Pesquisa DataIlha sobre a disputa em São Luís chega defasada e confunde mais do que informa

 

Coletados há mais de uma semana, números podem estar corretos, mas não traduzem a realidade do momento sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís

A pesquisa DataIlha/Band divulgada ontem mostrou que se a eleição tivesse sido realizada no período de 13 a 15 deste mês, portanto uma semana atrás, Eduardo Braide (Podemos), que naquele momento apareceu com 39% das intenções de voto, e Duarte Júnior (Republicanos), preferido por 13,1%, sairiam das urnas para se enfrentar num segundo turno. Neto Evangelista (DEM), que apareceu com 12%, Rubens Jr. (PCdoB) com 9%, Jeisael Marx (Rede) com 2,8%, Bira do Pindaré (PSB) com 2,5%, Yglésio Moysés (PROS) com 2,2%, Sílvio Antônio (PRTB) com 0,6%, Franklin Douglas (PSOL) com 0,5%, e Hertz Dias (PSTU) com 0,2% ficariam de fora. Naquele período, 6,8% não votariam ou anulariam o voto, enquanto 11,4 formaria o exército de indecisos. Sem duvidar dos seus números, e reconhecendo que o DataIlha tem feito um trabalho importante de pesquisar as tendências eleitorais nas eleições mais recentes, tendo apresentado resultados convincentes, quase sempre confirmados pelas urnas, a pesquisa sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís confunde mais do que informa sobre a medição de força entre os candidatos.

E a explicação é simples. Num processo eleitoral como o de agora, mais enxuto e com um período de campanha mais curto, a dinâmica dos movimentos dos candidatos é muito mais intensa. Essa velocidade faz com que eles atuem com mais agilidade, para se manterem próximos dos eleitores, cumprindo compromissos de campanha, concedendo entrevistas em emissoras de rádio e TV e participando de debates. E o desdobramento natural dessa maratona é que as mudanças, muitas delas decisivas, ocorram também de maneira muito rápida. Tanto que, guardadas as devidas proporções e respeitadas as diferenças, vale lembrar que neste processo eleitoral, institutos como Ibope e Datafolha divulgam levantamentos feitos no máximo 48 horas antes, oferecendo aos eleitores cenários bem próximos da realidade.

Ao chegar ao conhecimento público seis dias depois da coleta de entrevistas, a pesquisa informa um retrato fortemente defasado. Do dia 15 de Outubro para cá, vários acontecimentos agitaram a movimentação dos candidatos: Rubens Júnior saiu da clausura, o governador Flávio Dino (PCdoB) respondeu duramente a um comentário de Eduardo Braide feito em redes sociais, os candidatos comandaram uma série de animados atos de campanha, todos foram entrevistados em diferentes emissoras de rádio e TV, e para culminar, sete dos 10 candidatos participaram do mais produtivo debate da campanha até aqui, uma parceria O Estado do Maranhão/Imirante.com. Eduardo Braide, Duarte Júnior, Neto Evangelista, Rubens Júnior, Bira do Pindaré, Yglésio Moises e Jeisael Marx travaram o bom combate num evento bem organizado e em expressivo espaço de tempo. A pesquisa DataIlha chega ao conhecimento público exatamente na ressaca desse evento, causando a impressão de que já refletiria os possíveis desdobramentos desses eventos.

Os fatos e movimentos de campanha ocorridos nos seis dias que se seguiram ao levantamento feito pelo DataIlha podem ter provocado mudanças em posições, como também pode ter deixado tudo igual. Mas isso quem vai dizer é a pesquisa Ibope, que, segundo informações oficiosas, deverá ser divulgada nas próximas 48 horas. Esse levantamento, sim, revelará as posições do eleitorado que desenharam o cenário do momento. Há também em curso um levantamento da JPesquisa, uma empresa do Jornal Pequeno, que também poderá trazer uma fotografia atualizada das posições dos candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

Reafirmando que não está colocando em xeque os números divulgados, que podem perfeitamente refletir a situação de uma semana atrás, é lícito assinalar que a pesquisa DataIlha chegou ao público na hora errada, por isso semeando mais dúvidas do que certezas nos eleitores e nos próprios candidatos.

Em Tempo: A pesquisa DataIlha foi realizada de 13 e 15 de Outubro, ouviu 1080 eleitores e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número MA-04987/2020.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Distante da disputa, Edivaldo Holanda Jr. não é alvo de candidatos à sua sucessão

Edivaldo Holanda Júnior: longe da corrida eleitoral e perto das obras de sua gestão

O prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) vem se mantendo olimpicamente distanciado da guerra pela sua sucessão. Com o seu programa de obras em andamento, financiado pelo empréstimo de R$ 300 milhões que conseguiu, o prefeito transformou São Luís em um canteiro de obras, dando trafegabilidade a ruas e avenidas, construindo e reconstruindo praças e revitalizando feiras, mercados e o centro da Capital. Por razões diversas, sendo a principal a decisão do PDT de apoiar a candidatura do deputado Neto Evangelista (DEM), com quem tem fortes diferenças, o prefeito decidiu ficar de fora do processo no primeiro turno, dando-se o luxo de aguardar o desfecho para, se for o caso, se posicionar aberta e efetivamente no segundo turno. O prefeito está em estado de graça, pois as pesquisas feitas até aqui informam que ele está bem situado no conceito da opinião pública, aprovado por larga maioria. Tivesse mergulhado na campanha, dando seu apoio a um candidato, certamente estaria hoje transformado em saco de pancadas. Com o distanciamento do prefeito, adversários pensam duas vezes em atacá-lo, e quando o fazem, recorrem a artifícios que tornam a crítica não explícita. Durante o debate no Sistema Mirante, todos os candidatos apontaram falhas na Saúde, prometendo soluções para problemas na área, mas nenhum o responsabilizou pela existência dessa ou daquela deficiência. Tudo indica que o prefeito caminha para passar o cargo numa transição sem traumas, independentemente da escolha a ser feita nas urnas.

 

Secretário de Segurança detona informação falsa sobre segurança de Bolsonaro na visita ao Maranhão

Jefferson Portela desfez notícia falsa sobre segurança do presidente no Maranhão

Por causa de uma notícia falsa publicada em redes sociais afirmando que a Secretaria de Estado da Segurança Pública teria se negado a participar do esquema de segurança ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Maranhão, no final do mês, o secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, foi obrigado a rebater o petardo fajuta. Ele classificou a “informação” como criminosa, informando que somente ontem recebeu mensagem do Palácio do Planalto solicitando o apoio da Polícia do Maranhão no esquema de segurança do presidente, que irá à cidade de Balsas e ao interior do município.

Certamente imaginado para aprofundar ainda mais o abismo que separa o presidente Jair Bolsonaro do governador Flávio Dino, o boato criminoso não causou o menor dano. Primeiro porque a visita de um presidente é um assunto de Estado, e não um evento político ou meramente privado. Em qualquer situação, a Polícia do Maranhão, se solicitada no sentido de prestar o apoio, tem a obrigação institucional de atender à solicitação, independentemente do grau das diferenças que distanciam o chefe da Nação do governador do Estado. E mesmo que não houvesse a obrigatoriedade, dificilmente o governador Flávio Dino causaria qualquer tipo de dificuldade para dificultar o atendimento de uma solicitação do Palácio do Planalto.

Qualquer que tenha sido sua motivação, autor da informação falsa jogou mal e perdeu feio.

São Luís, 22 de Outubro de 2020.

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