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Roseana Sarney pode enfrentar problemas sérios para montar a chapa majoritária que vai liderar

 

Roseana Sarney terá de montar chapa com João Alberto, Edison Lobão e Sarney Filho
Roseana Sarney terá de montar chapa majoritária com João Alberto, Edison Lobão e Sarney Filho  para as eleições de 2018

À medida que os ecos do anúncio da sua candidatura ao Governo do Estado começam a se dispersar, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) a se dar conta de que o seu projeto tem um entorno complicado e que vai precisar de muita conversa, habilidade e renúncia para que as peças nele envolvidas se acomodem sem maiores problemas. São dois pontos a serem resolvidos: a montagem da chapa de candidatos ao Senado e a escolha do candidato à vice. Aparentemente são decisões simples para um candidato com o poder e a influência e a força que ela tem no grupo que comanda. Mas nas entranhas do sarneysismo há uma série de interesses pendentes em jogo, que só serão solucionados com a montagem de uma chapa majoritária cuidadosamente negociada. Essa negociação envolverá os senadores Edison Lobão (PMDB) e João Alberto (PMDB), o deputado federal Sarney Filho (PV) e o suplente de senador Lobão Filho.

Mesmo em guerra aberta contra as acusações que o colocaram na mira da Operação Lava Jato – preço que paga por ter sido ministro de Minas e Energia nos Governos Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) – o senador Edison Lobão vem emitindo sinais cada vez mais claros de que é candidato à reeleição. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado e um dos políticos mais bem articulados do Maranhão, Lobão se movimenta para minimizar o desgaste e alimentar o seu cacife eleitoral. Há, porém, vozes dentro do Grupo que querem Lobão fora da disputa, mesmo sabendo que seu afastamento poderá minar gravemente o poder de fogo, sugerindo a sua substituição pelo suplente Lobão Filho. O senador se mostra indiferente a essas ondas e segue em frente como candidato.

O senador João Alberto tem sinalizado que está cansado da ponte-aérea São Luís-Brasília-São Luís, mas ainda não bateu martelo sobre o assunto. Em princípio, é candidato à reeleição, com a vantagem de que aparece bem nas pesquisas. João Alberto é homem de grupo e de sufocar um projeto pessoal em nome de outro que seja melhor para todos. Mas não aceita qualquer gesto movido pela intenção de descartá-lo. Nesse caso, vira um adversário duro, que todos no grupo respeitam. É provável que ele venha de fato a abrir mão da sua prerrogativa de candidato nato à reeleição. Mas isso terá de ser muito bem articulado.

Mesmo com o cacife de uma dezena de mandatos de deputado federal, com duas estadas prolongadas no Ministério de Minas e Energia, o que o torna um quadro qualificado, Sarney Filho entra na briga sem a garantia de que terá uma das vagas. Ele precisa que Edison Lobão ou João Alberto abra mão da sua candidatura. Já ouviu João Alberto declarar que em nome do grupo pode retirar sua candidatura a seu favor e tem recebido estímulos de aliados. O hoje ministro do Meio Ambiente enfrenta também o temor de parte do grupo de que dois Sarney numa chapa majoritária pode levar o eleitorado a fazer opção por um deles, o que lhe impõe um sério risco eleitoral.

São fatores de uma complicada equação que precisa ser montada por meio de uma delicada e cuidadosa articulação a ser comandada pela ex-governadora Roseana Sarney, certamente com o auxílio indispensável do ex-presidente José Sarney. E já sabendo que o deputado Sarney Filho vem apresentando sua candidatura como irreversível, Sarney, pai, deve resolver essa pendência com o senador João Alberto, que já teria sido sondado para ser candidato à vice, deixando, porém, a questão em aberto por enquanto.

Roseana Sarney sabe que as eleições de 2018 serão decisivas para o futuro do sarneysismo, que ainda abalado com a pancada de 2014, sabe o risco que corre nessa corrida se tomar decisões erradas. Como a de abraçar um projeto senatorial do ex-deputado Ricardo Murad, por exemplo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Palestra: Flávio Dino do que Lava Jato é “um imenso avanço”, mas alerta para os excessos

Flávio Dino: professor faz alerta para riscos ao Estado de Direito
Flávio Dino: professor faz alerta para riscos ao Estado Democrático de Direito em palestra para estudantes

A Operação Lava Jato está sendo “um imenso avanço” na luta contra a corrupção e no combate à “vergonhosa desigualdade” que ainda graça no Brasil. Mas a Lava Jato tem sido também  marcada também por muitos abusos e distorções que precisam ser corrigidas. Ao mesmo tempo, instrumentos judiciais – a delação premiada e a obstrução da Justiça -, instituídos recentemente, em lei cujo projeto foi por ele relatado quando deputado federal pelo PCdoB, estão sendo usados excessivamente abusivamente. Além disso, o excesso de judicialização impõe traumas ao estado de direito e coloca o Judiciário acima dos outros Poderes, empurrando a democracia para uma situação de risco.

Essas impressões, pronunciada no tom enfático dos convictos, foram feitas ontem pelo governador Flávio Dino em palestra sobre Direito Constitucional para estudantes de Direito da Uema, que realizam uma semana dedicada ao tema. O evento aconteceu em um dos auditórios da Assembleia Legislativa e terminou com o palestrante efusivamente aplaudido.

Bem à vontade e com uma fluência de professor de Direito Constitucional que é, e que sabe exatamente o que esta dizendo e onde quer chegar, o governador fez uma palestra em tom de alerta. Ele chamou atenção para o fato de que o excesso de judicialização tem sufocado e distorcido a função precípua do sistema judiciário brasileiro. E citou como exemplo fato de o Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte de Justiça do País, cuja função resolver pendências de natureza constitucional, já foi provocado para decidir sobre campeonato de futebol. Chamou, por outro lado, a atenção para o farto de que as instituições no Brasil estão em processo de ajustamento. E é natural que haja distorções e abusos, daí o alerta para que futuros advogados aprimorem seus conhecimentos e s apliquem com o verdadeiro senso de Justiça.

 

Saída de Jefferson Portela da corrida eleitoral é vista com lente distorcida

Jefferson Portela desiste de encarar as urnas
Jefferson Portela desiste de encarar as urnas

Muito alarde sobre a decisão do secretário de Segurança Pública, delegado Jefferson Portela, de não mais concorrer a uma vaga na Câmara Federal pelo PCdoB. Mesmo tendo arquivado o projeto por motivos pessoais – relacionados com problemas de saúde na família – o movimento de recuo do secretário foi imediatamente debitado na conta de outro candidato, o jornalista Márcio Jerry, presidente do PCdoB e secretário de Articulação Política e Comunicação, e, de longe, o mais influente integrante do chamado “núcleo duro” de assessores diretos do governador Flávio Dino (PCdoB). É verdade que havia uma discussão forte e às vezes áspera em relação à candidatura de Jefferson Portela, mas tudo indicava tratar-se de uma questão de lógica e de número.

O argumento atribuído a Márcio Jerry era o seguinte: teria o PCdoB, mesmo numa coligação forte, cacife eleitoral para eleger de uma tacada o deputado federal Rubens Jr., candidato à reeleição, Márcio Jerry de Jefferson Portela, ambos marinheiros de primeira viagem nas urnas? Partidários do secretário de Segurança argumentavam que seria possível sim, a eleição dos três. Mas outras vozes, usando a ponderação, avaliavam que um deles “dançaria” nas urnas se as três candidaturas fossem lançadas. E como não havia qualquer possibilidade de sacar Rubens Jr., que se tornou homem de proa no projeto de poder do governador Flávio Dino, nem Márcio Jerry, cuja candidatura está nas ruas desde que, ao ser empossado, o chefe do Executivo o transformou numa espécie de “homem forte” do seu Governo. A lógica fria que move os bastidores do poder apontou Jefferson Portela como o aspirante a ser descartado.

Militante de esquerda aguerrido desde o movimento estudantil, no qual atuou junto com Flávio Dino e Márcio Jerry nos anos 80 do século passado, Jefferson Portela cursou Direito e se tornou delegado de Polícia por concurso. tendo sido secretário de Segurança no Governo de Jackson Lago (PDT). Um dos quadros mais ativos do movimento político que levou Flávio Dino ao poder, Jefferson Portela tem legitimidade política de sobra para pleitear uma vaga de candidato no PCdoB. Sua saída do páreo, se de um lado alivia as tensões dentro do partido, por outro, o grupo diretamente ligado ao governador perde um quadro meio pavio curto, mas politicamente correto e bom de briga.

São Luís, 09 de Novembro de 2017.

Jereissati entrega presidência do PSDB a Rocha e secretaria geral a Sebastião Madeira; Brandão deve sair

 

Tassi Jereissati decidiu que Roberto Rocha e Sebastião Madeira comandarão o PSDB; Carlos Brandão deve sair
Tassi Jereissati decidiu que Roberto Rocha e Sebastião Madeira comandarão o PSDB; Carlos Brandão deve mudar de partido

Definido o caminho do PSDB do Maranhão. O partido agora está sob o comando do senador Roberto Rocha, que será nomeado presidente da Comissão Provisória a ser instalada ato contínuo à intervenção, tendo como secretário geral o ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira. Essa composição foi definida pelo presidente nacional do partido, o senador cearense Tasso Jereissati, e comunicada ao vice-governador Carlos Brandão, que permanecerá na presidência até a mudança ser consumada formalmente. A decisão de entregar a presidência do ninho maranhense ao senador Riberto Rocha foi negociada com o ex-prefeito Sebastião Madeira, que concordou com a fórmula, por entender que o comando se adequa melhor a Roberto Rocha, por ser ele o candidato escolhido do partido ao Governo do Estado. A batida de martelo estanca a crise no PSDB do Maranhão e define seu rumo a partir de agora, sendo o primeiro passo o rompimento total com a aliança que dá sustentação ao governador Flavio Dino (PCdoB) e a confirmação da candidatura do senador Roberto Rocha ao Palácio dos Leões.

A virada de mesa no ninho maranhense foi comunicada ao vice-governador Carlos Brandão na noite de segunda-feira, em Brasília, numa reunião com o presidente Tasso Jereissati. Brandão – que perdeu poder no partido com a derrocada do senador Aécio Neves, de quem era aliado – relacionou os avanços da sua gestão para permanecer no controle da agremiação tucana no estado, mas Jereissati foi taxativo e o comunicou que o comando será agora de Roberto Rocha – que participou do encontro – e Sebastião Madeira. Sem alternativa, o vice-governador entendeu que sua gestão chegara, de fato, ao fim, só lhe restando duas opções: permanecer no PSDB rompendo com o governador Flávio Dino e abraçando a candidatura de Roberto Rocha, ou sair do partido. Carlos Brandão e um grupo de prefeitos e vereadores deverão procurar outro pouso partidário.

O desfecho da crise no PSDB estava escrito nas estrelas. Era impossível, como ficou claro, a permanência do vice-governador Carlos Brandão no comando do partido sendo aliado de proa do governador Flávio Dino. Todas as evidências indicavam que, mesmo se Aécio Neves não tivesse sido tostado nas grelhas da JBS. Os tucanos vêm há tempos avisando que vão brigar pelo poder e elegeram o ex-presidente Lula da Silva (PT) e seus aliados, entre eles o governador Flávio Dino, como adversários a serem trucidados nas urnas. Para tanto, teriam de resolver suas diferenças internas e enquadras os braços regionais que eventualmente estivessem fora desse traçado. O Maranhão era o caso mais visível de “desvio” dessa linha, por encontrar-se alinhado ao governador Flávio Dino, o único chefe de Governo estadual do PCdoB, partido apontado como o mais duro adversário do PSDB depois do PT. Essa relação, cuja sobrevivência ninguém conseguia explicar, só era possível pela ação política firme do vice-governador Carlos Brandão.  Ele próprio tinha perfeita consciência de que, por conta da sua relação sólida com o governador Flávio Dino, sua permanência no comando do partido seria apenas de uma questão de tempo.

A troca de comando será formalizada provisoriamente nos próximos dias, para ser consumada na convenção nacional, no final deste mês, quando os tucanos elegerão o sua cúpula e definirão as diretrizes para a corrida eleitoral do próximo ano. Em relação ao Maranhão, além da troca da direção partidária, a decisão mais importante é o lançamento da candidatura do senador Roberto Rocha ao Governo do Estado. Na reunião em Brasília, o presidente tucano Tasso Jereissati teria comunicado ao vice-governador Carlos Brandão de que a candidatura do senador Roberto Rocha é irreversível e terá todo o apoio possível do partido.

Essa é a realidade do PSDB no Maranhão, que está saindo de uma tormenta para, enfim, encontrar o rumo agora definido com a troca de comando e a candidatura de Riberto Rocha ao Governo do Estado.

PONTO & CONTRAPONTO

Mudança no PSDB causa indefinição sobre o destino de quadros importantes do partido

Luis Fernando Silva e Sérgio Frota: situação delicada
Luis Fernando Silva e Sérgio Frota: têm situação delicada com mudança no ninho

A guinada no PSDB está definida, mas as turbulências internas ainda estão longe de chegar ao fim. Com essa mudança, ninguém sabe precisar qual será o tamanho do PSDB do Maranhão depois que todas as pedras se acomodarem. Para começar, o vice-governador Carlos Brandão deve deixar o partido acompanhado de pelo menos 18 dos 29 prefeitos eleitos pelo partido nas eleições do ano passado. Há quem avalie que a debandada será menor, mas o próprio vice-governador tem dito que com a sua sápida e a candidatura do senador Roberto Rocha o PSDB será esvaziado. Entre os prefeitos, o caso mais emblemático é o de Luis Fernando Silva, de São José de Ribamar, que até aqui tem declarado alinhamento com o governador Flávio Dino. Politicamente importante e eleitoralmente forte. Com a mudança, ainda que tenha relações próximas com Sebastião Madeira Roberto Rocha, Luis Fernando tende a permanecer aliado ao governador Flávio Dino, com quem tem mantido uma convivência politicamente tranquila e institucionalmente produtiva. Outra situação delicada é a do deputado estadual Sérgio Frota, que tem dito e repetido que não romperá com o governador Flávio Dino nem abraçará a candidatura do senador Roberto Rocha. Se mantiver essa posição, é muito provável que Frota venha a ser convidado a deixar o partido, ou se desligue antes de ser mandado embora. Nessa situação encontram-se vereadores, vice-prefeitos e líderes políticos que estão vaiando se permanecem ou vão possa do partido.

 

Encontro de Eliziane Gama e André Fufuca mostra ascensão da nova geração na política do Maranhão

Eliziane Gama e André Fufuca: nova geração se articula
Eliziane Gama e André Fufuca: nova geração se articula para as eleições

A visita que a deputada federal Eliziane Gama (PPS) fez ao deputado federal André Fufuca (PP), 2º vice-presidente da Câmara Federal, para discutir o quadro eleitoral, foi marcada um forte simbolismo. São dois políticos da nova geração em franca ascensão. Eliziane é um fenômeno eleitoral, apesar do tropeço impressionante na eleição para a Prefeitura de São Luís. Além de campeã de votos para a Câmara Federal em 2014, a deputada desponta em todas as pesquisas entre os nomes mais fortes para o Senado, deixando para traz, por exemplo, o deputado federal Weverton Rocha (PDT), praticamente consolidado como candidato ao Senado. André Fufuca é uma das revelações politicas mais expressivas da nova geração, já tendo, no seu primeiro mandato federal, chegado à presidência da Câmara Federal, uma proeza jamais alcançada por um parlamentar maranhense estreante naquela Casa. A conversa política de Eliziane Gama e André Fufuca é um fato que pode sugerir uma série de interpretações. A principal delas é que, com o resultado das eleições de 2014, o cenário político do Maranhão ganha novos desenhos, tendo o governador Flávio Dino como principal protagonista, o que abre caminho para o surgimento para a ocupação de espaço para políticos como o senador Roberto Rocha, os deputados federais Eliziane Gama e André Fufuca, e deputados estaduais como Eduardo Braide (PMN), Othelino Neto (PCdoB), Roberto Costa (PMDB),  Edilázio Jr. (PV), entre outros.

São Luís, 08 de Novembro de 2017.

Crise no PSDB do Maranhão é reflexo direto de um “racha” profundo no tucanato nacional

 

Carlos Brandão e Aécio Neves perderam para Sebastião Madeira e Tasso Jereissati
Carlos Brandão e Aécio Neves perderam para Sebastião Madeira e Tasso Jereissati

A crise por que passa o PSDB do Maranhão vai muito além de uma guerra pelo poder no ninho local, tendo de um lado o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, e o senador Roberto Rocha, e de outro o vice-governador Carlos Brandão. Essa peleja, ao contrário do que muitos imaginam, é reflexo direto de um racha abissal que agita e ameaça o futuro do tucanato, pondo em risco a mais forte expressão da principal corrente que prega uma estranha mistura de socialdemocracia política e liberalismo econômico, o que a posiciona como a principal força de combate às esquerdas no País. Nesse contexto, além da queda de braço pelo controle do partido no estado, está em jogo um projeto de poder do PSDB que passa pelo rompimento com o PCdoB e o saída dos tucanos da base de apoio do governador Flávio Dino. E a o ponto de confronto é exatamente a candidatura do senador Roberto Rocha ao Governo do Estado.

A crise intestina dos tucanos no plano nacional é fruto de um “racha” entre a corrente liderada pelo senador mineiro Aécio Neves e o grupo liderado pelo senador Tasso Jereissati. O vice-governador Carlos Brandão manteve o comando do partido enquanto Aécio Neves tinha força na cúpula do tucanato. Já Sebastião Madeira integra a ala ligada a Tasso Jereissati. Enquanto Aécio Neves esteve no trono e dava as cartas dentro do PSDB, Carlos Brandão segurou o controle firme do PSDB no Maranhão, mantendo-o na base do governador Flávio Dino. Nesse período, Sebastião Madeira, que é a maior liderança do PSDB no estado, foi mantido distante, quase isolado, mas esperando a hora de dar a volta por cima. A derrocada de Aécio Neves, transformado de uma hora para outra de líder máximo do tucanato e candidato a presidente da República em quase um pária dentro do PSDB, funcionou como uma bomba na base de poder de Carlos Brandão, que perdeu poder e agora vê o PSDB que montou ser desmontado e sem nenhuma chance de reação.

A orientação que está levando o PSDB a dar essa guinada tem como objetivo central colocar o partido como a força que vai liderar a corrida presidencial contra as esquerdas. E para isso, é necessário que os tucanos rompam todos os laços que tiverem com qualquer segmento de esquerda – exceto com o PPS, com o qual têm uma relação sólida. Essa orientação atinge direta e fortemente o PCdoB, e em especial o braço do partido no Maranhão, hoje o mais importante por conta da liderança alcançada pelo governador Flávio Dino, agora o seu quadro mais importante e promissor. Sob a orientação de Aécio Neves, o PSDB firmou e manteve a aliança com o PCdoB no Maranhão, tendo representante o vice-governador Carlos Brandão. Sob Tasso Jereissati, a ordem é romper com o PCdoB e com o projeto de Flávio Dino, e para isso mudará o comando estadual, por intervenção, já que não há qualquer possibilidade de Carlos Brandão seguir essa orientação do partido.

Apoiado pelo governador Flávio Dino, o vice-governador Carlos Brandão ensaia uma reação, desafia Sebastião Madeira a enfrentá-lo no voto, numa convenção do partido, mas sabe que a perda de poder no PSDB é irreversível e que seu caminho é mudar de partido. No contraponto, Carlos Brandão está ciente de que a direção do ninho dos tucanos maranhenses será assumida pelo ex-prefeito Sebastião Madeira, que vai comandar a campanha na qual o senador Roberto Rocha será adversário do governador Flávio Dino na disputa pelo Governo do estado.

Em resumo: a crise que sacode e muda os rumos no PSDB do Maranhão não é, portanto, uma quizila entre Carlos Brandão e Sebastião Madeira, mas o reflexo de uma guinada em que o partido está dando com vistas a se preparar para a guerra pelo poder central no ano que vem.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lançamento de musa do PCdoB ao Planalto pode criar embaraço ao governador Flávio Dino

Flávio Dino agora deve escolher entre Lula e Manuela D`Ávila
Flávio Dino agora deve escolher entre Lula e Manuela D`Ávila na corrida ao Planalto

O lançamento da deputada gaúcha Manuela D`Ávila como candidata do PCdoB à presidência da República no ano que vem pode criar um embaraço para o governador Flávio Dino, que até aqui tem se movimentado como incentivador de proa da candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT). A menos que seja uma estratégia com outros objetivos, o lançamento da musa comunista à sucessão do presidente Michel Temer (PMDB) contraria frontalmente a posição do governador Flávio Dino, que vem pregando a volta do ex-presidente ao poder, como ficou demonstrado no grande ato político, realizado em frente ao Palácio dos Leões, para marcar o encerramento da caravana do ex-presidente pela Região Nordeste, no início de setembro. Numa articulação feita por Lula, a banda do PT maranhense que estava aliada ao PMDB migrou para a base de apoio do governador Flávio Dino, e tudo indica que com chances de participar da chapa com a qual o governador brigará pela reeleição. Se a candidatura de Manuela D`Ávila for para valer, Flávio Dino terá de abandonar sua aliança com Lula para engajar-se na campanha da candidata do seu partido. E a menos que essa situação seja esclarecida com rapidez, o que só acontecerá com uma declaração do governador se posicionando sobre o assunto, a impressão que ficará será a de que ele não está alinhado com o projeto do seu partido.

 

Entra-e-sai de Zé Vieira causa mal-estar no TJ e má impressão fora dele

Ribamar Castro derrubou liminar de Cleonice Freire
Ribamar Castro derrubou liminar de Cleonice Freire no Caso de Bacabal

Vem causando mal-estar no Tribunal de Justiça e má impressão fora dele o entra-e-sai de Zé Vieira (PR) no cargo de prefeito de Bacabal por determinação judicial. Nenhum dos vários especialistas ouvidos informalmente pela Coluna encontrou fundamento na decisão da desembargadora Cleonice Freire de, durante um plantão, desfazer uma decisão da Justiça de afastar o prefeito do cargo por reconhecer que ele é ficha-suja e não deveria sequer ter concorrido à Prefeitura. O despacho da desembargadora – que já presidiu o Tribunal de Justiça – foi tão controversa que em menos de 48 horas foi desmanchada por um colega dela, desembargador José Ribamar Castro. De acordo com um dos especialistas ouvidos pela Coluna, a decisão da desembargadora tem pouca consistência jurídica, enquanto o despacho que a desmanchou está fundamentado em argumentos mais sólidos. O observador prevê que dificilmente o Pleno do Tribunal de Justiça mudará a decisão do desembargador José Ribamar Castro caso os advogados de Zé Vieira protocolarem – o que muito provavelmente farão, se já não tiverem feito – um agravo de instrumento, o último recurso possível nesse caso.

A conclusão dominante entre eles é a seguinte: Zé Vieira não mais será prefeito de Bacabal, nem Florêncio Neto (PHS) continuará vice e o substituirá. Essa chicana judicial vai terminar em pouco tempo. E o ponto final será colocado ela Justiça Eleitoral. Convencido pela Justiça Federal de que Zé Vieira tem contas rejeitadas e processos transitados e julgados por improbidade, que o tornam inelegível – ele não poderia ter sido candidato -, a Justiça Eleitoral certamente anulará os votos dados à chapa por ele liderada. Essa decisão poderá resultar em dois desfechos: declarar eleito o segundo colocado, no caso o deputado Roberto Costa (PMDB), ou convocar nova eleição em 30 dias. |O que vier a acontecer antes do posicionamento da Justiça Eleitoral será mera jogo-de-empurra.

 

São Luís, 06 de Novembro de 2017.

Guerra sucessória: Flávio Dino, Roseana Sarney e Roberto Rocha vão para o confronto direto pelo Palácio dos Leões

 

Flávio Dino, Roseana Sarney e Roberto Rocha vão para o confronto direto
Flávio Dino, Roseana Sarney e Roberto Rocha vão para o confronto direto na corrida pelo Palácio dos Leões 

A confirmação da candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) ao Governo do Estado, feita por ela própria em entrevista ao jornalista e blogueiros Gilberto Leda e publicada ontem em O Estado, define o primeiro time de candidatos ao Palácio dos Leões – já se lançaram o governador Flávio Dino (PCdoB), que busca a reeleição, e o senador Roberto Rocha, que ganhou a condição de candidato do PSDB ao se filiar ao partido há menos de um mês. Os três fecham as portas da disputa, porque dificilmente surgirá alguém com cacife político e eleitoral para invadir esse triângulo com alguma chance de viabilizar sua corrida. Roseana Sarney chega ao cenário sem causar muito frisson, exatamente porque estava sendo aguardada há muito tempo. A disputa, e claro, comporta outros candidatos, mas quem entrar a partir de agora será para fazer figuração. A confirmação da sua entrada, porém, define os rumos da disputa, fazendo com que ela, o governador e o senador comecem a medir seus passos e suas palavras de agora por diante. Nesse momento, o desenho da corrida coloca o comunista na liderança absoluta, a pemedebista em competitivo segundo, e o senador Roberto Rocha em terceiro, bem distanciado dos dois primeiros, mas com potencial para avançar.

Roseana Sarney explicou sua decisão como o resultado de uma série de consultas que fez às lideranças do Grupo Sarney e a aliados, além da análise de pesquisas. Entre os consultados está, claro, o presidente Michel Temer, que deve ter-lhe dado sinal verde para candidatar-se com o aval do PMDB e os principais caciques da agremiação e outros partidos com os quais pretende compor, como o DEM, por exemplo, hoje engajado na aliança liderada pelo governador Flávio Dino pelas mãos do deputado federal Juscelino Filho e do deputado estadual Stênio Rezende. A candidatura é anunciada também depois de a ex-governadora livrar-se de uma série de encrencas, como suspeitas de envolvimento em esquema na Petrobras, participação em suposto esquema que ficou conhecido como “Máfia da Sefaz”, e em recebimento, não confirmado de propina no rumoroso caso dos precatórios – nada foi encontrado que a ligasse aos supostos desvios.

Para anunciar sua decisão de entrar em confronto direto com o governador Flávio Dino, a ex-governadora Roseana Sarney certamente está respaldada em informações que a estimulam a correr o risco de perder uma eleição depois de já ter encerrado uma carreira eleitoralmente vitoriosa, na qual o único tropeço foi a derrota para Jackson Lago (PDT) em 2006. Ela vinha, de fato, sendo fortemente pressionada pelos principais líderes do Grupo Sarney, que estavam ficando sem norte na corrida às urnas, por só terem como alternativas projetos de altíssimo risco: repetir o empresário Lobão Filho (PMDB), lançar o senador João Alberto (PMDB), apostar na figura ascendente do deputado estadual Eduardo Braide (PMB) ou jogar todo o peso do grupo numa aliança com o senador Roberto Rocha. Risco por risco, ela resolveu corrê-lo, acreditando que poderá reduzir o tamanho da rejeição encontrada pelas pesquisas, seu verdadeiro calcanhar de Aquiles.

Tudo indica que a entrada da ex-governadora na briga sucessória não apanha o governado Flávio Dino, que vem há tempos ajustando seu discurso e sua estratégia levando em conta o “Fator Roseana”. Em todas as pesquisas que lhe chegaram às mãos até agora, contratadas ou não pelo PCdoB, Roseana Sarney aparece sempre em segundo lugar, navegando entre 25% e 30% das preferências do eleitorado. Não chega a ser uma ameaça consistente, mas é um projeto de peso, que não pode ser menosprezado e que exige atenção permanente. Mais ainda agora, que ela se lança embalada pela permanência do presidente Michel Temer no comando da Esplanada dos Ministérios e do Orçamento da República.

O fato é que agora, a 11 meses das eleições, o time básico de candidatos ao Governo do Estado está definido, indicando que esse cenário dificilmente terá seu desenho alterado por algum dado novo sobre a corrida pelo Palácio dos Leões. Isso significa que a partir de agora a corrida, ou melhor, o confronto ganhará tom mais grave e golpes mais fortes.

 

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ESPECIAL

“Vôos”, o disco feito com obras de mestres e que anunciou ao mundo a voz especial e o talento de Fátima Passarinho

Fátima Passarinho batendo asas na capa do seu "Vôos"
Fátima Passarinho batendo asas na capa do seu “Vôos”

Raro encontrar nos registros musicais do Maranhão uma joia tão especial quanto “Vôos”, primeiro disco da cantora Fátima Passarinho, a intérprete fora de série que usa sua voz rara com talento excepcional. Mesmo sendo o primeiro de uma série, que poderia guardar uma falha aqui ou um equívoco acolá, trata-se de é um disco completo. São 10 faixas com o que há de melhor na Música Popular Maranhense (MPM) produzida pelo gênio musical de César Teixeira, Chico Maranhão, Giordano Mochel, Sérgio Habibe e Josias Sobrinho. E todas genial e cuidadosamente embaladas com arranjos magistrais de Arlindo Pipiu cuja execução ficou aos cuidados do próprio e de instrumentistas de ponta. São poucos os documentos discográficos da MPM em que tudo é muito acima da média, diferenciados por uma voz tão diferenciada da sua protagonista.

“Vôos” não saiu de uma forma comum da produção musical, foi construído, peça por peça. Fátima Passarinho montou, ela própria, um repertório que daria peso e força a qualquer intérprete. Mas ela foi muito além de fazer um bom disco, que afirmasse o seu talento e o seu prestígio como cantora. Produziu um clássico. Conhecedora profunda da obra e da alma desses compositores, ele abraçou sucessos e garimpou pérolas mais discretas, guardadas no fundo do baú, mas que são suas caras. E deu a cada uma um tratamento especial, interpretando seus poemas com o tom de voz adequado, fugindo, com coerência, da tentação de exibir desnecessariamente os seus agudos impressionantes. Usou a versatilidade para encaixar sua voz em cada música, ou vice-versa.

Em “Cheguei garota”, por exemplo, Fátima Passarinho navega no grave para dar o peso que a toada de Chico Maranhão exige. Já no genial samba “Essas mal traçadas linhas”, de César Teixeira, a cantora dá o tom e o ritmo certos para mostrar a força da letra-poema. E em “Vestido Bordeaux”, Fátima Passarinho explora e esbanja todos os limites do seu talento e da sua voz especial, quase dando à canção a dimensão de uma ópera. E é assim em todas nas 10 faixas de “Vôos”, que se encerra com “Porco-Espinho”, uma das pérolas mais reverenciadas de Josias Sobrinho.

Na primorosa apresentação do disco, Lucia Lobato diz, com senso crítico e alguma poesia, que “Vôos” alça voz rara, mesclada com tonais líricos dentro de veias populares, inspiração de gente maranhense, da boa, que fala da sua terra, das alegrias e queixumes, poetando musicalidade. Seduz de pronto, aguçando o ´ouvir mais`, e quem não resiste sai dançando ou se balança sentado”.  E completa, acertando na mosca: “Tudo é obra e arte na interpretação na menina morena, ares brejeiros, nomeada Passarinho pela voz de Deus”.

“Vôos”, enfim, não é um disco comum, daqueles que nascem, vivem por algum tempo e desaparece. Ao contrário, é uma obra de proa da arte musical, que pode até andar sumida, mas tem qualidade e brilho para se eternizar. É um disco para ter e ouvir sempre, para voar também.

AS MÚSICAS

Cheguei garota – Nesse primeiro voo, Fátima Passarinho dá leveza e suavidade a uma das pérolas com que o genial Chico Maranhão engrandece o universo mágico das toadas que embalam os batalhões da IIha. Fátima Passarinho surpreende os que a conhecem pelos agudos que sua voz única alcança e que são a sua marca mais evidente, para interpretar o sotaque de matraca sem falsetes nem tentativas de impor uma versão sua. Respeita, com personalidade, a estrutura original da toada, o que acaba por se tornar uma versão forte e não planejada, imensamente enriquecida pelos arranjos de Arlindo Pipiu, que respeitam a base original de Chico Maranhão e ganham reforço no violão, do violoncelo de Thallyta Oliveira e da flauta de Zezé Alves. Sem fazer qualquer esforço vocal, a cantora preserva a essência da música, mas dá outra dimensão a esse clássico junino de Chico Maranhão.

Santa Luzia, Santa Rita e Santa Fé – Neste segundo voo, uma canção-poema de Giordano Mochel, composta ainda nos anos 70, quando artistas de São Luís descobriram as belezas do litoral maranhense desbravando o Atlântico em lanchas como a Santa Fé, a Santa Rita e a Santa Luzia, Fátima Passarinho usa apenas a leveza natural da sua voz, sem fazer qualquer tentativa de alterar a força do poema. Também nessa interpretação ela afirma sua personalidade que respeita a estrutura da música, e o resultado é uma versão bela e sem sobressaltos e que valoriza a canção de Mochel na medida certa. A voz de Fátima Passarinho cresce ainda mais sob o arranjo magistral do violão de Arlindo Pipiu e do violino de Junior Gaiato.

Doidinho – Fátima Passarinho voa certo nesse belo e desconcertante chorinho do genial César Teixeira. A cantora encara o desafio com a  tranquilidade de quem tem o dom de se encaixar em qualquer movimento nada previsível, como “o chorinho doidinho como numa gaiola feito passarinho”. A essa pérola, só construída por um talento com o César Teixeira, ganha na voz de Fátima Passarinho o polimento certo para o brilho ideal. E tão fora do comum como a estrutura e a interpretação de Fátima Passarinho são o violão de Arlindo Pipiu e o 7 Cordas de Domingos Santos, que dão a “Doidinho” o acompanhamento exigido por qualquer choro que se preze.

Do jeito que o diabo gosta – Nessa pérola de Sérgio Habibe e Raique Mackáu, que parece ter sido composta especialmente para ela mostrar seu talento e sua versatilidade como intérprete, Fátima Passarinho voa mais alto e solta a voz no seu agudo cortante. A embalagem melódica do belo poema de amor ganha densidade e dramaticidade quase teatral na interpretação de Fátima Passarinho, que dá tom e força a cada frase, como se estivesse no palco interpretando personagens. Os versos, a melodia, a força dramática da interpretação de Fátima Passarinho sem completam na tessitura dos arranjos de Arlindo Pipiu, fiel e belamente executados pelo maestro Hilton Assunção ao violão e Thallyta Oliveira ao violoncelo.

Nau Catarineta – O irretocável poema de César Teixeira, que fala de uma noite de um amor proibido numa perspectiva próxima ao realismo fantástico do realismo gabrielino, reforçado com o alerta aos amantes e a quem interessar possa que a Nau Catarineta, com suas tristezas e alegrias, está a caminho, ganha dramaticidade na medida certa na voz de Fátima Passarinho. Nesse voo, com a suavidade e o vigor adequados a cada verso, ela imprime beleza numa canção que exige muito do intérprete. No caso, a voz da talentosa intérprete ganha força com o arranjo primoroso de Arlindo Pipiu, que cuida das cordas (violão e baixo acústico).

Essas mal traçadas linhas – Mais um samba de primeiríssima qualidade da lavra de César Teixeira, um poema musicado ao qual Fátima Passarinho dá a dimensão certa com sua voz especial. E o trata mergulhando sem medo e com domínio absoluto no sempre desafiador sentimento que é a saudade, agora descoberto com a metafórica leitura de mãos por elas mesmas. Fátima Passarinho interpreta com fidelidade rigorosa a beleza desse poema, cantando-o com a elegância do que César Teixeira o escreveu. Tudo isso embalado pelos belos arranjos da flauta de Zezé Alves, pelo baixo acústico de Pipiu e pelo poderoso violão 7 Cordas de Domingos Assunção.

Madre-Deus – Fátima Passarinho dá vida nova a esse samba de Giordano Mochel, também avaliando que provavelmente nenhum outro traduziu a magia da Madre-Deus como esse samba de Mochel, composto em meados dos anos 70, quando a elite cultural de São Luís começou a compreender a importância da alma artística e boêmia daquele pedaço de São Luís, que tem a autenticidade de “outra nação”. Imprimindo o ritmo e a cadência certos, e embalada pelo eficiente 7 Cordas de Domingos Santos e pelo trombone comovente de Osmar do Trombone, Fátima Passarinho faz de Madre-Deus uma referência, uma marca.

Vestido Bordeaux – Parece que a dupla Sérgio Habibe-Raique Mackáu compuseram essa maravilha poético-sonora para que Fátima Passarinho pudesse explorar à vontade todas as sedutoras facetas da sua voz especial. Mais do que isso, em Vestido Bordeaux ela exubera o seu talento exibindo os mais diferentes vieses do seu canto, dando uma surpreendente aula de como uma cantora pode declamar um poema, imprimindo dose certa de dramaticidade a cada verso. Sua interpretação se torna mais tocante com a poderosa retaguarda dos acordes do violoncelo de Thallyta Oliveira.

Biana – Fátima Passarinho dá o tom certo na interpretação de mais esse poema musicado da safra produzida por Mochel no final dos anos 70. Motivada por um arranjo que começa com a força de uma densa e competente percussão afro do criativo Jeca e na cobertura forte do violoncelo de Thallyta Oliveira, Fátima Passarinho canta como se estivesse declamando num recital. Dá aos versos como “Se a linha é língua sobre o mar, marcam a vela…” a força dramática ideal.

Porco-Espinho – Na homenagem a Josias Sobrinho, Fátima Passarinho interpreta esse baião-arrochado, uma pérola que tem força de manifesto ecológico focado na fauna, com força e equilíbrio. Com acompanhamento simples, mas vigoroso, do cavaquinho de Chico Newman e da sanfona de Rui Mário, que serve de plataforma para a sua interpretação, Fátima Passarinho também é perfeita nesse voo e dá vida à genial aventura do reino animal de Josias Sobrinho, um clássico da MPM.

Vale registrar que além dos músicos já citados, deixaram suas marcas neste “Vôos” Jair Torres (violão de aço), Antonio Paiva (contrabaixo), Osmar do Trombone (trombone), Cleyston Moreira (flauta) e Pial (percussão).

Em Tempo: “Vôos” é o terceiro disco de uma série que visa registrar as impressões do colunista sobre registros do que há de melhor da MPM. O primeiro foi “Shopping Brazil”, a obra-manifesto de César Teixeira, e o segundo foi “Milhões de uns”, obra forte do craque de Joãozinho Ribeiro.

São Luís, 04 de Novembro de 2017.

Flávio Dino faz política madura e eficiente ao firmar aliança com Ildon Marques em Imperatriz

 

Ildon Marques (e) e Flávio Dino firmam aliança na posse de Frederico Ângelo
Ildon Marques (e) e Flávio Dino aliança na posse de Frederico Ângelo

A aliança política que colocou no mesmo campo o governador Flávio Dino (PCdoB) e o empresário Ildon Marques, ex-interventor e ex-prefeito de Imperatriz causou reações diversas. Aliados do governador e do ex-prefeito festejaram o fato como um lance político de peso para os dois, enquanto adversários de Flávio Dino e ex-aliados de Ildon Marques criticaram duramente o governador e tentaram triturar o ex-prefeito. A verdade indiscutível é que o episódio produziu dois fatos surpreendentes e incontestáveis: de um lado, numa jogada de político tarimbado, o governador Flávio Dino reforçou expressivamente seu cacife em Imperatriz e na Região Tocantina como um todo ao atrair para a aliança governista um político regional da estatura do ex-prefeito Ildon Marques; de outro, ao aliar-se ao governador, o ex-prefeito de Imperatriz deu uma inequívoca demonstração de que é um político independente, que faz as suas próprias escolhas sem ter de dar satisfações a quem quer que seja nem se dobrar a patrulhamento. Se a aliança vai ser produtiva e duradoura, essa é outra conversa. E não há que discutir sobre a legitimidade política dos dois para se aliarem.

Empresário de ponta no comércio, com negócios que vão do supermercado ao agronegócio e que tem como carro-chefe a rede de lojas Liliani, com ramificação no Maranhão, Pará, Tocantins, Goiás, Piauí e Ceará, o que faz dele dono de uma das grandes fortunas da região e, ao mesmo tempo, Ildon Marques – que é também um homem de visão de mundo abrangente – milita na política quase que por diletantismo, não sendo, portanto, um político profissional, que depende de mandatos para se bancar. E foi assim quando começou,  tentando, sem sucesso, ser deputado federal constituinte em 1986, e em seguida como candidato a vice-governador na chapa de João Castelo em 1990. Já era conhecido por sua independência quando em 1995 foi nomeado interventor em Imperatriz ela então recém empossada governadora Roseana Sarney (PMDB), que o escolheu para livrar a Prefeitura do controle do crime organizado, na época sob influência do ex-prefeito e ex-deputado Davi Alves Silva.

Em 2015, Ildon Marques, um capitalista por convicção e profissão, sempre açoitado pelas esquerdas, surpreendeu os meios empresarial e político ao atender ao convite do senador Roberto Rocha assumido saiu de um longo recolhimento para atender a convite do senador Roberto Rocha para filiar-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e de novo candidatar-se a prefeito de Imperatriz. Ficou em segundo lugar – o eleito foi Assis Ramos (PMDB). Mais recentemente, não se sentiu à vontade do ingresso do senador Roberto Rocha no PSDB e, por essa via, unir-se ao seu maior adversário, o ex-prefeito Sebastião Madeira, Ildon Marques rompeu com o senador. Nesse contexto, poderia tranquilamente refazer sua aliança com o Grupo Sarney e apoiar o projeto ainda impreciso da ex-governadora Roseana Sarney, decidiu surpreender novamente e dar uma guinada ainda mais radical do que a de filiar-se ao PSB: aliou-se ao governador Flávio Dino, de quem fora adversário ferrenho até pouco tempo. E com isso reafirmou sua independência e mostrou que está vivo e que pretende encarar as urnas em 2018.

O governador Flávio Dino deu uma demonstração de inteligência e pragmatismo políticos ao costurar a aliança e consolidá-la ao criar a Agência Metropolitana do Sudoeste do Maranhão, um órgão de planejamento, acompanhamento e fiscalização, entregando-a a Frederico Ângelo, indicado pelo ex-prefeito Ildon Marques, que com a experiência de interventor e prefeito duas vezes, conhece como pouco os problemas urbanos de Imperatriz e dos municípios da região. Com isso, passou a ter a seu favor uma voz que era duramente crítica a ele e ao seu Governo, e poderá auferir desse lance dividendos eleitorais importantes na Região Tocantina. Afinal, ainda que não esteja mais no auge do seu prestígio. Ildon Marques continua sendo uma voz eleitoralmente poderosa e influente, principalmente em Imperatriz.

A Oposição, claro, sentiu a pancada e joga pesado para minimizar o fato, mas seus líderes sabem que a aliança do governador Flávio Dino com o ultra capitalista Hildon Marques foi um tiro certeiro vai fazer a diferença, principalmente em Imperatriz, ainda que a Prefeitura esteja sob o comando do PMDB.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha aproveita contra-ataque de aliados de Flávio Dino para ampliar espaço na corrida sucessória

Roberto Rocha reafirma questionamento no Senado
Roberto Rocha reafirma questionamento contra Flávio Dino na tribuna Senado

Estava escrito nas estrelas: a reação dura e ampla das algumas das principais vozes que integram o “núcleo duro” do governador Flávio Dino, batendo forte no senador Roberto Rocha (PSDB) por ter ele sugerido, na CPMI da JBS, que o então candidato a governador Flávio Dino teria recebido dinheiro ilegal do grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista, hoje presos, e sido protegido pelo vice-procurador geral da República, Nicolao Dino, “braço direito do então procurador geral da República, Rodrigo Janot”, teria um preço elevado. A reação empurrou o senador tucano, que é candidato ao Governo do Estado pelo PSDB, para o centro do campo de batalha onde é travada a guerra pelo Palácio dos Leões.

Claro está que Roberto Rocha atacou na CPMI, aproveitando uma transmissão de TV ao vivo ara todo o Brasil, contando com a reação dos generais do governador, para alimentar o assunto, dando-lhe a importância que pretendia dar. E com o silêncio da ex-governadora Roseana (PMDB), que ainda não sabe se será candidata ao Governo, Roberto Rocha ocupou todo o espaço destinado aos adversários de Flávio Dino e investiu como se fosse uma corrida já polarizada. A estratégia deu certo, tanto que o senador tucano reverberou o ataque na tribuna do Senado, agora bem mais enfático, dando ao seu questionamento, que ganhou cor de acusação, um tamanho eu ele não teve quando feito na CMPI.

É claro que o governador Flávio Dino ficou incomodado com o ataque do senador Roberto Rocha, mas é certo também que esse incômodo não tirou do eixo, porque, de acordo com a afirmação dos seus aliados o chefe do Executivo nada deve e por isso, nada teme.  O problema é que o senador Roberto Rocha parece ter convicção de que sua candidatura ao Governo do Estado será turbinada por sai campanha, que irá para o tudo ou nada. Os responsáveis pelo contra-ataque devem se preparar para reagir, sob pena de abrir mais espaço o para o atacante.

Especial

Programa de compras fortalece agricultura familiar e melhora a alimentação escolar em São José de Ribamar

Frutas e legumes comprados de pequenos produtires
Produtos  comprados de pequenos produtores rurais

À exemplo do que acontece nas mais diferentes áreas, a produção de alimentos destinados às escolas passa por um processo de melhoria e eficiência com a ponte que liga diretamente, sem intermediários, os produtores e os centros de consumo. O elo é o programa Compra Local Municipal, por meio do qual Prefeitura de São José de Ribamar, via Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semagri), vem fazendo uma pequena revolução no desenvolvimento da agricultura familiar e da pesca artesanal.

Os números são estimulantes: somente neste ano, o Compra Local já aplicou R$ 450 mil na compra direta da produção agrícola familiar. O programa, que aplica recursos próprios exclusivamente do município,  para compra de alimentos, fortalece a economia das famílias dos agricultores e pescadores artesanais, também garante a segurança alimentar das crianças e adolescentes das 107 escolas do Município.

Todo o investimento, que até o momento corresponde a 624,94%, em relação ao total gerado em 2016, que não ultrapassou a casa dos R$ 71.000,00 mil reais, reflete não apenas no aquecimento econômico do setor, como também vem garantindo a expansão dos negócios de pequenos agricultores.

Os recursos, da receita própria do própria do município, já alcançaram 277 agricultores com a compra direta de mais de 67 toneladas de alimentos por eles produzidos só neste ano. O prefeito Luis Fernando explica que o investimento retorna não apenas no movimento da economia local, mas reflete na qualidade e em condições dignas para o aprendizado dos alunos.

“A compra da produção é uma forma de incentivar a agricultura familiar, mas tudo é feito obedecendo a critérios rigorosos, que vão desde o plantio, à colheita, além do transporte, que é feito de forma a não comprometer os produtos”, explicou o prefeito Luis Fernando, chamando atenção para o fato de que os alimentos saem das áreas de produção direto para as escolas, sem intermediário, e que isso vem se refletindo na melhoria do aprendizado dos alunos. E mais: o que não é consumido nas escolas segue para o programa Cozinha Escola e para entidades filantrópicas, escolas comunitárias e instituições que cuidam de pessoas vulneráveis.

O secretário de agricultura, Isaac Buarque de Holanda, reitera que o objetivo é incentivar cada vez mais o plantio assistido dos agricultores como forma permanente de produção local. “Temos uma agricultura forte que precisa ser estimulada cada vez mais. E é exatamente isso que o prefeito vem fazendo”, disse o secretário. (Com ASCOM/SJR)

São Luís, 02 de Novembro de 2017.

Flávio Dino mantém silêncio sobre a escolha dos dois candidatos a senador que apoiará em 2018

 

Flávio Dino avalia em silêncio os movimentos de José Reinaldo, Weverton Rocha, Eliziane Gama, Waldir Maranhão e Hilton Gonçalo rumo ao Senado
Flávio Dino avalia em silêncio os movimentos de José Reinaldo, Weverton Rocha, Eliziane Gama, Waldir Maranhão e Hilton Gonçalo rumo ao Senado

O governador Flávio Dino (PCdoB) ainda não bateu martelo sobre os dois nomes que ele e a aliança que lidera apoiarão na corrida ao Senado no ano que vem. Ele não disse claramente que o deputado federal Weverton Rocha (PDT) é candidato consumado do grupo, mantém silêncio sepulcral em relação à candidatura do ex-governador e atua deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB), dá a impressão de ter uma leve simpatia pela deputada federal Eliziane Gama (PPS), mas não confirma o suposto compromisso de apoiar a (improvável) candidatura do deputado federal Waldir Maranhão (PTdoB) a pedido do ex-presidente Lula, e parece desconhecer totalmente a possibilidade de o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), vir a ser candidato a senador. Esse clima de completa indefinição por parte do governador Flávio Dino vem deixando os pré-candidatos com os nervos à flor da pele diante da incerteza de que farão parte da chapa na qual o governador será candidato à reeleição. E enquanto a definição não vem, os aspirantes vão tentando viabilizar suas candidaturas no campo político para em seguida tentar viabilizá-las no campo eleitoral.

O deputado federal Weverton Rocha é, de longe, o mais arrojado e determinado candidato do campo liderado pelo governador Flávio Dino. É líder inconteste do PDT e sempre alinhado ao Governo, mas sem abrir mão da sua total independência e liberdade de ação, como ficou demonstrado nas eleições municipais de 2016, quando contrariou a orientação do PCdoB e impôs sua escolha, como aconteceu em Imperatriz, onde o projeto de eleger Rosângela Curado (PDT) fracassou de maneira retumbante. Compensou, porém, o fracasso tocantino com a reeleição maiúscula do prefeito Edivaldo Jr. (PDT) em São Luís. Weverton Rocha vem concentrando sua ação política no projeto senatorial, que já declarou irreversível, ainda que as pesquisas estejam indicando sérias dificuldades eleitorais. Há quem diga nos bastidores que o governador Flávio Dino não bateu martelo por Weverton Rocha porque não foi convencido pelas pesquisas.

O ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares é o mais bem situado dos candidatos do campo político governista, podendo contar com o apoio de mais de uma centena de prefeitos, entre eles o de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB), que atua como articulador desse projeto. O governador Flávio Dino mantém silêncio quase obstinado sobre o projeto senatorial do ex-governador, mas já é evidente que o que os separa são fortes as diferenças programáticas, situação que tem dificultado o relacionamento político entre eles. José Reinaldo afirma que sua candidatura ao Senado é para valer e que até aqui não há como revê-la. Nesta semana, o deputado José Reinaldo avisou que nada o afastará do governador Flávio Dino.

A pré-candidatura do deputado federal Waldir Maranhão ao Senado é um caso excepcional, por que parece furta-cor, fumacenta e inconsistente, segundo tem mostrado as mais diferentes pesquisas. Ela só existe porque o parlamentar, a pedido do governador, tomou decisões radicais a favor da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), tendo sido avalizada pelo ex-presidente Lula (PT), que estaria disposto a apoiá-la durante a campanha eleitoral propriamente dita. Ainda assim, o governador Flávio Dino se mantém fechado, sem assumir aberta e claramente tal projeto.

Uma grande expectativa está sendo formada sobre qual será a posição do governador Flávio Dino em relação à deputada Eliziane Gama (PPS), que vem despontando nas pesquisas como nome forte para a Câmara Alta. Corre nos bastidores que ele estaria inclinado a declarar-lhe apoio junto com Weverton Rocha. Eliziane Gama admitiu várias vezes a possibilidade de se candidatar ao Senado, mas estaria aguardando um sinal mais forte por parte do chefe do Executivo para se posicionar de maneira definitiva.

Politicamente forte e ativo, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, tem soltado evidências de que está interessado em entrar na briga por uma das vagas de senador. O projeto, no entanto, não ecoou na seara governista.

Um político influente e com trânsito Palácio dos Leões avalia que não há por parte do governador Flávio Dino qualquer sentimento de rejeição em relação a nenhuma das candidaturas de aliados ao Senado e que seu silêncio se explica com o fato de ele estar avaliando a consistência de cada uma, para poder fazer as escolhas mais viáveis. Faz sentido.

 

PONTO E CONTRAPONTO

 

Othelino Neto reage a Roberto Rocha e diz que ele queria fazer “negociatas” no Governo

Othekini Neto dispara chumbo grosso contra Roberto Rocha
Otheiino Neto:  chumbo grosso contra Roberto Rocha

Em mais uma evidência de que a guerra sucessória começou de vez, outra voz de peso do PCdoB reagiu forte às declarações com as quais o senador Roberto Rocha (PSDB) levantou, na CPMI da JBS, a suspeita de que o governador Flávio Dino teria sido beneficiado com dinheiro doado da empresa dos irmãos Batista na campanha de 2014 e que seu nome teria sido retirado de uma pista de 16 governadores por pressão do seu irmão, o vice procurador-geral da República Nicolau Dino. Na rota e no tom das reações de dois pesos pesados do PCdoB maranhense, o secretário Márcio Jerry (Assuntos Políticos e Comunicação) e deputado federal Rubens Jr. (vice-líder da bancada do PCdoB e principal porta-voz do governador maranhense na Câmara Federal), o 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa classificou de “irresponsável” a atitude do senador tucano, e afirmou que ele se afastou do grupo governista porque o governador Flávio Dino o teria impedido de “fazer negociatas” no Governo.

O deputado Othelino Neto (PCdoB) fez, na tribuna do Legislativo, um duro e indignado discurso contra o senador Roberto Rocha. “Vi, mais uma vez, espantado, a irresponsabilidade do senador Roberto Rocha. Numa cena em que parecia desconectado da realidade, ele dava a entender que estava em transe. Resolveu tirar, sei lá de onde, essa declaração irresponsável. Isto não apareceu em nenhuma delação, não foi suposto por ninguém, apenas por ele, num ato que expressa ódio, destempero, despreparo e arrogância de quem se arvora da imunidade parlamentar para caluniar pessoas de bem”, comentou Flávio Dino.

Segundo Othelino Neto, o ataque a Flávio Dino porque o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de inquérito para apurar possíveis irregularidades cometidas na campanha de Roberto Rocha ao Senado, com base em denúncia feita pelo seu concorrente,  Gastão Vieira (PMDB). O inquérito, de número 4610, do Supremo Tribunal Federal (STF), que está tramitando em segredo de Justiça, apura possíveis  irregularidades na prestação de contas, inclusive supostas falsificações de documento, o que poderá comprometer seriamente o senador.

Para Othelino Neto, em devaneio, Roberto Rocha pretendeu atribuir este inquérito ao governador Flávio Dino, como se ele tivesse poder de influenciar naquilo que propõe o procurador-geral Rodrigo Janot. “A irresponsabilidade realmente é de espantar. Mas o político que sugeriu, que difamou, no caso da JBS, especificamente, é o mesmo que votou contra as medidas cautelares que haviam sido determinadas pelo Supremo Tribunal Federal para serem aplicadas contra o senador Aécio Neves em razão das relações estranhas, possivelmente, espúrias com a JBS”, assinalou. Disse também estranhar que o senador Roberto Rocha, que não deixou que um colega seu, do PSDB (Aécio Neves), fosse investigado, agora queira “jogar lama” em quem tem uma vida limpa. “É muita irresponsabilidade, é muita leviandade, é pena que o Maranhão tenha um senador desse quilate”, afirmou.

No seu revide, Othelino Neto afirmou que Roberto Rocha nunca conseguiu superar o fato de ter chegado ao governo do Estado. “Na cabeça do senador, o fato dele ser filho de um ex-governador dava-lhe o direito de ser governador, antes dos outros. Ele falava sempre que tem fila, como se a fila fosse algo hereditário, porque a cultura política do senador é a oligárquica que o povo já enterrou. Então, ele nutre isso, essa angústia, esse recentemente”, comentou.

E concluiu com uma afirmação bombástica, a de que Roberto Rocha teria sido impedido por Flávio Dino de fazer negociatas no Governo: “O governador Flávio Dino não permitiu que ele fizesse negociatas no governo do Maranhão, porque não aceita que ninguém o faça. E se esse era o preço para que ele continuasse aliado do governador e no nosso campo político, que ele vá para lá!”

 

Projeto amplia exigência de servidores em cargos comissionados do Tribunal de Justiça

Cleones Cunha vê homenagem a servidores no projeto
Cleones Cunha vê homenagem a servidores no projeto aprovado na AL

A Assembleia Legislativa deu um passo decisivo para evitar o apadrinhamento funcional no Poder Judiciário ao aprovar, terça-feira (31), o Projeto de Lei nº 280/2017, que, alterando outros dispositivos legais, assegura que amplia a exigência de que só servidores da instituição podem ocupar cargos de confiança na estrutura funcional do Poder Judiciário.

Na mensagem que encaminhou à Assembleia Legislativa, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Cleones Cunha, afirma que justifica a proposta explicando que a medida amplia a acessibilidade aos cargos, funções e empregos públicos, estabelecendo que as funções de confianças devem ser exercidas, exclusivamente, por servidores ocupantes de cargos efetivos e os comissionados (direção, chefia e assessoramento), nos casos e condições e percentuais mínimos previstos em lei.

“Assim, em homenagem ao princípio da moralidade administrativa, e visando o reconhecimento e a valorização dos servidores de carreira do Poder Judiciário, submeto à apreciação do presente projeto de Lei, para o qual solicito precioso apoio à aprovação”, afirma o desembargador Cleones Cunha.

Ele acrescenta na Mensagem que a proposta apresentada foi devidamente submetida e aprovada pelo Pleno do Tribunal de Justiça, em sua sessão do dia 2 de agosto do corrente, deliberando, também, sob o envio da pertinente mensagem à Assembleia Legislativa.

“Cabe acentuar que a aprovação do projeto em apreço não causará aumento de despesas com pessoal (GND1) por parte do Poder Judiciário, tendo em vista que a ocupação do cargo em comissão, por servidor efetivo, é mais econômico ao Poder Judiciário”, declara o presidente do TJMA. (Assessoria da Assembleia Legislativa)

São Luís, 01 de Novembro de 2017.

Deflagrada a guerra sucessória: Rocha ataca Dino em CPMI e Jerry e Rubens Jr. reagem com chumbo grosso

 

Roberto Rocha ataca Flávio Dino, e é atacado por Márcio Jerry e Rubens Jr.
Roberto Rocha ataca Flávio Dino, e é atacado por Márcio Jerry e Rubens Jr. deflagrando a guerra pela sucessão

Se alguém ainda acreditava na possibilidade de, pelo menos, uma convivência do tipo “cada um para seu lado e vida que segue” entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e o senador Roberto Rocha (PSDB), estava errando feio. E a confirmação desse erro veio ontem, quando Roberto Rocha aproveitou reunião da CPMI da JBF & JFS, da qual é titular, perguntou ao depoente do dia, o ex-diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, se o governador Flávio Dino integra a lista de 16 governadores que receberam dinheiro do grupo em 2014. E como Saud preferiu invocar o seu direito de ficar calado e mergulhar no silêncio, Rocha fez o ataque explosivo: dizendo que o governador Flávio Dino seria o 16º da lista, mas que o nome dele foi retirado por pressão do vice-procurador geral da República, Nicolau Dino, um dos braços direitos do ex-procurador geral, Rodrigo Janot. As afirmações do senador Roberto Rocha causaram forte repercussão no meio político e foram recebidas no Palácio dos Leões como uma declaração de guerra.

E a resposta não demorou, e veio em manifestações contundentes feitas pelo secretário de Assuntos Políticos e Comunicação e presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry, e pelo deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), na forma de um discurso indignado na Câmara Federal.

O secretário Márcio Jerry disse, via rede social, que Roberto Rocha “aparentando desequilíbrio, faz acusações  absurdas a Flpavio Dino  numa tentativa desesperada de aparecer. Em 2012, ajudamos a eleger o Roberto Rocha (então no PSB) a vice-prefeito de São Luis na chapa de Edivaldo Jr. (então no PTC) acreditando numa regeneração política. Mostrou-se rapidamente em processo de degeneração”. E prosseguiu afirmando que “depois de trair vilmente seus aliados, Roberto Rocha resolve mentir desavergonhadamente. O desespero o faz cometer tais desatinos”. Logo em seguida, o deputado federal Rubens Jr. entrou nas redes sociais afirmando que “tem gente que procura uma mácula de corrupção contra o governador Flávio Dino, mas não acha. Aí inventa delírio”. O parlamentar assinalou que “as principais virtudes do Flávio Dino são a integridade e a honestidade, marcas também do seu Governo”. E concluiu: “Já vi gente reclamando dessas virtudes, por ter interesses contrariados”.

O episódio – que com certeza terá outros desdobramentos, principalmente se o vice-procurador geral da República Nicolau Dino resolver reagir – é revelador de que o que era troca de esticadas por conta do afastamento político ganhou agora a agressividade de guerra permanente. Esse estado de ânimo foi desenhado no dia em que o senador saiu do PSB – dizem que por pressão do governador Flávio Dino – e ingressou no PSDB para ser logo após o anúncio da mudança. Mas a troca de biscas e cascudos ganhou peso de vale-tudo ontem, quando o senador Roberto Rocha, aproveitou a reunião da CPMI da JBS & JFS, que estava sendo transmitida ao vivo pela TV Câmara, tentou um golpe para desnortear o governador Flávio Dino, incluindo-o no listão de beneficiados com a grana suja de Joesley e Wesley Batistas, mafiosos que ganharam milhões com dinheiro fácil do BNDES. Não obteve a declaração que queria, e como que num impulso para não perder o mote, acusou o governador, instalando e tornando irreversível o estado de guerra.

Ficou claro agora que, ao contrário do que muitos acreditaram, o senador Roberto Rocha está vivo, reforça seu cacife político no Planalto e manifesta clara disposição de ocupar um lugar destacado na corrida ao Palácio dos Leões. O problema é que, saído da escola ranheta do movimento estudantil, traquejado na militância na magistratura e pós-graduado no Congresso Nacional e nos bastidores da política maranhense, o governador Flávio Dino tem cacife para jogar pesado contra o senador, podendo também infernizar a sua campanha e, pelo menos até aqui, sem comprometer o seu favoritismo.

O fato é que a guerra sucessória começou de vez. O senador Roberto Rocha, com a força do mandato e a retaguarda da cúpula nacional do PSDB, vai jogar pesado para se tornar a “segunda” e não a “terceira via”. Terá pela frente um protagonista de quilate elevado, poder de fogo imensurável e determinado a levar em frente o seu projeto de poder.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Liminar faz Zé Vieira voltar ao cargo, mas não muda o desfecho que está a caminho

Zé Vieira volta ao cargo por mais um período de interiniudade
Zé Vieira volta ao cargo por mais um período de interinidade  em Bacabal

Na sua edição de ontem, a Coluna previu que Zé Vieira (PR) não voltaria para o comando da Prefeitura de Bacabal, que ficaria com o vice-prefeito Florêncio Neto (PHS) até que, com base em pronunciamento judicial irreversível enquadrando-o como “ficha-suja”, a Justiça Eleitoral decida se anula os votos da sua chapa e declare o candidato Roberto Costa (PMDB), que ficou em segundo lugar, vencedor do pleito, ou anule a eleição para prefeito e convoque um novo pleito. Não há como fugir desse desfecho. A liminar concedida pela desembargadora Cleonice Freire é uma decisão fragilíssima e meramente protelatória, que em nada muda o juízo já formado na Justiça Federal sobre o “status” de inelegível de Zé Vieira. Qualquer advogado especialista em Direito Eleitoral com relativo conhecimento acerca dos processos que correm um na Justiça comum e outro na Justiça Eleitoral dirá que tecnicamente não há como Zé Vieira e Florêncio Neto permanecerem no comando administrativo e político de Bacabal depois do reconhecimento da condição ilegal com que o primeiro disputou a eleição. Vale lembrar que tudo começou quando o Ministério Público Eleitoral impugnou a candidatura de Zé Vieira argumentando ser ele “ficha-suja”, dando origem à chicana recursal que resultou na confirmação da denúncia do MPE pela Justiça Federal. Os fundamentos do impedimento de Zé Vieira estão amarrados nas duas frentes judiciais e a batida final de martelo sobre sua saída é somente uma questão de tempo. Ele e seus advogados sabem disso.

 

Otimista, Levy Pontes buscará a reeleição certo de que o Maranhão está  mudando sob Flávio Dino

Levy Pontes vê mudança na política
Levy Pontes vê mudança na política maranhense

As mudanças na legislação eleitoral impostas com a reforma política limitada feita pelo Congresso Nacional vão melhorar os padrões de escolha do eleitorado. Isso porque a campanha será mais rápida e mais barata e obrigará os candidatos a “enfiar o pé no tênis e encarar o eleitor”. Quem faz essa avaliação é o deputado Levy Pontes (PCdoB), que encara com realismo e otimismo, mas sem ilusões, a sua caminhada em busca da reeleição. Médico por formação e profissão e filho do ex-prefeito de Chapadinha e ex-deputado estadual Pontes de Aguiar, uma das maiores raposas da história recente da política maranhense, Levy Pontes vai partir para a conquista do segundo mandato com um discurso claro e realista, baseado principalmente nos resultados do Governo Flávio Dino em todo o estado e, em particular, na região polarizada por Chapadinha, seu berço político e sua principal base eleitoral. O parlamentar chapadinhense está convencido de que sob o Governo Flávio Dino o Maranhão encontra-se sob um denso processo de mudança que está melhorando a feição social e econômica do estado e com ações de largo alcance social, especialmente nas páreas de educação e saúde, e que isso está sendo percebido pelo eleitorado. O deputado Levy Pontes, que já foi líder do Governo na Assembleia Legislativa e permanece como um dos quadros mais ativos da bancada governista vai para a corrida eleitoral embalado pelo otimismo.

São Luís, 31 de Outubro de 2017.

Rosário: pesquisa sobre sucessão mostra força de prefeitos e disputa dura entre Flávio Dino e Roseana Sarney

 

Flávio Dino e Roseana Sarney sentem a força de Irlahi Morais e Hilton Gonçalo em Rosário
Flávio Dino e Roseana Sarney sentem a força de Irlahi Morais e Hilton Gonçalo na corrida sucessória estadual em Rosário

Aliados da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) comemoram o fato de ela ter aparecido 3,7% à frente do governador Flávio Dino (PCdoB) na preferência do eleitorado de Rosário, na disputa pelo Governo do Estado, parecendo não levar em conta que aquele pedaço da Região do Munin é politicamente excepcional, tanto que o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB) aparece em terceiro lugar com 17%, nada parecido com o resto do Maranhão. Essa dianteira, que mais sugere um empate técnico, foi encontrada pelo instituto Conceito no dia 17 de setembro, quando foram entrevistados 280 eleitores rosarienses de diversas idades. Os números encontrados pelos entrevistadores do instituto Conceito sob re as preferência do eleitorado daquela cidade foram os seguintes: Roseana Sarney com 32,2%, Flávio Dino com 29,5%, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), com 17%, o senador Roberto Rocha (PSDB) com 6,2%, e a ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (Podemos), com 1,4% – não souberam responder 5,5% e 8,2% anulariam o voto. Lembrando que a margem de erro é de 3%, podendo a ex-governadora chegar a 36,2% ou a 30,2%, e o governador a 32,5% ou a 26,5%.

Para começo de conversa, o peso dos principais candidatos a governador – Flávio Dino, que tentará a reeleição, e Roseana Sarney, que provavelmente tentará voltar ao Palácio dos Leões mostra Rosário tem um eleitorado com os pés no chão e decidiu polarizar a disputa entre o governador e a ex-governadora, mas deixando no ar que têm uma solução regional, que é o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo. Os rosarienses, como os bacabeirense e os santa-ritenses, votam cada vez mais mal humorados com candidatos a governador, movidos por duas tremendas decepções coletivas, a derrocada escandalosa do polo industrial de confecções de Rosário, na segunda metade dos anos 90 do século passado – que ainda gera consequências, e o escandaloso fiasco em que se transformou o sonho de ver aquela região tornar-se polo petrolífero, com a implantação da gigantesca refinaria Premium I.

O que faz com que Roseana Sarney ainda tenha uma boa perspectiva eleitoral em Rosário é o poder de fogo da prefeita Irlahi Morais (PMDB), que com o apoio do senador João Alberto, do deputado federal João Marcelo e do deputado estadual Roberto Costa, transformou o Rosário numa espécie de cidadela pemedebista, tornando-se linha de frente no projeto que prevê a candidatura da ex-governadora ao Palácio dos Leões. Sem o apoio decisivo da prefeita pemedebista, que se reelegeu quebrando uma nefasta sequência de prefeitos destrambelhados que não passaram de um mandato, a ex-governadora Roseana Sarney talvez fosse batida por Hilton Gonçalo. E governador Flávio Dino tem condições de virar o jogo, e o fará com mais facilidade se conseguir, como espera, fincar as bases de um complexo mais realista de refino de petróleo em Bacabeira, como está sendo alinhavado.

No que diz respeito ao terceiro lugar do prefeito santa-ritense Hilton Gonçalo (17%) na preferência dos rosarienses, trata-se de um fenômeno localizado no pedaço do Munin que reúne Rosário, Bacabeira e Santa Rita, onde ele parece consolidado como o maior líder. Não há como não enxergá-lo como tal depois da proeza que protagonizou de voltar à Prefeitura de Santa Rita com quase 80% votos, eleger a mulher, Fernanda Gonçalo (PMN), prefeita do município de Bacabeira (17 mil habitantes), e a irmã, Irene Gonçalo), em Pastos Bons (19 mil habitantes), uma cidade referência no sertão maranhense. E no caso, vale repetir, não fosse a prefeita Irlahi Morais, provavelmente Hilton Gonçalo estaria disputado em Rosário com Flávio Dino.

Não se trata de inibir a comemoração dos partidários da ex-governadora Roseana Sarney com o “gostinho” isolado de vê-la à frente do governador Flávio Dino. Mas, vale repetir, Rosário é uma realidade completamente à parte no contexto dos municípios maranhenses, sujeita a mudanças. Por isso ninguém duvida de que, diante desses números, o governador Flávio Dino vai jogar pesado para melhorar o seu desempenho e virar o jogo. Sabendo que com a movimentação da prefeita Irlahi Morais, com o PMDB mantido no poder central e seus representantes maranhenses com acesso fácil ao Palácio do Planalto e à Esplanada dos Ministérios, o jogo ali deve endurecer e poderá surpreender a favor de um dos lados.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Zé Reinaldo segue construindo base e ganha apoio enfático do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB)

Zé Reinaldo embalado por Tema Cunha e Rubens Jr.
Zé Reinaldo embalado por Tema Cunha e Rubens Jr. durante encontro em S. Mateus

Ao mesmo tempo em que se defronta com incompatibilidades política e ideológica com o governador Flávio Dino (PCdoB), o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares (ainda no PSB, mas a caminho do DEM) vai se movimentando e construindo uma base de apoio político ampla e consistente à sua candidatura ao Senado e que deverá, no momento certo, ganhar sua expressão eleitoral. Na noite de sábado, José Reinado foi alvo, em São Mateus (40 mil habitantes), do 2º Encontro da Gratidão, organizado pelo prefeito Miltinho Aragão  (PSB) – o primeiro aconteceu há três meses em Tuntum, organizado pelo refeito e presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB), um dos mais entusiasmados apoiadores do projeto senatorial do ex-governador. Foram a São Mateus vários prefeitos, entre eles Tema Cunha, 25 prefeitos da região e o ex-prefeito Chico Leitoa (Timon), representando o comando do PSB.

Além do presidente da Famem, a presença mais forte no evento de São Mateus foi a do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), cujas palavras para justificar o evento foram de uma precisão política exemplar:

“É mais do que justo  esse pleito do ex-governador José Reinaldo por tudo o que ele representa para o nosso campo político no Maranhão. Sem o apoio do governador José Reinaldo, não teria surgido Flávio Dino,  Jackson não teria sido eleito em 2016 e a história não teria sido do jeito que foi. Ele já se sacrificou várias vezes. Em 2010 perdeu uma eleição em que todos nós fomos derrotados. E em 2014 ele recuou para uma candidatura de deputado federal para que pudéssemos apoiar um outro candidato a senador. Agora em 2018 acreditamos que chegou a hora de o José Reinaldo ser o senador de todos nós”.

 Florêncio Neto assume como prefeito de Bacabal, mas sabe que não ficará no cargo

Florêncio Neto: prefeito provisório
Florêncio Neto: prefeito provisório

A posse do vice-prefeito Florêncio Neto (PHS) no cargo de prefeito Bacabal ocupando temporariamente o espaço formal e político aberto com o afastamento – tudo indica definitivo – do prefeito Zé Vieira (PR) é o desfecho previsto do imbróglio cuja etapa decisiva só acontecerá quando a Justiça Eleitoral disser como será a etapa final do processo eleitoral naquele município.

O agora prefeito Florêncio Neto sabe que, salvo por uma distorção judicial, não continuará no cargo. Pelo simples fato de que a confirmação de que Zé Vieira é ficha suja certamente levará a Justiça Eleitoral a explodir a chapa na qual foi eleito como vice. A Justiça Eleitoral só tem duas alternativas possíveis ao reconhecer formalmente a inelegibilidade de Zé Vieira: anular os votos da chapa por ele liderada e empossar o deputado estadual Roberto Costa (PMDB), que assim passa a ser o primeiro colocado, tornando-se prefeito em definitivo, ou convocar uma nova eleição para prefeito de Bacabal, nesse caso tendo o presidente da Câmara Municipal como prefeito interino.

É essa a etapa final do roteiro. Qualquer coisa fora disso será mero jogo para ganhar tempo, mas sem nenhum efeito prático. Nada mais.

São Luís, 30 de Outubro de 2017.

Conflitos ideológicos afastam José Reinaldo de Flávio Dino e atingem fortemente partidos de esquerda

 

José Reinaldo, Roberto Rocha, Ricardo Murad e Raimundo Cutrim: exemplos de contradição ideológica
José Reinaldo, Roberto Rocha, Ricardo Murad e Raimundo Cutrim: exemplos importantes de contradição ideológica

Nenhuma fala do governador Flávio Dino (PCdoB) indicou até agora o motivo pelo qual ele tende a não apontar o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB) como um dos nomes que disputarão as duas cadeiras no Senado pela aliança governista em 2018. Nos bastidores, na crônica política, nas artérias da blogosfera e nas rodas de conversa estabeleceu-se a convicção de que o grande empecilho à unção do ex-governador como candidato da Situação são as suas posições alinhadas à direita no plano nacional – votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), duas vezes pela permanência do presidente Michel Temer (PMDB), a favor da reforma trabalhista e tende a apoiar a reforma da Previdência, entre outras posições -, mesmo se mantendo leal ao governador e às linhas gerais do seu Governo. O caso é, provavelmente, o mais revelador da celeuma partidária que transformou a realidade política brasileira numa espécie de geleia geral, na qual as escolhas partidárias se dão mais por conveniência e instinto de sobrevivência do que pela opção por um projeto para o País.

Quatro casos exemplificam bem essa confusão que escancara a falta de uma cultura política e partidária no país e que, pelas distorções que essa carência promove, torna o cenário partidário nacional um caso raro de uma contradição que se reflete nos movimentos da política do Maranhão.

O primeiro e mais importante envolve o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares, ainda filiado ao PSB, sem que em nenhum momento da sua vida política tenha mostrado qualquer traço de simpatia, por mais leve que fosse, pelos postulados da esquerda. As posições assumidas por José Reinaldo no Congresso Nacional são a própria tradução da sua plena identificação com o liberalismo, que representa a face mais democrática e moderna da direita, que rejeita qualquer postulado como a defesa intransigente da propriedade, a liberdade de mercado, a livre empresa, o conceito pleno de lucro e a redução da presença do Estado no processo econômico, postulados inaceitáveis, em diferentes medidas, pelo governador Flávio Dino e pelo comando nacional do PSB. O ex-governador já registrou, com bastante clareza, que não pretende afastar-se da aliança política do governador, mas foi igualmente claro ao afirmar também não mudará suas posições liberais, as quais defende como princípios. Além do mais, José Reinaldo tem demonstrado alinhamento político com o Governo do presidente Michel Temer, o que incomoda profundamente o Palácio dos Leões. O conflito de posições causou e alimenta o distanciamento, num processo em que não existe culpado, bandido ou mocinho e que se resolve quando um deles – no caso José Reinaldo – encontrar o seu quadrado partidário. Por conta das contradições ideológicas, o nó que está dado, e se José Reinaldo não procurar sua turma, terá de rever seu projeto, já que, a menos que haja um recuo radical por parte do governador Flávio Dino, ele dificilmente será candidato pela aliança governista.

O segundo exemplo está na contradição ideológica que embalou o senador Roberto Rocha até pouco tempo. As posições liberais assumidas pelo senador foram fator decisivo para o seu afastamento e rompimento com o governador Flávio Dino e da sua saída do PSB e retorno ao ninho dos tucanos, no qual se encaixa com perfeição. Roberto Rocha nasceu politicamente no seio da direita, na vertente sarneysista do valente e autêntico ex-líder estudantil, ex-vereador de São Luís, deputado estadual, ex-deputado federal, ex-prefeito de Balsas e ex-governador do Maranhão Luiz Rocha, também advogado e grande produtor rural, introdutor entusiasmado do agronegócio no estado, DNA ideológico que cedo ou tarde tornaria inviáveis sua permanência no PSB e sua condição de figura de proa no núcleo de comando na aliança comandada pelo governador. O rompimento foi, portanto, uma consequência natural de uma incompatibilidade de berço, reforçada com outros fatores, como a legítima e saudável ambição politica de cada um.

Os dois exemplos que se seguem são ao mesmo tempo ilustrativos e contundentes dessa contradição que alimenta a imprecisão da face e da essência de partidos de esquerda – porque, curiosamente, não há esquerdista “militando” em partido de direita. O primeiro: é muito difícil compreender que o deputado Raimundo Cutrim tenha se tornado um quadro do PCdoB. Delegado federal de carreira, que atuou fortemente nos anos de chumbo, quando a Polícia Federal foi usada pela ditadura para caçar e varrer do mapa político nacional militantes da esquerda, Raimundo Cutrim entrou na política pelas entranhas do sarneysismo com o qual rompeu e acabou ingressando no movimento liderado pelo governador Flávio Dino, tornando-se apenas uma voz e um voto governista na Assembleia Legislativa, sem qualquer traço de identificação com a matriz ideológica do partido ao qual está filiado ninguém sabe exatamente por que. O quarto exemplo: será possível que o ex-deputado Ricardo Murad – político nascido no berço de ouro do sarneysismo, recém-filiado ao PRP, tenha comandado o PSB e defendido teses socialistas no Maranhão? Saído do velho PDS no final dos anos 90 do século passado, depois de romper com o Grupo Sarney, abrigou-se no PSB, que se encontrava sem norte no Maranhão e cujo comando assumiu com estardalhaço, depois de encantar o respeitado deputado federal José Carlos Sabóia, à época o principal líder do partido no estado. Seu perfil claramente de direita não se encaixou no partido, como não se encaixaria depois no PDT. Voltou ao seu quadrado de origem.

Nesse contexto, impressiona que o ex-governador José Reinaldo, que terá portas abertas em qualquer agremiação partidária do centro e da direita insista em permanecer no PSB amargando as restrições que agora lhes são feitas e que se refletem com muita força no seu relacionamento cada vez mais frágil com o governador Flávio Dino que, tudo indica, dificilmente o anunciará como seu candidato a senador.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bacabal: Justiça afasta Zé Vieira e TSE deve cassá-lo, empossar Roberto Costa ou convocar nova eleição

Zé Vieira e Florêncio Neto devem sair. Roberto Costa na expectativa
Zé Vieira e Florêncio Neto devem sair. Roberto Costa aguardando decisão do TSE

O Maranhão político e a parte mais antenada do eleitorado acompanham o tenso e imprevisível desenrolar da guerra judicial pelo comando da Prefeitura de Bacabal, cujo desdobramento mais recente foi o afastamento do prefeito Zé Vieira e a providência da Câmara Municipal de convocar o vice-prefeito Florêncio Neto (PHS) para assumir o cargo, mas a convicção o alcançou sob o impacto de uma tragédia familiar (a morte do seu filho), causando um incômodo hiato de acefalia na gestão municipal.

A guerra em curso em Bacabal é travada, de um lado, pelo prefeito eleito e agora afastado Zé Vieira (PR), que lidera um grupo pesado que reúne pesos pesados da política local, como o ex-prefeito José Alberto e o deputado estadual Carlinhos Florêncio (PHS), que é pai do vice-prefeito Florêncio Neto, e de outro pelo deputado estadual Roberto Costa (PMDB), candidato do grupo liderado pelo senador João Alberto (PMDB) e segundo colocado na disputa.

A guerra se dá em duas frentes judiciais, uma na Justiça Eleitoral, alimentada por ação do Ministério Público Eleitoral que impugnou a candidatura de Zé Vieira argumentando que ele é ficha-suja, seguindo-se uma sucessão de recursos, de modo que a decisão está na agulha do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a outra frente na Justiça comum e que, após a sucessão de recursos, chega à confirmação de que Zé Vieira é mesmo ficha suja e não pode ser prefeito, aliás, não poderia sequer ter sido candidato. O primeiro desfecho foi a ordem judicial (Justiça comum) afastando Zé Vieira e mandando o presidente da Câmara Municipal empossar o vice-prefeito, o que deve ser feito hoje ou amanhã.

Na frente eleitoral, o TSE vai decidir a qualquer momento se cassa ou não a chapa de Zé Vieira e assim o despacha junto com o vice-prefeito Florêncio Neto. É quase certo que decidirá pela cassação diante da confirmação da Justiça comum que Zé Vieira é ficha suja. Nesse contexto, a decisão esperada é se, cassada a chapa de Zé Vieira-Florêncio Neto, o cargo será entregue ao segundo colocado, deputado Roberto Costa, ou será empossado interinamente o presidente da Câmara Municipal e convocada nova eleição em 90 dias. O que for dito fora desse cenário é artimanha destinada a beneficiar um ou outro envolvido na peleja.

Uma pendência está resolvida: ainda que venha ser beneficiado por recurso improvável, Zé Vieira dificilmente voltará ao cargo, podendo ser considerado fora do jogo. E a julgar por tudo o que foi apurado e decidido até agora no âmbito da Justiça Eleitoral, uma avaliação simples e isenta sugere que o vento está soprando a favor do deputado Roberto Costa, embora seja também provável a convocação de nova eleição.

 

Wellington diz que se Fufuca e o PP quiserem, ele será candidato a governador ou a senador

Wellington do Curso vai seguir a orientação de André Fufuca
Wellington do Curso vai seguir a orientação de André Fufuca na corrida eleitoral

“Se o PP e o André Fufuca quiserem, eu posso ser candidato à reeleição, a governador e a senador. Só não aceito ser candidato a deputado federal, para não disputar votos com André Fufuca (presidente do partido), que é meu líder, o cara politicamente mais correto que encontrei na política do Maranhão”. A declaração, feita em tom enfático, revelou o estado de ânimo do deputado estadual Wellington do Curso (PP) em relação ao seu futuro político imediato. Ao mesmo tempo, amenizou a impressão da Coluna de que estivesse amargando um processo de isolamento por conta das suas posições duramente críticas em relação ao Governo do Estado. Na conversa aberta e direta, Wellington do Curso causa a impressão de que a reaproximação do PP com o Palácio dos Leões, ao contrário do que muitos imaginam, não o coloca em situação delicada no partido nem refreiam suas investidas contra ações do Governo, que considera impróprias ou inadequadas. “Estou bem, e sinceramente não estou preocupado com eleição. Devo ser candidato à reeleição, mas não sou apegado a cargo e estou a disposição do partido e do meu líder André Fufuca. Vamos conversar. Se ele e o partido acharem que eu deva ser candidato à reeleição, eu serei. Se acharem que eu deva ser candidato a senador, eu serei. Mas se acharem que eu deva ser candidato a governador, eu serei. Não tem problema nenhum”, diz, com surpreendente firmeza em se tratando de um político jovem em ano eleitoral. Wellington do Curso não tocou no assunto, mas não consegue esconder que o seu grande projeto é disputar a Prefeitura de São Luís em 2020, acreditando que até lá terá ampliado e consolidado o espaço político e eleitoral que conquistou sozinho na eleição de 2016, quando bateu a casa dos 100 mil votos e foi o terceiro colocado na disputa em São Luís enfrentando o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e o deputado Eduardo Braide (PMN). Vale, portanto, acompanhar com atenção os próximos passos de Wellington do Curso.

São Luís, 28 de Outubro de 2017.