A dois dias do início da campanha eleitoral, quando todos os candidatos – a governador, senador, deputado federal e deputado estadual – estão ultimando os preparativos e fazendo os ajustes políticos e partidários visando fortalecer os seus cacifes e ampliar os seus espaços no eleitorado, a senadora Eliziane Gama (PT), que busca a reeleição – com méritos, diga-se -, recebe um presentão: um vídeo no qual o presidente Lula da Silva (PT) a apresenta como candidata da sua preferência para uma das vagas na Câmara Alta, apontando-a como “senadora do meu coração”. O chefe da Nação, que também busca a reeleição e, como tal, gravou muitos vídeos de apoio a candidato país afora, mas dificilmente terá apostado tão alto como a aposta que fez na senadora maranhense.
O vídeo é a reafirmação de que o presidente Lula da Silva quer, de fato, quer Eliziane Gama por mais oito anos no Senado, de preferência com ele reeleito. A manifestação reafirma, com clareza, o quanto o presidente acredita na ação política e parlamentar da senadora. Entre os dois há uma densa afinidade política, que se consolidou nos últimos três anos e meio, quando Eliziane Gama foi uma alinhada de primeira linha ao Palácio do Planalto, do qual foi vice-líder no Congresso Nacional. Esse liame político é antigo, e foi fortalecido na campanha de 2022, quando Eliziane Gama teve papel fundamental na articulação que levou segmentos evangélicos não radicais a apoiar a candidatura e viabilizar a vitória do líder petista.
Eleita em 2018 pelo Cidadania, Eliziane Gama manteve total fidelidade ao Governo Lula, mesmo quando migrou da esquerda para oi centro-direita ao se filiar ao PSD, que é comandado no maranhão pelo prefeito Eduardo Braide. Diante da complicada permanência da senadora no PSD, o presidente Lula da Silva a convidou para retornar ao PT, o seu partido de origem. E fez mais: a lançou como a candidata do PT à reeleição, e de quebra orientando o PT nacional e o seu braço local a tratar a reeleição da senadora como uma prioridade. O vídeo reforça o interesse do presidente na reeleição da senadora, a quem espera contar para fortalecer a base governista caso ambos sejam reeleitos.
A mudança de partido e o aval incondicional do presidente Lula da Silva e da cúpula nacional do PT transformaram o projeto de reeleição da senadora Eliziane gama num desafio viável. A começar pelo fato de que nenhum candidato – incluindo Weverton Rocha, que tem o apoio do presidente – recebeu do presidente declarações tão fortes de apoio e confiança num bom pronunciamento das urnas. Mesmo as manifestações de apoio ao candidato do PT a governador, Felipe Camarão, que têm sido contundentes, com o presidente sendo enfático ao mostrar o seu apoio ao vice-governador, mas até aqui não alcançaram o tom do aval presidencial à senadora do PT.
Além do currículo no qual constam dois mandatos de deputada estadual, um de deputada federal e um de senadora da República, todos bem exercidos, e da sua atuação política, como o trabalho que resultou na formação da Bancada Feminina no Senado, e sua atuação como aliada fiel do Palácio do Planalto desde janeiro de 2023, Eliziane Gama leva para a campanha esse apoio importante e que pode ser decisivo. Isso porque não é novidade o fato de que o presidente Lula da Silva é apontado por muitos como “o maior eleitor” do Maranhão, com força política e eleitoral para embalar uma candidatura ao Senado.
No meio político e nos bastidores da campanha a impressão corrente é que, com esse suporte, que nenhum candidato dispõe, a senadora Eliziane Gama tem as condições de viabilizar a sua reeleição.
PONTO & CONTRAPONTO
Entrada de Dimas Cassimiro (PCO) aumenta para oito o número de candidatos ao Palácio dos Leões

disputar o Governo com Eduardo Braide,
Orleans Brandão, Felipe Camarão,
Roberto Rocha, André Luís,
Saulo Arcangeli e Reginaldo Lima
Já são oito os candidatos ao Governo do Maranhão. Dimas Cassimiro desembarcou na praia dessa disputa sem aviso prévio, levantando a bandeira do Partido da Causa Operária (PCO) e trazendo na bagagem a estatura de representante da esquerda mais radical em atuação no amplo espectro ideológico brasileiro na atualidade.
Até agora não se manifestou para as massas, informando apenas que vai comandar chapa pura, tendo Charliet Maciel, sua colega de partido.
Dimas Cassimiro entra na briga pelo Palácio dos Leões num momento não muito bom para o seu partido. É que no início da semana, numa investigação da Polícia Federal determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rui Costa Pimenta, o idealizador e fundador do PCO, se tornou suspeito de desviar dinheiro do Fundo Partidário. Ele reagiu indignado, disse que vai provar que não desviou um centavo. Tudo bem, mas a denúncia está sendo investigada, causando constrangimento à sua candidatura à presidências da República.
Em relação à disputa, o candidato do PCO aos Leões vai para a campanha pregar o discurso revolucionário do partido, cujo programa prevê a revolução do proletariado, a implantação de um governo de trabalhadores, a extinção do capitalismo no Brasil, uma reforma agrária radical, e a estatização da economia.
Na condição de postulante ao cargo de governador, Dimas Cassimiro se juntou formalmente aos “parentes” na esquerda dura, como Reginaldo Lima PCB) e Saulo Arcangeli (PSTU), e da Felipe Camarão (PT\), da esquerda moderada; aos adversários do centro, Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), e aos inimigos da direita, André Luís (Missão), da direita liberal, e Roberto Rocha (PRTB), da extrema-direita bolsonarista.
Confronto de vereadora com suplente mostra o esfacelamento do bolsonarismo no Maranhão
O embate da vereadora Flávia Berthier e do suplente de vereador Eduardo Andrade, ambos do mesmo partido, revela o quanto o PL e o bolsonarismo está esfacelado no Maranhão e, pelo visto, sem chance de se organizar em torno de uma liderança e com um discurso afinado. A briga se deu exatamente pelo fatiamento do PL em várias correntes.
No exercício temporário do mandado de vereador de São Luís, cobrindo licença de 120 dias tirada pela vereadora Flávia Berthier, Eduardo Andrade fez um discurso-bomba declarando apoio à candidatura de Eduardo Braide (PSD) ao Governo do Estado.
Partidária da candidatura de Roberto Rocha (PRTB), em quem enxerga um bolsonarista fiel, a vereadora comunicou o seu retorno ao exercício do mandato, faltando ainda dois meses para o fim da licença. Os dois trocarem farpas nas redes sociais, causando um “climão” dentro do partido.
O episódio é revelador da dispersão do bolsonarismo no Maranhão. Começa com o fato de que a maior fatia do PL é comandada pelo deputado Josimar de Maranhãozinho, que não tolera os Bolsonaro, que também não o toleram. E para manter o seu grupo de pé, Josimar de Maranhãozinho decidiu que não apoiará candidato a governador.
Só que uma outra banda do PL, formada por Flávia Berthier e a suplente de deputada federal Mariana Carvalho, de Imperatriz, resolveram apoiar a candidatura do ex-senador Roberto Rocha ao Governo do Estado, tornando mais profundo e mais largo o fosso que separa os dois grupos. Roberto Rocha vem tentando se firmar como a voz do bolsonarismo no Maranhão, mas enfrenta grande dificuldade, porque esses segmentos, pelo menos até aqui, não o veem como tal.
A campanha vai definir os rumos do bolsonarismo no Maranhão.
São Luís, 14 de Agosto de 2026.

