Retirada do sigilo sobre processo do Caso Tech Office eleva gravemente a tensão na política maranhense

Flávio Dino levantou o sigilo,
Carlos Brandão reagiu indignado
e Weverton Rocha criticou a medida

O ambiente político e institucional do Maranhão, que já vinha em ritmo ascendente de complicação, ganhou uma dose de tensão não vista desde a Operação Lunus, em abril de 2002. Já agitado por uma série de acontecimentos, o meio político maranhense foi sacudido ontem pela decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de suspender o sigilo de parte do processo que trata do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, na portaria do Edifício Tech Office, na Ponta da D`Areia, em agosto de 2022. O que veio à tona foi parte expressiva do relatório da investigação da Polícia Federal sobre o caso, com impacto avassalador no cenário político maranhense a dois dias do início da campanha eleitoral.

O que foi trazido a público por uma densa reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, envolve diretamente o conselheiro Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o ex-secretário de Assuntos Legislativos, Raimundo Cutrim, e o senador Weverton Rocha (PDT), supostamente envolvidos numa trama de obstrução de Justiça nos desdobramentos do Caso do Tech Office, com problemas em várias direções. De acordo com o que foi informado pelo principal telejornal da Rede Globo, a Polícia Federal definiu o apurado como ação de uma “organização criminosa”, que envolveria o governador Carlos Brandão (MDB), familiares e assessores.

Toda essa confusão ganhou corpo quando, há alguns dias, o ministro Alexandre de Moraes determinou à PF uma operação de busca e apreensão em endereços ligados ao blogueiro Luiz Pablo – acusado de atacar e perseguir o ministro Flávio Dino por uso de veículos do Tribunal de Justiça -, ao ex-secretário Raimundo Cutrim e ao senador Weverton Rocha. A alegação: o ex-secretário Raimundo Cutrim teria tentado fazer com que o assassino do empresário, Gilbson Cutrim Jr. mudasse o seu depoimento, evitando qualquer relação com o então advogado Daniel Brandão. A mesma acusação foi disparada contra o senador Weverton Rocha, que teria tentado convencer o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, a interferir na situação prisional de Gilbson Cutrim Jr., que fora transferido de Pedrinhas para a Papuda, em Brasília, como medida de proteção.

O fato é que uma discussão recente, que assanhou o meio jornalístico, sobre se o Supremo fez certo ou errou ao investigar o ex-secretário Raimundo Cutrim como fonte do blogueiro Luís Pablo, com o risco de macular o sigilo da fonte, um direito constitucional inalienável do Jornalismo brasileiro, com risco de afetar a liberdade de imprensa, abriu caminho para uma sequência de atos e fatos que culminou ontem com a explosiva reportagem do Jornal Nacional. E como não poderia deixar de ser, as informações de parte do relatório da PF trazidas ao conhecimento público funcionaram como a explosão de uma bomba cujo poder de destruição ainda está longe de ser mensurado.

O tomar conhecimento da retirada do sigilo e do teor do que se tornou público, o governador Carlos Brandão, que já vinha manifestando insatisfação em relação ao processo, sob a alegação de que a Suprema Corte não pode processar governador de Estado, foi às redes sociais e reagiu externando indignação. Primeiro ele disse que as informações são falsas e têm o objetivo de tentar envolvê-lo “no roteiro de um assassinato”. O governador foi além, e jogou mais gasolina na fogueira ao afirmar: “Essa perseguição tem origem em 2024, quando rechacei propostas indecorosas”. E sem citar o ministro Flávio Dino, completou: “Não há sigilo nesses perseguidores para inventarem tantos absurdos, mas devia haver impedimento de julgar quem é tratado como adversário. Tenho confiança de que a verdade prevalecerá”.

Também o senador Weverton Rocha, a quem a reportagem do Jornal Nacional dedicou um grande destaque, admitiu que esteve “várias vezes” com o ministro Humberto Martins, do STJ, mas descartou qualquer tentativa de obstruir a Justiça no Caso Tech Office. O senador classificou as informações do relatório da PF como “forçação de barra”.

Pelo que ficou claro ontem com a explosiva reportagem do Jornal Nacional, os desdobramentos desse enorme imbróglio deve acontecer nas próximas semanas, o que incendiará a corrida pelo poder no Maranhão.   

PONTO & CONTRAPONTO

Nova pesquisa Véritas aponta Orleans na frente com Braide em segundo

Véritas afirma que Orleans Brandão lidera
seguido de Eduardo Braide, Felipe
Camarão, Roberto Rocha, André Luís,
Reginaldo Lima e Saulo Arcangeli

A dois dias do início da campanha eleitoral propriamente dita, e em meio a um forte clima de tensão no cenário político do Maranhão, uma pesquisa do instituto Véritas – não confundir com Veritá – jogou mais tempero no caldeirão eleitoral. Os números do Véritas informam que, se a eleição fosse agora, Orleans Brandão (MDB) sairia das urnas com 47,5% da votação, enquanto Eduardo Braide (PSD) teria 39,7% dos votos e caminhariam para um segundo turno. O embate entre Orleans Brandão, que tem o apoio decisivo do governador Carlos Brandão (MDB), e Eduardo Braide, que tem como lastro a sua gestão de cinco anos e meio da Prefeitura de São Luís, se consolida como o epicentro da disputa pelo Palácio dos Leões.

Os demais candidatos estariam fora do jogo: Felipe Camarão (PT) com 4,3%, Roberto Rocha (PRTB) com 3,3%, e André Luís com 1,6%, este seguido de Reginaldo Lima (PCB) com 0,4% e Saulo Arcangeli (PSTU) com 0,1%. O levantamento encontrou 2,6% de entrevistados indecisos, 0,9% que anulariam o voto ou votariam em branco, e 0,3% que silenciaram. Vale registrar também que a pesquisa não incluiu Dimas Cassimiro (PCO), que só entrou na corrida depois que o levantamento já estava em andamento.

A pesquisa Véritas chama a atenção em alguns aspectos. O primeiro deles é a forte polarização entre Orleans Brandão e Eduardo Braide, cujos percentuais, somados, alcançam nada menos que 86,6% das intenções de voto, deixando de sobra apenas 14,4% para os demais candidatos e para indecisos e nulos e brancos. Trata-se de uma polarização espetacular, fora de todos os padrões, a começar pelo fato de que entre esse registro e a eleição decorrerão nada menos que 46 dias, ou seja, um mês e meio, e uma campanha que promete embates fortes, principalmente entre os quatro principais candidatos, mesmo levando em conta a enorme distância que o levantamento mostra entre os dois primeiros e os demais, em especial o terceiro e o quarto.

Chama também a atenção o fato de que, conforme o levantamento, praticamente não há eleitores indecisos no Maranhão, eles somam apenas 2,6%. E mais do que isso, a pesquisa praticamente não encontrou eleitores indignados, aqueles que batem o pé e dizem que nenhum dos candidatos merecem o seu voto, e que por conta disso manifestam a intenção de votar em branco ou simplesmente anular o voto – eles somam apenas 1,2% dos entrevistados.

Os números da Véritas tornam surpreendente a polarização de agora, principalmente se levado em conta o fato de que entre os demais concorrentes estão o vice-governador, que tem o apoio explícito do presidente da República, e um ex-senador da República, que entrou no páreo tentando representar uma corrente que é movida pela sombra de um ex-presidente da República.

Em Tempo: A pesquisa Véritas ouviu mil eleitores entre os dias 8 e 11 de agosto, tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo sob o número MA-01632/2026.

Senado: Roseana lidera e Weverton é segundo

Véritas: Roseana Sarney e Weverton Rocha
lideram a corrida ao Senado seguidos de
Lahesio Bonfim, André Fufuca, Eliziane
Gama, Hilton Gonçalo, Enilton Rodrigues,
Cidônio Gonçalves, Simplício Araújo,
Raimundo Corrêa e Wilson Leite

Se no campo político e judicial o dia de ontem foi de notícias amargas para o senador Weverton Rocha (PDT), com a retirada do sigilo de parte do processo sobre o Caso Tech Office, que corre na Suprema Corte, essa amargura foi em parte compensada pela pesquisa Véritas, divulgada ontem. Na corrida ao Senado, Weverton Rocha é o segundo colocado, com 15,2% das intenções de voto, atrás apenas da deputada federal Roseana Sarney (MDB), que lidera com 21,1% das intenções de voto.

De acordo com a Véritas – não confundir com Veritá -, um segundo bloco de candidatos ´-e formado por Lahesio Bonfim (Novo) com 9,7%, por André Fufuca (PP) com 7,2%, a senadora Eliziane Gama (PT) com 5,3% e Hilton Gonçalo (Mobiliza), com 5,1%.

O terceiro bloco de candidatos é formado por Enilton Rodrigues (PSOL) e Cidônio Gonçalves (PL), ambos com 1,1% cada, seguidos de Simplício Araújo (DC) com 0,9%, Raimundo Corrêa (PCB) com 0,8% e Wilson Leite (PSTU), com 0,7%.

Se na pesquisa para governador praticamente não existe eleitor indeciso, o levantamento para o Senado, mostra que 23,5% ainda não sabem em quem votarão para a Câmara Alta, com 5,7% respondendo que vai anular o voto e 2,7 que simplesmente silenciaram sobre esse assunto.

São Luís, 15 de Agosto de 2026.

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