
que começa hoje com a participação de Eduardo
Braide, Orleans Brandão, Felipe Camarão,
Roberto Rocha, André Luís, Saulo Arcangeli,
Reginaldo Lima e Dimas Cassimiro
Em meio a um clima de forte tensão na seara política, oito candidatos a governador do Maranhão, 11 candidatos às duas vagas no Senado, dezenas de aspirantes à Câmara Federal e centenas de postulantes à Assembleia Legislativa iniciam hoje a campanha às eleições de outubro no estado. A luta mais visível e que causa maior interesse se dará entre os candidatos a governador: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT), Roberto Rocha (PRTB), André Luís (Missão), Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO). É grande a expectativa em relação à disputa para as duas vagas de senador. Até aqui, a disputa pelo Palácio dos Leões está polarizada entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, sendo que oito a cada dez pesquisas já publicadas apontaram o ex-prefeito de São Luís como favorito. Todos têm vinculação, de maior ou menor grau, com candidatos ao Palácio do Planalto, a começar pelo presidente Lula da Silva (PT).
Aos 50 anos, e com um currículo que inclui a presidência da Caema, dois mandatos de deputado estadual, meio mandato de deputado federal e cinco anos e meio no comando da Prefeitura de São Luís, o advogado Eduardo Braide representa a elite de uma geração já talhada para o exercício do poder estadual. E com o diferencial de ter realizado uma gestão muito além das expectativas na Prefeitura de São Luís, dando nova feição à cidade. Independente, ainda que partidariamente ligado ao candidato presidencial Ronaldo Caiado (PSD), Eduardo Braide inicia sua campanha com grande força política e eleitoral e com cacife para brigar pelo Governo do Maranhão. Sua vice é empresária tocantina Elaine Carneiro (PSD).
Orleans Brandão (MDB), administrador de empresas de 31 anos, é empresário e chegou à vida pública pelas mãos do tio, o governador Carlos Brandão (MDB), que o nomeou secretário de Assuntos Municipalistas, tornou-o, em pouco tempo, o mais atuante e influente integrante da equipe de secretários, consolidando-se, como o elo entre o Palácio dos Leões e os prefeitos do Maranhão. Sua atuação ajudou a dar forma à feição municipalista do Governo Brandão. Seu projeto inicial era ser deputado federal, mas o rompimento com o vice-governador Felipe Camarão (PT) levou o governador Carlos Brandão escolhê-lo candidato à sua sucessão. Tem agora o desafio de mostrar que é maior do que o vínculo familiar. Tem como vice Edivaldo Holanda Jr. e apoia a reeleição do presidente Lula da Silva.
Advogado, procurador federal e professor universitário de 44 anos, tendo como lastro passagens exitosas pelo Procon e Secretaria de Educação, e preparado durante anos para ser candidato natural à sucessão do governador Carlos Brandão, o vice-governador Felipe Camarão (PT) chega à disputa como o mais ferrenho adversário do Governo. Apoiado declaradamente pelo presidente Lula da Silva e pelo comando nacional do PT, ele só consolidou sua candidatura após um longo período de indefinição. Inicia sua campanha apostando alto no seu currículo e no apoio do presidente Lula da Silva, de quem se declara aliado incondicional. Seu vice é o vereador petista de Caxias Ricardo Rodrigues.
Administrador e empresário de 61 anos, Roberto Rocha tem no currículo um mandato de deputado estadual, três de deputado federal, meio de vice-prefeito de São Luís e um de senador da República. Será a sua terceira tentativa de ser governador. Com desempenho muito modesto nas duas primeiras. Dono de bordões como “o Maranhão tem a pior classe política do Brasil”, Roberto Rocha abre a sua campanha apresentando-se como o político de visão desenvolvimentista, e o de militante ideológico da direita radical, representada pelo que hoje se conhece como bolsonarismo. Tanto que apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Seu vice é Pastor Josias (PL).
Empresário, André Luís (Missão) é um outsider, surgido sem aviso prévio, dentro de um movimento de direita radical liderado por Renan Santos, fundador do Missão e candidato a presidente da República. Com discurso liberal extremado, usa frases de efeito como promessas de campanha, e defende o plano maior do seu líder relacionado com a segurança pública: o “prendeu, matou”. Tem como vice Professor Cadu (Missão)
Professor e servidor público federal de 54 anos, e veterano em disputas eleitorais, Saulo Arcangeli (PSTU) entra na corrida como o exemplo acabado da coerência como militante da esquerda radical. Suas teses não mudam: derrubada do capitalismo, instalação de um Governo de trabalhadores, reforma agrária radical, suspensão do pagamento da dívida pública, entre outros sonhos. Escolheu para vice a militante social Preta Lu. Apoia a candidatura presidencial do maranhense e igualmente radical Hertz Dias (PSTU).
Radialista de 43 anos, com atividade e militância em Imperatriz, Reginaldo Lima chegou à condição de candidato a governador como secretário geral do PCB no Maranhão. Sua candidatura ganhou sentido com o lançamento do candidato do PCB a presidente das República, o economista maranhense Edmilson Costa. Defende as teses revolucionárias da esquerda radical e melhorias nas condições de vida dos trabalhadores, Seu vice é Bartolomeu Moreira. Pouco se sabe a respeito de Dimas Cassimiro, candidato a governador pelo PCO, um dos mais radicais partidos da esquerda extrema. Sua vice é Charliet Viana (PCO).
Eles têm 45 dias para convencer o eleitorado de que podem melhorar o Maranhão.
PONTO & CONTRAPONTO
Onze candidatos entram numa campanha difícil e muito disputada para as duas vagas no Senado

Sarney, Weverton Rocha, Lahesio Bonfim,
André Fufuca, Eliziane Gama, Hilton Gonçalo,
Enilton Rodrigues, Cidônio Gonçalves, Simplício
Araújo, Raimundo Corrêa e Wilson Leite
Os 11 candidatos às duas vagas no Senado iniciam hoje a corrida que ao final valerá os dois mandatos. Será uma disputa dura e complexa dadas as relações que envolvem os candidatos com mais chances de se darem bem nas urnas. A tradição política maranhense reza que os candidatos a senador dependem muito da força dos seus candidatos a governador, embora haja exceções.
Estão no páreo a senadora Eliziane Gama (PT), que busca a reeleição e, junto com Enilton Rodrigues (PSOL), integra a chapa liderada por Felipe Camarão (PT). O deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) formam chapa com o Eduardo Braide (PSD).
O senador Weverton Rocha (PDT), que pleiteia a renovação do mandato, e a deputada federal Roseana Sarney (MDB), formam dupla em torno da candidatura de Orleans Brandão (MDB), que tem ainda como “aliado” o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza), numa situação atípica.
Quebrando a regra, uma banda do PL, que dás sustentação à candidatura de Roberto Rocha (PRTB) a governador, lançou apenas um candidato a senador, Cidônio Gonçalves. Da mesma maneira, PCB, que tem Reginaldo Lima como candidato a governador, lançou Raimundo Corrêa como aspirante ao Senado, caso ainda do PSTU, que lançou o professor Wilson Leite para o Senado na chapa liderada por Saulo Arcangeli.
Como é fácil de perceber, como não há nenhum candidato a senador fora da curva, a tendência clara, indicada pelas pesquisas, que a disputa estás entre os candidatos das chapas de Eduardo Braide, Orleans Brandão e Felipe Camarão. Pelo menos até aqui não há como vislumbrar o contrário.
Brandão rebate acusação e diz que não aceita que joguem sua história na lama
O governador Carlos Brandão (MDB) não ficou satisfeito com a reação que ele próprio protagonizou, sexta-feira, ao tomar conhecimento da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de suspender o sigilo de parte do processo sobre o Caso Tech Office, no qual a Polícia Federal o aponta como chefe de uma suposta organização criminosa. Ontem, ele dedicou parte do seu dia externando a sua indignação em declarações em emissoras de rádio e em telejornais, resumindo sua posição num vídeo publicado nas redes sociais. Em tom equilibrado, mas contundente, o governador declarou o seguinte:
“Bem, pessoal.
Recebo com indignação a acusação de que eu seria chefe de uma organização criminosa. Isso é inadmissível.
São mais de 35 anos de vida pública exercendo os mais diversos cargos. Nesse tempo todo, nunca respondi a nenhum processo.
Foi só depois do distanciamento de dois grupos políticos no Maranhão que passei a ser alvo de acusações e ações judiciais.
Tudo o que construí na vida, a minha trajetória, a minha família, o meu patrimônio, foi construído com muito trabalho. Não aceito que queiram jogar a minha história na lama.
Destaco que a minha defesa continua não tendo acesso à integralidade dos autos do inquérito. Mesmo assim, foram publicizadas três decisões. Destas, me chamou atenção o fato de que a própria Procuradoria Geral da República se manifestou no sentido de que esse caso não deve ser conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.
Tenho serenidade de que a verdade vai prevalecer. Inclusive, enquanto governador, eu tenho mais de 70% de aprovação. Por isso, sigo focado, o que sempre fiz ao longo de toda a minha vida pública: trabalhando muito pelo povo do Maranhão”.
Em conversas reservadas, o governador Carlos Brandão disse que seus advogados vão contestar todas as acusações que o atingem no processo. Aos seus interlocutores, garante que nada deve e que isso vai ser mostrado na sua defesa.
São Luís, 16 de Agosto de 2026.
