Processo no Supremo é pancada forte no projeto de Weverton Rocha de chegar ao Senado

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Weverton Rocha: candidato forte, mas sob risco

Os bastidores em que começam a se definir as candidaturas às duas vagas no Senado nas eleições do ano que vem foram estremecidos ontem com notícia de que o deputado federal Weverton Rocha (PDT), um dos nomes mais badalados para essa peleja, virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a acusação de improbidade administrava quando exercera o cargo de secretário de Estado de Esportes no Governo Jackson Lago (2007-2009). A denúncia foi feita pelo Ministério Público Federal (MPE), que o acusa de haver praticado irregularidades e desvios nas obras de restauração do Ginásio Costa Rodrigues, nas quais foram gastos R$ 3,9 milhões quando o custo inicial foi orçado em R$ 1,9 milhão. Sua assessoria informou que ele está certo de que a acusação não tem fundamento, que o deputado não cometeu nenhum delito naquela gestão e que o processo vai mostrar que ele é inocente. Se for condenado, Weverton Rocha entrará para a “lista negra dos ficha suja” e terá sua fulgurante e arrojada carreira interrompida, o que será um desastre para o PDT, que preside no Maranhão. A informação, por outro lado, inflama a disputa para o Senado, podendo despertar outros candidatos, que estavam desestimulados por calcular que o líder pedetista é nome certo para uma das vagas.

O processo no STF encontra Weverton Rocha num momento especial da sua atuação política: preside o PDT no Maranhão, lidera a bancada do partido na Câmara Federal, é figura de proa no comando nacional do partido, tem se destacado como uma das vozes mais atuantes na Oposição ao Governo do presidente Michel Temer, e desponta como um dos nomes mais fortes na disputa, já em andamento, por uma das duas vagas no Senado. Sua ação política é cada vez mais visível e o colocou em evidência nas eleições municipais do ano passado, quando comandou um batalhão de candidatos em todas as regiões do estado, conseguindo eleger 22 prefeitos, entre eles Edivaldo Jr., de São Luís, considerado um resultado muito positivo, apesar da espetacular derrota sofrida em Imperatriz.

Um dos quadros mais atuantes e ousados da sua geração, o deputado Weverton Rocha nasceu militando numa facção do movimento estudantil comandada pela ala jovem do PDT estudantil. Sua ousadia e desenvoltura o aproximaram do líder pedetista Jackson Lago, que enxergou nele o futuro do partido. E foi como prodígio político que ele se destacou na campanha de 2006, na qual Jackson Lago derrotou Roseana Sarney (PMDB) e, ao assumir o Governo, entregou-lhe a Secretaria de Esportes e Juventude. E foi nesse período que ele comandou a polêmica e suspeita obra de restauração do Ginásio Costa Rodrigues, o mais destacado símbolo da prática de esportes estudantis em São Luís. Várias denúncias foram feitas, mas ele reagiu afirmando tratar-se de “mentiras” de adversários do Governo. Sobreviveu à derrubada do governador Jackson Lago e elegeu-se deputado federal em 2010, assumiu o comando do PDT com a morte de Jackson Lago e reelegeu-se em 2014, tornando-se um dos principais esteios da base política e partidária do governador Flávio Dino (PCdoB). Ao mesmo tempo, galgou espaço cada vez maior no comando nacional do partido, tornando-se um dos principais assessores e conselheiros do presidente Carlos Lupi, a quem auxiliou no Ministério do Trabalho.

Toda essa movimentação o transformou num político estadual e com alguma projeção nacional, credenciando-o para entrar na briga por uma cadeira no Senado em 2018, vencendo assim as etapas de um projeto de poder que visa o Governo do Estado em 2022, tendo já se tornado um dos nomes mais fortes para a corrida já deflagrada. Daí porque a condição de réu agora pode causar um efeito devastador no seu projeto eleitoral, a começar pelo fato de que a denúncia do MPF espalha uma densa nuvem de incerteza sobre o seu futuro político. Por outro lado, Weverton Rocha tem dado demonstrações de que aprendeu a lidar com a adversidade, tornando-se conhecido como um articulador hábil, mas também frio o suficiente para não se dobrar à primeira pancada. Não surpreende, portanto, orientar sua assessoria para dizer que “tem certeza” de que provará sua inocência.

Com o processo contra Weverton Rocha, a corrida ao Senado pode ganhar novos contornos, embora a lógica recomende que os aspirantes Sarney Filho (PV), José Reinaldo Tavares (PSB), Lobão Filho (PMDB), João Alberto (PMDB), Sebastião madeira (PSDB), Hilton Gonçalo (PCdoB), Luis Fernando Silva (PSDB) e outros fiquem atentos aos movimentos do pedetista.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Bancada governista sofre dispersão na Assembleia

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Humberto Coutinho:  firmeza contra manobras

Alguma coisa não está funcionando bem na bancada do Governo na Assembleia Legislativa. Depois das dificuldades que as lideranças enfrentaram há alguns dias para aprovar o reajuste salarial dos  professores por causa do baixo quórum, a escassez de deputados da situação embaraçou os planos do Palácio dos Leões de ter aprovado  ontem uma mudança fiscal para o setor atacadista. Além de poucos parlamentares, os líderes governistas ainda se depararam com as artimanhas do pequeno, mas compacto e eficiente grupo da Oposição, que de manobra em manobra, conseguiu desorganizar a maioria governista, mesmo não aprovando suas propostas, mas embaraçando o blocão do Governo. Ontem, a dispersão governista foi agravada pela ausência do líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSB), ficando a tarefa de comandar a bancada com o deputado Luciano Leitoa (PDT), que é um parlamentar aplicado e eficiente, mas que não consegue liderar a maciça governista, que anda meio insubordinada. Em meio à desordem na bancada da situação, o deputado Othelino Neto (PCdoB) entrou no circuito para colocar ordem na casa, mas quando conseguiu parte da bancada já havia ido embora, comprometendo o quórum. Os descaminhos da bancada governista só não foram maiores graças ao presidente da Casa, deputado Humberto Coutinho (PDT), que comandou a sessão com firmeza e eficiência, não dando margem para que as manobras oposicionistas atrapalhassem o cumprimento da pauta. Seus esforços, porém, não foram suficientes para garantir a votação do projeto, que por falta de quórum, ficou para a sessão de hoje.

 

Decisões de Brasília vão mexer com o PSDB do Maranhão

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Carlos Brandão terá dificuldades para se manter no PSDB

Caminha para uma definição em pouco tempo a situação do PSDB no Maranhão. Reuniões realizadas Brasília entre tucanos destacados com chefes nacionais do partido têm servido de tentativa de encontrar uma saída sem crise, e tudo indica que será proposta uma fórmula para conciliar todas as correntes que hoje medem forças dentro da agremiação. Uma coisa parece definida: o vice-governador Carlos Brandão poderá até continuar à frente do braço maranhense do partido, mas terá de dividir poder com o grupo representado pela família do ex-governador João Castelo e com o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que briga pelo comando partidário. Se tal fórmula for aceita, Brandão corre o risco de ficar isolado e sem poder. E a chave para essa complicada equação será a posição do PSDB nas eleições do ano que vem. O vice-governador trabalha para manter o partido na base de apoio do governador Flávio Dino, tentando com isso garantir a sua candidatura a vice-governador mais uma vez. Só que os outros grupos não vão topar, pois pretendem levar o PSDB provavelmente para uma aliança com o PMDB, como está se desenhando no plano nacional, ou lançar candidatos próprios ao Governo e ao Senado. Brandão só continuará no PSDB se tiver o controle, como tem agora. Se não, é provável que migre para outra legenda. As decisões já estariam tomadas em Brasília, restando agora os chefes tucanos as comunicarem aos líderes maranhenses e esperar para ver o que acontece.

São Luís, 28 de Março de 2017.

 

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