Roseana Sarney só confirmou candidatura depois que Michel Temer desistiu e decidiu apoiar Henrique Meirelles

 

Roseana Sarney recebeu sinal verde de José Sarney depois que Michel temer desistiu e lançou Henrique Meirelles
Roseana Sarney recebeu sinal verde de José Sarney depois que Michel temer desistiu e lançou Henrique Meirelles

O lançamento, ontem, da candidatura do ex-banqueiro e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles à presidência da República pelo MDB, em ato do partido comandado presidente Michel Temer, que arquivou o seu projeto de tentar a reeleição, explica a decisão da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) de confirmar sua candidatura ao Palácio dos Leões, em ato político realizado segunda-feira. A decisão da ex-governadora foi tomada depois que seu pai, o ex-presidente José Sarney (MDB), obteve a certeza de que o ex-ministro da Fazenda, e não o atual presidente, seria o nome escolhido pelo partido. Mas, se por um lado a candidatura de Henrique Meirelles pode injetar ânimo no projeto de Roseana Sarney, por outro pode criar-lhe um baita problema, já que o candidato do PSDB, senador Roberto Rocha, passará de concorrente amistoso a adversário duro, pois o presidenciável tucano Geraldo Alckmin certamente irá para o confronto aberto com o candidato pemedebista, o que certamente induzirá Roberto Rocha a endurecer o jogo com Roseana Sarney.

A ex-governadora já sabia, no final da semana passada, que o presidente Michel Temer desistiria de disputar a reeleição e que a cúpula do MDB apoiaria o projeto presidencial de Henrique Meirelles. E a explicação é simples: um dos principais conselheiros políticos do presidente Michel Temer, o ex-presidente José Sarney, ao ter certeza de que o chefe da Nação se curvaria à realidade e arquivaria o seu projeto eleitoral sem futuro, e já informado de que o ex-ministro da Fazenda seria lançado candidato, deu sinal verde para que a ex-governadora colocasse ponto final no clima de incerteza que vinha angustiando o Grupo Sarney. Foi liberada pela senha emitida pelo pai que Roseana Sarney iniciou, já quinta-feira da semana passada, uma maratona de reuniões com caciques do Grupo, numa operação que culminou com o anúncio feito na manhã do dia 21 em ato partidário realizado na mansão do Calhau.

Nas conversas que manteve com o presidente Michel Temer e com o agora presidenciável Henrique Meirelles, o ex-presidente José Sarney certamente incluiu a candidatura de Roseana Sarney no grande projeto eleitoral do MDB. Mesmo tendo-o como um trunfo para ser usado dependendo das circunstâncias, José Sarney não simpatizava nem um pouco com a ideia de ver a ex-governadora dependendo do apoio do tucano Geraldo Alckmin, que nunca nutriu um naco de simpatia pela família Sarney. Defensor de uma candidatura própria do MDB desde que Lula da Silva caiu em desgraça, levando junto qualquer possibilidade de reconstruir a relação PT/MDB, José Sarney trabalhou na surdina para viabilizar Henrique Meirelles dentro do partido, principalmente depois que ele, ainda ministro da Fazenda, reagiu fulminante a uma proposta de aliança com os tucanos na qual seria o vice de Geraldo Alckmin. Sem um nome ficha limpa, descente e respeitado entre seus caciques para apresentar à Nação, nem tendo condições de continuar como cerca de encosto do PSDB, o MDB não teve como fugir da candidatura de Henrique Meirelles – ex-banqueiro com fortes ligações com o grande capital internacional, ex-deputado federal e agora ex-ministro da Fazenda com a aureola de quem domou a crise e, dizem, com a ficha limpa.

Ao entrar na corrida pelo Palácio dos Leões no esquema da candidatura do ex-ministro da Fazenda, Roseana Sarney, que já tem sobre a mesa o gigantesco e quase inviável desafio de reverter uma rejeição elevada para tentar alcançar o governador Flávio Dino (PCdoB), aumenta o seu fardo de dificuldades com mais um desafio enorme: levar o nome de Henrique Meirelles aos mais diferentes rincões maranhenses, onde certamente quase ninguém sabe da existência dele. A fórmula é mais ou menos a que levou Fernando Henrique Cardoso: era senador, tornou-se ministro da Fazenda do Governo do presidente Itamar Franco (PMDB), fez o Plano Real, colocou as finanças do Governo nos eixos, domou a inflação e acabou eleito presidente. A diferença é que Michel Temer não é Itamar Franco nem Henrique Meirelles é Fernando Henrique.

Não será surpresa se, ao invés de um candidato cm cacife para somar e embalar a candidatura da emedebista no Maranhão a candidatura de Henrique Meirelles passe a ser um fardo um fardo a mais sobre as costas da ex-governadora.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Guerra eleitoral desembarca na Assembleia Legislativa: governistas e oposicionistas fazem debate duro, mas republicano

Edilázio Jr., Marco Aurélio, Max Barros, Bira do Pindaré e César Pires: debate de bom nível
Edilázio Jr., Marco Aurélio, Max Barros, Bira do Pindaré e César Pires: debate de bom nível sobre realizações de Governos

Como estava previsto, a guerra pelo Governo do Estado desembarcou de vez na Assembleia Legislativa. O desembarque se deu ontem, 24 horas depois que a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) confirmou sua candidatura e se deu na forma de um denso, amplo e tenso embate verbal entre os deputados oposicionistas Edilázio Jr. (PSD), Max Barros (PMB) e César Pires (PV) e os governistas Marco Aurélio (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB). Foi um embate duro, mas de bom nível, como há tempos não ocorria no Plenário Gervásio Santos, com uma discussão sobre a importância e a qualidade da obra dos quase 14 anos de Governo de Roseana Sarney e os três anos e meio da gestão do governador Flávio Dino (PCdoB).

A largada do debate foi dada por Edilázio Jr., que foi à tribuna comentar a confirmação da candidatura de Roseana Sarney, dizendo que ela é “o pesadelo do Governo”, acusando forças governistas de criar a versão de que a ex-governadora não seria candidata, comparou o Governo do PCdoB “com o de Maduro na Venezuela”, disse que as pesquisas que apontam a liderança do governador na corrida eleitoral “são falsas”, repetiu o bordão de que o governador pé “perseguidor” e disse estar convencido de que a emedebistas vencerá a eleição.

Ato contínuo, o deputado governista Marco Aurélio reagiu criticando o lançamento “tardio” da candidatura e “o palanque desfalcado de grandes lideranças” em que se deu.  No rebate a Edilázio Jr., Marco Aurélio: “De repente querem encontrar uma inspiração, reinventar e numa atitude pessoal dizer que vão para cima. O povo não quer mais esse projeto”. E acrescentou: “Qual foi o legado de Roseana Sarney na segurança? Cabeças rolando na penitenciária, cabeças rolando, o caos, ônibus sendo incendiados, a falta de controle, este foi o legado”.

Diante da reação do governista Marco Aurélio, o governista Max Barros entrou na ciranda com um discurso equilibrado no qual saudou a confirmação da candidatura da ex-governadora:  “Eu quero saudar o lançamento da candidatura da ex-governadora Roseana Sarney para as próximas eleições. Eu acho que é um fato importante na política maranhense e é um fato louvável e saudável”.  E defendeu as obras de Roseana Sarney centrando críticas ao atual Governo com um debate  sobre o que é e o que não é “obra estruturante”, elevando mais ainda o nível do embate:  “Obra estruturante é que abrange uma região, abrange o estado todo, e infelizmente não há, de fato não há. Duas obras que eu considero estruturantes: a Ponte do Pericumã, que realmente foi iniciada pelo Governador Flávio Dino, tem quatro anos e não está nem na metade da ponte”.

O governista Bira do Pindaré entrou no debate fazendo uma bem armada contestação às declarações de Max Barros. Começou declarando: Não tem candidatura melhor para enfrentar nesse momento do que a dela, para que a gente possa realmente fazer essa comparação do que era o Governo na sua gestão, nos seus quatro mandatos. Não foram quatro anos; foram quatro mandatos. E os três anos e meio do Governador Flávio Dino, em todas as áreas, nós vamos ter a oportunidade de comparar em todas as áreas: educação, segurança, saúde, infraestrutura, etc., tudo. No seu discurso, Bira do Pindaré argumentou que o conceito de obra estruturante vai muito além da obra civil, como ponte, estrada, etc. Para ele, implantação escolas de tempo integral e escolas técnicas como os Iemas e as escolas básicas como a Escola Digna, assim como a construção e aparelhamento de hospitais regionais são obras estruturantes, por que abrem caminho para uma nova realidade.

O deputado César Pires colocou mais ânimo no debate ao fazer rasgados elogios aos Governos de Roseana Sarney e em seguida centrar o seu longo e empolgado discurso no campo da educação fazendo criticas seguidas à polpitica educacional do atual Governo: “Reforma de escola é mediocridade de discussão como reforma. Não tem como se pensar outra forma. Os indicadores do ENEM são testemunho vivo”. E no final defendeu o debate no nível em que ele estava se dando ontem.

O embate entre governistas e oposicionistas poderia ter prosseguido, mas um estremecimento entre os deputados Edilázio Jr. e Bira do Pindaré, que trocaram insultos mesmo fora da tribuna, obrigou o presidente da sessão, deputado Zé Inácio (PT) a encerrar os trabalhos, deixando no ar a impressão de que o confronto verbal estava apenas começando, conforme previu o deputado Bira do Pindaré.

 

Edilázio Jr. e Bira do Pindaré saem da rota e quase vão às vias de fato

Edilázio Jr. e Bira do Pindaré; debate deslizou para o campo pessoal
Edilázio Jr. e Bira do Pindaré; debate deslizou para o campo pessoal

O debate duro, mas republicano e civilizado, quase foi ofuscado pelo clima de tensão criado num embate pessoal travado pelos deputados Edilázio Jr. e Bira do Pindaré. Ao criticar a ação polpitica e parlamentar do Governo, Edilázio Jr. decidiu estocar o deputado Bira do Pindaré: “Deputado Bira. Tenho certeza de que V. Ex.ª, na hora que coloca a sua consciência, deita no travesseiro e pensa quem foi o Bira do Pindaré combativo ontem e o Bira do Pindaré hoje. O Bira do Pindaré ontem que levantava a mão da esquerda e o Bira do Pindaré que covardemente não vem aqui votar e os seus colegas governistas ficam dizendo: É, deputado, está vendo aí, Bira não veio. Bira não apareceu, não quer ter desgaste”.

Em seguida, Bira do Pindaré voltou à tribuna e contra-atacou: “Quero dizer ao deputado Edilázio que eu vou ignorar as palavras ofensivas dele contra minha pessoa, porque não merece resposta, não tem moral para falar da minha pessoa. É o sujeito que a gente sabe os métodos que usa para conseguir os mandatos que tem. A gente sabe. Todo mundo sabe. Aí quer ter moral para me questionar aqui nessa tribuna? Ah pelo amor de Deus! Não tem moral”.

Edilázio Jr. pediu-lhe um aparte, mas Bira do Pindaré negou-lhe argumentando que outras vezes lhe pediu aparte não foi atendido, daí ter decidido não mais lhe conceder aparte. Edilázio Jr. o chamou de “descortês” e “mal-educado”. Quando Bira do Pindaré encerrou sua fala, Edilázio Jr. tentou falar, mas não estava inscrito. E para evitar um confronto, o deputado Zé Inácio encerrou a sessão. Edilázio Jr. começou a dirigir palavras duras para Bira do Pindaré, que reagiu no mesmo tom e partiu em sua direção, o que levou os seguranças a fazer barreira entre os dois. Houve xingamentos de parte a parte. Edilázio Jr. disse que Bira do Pindaré se safou de ser acusado pelo TCU porque foi protegido. Bira do Pindaré reagiu: “Todo  mundo aqui sabe que tú só se elege com a caneta da juíza”.

São Luís, 22 de Maio de 2018.

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