
Miltinho Aragão e Iracema Vale no Palácio do Planalto
A presença do governador Carlos Brandão (sem partido), ontem, em Brasília, acompanhado do pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão, por ele apoiado, e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (filiada há pouco ao MDB), depois de uma paquera forte com o PT), na posse do deputado federal cearense José Guimarães (PT) como ministro das Relações Institucionais, pode até não produzir uma reviravolta na tendência do comando nacional do PT e no próprio presidente Lula da Silva (PT) por uma candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), mas com certeza causou forte impacto das duas searas. De um lado, reforçou o clima de instabilidade no entorno do vice-governador, e de outro, animou segmentos alinhados ao governador Carlos Brandão, que temem um posicionamento do PT contra a pré-candidatura de Orleans Brandão, causando um racha político monumental no Maranhão.
Para começar, a presença dos três no Palácio do Planalto para o ato de posse do ministro causou grande surpresa nos meios políticos maranhenses. A começar pelo fato de que alguns rumores, mesmo inconsistentes e nitidamente armados com má fé política, foram espalhados para passar a ideia de afastamento do Palácio dos Leões do Palácio do Planalto. E depois, e principalmente, com a demora do PT maranhense de tomar uma posição, principalmente depois que líderes nacionais do partido disseram e repetiram que a tendência da agremiação é confirmar o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão. Isso depois de duas conversas do governador Carlos Brandão com o presidente Lula, ambas sem desfecho conclusivo.
A ida do governador Carlos Brandão ao Palácio do Planalto, acompanhado de Orleans Brandão e Iracema Vale sugere várias interpretações, mas a principal delas é a de que algum tipo de canal foi aberto para a retomadas das conversas com a cúpula nacional do PT sobre a corrida sucessória. Do contrário, o mandatário maranhense dificilmente se deslocaria para Brasília acompanhado do seu pré-candidato a governador e da presidente do Poder Legislativo sem um motivo político que, de fasto, valesse a pena. A posse do novo ministro das Relações Institucionais é, sem dúvida, um fato político importante para essa seara, à medida que ele pode atuar como um canal para a interlocução do comando do PT e do próprio presidente da República com o governador sobre sucessão no Maranhão.
O que está posto é o seguinte: o vice-governador Felipe Camarão, que representa uma parte do PT maranhense e o grupo que foi ligado ao então governador Flávio Dino, hoje ministro da Suprema Corte, acusa o governador Carlos Brandão de romper um acordo pelo qual ele seria o candidato grupo à sua sucessão. O governador Carlos Brandão, por sua vez, diz que não houve acordo algum, e argumenta as suas divergências com o grupo ligado ao ministro Flávio Dino levaram ao rompimento, daí a sua decisão de lançar Orleans Brandão candidato à sua sucessão, abrindo mão de concorrer ao Senado. De uma meses para cá a crise se agravou e o rompimento se consumou. O governador Carlos Brandão lançou tornou irreversível o projeto de candidatura de Orleans Brandão, enquanto Felipe Camarão apostou alto num posicionamento do PT e do presidente, que não veio até agora, o que vem fragilizando o seu projeto.
Não há dúvida de que o governador Carlos Brandão e a deputada-presidente Iracema Vale foram formalmente convidados para a posse do novo ministro das Relações Institucionais, e a participação deles no ato seria naturalíssima. A companhia do pré-candidato Orleans Brandão, porém, mudou todo sentido da presença do governador, ontem, em Brasília. Carlos Brandão tem articulado no sentido de convencer o PT e o presidente Lula da Silva de que esse caminho é irreversível, já que o vice-governador não quis renunciar para se candidatar a deputado federal e ao Senado. Ou seja, a essas alturas, uma mudança de cenário seria muito difícil, mesmo sendo a política espantosamente imprevisível.
Se o clima no Palácio do Planalto foi, de fato, o mostrado na imagem com o ministro José Guimarães, pode-se especular que a algo em andamento. Se não, permanece a tendência pró-Felipe Camarão.
PONTO & CONTRAPONTO
Ministério Público: Eduardo Nicolau vai concorrer à lista tríplice num confronto direto com Danilo Castro
O procurador de Justiça Eduardo Nicolau surpreendeu ontem o universo institucional do Maranhão, em especial o Poder Judiciário, ao anunciar que vai se inscrever para a lista tríplice por meio da qual promotores e procuradores escolherão os três nomes dentre os quais o governador Carlos Brandão escolherá e nomeará o novo chefe do Ministério Público. O atual PDG, Danilo Castro, deve ser candidato a novo mandato, como vem sendo “tradição” no MP estadual.
Feito por meio de uma mensagem dirigida a promotores e procuradores, o movimento de Eduardo Nicolau é revelador de que o MPE está mergulhado numa crise interna. Um dos motivos que ele alega para tentar voltar ao comando do Ministério Público é a percepção de que o MPE “atravessa um momento que exige reflexão, união e fortalecimento institucional, especialmente quanto à preservação da sua isenção, independência e credibilidade na sua missão constitucional de defesa da sociedade e da cidadania”.
O argumento atinge direta e francamente o atual PGJ, que deve ser candidato a novo mandato. Eduardo Nicolau, que foi procurador geral de Justiça por dois mandatos consecutivos, entre (2019 A 2023), se lança exatamente para quebrar essa “tradição”, por indicar problemas na atual gestão.
O ex-PGJ se dispõe a entrar na disputa de Um Ministério Público em crise, que foi aguçada e veio à tona e que foi aguçada com o explosivo vazamento de uma ação, que corria sob sigilo judicial, por meio da qual o PGJ Danilo Castro pedia o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT), apontado como suspeito de movimentação financeira “atípica”. O vazamento foi logo apontado como uma armação para atingir o vice-governador, tendo Danilo Castro sido acusado de participar do suposto conluio, suspeita que ganhou força porque ele não conseguiu explicar como o vazamento foi possível.
O fato é que o simples lançamento de Eduardo Nicolau para disputar o comando do Ministério Público foi suficiente para indicar que, por conta da força das correntes que ali atual, a sucessão do comando da instituição se torna imprevisível.
Eliziane atua para ganhar o apoio da militância petista na sua corrida à reeleição
Convidada pelo presidente Lula da Silva para ingressar no PT, fazendo questão de abonar sua ficha, a senadora Eliziane Gama tem agora um longo e desafiador trabalho pela frente: mobilizar a militância petista em torno da sua candidatura à reeleição.
Inicialmente, tudo indicava que o PT não lançaria candidato ao Senado no Maranhão. Se a aliança fosse mantida e o vice-governador fosse candidato a governador, como o partido acreditava antes do racha, o caminho os petistas provavelmente pulverizariam sua força apoiando o senador Weverton Rocha (PDT) e o ex-ministro André Fufuca (PP). Filiada ao PSD, Eliziane Gama seguiria o mesmo rumo de ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide, pré-candidato do PSD ao Governo, mas ela foi tratada com silêncio por ele e com hostilidade pelo seu irmão, o deputado Fernando Braide (PSB).
De volta ao PT depois de muitos anos, a senadora Eliziane Gama começa a trabalhar para ganhar o apoio da militância, certa de que seu nome ganha reforça dentro do partido. Com o aval de Lula da Silva, sua candidatura à reeleição deve se consolidar e se transformar numa prioridade petista no Maranhão.
Com esse suporte, Eliziane Gama avalia que terá cacife para brigar, de fato, por uma das cadeiras, podendo permanecer por mais oito anos na Câmara Alta.
São Luís, 15 de Abril de 2026.

