Todos os posts de Ribarmar Correa

Como previsto, PSDB e MDB se unem para tentar fragilizar Flávio Dino, que reage chamando o grupo de “máfia”

 

Guerra sucessória: Flávio Dino enfrenta agora a aliança entre Roberto Rocha e Roseana Sarney
Guerra sucessória: Flávio Dino enfrenta agora a aliança entre Roberto Rocha e Roseana Sarney , que devem se unir

Estava escrito nas estrelas que cedo ou tarde o PSDB, liderado pelo senador Roberto Rocha, e o MDB, que representa a linha de frente do Grupo Sarney e do projeto eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney, uniriam suas forças contra o governador Flávio Dino (PCdoB). E a brecha que ambos esperavam para estreitar as relações e formar um bloco informal da Oposição apareceu com a lambança engendrada nos escalões intermediários da Polícia Militar, que deu aos chefes oposicionistas a oportunidade que esperavam para sentar à mesma mesa e traçar estratégias para minar o poderoso cacife político do governador Flávio Dino e das forças que lidera. Roseana Sarney, Roberto Rocha e, correndo por fora, Eduardo Braide (PMN), resolveram tirar o máximo de proveito possível dessa situação esdrúxula, tentando colocar sobre Flávio Dino a carapuça de “chefe stalinista”, mesmo sabendo que ela não lhe cabe e que o episódio se esgotará rapidamente e acabará como item secundário a ser mencionado na campanha eleitoral. Fazem, com toda legitimidade, o jogo padrão de quem está por baixo e usa os recursos possíveis, para mudar de posição. O problema, no caso, é que o governador Flávio Dino é um adversário diferenciado, muito preparado e, portanto, duro na queda, nem um pouco parecido, por exemplo, com o ex-governador Jackson Lago (PDT).

O vamos-dar –as-mãos do MDB e do PSDB foi escrito nas estrelas quando o senador Roberto Rocha decidiu deixar o PSB, rompendo com a esquerda, e retornar ao ninho dos tucanos, acomodando-se numa posição de centro-direita, perfeitamente identificada com a do Grupo Sarney. Não o fez como estratégia pessoal, mas por orientação nacional. Primeiro, porque o presidenciável tucano Geraldo Alckmin precisará de um palanque no Maranhão, e depois, porque PSDB e PMDB estão juntos na tormenta do Governo do presidente Michel Temer (MDB). Todas as evidências apontam para uma aliança unindo os dois partidos em algum momento da guerra pelo Palácio do Planalto, e, por via de desdobramento, pelo Palácio dos Leões. Há quem diga que essa união será formada logo agora, com o MDB indicando o vice do tucano Geraldo Alckmin, com Roseana Sarney recebendo um vice tucano. Natural, portanto, que PSDB e MDB se juntem agora na tentativa de frear o embalo do líder comunista rumo à reeleição. O ingresso do ex-governdor e deputado federal José Reinaldo Tavares no PSDB foi a senha mais evidente de que a aliança tucano-emedebista seria apenas uma questão de tempo.

Roberto Rocha e Roseana Sarney enxergaram – ela primeiro, ele em seguida – no suposto esquema de xeretagem a oportunidade para se unirem. Num primeiro momento, a aliança deverá ser informal, com PSDB lançando Roberto Rocha ao Governo do Estado, e o MDB, Roseana Sarney, com o objetivo de dividir a massa eleitoral, torpedear a possibilidade de o governador Flávio Dino de se reeleger no primeiro turno, e levar a eleição para um segundo turno. E nesse caso, o beneficiado terá o apoio do derrotado. Os emedebistas fazem de conta que “isso não existe”, embora os fatos e os movimentos desenhem exatamente esse cenário. Não é sem razão que, recém convertidos ao tucanato, os deputados Graça Paz e Wellington do Curso encontram-se no pelotão de frente do estratagema, assinando os pedidos de Intervenção Federal na área de Segurança Pública do Maranhão e de CPI para investigar o caso, propostos pela Oposição.

Se a Oposição encontrou na lambança da PM uma brecha para atacar e firmar uma aliança ainda informal de MDB e PSDB, O Governo está cuidando de transformar o limão em limonada. E o diferencial desse confronto é exatamente o governador Flávio Dino, cujas credenciais – advogado, ex-juiz federal e deputado federal e titular de um Governo sem mácula – lhe dão substância política, de modo que dificilmente ele escorregará numa casca de banana tão primária, que até aqui só garante aos opositores o direito de fazer grande zoada. Diante dos ataques, feitos por deputados oposicionistas nos mais diversos canais de pressão, o governador tem reagido com palavras duras, classificando de “máfia” os seus adversários, e avisando que não tem medo “desses demônios”. Na Assembleia Legislativa, seus aliados jogam “pesado” contra as ofensiva oposicionistas, tornando o clima animado e, às vezes, tenso, no parlamento estadual.

Os próximos estágios da corrida eleitoral mostrarão se a união MDB-PSDB terá a força que seus chefes estimam e se o governador Flávio Dino continuará explodindo os mísseis adversário em pleno ar, como tem acontecido até aqui.

 

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Braide não assinou pedidos de intervenção nem de CPI; só pediu para ouvir oficiais da PM

Eduardo Braide: só pediu em requerimento para ouvir oficiais da PM
Eduardo Braide: só pediu em requerimento para ouvir oficiais da PM

O deputado Eduardo Braide (PMN) pediu à Coluna um espaço para fazer três esclarecimentos a respeito do seu envolvimento no movimento criado pela Oposição em reação à suspeita de xeretagem política pela Polícia Militar. O primeiro: ao contrário do que foi divulgado, ele não assinou o pedido de intervenção federal na Segurança Pública do Maranhão. O segundo: não apôs sua assinatura no requerimento que propõe a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito. Terceiro: sua única iniciativa nesse caso é o requerimento propondo que oficiais da PM sejam ouvidos pela Assembleia Legislativa. Ele acha que o caso “é muito grave”, mas avalia que antes de qualquer contra o Governo do Estado, “é fundamental ouvir os oficiais, que podem dar todas as explicações sobre o assunto”. O parlamentar deixou no ar dúvidas sobre se apoia ou não os pedidos de intervenção e de instalação de CPI, afirmando que só tomará decisão nesse sentido depois de ouvir oficiais sobre a “ordem de espionagem”. Candidato a candidato ao Governo do Estado, Eduardo Braide deixa no ar a impressão de que está alinhado à Oposição no caso, mas só entrará de cabeça, ou não nesse caso, depois de ouvir o depoimento dos oficiais da PM.

 

Nina Melo propõe mais ações para combater violência contra a Mulher

Nina Melo fala em defesa da Mulher na tribuna da Assembleia Legslativa
Nina Melo fala em defesa da Mulher na tribuna da Assembleia Legislativa

Pouco afeita à tribuna, dedicando o seu mandato a ações políticas nos bastidores, a deputada Nina Melo (MDB) fez ontem um pronunciamento para defender uma política mais ampla e efetiva em defesa da Mulher, manifestando também solidariedade à advogada Ludmila Rosa, violentamente agredida pelo companheiro, que se encontrava no Plenário, acompanhada de advogadas. Segue, na íntegra, o pronunciamento da parlamentar emedebista:

Senhoras Deputadas, e Senhores, Deputados, saúdo, de maneira especial, a Doutora Ludmila Rosa e a Doutora Ananda Farias, presidente da Comissão da OAB, mulher e advogada. Sejam muito bem-vindas à Casa do Povo. Todos os representantes de classes das mulheres do Maranhão. Senhor Presidente, estou aqui hoje para me solidarizar ao caso Ludmila, essa jovem colinense, de 27 anos, que teve a sua vida complicada por um fato que aconteceu e que foi repercutido em rede estadual. Ela está aqui no plenário, caros colegas, representando todas as mulheres maranhenses vítimas de violência doméstica. Eu estou aqui para dedicar a minha voz, como sempre, em defesa das Ludmilas, das Marianas, das Marias e das Joanas, para que se faça justiça. Ludmila, você é um exemplo a ser seguido. Parabéns pela sua coragem em denunciar o seu agressor. Parabéns por buscar os seus direitos e conte conosco sempre. Esta Casa Legislativa, que é a Casa do Povo, está aqui para divulgar ainda mais esse caso. Seu medo, sua dor, sua angústia, sua vergonha dói na nossa carne. Nós que acreditamos na justiça acima de tudo, estamos aqui para lutar por ela. Sabemos que ultimamente muitos casos de violência doméstica vêm sendo repercutidos. Casos de feminicídio, a cada duas horas, no Brasil, uma mulher é morta por feminicídio. Parece que estamos em um campo de extermínio. São um milhão e duzentos casos, novos casos no ano de 2016, casos que estão sendo investigados com relação à violência doméstica. E esses casos nós sabemos, Doutora Ananda, que são muito inferiores ao real, ao número real de mulheres que estão sob risco e estão sendo subjugadas. Então fiz uma moção em defesa do caso Ludmila, que serve de aviso para todos os casos das mulheres maranhenses. E gostaria de contar com os 42 deputados desta Casa, que subscrevessem essa moção reafirmando o nosso compromisso com a mulher maranhense e o nosso compromisso com o cumprimento da Lei Maria da Penha. Esse caso especificamente abre um precedente gigante, porque conversando com a Doutora Ananda e ela me dizia que compromete toda uma rede de confiança de proteção à mulher. Isso é muito sério, porque a mulher que vem andando fazer a denúncia ao seu agressor, que vai a um Fórum, a uma Delegacia ela não vai mais acreditar, já que com a “doutora branca” ela não conseguiu ter os seus direitos adquiridos. Dessa forma reitero a colaboração dos meus colegas deputados para que, juntos, possamos assinar essa moção de apoio e para que se faça justiça mais uma vez no nosso Maranhão. É só isso, senhor Presidente.

São Luís, 26 de Abril de 2018.

Pedido e Intervenção e CPI sobre suposta xeretagem de adversários deixam em segundo plano o grande debate sobre o Maranhão

 

Flávio Dino se defende de ataques, Eduardo Braide toma frente e Roseana Sarney fica preservada
Flávio Dino se defende de ataques,  Eduardo Braide se exõe tomando a frente e Roseana Sarney fica de fora, preservada

 

Os fatos que vêm agitando a cena política maranhense nas últimas duas semanas sugerem que, se mantida essa linha de confronto entre Oposição e Governo, a campanha eleitoral, que já está oficiosamente em curso, no Maranhão corre o risco de se transformar num bate-boca sobre questões inócuas. Isso porque deixará de lado o grande debate sobre a situação social, econômica e cultural do estado, para ser reduzida a questões menores como a que no momento indaga se o Governo do Estado estaria usando a Polícia Militar para espionar adversários políticos. O pedido de intervenção na área de Segurança Pública, feito por deputados oposicionistas, entre eles Eduardo Braide (PMN), potencial candidato a governador, com o aval explícito da cúpula do Grupo Sarney, visa claramente fragilizar o governador Flávio Dino (PCdoB) na seara política – na qual ele pontifica no cenário nacional –, já que está muito difícil encontrar um discurso que desqualifique seus resultados administrativos. Assim, parece mais fácil criar um clima de instabilidade e insegurança a partir de um documento assinado por um oficial mequetrefe da Polícia Militar orientando seus subordinados a xeretar políticos da Oposição nos municípios, do que entrar de fato num debate sobre o essencial: educação, saúde, segurança, economia, etc..

Nesse contexto, no qual o governador Flávio Dino se mantém em guarda permanente e rebate os ataques com um discurso duro e desafiador, chama a atenção o fato de ser o deputado Eduardo Braide o ponta-de-lança das investidas, apoiado discretamente pelo senador Roberto Rocha (PSDB), via deputada Graça Paz (PSDB), enquanto a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) é convenientemente mantida à distância, preservada do confronto direto, que, sabe ela, lhe seria muito desgastante. E não se diga que a ação oposicionista – que é politicamente lícita – seja um mero movimento de deputados preocupados com a integridade dos direitos políticos do cidadão maranhense, em particular daqueles que atuam na contramão do atual Governo. Não é. A exposição da tal portaria, o debate que se seguiu a ela e o inusitado pedido de intervenção na Segurança Pública, seguido agora de um pedido de CPI, na largada do processo eleitoral, obedeceram a uma estratégia cuidadosamente planejada para apanhar o Governo no contrapé e, se possível, levá-lo para as cordas.

A estratégia oposicionista parece equivocada. Primeiro porque escolheu um mote no qual o governador Flávio Dino simplesmente não se enquadra como acusado, o que pode ser constatado a partir de uma observação mais cuidadosa da sua atuação política. O comunismo pregado pelo chefe do Executivo não inclui a tirania stalinista de reprimir e eliminar adversários, como vêm cantando vozes da Oposição. A começar pelo fato de que, mais do que ninguém, e porque foi formado no confronto com a ditadura, o governador tem consciência de que o Brasil é hoje uma sociedade livre, regida pelas regras do estado democrático de direito e onde não cabe esse tipo de ação com o uso criminoso do Estado. Portanto, não faz muito sentido supor que o ex-juiz federal, ex-deputado federal e atual governador Flávio Dino use o aparelho do Estado, principalmente a Polícia Militar, para espionar opositores políticos.

A suspeita de que o Governo espiona a Oposição vem das gestões de Roseana Sarney, quando se começou a ouvir falar em Guardião – um sistema por meio do qual agentes governistas monitorariam adversários gravando suas conversas telefônicas. Mas até hoje seus adversários não trouxeram à tona uma prova concreta de que isso de fato aconteceu. Nesse contexto, por mais que se discorde dos seus métodos, é difícil imaginar que um político da estatura do ex-presidente José Sarney (MDB) use tais recursos para dobrar adversários.

Agora, volta-se ao mote, a partir da tal portaria assinada pelo oficial mequetrefe, dando a impressão de que tudo não passa da inovação sazonal de um fantasma clandestino para a corrida eleitoral. A proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar tal suspeita parece uma perda de tempo, uma vez que tudo pode ser esclarecido plena e satisfatoriamente com uma boa e séria investigação policial, com o acompanhamento do Ministério Público. Uma investigação que alcance todos os governos que em algum momento e de alguma maneira tenham sido acusados dessa prática. Toda a verdade viria à tona, sem ingerência nem pressões políticas. Nada além disso.

Os líderes das forças em confronto precisam aceitar o fato de que, em vez de envolver o estado nessa farofa acusatória, o que interessa mesmo nesse momento é avaliar as ações do Governo, as condições reais em que o Maranhão se encontra no plano administrativo e fiscal e se os programas colocados em prática estão produzindo os devidos resultados. E, a partir daí, o grande, necessário e saudável debate seja aberto e francamente travado pelos candidatos a comandar o Maranhão nos próximos tempos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Se Lula permanecer preso, Fernando Hadade e Ciro Gomes poderão se unir na disputa presidencial

Fernando Hadade podem se unir na corrida presidencial
Fernando Hadade podem se unir na corrida presidencial

A especulação segundo a qual PT e PDT podem juntar as forças numa chapa presidencial formada pelo petista Fernando Hadade, ex-prefeito de São Paulo, e o pedetista Ciro Gomes foi bem acolhida pelo Palácio dos Leões. De acordo com uma fonte com bom trânsito palaciano, o governador Flávio Dino vê a ideia com bons olhos e acredita que ela pode render bons frutos no pleno eleitoral. O deputado federal Weverton Rocha, chefe maior do PDT no Maranhão, também estaria vendo essa aliança com otimismo, defendendo, porém, que Ciro Gomes seja o cabeça da chapa, tendo Fernando Hadade como candidato a vice. O PT, por sua vez, defende exatamente o contrário, reivindicando a cabeça e dando a vice para o PDT. O “núcleo duro” do PT, porém, trata a questão como “Plano B”, apostando todas as suas fichas numa reviravolta da situação do ex-presidente Lula da Silva, para que ele seja o candidato do partido. Essa expectativa foi reforçada depois que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, avaliou que a pena imposta a Lula da Silva poderá ser reduzida e que o líder petistas poderá sair da cadeia em pouco tempo. Mas, enquanto Lula da Silva permanecer preso, a possibilidade da aliança PT/PDT permanece de pé, com Ciro Gome já escalado para ser o vice do ex-presidente.

 

Roberto Costa reforça sua ação política atuando em três frentes

Roberto Costa: corrida pela reeleição sem abandonar a luta por Bacabal
Roberto Costa: corrida pela reeleição sem abandonar a luta por Bacabal nem as ações de articulação na AL

O deputado Roberto Costa (MDB) decidiu focar sua ação política em três pontos: a guerra judicial pela Prefeitura de Bacabal e a sua reeleição para a Assembleia Legislativa. Jovem e começando a experimentar o que os craques do ramo chamam de “maturidade política”, o parlamentar emedebista usa sua disposição para acompanhar todos os passos da guerra judicial por meio da qual pretende mudar o curso político em Bacabal, tirando do poder o prefeito José Vieira (PR), que, como está provado, não poderia ter sido candidato por integrar o time dos fichas  sujas. Ao mesmo tempo, inicia uma intensa movimentação nas suas bases eleitorais, mantendo o incentivo político às lideranças que lhe dão apoio, como São Luís e Bacabal, onde conta com expressivas votações. Isso sem descuidar das tarefas na Assembleia Legislativa, onde preside a importante Comissão de Esportes, integra outras comissões e atua intensamente como articulador, costurando fissura em torno de decisões difíceis a serem tomadas pelo presidente Othelino Neto (PCdoB).

 

São Luís, 25 de Abril de 2018.

 

 

Evento, factóide e desafio dão a medida exata de como será a campanha eleitoral deste ano no Maranhão

 

Flávio Dino é o centro das preocupações dos pensadores e estrategistas do Grupo Sarney
Flávio Dino é o centro das preocupações dos estrategistas do Grupo Sarney

A cena política do Maranhão foi marcada na última semana por três fatos que sugerem claramente como deverão ser os movimentos da corrida eleitoral de agora por diante. O primeiro foi um factóide primário e grosseiro gerado nas entranhas da Polícia Militar por meio do qual a Oposição acusou o governador Flávio Dino (PCdoB) de tentar controlar adversários por meio do “fichamento” de líderes no interior. O segundo foi a viagem do presidente da Câmara Federal e presidenciável Rodrigo Maia, ao Maranhão, durante a qual ele ratificou a participação do DEM na aliança liderada pelo governador, independente de qual venha a ser a posição do partido no plano nacional. E o terceiro foi o desafio feito pelo governador Flávio Dino à ex-governadora e virtual candidata do Grupo ao Governo, Roseana Sarney (MDB) para um debate franco e ao vivo na TV Mirante. Parecem situações distintas, mas, ao contrário do que indica a primeira vista, estão fortemente ligadas dentro de um contexto maior, que é a corrida ao Palácio dos Leões.

Provavelmente imaginado e concebido para ser uma bomba capaz de destruir parte expressiva de imagem correção administrativa e política do Governo e denunciá-lo como um ato da “tirania comunista” do PCdoB, o factóide que ganhou vida dentro da PM não resistiu 48 horas, e quando chegou ao “Fantástico”, da Rede Globo, foi mostrado como uma “coisa”, sem paternidade definida. O resultado prático da trama nada inteligente, além de um zumzum de difícil interpretação, foi que o oficial responsável pela sua elaboração e transmissão aos seus colegas do interior, foi afastado do cargo que ocupava e vai responder a inquérito administrativo cujo desfecho poderá ser a perda da patente, da farda e da aposentadoria. A lógica sugere que, tivesse sido fruto de uma ordem palaciana, o tenente-coronel Antonio Markus da Silva Lima, que o gverndor Flávio Dini diz não cinhecer, certamente não estaria agora caminhando para o banco dos réus. O fato é que, diante do bombardeio, o Governo reagiu rapidamente, denunciou a trama, de modo que a semana começou com o factóide morto e sepultado e um oficial da PM – e seus cúmplices, se houver algum – em apuros.

No campo político partidário, o grande fato da semana foi o desembarque do presidente da Câmara Federal e presidenciável Rodrigo Maia no Maranhão, para cumprir agenda em Santa Inês e em São Luís. Em Santa Inês, ele consolidou o novo comando do DEM no Maranhão, dando carta branca do presidente regional do partido, deputado federal Juscelino Filho, a quem deu carta branca para manter a agremiação na aliança que dá sustentação partidária à candidatura do governador Flávio Dino à reeleição. Em São Luís, Rodrigo Maia foi ao Palácio dos Leões, reuniu-se com o governador, a quem elogiou como líder político e como chefe de um Governo apontado como uma ilha de excelência em meio a um cenário de crise nacional. “Numa crise econômica que o Brasil vem vivendo desde 2015, ter um Estado com suas contas equilibradas, pagando seus servidores e continuando investindo é uma demonstração de muita competência. Isso é uma grande demonstração de competência e de capacidade administrativa do governador Flávio Dino”, declarou Rodrigo Maia.

Finalmente, o momento político mais simbólico ocorrido em meio a tiroteios verbais causados pela tal circular da PM e gestos de grandeza como o do presidente Rodrigo Maia: o desafio feito pelo governador Flávio Dino à ex-governadora Roseana Sarney para um debate direto e franco, ao vivo, transmitido pela TV Mirante. Um evento dessa natureza seria de extrema importância para uma se ter a real dimensão da corrida sucessória em curso no Maranhão. Flávio Dino teria a oportunidade de mostrar o real alcance da sua visão como político e gestor, enquanto Roseana Sarney teria a chance de mostrar o seu tamanho político e a verdadeira estatura da gestora que administrou o Maranhão por quase 14 anos. Seria uma espécie de tira-teima definitivo.

Os três eventos ilustram bem a realidade política do Maranhão neste momento e sinalizam com alguma clareza o que vem por aí.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão reafirma candidatura à reeleição e garante que Roseana será candidata ao Governo

Edison Lobão confirma candidatura e garante que Roseana Sarney disputará o Governo avisa que seu grupo está vindo para vencer as eleiççoes
Edison Lobão confirma candidatura e garante que Roseana Sarney disputará o Governo 

 

Em Brasília, de onde acompanha todos os movimentos do cenário político do Maranhão, o senador Edison Lobão elimina todas as dúvidas em relação à sua candidatura. A saúde, segundo afirma, “esta em dia”, e “ficará cem por cento quando resolver esse problema no fêmur, que já está quase resolvido”. Ainda se movimentando sobre uma cadeira de roídas – “Mais por precaução”, diz – senador reafirma com todas as letras: “Sou candidato à reeleição”. E justifica a declaração enfática dizendo ter informações segundo as quais sua posição nas pesquisas feitas para medir as preferências do eleitorado “é a melhor possível”, confirmando que terá o atual suplente Lobão Filho (MDB) como candidato à reeleição. O senador Edison Lobão também não tem qualquer dúvida quanto à candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) ao Palácio dos Leões: “Roseana é candidata e está muito bem”.

 

Pedido de intervenção: uma artimanha que gera notícia, mas sem qualquer futuro

Os deputados Eduardo Braide, Max Barros, Alexandre Almeida, Graça Paz e Wellington do Curso protocolam pedido de intervenção
Os deputados Eduardo Braide, Max Barros, Alexandre Almeida, Graça Paz e Wellington do Curso protocolam pedido de intervenção no estado durante eleções

A guerra política costuma gerar algumas posições distorcidas. No caso do confronto aberto em curso no Maranhão, travado entre o governador Flávio Dino e a cúpula do Grupo Sarney, a iniciativa mais curiosa é pedido de intervenção federal no Maranhão durante o processo eleitoral, formalizado por um grupo de deputados tendo à frente o deputado Eduardo Braide (PMN) – que estuda a conveniência política de ser candidato a governador. Não se discute que o Grupo Sarney tem o direito de imaginar uma bucha dessa natureza e dispará-la para ver se cola. Não deveria fazê-lo, mas faz parte do jogo, que comporta estratégias, estratagemas e até artimanhas. O pedido de intervenção tem todas as características de uma artimanha, daquelas bem urdidas, para criar um clima de instabilidade e insegurança políticas que simplesmente não existe no Maranhão há muito tempo. É de direito formular o pedido, anuncia-lo como uma bomba e ser fotografado no guichê da Justiça Eleitoral protocolando o documento. E o seu desfecho é tão previsível, que na próxima semana ninguém tocará mais no assunto. Se acontecer diferente, o Maranhão estará no centro de uma polêmica nacional.

Brasília, 24 de Abril de 2018.

 

Flávio Dino reage a ataques, desmonta acusações e se mantém na liderança da corrida ao Palácio dos Leões

 

Flávio Dino reage ao intenso bombardeio de aliados de Roseana Sarnery e José Sarney
Flávio Dino reage ao intenso bombardeio de aliados de Roseana Sarney e José Sarney no duro jogo pelo poder no Maranhão

A guerra pelo poder no Maranhão, que terá seu ponto culminante durante a campanha eleitoral agendada para os meses de agosto e setembro, começa a acontecer de fato nos subterrâneos do mundo político. Nesse terreno movediço, coberto por sombras, os atores que não mostram a cara nem nomes e atuam para destruir a reputação dos seus adversários de maneira impiedosa, e assim fragilizá-los.  Mas, ainda que usem todos os recursos para limpar o terreno sem deixar digitais, essas acabam vindo à tona, indicando claramente quem está por trás dessa ou daquela ação destrutiva. No momento, os alvos dessas ações são o governador Flávio Dino (PCdoB) e membros do seu Governo, bombardeados implacavelmente por canhões do Grupo Sarney com denúncias por meio das quais estão sendo montadas ousadas e surpreendentes armadilhas, todas com o objetivo de imprimir na gestão atual a marca da corrupção.

Tentaram, por exemplo, jogar no colo do governador e do secretário de Saúde, Carlos Lula, o cadáver de um suicida que estava em prisão  domiciliar por suspeita de corrupção. A operação agitou o meio político e as redes sociais, mas não funcionou, pois a equação não fazia qualquer sentido. Na semana que passou, acusaram o chefe do Poder Executivo de haver ordenado que um oficial da Polícia Militar usasse a estrutura policial para identificar e fichar adversários políticos do Governo nas mais diversas regiões do Maranhão, algo também sem pé nem cabeça, a julgar pela pelo perfil do governador Flávio Dino. Os dois casos, que estão sendo resolvidos como deve ser na esfera policial, como deve ser em qualquer lugar do mundo, vêm ganhando versões as mais diversas, e claramente distorcidas, em controvertidos canais de informação, com vazamentos e interpretações que surpreendem até mesmo os investigadores policiais.

Como têm sido feitas com munição aparentemente destruidora, mas que têm se revelado inconsistente, as investidas para carimbar o governador Flávio Dino e seu Governo com marcas nada republicanas foram até aqui devidamente rechaçadas, desmontadas item por item em duras e esclarecedoras reações escritas pelo próprio governador e por secretários atingidos. E às vezes com acréscimos que fazem tremer as fileiras adversárias, como a exumação do Caso Reis Pacheco, por exemplo, um caso típico de fake news que assombrou o Maranhão e mudou o rumo da disputa pelo Governo do Estado, entre o ex-governador Epitácio Cafeteira (PTB) e Roseana Sarney (PMDB) em 1994. Outros contra-ataques têm atingido fortemente os redutos dos atacantes, causando por isso surpresa com a sua capacidade de produzir munição consistente, daquelas que causam duros estragos na imagem dos alcançados.

Um dado vem chamando a atenção nessa guerra: os ataques do Grupo Sarney ao governador Flávio Dino e sua equipe não têm produzido resultados favoráveis ao projeto de candidatura da ex-governadora Roseana Sarney. Primeiro porque sequer abalou a imagem do governador Flávio Dino, que se mantém líder, enquanto sua principal adversária continua estacionada, segundo todas as pesquisas feitas até agora para medir a posição dos candidatos na disputa pelo Palácio dos Leões. Tanto que o governador já montou sua chapa majoritária – com Carlos Brandão como vice e os deputados federais Weverton Rocha (DT) e Eliziane Gama (PPS) para o Senado – e continua ocupando espaço cada vez mais amplo como um dos principais líderes da esquerda no País.

Na semana que passou, ao reagir a um ataque a ele destinado pelo Grupo Sarney, o governador escreveu na sua conta no twitter: “Por que tantos ataques desvairados ao nosso governo? 1) Sarney desesperado para voltar ao poder; 2) alguns tentando me intimidar pelas minhas críticas sobre a prisão ilegal do presidente Lula. Vamos vencer nas urnas e continuarei a criticar o que acho errado”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Justiça atropela Astro de Ogum e manda Câmara realizar eleição da Mesa nesta segunda-feira.

Astro de Ogum: Justiça manda realizar eleição da Mesa nesta segunda
Astro de Ogum: Justiça manda realizar eleição da Mesa nesta segunda

A Câmara Municipal de São Luís terá de realizar, nesta segunda-feira (23), a eleição da Mesa Diretora que a comandará de fevereiro de 2019 a fevereiro de 2022. Cumprirá, assim, decisão judicial contra a determinação do atual presidente, vereador Astro de Ogum (PMN), no sentido de realizar o pleito somente em Agosto, quando poderia, pela regra em vigor, pleitear a reeleição. A última decisão judicial, esta tomada pelo juiz Marcelo Matos e Oka, depois de Astro de Ogum ter tentado atropelar decisão do desembargador Jamil Gedeon, que bateu martelo determinando que o pleito tem de ser realizado neste mês de Abril, em data a ser determinada pela Câmara Municipal, e sem ter o atual presidente direito à reeleição. Dessa maneira, o presidente Astro de Ogum será triplamente derrotado. Primeiro por estar sendo obrigado pela Justiça a realizar agora uma eleição que ele pretendia realizar somente daqui a alguns meses: e segundo, por que, ao contrário do que projetou, não poderá ser candidato à reeleição, o que manda para o espaço um projeto de poder bem mais longevo; e finalmente, seu sucessor deverá ser o vereador Osmar Filho (PDT), atual 1º vice-presidente e exatamente quem ele não queria ver no comando do Palácio Pedro Neiva de Santana, por ser o maior dos entraves ao seu projeto de poder.

 

Encontro em Santa Inês mostra que o DEM ganhou força sob o comando de Juscelino Filho

Ao lado de Eliziane Gama, Juscelino recebe o apoio de Rodrigo maia para continuar no comando do DEM
Ao lado de Eliziane Gama, Juscelino recebe o apoio de Rodrigo maia para continuar no comando do DEM

Quem duvidava do potencial político do deputado federal Juscelino Filho (DEM) errou feio na avaliação. O Grande Encontro Estadual Democrata, realizado neste sábado em Santa Inês, jogou por terra todas as dúvidas e restrições que ainda pairavam sobre eficiência política do parlamentar. Para começar, o evento levou a Santa Inês ninguém menos que o governador Flávio Dino (PCdoB) e o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, pré-candidato do DEM à presidência da República e grande responsável pela oxigenação do partido. Se tivesse sido reduzido a elas, as duas participações já seriam suficientes para dar ao Encontro do DEM em Santa Inês uma dimensão diferenciada. A festa partidária de Santa Inês é o desfecho de uma das operações político-partidárias mais arrojadas e mais bem sucedidas ocorridas no Maranhão nos últimos tempos. Eleito deputado federal pelo PRP, Juscelino Filho não ficou à vontade no partido e decidiu buscar um novo caminho, dentro da janela partidária. Mirou o DEM, que até meados do ano passado encontrava-se mofando numa gaveta, como uma espécie de “reserva” do suplente de senador Clóvis Fecury. Certo de que encontrara seu “ovo de colombo”, bateu às portas do comando nacional do partido e pediu o seu controle no Maranhão. Carente de deputados federais, a cúpula partidária enxergou no deputado um bom caminho para a agremiação e entregou-lhe o poder sem reservas. Resultado: o novo chefe do DEM no estado atraiu deputados estaduais, prefeitos, vereadores e levou o partido para a aliança liderada pelo governador Flávio Dino, isso sem perder um naco de poder perante a direção nacional. A presença do presidente Rodrigo Maia – um dos avalistas da operação – no Encontro de Santa Inês é o atestado definitivo de que o deputado federal Juscelino Filho acertou na mosca quando decidiu colocar em marcha o ousado projeto de resgatar o DEM. Até aqui acertou todas as decisões que tomou.

Brasília, 22 de Abril de 2018.

Flávio Dino larga na frente ao apresentar chapa majoritária com Carlos Brandão, Weverton Rocha e Eliziane Gama

 

Flávio Dino entre Carlos Brandão, Weverton Rocha e Eliziane Gama no ato de apresentação dos nomes da sua chapa
Flávio Dino entre Carlos Brandão, Weverton Rocha e Eliziane Gama no ato de apresentação dos nomes da sua chapa majoritária para as eleições de outubro

O governador Flávio Dino (PCdoB) buscará a reeleição liderando chapa que tem o vice-governador Carlos Brandão (PRB) também buscando a renovação do mandato, e os deputados federais Eliziane Gama (PPS) e Weverton Rocha (PDT) como candidatos às duas cadeiras no Senado. A composição da chapa majoritária foi apresentada a presidentes de 14 dos 15 partidos que formam a aliança governista – PCdoB, PT, PPS, PRB, PTB, PTC, SD, PEN, PSB, PP, DEM, PR – na noite de quinta-feira, no Palácio dos Leões. Com a definição, o governador Flávio Dino larga na frente na corrida pelo voto, demonstrando que soube construir a base de sustentação do seu projeto de poder, aliando eficiência administrativa com inteligência política. Os seus companheiros de chapa estão inteiramente alinhados ao horizonte político alcançado pelo governador, estando também cientes de que enfrentarão adversários tarimbados e duros, e dispostos a usar todos os seus recursos e trunfos na disputa, uns para voltar ao poder, como a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e outros para chegar lá pela primeira vez, como é o caso do senador Roberto Rocha (PSDB).

Ao fazer a proposta de chapa majoritária aos partidos, o governador Flávio Dino foi enfático ao afirmar que não se trata de uma imposição. Ele deixou os partidos à vontade para respaldar ou não os nomes, esperando que os indicados já tenham feito o seu dever de casa buscando o aval das agremiações aliancistas. A definição também foi feita com base na avaliação de pesquisas recentes, que apontam, primeiro, sua liderança folgada nas intenções de voto até aqui, para governador, e que indicam que os candidatos ao Senado têm suporte político e viabilidade eleitoral para conseguir bom desempenho nas urnas.

O governador e sua aliança partidária caminharão agora para as urnas cientes dos imensos desafios que têm pela frente. Primeiro, e de convencer o eleitorado de que está realizando um bom Governo e que precisa de mais um mandato para consolidá-lo. E o segundo é o de que, se eleitos senadores, Weverton Rocha e Eliziane Gama fortalecerão um eventual segundo Governo com no Congresso Nacional, revertendo a situação atual, na qual a bancada do Maranhão no Senado é  inteiramente hostil ao seu Governo. Se for reeleito levando junto os dois novos senadores, o governador Flávio Dino sairá das urnas de outubro com a sua liderança consolidada e permitindo-lhe intensificar sua cainhada política para um desfecho absolutamente imprevisível em 2022.

Os deputados federais Eliziane Gama e Weverton Rocha têm noção clara e ampliada do cenário em que estão se movimentando. Sabem que se forem eleitos, passarão a ser nomes considerados cacifados de maneira diferenciada. Ela entrou nessa seara embalada pelas pesquisas de opinião que a apontam como um dos nomes  ais fortes da disputa, e mais do que isso, que precisa convencer o eleitorado de que seu projeto senatorial consistente, como vem sendo o seu elogiado desempenho na Câmara Federal, reconhecido até mesmo por adversários. O mesmo cenário se descortina para Weverton Rocha, que, se eleito for, sairá das urnas como nome forte para o Governo do Estado em 2022.

A definição da chapa majoritária liderada pelo governador Flávio Dino certamente abre caminho para que seus adversários também definam as suas. Roseana Sarney já tem o senador e ex-ministro Edison Lobão como candidatos ao Senado, faltando-lhe bater martelo apenas na escolha ha do vice, que ainda não está devidamente encaminhada, mas é possível que ela recaia sobre o senador João Alberto (MDB), que decidiu não correr por um novo mandato na Câmara Alta. Roberto Rocha, por sua vez, já tem chapa encaminhada com o ex-governador José Reinaldo Tavares e o deputado estadual Alexandre Almeida (PSD) para o Senado, dependendo ainda de um nome para ser seu vice. O cenário da corrida pelo Palácio dos Leões e para as duas cadeiras no Senado está, como se vê, praticamente definido. E nesse contexto a única incógnita continua sendo o deputado estadual  Eduardo Braide, que poderá ou não ser candidato a governador.

Em Tempo: o presidente do PROS, ex-ministro Gastão Vieira, não compareceu ao ato de apresentação da chapa porque está em viagem ao exterior.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Jr. articula apoio para Weverton e Eliziane mirando a sucessão de Flávio Dino em 2022

Edivaldo Jr.: articulaççao para fortalecer Weverton Rocha e Eliziane Gama visando 2022
Edivaldo Jr.:  fortalecendo Weverton Rocha e Eliziane Gama visando 2022

Apoiador primeiro da candidatura do deputado federal Weverton Rocha para o Senado, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) também vai respaldar politica e partidariamente o pleito da deputada federal Eliziane Gama de chegar à Câmara Alta. O faz por dois motivos básicos, mas plenamente justificados. O primeiro: espera que um dos dois se candidate à sua sucessão em 2020 – Eliziane Gama não esconde que continua acalentando o seu projeto de ser prefeita de São Luís. O segundo: tudo indica que o prefeito de São Luís entrará na lista de aspirantes a sucessor do governador Flávio Dino. Edivaldo Jr. vem intensificando obras do seu programa de Governo, dando a entender que quer ir muito além do Palácio de La Ravardière. Dentro do grupo liderado pelo governador Flávio Dino, Edivaldo Jr. é visto como o parceiro político do governador mais credenciado para encarar as urnas de 2022 como candidato e residir por quatro anos no Palácio dos Leões.

 

Sem poder concorrer, Astro de Ogum marca eleição da Mesa para Agosto e tensiona a Câmara

Astro de Ogum desobedece Justiça e marca eleição da Mesa da Câmara
Astro de Ogum desobedece Justiça e marca eleição da Mesa da Câmara

Já consciente de que está fora do páreo para a presidência da Câmara Municipal de São Luís, o vereador-presidente Astro de Ogum atura. (PRB) decidiu passa por cima da liminar concedida pelo desembargador Jamil Gedeon proibindo sua reeleição e determinando que a eleição da nova Mesa seja realizada no máximo até o final deste mês, marcou o pleito para o dia 5 de. Agosto. Com a decisão, mais do que uma solução para harmonizar a Casa, o presidente da Câmara joga lenha na fogueira, elevando muito a temperatura nos bastidores da Casa. Com a decisão, Astro de Ogum ganha tempo para procurar uma saída jurídica que possa garantir a sua participação no pleno. O presidente da Câmara ficou visivelmente fragilizado diante da decisão judicial de confirmar a regra segundo a qual o presidente da Câmara não pode concorrer ao mesmo cargo na mesma legislatura. Os aliados do vereador Osmar Filho (PDT), que reagiram imediatamente contra a decisão do presidente. O PTB entrou com mandado de segurança para reverter a decisão. Vale aguardar os próximos movimentos dessa chicana.

São Luís, 20 de Abril de 2018.

Sem definição do MDB sobre corrida presidencial, Grupo Sarney quer formalizar logo chapa para governador e senador

 

Roseana Sarney deve definir sua chapa até o final de maio
Roseana Sarney deve definir  chapa até o final de mai

A cúpula do Grupo Sarney deve se reunir até o final deste mês para bater martelo em relação à chapa majoritária com a qual vai encarar as urnas em outubro. Em princípio, a chapa terá a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) como candidata ao Governo do Estado, e senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV) como candidatos ao Senado. Inicialmente, a chapa será sustentada por uma aliança formada por MDB, PV, PSD, PR, PSDC e outros partidos menores – como o PRP, por exemplo, se o ex-deputado estadual Ricardo Murad não sustentar a sua anunciada candidatura a governador. Os integrantes da cúpula sarneysista avaliam que essa definição deve acontecer até meados de maio, de modo a que o grupo reúna as condições para fazer uma campanha viável. Ficarão em aberto as vagas de candidato a vice-governador, e pelo menos duas das quatro vagas de candidatos a suplente de senador, isso porque são espaços na chapa que podem ser usados para negociações de última hora, como é comum nas articulações do grupo liderado o pelo ex-presidente José Sarney (MDB).

Os chefes do Grupo Sarney acreditam que até o final de maio o quadro de candidatos a presidente da República estará definido, a começar pelo que representará o MDB. Isso porque, ainda que até aqui esteja trabalhando com a possibilidade de lançar candidato próprio a presidente – o ex-banqueiro e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, por exemplo -, já que o projeto inicial do presidente Michel Temer foi implodido pelas novas denúncias contra ele -, o partido trabalha também com a possibilidade de firmar uma aliança com o PSDB, podendo indicar o vice do candidato tucano Geraldo Alckmin. Na seara emedebista transita, já com alguma força, uma corrente que defende uma aliança tucano-emedebista como a única maneira de barrar o avanço de um candidato de esquerda – no caso Marina Silva (Rede) – ou um de extrema direita – o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). O MDB nacional poderá optar por uma aliança com o DEM em torno da candidatura do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (RJ). O candidato do Grupo Sarney ao Governo do Estado deverá se situar de acordo com o que for decidido pela cúpula nacional do partido.

É certo que o Grupo Sarney não abre mão da candidatura de Roseana Sarney, a começar pelo fato de que não conta com outro nome com alguma viabilidade – ela poderia sair para o Senado e Sarney Filho para governador, mas a ideia, que já foi o seu sonho dourado, já não entusiasma o ex-ministro do Meio Ambiente. O Grupo tem plena consciência do poder de fogo político e eleitoral do governador Flávio Dino (PCdoB), sabe que dificilmente impedirá sua reeleição, mas sabe também que não pode deixar de comandar as forças que ainda consegue reunir. Roseana Sarney tem esse mapeamento, sabe com quem ainda conta, mas para mobilizar esses grupos, que estão espalhados nas mais diversas regiões do Maranhão, terá de fazer uma campanha que tenha como mola-mestra um candidato presidencial de e com chances concretas de chegar ao Palácio do Planalto.

Essa dificuldade do Grupo Sarney ficou bem clara durante a maratona de visitas a municípios, em pré-campanha, que a ex-governador realizou no mês passado. Enfrentou problemas para engatilhar um discurso consistente e convincente, exatamente por não dispor de um candidato a presidente com viabilidade que pudesse ser apresentado como garantia de que seu projeto de governo poderia ter o respaldo do Palácio do Planalto. Roseana resumiu seu discurso a apontar supostos defeitos e malfeitos no Governo Flávio Dino e lembrar o que definiu como conquistas dos quase 14 anos em que esteve à frente do Governo do Estado. Até aqui, portanto, o quadro é de completa indefinição, ainda que a sua candidatura ao Palácio dos Leões esteja posta na ordem do dia do Grupo.

Roseana Sarney tem a avaliação de que não pode atrelar sua candidatura ao desgastado e impopular Governo do presidente Michel Temer, que na última pesquisa do Datafolha apareceu rejeitado por quase 90% dos brasileiros. Mas sabe também que, se de fato está querendo chegar a algum lugar, não pode ficar estacionada, vendo o trem dinista, cuja majoritária está bem definida, com vice-governador, faltando apenas os entendimentos para reencher as vagas de candidato a suplente de senador. Daí a agenda por meio da qual a cúpula do Grupo Sarney pretende resolver até meio as suas pendências, que não são de solução fácil para as eleições que estão chegando.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Waldir Maranhão se movimenta para ser candidato a senador pelo PSDB

Waldir Maranhão estaria querendo vaga de candidato a senador no PSDB
Waldir Maranhão estaria querendo vaga de candidato a senador no PSDB

O PSDB estaria sendo sacudido por uma pequena encrenca interna. Motivo: o recém desembarcado deputado federal Waldir Maranhão estaria querendo a vaga ainda aberta de candidato ao Senado, que seria destinada ao também recém chegado ao ninho, deputado estadual Alexandre Almeida, para fazer dobradinha com o ex-governador José Reinadio Tavares, dono absoluto da primeira vaga. Fonte bem situada do partido diz que, a menos que haja uma reviravolta, um fato novo surpreendente, dificilmente os tucanos rifariam Alexandre Almeida para dar a vaga a Waldir Maranhão. O comando tucano não faz qualquer restrição ao ex-presidente interino da Câmara Federal, e o quer como candidato à reeleição na chapa proporcional que tem como carro-chefe o ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira. Há também quem garanta que Waldir Maranhão não tem a intenção de criar qualquer tipo de embaraço ao PSDB, que o recebeu de braços abertos depois que ele rompeu com o governador Flávio Dino ter peregrinado atrás de uma legenda.

 

Boa nova: Ouvidorias do Judiciário e do Ministério Público vão atuar em conjunto

José Luis Almeida e Rita de Cássia Baptista: parceria entre Ouvidorias
José Luis Almeida e Rita de Cássia Baptista: parceria entre Ouvidorias

Os ouvidores do Tribunal de Justiça, desembargador José Luis Almeida, e do Ministério Público, procuradora de Justiça, Rita de Cassia Maia Baptista, se reuniram terça-feira para trocar informações e estabelecer uma relação que permita uma convivência interativa e produtiva, iniciativa que pode inclusive ser ampliada com a participação da Ouvidoria da Defensoria Pública. Os ouvidores discutiram propostas de parceria entre os dois órgãos, e, conforme informações divulgadas pela Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça, o desembargador a troca de experiências entre as instituições públicas é uma de suas metas a serem alcançadas.

Ainda que não pareça, as Ouvidorias do Tribunal de Justiça e do Ministério Púbico são órgãos de extrema importância. Elas são canais por meio dos quais o cidadão pode externar suas críticas, suas demandas e sugestões ao funcionamento dessas instituições, que são fundamentais para a garantia dos direitos e deveres da sociedade. É sabido que Judiciário e Ministério Público enfrentam problemas, são deficitários em estrutura e, por conta dessa deficiência, muitas vezes o ônus recai sobre a qualidade dos serviços prestados por essas instituições.

A iniciativa for de fato levada à frente e a sério pelos ouvidores José Luis Almeida (TJ) e Rita de Cássia Maria Baptista (MP) abre caminho para que as manifestações do cidadão podem ajudar a corrigir distorções e até mesmo injustiças nas decisões diretamente relacionadas à vida do cidadão. “A reunião foi o ponto de partida para um trabalho conjunto a ser desenvolvido a partir de agora”, ressaltou o desembargador José Luiz Almeida. Que assim seja.

São Luís, 18 de Abril de 2018.

Justiça estanca projeto de poder de Astro de Ogum e abre caminho para mudanças no comando da Câmara de São Luís

 

 

Astro de Ogum manter´[a os anéis, mas deve perderá o poder, que deve ficar com Osmar Filho
Astro de Ogum manterá os anéis, mas deve perderá o poder, que deve ficar com Osmar Filho, forte candidato a presidente
Após um prolongado embate subterrâneo entre grupos, decisões judiciais consolidaram a regra pela qual a Câmara Municipal de São Luís terá de realizar a eleição da nova Mesa Diretora até o final deste mês, e com um dado que muda radicalmente o cenário político no Legislativo da Capital: o atual presidente, vereador Astro de Ogum (PMN), não poderá ser candidato. A reviravolta detonou a articulação do grupo liderado por Astro de Ogum e Isaías Pereirinha (PSL), que está no comando da instituição há anos, situação que pretendia manter por pelo menos até 2020, com a reeleição do atual presidente, ou a de um vereador por ele indicado. A contramarcha abre caminho para a ascensão do vereador Osmar Filho (PDT), que representa a nova geração de integrantes da Casa e uma visão bem diferente da do grupo que está no poder, sendo também mais sintonizada com a grande transição política em curso no Maranhão.

Para se manter no poder, o grupo comandado pelo presidente Astro de Ogum tentou derrubar Resoluções da Câmara aprovadas em 2012 e que proibiu a reeleição de membros da Mesa Diretora dentro da mesma legislatura. Questionada na Justiça pelo vereador Chico Carvalho (PSL), a regra, se derrubada, abriria caminho para a reeleição de Astro de Ogum ou – quem sabe? – a eleição do próprio Chico Carvalho, que já presidiu a Casa por dois mandatos, na década passada, exatamente quando a reeleição na mesma legislatura era permitida. A estratégia montada por Chico Carvalho com o aval de Astro de Ogum e de Isaías Pereirinha foi, porém, por água abaixo, já que o posicionamento da Justiça mantém a Câmara Municipal nos trilhos das suas próprias regras, que poderão até ser mudadas, mas que seja com base num processo normal de alteração legislativa, uma vez que, não se sabe exatamente por que, a instituição pode escolher a data de escolha dos seus dirigentes de acordo com as conveniências da maioria do plenário.

A “parceria” Astro de Ogum-Isaías Pereirinha começou para valer em fevereiro de 2012, quando o segundo se elegeu presidente, tendo o primeiro como seu vice. Antes que a regra fosse mudada naquele ano, Isaías Pereirinha se reelegeu presidente, mantendo Astro de Ogum como vice. Ocorre que no início 2016, um ano antes de terminar seu segundo mandato, Isaías Pereirinhas adoeceu gravemente, afastando-se do cargo para cuidar da saúde, entregando o poder ao seu vice, que assumiu como presidente interino. No comando da máquina que alimenta o Palácio Pedro Neiva de Santana, Astro de Ogum se revelou um político esperto e ativo, conseguindo ampliar o seu raio de influência, saindo das eleições de 2016 reeleito como o vereador mais votado de São Luís. E na esteira do prestígio que conseguiu ao concluir o mandato presidencial de Isaías Pereirinha – que também se reelegeu -, Astro de Ogum elegeu-se presidente da Câmara para o atual período legislativo. O seu projeto incluía, é claro, derrubar a regra que proibia a reeleição num mesmo mandato, reeleger-se, e assim manter-se no poder até o início de 2021.

O projeto de poder de Astro de Ogum começou a ser minado quando o vereador Osmar Filho (PDT) ganhou o terceiro mandato como o mais votado de São Luís. Mesmo antes de assumir o novo mandato, o pedetista anunciou aos seus colegas sua intenção de disputar a presidência, mas o seu projeto foi adiado mediante um acordo pelo qual apoiaria Astro de Ogum, ficando acertado que teria o apoio dele na eleição de agora. Como Astro de Ogum tentou “esquecer” o acordo e jogar pesado para se reeleger, Osmar Filho fez uma ampla articulação para, primeiro, fazer valer a regra da proibição em vigor e, segundo, consolidar o seu projeto de candidatura.

A decisão judicial confirmando a regra segundo a qual a eleição tem de ser realizada agora e que o presidente atual não pode ser candidato à reeleição, não apenas tirou Astro de Ogum do páreo e implodiu o seu grupo, consolidou a candidatura de Osmar Filho. Com o lastro de quem já conhece o jogo de poder nos bastidores da Câmara Municipal e que já foi secretário municipal de Articulação Política, Osmar Filho soube se proteger neutralizando as artimanhas do atual presidente e seus aliados, e trabalhar para viabilizar sua candidatura a realização da eleição da Mesa Diretora da semana passada mostrou que ele ganhou o primeiro round. E deu a largada para o segundo e decisivo embate ao reunir 15 dos 31 vereadores em um almoço cujo prato principal.

Quem conhece a tradição e os bastidores da Câmara Municipal de São Luís sabe que até a eleição da Mesa, cuja data deve ser definida depois que o Tribunal de Justiça bater martelo sobre o assunto na sessão do Plano desta quarta-feira, sabe que muita água ainda pode rolar. Mas a julgar pelo cenário de hoje, o que está se desenhando é o seguinte: Astro de Ogum perdeu poder e seu grupo está se desmanchando, e Osmar Filho desponta como o provável sucessor, com o apoio discreto, mas decisivo, do Palácio de la Ravardière.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Enchentes: Tema articula apoio estadual e federal a desabrigados e comemora o “Mais Casa”

Tema Cunha: comanda a busca da soluções para os problemas causados pelas enchentes
Tema Cunha: comanda a busca da soluções para os problemas causados pelas enchentes

O prefeito de Tuntum e presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Cleomar Tema (PSB), respirou aliviado no fim de semana. Depois de vários dias de sufoco por conta dos vendavais que se abateram – e continuam se abatendo – sobre sua cidade e mais de uma dezena de municípios maranhenses, principalmente na região central do estado, o presidente da Famem chegou ontem a São Luís para dar seguimento aos pleitos que formulou ao governador Flávio Dino (PCdoB), na visita que fez a Trizidela do Vale, no Sábado (14). Tema informa que, mesmo com a persistência das chuvas, o pior já passou em Tuntum, mas garante que as equipes da Prefeitura continuam trabalhando para limpar as áreas mais afetadas com o transbordamento do riacho Tuntum, dando a atenção possível às famílias desabrigadas. Além do Governo do Estado, que já está em ação nos mais diversos municípios atingidos, o presidente da Famem está em sintonia com a bandada federal, agora coordenada pela deputada federal Luana Costa (PSB), pedindo aos deputados maranhenses que unam forçar para obter ajuda do Governo Federal. Cleomar Tema está especialmente entusiasmado com o anúncio feito em Trizidela do Vale pelo governador Flávio Dino: o Governo do Estado instituiu o “Mais Casa”, por meio do qual cada família diretamente afetada pelas chuvas e que tenham perdido suas casas e pertences, receberá u cheque n valor de R$ 5 mil para reconstruir suas moradias. “Esse é um alento enorme, que vai ajudar ânimo novo aos desabrigados”, disse Cleomar Tema.

 

Lobão lamenta enchentes e evita transformar o drama dos desabrigados em tema da guerra política

Edison Lobão se solidariza com desabrigados das enchentes, evitando politizar o drama social
Edison Lobão se solidariza com desabrigados das enchentes, evitando politizar o drama social

O senador Edison Lobão (MDB) gravou e veiculou na internet um vídeo no qual trata da situação dos municípios maranhenses atingidos pelas enchentes. Além do previsível – manifestação de solidariedade e anúncio de iniciativas para ajudar as populações afetadas -, a manifestação do senador emedebista chama a atenção por um dado diferenciado: ao contrário de outras vozes, que estão aproveitando para politizar os estragos causados pelo aguaceiro, o discurso do senador Lobão é exatamente o inverso. Na mensagem virtual, Edison Lobão lamenta o que está acontecendo em Tuntum, Trizidela do Vale, Joselândia, Marajá do Sena e outros municípios, mas enfatiza tratar-se de um problema “imprevisível”, evitando assim a tentação de responsabilizar A ou B pelos estragos e suas consequências. Lobão até aproveita para valorizar seu cacife, mas o faz de maneira cuidadosa, lembrando que quando foi governador (1991-1994) enfrentou problema idêntico e tomou as providências que podia tomar à época. Em nenhum momento puxou o sufoco dos temporais para o campo das disputas políticas de agora, tratando o problema dentro dos seus limites. Ou seja, o senador mostrou mais uma o seu viés de político tarimbado, que sabe jogar na seara do politicamente correto.

São Luís, 16 de Abril de 2018.

Datafolha mostra quem é quem na relação dos presidenciáveis com os candidatos ao Governo do Maranhão

Flávio Dino pode ser apoiado por Manuela D`Ávila, Fernando Hadade e Ciro Gomes; Roseana sarneu está entre Henriwue Meireles e Rodrigo Maia; Maura Jorge fica com Jair Bolsonaro em vez de Álvaro Dias; Roberto Rocha está firme com geraldo Alckmin, o mesmo acontecendo com Odívio Neto com Guilherme Boulos
Flávio Dino pode ser apoiado por Manuela D`Ávila, Fernando Hadade e Ciro Gomes; Roseana Sarney está entre Henrique Meireles e Rodrigo Maia; Maura Jorge fica com Jair Bolsonaro em vez de Álvaro Dias; Roberto Rocha está firme com Geraldo Alckmin, o mesmo acontecendo com Odívio Neto com Guilherme Boulos

Enquanto o cenário político do Maranhão corre o risco de ser contaminado por casos e situações de natureza exclusivamente policial, uma pesquisa do Datafolha, a primeira realizada sobre a sucessão presidencial depois da prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), apresenta o primeiro rascunho da posição dos candidatáveis apontados até aqui. Os números mostram que Lula da Silva perdeu pontos ao ser encarcerado, mas continua liderando com folga as intenções de votos para o Palácio do Planalto. Lula tem 31%, Jair Bolsonaro (?) 15%, Marina Silva (Rede) 10%, Joaquim Barbosa (PSB) 9%, Geraldo Alckmin (PSDB) 6%, Ciro Gomes (PDT) 5%, Álvaro Dias (Podemos), 3%, Manoela D`Ávila (PCdoB) 2% e Fernando Collor (PTC), Henrique Meireles (MDB), Rodrigo Maia (DEM) e Flávio Rocha (PRB) com 1%, enquanto Guilherme Boulos (PSOL),  Paulo Rabello, Guilherme Afif Domingues  (PSD), José Amoêdo (Novo) e Paulo Rabello (PSC) nada receberam. Relacionados ao momento da corrida para o Palácio dos Leões, os números são amplamente favoráveis ao projeto de reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB), injetam ânimo na pretensão da ex-prefeita Maura Jorge (Podemos), é duramente desanimador para a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), não altera muito a situação do senador Roberto Rocha (PSDB), e mantém Odívio Neto (PSOL) na estaca zero.

No quadro de opções que tem à esquerda para uma aliança com uma candidatura presidencial, o governador Flávio Dino não deve contar com a parceria direta com Lula da Silva, mas é quase certo que terá o apoio do substituto do ex-presidente como candidato do PT, que pode ser, por exemplo, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Hadade, apontado como provável herdeiro da vaga de candidato do PT a presidente e de boa parte dos votos do líder petista. A segunda opção de Flávio Dino é o ex-ministro Ciro Gomes, que pode também herdar uma fatia das intenções de votos de Lula da Silva. E numa situação não prevista até aqui, mas que está no conjunto das alternativas, Flávio Dino poderá firmar um pacto com Marina Silva, que, segundo a pesquisa, caminha para também herdar votos de Lula e brigar com Jair Bolsonaro. Ou sair a campo levando à tiracolo a deputada gaúcha Manuela D`Ávila, candidata do seu partido a presidente. Isso porque, qualquer avaliação isenta levará à conclusão de, a exemplo do que aconteceu em 2014, que o governador não depende necessariamente de um candidato presidencial para fazer sua campanha.

Em segundo lugar no cenário da corrida presidencial, o deputado fluminense Jair Bolsonaro, que representa a extrema-direita em estado puro, anima o projeto da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, de chegar ao Palácio dos Leões. Maura Jorge parece ter levado a melhor na briga com o coronel José de Ribamar Monteiro (PSL) pelo posto de representante-mor de Bolsonaro no Maranhão. Tanto que, depois de uma reunião com o candidatável em Brasília, cuidou de espalhar out doors em São Luís e nas principais cidades maranhenses anunciando o embrião de uma aliança com o presidenciável da extrema-direita.

A julgar pelos números do Datafolha, em relação a alianças com candidatos presidenciais, a situação mais desfavorável é a da ex-governadora Roseana Sarney, que aparece como nome mais forte entre os adversários do governador Flávio Dino. O neoemedebista Henrique Meireles e o democrata Rodrigo Maia se arrastam com 1% de intenções de voto cada um, situação nada alentadora para a ex-governadora, que precisa de um candidato presidencial forte para turbinar sua candidatura, como aconteceu nas outas vezes em que disputou o cargo. A pesquisa coloca duas situações diante da ex-governadora: sair a campo sem vincular seu nome a um presidenciável ou aguardar o desenrolar dos acontecimentos para fazer a escolha quando o cenário estiver mais bem definido.

A situação do senador Roberto Rocha em nada foi alterada com os números do Datafolha. O candidato tucano Geraldo Alckmin (6%) entrou na corrida na semana passada, sofreu, de cara, uma suspeita de corrupção, mas saiu por cima e deve começar agora a embalar o seu projeto presidencial. Roberto Rocha é, portanto, até aqui, um candidato a governador com um candidato presidencial definido, o que lhe dá a vantagem de entrar de cabeça na corrida pelo voto sem depender de definições do partido no plano nacional.

Elogiado por Lula da Silva no histórico discurso que fez antes de se entregar à Polícia Federal, o candidato presidencial do PSOL, Guilherme Boulos, não foi votado na pesquisa, o que mantém o professor universitário Odívio Neto, o candidato do partido ao Governo do Maranhão na mesma situação no estado. Mas, ao contrário de outros candidatos, Odívio Neto é também um candidato cujo partido tem um presidenciável definido, o que o deixa à vontade para entrar em campanha.

É claro que não dá para afirmar se essa pesquisa produzira alguma mudança no cenário da corrida sucessória no estado por conta da posição dos presidenciáveis. Mas não é exagero apontá-la como uma espécie de ponto de partida para a corrida ao Palácio do Planalto. E supor que os seus números sugerem alguns rumos que poderão se seguidos por pelos candidatos que estão na disputa pelo Palácio dos Leões.

Em Tempo: A pesquisa Datafolha foi realizada na semana passada e ouviu 4.194 eleitores em 227 municípios de todas as regiões do Brasil.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Situações estranhas na relação com presidenciáveis no Maranhão

 

Algumas situações chamam a atenção na relação dos presidenciáveis com lideranças no Maranhão. Vale o registro de três delas:

Maura Jorge bandeou-se para Jair Bolsonaro
Maura Jorge bandeou-se para Jair Bolsonaro depois de largar Álvaro Dias

1 . A primeira delas é a estranha e, para muitos, politicamente incorreta da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge. Filiada ao Podemos, a candidatura de Maura Jorge ao Governo do Estado foi lançada em ato realizado em São Luís com a presença do candidato a presidente do seu partido, senador Álvaro Dias, a quem a ex-prefeita declarou apoio total, juntamente com o deputado federal Aluísio Mendes (PTN). Passadas algumas semanas, Maura Jorge deu uma guinada radical e entrou na briga com o coronel aposentado José Monteiro pelo posto de representante de Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL, no Maranhão. Maura Jorge foi a Brasília, se deixou fotografar com o deputado, e logo em seguida espalhou cartazes e out doors, vídeos e mensagens nas redes sociais apresentando-se como a voz do candidato da extrema-direita no Maranhão. Há quem diga que ele poderá ser expulsa do Podemos e, assim, ser impedida de disputar votos em outubro. Vem confusão por aí.

Carlos Brandão vai apoiar Flávio Rocha?
Carlos Brandão vai apoiar Flávio Rocha?

2 . Pela lógica partidária, o vice-governador Carlos Brandão teria de apoiar o presidenciável Flávio Rocha, que é o candidato do PRB, para onde o já definido companheiro de chapa do governador Flávio Dino migrou depois que foi tirado do PSDB. Mas nem Carlos Brandão nem o chefe maior do partido no Maranhão, deputado federal Cleber Verde, se manifestaram sobre o assunto. Mas a julgar pela determinação de Flávio Rocha – que é milionário dono da Riachuelo e representa uma direita mais civilizada – de se viabilizar, a expectativa é a de que os chefes do PRB no estado sejam levados a tomar uma posição em pouco tempo.

Edivaldo Holanda vai apoiar a candidatura de Fernando Collor de Melo
Edivaldo Holanda  apoiar F. Collor ?

3 . Depois de ter sido enxotado da Presidência da República por corrupção, cumprido o castigo que lhe foi imposto, retornar à política como senador da República e  entrar de novo na mira do Ministério Público e da Policia Federal, o ex-presidente Fernando Collor de Mello decidiu disputar o Palácio do Planalto pelo PTC. No Maranhão, o partido é comandado pelo experiente Edivaldo Holanda. A pergunta que fica no ar é a seguinte: Edivaldo Holanda vai abraçar a candidatura de Collor de Mello?

 

MDB encolheu na Assembleia, mas ganhou mais identidade com Roberto Costa e Nina Melo

Roberto Costa e Nina Melo: MDB mais enxuto, mas mais autêntico
Roberto Costa e Nina Melo: MDB mais enxuto, mas mais autêntico na AL

A janela partidária transformou o MDB num partido com peso reduzido na Assembleia Legislativa, com apenas dois deputados: Roberto Costa e Nina Melo. Mas se perdeu numericamente, manteve a linha do partido, já que a deputada Andrea Murad, mesmo eleita pelo então PMDB, seguia rigorosamente a cartilha do pai, ex-deputado Roberto Murad, que apesar de filiado ao partido, ignorava totalmente as orientações da cúpula do partido, alimentando uma espécie de “feudo” dentro da agremiação – tanto que sua migração para o PRP não foi sequer lamentada pelos chefes emedebistas. Hoje o nome mais destacado do partido na AL, o deputado Roberto Costa atua rigorosamente de acordo com o comando partidário, adorando uma linha que o mantém distante do Governo Flávio Dino (PCdoB), mas numa linha de convivência. Nessa pisada, Roberto Costa funciona muitas vezes como interlocutor fazendo ponte entre governistas e oposicionistas em decisões complicadas. Foi um dos deputados mais próximos do ex-presidente Humberto Coutinho (PDT) e atualmente é um forte aliado do presidente Othelino Neto (PCdoB) nas questões do parlamento – foi o autor do Projeto de Resolução Legislativa que garantiu que o então 1º vice-presidente sucedesse ao presidente falecido sem necessidade de uma nova eleição. Continua sendo um dos mais ativos mediadores nos bastidores do Poder Legislativo. Pouco afeita à tribuna, mas registrando um elevado nível de frequência, a deputada Nina Melo dedica parte do seu mandato a dar assistência às suas bases eleitorais. Médica por formação, a deputada emedebista atua articulada com o pai, o ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa, Arnaldo Melo, hoje um dos diretores nacionais da Funasa e que também é médico. Avessa a confrontos verbais no plenário, Nina Melo também atua nos bastidores e segue fielmente a orientação do partido. Na avaliação de um emedebista das antigas, a bancada do PMDB na Assembleia Legislativa diminuiu, mas manteve a qualidade.

São Luís, 15 de Abril de 2018.