Em meio a forte repercussão do Caso Tech Office no Maranhão e em todo o país, ocupando amplo espaço nos principais telejornais e inundando as redes sociais de toda sorte de versão, o governador Carlos Brandão (MDB), que foi colocado no olho do furacão, decidiu migrar da defesa verbal para o campo judicial. Ontem, seus advogados, os respeitados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúnculo, bateram às portas do Supremo Tribunal Federal (STF) e protocolaram recursos objetivando alcançar dois objetivos: suspender as investigações pela Polícia Federal e submeter o inquérito ao crivo Procuradoria Geral da República, e devolver o pacote ao Superior Tribunal de Justiça, sob a alegação de que só aquele tribunal pode investigar e julgar governador de Estado e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Com esse movimento, o governador não apenas contesta a suspeita de que ele chefie uma suposta organização criminosa, como também espera criar as condições para reverter o afastamento de Daniel Brandão das suas funções de conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Outro alvo da investigação, o ex-secretário de Segurança Pública e de Assuntos Legislativos, Raimundo Cutrim, que está em prisão domiciliar, sob suspeita de tentar embaraçar as investigações do Caso Tech Office subornando familiares de Gilbson Cutrim Jr., requereu o impedimento do ministro Flávio Dino.
A contestação feita pelo governador Carlos Brandão acontece num momento em que a suspensão, pelo ministro Flávio Dino, do sigilo de três decisões sobre o caso, traz à tona documentos de conteúdo explosivo, como, por exemplo, o depoimento de Gilbson Cutrim Jr., no qual ele afirma que o governador, familiares e auxiliares seus teriam recebido dinheiro de corrupção, entregue por ele próprio. O governador Carlos Brandão, que vinha reagindo com declarações fortes repudiando as acusações e questionando a condução dos inquéritos pelo ministro Flávio Dino, sob a alegação de que ambos são adversários políticos, o que caracterizaria perseguição política.
Desde antes da suspensão do sigilo, na sexta-feira (14/08), o governador Carlos Brandão já vinha se posicionando sobre o assunto, numa cruzada contra as investigações. Ele tem alegado com insistência que Gilbson Cutrim, o matador, não trem credibilidade, uma vez que já assumiu o ônus do assassinato, e por isso foi condenado a 13 anos de cadeia. Só que o material revelado ontem numa extensa reportagem publicada no G1, portal de notícias do Sistema Globo, assinada pelo jornalista Reynaldo Turollo Jr., tornou pública o que seria o novo depoimento do matador Gilbson Cutrim, que é outra bomba devastadora. É exatamente nesse contexto que o chefe do Executivo maranhense resolveu trocar as contundentes reações verbais por ações judiciais que objetivam inviabilizam o prosseguimento das ações relatadas pelo ministro Flávio Dino, sob o argumento de que ele é “diretamente interessado.”
Desde que essa situação se acirrou, o governador Carlos Brandão vem empreendendo uma cruzada solitária, primeiro contra o que era uma “caixa preta”, e agora contra as versões que emergem da caixa agora aberta, como o que seria o depoimento do matador Gilbson Cutrim. Tais revelações sugerem que o governador se prepare para uma guerra que, segundo observadores, será complexa e com muitos desdobramentos, e que pode ter chegar ao ponto crítico nas próximas semanas, segundo preveem vozes dos dois lados do confronto.
O problema maior é que esse conflito tem poder de fogo suficiente para interferir no jogo eleitoral, especialmente na corrida ao Palácio dos Leões e na disputa pelas duas vagas no Senado. O governador Carlos Brandão trabalha para blindar Orleans Brandão (MDB) dos estilhaços desse embate, muitas vezes puxando para si ônus desse jogo pesado. As próximas semanas sinalizarão o tamanho do impacto desse caso na corrida às urnas.
PONTO & CONTRAPONTO
Weverton abriu campanha em São Mateus mostrando que acusações não vão atingi-lo
O senador Weverton Rocha (PDT) iniciou sua campanha à reeleição na noite de domingo, em São Mateus, onde Orleans Brandão (MDB) deu a largada numa grande manifestação popular comandada pelo prefeito Miltinho Aragão. Da manifestação participou também a deputada federal Roseana Sarney (MDB), que pediu votos para ela e para o colega de chapa Weverton Rocha.
No mesmo dia, jornais e portais de todo o país mostravam o tamanho do abacaxi que o senador tem para descascar durante a campanha por conta da sua suposta tentativa de interferir nas investigações. Antes, o senador já vinha administrado as consequências do seu suposto envolvimento no caso dos descontos criminosos nos contracheques dos aposentados do INSS.
Um político estava em São Mateus e participou da manifestação em torno de Orleans Brandão, disse à Coluna que o senador Weverton Rocha participou ativamente do ato, comportando-se como se nada estivesse acontecendo. Na sua avaliação, o senador saiu-se bem no primeiro teste, mas precisa lutar muito para manter a credibilidade.
Enquanto Brandão atua para se defender, nenhum aliado da base parlamentar entra na briga em apoio
Se depender da sua base na Assembleia Legislativa, o governador Carlos Brandão vai continuar na sua cruzada solitária de defesa no Caso Tache Office. Salvo o deputado Yglésio Moises (PRD), que alimenta há anos uma insistente catilinária contra o ministro Flávio Dino, e nesses ataques ele faz a defesa do chefe do Executivo, nenhum deputado da base governista foi à tribuna defendê-lo.
Na sessão de ontem estava presente um número expressivo de deputados governistas. Alguns ocuparam a tribuna, mas nenhum levantou a bandeira governista e se manifestou em apoio ao governador Carlos Brandão, que enfrenta a acusação de ser chefe de uma suposta organização criminosa.
Da mesma maneira, os deputados federais mais próximos do Palácio dos Leões estão passando ao largo dessa confusão. Empenhados na corrida às urnas, nenhum deles veio a público para se posicionar em relação ao Caso Tech Office.
Único a tocar no assunto, o deputado Yglésio Moises, que se coloca como a voz da direita radical e bolsonarista no parlamento estadual, alimentou ontem sua linha de ataques ao ministro Flávio Dino. Tendo na tribuna duas pilhas de papel encadernado, que apresentou como sendo um “dossiê” contra o ministro, o parlamentar discursou meia hora pronunciando palavras ácidas contra o magistrado, de quem já foi aliado, mas a quem dedica hoje um ódio surpreendente.
São Luís, 19 de Agosto de 2026.




























