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Roberto Costa fecha 2019 como líder de um movimento destinado a mudar a cara do MDB maranhense

 

Roberto Costa encara o desafio de mudar a cara do MDB no Maranhão

Nos últimos tempos, o Maranhão tem assistido a líderes da nova geração assumir e dar sobrevida promissora a partidos que caminhavam para a prateleira da História política estadual, a exemplo do hoje deputado federal Márcio Jerry, que comandou a transformação do PCdoB na maior força política maranhense da atualidade, e do deputado federal Juscelino Filho, que tirou o DEM da gaveta do esquecimento e devolveu-lhe parte da força de outros tempos. Nesse cenário de redefinições e transformações partidárias, o deputado estadual Roberto Costa fecha 2019 como o líder que, desafiando a lógica e empreendendo uma complicadíssima obra de engenharia política, está redesenhando a cara ao MDB no Maranhão, o que significa, em certa medida, mudar também a cara do sarneysismo. Atual vice-presidente do partido, o deputado tem usado habilidade e ousadia para oxigenar a maior e mais importante cidadela política do sarneysismo, enfrentando o poder de caciques, os quais, inicialmente resistentes, vão aos poucos compreendendo que o MDB tem de se renovar, sob pena de acabar. O ano que termina foi decisivo para que o MDB, sob o comando eficiente do ex-senador João Alberto e fortemente influenciado pela ala jovem comandada por Roberto Costa, tenha dado passos largos no caminho da renovação.

A guinada começou após o anúncio do resultado das eleições de 2018, quando o MDB foi duramente castigado nas urnas: não elegeu Roseana Sarney governadora, perdeu duas vagas no Senado, só elegeu dois deputados federais (Hildo Rocha e João Marcelo) e dois estaduais (Roberto Costa e Arnaldo Melo). Por pressão da ala jovem, o MDB iniciou um movimento para mudar o comando e a linha de ação. Em meados de dezembro do ano passado, a ex-governadora Roseana Sarney se dispôs a substituir a João Alberto na presidência do partido, mas Roberto Costa se contrapôs, argumentando que o MDB precisava de uma mudança radical, que dessa vez às novas lideranças, e anunciou a própria candidatura a presidente. Roseana Sarney reagiu vetando-o. O partido começou 2019 num cabo de guerra entre Roberto Costa e Roseana Sarney, com a participação do deputado Hildo Rocha, que também vetou Roseana Sarney e se lançou candidato. Diante do risco de um racha fatal, em março foi selado um acordo: João Alberto na presidência tendo Roberto Costa como vice-presidente.

Roberto Costa assumiu na prática o comando político do partido, adotando uma linha de ação mais flexível, adotando uma linha pragmática na Assembleia Legislativa, abrindo canais de conversação, como as sondagens para lançar o juiz federal Carlos Madeira candidato a prefeito e diálogo com outras alas do Grupo Sarney, aproximando o braço maranhense do novo presidente nacional, deputado federal paulista Baleia Rossi, ele próprio líder de uma guinada que renovou o comando nacional do partido. Essa relação foi estreitada ao longo do ano e resultou na vinda de Baleia Rossi ao Maranhão, em novembro, onde foi homenageado por Roberto Costa na Assembleia Legislativa e participado de um encontro de líderes emedebistas cujo ponto alto foi o lançamento da ex-governadora Roseana Sarney como candidata a prefeita de São Luís – ela ficou de pensar.

Roberto Costa atua agora para costurar rasuras internas, dialogando com as diversas correntes do partido, numa operação destinada a alcançar a unidade do MDB para as eleições municipais do ano que vem. Na semana passada, por exemplo, esteve em Brasília, onde manteve várias reuniões com o presidente emedebista, uma delas ao lado do deputado Hildo Rocha, a quem pediu apoio para prosseguir com os ajustes no MDB maranhense. Agora, o desafio maior é preparar o partido para as eleições municipais, tendo como estratégia básica lançar candidatos no maior número possível de municípios, a começar por São Luís e Imperatriz. Enquanto isso, seu principal avalista, o ex-senador João Alberto, mantém o partido bem administrado, como uma máquina política com estacas fincadas em todas as regiões do Maranhão, devendo lançar pelo menos 120 candidatos a prefeitos e centenas de candidatos a vereador.

2020 será decisivo para o projeto de renovação do MDB comandado por Roberto Costa com o aval da ala jovem e, em certa medida, dos caciques do partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Osmar Filho não será candidato a prefeito de São Luís, mas terá papel importante no processo

Osmar Filho: dúvida 

Pelo menos uma decisão já estaria tomada dentro do PDT: o vereador Osmar Filho, presidente da Câmara Municipal, não será candidato a prefeito nas eleições do ano que vem. Ele poderá ser candidato a vice-prefeito em chapa liderada por um candidato do PCdoB ou numa aliança do seu partido com o DEM, ou cuidará de renovar seu mandato, o que parece ser o seu caminho mais provável. Isso não significa dizer que o presidente da Câmara Municipal esteja fora do jogo sucessório. O que é verdadeiro é o fato de que todas as avaliações indicam não ser esse o seu momento de encarar uma disputa majoritária, pois suas chances nessa guerra pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) são modestas diante de candidatos com o poder de fogo de Eduardo Braide (Podemos), Rubens Júnior ou Duarte Júnior (PCdoB), Neto Evangelista (DEM), Bira do Pindaré (PSB), Wellington do Curso (PSDB) e Yglésio Moises (sem partido). Nesse tabuleiro, o presidente da Câmara Municipal terá papel importante no fortalecimento do candidato que vier a apoiar, podendo também se reeleger de novo como campeão de votos, o que poderá até garantir sua continuidade no comando do Legislativo municipal. Osmar Filho já tem experiência política suficiente para perceber que o cenário não lhe é favorável como pré-candidato a prefeito, mas lhe sorrir abertamente se resolver renovar o mantado.

 

Flávio Dino comemora pagamento antecipado dos servidores durante cinco anos

Flávio Dino 

O governador Flávio Dino (PCdoB) anuncia o pagamento antecipado do mês de dezembro aos servidores do Estado, comemorando também o fato de que nos seus 60 meses de Governo pagou os servidores rigorosamente em dia, incluindo o 13º salário nestes cinco anos. O governador tem todo o direito de fazer esse registro em clima de entusiasmo. Afinal, além do fato em si, a manutenção rigorosa do pagamento dos servidores se dá num contexto em que boa parte dos estados enfrenta gigantescas dificuldades para cumprir essa obrigação e outros não têm conseguido cumpri-la, gerando uma cadeia de problemas. Os governadores que amargam essa dificuldade estão cm seu futuro político seriamente comprometido.

São Luís, 24 de dezembro de 2019.

Firme no comando da Assembleia Legislativa, Othelino Neto multiplicou seu espaço político em 2019

 

Othelino Neto: espaço político ampliado por ações bem articuladas no jogo do poder

2019 entra para os registros como um ano em que a política maranhense concluiu o desenho do um cenário no qual novas lideranças, que saíram fortalecidas das eleições de 2018, se consolidaram, pisando firmes para dar as cartas na disputa pelo poder estadual nos próximos tempos. Um dos exemplos mais expressivos e emblemáticos desse contexto é o deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), que aos 43 anos preside a Assembleia Legislativa. Ele ocupa o terceiro lugar na cadeia sucessória estadual e vem ampliando seu espaço político de tal modo que, dependendo dos movimentos do xadrez a ser jogado pelo governador Flávio Dino para 2022, poderá ser candidato a deputado federal, senador, vice-governador ou governador. Atualmente, o parlamentar é apontado por pelo menos 38 dos 41 colegas de Assembleia Legislativa como um presidente eficiente no aspecto administrativo, confiável e inovador no plano legislativo, e já exibindo sinais fortes de liderança na seara política.

A ascensão política de Othelino Neto – que, é bom lembrar, iniciou sua trajetória no movimento estudantil – deu uma grande guinada nos últimos cinco anos. Em 2015, quando se tornou 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto começou a se movimentar com inteligência, ousadia e precisão no complicado escorregadio tabuleiro da política estadual, ampliando o seu raio de ação na complexa e movediça seara parlamentar, surpreendendo a cada passo. Reelegeu-se 1º vice em 2016 numa eleição antecipada da Mesa, sucedeu ao presidente Humberto Coutinho (PDT) – falecido em janeiro de 2018 -, reelegeu-se deputado em 2018 com a quarta maior votação, elegeu-presidente para os quatro anos da atual legislatura, após arquitetar e colocar em prática um amplo acordo envolvendo todas as correntes da Assembleia Legislativa, inclusive a Oposição.

A condição de presidente pelos próximos quatro anos o colocou no epicentro do poder político estadual. Para começar, saltou de uma posição discreta para o centro das decisões do PCdoB. Depois, seus movimentos o credenciaram a se tornar um dos principais interlocutores políticos do Maranhão. Ele já atua fazendo, como chefe do Poder Legislativo, ponte eficiente com o Poder Executivo e o Poder Judiciário, tornando-se, nesse ambiente, um negociador confiável, acreditado principalmente pelos deputados. No plano externo, presidiu o ParlaNordeste, o fórum dos presidentes das Assembleias Legislativas dos nove estados da região, posicionando-se com firmeza nos embates políticos dos líderes nordestinos, entre eles o governador Flávio Dino, com o presidente Jair Bolsonaro. Até agora, atuou no plano institucional com desenvoltura e sem cometer erros, o que tem reforçado seu crescimento no plano político.

Membro atuante de uma geração que vem se firmando numa realidade de plena liberdade política e que no Maranhão comanda uma grande transição liderada pelo governador Flávio Dino, o deputado Othelino Neto tem agido para consolidar a nova ordem com ousados movimentos de inovação. Pessoalmente, quebrou a redoma em que sempre se encastelaram os chefes do Poder Legislativo e tem saído para o debate público com um podcast semanal no qual diz o que pensa sobre os mais diversos temas em voga no Maranhão e no País. No campo institucional, tem levado a Assembleia Legislativa para mais perto do cidadão por meio de uma série de ações, entre elas a Assembleia em Ação, que já aconteceu em várias regiões e alcançou representes políticos de mais de 1,5 milhão de maranhenses.

Claro que o espaço político que multiplicou tem a ver com a presidência da Assembleia Legislativa. Mas é claro também que seu mérito está exatamente no fato de ter alcançado o cargo pela via da articulação, enfrentando concorrentes, que em determinados momentos agiram como adversários. É igualmente óbvio que o status alcançado é fruto permanente do que há de mais verdadeiro na política: a luta pelo poder. A essas alturas, o deputado Othelino Neto sabe que seus próximos passos políticos serão difíceis e decisivos. Mas a julgar pelo desempenho político que alcançou em 2019, poucos duvidam de que tem condições de chegar a 2022 com força para uma disputa majoritária.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Braide tem dificuldades para definir perfil político e partidário da sua candidatura

Eduardo Braide

Ao mesmo tempo em que surfa na condição de favorito na disputa à Prefeitura de São Luís, o deputado federal Eduardo Braide enfrenta a incômoda situação de não ter ainda dado uma identidade política e partidária ao movimento que vai embalar sua candidatura. Político de centro-direita, muito identificado com a ideologia do seu novo partido, o Podemos, Eduardo Braide pode vir a ter o apoio do PSDB, liderado pelo senador Roberto Rocha, ou, em outro cenário, disputar numa aliança com o PSD, comandado agora pelo deputado federal Edilázio Jr., também de centro-direita, mas com o carimbo do Grupo Sarney na camiseta, mesmo não tendo o apoio declarado dos chefes do grupo.

Com a experiência da eleição passada, quando concorreu sem o suporte de um grupo partidário, Eduardo Braide sabe que eleição para prefeito de uma cidade como São Luís é, em grande medida, fruto de uma grande articulação, que começa com aliança partidária. Isso significa dizer que ele, mesmo embalado pelo favoritismo, dificilmente terá sucesso eleitoral se repetir a façanha de tentar eleger-se como um outsider.

E para complicar ainda mais o cenário, alianças com o PSDB e o PSD ainda dependerão do desfecho de guerras internas nestes dois partidos.  O PSDB caminha para um embate de desfecho imprevisível entre o deputado Wellington do Curso, que tem bom desempenho nas pesquisas e se declarou candidato, e o senador Roberto Rocha, que vislumbra aliar o ninho dos tucanos de São Luís ao candidato do Podemos, ocupando a vaga de vice. No PSD, os caciques do Grupo Sarney certamente tentarão levar o partido para uma aliança com o PV em torno da candidatura do deputado estadual Adriano Sarney, que também já avisou que será candidato de qualquer maneira.

Eduardo Braide tem tempo para definir o perfil da sua candidatura, mas difícil livrar-se dos respingos de uma guerra no PSDB e de um carimbo do sarneysismo.

 

PDT já avalia não lançar candidato em São Luís

Uma certeza começa a dominar o PDT: o partido não fará o   sucessor do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, devendo perder o controle sobre a mais importante máquina municipal do Maranhão. O presidente da agremiação, senador Weverton Rocha (foto), já fez e refez todos os cálculos políticos e eleitorais e não encontrou um pedetista com densidade para entrar na   sucessória com alguma possibilidade de sucesso. O nome mais próximo dessa condição é o presidente da Câmara de São Luís, vereador Osmar Filho, mas pedetistas de proa avaliam que ele, mesmo politicamente forte, não tem fôlego eleitoral para encarar uma disputa que se desenha muito difícil e com vários candidatos fortes. E à medida que o tempo passa e o pleito se aproxima, torna-se mais forte a possibilidade de o comando partidário vir a optar por uma aliança com o DEM em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista. Isso só não será concretizado se o comando da aliança governista decidir mudar de rumo.

São Luís, 22 de Dezembro de 2019.

Flávio Dino joga com sabedoria ao dividir com Edivaldo Júnior decisões sobre sucessão em São Luís

 

Edivaldo Holanda Jr. e Flávio Dino: sintonia para comandar eleições em São luís

Não surpreendeu a declaração do governador Flávio Dino (PCdoB) em entrevista concedida quarta-feira (18) ao programa Ponto & Vírgula, da Rádio Difusora AM, afirmando que as decisões do grupo governista sobre candidatura à Prefeitura de São Luís passarão necessariamente pelo prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), por ser ele o comandante do processo político na Capital. Com a sabedoria das grandes raposas, o governador sinalizou que vai participar do processo, no qual certamente terá influência forte e decisiva, mas deixou claro que, por ser o prefeito, estar bem avaliado e ter acumulado duas vitórias seguidas nas urnas ludovicense, Edivaldo Júnior detém a prerrogativa política de ser o coordenador do processo de escolha do candidato do seu partido ou de uma ampla aliança à sua sucessão. Com a manifestação, o governador reconhece o poder de fogo político e eleitoral do prefeito de São Luís, como também demonstra desenvoltura para administrar um tabuleiro no qual se movimentarão aliados importantes, como o deputado federal Rubens Júnior ou o deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB), o deputado federal Bira do Pindaré (PSB), os deputados estaduais Neto Evangelista (DEM) e Yglésio Moises (sem partido), o jornalista Jeisael Marx (Rede) e o ex-juiz federal Carlos Madeira (Solidariedade).

Flávio Dino sabe que a corrida à Prefeitura de São Luís não é uma competição qualquer. Tem plena consciência de que, além de ser a Capital, centro do poder político e referência para todos os demais municípios, São Luís é o maior e mais importante colégio eleitoral maranhense, abrigando mais de 15% do eleitorado maranhense, o que a torna decisiva nas disputas estaduais. Nesse contexto, Flávio Dino trabalha com o fato de o prefeito Edivaldo Júnior ser hoje detentor de um profundo conhecimento das tendências e nuanças políticas e eleitorais da Capital, cacife conseguido em sete anos no comando administrativo e político da cidade, realizando um Governo republicano, eficiente e sem máculas. O prefeito eleito e reeleito de São Luís tem, portanto, o domínio da cena política ludovicense.

É claro que Edivaldo Holanda Júnior não pretende assumir sozinho a responsabilidade pela sua sucessão. Ele trabalha com a perspectiva de dividir com o governador e os chefes partidários – a começar pelo senador e presidente estadual do PDT Weverton Rocha -, a desafiadora tarefa de comandar as forças governistas na corrida eleitoral, ainda que dando preferência ao candidato do PDT, se ele vier a ser lançado. Mas, a julgar pelo que está sendo alinhavado, o prefeito de São Luís sabe que seu caminho natural e mais sensato é sentar com o governador e com os chefes partidários do campo governistas e com eles traçar estratégias, escolher candidato e marchar para as urnas. E, tão importante como os demais itens, manter o padrão administrativo que vem lhe dando autoridade política cada dia mais forte.

Edivaldo Holanda Júnior tem plena consciência de que o desfecho da sua sucessão na Prefeitura de São Luís está diretamente relacionado com o seu futuro político. Se conseguir emplacar o sucessor, seja do PDT ou de outro partido da aliança governista, o futuro prefeito assumirá com o compromisso de apoiar o projeto político e eleitoral que vier a traçar disputar votos proporcionais ou majoritários nas eleições de 2022. Caso o desfecho lhe seja desfavorável, seus próximos passos serão bem mais difíceis. Daí ser natural, lógico e imperativo que o prefeito reúna o máximo de prestígio político e de força eleitoral para ter participação decisiva na sua própria sucessão. E o caminho mais seguro é somar forças com o governador Flávio Dino.

E pelo que demonstrou respondendo às provocações dos jornalistas Leandro Miranda, John Cutrim e Minard na entrevista na Difusora, o governador Flávio Dino fecha com esse projeto que, se bem-sucedido, turbinará o futuro do prefeito Edivaldo Holanda Júnior.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PCdoB quer Rubens Júnior e Duarte Júnior como aliados na disputa na Capital

Duarte Jr. e Rubens Jr. juntos em SL

O governador Flávio Dino vem dando seguidas demonstrações de que ainda não bateu martelo em relação à disputa entre o deputado federal Rubens Júnior e o deputado estadual Duarte Júnior pela vaga de candidato do PCdoB à Prefeitura de São Luís. Ele enxerga consistência e experiência política no primeiro e potencial eleitoral no segundo, indicando que a escolha deve ser uma construção cuidadosa, que não torne o escolhido um vencedor e o não escolhido um derrotado. Para ele, o PCdoB deve juntar os dois em torno do projeto comum de levar o partido ao comando administrativo e político da Capital. Até agora, a estratégia do governador, acertada com o presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, vem se desenvolvendo com esse ânimo, de modo que os dois pré-candidatos vêm mantendo uma relação cordial, sem tensões aparentes, e demonstrando que poderão, sim, firmar um compromisso de apoio mútuo independentemente de quem venha a ser o candidato. É evidente que dentro do partido há uma clara preferência por Rubens Júnior, mas isso não significa menosprezo pelo pleito de Duarte Júnior. O governador e o comando do PCdoB não querem que o deputado Duarte Júnior deixe o partido para se candidatar por outra agremiação. Nas próximas semanas haverá esforço concentrado do comando do PCdoB para fazer a escolha sem o não escolhido arrume as malas e deixe migre para outro partido.

 

Agora sem a pressão dos bolsonaristas, Chico Carvalho volta a comandar o PSL à sua maneira

Chico Carvalho

O vereador Chico Carvalho vai fechar o ano como um vencedor no comando do PSL maranhense, tarefa que realiza com mão firme há mais de uma década. Político “passado na casca do alho”, como dizem os que o conhecem, Chico Carvalho sabia o que estava fazendo quando resistiu tenazmente às investidas dos bolsonaristas para catapultá-lo da presidência do partido. Próximo do presidente nacional e fundador do partido, o deputado federal pernambucano Luciano Bivar – que encarou com igual tenacidade os ataques violentos do presidente Jair Bolsonaro e sua turma para tomar-lhe o comando partidário -, Chico Carvalho, agora com ânimo renovado, voltou a ser senhor incontestável do PSL maranhense, devendo dar um chega-pra-lá nos bolsonaristas. Agora sem a ameaça incômoda da turma que obedece aos comandos do Palácio do Planalto, Chico Carvalho se prepara para lançar uma chapa completa – com candidatos a prefeito, vice e vereador em São Luís.

São Luís, 20 de Dezembro de 2019.

Numa eleição apertada, TJ fecha um ciclo elegendo Lourival Serejo presidente e Paulo Velten corregedor

 

Lourival Serejo (presidente), entre Paulo Velten (corregedor) e José Bernardo (vice-presidente) eleitos para assumir o comando do TJ em abril de 2020

Numa eleição histórica, marcada por uma disputa dura, que manteve o resultado indefinido até a contagem dos votos, o Tribunal de Justiça fechou um ciclo ao eleger ontem sua nova Mesa Diretora, que assumirá em abril do ano que vem. Foram eleitos os desembargadores Lourival Serejo (presidente), José Bernardo Rodrigues (vice-presidente) e Paulo Velten (corregedor geral da Justiça). O presidente eleito escolheu o desembargador Cléber Carvalho para a função de Ouvidor Geral e o corregedor eleito manteve a juíza Diva Mendes no comando do Fórum de São Luís, “até segunda ordem”. Comandado pelo desembargador-presidente José Joaquim Figueiredo dos Anjos, o pleito de ontem deveria ser mais um item rotineiro da pauta do Colégio de Desembargadores a cada dois anos, mas transformou-se numa espécie de ruptura de velhos padrões, causando a impressão de que as eleições influenciadas por pressões políticas externas viraram coisa do passado. Mais do que a eleição do desembargador Lourival Serejo, a derrota da desembargadora Nelma Sarney por dois votos sepultou definitivamente a possibilidade de o sarneysismo voltar a ter influência decisiva no comando do Poder Judiciário.

Foi uma eleição sem tensões aparentes, mas decidida após uma longa e intensa disputa ocorrida nos bastidores até minutos antes da votação. Apoiado pelo presidente José Joaquim dos Anjos, o desembargador Lourival Serejo começou sua “campanha” com o favorito, mas os movimentos da desembargadora Nelma Sarney ganharam força e ela chegou ao plenário com 14 dos 30 votos. Todas as previsões feitas até horas antes da eleição indicaram que Lourival Serejo teria no máximo 17 votos. Ele teve 16. Na disputa pela Corregedoria Geral da Justiça ouve uma inversão, com a vitória desembargador Paulo Velten, do grupo que apoiou Nelma Sarney, sobre a desembargadora Maria da Graça Mendes, por 16 votos contra 14, da chapa apoiada pelo presidente José Joaquim Figueiredo. A exceção foi o desembargador José Bernardo Rodrigues, que concorreu como candidato único e foi eleito vice-presidente com 25 votos.

O aspecto mais relevante da eleição do comando do TJ foi que, mesmo ainda movido pela ação de grupos articulados, com desembargadores mais ou menos influentes, o Poder Judiciário do Maranhão mostrou ontem já não é uma instituição controlada por caciques nem exposta a influências políticas externas. Vale agora, ali, uma intensa e permanente luta pelo poder, nas qual candidatos formam grupos de apoio. Atual vice-presidente e agora presidente eleito, o desembargador Lourival Serejo não participa nem lidera grupo, enquanto a desembargadora Nelma Sarney é expressão máxima do sarneysismo dentro do Poder Judiciário. E foi exatamente essa marca da sua candidatura que a tornou forte, mas permitiu a formação de uma resistência à sua guinada ao comando do Poder Judiciário. Essa pode ter sido a última investida do Grupo Sarney para chegar ao comando da Justiça no Maranhão.

Magistrado conhecido pela seriedade, pelo amplo conhecimento do Direito e pelo rigor técnico dos seus julgamentos, o desembargador Lourival Serejo cria a perspectiva de que fará uma gestão independente, sem condicionar sua linha de ação a compromisso com o atual presidente, que o apoiou clara e ostensivamente. Por outro lado, uma eventual presidência da desembargadora Nelma Sarney teria muitas das suas decisões   associadas a interesses do Grupo Sarney, o que tornaria seu mandato sempre marcado por dúvidas e submetido a questionamentos. Ao eleger Lourival Serejo, a maioria preferiu colocar o Poder Judiciário numa rota distante de influências externas, que na maioria das vezes lhe corroem a saúde e a credibilidade.

Pode-se dizer que a eleição de ontem o Tribunal de Justiça optou por uma existência menos maçônica e mais republicana, permitindo o embate direto e fazendo escolhas equilibradas e podando as aspirações de candidatos a caciques, que definitivamente não mais cabem numa instituição colegiada.

Em Tempo: a Coluna cantou a pedra na sua edição de domingo (15), prevendo a eleição do desembargador Lourival Serejo, mas   por um placar apertado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eleição de ontem desenhou um embate de nível para a sucessão em 2021

Marcelo Carvalho e Paulo Velten devem disputar a presidência do TJ em 2021

A eleição da nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça abriu contagem regressiva de uma disputa que terá desfecho em dezembro de 2021, quando o Colégio de Desembargadores escolherá os pares que comandarão o Poder Judiciário no biênio 2022/2023. Ela deve se dar entre o corregedor eleito, desembargador Paulo Velten, e o atual corregedor, Marcelo Carvalho.

Explica-se. Um dos três desembargadores mais antigos que ainda não foram presidentes, Marcelo Carvalho seria candidato natural a presidente, juntamente com Nelma Sarney e Paulo Velten. Mas, num grande acordo, renunciou à candidatura para permitir que Lourival Serejo ascendesse e pudesse ser candidato. Ao confirmar a renúncia, Marcelo Carvalho avisou aos pares, em tom elevado e português claro: é, desde já, candidato a presidente na próxima eleição.

Ocorre que o desembargador Paulo Velten foi eleito corregedor sem participar desse acordo, estando muito à vontade para decidir seus próximos passos sem amarração. E mesmo sem fazer discurso nem anúncio nessa direção, deixou muito claro também que vai cumprir a tradição segundo a qual corregedor é candidato natural a presidente. Ou seja, vai disputar a presidência com o desembargador Marcelo Carvalho.

Uma disputa republicana entre os desembargadores Paulo Velten e Marcelo Carvalho pelo comando do Poder Judiciário é o que pode se chamar de guerra salutar. São magistrados plenamente sintonizados com a realidade atual, são estudiosos do Direito, têm plena consciência do contexto em que a Justiça está evoluindo e poderão dar uma expressiva contribuição para melhorar a prestação dos serviços judiciários no Maranhão.

 

Duas reações de insatisfação chamaram a atenção na sessão de ontem do TJ

A sessão administrativa na qual foi realizada a eleição da nova Mesa Diretora do Poder Judiciário foi marcada por duas manifestações de mau-humor.

A primeira foi protagonizada pelo presidente da Corte, desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos (foto), que abriu os trabalhos mostrando-se muito incomodado com uma ação protocolada no Conselho Nacional de Justiça denunciando o mandato tampão que “esticou” em três meses o mandato da atual Mesa Diretora, de modo que a Mesa eleita ontem só tomará posse no início de abril. Sem revelar o autor nem detalhar o conteúdo da ação, José Joaquim criticou a iniciativa e se manifestou disposto a renunciar, para demonstrar que o mandato-tampão foi uma decisão da Corte e não um ato monocrático do presidente. Foi apoiado por vários desembargadores, que ratificaram a natureza colegiada da decisão. Recebeu também o apoio do corregedor Marcelo Carvalho, que se disse disposto a renunciar também se o presidente assim o fizesse, o que, claro, não aconteceu. Ficou no ar apenas o mal-estar.

A segunda manifestação partiu da desembargadora Maria da Graça Mendes (foto), que perdeu por apenas dois votos a disputa pela Corregedoria Geral da Justiça. Ao se manifestar após o anúncio do resultado, a magistrada não conseguiu esconder sua insatisfação por não ter sido eleita. Disse que em mais de 40 anos de magistratura passou por muitas dificuldades, tendo sido até perseguida, mas que chegou onde chegou pelo seu trabalho e sua força de vontade. E foi mais longe ao afirmar que a não eleição lhe ensinou muita coisa, entre elas “ter aprendido a conhecer as pessoas, o caráter das pessoas”, referindo-se a colegas desembargadores que lhe prometeram e não lhe deram seus votos. E encerrou o desabafo dizendo que se sentia vencedora e que “não se deve cuspir no prato que comeu”.

São Luís, 19 de Dezembro de 2019.

Flávio Dino avalia que 2019 foi um ano de “muitas lutas”, mas também de “muitas vitórias”

 

Flávio Dino diz ter convicção de que está no caminho certo ao investir no plano social

“Foi um ano de muitas lutas, mas também de muitas vitórias”. Foi como o governador Flávio Dino (PCdoB) definiu 2019, o primeiro ano do seu segundo mandato e o primeiro do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com quem tem mantido uma convivência politicamente conflituosa e administrativamente complicada. As dificuldades na relação Palácio dos Leões-Palácio do Planalto, porém, não impediram que o Governo do Maranhão mantivesse suas contas em ordem, servidores pagos em dia, incluindo o 13º salário, serviços funcionando a contento nas áreas de educação, saúde, segurança e infraestrutura, assim como em todas as demais áreas do Governo. Relatou que, rompendo barreiras e dificuldades, realizou investimentos arrojados, frutos de uma gestão financeira racional e exigente quanto à qualidade do gasto público e, pode-se afirmar, sem traço de corrupção. Esse cenário foi desenhado com entusiasmo e otimismo pelo governador Flávio Dino na segunda-feira, numa longa e detalhada entrevista-balanço que concedeu à Rádio Timbira AM, no programa comandado pelo jornalista Gilberto Lima.

Ao longo de 92 minutos, o governador mostrou que governa plenamente, que mantém controle implacável sobre as finanças, que faz uma gestão planejada e racional, que conhece em detalhes o que está sendo feito em cada segmento do Governo, e que, apesar das dificuldades financeiras, planeja fazer muito mais nos próximos três anos. Demonstrou, de maneira convincente, que consegue informar, com detalhes, sobre uma obra de qualquer porte em qualquer povoado maranhense, relaciona pontes, estradas, escolas, casas de saúde, projeto social ou qualquer outra atividade do Governo, informando tamanho, extensão, custo e finalidade. Dá, enfim, seguidas demonstrações de que as 14 horas diárias que dedica ao trabalho – em São Luís, no interior, fora do estado e, às vezes, fora do País – são de mão na massa, orientando, discutindo e cobrando, numa maratona diária, sem interrupções.

Na entrevista, além do balanço positivo do primeiro ano do seu segundo mandato, o governador Flávio Dino fez revelações surpreendentes: aplica atualmente R$ 130 milhões mensais para manter a rede estadual de saúde, formada por dezenas de hospitais, recebendo apenas de R$ 30 milhões de suporte federal; recebeu cinco restaurantes populares e hoje mantém 42, devendo chegar a 50 em pouco tempo, já tendo servido nada menos que 14 milhões de refeições, o equivalente ao dobro da população do Maranhão. A lista de obras inauguradas neste ano é expressiva, obrigando a presidir inaugurações até no dia 30 de dezembro. E comemorou, por exemplo, o fato de São Luís ter saído de uma situação de 90 assassinatos/mês para apenas 10 casos., mas ressalvando que mesmo somente uma dezena ainda é muita cousa.  E informou que, se comparado aos Governos até 2014, ele governa proporcionalmente com menos recursos, já que, ao contrário daqueles, seu Governo não conta com o apoio do Governo Federal.

Numa conversa franca, Flávio Dino não dourou a pílula da sua gestão. Sua entrevista não foi uma peça produzida por orientação de marqueteiros. Falou sobre os resultados alcançados com a convicção do gestor que dribla enormes dificuldades para fazer o melhor que as condições lhe permitem, e que dorme tranquilo por ter no plano social o foco maior das suas ações. Demonstrou certeza plena de que vem fazendo o que deve ser feito num estado como o Maranhão, lamentando que programas federais como o Minha Casa, Minha Vida estejam sendo desativados, gerando desencanto e causando desemprego. Reafirmou sua crença de que o foco de um governo deve ser a maioria, com prioridade para os mais necessitados, e chamou de “fariseus” e de “sepulcros caiados” aqueles, no seu entendimento, “governam para poucos”. Avaliou, com indisfarçável vaidade, que tem o reconhecimento e a confiança dos maranhenses. “Mesmo aqueles que não gostam do meu Governo nos respeitam, porque eles também são respeitados”, disse, com a segurança de quem sabe o alcance e a gravidade do que está dizendo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Marco Aurélio caminha para ampliar e consolidar liderança em Imperatriz

Marco Aurélio amplia liderança e Ildon Marques é ameaçado por Sebastião Madeira, que já passou Assis Ramos

Com base em 600 entrevistas, realizadas entre os dias 11 e 13 de dezembro, e com margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, nova pesquisa do Instituto Econométrica mostrou que a corrida para a Prefeitura de Imperatriz começa a ganhar contornos mais definidos, com posições mais ajustadas à realidade política da antiga Vila do Frei.

Para começar, sinaliza que, agora embalada por 26,2% das intenções de voto, a liderança do pré-candidato do PCdoB, deputado estadual Marco Aurélio, tende a se ampliar e se consolidar, produzindo o resultado previsto pela grande articulação política que ele vem conduzindo cuidadosamente no segundo maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão.

O segundo ponto é que o líder coloca quase o dobro da margem de erro sobre o segundo colocado, com 20,2%, o ex-prefeito Ildon Marques (PSB), que já foi o primeiro e agora, em queda, se vê ameaçado pelo ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), que com 15%, avançou quatro pontos percentuais desde o último levantamento. Se não reagir logo e não encontrar o caminho do crescimento, o ex-prefeito Ildon Marques corre o risco de ser atropelado pelo velho adversário.

Finalmente, a situação do prefeito Assis Ramos (14,7%), agora posicionado em empate técnico com seu antecessor Sebastião Madeira, de quem já esteve à frente com vários pontos percentuais. O prefeito de Imperatriz encontra-se numa situação dramática de desidratação, enfrentando gigantescos obstáculos para repetir a performance de 2016, quando venceu a eleição como azarão.

O deputado Marco Aurélio avança como líder consistente, que vem sabendo construir uma base eleitoral sólida, a partir de uma plataforma política bem trabalhada.

 

Wellington do Curso ignora posição de Roberto Rocha e mantém candidatura pelo PSDB

Wellington do Curso e Roberto Rocha medem força pela vaga de candidato à Prefeitura de São Luís

A corrida para a Prefeitura de São Luís vem produzindo uma crise que poderá terminar com a desagregação do PSDB municipal. A equação que pode explodir o ninho dos tucanos já é conhecida e só tende a se agravar. Bem posicionado nas pesquisas, o deputado estadual Wellington do Curso se movimenta como candidato autodeclarado do partido, mas não encontra apoio no presidente da agremiação tucana, senador Roberto Rocha, que vem articulando uma aliança com candidato do Podemos, deputado federal Eduardo Braide, líder da corrida até aqui. Ancorado por uma base de mais de uma dezena de percentuais de intenções de voto, segundo várias pesquisas, Wellington do Curso já avisou que não abre mão da candidatura nem pretende deixar o partido para disputar por outra legenda. E estaria disposto a pedir do apoio do chefe maior do partido, o prefeito de São Paulo, João Dória, que não estaria satisfeito com a linha bolsonarista adotada por Roberto Rocha no Senado. Especulações à parte, o fato é que Wellington do Curso está disposto a encarar a disputa dentro do PSDB.

São Luís, 18 de Dezembro de 2019.

Dividido, Tribunal de Justiça elegerá novo comando em pleito tenso e muito disputado

 

Favorito, Lourival Serejo terá Nelma Sarney como adversária para a presidência. Embaixo: Maria das Graças Mendes terá com adversário Paulo Velten para a Corregedoria

Movimentos intensos nos bastidores do Palácio Clóvis Bevilacqua, marcados por um clima de confronto entre dois grupos, indicam que a eleição do novo presidente do Tribunal de Justiça (TJ), a ser realizada na quarta-feira (18), poderá ser fruto de uma disputa dura, voto a voto, e com desfecho imprevisível. De um lado, o grupo da Situação, comandado pelo desembargador-presidente José Joaquim Figueiredo dos Anjos, apoia a candidatura do desembargador Lourival Serejo, atual vice-presidente; do outro, o grupo oposicionista dá sustentação à candidatura da desembargadora Nelma Sarney. A disputa pelo comando da Corregedoria Geral da Justiça será igualmente dura, tendo de um lado a desembargadora Maria das Graças Mendes; e do outro o desembargador Paulo Velten, apoiado pela Oposição. Fonte bem situada no Poder Judiciário calcula que cada candidato a presidente tem, seguros, 12 votos, e que as articulações a serem feitas até quarta-feira darão maioria apertada ao vencedor. Não haverá disputa pela vice-presidência, já que a candidatura do desembargador José Bernardo Rodrigues é fruto de um grande acordo, devendo ser ele eleito por larga maioria de votos ou até   mesmo por aclamação.

Há muito o Poder Judiciário do Maranhão não era afetado por uma guerra entre grupos tão intensa como agora. O primeiro sintoma veio há dois meses, quando o atual desembargador-presidente José Joaquim Figueiredo dos Anjos se candidatou para vaga do TJ no Tribunal Regional Eleitoral e teve sua eleição ameaçada pela desembargadora Ângela Salazar, lançada candidata à última pela a Oposição. A disputa para o TRE escancarou a divisão e demonstrou que o poder de fogo do presidente estava reduzido. A eleição de quarta-feira caminha na mesma direção, alimentando a quebra da tradição de que, mesmo podendo haver três concorrentes – os mais antigos – as eleições para presidente do TJ/MA têm sido feitas por acordo e muitas vezes por consenso.

O desembargador Lourival Serejo, por sua vez, é o candidato apoiado pelo presidente Joaquim Figueiredo. Sua candidatura, porém, precisa ser confirmada com a renúncia do desembargador Marcelo Carvalho ao direito de ser candidato por ter mais tempo de Casa.  Atual corregedor, Marcelo Carvalho já declarou inúmeras vezes que não quer ser candidato a presidente, mas para que Lourival Serejo seja candidato, ele tem de formalizar sua renúncia até a manhã de quarta-feira, pois caso contrário, Lourival Serejo não poderá ser candidato. A expectativa no TJ é a de que Marcelo Carvalho formalize a renúncia nesta segunda-feira ou, no máximo, na terça-feira, de modo a garantir a candidatura de Lourival Serejo, que está em campanha e é tido como favorito nos bastidores da Corte. Ele venceu a eleição na AMMA com 121 votos.

Com trajetória complicada por conta de laços de família – é casada com Ronald Sarney, irmão do ex-presidente José Sarney -, a desembargadora Nelma Sarney afirma nos bastidores que chegou a sua vez e que não abre mão da sua candidatura, um direito garantido por ser ela, de fato, o nome da vez no rodízio que garante a prerrogativa de candidatura aos três mais antigos. Até algum tempo atrás, Nelma Sarney tinha apoio irrisório, principalmente pelo fato de que os presidentes tinham força. Atualmente, há um vazio de liderança no TJ, situação que vem ficando cada dia mais evidente, permitindo um racha crescente no colégio de desembargadores. A candidatura de Nelma Sarney é fruto desse contexto. Numa eleição simulada na Associação dos Magistrados do Maranhão (AMMA), realizada na semana passada, a desembargadora recebeu 43 votos.

A disputa pelo cargo de corregedor geral da Justiça entre os desembargadores Graça Melo e Paulo Velten reflete também o clima de divisão e, em certa medida, de animosidade que atualmente permeia o colégio de desembargadores. Graça Melo deveria ser eleita por aclamação, como foram os últimos ocupantes do cargo, entre eles o atual, Marcelo Carvalho. Mas a entrada de Paulo Velten na disputa mudou radicalmente esse cenário, tornando o desfecho imprevisível.  Ninguém arrisca um prognóstico para essa eleição, pelo fato de os dois candidatos estarem decididos a alcançar o cargo e empenhados em busca de votos.

Entre os desembargadores, a expectativa é a de que o desfecho dessa eleição criará as condições para que a Corte volte a viver tempos menos tensos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Rubens Júnior afasta a timidez e se mostra disposto e entrar na briga por São Luís

Rubens Júnior: mostrando-se agora como pré-candidato assumido à Prefeitura de SL

O deputado federal licenciado e atual secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano Rubens Júnior caminha para se credenciar efetivamente como o nome que o PCdoB vai lançar para disputar a Prefeitura de São Luís. A evidência indiscutível dessa guinada é um vídeo em que o parlamentar quebra a timidez e se mostra à vontade e dizendo o que pensa sobre, principalmente, ser político. O mote do discurso é “fazer bem feito”, deixando no ar, com clareza solar, a base de uma campanha que começa a ser desenhada, mostrando também um político jovem, determinado, descontraído e se apresentando como alguém que sabe o que e como deve ser feito. Rubens Júnior se movimenta agora apagando a imagem de pré-candidato reservado, que pouco se mostrava. No vídeo, ele se revela em diversos aspectos: o político precoce e atuante que deu certo na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, e o secretário que está preparado para ser prefeito e cidadão normal, de hábitos simples, sem qualquer traço de ostentação.  E pelo ânimo que vem demonstrando, parece determinado a ser o candidato do PCdoB, inclusive expondo rara honestidade ideológica, quando se declara um “político de esquerda”, “comunista”, “um vermelho”. E com um dado mais autêntico ainda: a lealdade política ao timoneiro Flávio Dino (PCdoB), a quem se ligou desde os primeiros movimentos na seara político. Rubens Júnior passa a impressão de que é um político integral, preparado e confiável.

 

Seja ou não candidata, Roseana Sarney terá influência decisiva da escolha do MDB na Capital

Roseana Sarney terá influência decisiva na posição do MDB em SL

Nem MDB nem a ex-governadora Roseana Sarney fixaram prazo para que ela decida se será ou não candidata do partido à Prefeitura de São Luís. Não houve acordo formal nesse sentido, mas pela experiência que ela própria tem acumulada nessa matéria, certamente tomará uma decisão até janeiro, podendo assumir o desafio da candidatura e mobilizar seus partidários, ou declinar da indicação para deixar a agremiação à vontade para seguir o rumo que julgar melhor. Nos bastidores emedebista, porém, há uma certeza circulando, a de que, se não for candidata, Roseana Sarney terá influência decisiva na escolha do candidato do partido à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Há quem diga que ela tem um ou dois nomes no bolso do colete, mas prefere manter isso em segredo até ter a certeza de quem é melhor. Circulam também rumores de que a ex-governadora poderá sugerir ao partido uma aliança com o PV em torno da candidatura do deputado estadual Adriano Sarney, um projeto que não é sequer admitido pela cúpula emedebista, mas que poderá ser considerado se o sobrinho quebrar o gelo e conversar com a cúpula do MDB. O fato é que, depois do encontro em que ela foi lançada à revelia, o MDB abriu caminho para que a ex-governadora tenha, se não a palavra final, pelo menos participação decisiva na escolha do candidato do partido ao Palácio de la Ravardière.

São Luís, 15 de Dezembro de 2019.

 

Othelino Neto, Rafael Leitoa, Marco Aurélio, Neto Evangelista e Roberto Costa se destacaram como articuladores

 

Othelino Neto, Rafael Leitoa, Marco Aurélio, Neto Evangelista, Roberto Costa e Adriano Sarney: articuladores mais ativos da atual Assembleia Legislativa

Na atividade parlamentar, o fato de o Governo contar com uma bancada majoritária e politicamente plural nem sempre é garantia de que as proposições que encaminha ao Poder Legislativo sejam aprovadas sem problemas. Na atual composição da Assembleia Legislativa, a maioria governista é esmagadora – dos 42 deputados, 36 apoiam o Governo e apenas seis lhe fazem Oposição. Mas isso não significa que os deputados governistas pensem igual e atuem sempre como um batalhão coeso. Ao contrário, a bancada alinhada ao Palácio dos Leões é uma colcha de retalhos partidários e ideológicos, que vai da direita, passa pelo centro e se completa com a esquerda. Em determinados temas, é grande o esforço para conciliar diferenças, que se conflitam pelas disputas municipais, por incompatibilidades partidárias e até mesmo por divergências pessoais. É nesse emaranhado que entram os articuladores, parlamentares bem situados, acreditados, que operam nos bastidores o no plenário para superar dificuldades quando elas se mostram na discussão de matérias sensíveis, como mudança tributária, problemas nas áreas de educação, saúde e infraestruturas, entre outras. Neste primeiro ano da atual legislatura, o presidente Othelino Neto (PCdoB) e os deputados Rafael Leitoa (PDT), Marco Aurélio (PCdoB), Neto Evangelista (DEM), Roberto Costa (MDB) e Adriano Sarney (PV) se destacaram no trabalho de articulação.

Por conta do poder de fogo do cargo de presidente e pela surpreendente habilidade que vem demonstrando no comando da casa, o deputado Othelino Neto tem dado o norte a todos os movimentos da Assembleia Legislativa, dentro e fora do plenário. No exercício da presidência, ele tem trabalhado para resolver pendências de parlamentares com o Executivo, tem construído e mantido boa convivência do Legislativo com o Judiciário, tem aparado arestas entre deputados. Além disso, alimenta cuidadosamente as relações com as suas bases eleitorais, dando a atenção devida a prefeitos e vereadores. Ontem, por exemplo, fez uma visita de cortesia ao prefeito interino de São Luís, Júlio Pinheiro, seu colega de partido. Isso depois de ter comandado a sessão na qual foi votado do Orçamento do Estado para 2020, tendo ouvido elogios de 19 deputados por sua atuação.

Na ao mesmo tempo poderosa e espinhosa função de líder do Governo, o deputado Rafael Leitoa é um dos articuladores mais ativos da Assembleia Legislativa. Suas atribuições vão desde o acompanhamento das matérias de interesse governista que tramitam na Casa, participação nas comissões técnicas, mobilização para o voto a favor e contrário, dependendo da matéria em pauta e a desafiadora tarefa de ocupar a tribuna para explicar ações governistas ou defendê-las dos duros ataques da Oposição. Engenheiro Civil por formação, Rafael Leitoa tem sido um articulador eficiente, que consegue conversar com todas as correntes que formam o plenário.

Na ciranda das articulações, o deputado Marco Aurélio (PCdoB), professor por formação, desempenha a complexa e exigente tarefa de comandar o Bloco Parlamentar Unidos pelo Maranhão (Blocão), a base parlamentar governista com 26 deputados. É tarefa complexa, exatamente porque dentro dessa bancada monumental estão representantes da maioria dos 16 partidos que integram a aliança que dá sustentação ao Governo Flávio Dino (PCdoB). São muitos interesses às vezes em conflito, o que exige uma atuação permanente do líder no sentido de evitar rupturas e manter a base unida. Marco Aurélio tem sido um líder seguro, eficiente, mantendo um bom relacionamento com a bancada, que consegue mobilizar para as votações de interesse do Governo. Seu desafio agora é conciliar a função de líder do Blocão com a condição de pré-candidato a prefeito de Imperatriz.

Outro articulador eficiente tem sido o deputado Neto Evangelista, advogado, que ocupa a presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a mais importante da Assembleia Legislativa e cuja função analisar a constitucionalidade de todas as matérias que tramitam na Casa. Com o DNA do pai, o ex-deputado João Evangelista, um grande articulador que comandou a Câmara Municipal de São Luís e a Assembleia Legislativa, Neto Evangelista tem feito um trabalho eficiente na CCJ, que somente nesta legislatura realizou mais de 90 reuniões, mas quais apreciou – aprovando e rejeitando – centenas de propostas. Tem trânsito livre em todos grupos parlamentares, com os quais dialoga, incluindo a Oposição sem problemas.

O deputado Roberto Costa (MDB) não tem bancada para liderar nem grupo para comandar. Mesmo assim, tem sido um dos principais articuladores em ação nos bastidores da Assembleia Legislativa. No terceiro mandato e conhecedor dos os meandros do parlamento estadual, Roberto Costa foi, por exemplo, um dos principais articuladores da candidatura e da reeleição antecipada do presidente Othelino Neto. Oposicionista, não se furta a votar quando considera importante seu posicionamento, ao mesmo tempo em que assume posicionamento contrário. Pragmático, Roberto Costa não vê sentido em fazer Oposição bitolada e agressiva pura e simplesmente. Ele defende a política de resultados e nessa linha tem sido um articulador eficiente.

Voz mais intensa e agressiva da Oposição, o deputado Adriano Sarney tem se esforçado para formar um bloco oposicionista, mas seus esforços têm sido infrutíferos até aqui. O insucesso da sua atuação política nos bastidores do Poder Legislativo, porém, não invalidam seus esforços de articulação.

Outros deputados funcionam também na articulação, mas Othelino Neto, Rafael Leitoa, Marco Aurélio, Neto Evangelista,  Roberto Costa e Adriano Sarney têm mostrado que sabem o que fazem nesse campo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Governo Bolsonaro comete mais um erro: tirar Kátia Bogea da presidência do IPHAN

Kátia Bogea com o presidente Michel Temer: vínculos indiretos com o MDB

O Governo Bolsonaro resolveu mexer no comando do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a mais importante autarquia do País nesse campo, exonerando da presidência a arquiteta maranhense Kátia Bogea, que ficou quase três anos no cargo. Nada contra a decisão de mudar, afinal, quem tem o poder institucional de nomear e demitir tem também o direito entregar os cargos da máquina pública a quem julgar preparado para a tarefa. No caso da demissão de Kátia Bogea, há um porém: o Governo Bolsonaro abriu mão da pessoa certa no cargo certo. Poucas pessoas, tenham a formação e a experiência que tiverem, comandarão o IPHAN com a eficiência e a correção da arquiteta maranhense. Ela é servidora de careira do Instituto, superintendeu o braço maranhense por quase duas décadas e se tornou uma das melhores especialistas na arte de cuidar do patrimônio histórico e artístico do Brasil.

Profissional preparada e eficiente, mergulhou no seu mister, tornando-se uma das mais importantes vozes do Brasil nesse campo. E mais: foi rigorosa honesta quando declarou que nunca trabalhou para Governo. Sua visão era a de que preservar e valorizar o acervo histórico e artístico nacional não é uma ação de Governo, mas uma obrigação de Estado. Essa visão, associada à sua personalidade forte e independente, a tornou incômoda. Nos programas de restauração do casario colonial de São Luís, foi pedra na sapatilha da então governadora Roseana Sarney, com quem travou embates duros, estiveram várias vezes “de ponta”, mas sempre acabaram conciliando os interesses. E essa “acusação” de que ela foi mantida na superintendência do Maranhão e nomeada para a presidência com o apoio dos Sarney, é fácil constatar que ela nunca foi sarneysistas de carteirinha, e se teve o apoio do ex-presidente José Sarney e da ex-governadora Roseana Sarney, foi muito mais iniciativa deles do que dela.

O fato e que, independentemente de quem a tenha indicado, ela fez a sua parte como presidente, quando enfrentou, no Governo Michel Temer (MDB), o então poderoso e temido ministro Geddel Vieira Lima, proibindo-o de construir um prédio de luxo numa área tombada de Salvador. Segurou xingamentos e ameaças, mas segurou a onda e levou a melhor, que melhorou ainda mais coando o ministro foi pego com várias malas abarrotadas de dinheiro de corrupção.

Em Tempo: Não será surpresa se agora, livre do compromisso de comandar o IPHAN, Kátia Bogea admita conversar sobre candidatar-se à Prefeitura de São Luís pelo MDB. Sua candidatura seria um enorme diferencial, a começar pelo fato de que o nível do debate seria elevado como nunca.

 

Bumba meu Boi, patrimônio cultural da Humanidade

Humberto de Maracanã: um dos maiores líderes e cantadores do Maranhão já teve

O Bumba Meu Boi do Maranhão entrou para o especialíssimo time de manifestações declaradas pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, o mesmo título recebido há duas décadas por São Luís. Esse título pertence a gigantes da cultura popular como Humberto de Maracanã, Coxinho, João Chiador, Chagas, Manoel Onça, Tabaco, Terezinha Jansen, José Inaldo, Marcelino Azevedo, Basílio Durans, Zé Pereira Godão, Domingos Vieira Filho, Valdelino Cécio, Sérgio Ferreti, Zelinda Lima, Kátia Bogea e muitos outros criadores, organizadores, líderes, cantadores, compositores, incentivadores, pesquisadores e os maranhenses em geral, que continuam apaixonados  pelo seu mais importante e contagiante folguedo.

São Luís, 12 de Dezembro.

Prefeito interino, Júlio Pinheiro cumpre período como vice leal e fora da disputa sucessória

Júlio Pinheiro mantém relação estável com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior e lealdade partidária com Flávio Dino e Márcio Jerry, presidente regional do PCdoB

Após sete anos vivendo a tal “expectativa de direito”, situação institucional que o mandato lhe assegura como substituto eventual do titular, o vice-prefeito de São Luís, Júlio Pinheiro (PCdoB), finalmente vive, por sete dias, a condição de prefeito interino. Ele assumiu o comando da administração municipal na ausência do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), que se licenciou por sete dias para cumprir compromisso pessoal em Israel, para onde viajou acompanhado da primeira-dama Camila Holanda. Júlio Pinheiro está cumprindo a interinidade de maneira discreta, sem fazer alarde, preferindo dedicar-se efetivamente ao comando administrativo da Capital do que forjar uma agenda para valorizar o momento. Age como um vice institucionalmente correto e politicamente leal, e que se esforça a cada dia para apoiar o prefeito-titular, ao invés de conspirar. E cumpre missões diversas, a começar por representar o prefeito Edivaldo Holanda Júnior em eventos, aos quais, por razões diversas, prefere não comparecer.

Braço do PCdoB na gestão de São Luís, com origem no movimento sindical ligado ao magistério, o vice-prefeito Júlio Pinheiro tornou-se um assessor importante do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, que se lhe confia as tarefas mais diversas no campo da representação, incluindo articulações políticas. Nas últimas semanas, por exemplo, Júlio Pinheiro comandou uma equipe no importante Fórum Nacional dos Secretários e Gestores de Limpeza Urbana e Limpeza de Resíduos, realizado em Brasília no dia 10 de outubro. De lá, seguiu para Barcelona (Espanha), onde representou o prefeito na 9º Smart City Expo Word Congress, um dos mais importantes eventos do planeta sobre inovações urbanas. No retorno, foi escalado para representar o titular no 19º Fórum de Governadores da Amazônia Legal, realizado no Palácio dos Leões. Ontem, no primeiro dia do batente da interinidade, iniciou o dia reunindo-se com o governador Flávio Dino e com o presidente estadual do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry.

Ao contrário do que aparenta sua atuação discreta, o vice-prefeito Júlio Pinheiro é uma peça importante na engenharia política que mantém azeitadas as relações do Palácio de la Ravardière com o Palácio dos Leões e da aliança até agora inabalada entre o PDT e o PCdoB. Além disso, é, provavelmente, o mais importante canal de entendimento que mantém pacificadas as relações do braço sindical dos professores com a Prefeitura de São Luís e, em certa medida, com o Governo do Estado. E atua sem alarde, de maneira eficiente, sem perder a credibilidade que conquistou como militante e porta-voz dos professores da rede pública. Não existe registro de qualquer rusga sua com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior nesse período. Ao contrário, a relação que os mantém próximos é sólida, dando sempre a impressão de que, permanecerá assim até o fim do mandato.

Nesse ambiente sem crise, porém, há uma indagação que não quer calar: por que o vice-prefeito Júlio Pinheiro não se credenciou para ser o sucessor natural do prefeito Edivaldo Holanda Júnior? As versões são as mais diversas, vão da falta de interesse do prefeito à falta de interesse dele próprio. Nenhuma, porém, é convincente o suficiente. Da reeleição em 2016 para cá, houve momentos em que o vice-prefeito parecia largando para assumir a condição de pré-candidato do PCdoB na corrida à Prefeitura. Mas em todos eles o vice-prefeito logo diminuiu o passo e mergulhou na sua condição de Nº 2 da Prefeitura de São Luís. Está cada vez mais claro que o caminho de Júlio Pinheiro será uma cadeira na agora quatrocentona Câmara Municipal de São Luís.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Colunista de O Globo pisa na bola em nota sobre o ex-presidente José Sarney

José Sarney: alvo de registro deformado de um respeitado colunista de O Globo

O colunista Lauro Jardim, de O Globo, escreveu em sua coluna que o ex-presidente José Sarney (MDB) andaria “amuado com a   falta de prestígio que goza entre os atuais ocupantes dos postos de comando do país”. E observa que “pela primeira vez desde a redemocratização, ele é completamente ignorado pelo inquilino do Palácio da Alvorada”.

Para começar, é estranho que o respeitado colunista tenha escrito a tal nota sem se dar conta de que ninguém goza com a falta de prestígio, a não ser que se trate de um masoquista, o que, definitivamente, não é o caso de José Sarney.

Em relação à informação propriamente dita, quem conhece o ex-presidente José Sarney sabe que ele jamais faria tal desabafo a um amigo, por mais próximos fossem. O ex-presidente pode até estar sentindo a falta da intimidade com o poder, mas dificilmente estará amuado com o fato de não ser consultado pelo presidente Jair Bolsonaro, um político primário, que nada sabe sobre o Brasil e que provavelmente só leu o livro de memória do coronel e torturador Brilhante Ustra, seu farol político. Com a bagagem política e a abrangência e profundidade intelectuais que acumulou, José Sarney dificilmente engataria uma conversa com o pupilo político do indescritível Olavo Carvalho.

Se tem alguém perdendo com esse suposto isolamento de José Sarney, este é o presidente Jair Bolsonaro, que está deixando de beber a mais rica fonte de experiência política do País.  Tivesse-o consultado, não teria, por exemplo, dado tiros no pé como a aproximação demasiada e subserviente do norte-americano Donald Trump, o conflito desnecessário com o presidente francês Emanuel Macron, e a inacreditável interferência na política interna da Argentina, que ajudou a afundar o projeto de reeleição do presidente Maurício Macri, isso sem falar na tacanha e destrambelhada ação golpista na Venezuela.

E não é nenhuma surpresa que do algo da sua vasta experiência diplomática, tenha classificado o atual chanceler, Ernesto Araújo, de maluco, e com um histórico que inclui a criação da revolucionária TVE nos anos 60, tenha dito enfaticamente que o ministro Abraham Weintraub é louco varrido. E ainda que com o lastro de presidente que teve os mineiros José Aparecido de Oliveira e Rinaldo Costa Couto como chefes da Casa Civil, tem toda razão em afirmar que o deputado gaúcho Onyx Lorenzony está longe do tamanho mínimo necessário para comandar a Casa Civil.

 

Morte de índios: além da Força Nacional, Moro deve mandar a PF para colocar tudo em pratos limpos

Ministro Sérgio Moro

O ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, anunciou que mandará um contingente da Força Nacional para dar segurança às comunidades indígenas ameaçadas do Maranhão. Alguém precisa dizer ao ministro que mandar a Força é bom, mas que nesse momento o que é necessário mesmo é acionar a Polícia Federal, com agentes especializados e o aparato tecnológico que dispõe para realizar de uma ampla e minuciosa investigação para identificar os assassinos, os contratantes e os mandantes desses assassinatos. Não se trata de uma investigação relâmpago, feita para dar satisfações a contribuintes e eleitores ávidos por justiça. Trata-se de uma investigação ampla e profunda, de modo a mapear as organizações que estão por traz dos matadores, os grupos de madeireiros, garimpeiros e latifundiários que se beneficiam de grilos quilométricos. Sem isso, a Força Nacional terá um papel secundária de mero batalhão falsa proteção.

São Luís, 10 de Dezembro de 2019.

Com gestão eficiente e inovadora e ação política abrangente, Othelino Neto se credencia para voos mais altos

 

Othelino Neto: gestão inovadora, ação política ampla e incentivos para passos mais largos

Há dois anos sob o comando do deputado Othelino Neto (PCdoB), a Assembleia Legislativa vem passando por uma gradual, mas consistente, transformação. Não nas regras que a fazem funcionar como Poder Legislativo, mas nos procedimentos que movem sua administração e nos seus movimentos como uma Casa de natureza essencialmente política, aonde desaguam, são debatidos e, quando possível, solucionados problemas que afetam a sociedade maranhense. O exemplo mais recente e mais surpreendente: fruto de ajustes administrativos e de severo controle de gastos, a Assembleia Legislativa economizou R$ 6,6 milhões do seu orçamento e vai devolvê-los ao Tesouro Estadual com a indicação de que esse recurso seja aplicado na compra de 42 ambulâncias, uma para cada deputado destinar ao município que julgar mais necessitado desse serviço. À frente desse processo de inovação, que vem transformando o Poder Legislativo numa instituição mais leve, mais ágil e mais antenada com a realidade dos maranhenses, o presidente Othelino Neto (PCdoB), 40 anos, avança se consolidando como líder parlamentar diferenciado e inovador.

A destinação da sobra orçamentária para a compra de 42 ambulâncias é um marco, principalmente porque não será a Assembleia Legislativa que fará a aquisição. A instituição está devolvendo uma sobra orçamentária obtida via controle de gastos com a indicação, negociada com o Poder Executivo, para a aplicação dos R$ 6,6 milhões na compra de 42 ambulâncias, ao preço de R$ 157 mil cada unidade. O recurso poderia ter sido investido em áreas físicas e operacionais da instituição, mas a decisão inovadora foi destiná-lo a beneficiar 42 municípios por meio dos 42 deputados. Um caso claro de mudança nos procedimentos administrativos e políticos numa instituição colegiada e formada pelos mais diferentes vieses políticos do Maranhão. Com uma visão cada vez mais abrangente do Maranhão, Othelino Neto sabe a importância de uma ambulância para municípios mais pobres.

A injeção de R$ 4,2 milhões nas combalidas Hospital Aldenora Bello, a principal referência no tratamento de câncer no Maranhão é um exemplo desse novo momento. A Assembleia Legislativa comprou a briga contra o câncer com uma proposta ousada: convencer cada um dos deputados a destinar das suas emendas R$ 100 mil ao Hospital Aldenora Bello. O presidente Othelino Neto, que alinhavou a estratégia a partir de informações detalhadas sobre a situação quase falimentar do Hospital, conversou com os deputados, obtendo deles a adesão à proposta. Ao mesmo tempo, negociou com o Poder Executivo a liberação dos valores de uma só vez, de modo a repassar os R$ 4,2 milhões à Fundação Jorge Dino. Vários deputados participaram ativamente do processo, mas a ação politicamente arrojada do presidente Othelino Neto foi decisiva, e a ajuda não teria sido consumada se ele não fosse já um comandante eficiente e detentor da confiança dos seus pares.

O diferencial da presidência do deputado Othelino Neto está no fato de que os projetos que vem colocando em prática são, via de regra, ações colegiadas, e focam o estado como em questões essenciais e que envolvem a Assembleia Legislativa como um todo. O Assembleia em Ação, por exemplo, sintoniza o Poder Legislativa aos principais polos regionais, levando a prefeitos e vereadores de cada região informações especializadas sobre processo legislativo e sobre as eleições municipais do ano que vem, em simpósios dos quais participam deputados e nos quais são debatidos problemas importantes de cada região. As edições realizadas em Balsas (Sul), Timon (Leste) e Trizidela do Vale (Médio Mearim) alcançaram cerca de 80 municípios, num total de mais de 1 milhão de habitantes.

Quebrando um paradigma alimentado pela tradição de que o presidente do Poder Legislativo se limita a atuar no universo político estadual, Othelino Neto tem levado sua visão política para além das fronteiras do Maranhão. Primeiro como presidente do ParlaNordeste, um colegiado formado por nove presidentes de Assembleias Legislativas da região, em cujas reuniões tem feito uma contundente defesa do Nordeste e criticado duramente a natureza preconceituosa do Governo de Brasília. E nas edições do seu podcast semanal “Conversa com Othelino”, em que aborda temas variados, mas sempre chamando atenção de que as soluções dos problemas e das crises estão na boa prática política.

Por conta das suas ações – que inclui eficácia reconhecida no comando do processo legislativo e das sessões plenárias nesses dois anos – presidente Othelino Neto tem dobrado de tamanho como militante político. Respeitado pelos deputados, já cortejado pela classe política, da qual vem ouvindo, com frequência crescente, incentivos para se preparar para voos mais altos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Inauguração do Calçadão de Imperatriz foi festa popular com forte conotação política

Flávio Dino liderou uma multidão na inauguração festiva do Calçadão de Imperatriz

A entrega, pelo governador Flávio Dino (PCdoB), na tarde/noite de sexta-feira (6), na presença de uma multidão, do Calçadão de Imperatriz, a maior e mais importante via comercial de toda a Região Tocantina, foi feita com fortes componentes políticos. Cercado por entusiasmados correligionários, o governador Flávio Dino declarou: “Demos um passo muito importante hoje, porque, junto com a Beira-Rio, com a climatização do Centro de Convenções, o Calçadão faz parte da identidade da cidade de Imperatriz, e agora valorizado, qualificado e pronto para atrair novos consumidores”.

Por ser uma obra do Governo do Estado, promessa cumprida do chefe do Governo, o beneficiário político natural pelo deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), líder do bloco governista na Assembleia Legislativa e pré-candidato do seu partido à Prefeitura de Imperatriz. Depois, não se trata de uma obra qualquer num polo comercial do tamanho e da importância da Princesa do Tocantins: trata-se da primeira rua comercial coberta do Maranhão, dotada de completa infraestrutura e que consumiu R$ 3,4 milhões, deixando em estado de graça comerciantes e consumidores.

Por ter sido sua realização fortemente influenciada pelo deputado Marco Aurélio, o Calçadão de Imperatriz não teve sua inauguração prestigiada pelo prefeito Assis Ramos (DEM), candidato à reeleição e em terceiro lugar nas pesquisas sobre intenção de voto, até aqui lideradas pelo candidato do PCdoB, tenso o ex-prefeito Ildon marques em segundo lugar. Mas marcaram presença do vice-governador Carlos Brandão (PRB), que se movimenta para fortalecer o seu projeto de se candidatar à sucessão do governador Flávio Dino; o deputado Rildo Amaral (Solidariedade), que retirou sua candidatura para apoiar a do deputado Marco Aurélio; e a do presidente da Gasmar, Deoclídes Macedo (PDT), provável candidato a voltar à Prefeitura de Amarante do Maranhão.

 

Nascida Senado e ainda vivendo em prédio emprestado, a Câmara de São Luís completa 400 anos

Câmara Municipal de São Luís: uma historia de 400 anos e muitas mudanças

Uma das casas legislativas mais antigas e historicamente mais importantes do Brasil, Câmara Municipal de São Luís completa 400 anos nesta segunda-feira, com direito a sessão especial do Senado da República na última sexta-feira (06), comandada pelo senador Weverton Rocha (PDT), que nunca quis ser vereador. Nasceu com status de Senado, no dia 09 de Dezembro de 1619, numa São Luís ainda um remoto embrião urbano de apenas sete anos, para ser o braço da Companhia Índias Ocidentais, mas de uma importância gigantescas para os planos expansionistas dos colonizadores portugueses. Ao longo da sua história e evolução, protagonizou episódios decisivos para a evolução política e urbana de São Luís e do Maranhão.

Hoje ainda ocupando um prédio emprestado da Receita Federal, batizado Palácio Pedro Neiva de Santana, a Câmara Municipal de São Luís vive um momento em que se conflitam contradições. O ponto chave é o fato de a instituição abrigar 31 vereadores, um absurdo para os padrões de São Luís, mesmo sendo ela uma cidade com 1,1 milhão de habitantes. Com esse batalhão de edis – que, vale destacar, nada têm a ver com isso, pois o número de vereadores é determinado pela Constituição Federal -, centenas de assessores e um exército de servidores, somando-se a isso o custeio da máquina legislativa, a Câmara Municipal custa cerca de R$ 5 milhões por mês ao contribuinte ludovicense.

Sob o comando do vereador Osmar Filho (PDT), cumpre, nestes meses, a tarefa institucional de discutir para votar, provavelmente ainda neste ano, o novo Plano Diretor de São Luís, o documento que traça o futuro da Capital.

São Luís, 08 de Dezembro de 2019.