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Sálvio Dino: foi-se o advogado, o imortal e um dos baluartes da geração que combateu o vitorinismo e a ditadura

 

Sálvio Dino na tribuna da Assembleia Legislativa, onde pronunciou o seu último e emocionado discurso, e a mensagem em que Flávio Dino comunicou a morte do pai

Partiu ontem, em São Luís, aos 88 anos, vitimado pelo novo coronavírus, o advogado, jornalista, escritor e político Sálvio Dino, encerrando uma das mais ricas biografias entre os expoentes da geração de líderes maranhenses que enfrentou o vitorinismo e fez frente à ditadura militar. Ele amargou cassação de mandato, não se acanhou com o banimento da política, atuou pela volta da democracia, cumpriu vários mandatos parlamentares e foi prefeito, sempre com lealdade às regras do estado democrático de direito e da ética na política. Paralelamente, desenvolveu intensa e densa atividade profissional, intelectual e literária, que o imortalizou na cadeira 32 da Academia Maranhense de Letras. Sálvio Dino foi alcançado pelo novo coronavírus há alguns dias, procurou ajuda médica em Imperatriz, teve seu estado de saúde agravado, foi transferido para São Luís, mas não resistiu ao desgaste implacável imposto pela Covid-19, falecendo no Hospital Carlos Macieira, na manhã dessa segunda-feira. Sálvio Dino deixou quatro filhos: Nicolao Dino (procurador da República), Flávio Dino (ex-juiz federal e atual governador do Maranhão) e Sávio Dino (advogado), do primeiro casamento com Maria Rita Dino, e Saulo Dino (empresário), do segundo casamento, com Iolete Dino.

Sua morte repercutiu nos mundos político, jurídico e intelectual do Maranhão, tendo o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), decretado luto de três dias e divulgado Nota exaltando a memória do ex-parlamentar, enquanto o ex-presidente da República, José Sarney (MDB), lamentou a perda do amigo, do parceiro político e do intelectual que deixa uma valiosa contribuição à cultura maranhense. Também o ex-presidente Lula da Silva (PT) divulgou mensagem lamentando a perda e destacando a biografia de Sálvio Dino.

Natural de Grajaú, onde nasceu em 5 de Junho de 1932, filho do desembargador Nicolao Dino, Sálvio Dino Jesus Castro e Costa recebeu sólida formação intelectual, que culminou com o bacharelado em Ciências Jurídicas, tendo militado desde cedo na advocacia, que o levou, por concurso público, ao quadro de procuradores do Estado. Mas sua grande paixão foi a política. Defensor dos ideais democráticos e identificado com postulados da esquerda, seguindo uma das tendências da sua geração, da qual fazem parte expoentes como José Sarney, Neiva Moreira, Cid Carvalho, Henrique la Rocque, Newton Bello, Alexandre Costa, Lino Machado que atuou sob a influência do paraibano Victorino Freire, cuja atuação coronelista dividiu o Maranhão político em vitorinista e não vitorinista. Sálvio Dino militou sempre na segunda corrente, combatendo o vitorinismo, aliando-se depois a José Sarney.

Em 1954, ainda jovem, elegeu-se vereador de São Luís, reelegendo-se em 1958, para em seguida, em 1962, ganhar nas urnas o mandato de deputado estadual. Na Assembleia Legislativa, se notabilizou pelas ações como opositor implacável do governador Newton Bello. Pagou preço alto por suas posições políticas e ideológicas: na caça às bruxas que promoveu contra políticos democratas e de esquerda, a ditadura militar implantada pelo golpe de 1964 lhe cassou o mandato, numa investida que no plano estadual alcançou também o jovem deputado Benedito Buzar, e na esfera federal os deputados Neiva Moreira e Cid Carvalho. Sálvio Dino enfrentou inquérito, interrogatórios, sofreu ameaças durante os anos de chumbo, mas se manteve de pé. Retornou às lutas pelo voto em 1974, elegendo-se deputado estadual pela Arena – partido que abandonou em 1980 para se filiar ao PP, partido fundado por Tancredo Neves -, mantendo uma linha de ação independente, ainda que no campo liderado por José Sarney. Em seguida, foi prefeito de João Lisboa (1989- 1993 e 1997-2001), onde realizou gestão elogiada por aliados e adversários, principalmente no campo da correção. Tentou, sem sucesso, voltar à Assembleia Legislativa e à Prefeitura de João Lisboa.

Orador culto e contundente e tribuno implacável, talento que mostrou já na Câmara Municipal de São Luís, Sálvio Dino, no primeiro mandato de deputado estadual pelo PDC, se notabilizou pelos bem construídos e contundentes discursos com os quais bombardeava o Governo vitorinista de Newton Bello, travando estridentes embates com o líder governista de então, deputado Major Pereira dos Santos (PRP), que tentava rebater os ataques com discursos agressivos. A contundência e a riqueza discursiva, somada à competência como legislador, decorrentes também da sua formação e atuação como advogado, foram marcas reconhecidas como parlamentar. Voltou a atuar politicamente dando um suporte experiente às candidaturas do filho Flávio Dino (PCdoB), governador reeleito do Maranhão.

O novo coronavírus ceifou uma vida intelectual intensa, que enveredou pelo conhecimento filosófico dando base ao  advogado, pelos mergulhos na História que lhe deram os meios para resgatar fatos e momentos importantes da trajetória maranhense, como a restauração do roteiro que marcou a passagem da Coluna Prestes no Sul do Maranhão. Sálvio Dino foi também intenso no jornalismo como bom articulista e bom cronista, e um excelente contador de histórias e “causos”, produzindo um rico acervo de   impagáveis registros da vida e da política interiorana, que fez com competência ao longo de anos nas páginas do jornal O Estado do Maranhão. O pesquisador de fatos históricos, o cronista, o contista e o cintador de “causos” deixam nada menos que 13 títulos, entre eles “Leões, um palácio de histórias, lendas, mitos & chefões”, “Verdes sertões e vida”, “Nas barrancas do Tocantins”.

Em meados do ano passado, já sem o viço de outros tempos, mas com a lucidez e a verve de sempre, Sálvio Dino foi um dos oradores da sessão especial na qual, por iniciativa do presidente Othelino Filho, a Assembleia Legislativa “devolveu” a ele, a Benedito Buzar e a outros os mandatos cassados pela ditadura militar. Surpreendeu os presentes com um forte e comovente discurso, reafirmando-se democrata e defendendo princípios e crenças que moldaram sua identidade cultural e ideológica, revivendo, por preciosos e oportunos minutos, o orador brilhante que fora nas lutas políticas que travou no tempo em que viveu.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Cenário da disputa em São José de Ribamar é de completa indefinição

Júlio Matos tirou a liderança de Eudes Sampaio, obrigando Luís Fernando a entrar forte contra a influência de Gil Cutrim na disputa

A entrada do ex-prefeito Júlio Matos (PSDB) na corrida à Prefeitura de São José de Ribamar, já sendo apontado como líder folgado na primeira pesquisa, acendeu alerta vermelho no comando da campanha do prefeito Eudes Sampaio (PTB), antes apontado como quem caminhava tranquilo para uma reeleição sem sobressalto. O impacto do “fator” Júlio Matos, apoiado de um lado pelo chefe tucano, senador Roberto Rocha, e pelo ex-prefeito Gil Cutrim (PDT), seu irmão, o deputado Glaubert Cutrim (PDT) e seu pai, o conselheiro do TCE Edmar Cutrim, mudou completamente o ritmo da corrida. Principal avalista e apoiador da candidatura do prefeito Eudes Sampaio, o ex-prefeito Luís Fernando Silva, começou a se movimentar de verdade, inclusive participando de inaugurações, levando junto o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos). Ontem, embalado pelo novo cenário, o vereador Beto das Vilas, confirmou sua candidatura pelo Republicanos ao participar da inauguração da nova sede do partido na Cidade do padroeiro num ato comandado pelo chefe maior do partido no Maranhão, deputado federal Cléber Verde, que começa a retomar sua vida política depois do brutal assassinato dos seus país, no mês passado. Observadores da cena política em São José de Ribamar, que antes tinham norte, dizem agora que o retrato do momento é o de completa indefinição.

 

MDB deve divulgar hoje seu candidato a prefeito e quem indicará como vice

Roberto Costa deve anunciar  rumo do MDB na corrida em São Luís

É grande nos bastidores da corrida sucessória a expectativa em relação ao anúncio que o comando do MDB prometeu para hoje sobre alianças e escolhe de vice. Inicialmente, o articulador político do partido, deputado Roberto Costa anunciou que até o dia 15 de Agosto a posição do partido a respeito de coligação e de escolha de vice. No vencimento do prazo, Roberto Costa adiou o anúncio para hoje, deixando claro que indicação do vice seria condição básica para qualquer aliança. Essa posição foi reafirmada no final da semana. Os comandos das mais diversas pré-candidaturas aguardam duas informações: qual o candidato terá o apoio do MDB e quem o partido indicará como candidato a vice.

São Luís, 25 de Agosto de 2020.

 

Entrevistas à TV Maranhense revelaram que pré-candidatos não têm planos para São Luís ou estão escondendo o jogo

 

São Luís: assunto complicado para os pré-candidatos ouvidos pela TV Maranhense

A oportuna série de entrevistas realizadas pelo programa “Linha de Frente”, da TV Maranhense, comandado pelo apresentador Osvaldo Maya, com os pré-candidatos à Prefeitura de São Luís foi largamente relevadora do preparo de cada um, mas também deixou no ar uma densa sobra de dúvidas a respeito do que eles têm para oferecer ao eleitorado como projeto para a Capital do Maranhão. Pouco foi dito pelos 10 aspirantes que já foram entrevistados que causasse no telespectador-eleitor a impressão de que eles têm noção clara do tamanho do desafio que é comandar uma cidade de 1,2 milhão de habitantes. Nenhum lembrou, por exemplo, que São Luís que é Patrimônio Cultural da Humanidade e celeiro de uma cultura popular rica e ímpar, quase todos ignorando o potencial turístico da cidade. Poucos mostraram saber sobre o gigantesco déficit habitacional da cidade, a falta de saneamento básico, os problemas da rede educacional com mais de 200 escolas, o ainda deficiente sistema de saúde e a necessidade de investimentos graúdos em infraestrutura viária e ajustes rigorosos no sistema de mobilidade urbana. As respostas que os candidatos deram às  indagações sugerem que vários deles não sabem exatamente no que estão se metendo, ou estão escondendo jogo para não queimar cartuchos antes da hora.

Eduardo Braide (Podemos), líder das preferências do eleitorado até aqui, gastou seus 12 minutos falando do apoio e dos esforços que tem feito como parlamentar para ajudar instituições ligadas a Saúde em São Luís, para avisar que não vai entrar no jogo dos adversários, e tergiversar quando foi instado a avaliar a gestão atual. Sua declaração mais forte: se eleito, vai mostrar que São Luís será uma cidade melhor depois dos primeiros 100 dias da sua gestão. Duarte Júnior (Republicanos) prometeu “um choque de gestão”, defendendo o projeto de colocar a Prefeitura para funcionar “todos os dias”, anunciando que, se eleito, trabalhará “24 horas”, e que pretende transformar os terminais de transporte coletivo em centros comerciais.

O pré-candidato do PCdoB, Rubens Júnior, mostrou que tem noção do tamanho do desafio, lastreado na experiência que viveu nos 15 meses que atuou como secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano, mostrando conhecer a cidade e seus problemas. Para ele, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) está trabalhando bem e “vai entregar uma cidade bem melhor do que a que recebeu”. Deixou claro, sem entrar em detalhe, que sabe o que fazer. Neto Evangelista (DEM) avalia que São Luís ainda “não tem cara de capital” e que sua gestão, se eleito for, “ouvirá as pessoas”, sem precisar exatamente o que isso significa. Afirma já ter plano de Governo, que contempla os primeiros 100 dias, os primeiros seis meses e “os meses futuros”, tendo como objetivo básico forte “transformação social”, propósito que definiu quando foi secretário de Desenvolvimento Social e implantou unidades de Restaurantes Populares na cidade.

Candidato do Solidariedade, Carlos Madeira usou bem os 12 minutos da entrevista mostrando ter uma visão abrangente da cidade e seus problemas. Fez observações pertinentes sobre saúde, educação, transparência e eficiência, mas surpreendeu ao prever a criação da uma Secretaria de Segurança para reforçar a segurança pública. Disse que quer levar para a gestão municipal “o DNA da magistratura”. Jeisael Marx, candidato do PV defendeu a tese de que São Luís e a política praticada no município vão melhorar se um candidato de origem popular e humilde – no caso, ele próprio, claro – chegar ao Palácio de la Ravardière. Acredita que um prefeito que “saia do povo” terá mais liberdade para administrar a cidade que um prefeito saído de grupos políticos e partidários.

Yglésio Moises, candidato do PROS, demonstrou um bom domínio sobre a situação de São Luís, primeiro como médico que conhece a realidade da Capital. Com a experiência de quem mexeu com o Socorrão em seis meses de gestão no primeiro mandato de Edivaldo Holanda Júnior, prometeu melhorar o sistema de saúde e avançar na melhoria do sistema de transportes de massa, e sinalizou com programas nas mais diversas áreas. Adriano Sarney (PV) não apresentou um plano de ação, mas demonstrou estar informado sobre as condições financeiras da Prefeitura e sobre o orçamento para o ano que vem: R$ 3 bilhões. Prometeu que vai “ouvir as pessoas” e planejar com cuidado as ações da Prefeitura, caso venha a ser o sucessor do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, de quem aproveitará “o que estiver funcionando bem”.

Detinha, pré-candidata do PL, demonstrou uma completa falta de conhecimento a respeito do que ela chamou de “nossa cidade”, apontando como problema de uma metrópole com mais de 1 milhão de habitantes a inexistência de uma creche na Vila Luizão, onde teria sido “muito bem recebida”. E surpreendeu ao afirmar que seu “olhar” de ex-prefeita de Centro do Guilherme, cidade com menos de 15 mil habitantes, lhe mostrará o caminho para administrar São Luís. Numa outra vertente, Hertz Dias (PSTU) avisou que, se chegar lá, vai estatizar todos os hospitais privados, as empresas de ônibus e tudo o que estiver na esfera privada, e que governará cumprindo decisões tomadas por “conselhos populares, formados por trabalhadores”, ou seja, a ditadura do proletariado.

Que sejam mais explícitos e objetivos nas próximas rodadas de entrevistas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PDT vai indicar vice de Neto Evangelista, mas nome ainda é segredo

Weverton Rocha

Uma decisão está tomada na aliança que embala a pré-candidatura do deputado Neto Evangelista (DEM) à Prefeitura de São Luís: o PDT vai indicar o candidato a vice-prefeito. O principal responsável pela escolha, senador Weverton Rocha, que tem a palavra final nas decisões no arraial pedetista, ainda não deu uma palavra sobre o assunto nem emitiu qualquer sinal nesse sentido. Ouvem-se rumores nos bastidores dando conta de que alguns interessados na vaga já estão se movimentando, mas nenhum nome veio à tona. Chegou-se a especular até que a prerrogativa de indicar o vice teria sido oferecida ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior, mas teria preferido se manter distante das articulações, optando pela liberdade de seguir outro rumo. Não há nenhum nome conhecido do PDT sendo cogitado abertamente, num indicativo de que Weverton Rocha guarda uma surpresa para fazer um anúncio de impacto. É possível que o anúncio do vice venha a ser feito somente às vésperas ou mesmo na data da convenção.

 

Chefes tucanos aguardam reação de Wellington do Curso à perda da vaga de candidato do PSDB

Wellington do Curso: reação imprevisível

O destino do deputado Wellington do Curso nestas eleições está mesmo selado. Ele não será mesmo candidato do PSDB à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). E não se trata de uma decisão isolada do senador Roberto Rocha, presidente e manda-chuva do partido no Maranhão, mas um entendimento da cúpula do ninho dos tucanos no estado e no plano nacional. O argumento para a rifada romper é um só: o parlamentar não combinou seu projeto com o comando partidário e tentou atropelar um acordo que fora firmado com o candidato do Podemos ainda em 2018. A expectativa dos chefes tucanos é quanto a reação de Wellington do Curso. Há na cúpula quem acredite que o deputado aceitará a situação o pacificamente, compreendendo o contexto da decisão. Há, por outro lado, quem ache que ele vai romper com Roberto Rocha e deixar o partido atirando. As duas expectativas fazem sentido, porque o deputado Wellington do Curso é imprevisível.

São Luís, 23 de Agosto de 2020.

Decidido no ninho: Wellington do Curso não será o candidato e PSDB vai apoiar Eduardo Braide 

 

Wellington do Curso não será candidato; Roberto Rocha vai levar o PSDB para Eduardo Braide

A menos que haja uma reviravolta imprevisível e espetacular dentro do ninho dos tucanos ludovicenses, o deputado estadual Wellington do Curso não será o candidato do PSDB à Prefeitura de São Luís. Seu projeto de candidatura, que já vinha sendo metralhado há tempos, recebeu o tiro de misericórdia nesta semana, quando o chefe estadual dos tucanos, senador Roberto Rocha, confirmou o que até as pedras de cantaria da Praia Grande já sabiam: o comando do PSDB decidiu que o partido vai se coligar com o Podemos em torno da candidatura do deputado federal Eduardo Braide. Wellington do Curso, que segundo as pesquisas vem brigando com o pré-candidato do DEM, Neto Evangelista, pela terceira colocação na preferência do eleitorado, atrás de Eduardo Braide e do pré-candidato do Republicanos, deputado estadual Duarte Júnior, andou ensaiando uma reação, declarando que “a candidatura está firme”, mas caminha para a certeza de que o PSDB não lhe dará a vaga de candidato. Terá agora de optar entre engolir seco e entrar na onda de Eduardo Braide, mergulhar na seara da neutralidade em relação à disputa ou então dar o troco apoiando outro candidato.

Visto pelo olhar do pragmatismo político, o senador Roberto Rocha faz o jogo de quem tem cartas para jogar. Já há muito avaliou que, mesmo apoiado pela cúpula do PSDB, a candidatura de Wellington do Curso não iria muito longe, e logo seria atropelada pela de Neto Evangelista ou pela de Rubens Júnior, dois pesos pesados que começam a se movimentar montados em poderosas estruturas políticas e partidárias. O próprio Wellington do Curso sabe que, com ou sem lastro partidário, seu projeto de chegar à Prefeitura de São Luís dificilmente evoluiria a ponto de ele se tornar um candidato realmente competitivo, com cacife para entrar pelo menos no time dos favoritos. Ele é ativo, faz uso intenso e polêmico das redes sociais, alimenta um discurso como som de monocórdio em oposição ao Governo do Estado, claramente pensado para alimentar sua relação com eleitores e simpatizantes, mas não vai além disso.

Entre manter o apoio ao projeto sem futuro de Wellington do Curso e apostar no projeto até aqui bem posicionado de Eduardo Braide, Roberto Rocha prefere a segunda opção. O senador tucano sabe que sua situação em relação às eleições de 22 não é boa, tem ciência de que suas chances para o Governo do Estado são remotas e também que a reeleição para o Senado é parada dura num cenário que não lhe é nada favorável, principalmente se o governador Flávio Dino não entrar para a disputa nacional como candidato a presidente ou a vice-presidente e decidir por uma vaga na Câmara Alta. Nesse contexto, suas chances se limitariam a uma cadeira na Câmara Federal, o que, a princípio, parece não ser do seu interesse.

Com a experiência de quem saiu da condição de vice-prefeito de São Luís eleito em 2012 para o Senado em 2014, Roberto Rocha sabe que qualquer projeto político e eleitoral maior no Maranhão passa pela Capital. Ele já teve força na Ilha, mas perdeu muito quando, numa atitude que até hoje muitos observadores não entenderam, rompeu peremptoriamente com o governador Flávio Dino e, contrariando o seu partido no plano nacional, bandeou-se para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Agora, enxerga no apoio a Eduardo Braide o único caminho para voltar a ter algum peso em São Luís. Sim, porque ao levar o PSDB para uma coligação com o Podemos, o senador leva também alguns instrumentos políticos e eleitorais, a começar por um expressivo tempo de rádio e TV, que facilitará muito a campanha do aliado. Isso, é claro, terá um preço político elevado em caso de eleição.

Esse movimento estava previsto desde que Wellington do Curso começou a se mexer como pré-candidato do PSDB. De lá para cá, Roberto Rocha emitiu inúmeros sinais de que seu caminho seria outro. Mas, por se considerar forte, não fazer leituras corretas e não perceber que seria rifado, ou tentando ganhar tempo para criar uma situação que acabasse por lhe favorecer, Wellington do Curso manteve o projeto de candidatura, que agora, tudo indica, está sendo ostensivamente arquivado. Pode ser que haja uma reviravolta. Afinal, na política do Maranhão, boi voa, e em muitos casos, de asa quebrada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Prêmio do Congresso em Foco: Eliziane Gama fez por onde para ter sido apontada como a melhor do Senado

Eliziane Gama: mandato ativo r produtivo levou ao prêmio do Congresso em Foco

Um ano e meio depois de assumir o mandato, depois de ter sido eleita numa disputa com pesos pesados da política maranhense, o deputado federal Sarney Filho (PV) e o senador Edison Lobão (MDB), a senadora Eliziane Gama (Cidadania) foi apontada como o melhor quadro do Senado pelo Júri Especializado do Prêmio Congresso em Foco 2020, em meio a nomes de peso na Casa.

Não é pouca coisa. O Prêmio Congresso em Foco é o resultado de um processo sério, realizado por avaliações em vários enfoques. Ela não aparece na lista dos escolhidos por voto popular nem na dos nomes apontados por jornalistas. A escolha pelo Júri Especializado dá uma densidade maior ao prêmio, porque, além da movimentação política, os jurados avaliam também – e principalmente – o desempenho parlamentar – que mede sua ação no plenário e fora dele – e legislativo, que avalia sua produção do senador como legislador.

Eliziane Gama cumpriu rigorosa e eficientemente o seu mandato até aqui. Politicamente, se estabeleceu na Oposição ao Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), manifestando-se criticamente em todas as questões relevantes e batendo com força nos erros, nas artimanhas, nas contradições e nos arroubos autoritários do Governo e seus agentes. Como parlamentar, tem sido uma senadora presente, participativa e bem posicionada, no plenário e nas comissões, tendo participado diretamente de todos os grandes debates travados na Casa. E como legisladora, em um ano e meio apresentou uma expressiva quantidade de indicações e projetos de lei, atuando também como relatora de projetos de impacto.

A escolha do Júri Especializado coroou seu mandato até aqui. Ela fez por onde.

 

MDB joga seu trunfo para fazer uma coligação em São Luís

Roberto Costa: apoio do MDB vale a vice

Embalado pelos bons ventos que sopraram a seu favor desde que o MDB e sua líder inconteste, a ex-governadora Roseana Sarney, resolveram, de fato, levantar sacudir a poeira e dar a volta por cima, apresentando-se no cenário político como uma agremiação mais aberta, mais leve e sem ranços, o comando emedebista, liderado pelo deputado Roberto Costa, vem marcando posições. Inicialmente pensou num candidato próprio, mas todas as tentativas de definir um nome fracassaram, inclusive a própria Roseana Sarney, que declinou do convite. Depois, o partido se voltou para a procura de uma aliança bem armada, mas as coisas não saíram como os chefes emedebistas imaginaram. Agora, o comando partidário bateu martelo: o MDB só coligará se indicar o candidato a vice. Sabe que será difícil com Eduardo Braide (Podemos), que deverá ter vice do PSDB ou do PSC; com Neto Evangelista (DEM), que, tudo indica, terá um vice do PDT, por exemplo. Pode resolver esse ponto com Duarte Júnior (Republicanos), por uma articulação eficiente do vice-governador Carlos Brandão. O MDB pode coligar ainda com Carlos Madeira (Solidariedade) ou com Adriano Sarney (PV). Mas se não houver possibilidade de um bom acordo, o Plano B já está definido: investir todas as suas forças na eleição de uma bancada na Câmara Municipal.

São Luís, 21 de Agosto de 2020.

Duarte Jr. promete “choque de gestão” em São Luís, alfineta Braide e diz que será prefeito presente

 

Duarte Júnior na TV: promete choque de gestão na Prefeitura de São Luís

“São Luís precisa de um choque de gestão”.

“Nós precisamos de uma Prefeitura que funcione todos os dias, de um prefeito presente na vida das pessoas, que trabalhe 24 horas. Eu posso falar porque fui assim por onde passei”.

“Diferentemente das outras candidaturas, eu não trago promessas, eu trago projetos e soluções. Por onde eu passei, demonstrei um serviço de qualidade. E com um detalhe: fizemos muito mais com bem menos”.

“Cheguei aqui por força de muita luta, muito trabalho. Não tive privilégios na minha vida, não sou de família de políticos. Desde muito cedo eu trabalhei, com 7 anos vendendo chocolate na Expoema, trabalhei em cantina de colégio, trabalhei como palhaço em programa infantil, aos 14 anos, para financiar os meus estudos. Ou seja, muita luta”.

“Não entrei no serviço público por meio de privilégios, por meio de troca de favores. Eu entrei porque o governador rompeu com esse padrão de indicar pai, filho, indicar pessoas sem critérios técnicos, e foi essa oportunidade que me fez chegar até aqui”.

“Continuo com amigos no PCdoB. O próprio governador Flávio Dino é um entusiasta da nossa candidatura, acredita na nossa eleição. Não é à toa que me deu a oportunidade de ir para o Republicanos, partido do vice-governador Carlos Brandão”.

“Compare a nossa gestão no Procon com a de Eduardo Braide na Caema. Eu convido as pessoas a comparar. É comparando que elas vão ver que, para resolver os problemas de São Luís tem de ter atitude”.

As declarações acima formam um resumo da entrevista concedida pelo deputado estadual Duarte Júnior, pré-candidato do Republicanos à Prefeitura de São Luís ao programa “Linha de Frente”, da TV Maranhense, comandado pelo jornalista Osvaldo Maya, com a participação da jornalista Daniela Bandeira, na última terça-feira, momentos antes da feita com o candidato do PCdoB, Rubens Júnior. Articulado, inteligente, ousado e ambicioso, e em segundo lugar na preferência do eleitorado, segundo todas as pesquisas realizadas até aqui, Duarte Júnior não fez críticas diretas à gestão do prefeito Edivaldo Júnior (PDT), mas deixou uma nítida pista a respeito do pensa quando declarou, em tom de sentença: “São Luís precisa de um choque de gestão”. E avisou que, se eleito, colocará a máquina administrativa para trabalhar “todos os dias”, assumindo o compromisso de oferecer ao cidadão tratamento igualitário e serviços de qualidade.

Duarte Júnior fez questão de se mostrar, informando que nunca teve vida fácil – já foi até palhaço em programa de TV infantil -, que sempre trabalhou para se sustentar, e que chegou onde chegou por mérito, a partir de uma oportunidade que lhe foi dada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) para comandar o Procon, e logo em seguida, devido aos bons resultados, também o Viva Cidadão. Com isso, ele minimiza qualquer ataque de concorrente por esse viés. Indagado sobre se teria perdido espaço ao deixar o PCdoB, de novo minimizou, estocando levemente “um grupo” do partido, que escolheu um pré-candidato (Rubens Júnior), filho de políticos. Mas deixou claro que tem muitos amigos na agremiação governista, a começar pelo governador Flávio Dino – segundo ele um entusiasta da sua candidatura -, destacando em seguida que está satisfeito no Republicanos, partido do vice-governador Carlos Brandão.

Eleito deputado estadual com a terceira maior votação, 65 mil votos, dos quais mais de 40 mil somente em São Luís -, Duarte Júnior escolheu como adversário o candidato do Podemos, Eduardo Braide, que recebeu quase 140 mil dos mais de 180 mil só na Capital. Na entrevista, ele apontou sua metralhadora verbal para o concorrente, criticando suas experiências como gestor – presidente da Caema no Governo José Reinaldo e secretário municipal de Orçamento Participativo na gestão de João Castelo (PSDB). E “convidou” os eleitores a comparar o seu trabalho no Procon e no Viva com o de Eduardo Braide na Caema e na Secretaria de Orçamento Participativo.

Nos 12 minutos da entrevista, o pré-candidato do Republicanos deixou claro que está no jogo e que tem condições de ir para um segundo turno, para travar o grande embate, provavelmente com Eduardo Braide, caso as previsões feitas até agora sejam confirmadas. Os cuidados que demonstrou durante a entrevista mostraram que ele está com os pés no chão e sabe o que está fazendo.

Em Tempo: em dois comentários sobre as entrevistas de pré-candidatos à Prefeitura de São Luís, a Coluna identificou a TV Maranhense como afiliada da Band. Errado. A emissora integra a rede nacional da TV Cultura, de São Paulo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PSOL confirma tendência de se manter distante dos demais partidos de esquerda

Chapa pura: José Ribamar Arouche será o vice de Franklin Douglas na briga pela Prefeitura da Capital

O PSOL bateu martelo em decisão definitiva: vai disputar a Prefeitura de São Luís e cadeiras na Câmara Municipal da Capital com chapa pura, formada por Franklin Douglas como candidato a prefeito e José Ribamar Arouche como vice, um dos fundadores e militante respeitado do partido. A ordem é não coligar, para que os candidatos do PSOL possam pregar as bandeiras do partido, que é fazer uma gestão socializante, longe das ideias liberais pregadas pelo partido. Franklin Douglas já deixou claro que vai jogar pesado contra a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior e que pretende disparar chumbo grosso nos seus concorrentes. Para os estrategistas do partido, o ponto forte será aproveitar os canais de comunicação para disseminar suas ideias, com as quais fundamentam um projeto com ideário da esquerda política mais agressiva. Franklin Douglas acha que esse é o caminho do partido.

 

Podemos faz curso intensivo para preparar pré-candidatos para as eleições

Eduardo Braide: curso

O Podemos, por meio da Fundação Podemos, iniciou ontem um curso sobre como fazer campanha eleitoral dentro das diretrizes do partido. Será uma espécie de intensivão sobre planejamento de campanha, incluindo concorrência eleitoral, planejamento estratégico de campanha, plano estratégico, plano financeiro, estratégia eleitoral, erros de candidatos no processo eleitoral. O curso é o maior programa de planejamento de campanha do Podemos no país e objetiva capacitar os pré-candidatos para as eleições municipais, que neste ano foram transferidas de Outubro para Novembro, por causa da pandemia do coronavírus. Além do curso, os participantes terão assistência semanal em questões jurídicas, de comunicação virtual e de planejamento até o pleito eleitoral. O Podemos do Maranhão participará na etapa de sábado do intensivão e essa participação será comandada pelo deputado federal Eduardo Braide, pré-candidato do Podemos à Prefeitura de São Luís, que também terá de assimilar as regras e as estratégias do partido, que tem visão própria sobre a corrida pelo voto.

São Luís, 20 de Agosto de 2020.

Rubens Júnior aposta no apoio do PT e de Edivaldo Júnior, alfineta adversários e avisa: vai liderar a cidade

Rubens Júnior durante entrevista de ontem ao programa “Linha de Frente”, da TV Maranhense

“Política não se faz sozinho, se faz com grupo, com o coletivo”.

”Sou de um grupo que não tem medo de pesquisa eleitoral. Se a gente tivesse, Flávio Dino não teria derrotado o Grupo Sarney, e o Weverton (Rocha) e a Eliziane (Gama) não seriam senadores da República”.

“Não tenho dúvida de que a força do nosso partido, da nossa militância e da nossa coligação é que vai conduzir a nossa candidatura ao segundo turno”.

“Até aqui nós somos a maior aliança, já temos o apoio de seis partidos políticos”.

“Desejo de ter o PT na nossa chapa, trazendo o modo de governar do presidente Lula para os mais pobres”.

“O prefeito Edivaldo vai entregar uma cidade melhor do que ele recebeu. Isso é um fato. Isso vai permitir que o próximo prefeito faça mais”.

“Então, é como se a gente ainda estivesse na fase do treino, na fase de aquecimento. E estou vendo que já tem gente cansada, perdendo fôlego”.

“Estou tranquilo e tenho convicção de que a nossa candidatura é para valer e para vencer”.

As declarações acima são do deputado federal Rubens Júnior, pré-candidato do PCdoB à Prefeitura de São Luís, feitas ontem durante entrevista concedida ao programa “Linha de Frente”, da TV Maranhense e comandado pelo jornalista Osvaldo Maya. O escolhido do PCdoB demonstrou segurança, senso de equilíbrio, consciência de que está num jogo alto risco, e deixou claro que sabe dos desafios que terá de enfrentar a caminho das urnas de Outubro. E não escondeu duas aspirações, que espera ver deverão se concretizadas: o apoio do PT e o do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Nos bastidores é unânime a certeza de que ele terá as duas vitaminas políticas.

Ao se declarar candidato de um grupo, lembrando que política não pode ser uma atividade solitária, Rubens Júnior passa a certeza de que sabe onde está pisando. E reforça essa impressão ao afirmar que não se deixa abater por pesquisas eleitorais do momento, que o apontam numa colocação modesta nas preferências do eleitorado, enquanto seu maior adversário, o candidato do Podemos, Eduardo Braide, ainda surfa na onda da liderança.  E mesmo considerando que cada pesquisa traduz uma realidade diferente, lembra, com propriedade, que Flávio Dino se elegeu governador em 2014 contrariando muitas pesquisas feitas na primeira fase do processo. E com base nesse exemplo, exibe convicção de que no momento certo crescerá para se tornar o adversário de Eduard Braide na hipótese, já por muitos admitida, de realização de um segundo turno.

Rubens Júnior aposta que terá o apoio do PT, que além da militância e o apoio do ex-presidente Lula da Silva, lhe dará preciosos minutos no rádio e na TV. Esse apoio já estaria acertado em conversas reservadas, conforme sinalizou o líder petista em São Luís, vereador Honorato Fernandes, mas que precisa ainda ser confirmado pela cúpula petista. E jogou fermento nessa possibilidade afirmando que, se eleito, usará a política do ex-presidente Lula da Silva de governar para os mais pobres. Quanto ao apoio do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, acredita que o receberá em declaração futura do prefeito, que na sua opinião está certo ao não se posicionar agora. Na sua avaliação, Edivaldo Holanda Júnior entregará ao sucessor “uma cidade melhor do que recebeu”, tendo a honestidade como um dos pontos fortes da sua gestão. Ficará orgulhoso se vier a cintar com o apoio do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, isso nos orgulharia. E alfinetou concorrentes, sem, no entanto, citar nomes: “Tem pré-candidato que foge dos seus apoiadores. Eu não fujo dos meus. Eu desejo ter o apoio do prefeito Edivaldo, sou do partido do governador Flávio Dino”.

Sobre o momento atual da corrida ao Palácio de la Ravardière, Rubens Júnior mostrou confiança e disparou provocação a adversários: “É como se a gente ainda estivesse na fase do treino, na fase de aquecimento. E estou vendo que já tem gente cansada, perdendo fôlego”. E, escudado no lastro de dois mandatos de deputado estadual, dois de deputado federal e de uma experiência executiva como Secretário das Cidades, prometeu que, se eleito, não será “um gestor de gabinete” e vai “liderar a cidade”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Deputados aprovam nova Política de Turismo para o Maranhão

Entre o deputado federal Edilázio Júnior (PSD), que visitava a Casa, e os deputados Neto Evangelista (DEM) e Wellington do Curso (PSDB), o presidente Othelino Neto comandou a aprovação do PL sobre a nova Política de Turismo do Maranhão

O Maranhão tem nova política para o turismo, com a qual o Governo do Estado terá os instrumentos necessários para planejar, desenvolver, fiscalizar e estimular todos os setores que compõem essa atividade, bem como disciplinar os serviços a serem prestados pelos segmentos que atuam na área. As linhas gerais, as regras e os mecanismos de atuação estão no Projeto de Lei nº 233/20, aprovado ontem pela Assembleia Legislativa, cujo conteúdo está em plena consonância com a Lei Federal nº 11.771/08. O projeto cria também o Sistema Estadual de Turismo, que será comandado pelo atual secretário, Catulé Júnior. Para entrar em vigor, a nova Política de Turismo do Maranhão só depende da sanção do governador Flávio Dino.

Por conta da sua costa, onde estão os Lençóis, das suas chapadas, rios e da imensurável riqueza histórica e arquitetônica de São Luís e Alcântara, entre outros atrativos, o governador Flávio Dino decidiu ajustar melhor a política para a área. E justificou a iniciativa na Mensagem ao parlamento.  Segundo ele, a nova Política de Turismo “visa ao desenvolvimento de práticas e padrões de qualidade nos destinos, produtos, serviços e atividades profissionais, estabelecendo critérios de fiscalização e certificação, bem como à garantia do acesso de maior número de pessoas aos benefícios da atividade econômica do turismo, reduzindo as desigualdades sociais por meio da geração de negócios, emprego e renda”, explica o chefe do Executivo ao Parlamento.

O governador Flávio Dino esclarece que compete à União a proteção do patrimônio turístico e a responsabilidade por danos aos bens e direitos de valor turístico. No âmbito estadual, a Constituição estabelece que o Estado deve reconhecer, apoiar e incentivar o turismo como atividade econômica e forma de promoção social e cultural, devendo, em associação com outros segmentos ligados ao setor, definir a Política Estadual de Turismo, mediante plano integrado e permanente.

O projeto cria o Sistema Estadual de Turismo, que consiste no conjunto articulado e integrado de normas, instituições, mecanismos e instrumentos de planejamento, fomento, financiamento, informação, formação, participação e controle social, com a finalidade de garantir a gestão democrática e permanente da Política Estadual de Turismo. Para registrar, divulgar e promover os principais eventos turísticos do estado, o PL instituiu, ainda, a criação do Calendário Oficial de Eventos Turísticos do Maranhão.

Por fim, o projeto estabelece regras acerca da prestação de serviços turísticos no Estado, os quais versam, por exemplo, sobre os direitos e deveres dos prestadores e usuários de serviços turísticos, bem como sobre monitoramento e controle de qualidade.

 

Timon deverá ser tema de embates entre Socorro Waquim e Rafael Leitoa na Assembleia

Socorro Waquim e Rafael Leitoa deverão travar embates duros sobre Timon

Timon foi tema de dois discursos, ontem, na Assembleia Legislativa. Um da ex-prefeita e ex-deputada estadual e de novo candidata a prefeita Socorro Waquim (MDB), que na condição de suplente tomou posse na vaga do deputado Rigo Teles (PV), que se afastou por dois meses para disputar a Prefeitura de Barra do Corda. O outro foi do deputado Rafael Leitoa (PDT), que ocupou a tribuna para anunciar ações do Governo do Estado naquele município.

Após ser empossada pelo presidente Othelino Neto (PCdoB), Socorro Waquim afirmou que chega para somar às vozes femininas do Legislativo maranhense. “Retorno a esta Casa para somar com as ideias, com as proposituras capazes de fazer com que o nosso Maranhão seja cada vez mais um estado próspero”, disse. E recebeu as boas vindas do presidente: “É bom tê-la aqui. A deputada representa uma cidade importante, a terceira maior do Maranhão, que é a cidade de Timon. Certamente, vai nos ajudar muito no bom debate sobre o estado”, disse.

Provavelmente se antecipando a discursos duros que a deputada Socorro Waquim provavelmente fará criticando a gestão do prefeito Luciano Leitoa, o deputado Rafael Leitoa (PDT) ocupou a tribuna para anunciar ações do Governo do Estado em Timon, entre elas a instalação da Patrulha Maria da Penha e um reforço estrutural para a segurança pública no município. Leitoa destacou, também, a inauguração da 2ª Companhia da Polícia Militar em Timon.

Todos os observadores da cena parlamentar preveem que Socorro Waquim e Rafael Leitoa, adversários político ferrenhos, travarão embates verbais no plenário sobre a atual gestão municipal, principalmente quando a campanha eleitoral ganhar intensidade.

São Luís, 19 de Agosto de 2020.

Confronto de “fogo amigo”, procura por aliado com cacife e mudança no ninho agitam a disputa em São Luís

 

Confronto entre Neto Evangelista e Rubens Júnior e desistência só beneficiam a Eduardo Braide

Faltam duas semanas para a abertura do prazo para a realização das convenções partidárias que definirão as candidaturas a prefeito, a vice e a vereador às eleições de 15 de Novembro. Em São Luís, o quadro de candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) já está praticamente definido, com 13 postulantes, faltando apenas a escolha dos candidatos a vice e o fechamento das chapas de candidatos à Câmara Municipal. Na seara da disputa majoritária, os pré-candidatos já se movimentam numa intensa pré-campanha, na qual se destacam três situações aparentemente distintas, mas que na verdade se entrelaçam e, dependendo da versão final de cada uma delas, a campanha poderá tomar rumos diferentes. A primeira é o embate já evidente entre os pré-candidatos do DEM, Neto Evangelista, e do PCdoB, Rubens Júnior. A segunda é a corrida do candidato do Podemos, Eduardo Braide, por uma aliança que lhe assegure um tempo razoável no rádio e na TV. E a terceira é à incerteza que ameaça o projeto do pré-candidato do PSDB, Wellington do Curso.

Donos dos dois projetos de candidatura mais estruturados, com alianças partidárias fortes, com cacifes políticos elevados e indiscutíveis potenciais de crescimento, Neto Evangelista e Rubens Júnior são expressões do mesmo campo político que é a aliança partidária que dá sustentação ao governador Flavio Dino (PCdoB). Em posições ainda pouco confortáveis nas preferências do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes, que confirmaram a ainda larga vantagem de Eduardo Braide, o adversário a ser batido, os dois resolveram se engalfinhar. Não é ainda um confronto direto, mas o clima de animosidade já visível nos canais virtuais que dão apoio aos dois. Parecem esquecer que entre eles e Eduardo Braide está o candidato do Republicanos, Duarte Júnior, que até aqui vem dando mostras de que sua posição de segundo colocado é consistente. Uma leitora bem pragmática do cenário sugere que os candidatos do DEM e do PCdoB podem estar cometendo um erro que pode lhes sair caro.

Aparentemente indiferente à troca de “fogo amigo” entre Neto Evangelista e Rubens Júnior, Eduardo Braide vai se mantendo na dianteira. Só que tentando superar uma dificuldade visível: para enfrentar concorrentes com o poder de fogo de Neto Evangelista e Rubens Júnior, o candidato do Podemos precisa de uma coligação forte, que lhe dê respaldo político e tempo de rádio e TV. Eduardo Braide sabe que se a base partidária da sua candidatura ficar limitada ao cacife modesto que será formado com a coligação Podemos/PSC/PSD, as dificuldades da sua campanha serão enormes e perigosas. Daí seus esforços para que Wellington do Curso desista da candidatura, cedendo-lhe o respeitável suporte do PSDB, como quer o chefe do partido no estado, senador Roberto Rocha (PSDB). Em outra frente, Eduardo Braide tenta agora atrair o MDB, que já esteve nas suas mãos, sendo agora uma “noiva” com poder de fogo razoável, incluindo o respeitável apoio da ex-governadora Roseana Sarney.

O pré-candidato do PSDB, Wellington do Curso, vive uma situação que começa a ganhar ares dramáticos. Terceiro colocado nas preferências do eleitorado, segundo todas as pesquisas mais recentes, ele parece ter chegado ao seu teto. Na avaliação do senador Roberto Rocha, Wellington do Curso encontra-se estacionado, aparentemente sem condições de avançar, por isso deveria abrir mão da candidatura e declarar apoio a Eduardo Braide, levando junto o seu cacife pessoal e o preciosíssimo tempo do PSDB no rádio e na TV, além, é claro, de um nome para candidato a vice. Wellington do Curso esteve irredutível, mas nos bastidores corre o comentário segundo o qual o apoio do PSDB pode ser decisivo para Eduardo Braide, podendo o pré-candidato tucano atender ao apelo do presidente do chefe dos tucanos maranhenses e abrir caminho para o candidato do Podemos.

Como se vê, o tabuleiro está montado, e quem souber mexer as pedras com mais inteligência e perspicácia pode se dar bem, o que não significa exatamente vencer a eleição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Adriano Sarney quer controle do orçamento; Hertz Dias prega revolução proletária

Adriano Sarney e Hertz Dias: projetos radicalmente diferentes para governar São Luís a partir de janeiro

A TV Maranhense, braço da Band no estado, abriu ontem a temporada de entrevistas aos pré-candidatos a prefeito de São Luís. O espaço foi aberto no programa “Linha de Frente”, comandado pelo jornalista Osvaldo Maya. Obedecendo à ordem de um sorteio, os primeiros entrevistados foram Adriano Sarney (PV) e Hertz Dias (PSTU). Cada um foi entrevistado durante 10 minutos por Osvaldo Maya e pela jornalista Sílvia Tereza.

Adriano Sarney fez um discurso convencional e bem montado. Lembrou ser administrador e economista, o que lhe obriga planejar cuidadosamente as ações de um eventual governo por ele comandado. Mostrou estar bem informado a respeito da estrutura orçamentária da Prefeitura de São Luís, observando que o orçamento anual da Capital é de R$ 3 bilhões, dos quais 80% são transferências institucionais e apenas 20% são receita própria, e ele pretende mudar esse quadro incentivando a atividade econômica, a começar pelo turismo. Garantiu que, se eleito, vai “ouvir as pessoas” para planejar suas ações. E afirmou que se chegar ao Palácio de la Ravardière vai aproveitar o que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) deixar funcionando bem. E desmentindo rumores, disse que tem o apoio da sua família, mas deixou claro que pode andar com os próprios pés.

Por sua vez, o pré-candidato do PSTU, Hertz Dias, prometeu fazer um governo revolucionário em São Luís. “Será um governo da classe trabalhadora”, avisou, informando que seu programa a estatização do sistema de transporte público e do sistema de saúde, incluindo todos os hospitais privados. As decisões sobre o que fazer serão tomadas por conselhos populares, formados por representantes da classe trabalhadora. “Eu, como prefeito, farei o que os conselhos decidirem”, declarou, acrescentando que, como professor, vai continuar vivendo com o salário de professor. O pré-candidato do PSTU, que foi candidato a vice-presidente da República em 2018, não fez rodeios: se eleito, comandará uma revolução proletária em São Luís, onde a Câmara Municipal, por exemplo, será submetida às decisões dos conselhos populares. A forma de governo do pré-candidato do PSTU parece não ter similar em nenhum lugar do planeta.

César Pires quer Roseana Sarney fazendo oposição dura a Flávio Dino e apoiando sobrinho

César Pires tenta convencer Roseana Sarney a bater forte em Flávio Dino

O deputado estadual César Pires (PV) se movimenta como uma espécie de “consciência crítica” do Grupo Sarney. Algumas das suas declarações recentes sobre a situação do sarneysismo surpreenderam observadores. Uma delas foi a sugestão dada à ex-governadora Roseana Sarney (MDB) para que ela se posicione como adversária ferrenha do governador Flávio Dino (PCdoB). Outra uma cobrança para que a ex-governadora explique o fato de ela não estar apoiando a candidatura do seu sobrinho, deputado estadual Adriano Sarney (PV) à Prefeitura de São Luís, preferindo seguir a linha de ação do MDB.

Em relação à primeira questão, vale registrar que a ex-governadora é adversária ferrenha do governador Flávio Dino, o que torna a sugestão do deputado do PV fora de contexto. É verdade que Roseana Sarney tem mantido um prudente distanciamento do debate político e que, nas suas raras intervenções, tem preferido usar uma linguagem oposicionista mais amena, sem o tom agressivo que o próprio deputado César Pires às vezes usa na tribuna da Assembleia Legislativa quando se refere ao chefe do Poder Executivo. E pelo que é possível perceber, a ex-governadora não está interessada nem disposta a entrar numa guerra verbal injustificada contra o governador. A começar pelo fato de que o momento é inadequado.

Sobre a cobrança de apoio da ex-governadora ao sobrinho candidato à Prefeitura de São Luís, alegando que o ex-presidente José Sarney “seria” avalista da candidatura. Roseana Sarney é do MDB e nada tem a ver com o projeto de candidatura do sobrinho. Há uma vaga possibilidade de o MDB vir a apoiar a candidatura de Adriano Sarney, mas isso não será uma prioridade. O foco de Roseana Sarney é o de turbinar o MDB, preparando-o para 2022, quando ela poderá disputar votos para o Palácio dos Leões, para o Senado da República, ou até mesmo para a Câmara Federal.

Político inteligente e experiente, o deputado César Pires parece não estar sendo bem-sucedido na tentativa de influenciar a ex-governadora Roseana Sarney, como ele uma política inteligente e que conhece o caminho das pedras.

São Luís, 18 de Agosto de 2020.

Grupo Mateus abre capital e pode captar até 5 bilhões para investir e consolidar seu gigantismo

 

Grupo Mateus pode ganhar mais espaço regional com mais um passo ousado do seu capitão, Wilson Mateus, que decidiu abrir o capital e captar dinheiro no mercado

A última sexta-feira (14/08) entrará para a história como um momento de impacto e larga importância na história comercial do Maranhão. Nessa data, nos instantes finais do expediente, o Grupo Mateus protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o documento preliminar da oferta inicial de ações (IPO), operação por meio da qual prevê a captação, em Outubro, de nada menos que R$ 4,1 bilhões, bolada monumental, que pode chegar a R$ 5 bilhões e com a qual reforçará seu caixa, consolidará sua estrutura e turbinará seu crescimento. Com a entrada no mercado de ações, o Grupo Mateus, hoje reconhecido como um dos gigantes do varejo no Nordeste, deixará de ser uma empresa familiar – só tem quatro sócios -, para se tornar um megacomplexo empresarial a ser gerido pelo empresário Wilson Mateus com o apoio de sócios. E para se ter uma ideia do tamanho da operação deflagrada na noite se sexta-feira, ela está sendo liderada pela XP Investimentos, tendo o Bradesco BBI como agente estabilizador, e a participação direta do BTG Pactual, do Itaú BBA, do BB Investimentos, do Santander e do Safra, ou seja, a nata do mercado de capitais.

O documento que formula a oferta inicial de ações revela o gigantismo do Grupo Mateus.  Ao longo de 34 anos de trabalho duro, movido pela obsessão de investir tudo o que ganhava, e muitos lances de ousadia incorporando empresas comerciais que haviam estacionado no tempo, como o Grupo Lusitana, que não resistiu ao domínio familiar liderado pelo lendário empresário Manoel Ferreira, e outras mais agressivas, como a rede Preço Bom, criada pelo empresário Carlos Gaspar, Wilson Mateus montou um império. O seu grupo é hoje formado pelas marcas Mix Atacarejo, Supermercado Mateus, Eletro Mateus e Camiño Supermercados, além de uma plataforma de e-commerce. Essas bandeiras estão espalhadas pelo Maranhão, Tocantins e Pará por meio de 137 lojas físicas, sendo 29 atacarejos, 24 supermercados, dois hipermercados, 66 lojas de eletroeletrônicos, 16 lojas de vizinhança e nove centros de distribuição. Bem azeitado, o ano passado, o grupo faturou R$ 9,9 bilhões e teve lucro líquido de R$ 338 milhões.

O Grupo Mateus não está desembarcando no mercado de capitais por acaso nem por algum ímpeto impulsivo do seu construtor e chefe maior, Wilson Mateus, um sujeito de aparência modesta, de hábitos simples, que usa roupas baratas – quase sempre calças jeans e camisas de algodão de talho convencional -, carregando no bolso uma caneta Bic, e que, circulando dentro de uma das suas lojas, dificilmente será identificado como o dono. A entrada da empresa no mercado de ações está diretamente ligada ao seu atual gigantismo. E o interesse que tem despertado no mercado de capitais é fruto amadurecido da estrutura que montou e da sua competitividade que o mantém forte na região onde atua. “Isso proporciona um crescimento e uma rentabilidade contínuos. Além disso, a companhia conseguiu criar uma estrutura de logística e de venda digital in house, o que é louvável”, diz um especialista envolvido na operação.

Na avaliação de quem entende do riscado comercial, a oferta inicial de ações do Grupo Mateus é uma das mais aguardadas da temporada de captação no mercado brasileiro. Há até quem preveja que, com base no seu movimento atual e no seu potencial de crescimento nas diversas áreas em que atua, a captação pode chegar a R$ 5 bilhões, ou seja, R$ 900 milhões a mais do que a expectativa inicial do comando da empresa e dos coordenadores da operação. De acordo com a proposta de abertura de capital, os recursos captados serão investidos em projetos expoancionistas.

Homem de negócios que tem demonstrado enxergar muito mais que um palmo além do seu nariz, Wilson Mateus sabe que, por mais competente que seja sua gestão, uma empresa desse porte corre um risco enorme se mantida sob um controle societário familiar, principalmente agora, quando a pandemia do novo coronavírus vem impondo mudanças radicais no funcionamento de empresas comerciais, especialmente os supermercados. Sabe também que, muito além de uma gestão profissionalizada, comandada por executivos  experientes e competentes, a estabilidade e o crescimento do Grupo dependerão também de capital sólido e acionistas de grande envergadura. Tanto que os recursos a serem captados serão investidos na abertura de novas lojas.

O desembarque do Grupo Mateus no mercado de ações é o caminho natural de empresas do seu porte e com garra para crescer. E é exatamente por isso que a operação protocolada na CVM representa, sem favor, um marco na história econômica do Maranhão.

Em Tempo: as informações sobre a operação em curso e sobre o tamanho e os números do Grupo Mateus foram publicadas na edição de sábado (15) da coluna econômica “Capital”, de O Globo, assinada pelo jornalista Rennan Setti.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PSB confirma Bira do Pindaré e marca convenção para oficializar candidatura

Bira o Pindaré (camisa branca) aclamado candidato a prefeito pelo comando do PSB

O deputado federal Bira do Pindaré está confirmado como pré-candidato do PSB à prefeitura de São Luís e sua candidatura será confirmada na convenção do partido marcada para o dia 12 de Setembro. Até agora não há sinais de que o PSB venha a coligar com outras agremiações, embora já se saiba que nenhuma das grandes – como PT, PCdoB, PDT, DEM, MDB, entre outras -, parecendo claro que Bira do Pindaré liderará um projeto solo do partido. O PSB andou conversando com o PSOL sobre a possibilidade de coligação, mas a conversa não progrediu. Bira do Pindaré conversou também com o PT, onde tem muitos aliados, e também o bate-papo não avançou. Agora, todas as evidências de que o candidato do PSB deve fazer uma campanha livre de amarras, adotando o discurso que considerar conveniente em reação aos seus concorrentes. Durante o encontro, os socialistas reafirmaram o compromisso em continuar com uma pré-campanha de base, conversando com as pessoas, com as comunidades e respeitando todos os protocolos sanitários por uma questão de responsabilidade com todos. Como é sabido que Bira do Pindaré tem uma base respeitável em São Luís, que ele espera atrair durante a campanha, e por discurso o projeto “Pense São Luís”, criado para dialogar com a população ludovicense e especialistas sobre os desafios e soluções para a Capital.

 

Pesquisa DataIlha avisa que pode estar errado quem  subestimou Tema em Tuntum

Dida do Tio Luís e Cleomar Tema: candidatura mostra força do prefeito

Pesquisa do instituto DataIlha sobre a corrida sucessória em Tuntum, realizada no período de 3 a 5 deste mês e divulgada ontem pelo Jornal Pequeno, acendeu a luz amarela para o deputado estadual Fernando Pessoa (Solidariedade), até então apontado como franco favorito. O levantamento aponta o candidato do PSB, Dida do Tio Luís, apoiado pelo prefeito Cleomar Tema (PSB), na dianteira das preferências. Os números da pesquisa induzida: Dida do Tio Luís com 52,1% e Fernando Pessoa com 35,7%, com 5,9% dizendo que votarão em branco e 6,3% respondendo que não sabe ou não querendo responder. Quando se começou a falar sobre a corrida sucessória em Tuntum, muitos observadores, embalados por pesquisas que apontavam a liderança folgada do deputado Fernando Pessoa subestimaram o poder de fogo do prefeito Cleomar Tema, que naquele tempo nem candidato tinha ainda. Com a autoridade de quem é prefeito de Tuntum pela quinta vez, um item curricular que nenhum líder alcançou na política municipalista maranhense, Cleomar Tema avisou que a virada era apenas uma questão de tempo. A pesquisa mostra que o prefeito sabia o que estava dizendo e, contrariando os que apostavam na derrota do seu candidato, que seria a sua própria derrota, mostra agora que ainda tem cacife respeitável em Tuntum. O deputado Fernando Pessoa tem agora um grande desafio pela frente: mostrar que a realidade é outra. Uma tarefa complicada, a começar pelo fato de que ao longo do tempo o DataIlha tem se mostrado um confiável aferidor de tendências eleitorais.

Em Tempo: Contratada pelo blog do jornalista Djalma Rodrigues, a pesquisa DataIlha ouviu 459 eleitores, tem margem de erro de 4%, nível de confiança de 95% e está registrada no TER sob o protocolo MA-0527-2020.

São Luís, 17 de Agosto de 2020.

PT vai coligar com PCdoB e apoio fortalece a candidatura de Rubens Júnior à Prefeitura de São Luís

 

Honorato Fernandes e Rubens Júnior: PT confirma apoio a candidato do PCdoB

O presidente municipal do PT, vereador Honorato Fernandes, bateu martelo: o PT vai apoiar a candidatura do deputado federal Rubens Júnior (PCdoB), devendo indicar o candidato a vice-prefeito, que deve ser o próprio dirigente petista. Pelo com das declarações de Honorato Fernandes em entrevista ao jornal O Estado do Maranhão, a aliança PCdoB-PT está devidamente alinhavada, sem qualquer pendência, devendo ser oficialmente confirmada no Encontro de Definição de Tática Eleitoral que o braço do PT em São Luís realizará na próxima semana. Com a confirmação da participação do PT na coligação – que reúne também o Cidadania, liderado pela senadora Eliziane Gama; pelo PP, controlado pelo deputado federal André Fufuca; pelo DC, presidido por Totó Martins, e pelo PMB, dirigido por Efigênia e Samuel Silva -, o candidato do PCdoB reúne as condições políticas e partidárias – incluindo aí tempo de rádio e TV – para consolidar sua candidatura e enfrentar de igual para igual, por exemplo, o candidato do DEM, deputado estadual Neto Evangelista, que tem o apoio do PDT e do PSL. Ganha mais fôlego ainda para enfrentar também o líder da corrida até aqui, deputado federal Eduardo Braide (Podemos).

A confirmação da aliança PT-PCdoB não surpreendeu. Alinhavada nas conversas nem sempre afáveis do governador Flávio Dino com o ex-presidente Lula da Silva, estava decidida desde sempre, mas demorou a ser anunciada porque, além seguir um roteiro formal de reuniões e encontros para materializar decisões de caráter eleitoral, é movido também por várias correntes, que costumam se digladiar ferozmente entre quatro paredes defendendo suas posições. Em relação à sucessão em São Luís, havia no partido grupos pregando candidatura própria – chegou a lançar o deputado estadual Zé Inácio -; havia também defensores de uma aliança com o PSB em torno da candidatura do deputado federal Bira do Pindaré, e um grupo majoritário defendendo a aliança com o PCdoB. Esses grupos bateram cabeça durante meses, mesmo sabendo que politicamente o PT não teria como não apoiar o candidato do PCdoB, principalmente sendo ele o deputado federal Rubens Júnior. O vai-não-vai interno que durou meses foi na verdade ganho de tempo, uma vez que a aliança estava tacitamente decidida.

A entrada do PT na base de apoio do candidato do PCdoB fortalece expressivamente. Isso porque, mesmo não tendo grande expressão eleitoral, a agremiação petista tem trunfos importantes, que podem influenciar fortemente no desfecho da corrida às urnas em São Luís. Para começar, o partido entra com preciosos minutos de tempo para a campanha no rádio e na TV, dando a Rubens Júnior a garantia de espaço para se comunicar com o eleitorado. Entra também com o prestígio do ex-presidente Lula da Silva, que na avaliação de observadores tem peso durante a campanha. E ainda fortalece a caminhada do candidato do PCdoB com uma militância aguerrida, que somada à do PCdoB, animará expressivamente a campanha. A participação do PT na aliança terá, portanto, importância capital.

PT e PCdoB aparentemente vivem às turras, mas não há dúvida de que um passou a ter o outro como aliado preferencial desde que os petistas romperam os laços com o MDB, que apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff em favor do vice-presidente Michel Temer. De lá para cá, sob o comando do governador Flávio Dino, o PCdoB se tornou o principal aliado do PT, usando todos os seus recursos políticos contra as investidas contra o Governo e os líderes petistas. O governador e seu partido formaram a linha de frente contra o impeachment de Dilma Rousseff, tendo Flávio Dino colocado todo o seu prestígio em jogo defendendo Lula da Silva das acusações da Lava Jato. Nenhum outro líder e nenhum outro partido se envolveu tanto na defesa do PT quanto Flávio Dino e o PCdoB.

A declaração do vereador Honorato Fernandes é a confirmação de uma decisão que não podia ser outra, conforme pedra cantada pela Coluna há duas semanas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Depois de avaliar cenário, PDT declara apoio a Marco Aurélio em Imperatriz

Weverton Rocha, Othelino Neto, Clayton Noleto e Marco Aurélio no ato de adesão 

Depois de avaliar todas as possibilidades, o PDT finalmente bateu martelo em Imperatriz, declarando apoio ao candidato do PCdoB, deputado estadual Marco Aurélio. O anúncio foi feito ontem, em ato comandado pelo presidente do partido, senador Weverton Rocha, e com a presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) e do secretário de Estado de Infraestrutura, Clayton Noleto, que durante anos presidiu a legenda comunista em Imperatriz.

O apoio do PDT chega como um suporte respeitável à candidatura de Marco Aurélio, exatamente no momento em que o eleitorado da antiga Vila do Freira começa se definir. Na semana passada, uma pesquisa, que causou muita polêmica, mostrou um cenário em que Marco Aurélio, o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), o prefeito Assis Ramos (DEM) e o ex-prefeito Ildon Marques aparecem embolados, dando a impressão de que o desfecho da corrida é rigorosamente imprevisível. A entrada do PDT na base de apoio de Marco Aurélio pode alterar esse desenho a seu favor.

Ao justificar a escolha feita pelo PDT, o senador Weverton Rocha apontou Marco Aurélio como um político bem preparado, que conhece muito bem a cidade de Imperatriz e seus problemas, tendo a seu favor ainda uma boa relação com o Governo do Estado e com a bancada federal, fatores decisivos para uma boa gestão. “Não tenho dúvidas de que ele será um grande prefeito e pode contar com o nosso apoio. Estaremos irmanados, assim como tivemos em 2012, 2016 e em todos os anos que se passaram. É uma aliança permanente e a favor da cidade de Imperatriz”, declarou o líder pedetista.

Na mesma linha, o deputado-presidente Othelino Neto (PCdoB) previu o crescimento da pré-candidatura de Marco Aurélio, agora que tem como aliados PT, PSB, Solidariedade e, agora, o PDT. “Fico muito feliz em ver o carinho que a população de Imperatriz tem por ele (Marco Aurélio) e, ao mesmo tempo, essa construção política. Estamos confiantes que esse projeto será vitorioso e Imperatriz pode olhar para frente e ter um prefeito moderno, que vai ajudar a melhorar a vida das pessoas”, assinalou.

Marco Aurélio agradeceu o apoio do PDT à sua pré-candidatura e destacou a história em comum que há entre a legenda e o seu partido, o PCdoB, bem como todas as alianças que vêm fortalecendo o movimento “Imperatriz Pode Mais”. “Estamos muito confiantes em Deus, acima de tudo, no nosso povo e nesse grupo que pensa e quer o melhor da cidade. Tenho certeza que iremos para uma luta muito boa, onde apresentaremos o nosso propósito e faremos um grande trabalho por Imperatriz”, declarou, visivelmente entusiasmado.

 

MDB tem várias alternativas, inclusive investir só na eleição de vereadores

Roberto Costa e Roseana Sarney: MDB à vontade para negociar aliança em São Luís

O MDB decidiu adiar o seu posicionamento em relação à briga pela prefeitura de São Luís. Sem candidato a prefeito, mas repaginado, com um discurso sem ranço e emitindo fortes sinais de que está num caminho novo, representando a renovação do sarneysismo, o partido cuja articulação política é hoje comandada pelo deputado estadual Roberto Costa, que atua em sintonia com a ex-senadora Roseana Sarney, trabalha com quatro vertentes. A primeira coligar com partido que tenha um candidato com chances de vencer a eleição, podendo, no caso, indicar o vice. A segunda é participar de uma coligação forte, mesmo sem indicar. A terceira, e mais improvável, é lançar candidato próprio, mesmo que seja para marcar posição. E finalmente a quarta: não se envolver na disputa majoritária e investir todo o seu poder de fogo na eleição de uma bancada de vereadores. Já foi dito aqui, mas vale lembrar que o MDB é um partido com um alto nível de organização, bem estruturado e todo legalizado, com bom tempo de rádio e TV e razoável cacife político e eleitoral. Além disso, conta com a ex-governadora Roseana Sarney cabo eleitoral, o que faz da agremiação uma boa opção para coligação. Nos bastidores corre que os pré-candidatos Eduardo Braide (Podemos), Neto Evangelista (DEM), Duarte Júnior (Republicanos) e Carlos Madeira (Solidariedade) estão interessados numa aliança com o MDB. O caminho do partido será anunciado antes do final deste mês.

São Luís, 15 de Agosto de 2020.

Flávio Dino assume neutralidade no 1º turno em São Luís, mantendo postura que vem desde 2012

 

Flávio Dino reafirma neutralidade no 1º turno da disputa pela Prefeitura de  São Luís

O governador Flávio Dino (PCdoB) reafirma, em tom de quem dá a questão por encerrada: não se envolverá no 1º turno da eleição para a Prefeitura de São Luís, mesmo tendo seu partido um candidato, o deputado federal Rubens Júnior. E a explicação para a neutralidade é simples, também não deixando qualquer dúvida: vários partidos da aliança que ele lidera terão candidatos numa eleição que, a julgar por todas as pesquisas feitas até agora, será decidida em dois turnos, não justificando que ele se posicione na primeira volta. Apoiar o candidato do seu partido agora contra os aliados que estão na disputa seria uma incoerência política que, com a visão aliancista, não faria o menor sentido. O exemplo de 2016 está vivo na memória política da Capital: o governador só se posicionou no 2º turno, embalando a candidatura do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, então do PTC, à reeleição no embate com o então candidato do PMN, deputado estadual Eduardo Braide.

Em nota dirigida ao jornal O Imparcial, a Secretaria de Comunicação e Articulação Política, comandada pelo secretário Rodrigo Lago, informa o governador Flávio Dino “respeitará todos os aliados que o apoiaram em 2018 e, por isso, não adotará nenhuma posição quanto ao 1º turno das eleições em São Luís”. Mais do que isso, esclarece que, “coerente com essa posição, o governador não tem nenhuma opinião a emitir sobre os vários partidos aliados e que integram o Governo Estadual”.

A principal explicação está no fato de que uma frente formada por 17 agremiações faz a aliança partidária que dá sustentação política ao governador Flávio Dino. Dessas, nada menos que oito das 13 legendas que entraram na disputa são parte desse arco partidário e tentam viabilizar candidaturas ao Palácio de la Ravardière São eles: PCdoB (Rubens Júnior), Republicanos (Duarte Júnior), PSB (Bira do Pindaré), DEM (Neto Evangelista), PROS (Yglésio Moises), Rede (Jeisael Marx), Solidariedade (Carlos Madeira) e PL (Detinha). Três legendas de peso da base governista não lançaram candidatos, mas se posicionaram ostensivamente: o PDT, comandado pelo senador Weverton Rocha, que dá sustentação à candidatura do democrata Neto Evangelista; o Cidadania, liderado pela senadora Eliziane Gama, que declarou apoio incondicional à candidatura do comunista Rubens Júnior, e o PT, que vem fazendo charme, ensaiou candidatura própria, mas está claro de que vai apoiando o candidato do PCdoB.

A decisão do governador Flávio Dino de não participar da campanha do 1º turno na Capital é a expressão prática do seu discurso aliancista. Ele não vê sentido num projeto que sufoque projeto de candidatura dentro de um partido. Para ele, um número expressivo de candidatos dentro de uma mesma aliança é saudável e, em vez de problemas, proporciona o fortalecimento dos partidos, o que acaba beneficiando a aliança partidária que construiu nas eleições gerais de 2014, testou nas eleições municipais de 2016 e consolidou e ampliou e consolidou na corrida eleitoral de 2018. Hoje, a aliança que reúne partidos de esquerda, como o PCdoB, Cidadania, PT, PSB, PDT e Rede, é integrada também por legendas de centro, como PTB, PP, DEM, Republicanos, Solidariedade, PROS, PMB, PTC, DC, e também rebentos de direita, como PL, Avante. Tomar posição em relação a candidato numa disputa em que esses partidos estão distribuídos entre oito candidaturas seria um erro primário.

Com esse posicionamento, o governador Flávio Dino ratifica, portanto, o discurso que vem fazendo desde 2012, quando, ainda com o deputado federal, estimulou várias candidaturas de partidos aliados, entre eles o PTC do então deputado federal Edivaldo Holanda Júnior, só se posicionando no segundo turno, quando o atual prefeito foi para o confronto direto com o então prefeito João Castelo (PSDB), que buscava a reeleição, postura repetida em 2016. Mantendo, portanto, a coerência que prega.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Auxílio emergencial aumenta a aprovação de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro: popularidade pelo auxílio emergencial que não foi ideia dele

O auxílio emergencial de R$ 600 liberado pela União para garantir renda a milhões de brasileiros diretamente afetados pela pandemia do novo coronavírus está rendendo elevados dividendos políticos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), embora tenha ele sido contrário à medida quando ela foi proposta no Congresso Nacional. O bônus chegou ontem à mesa do presidente, dias depois que ele comemorou efusivamente o campeonato do Palmeiras e não deu a mínima para a marca de 100 mil mortos pela Covid-19: pesquisa do Datafolha, realizada nos dias 11 e 12, revelou que Jair Bolsonaro teve a maior aprovação desde que assumiu a presidência da República: 37% dos 2.065 entrevistados disseram que o desempenho dele é “bom e ótimo”, 27% avaliaram como “regular” e 37% responderam que seu desempenho é “ruim e péssimo”.

No Nordeste, justamente a região que concentra mais pessoas que recebem o auxílio, o presidente teve o melhor desempenho relativo. Sua rejeição caiu de 52% para 35%, e sua avaliação positiva subiu de 27% para 33%.

Em Tempo: as informações sobre a pesquisa foram publicadas no início da madrugada pelo jornal Folha de S. Paulo.

 

Avaliações começam a apontar quem fica, quem sai e quem entra na Câmara de São Luís

Osmar Filho  pode se reeleger; Júlio Pinheiro tem chance de entrar

Contas feitas por um experiente político de São Luís hoje fora das lutas pelo voto levaram ao seguinte desfecho na guerra por vagas na Câmara Municipal: dos 31 vereadores, pelo menos 15 serão reeleitos, resultado que abre 16 vagas. Alguns favoritos à renovação de mandato: Osmar Filho (PDT), atual presidente,  Astro de Ogum (PCdoB), atual vice-presidente, Ivaldo Rodrigues (PDT), Chico Carvalho (PSL), Honorato Fernandes (PT), Aldir Júnior (PL), Raimundo Penha (PDT), Marcelo Poeta (PCdoB), Afonso Manoel (Solidariedade) e Bárbara Soeiro (PSC), entre outros. Há partidos focados na eleição de vereadores, sendo um deles o MDB, que não tem candidato a prefeito, pode emplacar um candidato a vice, mas o foco principal do partido será ganhar cadeiras na Câmara Municipal. Há nomes fortes se movimentando para entrar, entre eles o vice-prefeito Júlio Pinheiro (PCdoB), havendo também rumores de que o ex-prefeito Tadeu Palácio, hoje filiado ao PSL, poderá tentar voltar à Câmara Municipal, onde exerceu três mandatos antes de ser candidato a vice-prefeito (1998) e depois a prefeito (2004) pelo PDT.

São Luís, 14 de Agosto de 2020.

Socorro Waquim assume Assembleia e MDB torna mais acirrada a disputa pela Prefeitura de Timon

 

Rigo Teles abre vaga para Socorro Waquim em articulação apoiada por Othelino Neto e comandada por Roberto Costa e que pode acirrar a disputa em Timon

Uma bem armada articulação nos bastidores da Assembleia Legislativa levou a ex-prefeita, ex-deputada e atual suplente de deputada estadual Socorro Waquim (MDB) a assumir ontem, temporariamente, o mandato parlamentar na vaga do deputado Rigo Teles (PV), fato que poderá ter forte influência na corrida sucessória à Prefeitura de Timon. O movimento foi conduzido pelo articulador do MDB, deputado Roberto Costa, e contou com o aval político do presidente do parlamento, deputado Othelino Neto (PCdoB). Como deputada, Socorro Waquim disputará a Prefeitura de Timon com apoio total do partido e com um sólido lastro político, o que deve transformar corrida à sucessão do prefeito Luciano Leitoa (PSB) numa guerra eleitoral de desfecho rigorosamente imprevisível. Nessa disputa estão em jogo o futuro do Grupo Leitoa, que controla o PSB e o PDT no município e comanda a Prefeitura desde a última década do século passado; o Grupo Waquim, que vem se alternando no poder municipal, e o Grupo Almeida, comandado pelo ex-deputado estadual Alexandre Almeida (PSDB), que nunca chegou ao poder, mas tem cacife para desequilibrar uma disputa polarizada.

Os Leitoa, os Waquim e os Almeida estão ameaçados de perder o controle administrativo e político de Timon com a possibilidade da eleição do Coronel Schneyder (Republicanos), um oficial da PM que se tornou um outsider e vem liderando todas as pesquisas. Os levantamentos mais recentes indicam que ele vem perdendo fôlego, ao tempo em que a ex-prefeita vem reforçando o seu cacife político e eleitoral, sendo apontada como o nome que, no momento, reúne as condições para polarizar com o oficial que virou político com um discurso atacando a corrupção e prometendo mão de ferro contra a violência.

Terceiro maior município do Maranhão, com 180 mil habitantes e expressivo peso eleitoral no estado, Timon é politicamente estratégico, o que torna tensa a luta pelo poder local. Ali, os Leitoa, que controlam PSB e PDT, têm o prefeito e um deputado estadual, mas não souberam construir um candidato forte à sucessão do prefeito Luciano Leitoa. Durante meses, todos os sinais apontavam que o candidato seria o ativo e bem articulado deputado Rafael Leitoa (PDT), mas o projeto foi arquivado, levando o grupo a apostar na professora Dinair Veloso (PDT), secretária de Educação e quadro de confiança do prefeito e do líder maior do grupo, o ex-prefeito Chico Leitoa. Outros nomes se posicionaram e devem manter suas candidaturas, entre eles o vice-prefeito João Rodolfo (PCdoB), e o empresário Henrique Júnior (PMN). Não há qualquer sinal indicando um entendimento entre os grupos dominantes, embora se especule que a emedebista Socorro Waquim poderá receber o apoio do grupo liderado por Alexandre Almeida, caso o PSDB não lance um candidato.

Ao articular a licença de dois meses do deputado Rigo Teles – que disputará a Prefeitura de Barra do Corda -, o deputado Roberto Costa avisou que aposta alto na candidatura de Socorro Waquim, indicando que o MDB vai jogar todo o seu poder de fogo para tê-la de volta à Prefeitura de Timon. Política experiente e líder de uma expressiva fatia do eleitorado timonense, Socorro Waquim já é, segundo pesquisa recente, o principal adversário do Coronel Schneyder. E se a especulação sobre a possibilidade de ela receber o apoio do ex-deputado Alexandre Almeida vier a se confirmar, sua candidatura ganhará um forte impulso. Ao mesmo tempo, o prefeito Luciano Leitoa e seu grupo preparam a arrancada da pedetista Dinair Veloso, que muitos acreditam que atropelará os demais candidatos na reta final. Pode ser, pois afinal, com décadas de experiência, os Leitoa têm o mapa eleitoral de Timon na palma da mão, e sabem o que fazer para vencer eleições.

O fato do momento é que ontem, ao assumir o mandato de deputada estadual, mostrando que tem total apoio do seu partido, a ex-prefeita Socorro Waquim deu um passo importante na consolidação do seu projeto de voltar ao comando municipal, tornando-se forte fator de preocupação dos demais candidatos, a começar pelo Coronel Schneyder.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Mesmo fazendo charme, PT já está na aliança liderada por Rubens Júnior

Marcio Jerry, Samuel Silva, Efigênia Silva, André Fufuca, Eliziane Gama, Totó |Martins e Honorato Fernandes: aliança em torno da candidatura de Rubens Júnior (C)

Todos os sinais, mesmo emitidos em meio a trovoadas, indicam que o PT de São Luís, que é presidido pelo vereador Honorato Fernandes, já é parte da coligação que embalará a candidatura do deputado federal Rubens Júnior (PCdoB) à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), e que contará também com o Cidadania, avalizado pela senadora Eliziane Gama, pelo PP, controlado pelo deputado federal André Fufuca, pelo DC, presidido por Totó Martins, e pelo PMB, liderado por Efigênia e Samuel Silva.  Esse grupo se reuniu ontem com Rubens Júnior e o presidente estadual do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, para reforçar a aliança e começar a trabalhar com o objetivo de consolidá-la.

É verdade que, por conta de não afinação em outras capitais, PT e PCdoB estejam se estranhando, com troca de declarações fortes entre lideranças intermediárias dos dois partidos. Mas até as pedras de cantaria da praia grande sabem que o PT não tem outro caminho que não coligar com o PCdoB em São Luís. A banda petista está fazendo charme, adiando já por duas vezes reunião para se posicionar na eleição do novo prefeito de São Luís. Mas a presença do vereador Honorato Fernandes na reunião ontem com o candidato e o presidente do PCdoB é sinal forte de que líderes comunistas e petistas já acertaram os ponteiros e estão discutindo perfumaria, como, por exemplo, a data do anúncio oficial da aliança PCdoB/PT em São Luís.

Tudo o que for dito fora desse script será conversa mole, sem desdobramento fora do roteiro.

 

Wellington do Curso estaria sendo pressionado a desistir; tucanos negam pressão

Wellington do Curso

São cada vez mais fortes e intensos os rumores de que o comando estadual do PSDB estaria pressionando o deputado Wellington do Curso para desistir da sua candidatura à Prefeitura de São Luís. O motivo seria o projeto do presidente do ninho maranhense, senador Roberto Rocha, de liberar o PSDB para alinhá-lo numa aliança com o Podemos em torno da candidatura do deputado federal Eduardo Braide. Terceiro colocado em todas as pesquisas, atrás de Eduardo Braide e do deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos), Wellington do Curso estaria resistindo à pressão, determinado a levar sua candidatura até o final. Já apoiado pelo PSC e pelo PSD, com declarações formais dos seus chefes, os deputados federais Aluísio Mendes e Edilázio Júnior, respectivamente, Eduardo Braide precisa ampliar sua coligação para agregar principalmente tempo de rádio e TV, componentes fundamentais na sua campanha. Vozes tucanas minimizam a situação argumentando que não se trata de pressão, mas de conversas para convencer o parlamentar a desistir de uma candidatura sem futuro em favor de um projeto que pode dar certo. O desfecho dessa situação será conhecido em breve.

São Luís, 13 de Agosto de 2020.