
André Luís (direita dura), Eduardo Braide
(centro-direita) e Orleans Brandão (centro), Felipe
Camarão (esquerda moderada), e Saulo Arcangeli
e Reginaldo Lima (extrema-esquerda)
Definidos os cabeças-de-chapa para a disputa pelo Governo do Maranhão, o cenário desenhado pelas convenções partidárias evidencia que no plano ideológico os sete candidatos a despachar no Palácio dos Leões, três representam os diversos espectros moderado e radical da esquerda – o vice-governador Felipe Camarão (PT), Saulo Arcangeli (PSTU) e Reginaldo Lima (PCB) -, dois se situam no centro, com inclinações à direita e à esquerda – Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB) – e dois se colocam como porta-vozes da direita radical, um da direita liberal e mais aberta – (André Luís (Missão), e outro posicionado na seara da direita conservadora e bolsonarista – Roberto Rocha (PRTB). Todos já se posicionaram em relação à corrida presidencial, mas nem todos seguem a linha dos candidatos que apoiam ao Palácio do Planalto.
Nesse contexto de diversidade ideológica, o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) é um político de centro-direita, mas totalmente distanciado do confronto em vem se dando campanha ao palácio do Planalto. O seu partido tem candidato a presidente, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que se movimenta como porta-voz da direita que fala pelo agro. Eduardo Braide tem deixado claro que não pretende nacionalizar a disputa e que não mergulhará na guerra pelo voto presidencial.
O seu contrapeso, o emedebista Orleans Brandão sinaliza que se situa no centro, ora flertando com a direita mais leve, ora trocando sinais com a esquerda moderada, especialmente a banda desgarrada do PT. Orleans Brandão tem como item destacado do seu discurso o apoio ao projeto de reeleição do presidente Lula da Silva (PT). E a base do seu discurso é a de um político que defende a multiplicação das obras e o avanços de programas sociais.
Na seara esquerdista, Felipe Camarão, candidato a governador pelo PT, tem expressado com toda clareza o seu viés de esquerda, muito próximo dos postulados defendidos pelo presidente Lula da Silva, a quem segue com fidelidade plena. Felipe Camarão atua para evitar rótulos ideológicos, mas as suas ações e estão na mesma linha do Governo Flávio Dino e, em vários aspectos, do Governo Carlos Brandão, do qual foi integrante destacado como secretário de Educação. Como candidato a governador sob a bandeira do PT, ele vem manifestando posições à esquerda.
Saulo Arcangeli (PSTU) e Reginaldo Lima (PCB) representam o que há de mais radical no amplo espectro da esquerda no Brasil. Saulo Arcangeli defende com intransigência propostas arrojadas elaboradas pelo PSTU: suspensão do pagamento da dívida pública, mudar radicalmente as políticas educacional e de saúde, criação de conselhos populares, de preferência formado por trabalhadores e outras medidas revolucionárias. Reginaldo Lima defende praticamente os mês o postulados de Saulo Arcangeli, dada a proximidade ideológica entre PSTU e PCB, que pregam as mesmas medidas propostas pela esquerda radical.
O candidato do PRTB, Roberto Rocha, tem se manifestado como pretenso porta-voz da extrema-direita, conservadora e radical, identificada como bolsonarista. O seu discurso é uma estratégia óbvia para alcançar o eleitorado bolsonarista, e para tanto vem usando a sua relação com os Bolsonaro, apostando alto que será o anfitrião do candidato do PL, Flávio Bolsonaro no Maranhão, chegando ao ponto de dizer que quer para o Maranhão o que os Bolsonaro querem para o Brasil. Outra voz da direita, André Luís (Missão) tem um discurso de direita moderada, liberal, longe do conservadorismo, seguindo parte do discurso do seu candidato a presidente, Renan Santos (Missão).
Como se vê, a corrida ao Governo do Maranhão está se dando sob uma ampla colcha de retalhos ideológicos, cujo espectro vai da direita mais radical à esquerda mais dura, passando por um centro equilibrado.
PONTO & CONTRAPONTO
Ajuste: já são 11 os candidatos às duas vagas maranhenses no Senado

André Fufuca, Lahesio Bonfim, Eliziane Gama,
Enilton Rodrigues, Wilson Leite, Cidônio
Gonçalves, Simplício Araújo e Raimundo
Corrêa vão disputar vagas no Senado
São 11, e não nove, os postulantes às duas cadeiras de senador pelo Maranhão. Além dos candidatos mostrados na edição passada – Weverton Rocha (PDT), Roseana Sarney (MDB), Eliziane Gama (PT), André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo), Hilton Gonçalo (MDB), Enilton Rodrigues (PSOL), Wilson Leite (PSTU), Cidônio Gonçalves (PL), ganham espaço no grupo os já também candidatos a senador Simplício Araújo (DC) e Raimundo Corrêa (PCB).
Simplício Araújo não tem candidato declarado a governador, mas os seus discursos nas redes sociais sugerem que ele caminha para apoiar a candidatura de Eduardo Braide (PSD). Veterano de outras eleições, já tendo sido deputado federal na condição de suplente, é um analista do ambiente político e faz clara e, às vezes dura, oposição ao governador Carlos Brandão (MDB).
Raimundo Corrêa é um veterano militante da esquerda e foi escolhido por Reginaldo Lima em consenso como candidato do PCB a presidente da República, o maranhense Edmilson Costa, cuja candidatura foi formalizada terça-feira, em São Paulo.
Roseana Sarney e Eliziane Gama formam chapa só com mulheres

e Carol Duailibe como suplentes,
seguindo Eliziane Gama, que
formou chapa feminina com
Lene Rodrigues e Patrícia Carlos
A deputada federal Roseana Sarney (MDB) decidiu escolher a senadora Eliziane Gama (PT), candidata à reeleição, como adversária preferencial na corrida às vagas maranhenses no Senado. O principal indício é que a emedebista decidiu seguir os passos da petista formando uma chapa apenas com mulheres.
A senadora Eliziane Gama resolveu apostar alto no eleitorado feminino, que é maior do que o masculino, escolhendo duas suplentes: Lene Rodrigues (PCdoB), mulher do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), e Patrícia Carlos, a militante petista que ocupou a presidência do partido no Maranhão por vários meses. Houve discussão, mas a senadora manteve a fórmula e Lene Rodrigues na 1ª suplência e Patrícia Carlos na 2ª.
Roseana Sarney decidiu usar a mesma fórmula e foi buscar a vice-prefeita de Colinas, Valberlene Lopes (MDB), para a 1ª suplência, por indicação do candidato emedebista ao Governo, Orleans Brandão. Ontem, ela fechou a chapa pura com a vice-prefeita de Imperatriz, Carol Duailibe (MDB), mulher do deputado estadual Antônio Pereira (MDB), 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa, aliado de proa de Orleans Brandão.
Será um embate e tanto.
São Luís, 07 de Agosto de 2026.














