Todos os posts de Ribarmar Correa

Eduardo Braide, Neto Evangelista e Rubens Júnior buscam acordos para escolha de vices

 

Adriano Sarney e Vall Nascimento, Janiselma Fernandes e Jeisael Marx, Carlos Madeira e Jeremias Fernandes e Franklin Douglas e Ribamar Arouche: chapas “puro sangue”

Os candidatos à Prefeitura de São Luís caminham para uma decisão crucial para consolidar sua caminhada em direção às urnas: a escolha dos candidatos à vice. Para boa parte dos que estão no jogo, com chance remota ou nenhuma de chegar ao Palácio de la Ravardière, são escolhas sem maiores dificuldades, tanto que algumas já foram definidas. Já para os candidatos que estão efetivamente na disputa, cada um com possibilidade real de sair das urnas autorizado a assumir o comando e os destinos da máquina administrativa da Capital, a escolha do companheiro de chapa pode turbinar ou inibir o projeto. Eduard Braide (Podemos), Neto Evangelista (DEM) e Rubens Júnior (PCdoB), cada um tem o desafio de escolher o vice que some política e eleitoralmente, a exemplo de Duarte Júnior (Republicanos), que já fez sua escolha, indicada pelo PL, seu parceiro na coligação. Os bastidores estão fervendo por causa desse item, reforçando a certeza de que não podem fazer escolhas equivocadas, sob pena de pagar caro nas urnas.

No primeiro momento, candidatos que parecem não ter lastro para brigar pela ponta, daí porque não encontraram parceiros para coligar, montaram as chamadas chapas “puro sangue”. O candidato do PV, Adriano Sarney, realizou convenção na semana passada e escolheu como vice a fisioterapeuta e lutadora de judô e jiujitsu Vall Nascimento, que milita na causa ambientalista, mas sem suporte político e eleitoral. O candidato do Rede, Jeisael Marx, também sem parceiro partidário, consolidou sua candidatura com solução doméstica: Janiselma Fernandes, uma pedagoga conhecida e que tem no currículo a presidência do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente. E Carlos Madeira, candidato do Solidariedade, escolheu para vice o jovem capitão-bombeiro Jeremias Fernandes, membro do partido e atuante em comunidades da região Itaqui-Bacanga. Franklin Douglas (PSOL) já definiu o militante José Ribamar Arouche, um dos fundadores do partido, como seu companheiro de chapa.

Entre os candidatos com força para disputar, o único que tem candidato à vice é Duarte Júnior, que deve formalizar a advogada Fabiana Vilar, presidente do PL de São Luís, indicada pelo chefe maior do partido no Maranhão, Josimar de Maranhãozinho, que declarou apoio ao candidato do Republicanos depois de retirar a inviável pré-candidatura de Detinha (PL). Dos outros seis candidatos, Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS) e Hertz Dias (PSTU), por não terem aliados para coligações, completarão suas chapas com membros dos seus partidos.

Eduardo Braide tem dois caminhos para escolher seu vice. Ele teria um acordo com o deputado federal Aluísio Mendes, que lhe entregou o Podemos e ingressou no PSC. No jogo das compensações, teriam acordado que o vice seria do PSC. Por outro lado, o PSDB vai cobrar o preço de rifar a pré-candidatura de Wellington do Curso para apoiar o candidato do Podemos indicando-lhe o vice. Nesse jogo de cartas marcadas envolvendo Aluísio Mendes e o senador Roberto Rocha, alguém tem de ceder. O candidato do PCdoB, Rubens Júnior, não terá maiores problemas para definir seu vice. Corre nos bastidores que o Cidadania, comandado pela senadora Eliziane Gama, estaria reivindicando a vaga. Mas o que todos dão como certo é que o candidato a vice de Rubens Júnior será o vereador Honorato Fernandes, a ser anunciado no momento em que o PT ludovicense se desvencilhar do jogo da cúpula nacional e declarar apoio ao candidato do PCdoB.

Tudo indica que a escolha mais complicada é a do vice do candidato do DEM, Neto Evangelista. A lógica sugere com clareza que a vaga seja preenchida com uma indicação do PDT, a começar uma vez que o senador Weverton Rocha é o principal fiador da aliança com o DEM, e pelo fato de seu partido ser o mais enraizado nas entranhas políticas da Capital. Há, porém, rumores de que o PSL estaria tentando inverter a lógica com a pretensão de indicar o vice. Mas o que todas as evidências indicam é que o vice será mesmo do PDT, ainda não definido, mas na hora certa Weverton Rocha sacará o nome do bolso do colete e complementará a chapa.

Os líderes partidários e os candidatos desse time têm ainda um mês para fechar esses acordos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão Filho no PSL: o que poderia ter sido uma festa acabou como um imbróglio incômodo

Lobão Filho e Chico Carvalho: em vez de uma a,liança forte, um mal-estar incômodo pelo comando do PSL

O que parecia uma espécie de volta por cima, depois da dura derrota que sofreu em 2014 na disputa do Governo do Estado com Flávio Dino e da não renovação do mandato do senador Edison Lobão (MDB) em 2018, o anúncio de que o empresário e ex-suplente de senador, Lobão Filho, se filiaria ao PSL e assumiria o comando do partido no Maranhão, atendendo a convite do comando nacional, acabou se transformando num imbróglio incômodo. No epicentro do mal-estar o presidente do partido no Maranhão há mais de uma década, vereador Chico Carvalho, uma raposa tarimbada, que conhece como poucos as entranhas do mundo político e as nuanças e armadilhas da ciranda partidária, sobrevivente a algumas tentativas de tomar-lhe as rédeas do braço maranhense da agremiação.

A notícia de que Lobão Filho assumiria o comando do PSL no Maranhão surpreendeu, não pelo fato em si, mas pela facilidade com que Chico Carvalho fora convencido de abrir mão do poder de fogo que o comando do partido lhe dá no estado. No ano passado, quando a família Bolsonaro, de olho nos milhões que o PSL recebe do Fundo Partidário e receberá do Fundo Eleitoral, decidiu dar um golpe e apear da presidência o seu fundador, deputado federal Luciano Bivar (PE), bolsonaristas maranhenses, certo de que se dariam bem, fizeram um cerco a Chico Carvalho, quase que o obrigando a deixar o comando do partido. Raposa de faro apurado e amigo de Luciano Bivar, Chico Carvalho se fez de derrotado, agiu nos bastidores e com uma só rasteira derrubou a ex-prefeita Maura Jorge e o médico Alan Garcez, mantendo-se firme no comando partidário.

Agora, segundo relato do próprio Lobão Filho, teria havido uma conversa com Chico Carvalho, que teria aceitado passar o comando estadual do partido para o ex-suplente de senador, contentando-se com o controle da legenda em São Luís. Só que horas depois da tal conversa, Chico Carvalho declarou que não teria havido tal acordo e que só pretende deixar o partido em abril do ano que vem, quando seu mandato presidencial se encerrar. A reação de Chico Carvalho foi bombástica, deixou Lobão Filho numa situação incômoda, obrigando-o a divulgar nota reafirmando as informações da reunião, entornando ainda mais o caldo. O disse-não-disse, que parece ter sido criado por uma cadeia ganhou ecos e, ao que parece, produziu o risco de a operação não se consumar.

Com o comando do PSL, Lobão Filho pretende voltar à política, agora distanciado do Grupo Sarney, e disputar uma vaga na Câmara Federal em 2022. Pelo jeito, terá de iniciar tudo de novo, amarrar um acordo com Chico Carvalho, pois já declarou que não pretende tomar o comando do PSL do Maranhão a partir de uma intervenção traumática.

 

Disputa dura em Imperatriz, S. J. de Ribamar, Timon e Paço do Lumiar e sinal de reeleição em Caxias

 

A corrida sucessória começa a se definir nos cinco maiores municípios maranhenses além da Capital. Em quatro, há disputas renhidas, com desfechos imprevisíveis, e em um, todos os sinais indicam o caminho da reeleição.

Em Imperatriz não há favoritismo largo entre o prefeito Assis Ramos (DEM), o deputado Marco Aurélio (PCdoB), o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB) e o também ex-prefeito Ildon Marques (PP). Para quem conhece bem os humores eleitorais da Princesa do Tocantins, as avaliações só terão sentido quando houver certeza quanto à elegibilidade de Ildon Marques.

Em São José de Ribamar, depois da entrada atropeladora do ex-prefeito Júlio Matos (PSDB), esmagando a vantagem inicial do prefeito Eudes Sampaio (PTB), o cenário começa a sofrer uma lenta, mas evidente, reviravolta, que se dá com a entrada para valer do ex-prefeito Luís Fernando Silva na campanha do prefeito e do senador Weverton Rocha incentivando o candidato do PDT num projeto que envolve sua candidatura do Governo do Estado em 2022

Em Timon, ao contrário do que previam os observadores mais atentos, a candidatura do coronel/PM Hormann Schnneyder (Republicanos), vem mantendo largo favoritismo e recebendo apoios fortes, como o do PSDB – que ali é comandado pelo ex-deputado Alexandre Almeida, e do PROS, levado pelo ex-deputado federal Gastão Vieira em pessoa. Não será surpresa se o Grupo Leitoa, comandado pelo prefeito Luciano Leitoa (PSB), e seu pai, o ex-prefeito Chico Leitoa (PDT), tomarem decisões surpreendentes nas próximas semanas. O ponto de equilíbrio em Timon está sendo a candidatura da ex-prefeita Socorro Waquim (MDB).

Em Caxias, apesar de muito zunzum, o prefeito Fábio Gentil (Republicanos) vai nadando de braçada na direção da reeleição, com larga vantagem sobre o adversário mais forte, o deputado estadual Adelmo Soares (PCdoB), que tem o apoio do Grupo Coutinho. Ali todas as apostas apontam o prefeito como favorito e sem risco de reviravolta.

A situação em Paço do Lumiar é rigorosamente indefinida e imprevisível. A prefeita Paula da Pindoba (Solidariedade), que não é nenhum gênio político, mas conhece como poucos as entranhas eleitorais do município, vai tentando consolidar eu projeto de reeleição.  Tem no seu encalço o candidato Fred Campos (PL), que ganha corpo turbinado pelo apoio do deputado Josimar de Maranhãozinho. No momento, o cenário é de completa indefinição, com muitos observadores acreditando que tudo vai depender da posição a ser adotada pelo prefeito afastado Domingos Dutra (PCdoB).

São Luís, 06 de Setembro de 2020.

Força de concorrentes e ataques de Wellington do Curso podem comprometer liderança de Eduardo Braide

Eduardo Braide: candidatura em momento crucial

Com o cenário da disputa pela Prefeitura de São Luís praticamente definido, as atenções se voltam para os movimentos por meio dos quais o candidato do Podemos, Eduardo Braide, pretende consolidar a sua liderança nas preferências do eleitorado, evitar a desidratação da sua base e administrar, com eficácia, os problemas que ameaçam a estabilidade do seu projeto, como a reação barulhenta do deputado Wellington do Curso à decisão do comando do PSDB de tirá-lo da disputa. Eduardo Braide se encontra num momento crucial da sua corrida ao Palácio de la Ravardière, a começar pelo fato de que, agora com suas situações políticas e partidárias resolvidas, seus principais oponentes – Duarte Júnior (Republicanos/PL/Avante/Patriotas), Neto Evangelista (DEM/PDT/PSL/MDB) e Rubens Júnior (PCdoB/Cidadania/PMB/DC e PT) -, estão se turbinando para melhorar seus desempenhos na corrida às urnas. Visto por todos os demais como o candidato a ser batido, Eduardo Braide encontra-se sob pressão e precisará de muita consistência para manter a liderança.

O candidato do Podemos sabe que, mesmo lhe sendo ainda muito favorável, o cenário de agora já não lhe permite liquidar a fatura em um só turno. Sabe também que, na hipótese de decisão em dois turnos, os dois candidatos entrarão com um jogo zerado. Se for um deles, como prevê a quase totalidade dos observadores, Eduardo Braide terá no embate final um adversário política e partidariamente poderoso, que provavelmente contará com nada menos que os fluídos dos Palácios de la Ravardière e dos Leões, soma de forças, portanto, para ninguém botar defeito. A seu favor, o candidato do Podemos terá pouco mais do que o mesmo suporte do primeiro turno, como o apoio do PSDB, por exemplo, hoje motivo de um zoadento protesto do deputado Wellington do Curso.

Além dos apoios políticos e partidários, o candidato do Podemos tem a seu favor nada menos que 150 mil votos que recebeu na Capital, de um total de 189 mil que amealhou em 2018, e que fizeram dele o segundo mais votado para a Câmara Federal, só perdendo para Josimar de Maranhãozinho. Salvo alguns aliados – como o senador Roberto Rocha (PSDB) e os deputados federais Aluísio Mendes (PSC) e Edilázio Júnior (PSD) -, Eduardo Braide não lidera um grupo expressivo e só conta com o próprio taco, o que o torna um concorrente ao mesmo tempo forte e imprevisível, que pode reverter a tendência de queda e liquidar a eleição em turno único, chegar ao segundo turno exaurido, ou ser alcançado pelo improvável, que seria não chegar ao turno final. Daí as suas cautelas, a estratégia de se preservar e de evitar bolas divididas.

Político racional, que decide seus passos com frieza lógica, calculando cuidadosamente o alcance e o objetivo dos seus movimentos, não se deixando dominar pela emoção, Eduardo Braide tem clareza suficiente para saber que a eleição não está decidida. Todas as avaliações feitas até agora indicam que ele será um dos que desembarcarão no segundo turno. Ao mesmo tempo, os dois meses e meio que faltam para a corrida às urnas é tempo suficiente para mudar qualquer cenário de corrida eleitoral, o que exigirá dele um desempenho excepcional para confirmar essa tendência no dia 15 de Novembro, quando os mais de 600 mil eleitores da Capital irão às urnas. Isso porque, como acontece em qualquer disputa com mais de dois candidatos, o favorito sempre vira alvo preferencial.

O imbróglio causado pelo arquivamento compulsório, pela cúpula do PSDB, da candidatura de Wellington do Curso, de modo a levar o partido a aliar-se ao Podemos e apoiar sua candidatura, se transformou numa incômoda fonte de desgaste para Eduardo Braide, que o obrigou a se manifestar publicamente sobre o assunto, se defendendo da acusação e dando explicações que, em princípio, teriam de ser dadas pelo presidente do PSDB, senador Roberto Rocha. Decidido a não sair no prejuízo, Wellington do Curso se mantém no ataque, acusando-o de traição. Tudo que o candidato do Podemos não precisa nesse momento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carlos Madeira não lamenta falta de aliança e reafirma que está “mais firme do que nunca”

Carlos Madeira: candidatura firme

O candidato do Solidariedade à Prefeitura de São Luís, Carlos Madeira, não se deixou abater pelo fato de que seu partido não conseguiu um aliado para se coligar, obrigando-o a liderar chapa “puro sangue”. Ele minimizou o fato dizendo que a grande aliança “é com o povo”. E declarando que o seu projeto político-eleitoral está “mais firme do que nunca”, e que sua motivação aumenta a cada dia, o candidato do SD acha que vai sair do bloco dos menos posicionados nas preferências do eleitorado. Carlos Madeira acredita piamente que as próximas pesquisas informarão que ele está avançando, otimismo que não é compartilhado por aliados e simpatizantes da sua candidatura. Há, por outro lado, largo entendimento de que, mesmo sendo um estreante tardio na seara política e eleitoral, ele está preparado para o embate direto com seus oponentes e tem um discurso consistente, até porque é o único candidato que já tem um plano de governo detalhado.

 

Candidatos buscam “bênção” no Palácio Episcopal de São Luís

Palácio Episcopal: no roteiro doscandidatos 

Boa parte dos candidatos à Prefeitura de São Luís já bateu às portas do Palácio Episcopal para pedir as bênçãos do arcebispo Dom José Belizário. Muitos dirigentes e sacerdotes simpatizam com a esquerda moderada, tendo apoiado a corrente cristã do petismo, liderada durante muito tempo por Helena Heluy, e por grupos cristãos socialistas, que foram liderados por Juarez Medeiros e Conceição Andrade – os três se elegeram deputados estaduais com essa base de apoio. Agora, a corrente mais influente no universo católico de São Luís é liderada pela deputada Helena Duailibe e seu marido, o vereador Afonso Manoel Ferreira, ambos do Solidariedade, e que religiosamente militam na linha de frente do Movimento Carismático.

São Luís, 03 de Setembro de 2020.

São Luís tem dois grupos de candidaturas, as que disputam para valer e as que lutam para disputar

 

Sob o olhar de La Ravardière: Eduardo Braide, Duarte Júnior, Neto Evangelista, Bira do Pindaré e Rubens Júnior estão na disputa; Adriano Sarney, Carlos Madeira, Jeisael Marx, Yglésio Moises, Franklin Douglas e Hertz Dias se movem para entrar na disputa pela Prefeitura de SL

Falta apenas o PT oficializar o “sim” ao PCdoB em apoio a Rubens Júnior para que o quadro de candidatos à Prefeitura de São Luís e as alianças possíveis sejam confirmados para o que será uma disputa que produzirá outros desdobramentos além da eleição do novo prefeito da Capital. O que foi montado pelos partidos criou dois cenários na arena eleitoral ludovicense. O primeiro é formado por candidatos que vão realmente disputar a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) – Eduardo Braide (Podemos/PSC/PDS), Duarte Júnior (Republicanos/PL/Avante/Patriotas), Neto Evangelista (DEM/PDT/PSL/MDB), Bira do Pindaré (PSB) e Rubens Júnior (PCdoB/PT/Cidadania/PMB/DC). No outro estão os candidatos que fazem força para entrar no primeiro cenário – Adriano Sarney (PV), Carlos Madeira (Solidariedade), Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Franklin Douglas (PSOL) e Hertz Dias (PSTU). Esse desenho dificilmente sofrerá mudanças, mas como toda situação política guarda uma dose de imprevisibilidade, a prudência recomenda cautela nos prognósticos, principalmente no que diz respeito ao primeiro time.

Eduardo Braide continua líder na preferência do eleitorado, mas a julgar pelo que cantaram as pesquisas até aqui e pelo poder de fogo político e partidário dos outros candidatos do primeiro cenário, faz sentido arriscar a previsão de que essa será uma eleição de dois turnos. Nos bastidores, analistas experientes se mostram convencidos desse roteiro e fazem esforços para identificar o oponente de Eduardo Braide para a rodada final. Os quatro do primeiro cenário estão distanciados por alguns percentuais, mas há diferenças importantes.

Duarte Júnior, por exemplo, tem sua faixa eleitoral, é inteligente, usa bem as redes sociais e tem potencial para crescer, mas lhe falta base política e partidária para fortalecer o seu projeto. O Republicanos tem força mediana, e o peso político do vice-governador Carlos Brandão, somado à estrutura do PL de Josimar de Maranhãozinho – que arquivou o projeto de candidatura da mulher, a deputada Detinha para apoiá-lo – podem lhe embalar a candidatura. Mas esse suporte se mostra limitado quando se avalia o poder de fogo dos demais. O futuro na sua candidatura dependerá basicamente do desempenho do próprio candidato.

Até agora, o candidato mais turbinado política e partidariamente é Neto Evangelista. Além do DEM, sua base conta com o PDT, que é o maior, mais influente mais ramificado partido de São Luís, comandado pelo senador Weverton Rocha, com o PSL, que também tem força na seara ludovicense, e agora com o MDB, que tem poder de fogo na Capital. Não bastasse isso, Neto Evangelista terá, de longe, o maior tempo no rádio e na TV, garantido pela soma dos tempos dos partidos que o apoiam. Essa soma de ingredientes o torna um candidato que pode deslanchar.

No mesmo patamar, Rubens Júnior irá para a campanha com um suporte partidário poderoso: o PCdoB que tem a marca do governador Flávio Dino, o PT que lhe dará o discurso do ex-presidente Lula da Silva e seus programas, o Cidadania que lhe assegurará a militância da senadora Eliziane Gama e seu grupo. A soma dos tempos dos três partidos e mais os segundos do PMB e do DC lhe garantirão espaço expressivo para uma campanha bem animada no rádio e na TV, combustível que também o torna um candidato altamente competitivo.

Bira do Pindaré é um candidato importante, que conhece as entranhas eleitorais de São Luís. Falta-lhe, a exemplo de Duarte Júnior, uma estrutura partidária que lhe assegure explorar a ramificação eleitoral do município. Seu partido, o PSB, vai com chapa pura, tempo de rádio e TV tímido, além de outras limitações de natureza política. Sem deixar de considerá-lo um candidato forte, que conta com uma militância fiel e aguerrida, parte dela do PT, Bira do Pindaré tem a estrutura mais tímida entre os candidatos, o que exigirá dele um desempenho excepcional.

Adriano Sarney (PV), Carlos Madeira (Solidariedade), Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Franklin Douglas (PSOL) e Hertz Dias (PSTU) têm suas virtudes, bons argumentos, excelentes propósitos, e principalmente muita vontade de ganhar o gabinete principal do Palácio de la Ravardière. Mas, a eleição do prefeito de São Luís se dá por uma liderança muito forte, exemplo de Jackson Lago (PDT) e João Castelo (PSDB), ou pelo ajuntamento de forças políticas e partidárias em torno do candidato, como ocorreu com Edivaldo Holanda Júnior em 2012 e 2016. Fora disso, só uma grande surpresa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Wellington do Curso baterá às portas da Justiça por vaga de candidato que não tinha

Emocionado, Wellington do Curso avisa que irá à Justiça contra cúpula tucana que lhe tirou a candidatura 

O deputado Wellington do Curso anunciou ontem, em discurso emocionado na Assembleia Legislativa, que baterá às portas da Justiça para obrigar o PSDB a devolver-lhe a vaga de candidato à Prefeitura de São Luís. O parlamentar, que perdeu a condição de pré-candidato há tempos, mas só se deu conta disso quando o senador Roberto Rocha, que manda no partido no estado, e outros tucanos emplumados do ninho maranhense passaram a declarar publicamente que a sua candidatura não existia, era fruto da sua imaginação, e que, por força de um acordo firmado em 2018, o partido apoiará a candidatura de Eduardo Braide (Podemos). O tiro de misericórdia veio na semana passada, quando os chefes tucanos anunciaram a decisão numa coletiva.

Se é, de fato, um político esclarecido, como sugere sua condição de professor, Wellington do Curso certamente sabe que não há como ele conseguir que a Justiça obrigue o partido a devolver-lhe uma coisa que não lhe foi oficialmente dada. Não há uma declaração pública enfática do senador Roberto Rocha apontando-o como candidato do PSDB à Prefeitura de São Luís, como também não há registro de qualquer ato do partido na mesma direção. Logo, dificilmente a Justiça lhe dará ouvidos.

O que aconteceu foi uma pancada do parlamentar. O PSDB poderia ter liquidado essa fatura num processo cuidadoso, que poderia até convencer o pretenso candidato a abrir a vaga para o aliado, que, pelo menos até aqui, tem chances reais de se eleger. O senador Roberto Rocha deixou o barco correr, apostando que Wellington do Curso cairia em si, mas perdeu o timing, deixando para dar a pancada já próximo das convenções. Violenta ou não, essa é uma decisão partidária, tomada com base na lógica segundo a qual o PSDB tem mais chances de se dar bem apoiando Eduardo Braide, indicando-lhe o vice, do que bancar a candidatura sem muito futuro de Wellington do Curso.

Sua indignação é justificada, mas a Justiça não é o caminho para resolver essa pendenga. Pendências partidárias se resolvem nas entranhas dos partidos e não no tapetão judicial.

 

Adriano Sarney vira candidato com chapa “puro sangue”

Adriano Sarney e Vall Nascimento na convenção do PV que formalizou candidatura

Adriano Sarney saiu na frente e oficializou sua candidatura à Prefeitura de São Luís, com chapa “puro sangue” do PV, tendo como vice a fisioterapeuta Vall Nascimento, militante verde que também é atleta praticante de judô e jiujitsu. Na convenção, realizada em ambiente aberto na sua sede, no Turu, na segunda-feira, o PV municipal formalizou também chapa com 40 candidatos a vereador.

Bem situado no segundo cenário das candidaturas à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), Adriano Sarney se jactou de comandar uma chapa “puro sangue”, quando, na verdade, essa decisão só foi tomada depois que ele foi descartado pelo MDB. O agora candidato do PV tentou obter o apoio emedebista, mas suas profundas diferenças com a ala jovem daquele partido inviabilizaram a aliança.

O candidato do PV sabe que, mesmo levando em conta a imprevisibilidade de uma guerra eleitoral, as suas chances de chegar ao Palácio de La Ravardière são remotas. Para ele – que conta com o apoio do pai, o ex-deputado federal Sarney Filho, hoje secretário do Meio Ambiente de Brasília -, no entanto, a corrida sucessória municipal é uma vitrine importante, que bem usada poderá, por exemplo, facilitar sua reeleição para a Assembleia Legislativa.

Para tanto, se esforça para ser convincente:  “Trago como diferencial o meu conhecimento como economista, administrador e quase 10 anos de carreira política independente. Faremos uma gestão sem amarrações políticas e com o olhar realmente voltado para resolver os problemas de São Luís ouvindo as pessoas estabelecendo prioridades e utilizando corretamente os recursos públicos”.

São Luís, 02 de Setembro de 2020.

MDB avalia cenário, ouve lideranças e decide apoiar Neto Evangelista para a Prefeitura de São Luís

 

Roseana Sarney e Neto Evangelista entre Hildo Rocha, Roberto Costa e João Marcelo à direita, e Assis Filho, Weverton Rocha e Juscelino Filho, à esquerda: escolha feita

 

O MDB fechou com o DEM e vai integrar, juntamente com o PDT e o PSL, a base partidária que dará sustentação à candidatura do deputado estadual democrata Neto Evangelista à Prefeitura de São Luís. A decisão foi tomada ontem, no final da manhã, e anunciada logo em seguida na residência da ex-governadora Roseana Sarney, com a presença do candidato, dos comandantes do DEM, deputado federal Juscelino Filho, e do PDT, senador Weverton Rocha, do vice-presidente e articulador do MDB, deputado estadual Roberto Costa, dos deputados federais emedebistas Hildo Rocha e João Marcelo, e do presidente nacional da Juventude do MDB, Assis Filho. O MDB estava oscilando entre o candidato do Solidariedade, Carlos Madeira, e Neto Evangelista. Uma série de movimentos feitos em São Luís e em Brasília levou o comando emedebista a se reunir na manhã de segunda-feira, avaliar o cenário e bater martelo, que favoreceu a aliança com DEM, PDT e PSL. Com a definição, a candidatura de Neto Evangelista se torna de vez um projeto politicamente robusto e eleitoralmente viável, colocando-o efetivamente na disputa pelo Palácio de la Ravardière.

A escolha foi o desfecho de uma ampla articulação que envolveu as lideranças locais e as nacionais do MDB e do DEM. Por uma série de fatores, Neto Evangelista já tinha a preferência do articulador emedebista Roberto Costa, mas mesmo assim o partido abriu diálogo com todos os pré-candidatos. Com exceção dos dois representantes da esquerda radical e, salvo engano, Detinha (PL), todos os demais pré-candidatos sinalizaram querendo o apoio do MDB. E isso se explica porque, com nova perspectiva, construída pela ala jovem que assumiu seus destinos, organizado, com boa estrutura, bom tempo de rádio e TV e lideranças como a ex-governadora Roseana Sarney e o ex-senador João Alberto, o MDB virou “noiva” muito cobiçada. Ao ganhar sua “mão”, o candidato do DEM ganha expressivo reforço.

A batida do martelo foi o desfecho de uma articulação ampla. Alguns fatores empurravam o MDB na direção do candidato do Solidariedade, Carlos Madeira, entre eles o de que poderia indicar o candidato a vice, o que se tornava inviável se o escolhido fosse Neto Evangelista, desde o início comprometido nesse fator com o PDT. Essa tendência mudou quando, numa articulação em Brasília, o chefe regional do DEM, deputado federal Juscelino Filho, acionou o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que se articulou com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (MDB/SP), formando um bloco de “pressão” a favor do apoio do MDB ao candidato do DEM. Com o aval dos deputados federais emedebistas Hildo Rocha e João Marcelo, Baleia Rossi e Rodrigo Maia conversaram com Roberto Costa e Roseana Sarney, conseguindo selar o acordo a favor do candidato do DEM.

O apoio do MDB transforma a candidatura de Neto Evangelista num projeto político e eleitoral reforçado, com cacife para enfrentar os demais “pesos pesados”, como Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Rubens Júnior (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB), colocando-o definitivamente no patamar dos candidatos que estão, de fato, na disputa. E sem o peso de ter de escolher um vice, o partido terá dois focos: reunir seus eleitores em torno do candidato do DEM e direcionar esforços para embalar sua chapa de candidatos a vereador, apostando numa bancada de pelo menos três assentos na Câmara Municipal de São Luís.

Além das decisões tomadas para as eleições de Novembro, chama a atenção a guinada que o MDB vem dando desde que foi destroçado nas urnas em 2018. Sob a coordenação do seu vice-presidente, deputado Roberto Costa, que lidera ala jovem hoje no controle. Em um ano e meio, o MDB revisou sua postura, respirou novos ares, livrou-se das decisões imperiais e passou a ser um partido solto, com portas abertas ao diálogo, enfim, se renovando sem perder sua identidade nem renegar suas origens. Abriu caminho para saltos mais ousados nos próximos tempos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Antevendo o fracasso, Detinha sai da corrida em São Luís e declara apoio a Duarte Júnior

Detinha anuncia apoio a Duarte Júnior em ato com a presença de Josimar de Maranhãozinho (atrás da ex-candidata), do deputado federal Júnior Marreca (camisa cinza) e do deputado estadual Leonardo Sá (atrás de Duarte Júnior)

Não surpreendeu a meia-volta da deputada estadual Detinha desmontando sua candidatura à Prefeitura de São Luís pelo PL. E também não foi surpresa que ela tenha declarado apoio à candidatura do deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos), segundo colocado nas intenções de voto, conforme as pesquisas divulgadas até aqui. Ao declarar apoio a Duarte Júnior, a campeã de votos nas eleições para a Assembleia Legislativa em 2018 sai do primeiro plano, mas continua ativa na Capital, à medida que o seu partido ganhou o direito de indicar o candidato a vice, que será, claro, alguém da sua mais absoluta confiança: a ex-secretária estadual de Agricultura, Fabiana Vilar.  E levou junto os dois outros partidos que controla, o Avante e o Patriotas, que pouco ou quase nada representam, mas somados ao PTC e ao Republicanos, garantirão a Duarte Júnior mais de dois preciosos minutos de tempo no rádio e na TV.

Ainda que tenha ocupado espaço no projeto eleitoral de um candidato forte e viável, Detinha tornou evidente que tinha perfeita noção de que, ao contrário do que planejou seu marido e mentor, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, sua aventura eleitoral em São Luís, se mantida, resultaria num fracasso retumbante. Isso produziria uma consequência política de médio prazo: a perda de gás do projeto de candidatura de Josimar de Maranhãozinho a governador em 2022. A renúncia já arranha o projeto do chefe do PL, mas a extensão do estrago só poderá ser conhecida após o resultado das eleições de Novembro. Se Duarte Júnior vier a se eleger, Josimar de Maranhãozinho compensará a perda; se não, o tombo será bem maior.

 

Parlamentares e empresários discutem situação do setor produtivo no Maranhão

Othelino Neto e Edilson Baldez entre Neto Evangelista, Weverton Rocha, Juscelino Filho e empresários na Fiema: reunião para debater temas do setor produtivo

Que rumos tomará a economia maranhense nos próximos tempos? Como se movimentará a classe empresarial? E como deve atuar o Poder Público, incluindo a Prefeitura de São Luís? Essas e muitas outras indagações roteirizaram um encontro de trabalho com dirigentes da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), com o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), o senador Weverton Rocha (PDT), o deputado federal Juscelino Filho (DEM) e o deputado estadual Neto Evangelista (DEM), com a mediação do presidente da entidade empresarial, Edilson Baldez.

Os presentes trocaram impressões e opiniões sobre demandas importantes do setor produtivo maranhense, entre elas a mais recente e mais complicada: investimentos necessários para superar a crise em diversas áreas, por conta da pandemia do novo coronavírus. Políticos e empresários também discutiram a importância da atualização do Plano Diretor de São Luís, bem como a realização de obras de infraestrutura para o escoamento da produção.

O presidente Othelino Neto defendeu o debate e o diálogo como iniciativas sempre salutares, à medida que, juntas, vozes do parlamento e representantes de empresas podem buscar soluções que promovam o desenvolvimento econômico e social do Maranhão. “A Fiema representa parte do setor produtivo do estado e, para a Assembleia, que é uma casa plural, momentos como esse são importantes para que possamos trocar informações e ouvir opiniões sobre investimentos que beneficiem o nosso estado”, destacou o parlamentar.

Complementando o posicionamento do presidente do Poder Legislativo, o presidente da Fiema, Edilson Baldez, pontuou que a Federação sempre buscou o diálogo, não só com o Poder Legislativo, mas também com todas as instituições do setor público, que podem ajudar a desenvolver a cadeia produtiva do estado.

São Luís, 01 de Setembro de 2020.

Pré-candidatos devem saber que o Orçamento de São Luís para 2021 será muito apertado

 

Município de São Luís terá  Orçamento apertado para 2021

Depois de um período de timidez, durante o qual apresentaram ideias dispersas, causando a impressão de que estavam perdidos ou escondiam o jogo, os pré-candidatos à Prefeitura de São Luís começam a mostrar os rascunhos dos seus planos de Governo. A maioria dos planos que começam a ganhar forma no papel e no discurso dos aspirantes a prefeito dependerá da robustez do caixa municipal. E é exatamente nesse ponto que, em muitos casos, os projetos esbarram num obstáculo fundamental, ou seja, a falta de dinheiro. Para colocar os pés no chão e planejar de acordo com a realidade, Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Bira do Pindaré (PSB), Rubens Júnior (PCdoB), Adriano Sarney (PV), Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Carlos Madeira (Solidariedade), Detinha (PL), Franklin Douglas (PSOL) e Hertz Dias (PSTU) precisam voltar sua atenção para o Orçamento da Prefeitura  para 2021, já aprovado pela Câmara Municipal, é acanhado, principalmente por causa do novo coronavírus.

Os números são um choque de realidade, uma vez que, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a Prefeitura de São Luís programou uma receita de R$ 3,2 bilhões para 2021. Desse total, R$ 2,2 bilhões sairão das transferências constitucionais, sendo R$ 568 milhões do repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), liberados pela União, R$ 560 milhões do ICMS, transferidos pelo Governo do Estado, e R$ 362 milhões do Fundeb, dinheiro destinado à área de Educação. E R$ 787 milhões de receita própria, sendo as principais fontes o IPTU, que entra com R$ 115 milhões, e o ISS, de onde sairão R$ 540 milhões, entre outras fontes de menor porte, mas importantes.

No contrapeso da receita estão as despesas, que nos cálculos registrados na Lei Orçamentária aprovada pela Câmara Municipal, que somados todos os itens, chegará a R$ 3,2 bilhões, mais de R$ 100 milhões a mais. O item para importante da despesa da Prefeitura de São Luís são os gastos com salários e encargos do funcionalismo: estão previstos na Lei Orçamentária nada menos que R$ 1,7 bilhão, o que significa um desembolso de R$ 143 milhões por mês, incluindo o 13º, ou seja, mais de 50% da receita prevista. E o que mais chama atenção: dos R$ 3,2 bilhões de receita estimada, somente R$ 500 milhões estão previstos para investimentos, o equivalente a R$ 42 milhões por mês, o que é um valor muito tímido diante das necessidades estruturais que São Luís ainda guarda.

Essa estimativa de receita e despesa feita no Orçamento de São Luís para o ano que vem vai depender, claro, da retomada das atividades econômica durante o próximo ano, fortemente prejudicada pela pandemia do novo coronavírus. Trata-se, porém, de uma projeção realista, perfeitamente realizável, principalmente se a economia ganhar força na Ilha, no estado e no plano nacional. Do ponto de vista de gestão, prefeito Edivaldo Júnior (PDT), que recebeu uma bomba financeira explodindo, com a máquina arrecadadora em crise e o caixa sem fôlego para cobrir as despesas, oito anos depois, vai entregar ao seu sucessor uma Prefeitura organizada, arrecadando o que pode para bancar a máquina administrativa, assegurando um equilíbrio entre receita e despesa.

Nessa fase da caminhada rumo às urnas, os pré-candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior precisam colocar os pés no chão e conceber um programa de ações realista para o próximo ano. Não podem se basear no fato de que São Luís virou canteiro de obras nos últimos meses da atual gestão. Os recursos com os quais o prefeito está bancando obras de asfaltamento, esgotamento sanitário, urbanização, praças e outras ações vieram de um empréstimo de R$ 230 milhões. Quando chegar ao Palácio de la Ravardière o próximo deve ter em mente o fato de que não terá dinheiro para continuar o programa de obras. Se não cair na real, vai amargar problemas e decepção.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Rifado pelo PSDB, Wellington do Curso tem dois caminhos: o da conformação e o do confronto

Wellington dp Curso

Confirmando informação dada pela Coluna no último dia 21, dando como fato consumado o que nos bastidores ainda era e especulação, o PSDB consumou ontem o golpe na pré-candidatura do deputado estadual Wellington do Curso à Prefeitura de São Luís, complementando a degola ao anunciar que os tucanos vão mesmo apoiar a candidatura do deputado federal Eduardo Braide (Podemos).

Wellington do Curso pagou preço alto por dois erros que cometeu. O primeiro: lançou sua pré-candidatura sem negociar com o senador Roberto Rocha, que, reconheça-se, foi coerente quando se negou a dar qualquer declaração respaldando o projeto, emitindo, ao mesmo tempo, todos os sinais de que não concordava com a iniciativa. O outro: sabia, desde o ano passado, que não seria candidato, mas resolveu pagar para ver, quando poderia ter procurado outro partido, como fizeram os deputados Duarte Júnior, que deixou o PCdoB e embarcou no Republicanos, e Yglésio Moises, que negociou sua saída do PDT e ingressou no PROS. Com o cacife eleitoral que tem em São Luís, não lhe faltaria partido.

Agora, além de passar pelo vexame de ter sido rifado aberta e ostensivamente, Wellington do Curso entra numa situação complicada. O drama começa com o fato de, a exemplo do que aconteceu em 2016, sua candidatura a prefeito foi apenas uma jogada inteligente para sem manter em evidência e ganhar credibilidade para engordar seu cacife para a reeleição de deputado estadual, o que aconteceu, inclusive com melhora na votação. Agora, não tem como ser candidato, vai entrar na zona turva dos esquecidos, podendo chegar a 2022 com dificuldades para se reeleger.

Ele agora só tem um caminho: engolir seco e se tornar cabo eleitoral de Eduardo Braide, como se nada tivesse acontecido. Se não domar seu temperamento explosivo e imprevisível e partir para o confronto com o candidato do Podemos e os tucanos, enfrentará problemas sérios para a reeleição, seja qual for o resultado da disputa na Capital.

 

São José de Ribamar consolida status político com a terceira maior população do Maranhão

São José de Ribamar: status político reforçado com a terceira maior população

Consolidado como dono da terceira maior população, só perdendo para São Luís e Imperatriz, deixando para trás, com boa vantagem, Timon e Caxias, respectivamente terceiro e o quarto colocados, o município de São José de Ribamar reforça seu status político no estado. O ganho populacional, vale destacar, é o resultado de uma queda-de-braço travada com o IBGE por Luís Fernando Silva, quando prefeito. Numa série de altos e baixos, ele demonstrou, com farta documentação, que muitas residências, incluindo conjuntos habitacionais, estavam no território ribamarense, mas seus habitantes eram computados pelo IBGE como moradores de São Luís e passo do Lumiar. Há cerca de três anos, o IBGE reconheceu a validade das alegações e turbinou a população da Cidade do Padroeiro com os acréscimos reivindicados por Luís Fernando Silva. O bom dessa briga foi que o ganho populacional consolidou a receita municipal com FPM especial.

São Luís, 30 de Agosto de 2020.

Derrocada de Witzel e do Pastor Everaldo no Rio de Janeiro pode prejudicar Aluísio Mendes e o PSC no Maranhão  

 

Aluísio Mendes corre risco de desgaste por conta de Wilson Witzel e Pastor Everaldo, denunciados por corrupção no RJ

A derrocada do governador Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, por conta de um inacreditável esquema de corrupção, parece, em princípio, uma realidade distante do cenário político maranhense, mas, ao contrário na impressão inicial, pode causar embaraços à trajetória do deputado federal Aluísio Mendes, visto como um político ativo. O parlamentar ingressou no PSC em 30 de Agosto do 2019, num ato em São Luís, que contou com a presença efusiva do governador fluminense e do chefão partidário Pastor Everaldo. Ao prestigiar a filiação de Aluísio Mendes no PSC, Wilson Witzel dava seguimento a uma arrojada maratona, que já o levara a outros estados, com o objetivo de fortalecer o partido com o propósito de formar uma base nacional para se lançar candidato a presidente da República em 2022. Naquele momento, o governador fluminense, parecia um fio de esperança para o Rio de Janeiro, um estado carcomido pela corrupção, com dois ex-governadores na cadeia, e pela guerra do tráfico.

Agente da Polícia federal que chegou ao Maranhão nos anos 90 como membro da equipe de assessores do ex-presidente José Sarney (MDB), Aluísio Mendes mostrou serviço e se tornou o principal conselheiro da então governadora Roseana Sarney na área de segurança pública, tendo criado o GTA, e arranjado o seu maior inimigo, o ex-secretário e ex-deputado estadual Raimundo Cutrim. Reuniu cacife e se tornou secretário de Segurança Pública, função que lhe permitiu ramificar o projeto de chegar à Câmara Federal, o que aconteceu em 2014. Eleito pelo PSDC com modestos 50.658 votos, Aluísio Mendes fez o seu dever parlamentar, garimpando, principalmente no Governo Michel Temer, emendas e convênios para prefeituras. Seu desempenho nessa área surpreendeu até mesmo os colegas mais experientes, sendo elogiado por ninguém menos que o prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), então presidente da Famem.

Sem futuro no PSDC, Aluísio Mendes assumiu o controle do Avante, juntamente com a ex-prefeita Maura Jorge, chegando a lançar no Maranhão a então candidatura presidencial do senador paranaense Álvaro Dias. Mas logo a nova situação desandou. Maura Jorge entrou na onda bolsonarista e migrou para o PSL, enquanto Aluísio Mendes perdeu o controle do Avante numa queda-de-braço com o deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Assumiu o controle do Podemos, mas o repassou para deputado federal Eduardo Braide, que não tinha futuro no PMN. Foi depois desse entra-e-sai partidário que Aluísio Mendes chegou ao PSC, recebido com trombetas por Wilson Witzel e Pastor Everaldo, em ato de filiação em São Luís. Junto com ele, mais de uma dezena de prefeitos, sendo três do PCdoB, dois do PDT e um do PSB, causando certo mal-estar na base governista.

Tudo parecia perfeito para Aluísio Mendes. Tinha o controle de um partido forte, com base no Governo do Rio de Janeiro, com um candidato promissor a presidente da República, e também um link com o Governo Jair Bolsonaro, que apoia sem reservas. O projeto de candidatura presidencial de Wilson Witzel, porém, despertou a ira do presidente Jair Bolsonaro, que transformou o aliado em desafeto. Coincidência ou não, naquele momento começaram a surgir denúncias de desvios contra o governador. O desembarque do coronavírus no Rio de Janeiro, além de muitas mortes e desmantelamento econômico, revelou um esquema de corrupção entranhado no Governo Witzel. Preso, o ex-secretário de Saúde soltou a língua e empurrou o governador para o precipício, que culminou com o seu afastamento, ontem, por 180 dias, e com a prisão do seu “estrategista”, Pastor Everaldo, que, segundo o Ministério Público, com ele vinha dividindo os frutos da roubalheira milionária.

O que aconteceu no Rio de Janeiro liquida politicamente Wilson Witzel, mergulha o Rio de Janeiro em outra enorme crise política, acaba com as negociatas do Pastor Everaldo usando o PSC e desmoraliza o partido no plano nacional. No Maranhão, o desastre nacional do PSC coloca o deputado federal Aluísio Mendes numa situação de desconforto, principalmente pelo fato de que candidatos a prefeitos e a vereador do seu partido correm agora risco de perder credibilidade durante a campanha eleitoral. E caberá a ele, como chefe maior da agremiação no estado, encontrar meios de evitar desgastes e o pior nas urnas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Detinha e Josimar de Maranhãozinho são denunciados por atropelo à Lei Eleitoral

Detinha e Josimar de Maranhãozinho: acusados pelo MP de ato fora da lei

A deputada Detinha ainda não foi confirmada candidata do PL à Prefeitura de São Luís, mas já na condição de pré-candidata vai ter de encarar, além dos desafios naturais da campanha, uma incômoda encrenca na Justiça Eleitoral. Ela e o marido e mentor político, o deputado federal Josimar de Maranhão, chefe absoluto do PL no Maranhão, foram denunciados pelo partido Rede Sustentabilidade e tornados alvos de Representação da Promotoria Eleitoral da 89ª Zona de São Luís, acusados de prática de propaganda antecipada, o que, traduzindo preto no branco, quer dizer crime eleitoral. Na Representação, a promotora eleitoral Moema Pereira afirma que os dois atropelaram a legislação eleitoral, e pede punição, que inclui a exclusão de propagandas eleitorais dos perfis pessoais dos parlamentares em redes sociais. Três postagens no Instagram e duas no Facebook ilustram a realização, no dia 3 deste mês, de um evento de cunho político, em espaço aberto ao público, no bairro da Cidade Operária, em São Luís.

A Representação se sustenta em vídeo do evento, no qual a pré-candidata Detinha foi apresentada como “a mulher que vai mudar o destino da nossa cidade, acompanhada do campeão de votos e futuro governador do Maranhão”. “Divulgado em diversos sites e postagens nos perfis pessoais dos representados nas redes sociais, o registro visual demonstra o uso de banners, telão e cartazes com slogans da deputada estadual e seu partido durante o evento. Segundo o MPE, o vídeo tem efeito idêntico ao de um outdoor”, diz o registro do MPE, que acusa os parlamentares de violar o artigo 36 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997), “afrontando o princípio igualitário da propaganda eleitoral”.

Na avaliação da promotora eleitoral Moema Pereira, uma das ilegalidades “é comprovada pela realização de reunião em local aberto com características de comício, com pedido explícito de votos e o uso de banner de impacto visual similar ao outdoor, telão, bandeiras e cartazes, modalidades de propaganda vedadas em qualquer época”. Outra: “a realização de gastos elevados quando a arrecadação de recursos para campanha ou utilização de recursos próprios são proibidos, configurando abuso de poder econômico, devido à estrutura montada para o evento”.

Além disso, a denúncia afirma que o ato comandado por Detinha e Josimar de Maranhãozinho foi transformado em um comício, comprovado pelo “o tom inflamado do discurso do apresentador, a fala do deputado federal pedindo votos para sua esposa, o palanque com telão, o volume da música, o banner com efeito de outdoor com slogan da deputada estadual, faixas, bandeiras e o número de participantes, com camisas com o nome da pré-candidata”. Tudo organizado “com o objetivo de divulgar a imagem da deputada junto aos eleitores ludovicenses, com menções à pré-candidatura, pedido de votos, exaltação de qualidades e promessas em caso de eventual eleição”. A promotora finaliza afirmando que os dois desrespeitaram ainda o Decreto Estadual nº 35.831, de 20 de maio de 2020, que estabelece medidas sanitárias para conter a Covid-19. “Sem se preocupar em evitar a contaminação da população, os deputados promoveram aglomerações, em contrariedade às normas sanitárias de prevenção ao novo coronavírus, reunindo um significativo número de pessoas”.

 

Destaque

TV Assembleia muda de Canal a partir de hoje

TV Assembleia deu novo sentido às sessões plenárias do parlamento no Maranhão

A TV Assembleia está de sintonia nova a partir deste sábado (29). A emissora, que faz parte do complexo de comunicação da Assembleia Legislativa, passa a ser transmitida pelo canal digital 9.2, num processo de mudança que atualiza a chamada Rede Legislativa, que inclui a TV Câmara e a TV Senado. A mudança permitirá a aproximação dos canais legislativos dos canais comerciais, facilitando o acesso do telespectador às programações da rede Legislativa.

Até ontem acessada pelo canal 51.2, a TV Assembleia, passa a ser transmitida, a partir de hoje, pelo 9.2. Da mesma maneira, a TV Senado deixa de ser transmitida pelo canal 51.1, passando a ser acessada no 9.1, assim como a TV Câmara, que funciona no canal 51.3, sendo agora transmitida pelo 9.3.

A TV Assembleia, assim como a TV Senado e a TV Câmara, já está consolidada como o mais importante instrumento de divulgação das ações do parlamento maranhense, levando ao ar programação rica em informações sobre o Maranhão, suas instituições, sua educação e sua cultura, dando voz ao cidadão e seus representantes. A emissora assegura aos deputados estaduais a sua participação no processo legislativo, com destaque às reuniões plenárias, que são transmitidas integralmente pelo canal

A diretora-adjunta de Comunicação da Alema, jornalista Silvia Tereza, avalia a nova sintonia permitirá que a TV Assembleia cumprirá melhor e de maneira mais eficiente a missão de aproximar o cidadão do Parlamento maranhense, já que terá mais facilidade para acessar a programação.

– Vamos aproveitar para fazer uma programação mais cidadã, porque esta é uma das missões da TV Assembleia. A gente continua trabalhando para que isso se intensifique muito mais e, com o novo canal, seguiremos no propósito de levar todas as informações das atividades parlamentares aos maranhenses – explica.

Ela assinala que com a mudança do canal, o telespectador precisará sintonizar novamente a TV para continuar acompanhando as transmissões ao vivo das sessões plenárias, bem como de toda a programação da TV Assembleia. A sintonia é feita automaticamente pelo aparelho de televisão, mas, se houver algum problema, basta usar a função de busca ou sintonia para encontrar os canais legislativos.

Em Tempo: A TV Assembleia entrou no ar em janeiro de 2011 e funciona no Complexo de Comunicação da Assembleia Legislativa do Maranhão. Produtores, cinegrafistas, repórteres, editores e técnicos levam a transmissão diariamente das sessões parlamentares para a capital São Luís e, também, para os municípios de Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar. A programação do canal também pode ser acompanhada online pelo site www.al.ma.leg.br/tv.

São Luís, 29 de Agosto de 2020.

 

Em busca de exposição e de aproximação com eleitorado, Carlos Madeira desafia pré-candidatos para debate

 

Carlos Madeira desafia pré-candidatos a partirem  já agora para o debate sobre os problemas de ão Luís

O pré-candidato do Solidariedade à Prefeitura de São Luís, juiz federal aposentado Carlos Madeira, fez ontem um desafio público aos seus concorrentes na disputa pelo gabinete principal do Palácio de la Ravardière: a realização de debates agora, ainda na fase de pré-campanha, antes, portanto, das convenções partidárias. Seu argumento, segundo o bem infirmado blog do jornalista Marco D`Eça: “Estamos a menos de três meses das eleições e a grande maioria dos cidadãos de São Luís não escolheu um nome para prefeito, ou porque não conhece os pré-candidatos ou porque não se identifica com velhas propostas que se apresentam, mirabolantes, em embalagens novas”. E para demonstrar que não está blefando quando faz o desafio, Carlos Madeira fez questão de registrar o desafio em cartório, numa evidente tentativa de demonstrar que seu projeto de entrar na política disputando a Prefeitura da Capital não é um devaneio de ex-magistrado. “Se adiamos as eleições, é fundamental que antecipemos os debates, afinal o eleitor precisa de tempo para, após avaliar os modelos de política que aí estão postos, fazer a escolha mais sensata”, justificou.

A proposta-desafio de Carlos Madeira não é um arroubo de agora. Em 12 de dezembro do ano passado, ainda juiz federal, mas já admitindo que se aposentaria para entrar na corrida sucessória, ele concedeu entrevista ao jornalista Roberto Fernandes no telejornal Bom Dia Mirante, durante a qual defendeu os debates como essenciais para que os eleitores possam conhecer, de fato, o conteúdo e as propostas dos candidatos. A iniciativa mostra que não se trata de um malabarismo momentâneo do pré-candidato do Solidariedade, mas um entendimento já amadurecido sobre o assunto.

Com desempenho pífio nas pesquisas até aqui e sem instrumentos que o tornem mais conhecido na base eleitoral, Carlos Madeira alimenta dois objetivos quando desafia os pré-candidatos a se enfrentarem verbalmente já na fase de pré-campanha. O primeiro é a aposta que ele faz na própria capacidade de se comunicar com o eleitorado “duelando” com concorrentes. Ele é articulado, fala bem, tem um discurso apurado e objetivo – fruto de anos e anos de magistratura -, além de ter uma compreensão consistente do que é e como deve ser conduzida uma gestão pública. Nessa seara, na qual vem demonstrando ter bom domínio, vários pré-candidatos teriam dificuldade de entabular o tate-a-tate com o pré-candidato do Solidariedade. Vale ainda acrescentar que, além da bagagem discursiva, ele é o mais experiente entre os candidatos, uma vantagem nada desprezível.

O seu outro objetivo ao propor debates é demonstrar que está bem informado no que diz respeito aos problemas da cidade que pretende governar. Nesse aspecto, fala com a propriedade de filho do antigo Cavaco, hoje Bairro de Fátima, área tradicional, mas também das mais complicadas em matéria social, econômica e urbanística, com índices de violência sempre preocupantes, ao mesmo tempo berço de rica cultura popular. Sua origem e as informações que colheu ao longo do tempo e dos estudos que, segundo informa, vem realizando, lhe deram um conhecimento precioso sobre São Luís, suas entranhas e seus problemas.

É improvável que seus concorrentes aceitem o desafio, pois sabem que num embate dessa natureza o candidato do Solidariedade, pela habilidade que demonstra no uso das palavras e pela experiência que acumulou na magistratura, é um adversário perigoso, capaz de crescer sobre a fragilidade dos que não tiverem sólidos argumentos para seduzir o eleitorado. Ao mesmo tempo, mesmo com seu preparo e vivência, Carlos Madeira sabe que debate pode ser também um evento de risco para ele e seu projeto, à medida que poderá ser surpreendido pela impetuosidade de pré-candidatos preparados e tarimbados, como Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Bira do Pindaré (PSB), Rubens Júnior (PCdoB e Neto Evangelista (DEM), por exemplo. O desafio lhe é, a princípio, favorável, mas pode acabar como uma faca de dois gumes.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Inquérito sorológico estima alcance da pandemia e coloca o Maranhão em destaque

Carlos Lula apresenta dados sobre pandemia levantados por inquérito sorológico

Nada menos que 40% da população maranhenses, o que equivale a 2,8 milhões de pessoas, podem ter sido infectados pelo novo coronavírus. A estimativa foi encontrada pelo inquérito sorológico, realizado a quatro mãos pelo Governo do Estado e pela Universidade Federal do Maranhão. As informações estão no relatório apresentado ontem pelo secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, que informou: mesmo com parte da população apresentando anticorpos contra a Covid-19, o resultado do estudo não indica imunidade coletiva. “Nesta fase já não se pode falar em imunidade de rebanho. Já temos conhecimento de um caso em Hong Kong de reinfecção, também soubemos de situações semelhantes na Bélgica e na Holanda. Não quer dizer que haverá reinfecção de todos os casos, mas é possível, por isso não poderemos nos descuidar sobre as medidas de prevenção, distanciamento social, uso de máscaras”, alertou.

De acordo com os resultados do inquérito sorológico, a prevalência foi mais elevada nos municípios de médio porte, de 20 a 100 mil habitantes, com 47,6% e mais baixa nos municípios de pequeno porte, com menos de 20 mil habitantes, com 31%. Nos municípios da Ilha de São Luís, a prevalência foi de 38,9%, já nos demais municípios de grande porte, com mais de 100 mil habitantes, a prevalência foi de 35,2%. O relatório também mostrou que tanto o isolamento social quanto o uso de máscaras diminuem a probabilidade de infecção. No grupo das pessoas que mantiveram o isolamento social desde o início da pandemia, apenas 34% foram contaminados, enquanto 44,3% dos que não mantinham o isolamento tiveram contato com a Covid-19.

As informações que vieram à tona com o inquérito sorológico realizado no Maranhão repercutiram amplamente no País, a começar pelo fato de que a pesquisa é uma das poucas feitas em território nacional. Com os dados garimpados, as autoridades da Saúde poderão planejar de maneira mais precisa e mais eficiente ações de reforço ao combate à Covid-19, orientar na retomada de atividades e tomar decisões relacionadas à tão sonhada realidade pós-pandemia.

Com as medidas que tomou e os resultados que alcançou até aqui o Maranhão está na vanguarda da luta contra a pandemia do novo coronavírus, não somente no país, mas em boa parte do planeta, onde a virose continua ceifando vidas. (Com informações da Secap)

 

Wellington do Curso esperneia, mas PSDB caminha para Eduardo Braide

Wellington do Curso esperneia, mas Roberto Rocha leva PSDB para Eduardo Braide

O deputado Wellington do Curso está esperneando contra a decisão da cúpula do PSDB de rifar sua candidatura à Prefeitura de São Luís, para levar o partido para uma aliança com o Podemos em torno da candidatura do deputado federal Eduardo Braide. Ainda sem um rumo a seguir, mesmo ciente de que o ninho dos tucanos não lhe dará a vaga de candidato a prefeito, Wellington do Curso tenta colocar a informação em dúvida, como que apostasse na possibilidade de um recuo do PSDB em relação a Eduardo Braide, abrindo caminho para a manutenção do seu projeto eleitoral natimorto. Hoje, o senador Roberto Rocha, que tem a palavra final sobre assunto, desembarca em São Luís junto com o ministro Rogério Marinho, da Integração Nacional, e deve falar sobre o assunto.

São Luís, 27 de Agosto de 2020.

TJ, MPE, TCE e TRE-MA formam frente de combate à corrupção na guerra pelo voto

 

Lourival Serejo (TJ) comandou reunião com Tyrone Silva (TRE), Eduardo Nicolau  (MP) e representantes do TCE para formar uma frente contra a corrupção nas eleições

Aos candidatos a prefeito, a vice-prefeito e a vereador um aviso, que para alguns tem sentido de alerta vermelho: não tentem abusar do poder do dinheiro, não pensem em usar “jeitinho” na campanha e na eleição em si, não tentem driblar a legislação e gastar ilegalmente, não se atrevam, enfim, a tentar corromper o eleitor nem manipular o resultado da eleição. Se alguém estiver movido pelo propósito de conseguir um mandato, seja ele majoritário ou proporcional, usando meios fora da lei ou recursos que contrariem as regras legais, poderá encontrar pela frente, além dos mecanismos de controle previstos na legislação eleitoral, a mão pesada da Frente Estadual de Combate à Corrupção. E para quem não sabe, a Frente anticorrupção é formada por agentes do Poder Judiciário – no caso juízes eleitorais -, do Ministério Público (MPE) – via promotores eleitorais – e do Tribunal de Contas do Estado (TCE) – por meio de auditores da instituição. E vai colocar uma lupa poderosa sobre a movimentação de todos os entes políticos e partidários envolvidos no processo eleitoral.

A Frente Estadual de Combate à Corrupção para atuar no processo eleitoral foi lançada segunda-feira (24), no Palácio da Justiça, numa reunião comandada pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Lourival Serejo, com a participação do presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MA), desembargador Tyrone Silva, do procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, e do conselheiro-substituto Antônio Blecaute, que representou o comando do TCE. Além de concordar com a formação da Frente para atuar no processo eleitoral, os chefes das instituições envolvidas assumiram o compromisso de agir com firmeza no combate a atos de corrupção no processo eleitoral, criando uma malha por meio da qual o Poder Judiciário, a Justiça Eleitoral, o MPE e o TCE, atuarão articulados na identificação, apuração e, se for o caso, punição dos envolvidos em desvios.

O argumento usado pelo presidente do Tribunal de Justiça é o de que a Frente Anticorrupção fortalecerá e aumentará a eficiência das instituições no combate a práticas ilegais nas eleições municipais que se aproximam, de modo a assegurar a liberdade de escolha dos eleitores, e a participação saudável de candidatos que compreendem a importância do voto como instrumento de mudança. O combate à corrupção na guerra eleitoral atende aos anseios do cidadão e da sociedade como um todo. Daí os esforços dos Poderes para interpretar e dar resposta às manifestações que têm expressado nas ruas total repúdio à corrupção. Daí a Frente ser formada por representantes das instituições que organizam, realizam e fiscalizam o processo eleitoral, e que na visão do presidente do Poder Judiciário, significa garantir a idoneidade, a seriedade, a vigilância e a legalidade” do processo eleitoral. Daí o seu recado direto aos que estiverem pensando em sair dos trilhos: “Estamos empenhamos em combater a corrupção, com as forças e as armas que temos, que são as armas da legalidade”.

No mesmo diapasão, e já dando um sentido prático à formação da Frente Estadual de Combate à Corrupção, o procurador-geral da Justiça, Eduardo Nicolau, anunciou na reunião de segunda-feira que está requerendo ao Tribunal de Justiça processos sobre improbidade administrativa em tramitação, para que o Ministério Público possa agilizar providências. “Com essa ação, nossa eleição será mais limpa, mais transparente e segura para todo cidadão maranhense”, avalia o procurador geral de Justiça, demonstrando consciência de que a instituição que comanda tem papel fundamental e decisivo nessa Frente. A providência por ele anunciada já é uma garantia de que corruptos e corruptores podem se dar muito mal se tentarem corromper a escolha pelo voto. Mais ainda, se o TCE contribuir informando a situação dos prefeitos que pensam tentar a reeleição e os ex-prefeitos que tentam voltar ao comando dos seus municípios. Suas fichas permitirão ou não que se candidatem.

Sobre a constituição da Frente Estadual de Combate à Corrupção, o presidente da Justiça Eleitoral, desembargador Tyrone Silva, mandou um recado claro e direto aos corruptos, corruptores, fichas sujas e bandidos ainda protegidos por fichas suspeitas: “Essa conjugação de esforços e propósitos combaterá esse mal que repudiamos, que é a corrupção, a malversação do dinheiro público, os comportamentos ofensivos à lei e ao erário. Vamos envidar todos os esforços para combater a corrupção”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ana Paula Lobato será companheira de chapa de Luciano Genésio em Pinheiro

Thaíza Hortegal, Luciano Genésio, Ana Paula Lobato e Othelino Neto no lançamento na chapa em Pinheiro

Ana Paula Lobato, primeira-dama do Poder Legislativo, decidiu entrar de vez na seara política, na qual o seu marido, o deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), presidente da Assembleia Legislativa, alcançou e vem consolidando o status de expoente no cenário político estadual. A presidente do Grupo de Esposas de Deputados (Gedema), que é filiada ao PCdoB, será candidata a vice-prefeita de Pinheiro, formando chapa com o prefeito Luciano Genésio (PP). A definição da chapa é o resultado de uma bem planejada articulação feita pelo casal com o prefeito, envolvendo também a mulher dele, a deputada estadual Thaíza Hortegal (PP), que também teve voz ativa na formação da aliança. Ana Paula Lobato, que é enfermeira por profissão, tem o DNA político do pai, o médico Pedro Lobato, que comandou a Prefeitura de Pinheiro por seis anos na década de 1980, e pela atividade do marido, de cujas campanhas participa direta e intensamente. Nascida e crescida em ambiente político, Ana Paula Lobato conhece bem o tabuleiro da política pinheirense. Como candidata a vice, pode contribuir decisivamente para fortalecer o projeto de reeleição do prefeito Luciano Genésio, que desponta como franco favorito na disputa com o deputado estadual Leonardo Sá (PL), que representa o grupo comandado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho.

 

Pré-candidatos façam de mobilidade, mas esquecem da praga dos “Carrinhos” e dos “alternativos”

“Carrinhos” cominam área do Centro e infernizam o trânsito fazendo transporte ilegal para o Itaqui/Bacanga

O Imparcial perguntou aos pré-candidatos à prefeitura de São Luís o que cada um pretende fazer para melhorar a mobilidade urbana de São Luís, que tem mais de meio milhão de veículos e um contingente de 600 mil pessoas que se deslocam para trabalhar e estudar todos os dias. Algumas respostas interessantes, outras estapafúrdias. Nenhum, porém, apresentou solução para dois problemas graves que envolvem transporte de massa. O primeiro são os chamados “carrinhos”, uma enorme frota de veículos de passeio que faz transporte coletivo no eixo Centro/Itaqui-Bacanga. São centenas, que atuam ilegalmente, mas garantidos por uma “autorização” fajuta da Câmara Municipal, infernizando o trânsito o Centro de São Luís: dominam a área do Apicum, dominam o espaço em lado do prédio da Embratel, a Praça Deodoro e a Rua da Paz, contribuindo ostensivamente para formar gargalos no trânsito. Os “carrinhos” são o mais evidente e agressivo exemplo da falência do Poder Público nessa área. O outro são os micro-ônibus que fazem o chamado “transporte alternativo”, outra aberração inaceitável numa cidade que tem um serviço de transporte de massa que poderia perfeitamente suprir todas as necessidades da população.

São Luís, 25 de Agosto de 2020.