejada pela prefeita Sônia Campos, uma sarneysista de carteirinha que sabe onde pisa e aprendeu a separar o joio do trigo. Ela foi desde o início foi uma entusiasta e parceira do projeto,

 

São Luís, 21 de Fevereiro de 2017.

 

Entrada de Sarney Filho na briga pelo Senado contribui para definir cenário da guerra eleitoral do ano que vem

 

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Sarney Filho se lança como candidato ao Senado

As declarações do deputado federal licenciado e ministro do Meio Ambiente Sarney Filho (PV) confirmando sua candidatura a uma vaga no Senado e admitindo a possibilidade de a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) vir a ser candidata ao Governo do Estado agitaram os bastidores partidários, onde o tema dominante são as eleições gerais em 2018. Sarney Filho tornou verdade o que era apenas especulação e, a menos que haja uma reviravolta nas entranhas do Grupo Sarney, sua declaração prevê a hipótese de que dois filhos do ex-presidente José Sarney – que estaria também muito inclinado a fazer o caminho de volta ao Senado pelo Amapá, onde sua presença estaria sendo reclamada por mais de 70% da população, segundo pesquisas recentes – sejam candidatos a mandatos majoritários, o que seria um fato inédito na história política do Maranhão.

Não há que o discutir quanto à legitimidade política da pretensão de Sarney Filho de pleitear uma das vagas de candidato a senador no grupo a que pertence. Dono de uma bem sucedida carreira política, que lhe deu um mandato de deputado estadual e nove de deputado federal, tendo neste período presidido as mais importantes Comissões da Câmara Federal, fundado a Frente Ambientalista que deu origem ao PV no Brasil -, votado a favor das diretas nos anos 80 e sido relator do histórico acordo que deu origem ao Mercosul, Sarney Filho é um dos políticos mais credenciados para pleitear a senatória. E com um dado a mais: nunca fugiu à linha do Grupo Sarney, mas construiu sua carreira por vias paralelas, nas quais criou identidade política própria, sem atrelamento visível, por exemplo, à imagem da irmã, Roseana Sarney, escolhida pelo pai para herdar o seu poder político. O ministro do Meio Ambiente pratica a política do segmento sarneysista, mas deixa no ar a impressão de que anda com os próprios pés.

Sarney Filho tem experiência política suficiente para saber do risco entranhado no projeto de lançar dois filhos de José Sarney na disputa majoritária. Sabe que se a irmã Roseana Sarney for candidata ao Governo, as chances dele de eleger-se senador se reduzem drasticamente, já que é provável que a maioria do eleitorado faça opção por um dos dois, podendo elegê-lo senador e frustrar o projeto de Roseana Sarney de voltar ao Palácio dos Leões, ou que opte por Roseana e desvie para o espaço a sua corrida ao Senado. Isso não quer dizer que o eleitorado acabe optando pelos dois e os eleja – o que, se ocorrer, será um feito inédito e histórico – ou despachando os dois para casa, impondo-lhes uma aposentadoria política de sabor amargo. Nas suas declarações, Sarney Filho bate na tecla de que os dois poderão ser candidatos e que espera contar com o apoio da ex-governadora à sua candidatura ao Senado.

Com a experiência que acumulou, o ministro do Meio Ambiente sabe que as eleições de 2018 serão decisivas para o futuro do Grupo Sarney e, ao mesmo tempo, vitais para que o movimento liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) se consolide e se mantenha no comando administrativo e político do Maranhão. Isso significa que não será um pleito normal, mas sim uma guerra eleitoral na qual os grupos em confronto utilizarão todos os instrumentos políticos que tiverem ao seu alcance. Nesse contexto de tudo ou nada, Roseana Sarney enfrentará nada menos que o governador Flávio Dino em busca da reeleição, avaliado no meio político como um adversário muito difícil de ser batido nas urnas, o que eleva à estratosfera a taxa de risco dos candidatos a senador pelo Grupo Sarney.

Se vier mesmo a ser candidato a senador, – como anunciou em entrevista concedida sexta-feira (17) ao programa “Acorda, Maranhão”, da Rádio Mirante AM – Sarney Filho sabe que, além de depender da influência da disputa pelo Governo do Estado, como é a tradição, enfrentará adversários de muito peso na corrida eleitoral, como o deputado federal Weverton Rocha (PDT), o deputado federal e ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB), além de nomes ainda sob ensaio como Sebastião Madeira (PSDB), Eliziane Gama (PPS) e Márlon Reis (Rede), e numa hipótese ainda remota, o conceituado prefeito de São José de Ribamar (Luis Fernando Silva (PSDB) e o ativo prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB). Não será, portanto, uma disputa qualquer, ainda que na logica de alguns o fato de serem duas vagas tornam as coisas mais fácil para A ou para B, o que não é rigorosamente verdadeiro.

Sarney Filho, enfim, entra no tabuleiro pré-eleitoral como um nome para ser levado em conta por todos os pretendentes às vagas de senador. Mas sabendo que sozinho sua caminhada será pedregosa e que a eventual candidatura de Roseana Sarney ao Governo poderá ser uma faca de dois gumes para a sua pretensão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Luis Fernando luta para devolver pujança a São José de Ribamar
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Luis Fernando Silva durante a audiência com o ministro do Turismo, Marx Beltrão

O prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB) foi um dos 79 prefeitos que atenderam ao chamamento do presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB), para ir a Brasília reivindicar do Ministério da Saúde o aumento do valor per capita das transferências para a área de Saúde dos municípios. Ele cumpriu integralmente a agenda da Famem, mas aproveitou os intervalos e o dia de sexta-feira para empreender uma verdadeira maratona na Esplanada dos Ministérios, onde foi recebido em audiência no nos ministérios do Turismo, das Cidades, Educação e Meio Ambiente.

O primeiro item da agenda paralela ele cumpriu quarta-feira no Ministério do Turismo, onde foi recebido em audiência pelo ministro Marx Beltrão, com quem discutiu projetos voltados para melhorar e ampliar a infraestrutura de São José de Ribamar, que ele pretende transformar num polo turístico que receba visitantes durante todo o ano e não apenas nos períodos festivos.

– São José de Ribamar, além de possuir um rico potencial turístico, também figura como um importante destino para o turismo religioso. Precisamos retomar o fluxo de visitantes em nossa cidade, e para isso contamos com a parceria do Governo Federal na liberação de recursos para o fomento da atividade e assim recolocar a cidade na prateleira de oferta do turismo nacional e internacional – destacou o prefeito.

Desde que reassumiu o comando de São José de Ribamar, hoje o quinto maior e mais importante município do Maranhão, com mais de 150 mil habitantes e um potencial econômico que só agora está sendo de fato descoberto, Luis Fernando Silva tem se desdobrado para recolocar a vida municipal em ordem, realizando um trabalho de reconstrução. Nesse processo, o foco principal e devolver à cidade a condição de polo de atração para duas vertentes do turismo: o de diversão, férias e culinária, e o religioso, que recebe anualmente milhares de visitantes para render homenagens a São José de Ribamar, o padroeiro do Maranhão, com milhares de devotos em todo o país.

 

Rogério Cafeteira se consolida como líder do Governo
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Rogério Cafeteira: liderança consolidada

O deputado Rogério Cafeteira – que estaria a um passo de deixar o PSB e assinar ficha de filiação no PDT – calou muitos especuladores que tinham como certa a sua saída da liderança do Governo na Assembleia Legislativa. Ele não só foi confirmado no cargo mais importante do Legislativo estadual depois da presidência do Poder por seu grau de influência nas decisões do plenário. Dono de um estilo que foge à regra das vozes parlamentares influentes, Rogério Cafeteira prefere a conversa nos bastidores do que a “guerra” à céu aberto. Não é orador brilhante nem tribuno irreverente, mas sempre que sobre à tribuna seus colegas param para ouvi-lo. Faz às vezes de conciliador, mas quando a corda é esticada, bate forte nos adversários, preservando sempre o lado pessoal. No primeiro ano com o líder do Governo, muitas apostas foram feitas que ele não resistiria ao semestre, previsão pessimista que se repetiu com menos intensidade nos três semestres seguintes. Houve quem apostasse que o líder seria despachado no terceiro ano do Governo, mas o governador Flávio Dino contrariou a previsão e o manteve no posto, agora com mais poder de fogo. Mais desenvolto e mais tarimbado, o líder Rogério Cafeteira consolidou sua posição na sabatina ao secretário de Infraestrutura, Clayton Noleto, na Assembleia Legislativa. Primeiro ele conseguiu convencer o deputado Edilázio Jr. (PV) a mudar o requerimento de convocação para um convite ao secretário, e depois teve atuação importante durante a sabatina, agindo com eficiência para evitar que a Oposição fugisse ao tema (Mais Asfalto) para atacar o governo. Sua posição hoje é bem mais sólida e produtiva do que no início da legislatura.

 

São Luís, 18 de Fevereiro de 2017.

 

Com Tema à frente, movimento dos prefeitos obtém de ministro compromisso de rever valor de repasses para a Saúde

 

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O ministro Ricardo Barros assume compromisso com Tema Cunha (D) observado por Juscelino Filho durante reunião no Ministério da Saúde

O valor per capita das transferências da União para os municípios maranhenses na área de Saúde será revisado. Compromisso nesse sentido foi assumido ontem, em Brasília, pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, com 79 prefeitos liderados pelo prefeito de Tuntum e presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Cleomar Tema Cunha, num encontro, realizado no Ministério da Saúde e testemunhado por deputados federais e deputados estaduais. A reunião com o ministro da Saúde foi o ponto alto da programação que levou à Capital Federal uma comitiva de dirigentes municipais mobilizados pelo novo presidente da Famem, que assim cumpriu um dos mais importantes compromissos que assumira durante a campanha para a presidência da entidade. Para viabilizar o pleito maranhense, estudos serão feitos pelo Ministério da Saúde, para definir em que patamar o Maranhão será enquadrado na escala de valores dos repasses da União. Atualmente, o Maranhão recebe R$ 158 per capita/mês, enquanto o Piauí recebe R$ 225 e a média nacional é de R$ 197.

Não foi uma conquista simples nem fácil. A começar pelo fato de que o Governo Federal está mergulhado numa política severa de contenção de gastos, o que para muitos tornaria inócua a visita dos prefeitos a Brasília. Porém, contrariando expectativas pessimistas, o presidente da Famem decidiu que os prefeitos maranhenses não mais deveriam permanecer de braços cruzados enfrentando problemas graves no setor de Saúde. Tema Cunha avaliou o cenário, fez consultas e decidiu que essa seria a hora mais apropriada para levar a reivindicação à Brasília, chancelado pelos prefeitos e apoiado pela maior parte da bancada federal e vozes da Assembleia Legislativa. Para Tema, o máximo que poderia ouvir em Brasília seria um “não” ou uma promessa para o futuro, mas essa possibilidade era remota, já que se trata de uma necessidade maior. O importante era não chegar à Esplanada dos Ministérios como mendigos, de pires na mão e pedindo “pelo amor de Deus” um reforço financeiro na área de Saúde, mas se apresentar como representantes políticos dos 6,5 milhões de maranhenses e pleitear a correção de uma injustiça. Assim foi feito.

Ao desembarcar em Brasília na terça-feira, a primeira iniciativa do presidente da Famem e o grupo que mobilizou foi procurar a bancada federal e com ela estabelecer uma programação que pudesse ao mesmo tempo ser eficiente e produtiva. Assim foi que a primeira reunião de peso foi com o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem o presidente Tema Cunha expôs a situação e justificou o pleito dos prefeitos maranhenses. Rodrigo Maia  surpreendeu a todos pela acolhida e, mais do que isso, pelo fato de ter abraçado a causa da revisão do valor dos repasses, por considerar uma reivindicação justa. “Estou empenhado na luta dos prefeitos maranhenses, até porque tenho uma dívida com o Maranhão, estado cuja bancada me concedeu maciça votação na reeleição para a presidência da Câmara Federal”, assinalou o presidente da Câmara Federal, o que foi interpretado como a primeira vitória dos prefeitos na maratona de Brasília.

A missão chegou ao seu objetivo maior na reunião com o ministro da Saúde, a quem o presidente da Famem abriu o jogo de maneira direta: mostrou que os municípios maranhenses estão sendo penalizados no valor per capita dos repasses da Saúde, o que coloca o Maranhão na 25ª posição entre os 27 estados, e querem receber um tratamento justo, que começa exatamente com a revisão do valor.  Tema disse ao ministro ser inconcebível que o Piauí, com praticamente a metade da população do nosso estado, seja contemplado com o valor per capita de R$ 225,00, enquanto que o Maranhão recebe apenas R$ 158,00 e a média nacional é de R$ 197. “Isso vem mostrar claramente que tal distribuição não obedece a critérios técnicos, mas políticos, levando-se em conta que, antes do atual ministro da Saúde, a pasta foi ocupada, pelo período de três anos, por um deputado federal do Piauí”, finalizou Tema, que obteve o aval do próprio ministro e deixou Brasília com o sentimento de dever cumprido.

A reunião no Ministério da Saúde contou com a participação dos quase 80 prefeitos e com a presença dos deputados federais Juscelino Filho (DEM) – coordenador da bancada e que organizou o encontro -, Pedro Fernandes (PTB) e Cleber Verde (PRB), e os deputados estaduais Rogério Cafeteira (PSB), Rafael Leitoa (PDT), Levir Pontes (PCdoB), Antônio Pereira (DEM) e Stênio Resende (DEM), que acompanharam os prefeitos, fizeram gestões junto ao ministro Ricardo Barros e garantiram que estão empenhados em pavimentar caminho para um encontro da Federação com o presidente Michel Temer.

Com o sinal verde de Brasília, inicia-se agora um complicado processo de que resultará na melhoria de posição do Maranhão no ranking de valores per capita dos repasses do Ministério da Saúde para os municípios.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Oposição quer investigar contratos da Sinfra. Vai conseguir?
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Oposicionista atuante, Edilázio Jr. quer investigar contratos geridos por Clayton Noleto

Deputados da Oposição cogitaram criar uma CPI para investigar contratos da Secretaria de Estado de Infraestrutura para a execução do programa “Mais Asfalto”, um dos mais abrangentes do Governo do Estado. A cogitação se deu após a sabatina a que submeteram o secretário da pasta Clayton Noleto, que encarou com surpreendente firmeza o bombardeio disparado pelos deputados oposicionistas Edilázio Jr. (PV), Alexandre Almeida (PSD), Adriano Sarney (PV), Max Barros (PRP), Souza Neto (PROS) e Eduardo Braide (PMN), Noleto não deixou uma pergunta sem resposta e, mesmo que algumas respostas não tenham deixado os inquiridores satisfeitos. O curioso é que segundo o secretário, a maioria dos contratos do “Mais Asfalto” e do programa rodoviário do atual Governo  foram firmados no Governo anterior, o que implica dizer que se houver alguma irregularidade nesses contratos – o que parece não haver -, esta nasceu na gestão passada. A CPI, portanto, não será proposta, e se for, não terá nenhum futuro. Pode haver outra maneira de investigar contratos firmados por órgãos do Governo do Estado, mas sem o poder de Polícia de uma CPI qualquer investigação será absolutamente inócua.

 

Juscelino Filho desponta como quadro atuante
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Juscelino Filho com o ministro da Educação, Mendonça de Barros

O deputado federal Juscelino Filho (DEM) começa a despontar no cenário político estadual como um quadro que ganha peso e força, em que pesem ser esse o seu primeiro mandato o fato de ser ainda jovem. O parlamentar surpreendeu meio mundo quando, numa articulação, que contou com o apoio decisivo do deputado estadual Stênio Rezende (DEM), seu tio, uma das raposas mais tarimbadas da Assembleia Legislativa, fez o movimento certo e tomou controle do DEM, atuou intensamente para derrubar a presidente Dilma Rousseff (PT), e agora é um dos deputados com maior trânsito com o presidente da Câmara federal, Rodrigo Maia. Foi ele quem articulou o encontro da comitiva da Famem, liderada pelo presidente Cleomar Tema Cunha, com o presidente Rodrigo Maia; e com o aval de Maia, teve participação decisiva na reunião dos prefeitos com o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Nas conversas em que se avalia desempenho, Juscelino Filho sempre é apontado como um quadro de futuro.

 

São Luís, 17 de Fevereiro de 2017.

Rescaldo de sabatina na Assembleia Legislativa mostra que a guerra eleitoral para 2018 já está em andamento

 

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Adriano Sarney e Othelino Neto: troca de petardos demonstra clima de guerra eleitoral entre os dois grupos para 2018

O day after ao embate travado quarta-feira pelo secretário Clayton Noleto (Infraestrutura) com deputados oposicionistas no plenário da Assembleia Legislativa em torno do programa “Mais Asfalto”, empreendido pelo Governo do Estado, foi a confirmação de que a motivação do convite pouco teve a ver com preocupação fiscalizadora da Oposição e que a intenção central da iniciativa foi colocar o governador Flávio Dino (PCdoB) em xeque, se possível abrindo rombo na couraça que até agora tem protegido o Governo de acusações de corrupção, desvios e uso abusivo do poder, principalmente com fins eleitoreiros, o que não aconteceu. Esse cenário foi evidenciado na sessão de ontem, durante a qual deputados oposicionistas e governistas travaram um verdadeiro duelo verbal centrado na política e durante o qual o deputado Adriano Sarney (PV) entregou o jogo proclamando: “Em 2018, o grupo que faz oposição ao governo comunista retornará ao poder, Vossas Excelências querendo ou não querendo. O povo já está dizendo”. Ao que o deputado Othelino Filho (PCdoB) respondeu: “Vocês vivem uma crise de tal ordem que não têm ainda um nome para apresentar para o Maranhão, porque vocês fizeram tão feio que ainda não conseguiram apresentar uma alternativa. Vocês estão como quem está num navio e o comandante ficou em terra firme, estão simplesmente navegando sem saber para onde vão”.

A troca de “petardos” políticos ocorrida na sessão de ontem foi reveladora de que as eleições de 2018 entraram definitivamente na pauta da Assembleia Legislativa, indicando com clareza que a bancada que representa o Grupo Sarney vai usar de todos os recursos regimentais e artifícios políticos para impor desgastes ao Governo Flávio Dino, enquanto a bancada governistas não perderá qualquer oportunidade de usar o seu peso político e parlamentar para desacreditar seus adversários. E pelo visto até aqui, está claro que os dois grupos estão dispostos a esticar a corda até onde for possível, não fazendo qualquer concessão um ao outro. Em resumo: o ambiente já é de guerra declarada, e num cenário francamente desfavorável ao Grupo Sarney, que conta com uma bancada aguerrida, mas limitada de talentos. A banda governista, ao contrário, tem muito poder de fogo e está disposta a varrer o sarneysismo do mapa político do Maranhão.

Na fala em que se esperava que criticasse o desempenho do secretário Clayton Noleto na sabatina do dia anterior, o deputado Adriano Sarney partiu para o ataque frontal acusando o Governo de estar “empobrecendo o Maranhão”, referindo-se a uma informação recente segundo a qual o PIB maranhense caiu alguns pontos percentuais em 2016, interrompendo uma curva de crescimento que vinha se mantendo há pelo menos duas décadas. “O Governo comunista está acabando com o Maranhão”, bradou o neto do ex-presidente José Sarney (PMDB), que é economista, prevendo, em seguida, que o grupo a que pertence, apeado do poder em 2014, depois de seis anos de comando de Roseana Sarney (PMDB), derrotará o movimento liderado pelo governador Flávio Dino e voltará ao comando do Estado nas eleições do ano que vem. “Eu tenho uma pesquisa em que nós já estamos na frente. O povo vai colocar de volta o progresso para o Maranhão, o verdadeiro progresso que traz estradas, que traz portos, que constrói hospitais, que constrói estradas de verdade e não brincadeirinha de asfalto sonrisal, asfaltos que cruzam o Maranhão, que levam a nossa produção”, completou Adriano Sarney, numa demonstração clara de que o que move a Oposição é a corrida às urnas, e com ela o projeto de voltar ao poder.

Um dos contendores mais eficientes da bancada governista, que também é economista e não perde a oportunidade de surrar verbalmente o sarneysismo, o deputado Othelino Neto contra-atacou, afirmando que “o maior legado da oligarquia” foi ter deixado o Maranhão como um dos estados “mais pobres e injustos” da Federação: “Esse é o legado que vocês carregam nas costas como um carimbo que o tempo passa e não sai, porque receberam um Estado próspero e entregaram-no com os piores indicadores do Brasil, com o povo mais pobre do país. Mandaram no Maranhão, na República e entregaram o Estado na pior situação possível, e isso ninguém vai conseguir tirar, nem a força do império de comunicação tem como tirar. Vocês vão carregar para sempre e para toda a história essa mácula”, disparou Othelino Neto, para arrematar em seguida: “O Maranhão, em quatro anos, vai estar melhor do que esteve no passado”.

Todos os indícios sugerem que embates como o de quinta-feira, principalmente sendo rescaldo de um fato relevante como foi a sabatina do secretário de Infraestrutura, serão frequentes e mais acirrados à medida que as eleições forem se aproximando. As vozes do Grupo Sarney tentarão minar o poder de fogo do governador Flávio Dino e seu grupo, que por sua vez tentar reforçá-lo e usá-lo para impor mais uma derrota ao sarneysismo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão e filho reagem contra a Operação Leviatã
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Márcio Lobão e Edison Lobão: reações equilibradas à Operação Leviatã feita ontem pela Polícia Federal

Quem imaginou que a Operação Leviatã, por meio da qual a Operação Lava Jato investiga denúncias de corrupção na construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, obtidas em delações premiadas, tiraria o senador Edison Lobão (PMDB) do eixo devido ao suposto envolvimento do empresário Márcio Lobão, seu filho, num esquema de corrupção, isso uma semana depois de ser aclamado presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, errou na avaliação. Em vez de acabrunhar-se, entrar em parafuso e sair do cenário, o senador partiu para o ataque, considerando, por intermédio do seu advogado, que o mandado de busca e apreensão na residência de Márcio Lobão “foi descabido”, principalmente pelo fato de que a ação policial se baseou na delação premiada de um executivo da Andrade Gutierrez, feita em circunstâncias não informadas. Outro dado que chamou a atenção foi que Márcio Lobão fez questão de acompanhar pessoalmente a ação da Polícia federal no seu apartamento e no seu escritório, não criando qualquer obstáculo à investigação, declarando, em seguida, que está tranquilo porque não cometeu qualquer ato que possa ser interpretado como corrupção. A reação do senador e a atitude do seu filho não podem funcionar como atestado de idoneidade, mas diante das circunstâncias, é difícil imaginar que um sujeito com as mãos sujas se declare inocente de uma maneira tão enfática e ousada. Vale, portanto, aguardar os desdobramentos.

 

Roberto Costa tenta evitar fechamento do Basa em Bacabal
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Roberto Costa: movimento para evitar fechamento do Basa em Bacabal

Enquanto aguarda o desfecho da chicana judicial em relação ao resultado da eleição para a Prefeitura de Bacabal, que acredita lhe será favorável o deputado Roberto Costa (PMDB) se movimenta no sentido de resolver problemas da cidade que não dependem da ação do prefeito. Ontem, o parlamentar pemedebista ocupou a tribuna para fazer um apelo: que o Banco da Amazônia não feche a agência localizada em Bacabal.

Roberto Costa anunciou que por meio de Requerimento à Mesa Diretora tentará mobilizar toda a Assembleia Legislativa para reforçar esse movimento para convencer a direção do Banco da Amazônia no sentido de reverter o projeto de encerrar as suas operações naquele município. “Vamos lutar para que o Banco da Amazônia volte atrás da decisão do fechamento dessa agência, porque será um prejuízo enorme para Bacabal e para toda a Região do Médio Mearim”, enfatizou Roberto Costa. O parlamentar argumenta que o Banco da Amazônia “é um banco de fomento, que leva investimento para os comerciantes, leva investimento para a agricultura, especialmente para agricultura familiar”.

Roberto Costa frisou que a situação é tão preocupante, que logo tomou a iniciativa de entrar em contato com o senador João Alberto (PMDB), para que este também lute em Brasília para evitar essa perda para Bacabal.  E o fez lembrando que o sistema bancário de Bacabal é extremamente frágil. “Quem conhece a cidade de Bacabal sabe das dificuldades que a população passa no sistema bancário. O Banco do Brasil com duas agências, e a Caixa, o Bradesco e o Itaú, todos com uma agência, não conseguem atender à grande demanda do município de Bacabal. Então, em razão disso, a perda desta agência do Banco da Amazônia é um tiro certeiro na economia de Bacabal”.

 

São Luís, 16 de Fevereiro de 2017.

 

Mais Asfalto: Clayton Noleto resiste a bombardeio da Oposição e sai da Assembleia Legislativa como quem soube dar o recado

 

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Clayton Noleto rebateu as estocadas de Edilázio Jr. durante a sessão especial na AL

Foram seis horas de sabatina intensa, sendo o sabatinado o secretário de Estado de Infraestrutura, Clayton Noleto, e os sabatinadores deputados da Oposição liderados por Edilázio Jr. (PV), autor do requerimento que levou o auxiliar do governador Flávio Dino (PCdoB) à Assembleia Legislativa para dar explicações e prestar esclarecimentos sobre o programa “Mais Asfalto”. A Oposição se preparou para colocar o secretário contra a parede e demonstrar que o programa foi usado em favor das forças aliadas do Governo nas eleições municipais do ano passado. O secretário e o Governo se prepararam para desmontar o plano da Oposição. Os oposicionistas foram duros na tentativa de dobrar o secretário e obrigá-lo a dizer o que não gostaria ou cair em contradição, mas o titular da Infraestrutura revelou-se um combatente duro na queda e que, sem alterar o tom de voz nem fazer rodeios, conseguiu brecar o rolo-compressor oposicionista sem deixar uma só pergunta sem resposta. Houve momentos em que os ânimos de exaltaram no levando o presidente da sessão, deputado Othelino Neto (PCdoB), a suspender os trabalhos por cinco minutos, tempo suficiente para que todos respirassem, recobrassem o equilíbrio e evitassem desdobramentos mais tensos. Iniciada às 11 horas, a peleja só terminou pouco antes das 18 horas com os dois lados cantando vitória, mesmo ficando evidente que, analisando o embate friamente, o secretário de Infraestrutura saiu como entrou, pessoal, política e administrativamente inteiro. Nesse contexto, a Assembleia Legislativa se consolidou como uma Casa onde a democracia política é praticada de maneira integral e com a garantia da livre manifestação.

Na condição de convidado, Clayton Noleto foi o primeiro a falar ganhando 45 minutos para explicar o que é e como vem funcionando o programa “Mais Asfalto”, um dos mais importantes do atual Governo. O secretário fez um balanço dos investimentos feitos na malha rodoviária do estado alcançaram 10 mil quilômetros de rodovias, com a aplicação de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 808 milhões do empréstimo do BNDES firmado pelo Governo anterior, e o restante saído das contas do próprio Estado. Nesse contexto, os projetos de pavimentação urbana, batizado de “Mais Alfalto”, chegou a 119 municípios, alcançando um contingente de três milhões de pessoas, a um custo de R$ 240 milhões, dos quais 60% eram recursos próprios do Estado e o restante do pacote do BNDES. Ou seja, o secretário explicou que o “Mais Asfalto” é um conjunto de ações que nasceu no Governo anterior e “foi melhorado” no atual Governo.

As ações foram atacadas pelo deputado Edilázio Jr. como sendo “eleitoreiras” e sem critério e sem licitação, sendo realizado ao bel prazer dos líderes do PCdoB. O secretário reagiu com serenidade afirmando que as ações do “Mais Alfalto” foram definidas com base nos critérios de um programa semelhante realizado no Governo de Roseana Sarney em 2014, um ano eleitoral. E rebateu a acusação de que as ações do atual Governo não foram licitadas afirmando que todas as licitações foram feitas no Governo anterior. As rebatidas do secretário Clayton Noleto às investidas do deputado Edilázio Jr. minaram fortemente o ímpeto oposicionista. Ele respondeu pontualmente a todos os itens indagados pelo deputado Edilázio Jr., que se disse “não convencido”, mas sem jeito de reverter o quadro favorável ao secretario de Infraestrutura.

Outros deputados de Oposição tentaram tirar o secretário Clayton Noleto do seu “eixo rodoviários”, mas não conseguiram. O discurso da Oposição foi perdendo força depois que o secretário informou que todas as ações foram feitas com base em licitações feitas no Governo anterior. A informação deixou a Oposição sem meios de prosseguir atacando com o vigor inicial, porque no caso estaria atingindo o Governo Roseana Sarney. Diante disso, os deputados oposicionistas tentaram fugir ao tema da audiência, o que provocou uma situação de estresse entre o líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSB) e o deputado Alexandre Almeida (PSD), que juntamente com os colegas Eduardo Braide (PMN) e Edilázio Jr, tentou questionar o secretário fora do tema. Como Clayton Noleto reclamou da fuga temática, Alexandre Almeida o acusou de querer fugir ao debate, mas foi contestado pelo líder Rogério Cafeteira, que declarou: “Pensei que a Oposição queria informações sobre o ‘Mais Asfalto’, mas na verdade quer é um palanque para chorar as derrotas nas eleições de 2016”.

A troca de acusações fez subir a temperatura no plenário, levando o presidente da sessão, deputado Othelino Neto, a suspender os trabalhos por cinco minutos, de modo a dar tempo para que a normalidade fosse restaurada e os debates prosseguissem sem maiores problemas. Antes de prosseguir, Othelino neto fez uma advertência: se as perguntas fugissem ao tema “Mais Asfalto” – que àquela altura estava esgotado -, ele encerraria a sessão. A partir de então, foram mais três horas de repetições, sendo que boa parte desse tempo foi tomada por uma discussão sobre a legalidade da construção da Praça da Lagoa da Jansen, sem que nada de substancial tivesse emergido do debate. E também sobre a integridade profissional de um assessor da área jurídica da Sinfra, que em nada mudaria o rumo da audiência.

Se não correspondeu às expectativas da pequena mas aguerrida  Oposição, que esperava colocar o Governo na berlinda e, com isso, produzir munição política pesada para ser usada na campanha do ano que vem, a sessão especial de ontem foi reveladora de que o Governo está bem lastreado e opera com um bom nível de transparência. Apresentou um o secretário Clayton Noleto como um cidadão bem articulado, tanto no viés administrativo de uma área complexa quanto na seara política. E reafirmou a Assembleia Legislativa como o foro mais adequado e legítimo para esse tipo de evento político e essencialmente republicano.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Recursos para Saúde: Tema Cunha tem apoio de Rodrigo Maia
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Cercado de deputados federais, Tema Cunha fala na reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (centro), que declarou apoio à reivindicação da Famem

A Famem deu ontem um passo importante para vencer as barreiras  que a separam do objetivo de aumentar o valor per capita do repasse mensal da União para os municípios maranhenses, que atualmente é de R$ 158,00. Acompanhado de quase uma centena de prefeitos e 14 deputados federais, o prefeito de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB), recebeu o apoio de ninguém menos que o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Pelo valor atualmente recebido, o Maranhão está colocado em penúltimo lugar, enquanto que o vizinho Piauí, por ter feito muitos investimentos em Saúde, recebe R$ 225,00 mensais. Na abertura do encontro, Tema Cunha foi enfático ao avaliar que o problema alcança a todos os municípios do país.

Numa conversa franca com os representantes maranhenses em uma sala de reuniões da Câmara Federal, o presidente da instituição declarou: “Estou empenhado na luta dos prefeitos maranhenses, até porque tenho uma dívida com o Maranhão, estado cuja bancada me concedeu maciça votação na reeleição para a presidência da Câmara Federal”, assinalou Rodrigo Maia, firmando claramente um pacto estabelecendo um pacto com a Famem para tirar o Estado dessa situação.

O presidente Tema Cunha justificou a investida da Famem em Brasília: “A questão não é técnica. Ela é política. Para que se tenha uma ideia, até o ano de 2013, Maranhão e Piauí tinham percentuais iguais nessa per capita. Agora, em 2017, temos o patamar de R$ 158,00, contra R$ 227,00. Nos últimos três anos, o ministro da Saúde  foi um piauiense. Nosso problema não é esse, nossa luta, nossa reivindicação é para que cheguemos pelo menos à média nacional, que é de R$ 198,00. Por isso, estamos pedindo ao senhor presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, que nos ajude, que seja um maranhense nessa luta”, enfatizou. “Temos  de fazer essa exposição diretamente ao presidente Temer e, para isso, contamos com o apoio do presidente da Câmara Federal”, acrescentou o líder municipalista.

A fala de Tema Cunha foi reforçada pela manifestação do deputado federal José Reinaldo Tavares, que como ex-governador conhece bem a realidade maranhense nesse campo e avalia que o Maranhão é injustiçado pela União neste quesito. “Não se pode conceber que o estado com a décima maior população do País seja o 25º na per capita da saúde. Vejo que o prefeito Tema, presidente da Famem, tomou o rumo certo ao deflagrar esse movimento”, disse José Reinaldo.

Algo em torno de 90 prefeitos de todas as regiões participaram do movimento, considerado uma ação forte e extremamente positiva. O evento foi conduzido pelo deputado Juscelino Filho (DEM), coordenador da bancada maranhense e contou com as presenças dos deputados Zé Reinaldo (PSB), Aluísio Mendes (PSDC), André Fufuca (PP), Júnior Marreca (PEN), Julião Amin (PDT), Eliziane Gama (PPS), Zé Carlos (PT), Pedro Fernandes (PTB), Hildo Rocha (PMDB), Weverton Rocha (PDT), Cleber Verde (PRB), Waldir Maranhão (PP) e Luana Alves (PSB); além do vice-governador Carlos Brandão. O senador Roberto Rocha (PSB) declarou apoio ao movimento em reunião mais cedo.

Deputado festeja sobrevivência da cruel vaquejada
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Vinícius Louro usa chapéu de vaqueiro para comemorar o projeto da vaquejada

O deputado Vinícius Louro (PR) festejou ontem, de maneira enfática e ostensiva, a decisão do Senado de criar regras para dar sobrevida à prática da vaquejada no Brasil. “Hoje recebemos com muita alegria a notícia da aprovação da PEC pelos senadores em primeiro em segundo turno, da lei que regulamenta o esporte de vaquejada em todo o Brasil. Somos defensores dos animais, a lei que criamos e que regulamenta o esporte de vaquejada no Maranhão garante a proteção e os bons tratos a todos os animais que participam deste esporte. A vaquejada representa a identidade cultural do nosso povo e esperamos que em breve o presidente Michel Temer possa sancionar esta lei que garante a prática legal da vaquejada em todos os estados do país”, comemorou Vinicius Louro.

Para começar, o animal não “participa” da vaquejada como diz o deputado. Ele é sequestrado, colocado em gradeado onde permanece sem poder reagir até o momento em que é forçado a entrar na arena e enfrentar dois cavaleiros bem montados, que o perseguem até um deles pegá-lo pelo rabo e, de maneira covarde, dá-lhe uma torção violenta, que o desequilibra e o atira ao chão. O “esporte” cruel é, ao mesmo tempo, uma estupidez, que só serve para proporcionar um prazer mórbido ao sujeito que derruba o boi.

O deputado tenta comparar a vaquejada com o trabalho dos vaqueiros nordestinos quando buscam animais desguiados na caatinga. Nada a ver. O vaqueiro trabalha e não maltrata o animal. O praticante da vaquejada se movimenta em campo limpo e se diverte e se compraz com o sofrimento do boi derrubado, humilhado, não sofrendo nenhum castigo quando fere o animal quebrando-lhe, por exemplo, a ossada da calda, que é uma consequência muito comum.

Ainda jovem e com formação em Direito, o deputado Vinícius Louro prestaria um serviço bem mais decente à sociedade se a livrasse desse “esporte” cruel.

 

São Luís, 15 de Fevereiro de 2017.

 

Polícia Militar: deputados defendem posições que se chocam em discursos inflamados na Assembleia Legislativa

 

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Raimundo Cutrim, Cabo Campos e Wellington do Curso divergem sobre solução para a crise na PM

Na esteira do movimento que paralisou a Polícia Militar no Espirito Santo e ameaça se repetir no Rio de Janeiro, um debate ao mesmo tempo complicado e perigoso foi travado ontem na Assembleia Legislativa entre os deputados Raimundo Cutrim (PCdoB), Wellington do Curso (PP) e Cabo Campos (DEM) sobre tema “condições de trabalho para a Polícia Militar”. O posicionamento de cada um dos deputados demonstrou com clareza que o assunto é complexo e que as condições em que operam nossos policiais é que o que está acontecendo no Brasil neste momento é muito mais do um mero processo de reivindicação, é a demonstração cabal de que o atual modelo policial é desatualizado e absolutamente ineficaz. Tal verdade explica o desrespeito flagrante da regra constitucional segundo a qual policiais militares não podem se insubordinar e cruzar os braços. Chama a atenção o fato de essa discursão ocorrer num momento em que, apesar das tensões que agiotam policiais militares em vários estados, a corporação no Maranhão vai administrando seus problemas sem qualquer sinal de uma greve à vista. Isso porque, até prova em contrário, o governador Flávio Dino (PCdoB) tem investido expressivamente nessa área, inclusive aumentando o efetivo da corporação e melhorando seus vencimentos.

Delegado federal aposentado e com larga passagem pelo comando das Policias do Maranhão como secretário de Segurança Pública, o deputado Raimundo Cutrim defende com firmeza a tese da insubordinação, que para ele quebra toda ordem hierárquica do Estado. Cutrim entende que policiais militares têm todo direito de reivindicar melhores salários e condições de trabalho, por meio da ação efetiva das suas entidades de classe, como associações e sindicatos, mas sem cruzar os braços e colocar em risco a segurança da coletividade. “Isso é desrespeitar a Constituição, é quebrar a hierarquia”, disse, enfaticamente, no seu discurso.   Raimundo Cutrim acha que greve é quebra da ordem e da hierarquia, e por isso o militar que cruza os braços deve responder por seus atos. “Enquanto o Governo Federal, junto com os 27 governadores, incluindo o do Distrito Federal, não tiverem uma legislação mais severa para as Polícias Militares do Brasil, isso vai continuar acontecendo”, completou.

Militar que emergiu da base da Polícia Militar em cujos quadros atua como militante corporativo e que, como tal, já liderou movimento grevista da corporação, como o de 2013, o deputado Cabo Campos tem visão radicalmente diferente. Para ele, mesmo que seja proibido pela Constituição, militar pode, sim, e deve fazer greve, por ser, na sua avaliação, uma forma legítima de pressionar os responsáveis pelo Estado para que atendam as suas reivindicações. O parlamentar defende o movimento grevista na Polícia Militar do Espírito Santo, sem comentar os estragos que bandidos fizeram na ausência da PM nem em relação ao fato de que assassinatos triplicaram com a PM fora das ruas. Na avaliação de Cabo Campos, isso só acontece porque a PM é maltratada e não recebe o que de fato vale. Acha também que o endurecimento das regras de disciplina não resolverá o problema, pois a única maneira de tornar mais ativa e mais disciplinada é valorizando os seus quadros.

Ex-sargento do Exército, que atuou principalmente na área de inteligência, como “observador” infiltrado em movimentos como o dos estudantes, o deputado Wellington do Curso vem se posicionando na Assembleia Legislativa como defensor dos interesses dos policiais militares. Pragmático, ele chegou a se reunir na semana passada com esposas de policiais militares para ouvir as suas reivindicações, mas garantindo que em nenhum momento tratou de movimentos na corporação, limitando-se a discutir as reivindicações. E avisou que agora, como deputado independente – saiu da base do Governo, mas “ainda” não está na oposição -, vai se dedicar ainda mais à causa dos policiais militares, por acreditar que a Polícia só vai melhorar se os investimentos aumentarem, principalmente no item salário.  O deputado Wellington do Curso acha que regras mais duras são válidas, desde que as condições de trabalho sejam melhores.

Três visões bem diferentes, mas fundamentalmente ligadas apelo fator “condições de trabalho”, não importando se o PM maranhense está entre os seis mais bem pagos do país. Há, por outro lado, choques muito fortes dentre os três deputados. O rigor disciplinar defendido pelo delegado federal Raimundo Cutrim é frontalmente rebatido pelas posições menos severas advogadas por Cabo Campos.  E o pragmatismo assistencial de Wellington do Curso não é bem visto nem por Raimundo Cutrim nem por Cabo Campos. Finalmente, os três garantem que se posicionando sobre o tema não estão tentando incentivar movimentos paredistas na corporação. Mas quem está observando os seus  movimentos à distância tem exatamente essa impressão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Roberto Costa mantém posição discreta no imbróglio em Bacabal
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Roberto Costa : posição discreta em Bacabal

O deputado estadual Roberto Costa (PMDB) tem demonstrado ser um político maduro e movido ao mesmo pelos ventos do pragmatismo e do bom senso. Ele acompanha a novela de mau gosto que inferniza a vida de Bacabal, sem se expor como oponente de Zé Vieira na disputa pelo comando do Município. Mesmo diante de decisões judiciais que favoreceram liminarmente o candidato do PP, que assumiu a Prefeitura mesmo sendo ficha suja, segundo o entendimento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. Roberto Costa tem se movi9mentado intensamente para viabilizar seus direitos nessa disputa, mas em nenhum momento se ouviu dele palavras agressivas em relação ao adversário. Essa postura é mantida mesmo nas conversas mais reservadas. Político com os pés no chão, Roberto Costa tem manifestado a expectativa de que a Justiça vai corrigir o imbróglio em que se transformou a eleição para a Prefeitura de Bacabal e lhe dará ganho de causa. Até lá, porém, continuará mantendo distância do debate direto com seus adversários, exatamente por compreender que o momento agora é da Justiça.

 

Prefeitos viverão dia decisivo por mais Saúde
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Tema Cunha mobilizou 79 prefeitos para Brasília

Esta quarta-feira será decisiva para o futuro do movimento que a Famem está realizando em Brasília para obter mais recursos para a área de Saúde dos Municípios maranhenses. Nada menos que 79 prefeitos atenderam ao chamamento do presidente da entidade, prefeito de Tuntum, Cleomar Tema Cunha (PSB). Aderiram ao grupo pelo menos oito deputados estaduais, conforme anunciou ontem na tribuna da Assembleia Legislativa o deputado Stênio Rezende (DEM). A programação de home inclui uma reunião com a bancada maranhense no Congresso Nacional, ao que se seguirá uma audiência com o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e a mais importante, com o ministro da Saúde, que é deputado federal pelo PP. A principal reivindicação do grupo é aumentar o valor do repasse per capita mensal para o Maranhão, que hoje é de RS 134,00 para, pelo menos, ficar mais próximo da média nacional, que é de R$ 197,00. O valor recebido atualmente coloca o Maranhão entre os estados menos beneficiado com o programa. O presidente Tema Cunha calculou que os prefeitos maranhenses conseguirem melhorar o valor do repasse, a crise da Saúde no estado levará um baque e os serviços melhorarão.

 

São Luís, 15 de Fevereiro de 2017.

Liderados por Tema, prefeitos vão a Brasília brigar por mais recursos para evitar colapso na Saúde

 

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Tema Cunha lidera movimento de prefeitos contra colapso na Saúde nos municípios

Se tudo correr como está programado, na tarde desta quarta-feira (15), uma das salas da Câmara Federal será espaço para a maior e mais importante reunião entre prefeitos maranhenses e a bancada federal que se terá notícia em tempos recentes. Com uma pauta cujo item principal é impossibilidade de as Prefeituras cuidarem da Saúde com os recursos que recebem atualmente da União, o que torna essa área uma espécie de “calcanhar de Aquiles” dos 217 prefeitos do Maranhão, o presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem) e prefeito de Tuntum, Cleomar Tema Cunha, desembarcará em Brasília liderando mais de uma centena de prefeitos das mais diferentes regiões do estado, todos “fechados” com a mobilização para tirar o estado da penúltima posição entre os que integram a Federação em valor de repasse dos recursos federais para a Saúde. A situação a ser mudada é a seguinte: os municípios maranhenses recebem hoje R$ 137,00 por habitante, enquanto a média nacional é de R$ 194,00. A proposta de Tema Cunha é que os municípios maranhenses entrem, ou pelo menos se aproximem, na média nacional, de modo que haja um incremento de pelo menos R$ 20 milhões mensais nas transferências da União para a Saúde.

O movimento, desencadeado pelo novo presidente da Famem ainda quando estava em campanha, alcançou a todos os prefeitos, principalmente os novos, que não querem comprometer os seus projetos de gestão com a certeza de que poderão fracassar na área da Saúde. Os prefeitos reeleitos que conseguiram implantar e manter programas de Saúde minimamente eficientes, o fizeram porque tomaram a decisão política de aplicar parte expressiva dos seus recursos nesse segmento, fazendo reengenharia financeira com frequência para não prejudicar outras áreas essenciais, como a Educação e a Assistência Social. Prefeito de Tuntum pela quinta vez e iniciando o terceiro mandato no comando da Famem, Tema Cunha conhece essa realidade como poucos, e depois de fazer todas as contas possíveis, chegou a uma conclusão definitiva: se continuarem recebendo os atuais R$ 137,00 per capita, será apenas uma questão de tempo para que o já precário setor da Saúde na maioria dos municípios entre em colapso, o que será desastroso.

O presidente da Famem acumula experiência suficiente para saber que só a grita dos prefeitos não produzirá os resultados que os municípios precisam para convencer os burocratas de Brasília, daí a decisão de envolver a bancada federal no movimento, para que deputados e senadores façam a sua parte usando o seu poder político para obter a boa vontade do Ministério da Saúde. Para incentivar seus colegas prefeitos de que a ida deles a Brasília é fundamental, Tema Cunha gravou, na semana passada, um vídeo no qual expõe a situação e faz um apelo enfático no sentido de mostrar que essa não é uma guerra a ser vencida pela ação de líderes e porta-vozes, mas somente pela união dos dirigentes municipais. Ao mesmo tempo, conversou e mandou mensagem a todos os deputados federais e senadores, mostrando-lhes que a participação deles é fundamental nesse processo. “A semana que vem será decisiva para o municipalismo no nosso estado”, declarou.

São raros os municípios que conseguem manter seus sistemas de Saúde com alguma eficiência. O básico tem sido prestar aos doentes uma assistência rápida, de modo a transportá-los para um centro maior, onde existem hospitais que oferecem – também em condições limitadas – serviços de média e alta complexidade, uma situação que vem ganhando força com a implantação de hospitais regionais e macrorregionais pelo atual Governo em Pinheiro, Imperatriz, Caxias e Bacabal, por exemplo, mas que ainda não foi suficiente para amenizar oi sufoco em que vivem os municípios. Nesse contexto, a rede de hospitais municipais construídos pelo Governo anterior se transformou num megaproblema, já que as Prefeituras não têm condições de mantê-los, como planejaram seus idealizadores. Esse imbróglio gigantesco está na raiz dos problemas das Prefeituras. E o futuro desse problema está em parte ligado ao movimento da Famem por mais recursos para a Saúde.

Ontem à noite, após um dia de intensos preparativos para a viagem à Brasília, Tema Cunha informou que mais de uma centena de prefeitos confirmou que o seguirá a fim de participar da reunião com a bancada maranhense, que terá também a participação do secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula. Se o resultado da maratona municipalista vier a corresponder ao entusiasmo do presidente da Famem, o municipalismo maranhense marcará gol de placa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Fábio Braga faz alerta a prefeito em discurso politicamente lúcido
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Fábio Braga faz discurso lúcido para prefeitos maranhenses 

“A situação que cada um dos novos prefeitos e os já veteranos vai encontrar nas suas cidades exige atenção, cautela e prudência nas decisões que precisam ser tomadas. Algumas serão amargas, outras nem tanto, mas cada uma exige dos senhores e senhoras gestores municipais que não percam de vista a orientação dos Tribunais de Contas em relação principalmente à Lei de Responsabilidade Fiscal que, como todo mundo sabe, é um balizamento de tudo que o gestor tem de seguir em relação às normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade de sua gestão. Elas e repousam basicamente sobre três grandes temas: o planejamento, a transparência e, finalmente, o controle sobre as despesas e receitas”.

A declaração acima poderia ter sido feita por um especialista em matéria fiscal de uma Corte de Contas qualquer, mas é trecho de um discurso feito ontem pelo deputado Fábio Braga (SD) na Assembleia Legislativa. Pronunciado em tom discreto com o objetivo de saudar os novos dirigentes municipais do Maranhão, o discurso do parlamentar surpreendeu pela abordagem tecnicamente lúcida e politicamente correta.

“Estamos enfrentando uma das maiores crises da história republicana, principalmente por conta do modelo de redistribuição das receitas fiscais do País que prioriza a União em detrimento dos Estados e dos Municípios, os quais há muitos anos têm ficado com a menor parte de tudo que é arrecadado pelo poder público”, explicou, em tom de crítica ao modelo fiscal em vigor.

Fábio Braga assinalou que “todos nós sabemos que a batalha dos prefeitos é mais árdua ainda que a batalha dos governadores, embora todos estejam com uma forte sobrecarga para conduzir”. E destacou que “o fato é que a recessão brasileira, que entra no seu terceiro ano consecutivo, reduziu o produto interno bruto por dois anos consecutivos. Tivemos uma baixa sensível que estancou o crescimento e a arrecadação fiscal da União e travou o desenvolvimento de novos negócios em quase todas as atividades econômicas. Em seguida, avaliou: “Entre as grandes vítimas dessa retração, os estados e os municípios brasileiros foram certamente os que mais se ressentiram, porque viram receitas importantes como os fundos de participação sofrer fortes quedas nos últimos anos, dificultar o gerenciamento da crise de cada unidade da Federação. Estamos então em compasso de espera. A ordem agora é reduzir despesas, economizar, ter cautela, tentar sobreviver em um ambiente de turbulência política, social e econômica”.

Fábio Braga concluiu sua fala com a seguinte expectativa: “É claro que vamos sair vencedores dessa batalha porque somos fortes, somos um povo lutador e otimista. Para isso, o importante é que não percam o norte, não percam as suas responsabilidades, tenham cautela e prudência em suas decisões”.

 

Gastão atua para fortalecer o PROS e voltar à Câmara Federal
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Gastão Vieira pavimenta estrada para voltar à Câmara Federal

Depois de cumprir dois mandatos de deputado estadual e cinco de deputado federal pelo PMDB, romper com o partido por não ter sido eleito senador, e haver ingressado no PROS, assumindo o seu controle no Maranhão, o ex-ministro do Turismo, Gastão Vieira, começa a redesenhar a sua caminhada política como candidato à Câmara Federal. Na sexta-feira (10), ele reuniu em São Luís os eleitos pelo partido nas eleições municipais no Maranhão – dois prefeitos, seis vice-prefeitos e 68 vereadores em 51 municípios -, para traçar uma linha de ação e dar os primeiros passos no sentido de preparar a agremiação para as eleições de 2018. Para Gastão Vieira, que já foi um dos quadros de proa do Grupo Sarney, o PROS é uma alternativa partidária de qualidade para quem quer ingressar na vida pública, por ser um partido novo, com ideologia, doutrina e programa. Ele espera que todos os detentores de mandato do partido no Maranhão vista de fato a camisa da agremiação, que trabalha nacionalmente para eleger entre 18 e 20 deputados federais nas eleições do ano que vem. Gastão Vieira esperar ser um deles, perspectiva que foi mais reforçada depois que ele ouviu de emissário que a direção nacional o quer na bancada do PROS na Câmara Federal a partir de fevereiro de 2019.

 

São Luís, 13 de Fevereiro de 2017.

Filme antigo: secretários pré-candidatos à Câmara Federal começam a causar insatisfação entre os aliados do Governo

 

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Marcio Jerry, Márcio Honaiser, Neto Evangelista e Clayton Noleto: projetos eleitorais visando a Câmara Federal já estão causando insatisfação em aliados do Governo

Começa a ganhar corpo uma guerra política em que estão de um lado deputados estaduais e federais que dão início aos movimentos para garantir a reeleição, e, de outro, membros do Governo estadual que sabidamente se movimentam para viabilizar suas candidaturas, umas para a Assembleia Legislativa, outras para a Câmara Federal nas eleições de 2018. É uma guerra antiga, nascida em governos ancestrais e que se repete com os mesmos ingredientes a cada quatro anos e é deflagrada exatamente no terceiro ano dos mandatos em curso. Na semana passada, o deputado estadual Stênio Rezende (DEM), um veterano desses combates, levantou a bandeira em discurso enfático na tribuna da Assembleia Legislativa, no qual fez uma dura reclamação à atuação do secretário de Estado da Agricultura, Márcio Honaiser, que segundo ele estaria usando a máquina do Governo para viabilizar sua candidatura à Câmara Federal na região de Balsas, citando ainda outros casos. “Eles estão oferecendo de tudo, e isso nos não podemos aceitar”, disse o deputado, que recebeu aval de vários colegas.

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Stênio Rezende externou a insatisfação com ação de secretários candidatos

Mesmo sabendo que não existe Governo sem ter no secretariado um ou uns integrantes que visam disputar mandato eletivo e que, via de regra, atuam com as bênçãos do governador, os detentores de mandato não se conformam com a “regra” e batem forte para conseguir, pelo menos, uma atuação mais discreta dos secretários-candidatos. No Governo Flávio Dino (PCdoB), são vários os membros do 1º escalão que estão na corrida às urnas, e todos parecem atuar com o aval discreto do gabinete principal do Palácio dos Leões. Pelo menos até aqui estão ou estariam no páreo os secretários Márcio Jerry (Articulação Política e Comunicação), Márcio Honaiser (Agricultura), Neto Evangelista (Desenvolvimento Social) e Clayton Noleto (Infraestrutura). Fala-se também, mas com menos intensidade, de Márcio Jardim (Esportes).

Considerado o mais influente e atuante auxiliar do governador Flávio Dino, o jornalista Márcio Jerry, que também preside o PCdoB no Maranhão e atua como porta-voz político do chefe do Executivo é, de longe, o pré-candidato a deputado federal mais citado em rodas as rodas de conversa política, principalmente nas que reúnem insatisfeitos. Ele é acusado de usar o poder de influência que tem no Governo para aliciar prefeitos e  vereadores e de atropelar até aliados para disseminar o seu projeto político e eleitoral, que todos associam diretamente ao do governador Flávio Dino. Traquejado no jogo político e ciente dos riscos guardados nas entranhas do poder, experiência que acumulou ao longo de anos e anos de embates nos bastidores da esquerda maranhense, Márcio Jerry parece medir com precisão o efeito de cada reclame envolvendo-o no jogo pré-eleitoral, parecendo enxergar em cada grita um estímulo a mais para seguir em frente. Tanto que quebrou o silêncio sobre o assunto e já avisou que é, sim, pré-candidato a deputado federal.

Outro secretário apontado como pré-candidato a deputado federal tem sido também durante criticado por vozes que se sentem incomodadas com a sua atuação, é Márcio Honaiser, titular da Agricultura, tido nos bastidores como um dos auxiliares mais eficientes do atual Governo. Militante político da região polarizada por Balsas e filiado ao PDT, Honaiser tem forte ligação com o agronegócio, tendo tentado outras experiências nas urnas, tendo assim se tornado ponta-de-lança do candidato Flávio Dino na região, e por seu desempenho embarcou no Governo como titular da Agricultura. É candidato a deputado federal e integra o núcleo básico de apoio à candidatura do deputado federal Weverto Rocha (PDT) ao Senado.

O terceiro nome mais citado nas rodas políticas é o do secretário de Infraestrutura Clayton Noleto. Militante do PCdoB e um dos auxiliares de proa do governador Flavio Dino, Noleto entrou na ciranda pré-eleitoral quando ensaiou um movimento para ser o candidato do Governo à Prefeitura de Imperatriz, sua base política. Chegou a ganhar algum fôlego, mas acabou atropelado pelo jogo duro com que o PDT entrou na disputa bancando a candidatura da enfermeira Rosângela Curado. É apontado como um dos principais nomes da lista do PCdoB para a Câmara Federal, mas com um detalhe: ele próprio até agora fez qualquer declaração confirmando o projeto eleitoral.

Outros nomes citados para a Câmara Federal são Neto Evangelista (PSDB), que é deputado estadual licenciado e secretário de Desenvolvimento Social, e o secretário de Esportes, Márcio Jardim, que representa a ala rebelde do PT que não se dobrou à aliança com o PMDB. O tucano Neto Evangelista estaria ainda avaliando o próximo passo, exatamente por se encontrar numa situação delicada: é parte da base do governador Flávio Dino, mas encontra-se entre a cruz e a espada devido a movimentação política da sogra, a ex-prefeita Maura Jorge (Lago da Pedra), que parece determinada a ocupar um espaço expressivo nas próximas eleições, podendo disputar Governo, Senado, Câmara Federal ou Assembleia Legislativa. Neto Evangelista precisa dessa definição para montar seu projeto.

São encrencar que certamente já estão postas na mesa do governador Flávio Dino e que vez por outra vão tomar sua atenção, testar seu equilíbrio e medir sua paciência.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão: “Sou inocente e estou à disposição para esclarecimentos”
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Edison Lobão: sem medo da Lava Jato e pronto para esclarecimentos

O senador Edison Lobão (PMDB) concedeu no fim da semana entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual fala sobre sua escolha para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, diz o que pensa sobre a sua condição de investigado na Operação Lava Jato e sobre delação premiada, que no seu entendimento não poderia partir de quem está preso, mas sim de quem estivesse livre. Segue a íntegra da entrevista:

A tese central da Lava Jato é a de que dinheiro de corrupção abasteceu as campanhas. O sr. concorda?

Existe a prestação de contas após a eleição, que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) examina e decide se está conforme a lei. O que não está previsto como possibilidade de financiamento de campanha, isso é que é crime.

Então o que for registrado como doação nas prestações de conta não deve ser interpretado como dinheiro de corrupção? Essa leitura da Lava Jato de que pode haver corrupção mesmo nas doações aprovadas pelo TSE é equivocada?

Tenho impressão de que é um excesso. Se há uma lei, o TSE aceitou a prestação de contas, você considera isso ilegal depois? Eu não entendo.

Acha que o Congresso precisa deixar isso claro na legislação?

Se há alguma dúvida, compete ao Congresso aclarar. Então, precisa ter um projeto que deixe mais claro o que pode ou o que não pode.

Então, o que está registrado é legal?

É legal.

Deve haver uma legislação que deixe claro isso inclusive nas doações já ocorridas, que são alvo da Lava Jato?

Bom, já que uma instância na Justiça não está aceitando decisão do TSE…

Discutiu-se muito na Câmara dos Deputados no ano passado a chamada anistia ao caixa 2. A Câmara está voltando a articular isso. O sr. apoia?

A figura da anistia existe. Todo ano, o presidente anistia alguns presos por conta disso ou daquilo. Houve a lei da anistia durante o regime militar. Resta saber se anistia tal ou qual é conveniente. Vou aguardar que a Câmara decida lá, quando vier para cá nós avaliaremos. O que eu quero dizer é que é constitucional a figura da anistia, qualquer que ela seja. Anistia não se faz somente para isso, outros crimes podem ser anistiados.

A Lava Jato também utiliza muito o instituto da delação premiada. O sr. acha que a lei da delação precisa mudar?

Tem que alterar. Delação só deve ser admitida com o delator solto. Deve ser espontâneo. O sujeito querer fazer a delação. E na Lava Jato é isso. Está preso lá o delator, que acaba delatando.

Existe um incômodo com os delatores?

O que há é que nós, que somos investigados e delatados, vivemos esse estado de constrangimento. E os delatores, aqueles que foram gravemente acusados e presos até (não passam por isso). Teve um delator que chegou na Petrobrás e disse que meteu a mão em US$ 100 milhões (uma referência a Pedro Barusco).

E onde ele está?

Livre por aí. Ou seja, mudou-se a imagem. O delator passa a ser uma figura importante e livre. (Joaquim) Silvério dos Reis, que é o rei dos delatores, o precursor dos delatores, se fosse atual, estaria passeando a sua importância pelas praças.

E como ele acabou?

Na desgraça e fuzilado.

Em relação ao projeto de abuso de autoridade, o senhor pensa em dar celeridade?

Esse projeto já estava no plenário com regime de urgência e com um relator nomeado, que é o Roberto Requião (PMDB-PR). O relator é aquele que diz ao presidente que está com o seu parecer pronto ou não e pede pauta. Então, nessa decisão aí, valerá muito mais a posição do relator do que a minha. A relatoria diz que está em condições de votar e pede para que seja incluída na pauta.

Se ele confirmar que está em condições o sr. põe para votar?

Sim, a presidência sempre atende aos relatores.

O sr. vai presidir um colegiado com dez investigados na Lava Jato. Não há conflito de interesses, uma vez que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) vai tratar de assuntos e que podem afetar a investigação? 

Isso não tem nenhuma importância. Não tem nenhum condenado lá. Investigado não quer dizer, absolutamente, condenado. É uma fase de esclarecimento que muitas vezes conduz à inocência, como já aconteceu comigo.

O sr. é investigado na Lava Jato. 

Sou inocente e estou à disposição para esclarecimentos.

Há uma tentativa de criminalização em curso?

Isso é evidente. Todo dia aparecem denúncias contra pessoas e os meios de comunicação batem impiedosamente em todos os políticos, tendo sido objeto de denúncias ou não. Daqui a pouco os políticos não suportam mais. Se alguém acha que a atividade política está tão ruim assim, ingresse na vida pública para tentar melhorá-la. Agora, destruí-la é que conduz à tirania. Se estigmatizarmos a atividade política e, no passo seguinte, criminalizarmos, estamos debilitando a vida pública. Ao fazê-lo, vamos acabar com o que resta de conceito da política, sem a qual não há democracia. Não havendo democracia, a alternativa é a tirania, que suprime todas as liberdades. Não creio que seja isso o que a sociedade deseja.

A leitura que o senhor tem da Lava Jato é essa?

Não diria isso da Lava Jato. A operação começou cuidando de determinadas denúncias que se ligavam à Petrobrás. Hoje é outra coisa. É uma inquirição global. Já está a Suíça com interesse no assunto, os Estados Unidos, a Europa… enfim, não se sabe mais para onde vai. Virou um inquérito universal. Em que isso vai resultar? Não sei. Não acho que tem que ser extinta, mas conduzir ao ponto que estamos chegando, da criminalização da vida pública, é o que nos envia para a tirania.

E como reagir a isso?

Temos tido aqui tentativas de corrigir essas distorções e não se consegue. Porque a imprensa não aceita, nem a opinião pública. Ou seja, estamos destinados ao calvário, à destruição. Quando digo nós, quero dizer a vida pública.

São Luís, 11 de Fevereiro de 2017.