Prenunciado desde que as articulações para a definição de candidaturas às eleições de outubro foram iniciadas, o grande embate entre o Progressistas, leia-se deputado federal André Fufuca, e o União Brasil, leia-se deputado federal Pedro Lucas Fernandes, no campo partidário, se deu ontem, nas convenções do PP e do União, quase estremecendo as bases da federação União Progressista no Maranhão. Não houve propriamente um confronto direto entre os dois parlamentares, mas eles jogaram duro, um contra o outro, de modo que o dia terminou sem que ambos pudessem cantar vitória, mas também nenhum foi apontado como derrotado.
Com a estatura de presidente regional do PP e ex-ministro do Esporte, André Fufuca saiu da convenção do seu partido com os dois suplentes da chapa que encabeça para o Senado, e com o aval da direção nacional do PP. O 1º suplente será o empresário Fernando Fialho (PSDB), indicado pelo deputado federal e ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho, que comanda o ninho dos tucanos no Maranhão; o 2º suplente será Sargento Bastos (PP), um respeitado policial militar.
Por sua vez, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes comandou a convenção do União Brasil, do qual é presidente estadual, com o aval do comando nacional da agremiação. Esse aval alcançou a sua decisão de barrar a indicação da professora Perla Amaral (União Brasil), primeira-dama de Imperatriz, numa clara retaliação ao fato de o marido dela, o prefeito Rildo Amaral (PP), haver declarado apoio ao candidato Eduardo Braide. Dias atrás, Rildo Amaral amargou também a decisão do PV de impedir que o seu irmão, o vereador imperatrizense Flamarion Amaral, fosse candidato a deputado estadual.
Por outro lado, o ex-ministro André Fufuca resistiu a uma série de estratagemas destinados a minar a sua candidatura ao Senado. Com articulação em todos os níveis do PP, ele conseguiu duas proezas. A primeira foi confirmar a sua candidatura ao Senado. A segunda foi formar sua chapa de candidato a senador sem nenhum representante do União Brasil na suplência. Ao contrário, conseguiu atrair o apoio do deputado federal e ex-ministro das Comunicações à sua candidatura senatorial, o que representa um reforço e tanto na ferrenha disputa às duas cadeiras no Senado.
No jogo de ganhos e perdas, aparentemente ninguém saiu inteiramente derrotado. Isso porque, se impediu a candidatura de Perla Amaral a suplente de André Fufuca, Pedro Lucas Fernandes foi dormir ontem consciente de que o prefeito imperatrizense Rildo Amaral é agora um adversário político a ser considerado. André Fufuca, por seu turno, conseguiu o que queria: se consolidou como candidato a senador e definiu seus suplentes, mas também foi dormir ciente de que tem um grande e desafiador objetivo a alcançar: obter o aval da cúpula nacional da Federação União Progressista. E ninguém duvida que Pedro Lucas Fernandes vai trabalhar contra. Tanto que estimulou o vereador Marquinhos a se lançar candidato a senador pelo União, para se contrapor a André Fufuca na reunião da Federação que definirá o futuro do ex-ministro do Esporte.
Os caminhos pelos deputados federais André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes revelam o racha que separa os dois principais nomes do Centrão no Maranhão. Mostra também contradições. A principal delas é o fato de Pedro Lucas Fernandes, que lidera o União na Câmara Federal, apoiar Orleans Brandão (MDB) para o Governo do Estado, mas não declarar apoio à reeleição do presidente Lula da Silva (PT). Por sua vez, André Fufuca é aliado de Eduardo Braide (PSD), mas não declara apoio ao candidato presidencial do partido do ex-prefeito de São Luís, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD).
O fato é que, do alto do comando dos seus partidos no Maranhão (PP e União), os deputados federais André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes travam uma guerra particular, que, na verdade, é o prenúncio de um confronto muito maior, que pode ocorrer em 2030 ou em 2034, quando certamente os dois se baterão pelo Governo do Estado.
PONTO & CONTRAPONTO
Nove candidatos vão disputar as duas vagas no Senado

Lahezio Bonfim, André Fufuca, Eliziane Gama,
Enilton Rodrigues, Wilson Leite e Cidônio
Gonçalves disputarão as duas vagas no Senado
O prazo para a realização de convenções partidárias e a definição de candidaturas foi encerrado ontem, à meia noite, com nada menos que nove candidatos ao Senado. Esse número variou intensamente ao longo das últimas semanas, mas se consolidou à medida que as convenções partidárias foram acontecendo.
A chapa encabeçada por Orleans Brandão (MDB) tem três candidatos às duas vagas no Senado: o senador Weverton Rocha (PDT), que busca a reeleição, a deputada federal Roseana Sarney (MDB), que já foi senadora de meio mandato e governadora quatro vezes, e finalmente o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza). Uma montagem fora dos padrões, mas mostrada com entusiasmo pelos líderes da aliança governista.
Eduardo Braide lidera uma chapa com dois candidatos a senador politicamente distantes um do outro: o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), e o ex-prefeito der São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), que foi pré-candidato a governador, mas decidiu mudar e concorrer ao Senado.
O candidato do PT ao Governo, Felipe Camarão, lidera uma chapa totalmente alinhada, que foi definida em ampla negociação, tendo como candidata ao Senado a senadora Eliziane Gama (PT), que busca a reeleição, e o servidor público Enilton Rodrigues (PSOL).
O candidato a governador pelo PSTU, Saulo Arcangeli, vaia para a campanha com chapa pura, mas com apenas um candidato ao Senado: Wilson Leite (PSTU).
E o ex-senador Roberto Rocha (PRTB) formou sua chapa com apenas um candidato a senador, Cidônio Gonçalves (PL), indicado pela suplente de deputada federal Mariana Carvalho, de Imperatriz.
O único candidato que não lançou candidato a senador foi André Luís (Missão), seguindo orientação nacional do partido.
Sem candidato próprio ao Governo nem ao Senado, PSB investe na eleição de deputado estadual e federal

do PSB que confirmou Carlos Lula,
Rodrigo Lago e Júlio Mendonça à reeleição
Depois de um longo flerte com a candidatura de Eduardo Braide (PSD), o PSB, comandado no Maranhão pela senadora Ana Paula Lobato e situado na oposição ao governador Carlos Brandão (MDB), voltou ao seu leito natural ao realizar a sua convenção, na terça-feira (04) e se posicionando como aliado do candidato do PT ao Governo do Estado, Felipe Camarão. O partido não lançou candidato a governador nem a senador, investindo todo o seu poder de fogo na briga por cadeiras na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.
Dentro dessa estratégia, o PSB lançou vários candidato à Câmara Federal, sendo o mais destacado deles o deputado estadual Othelino Neto, ex-presidente da Assembleia Legislativa, já apontado pelos observadores como um dos favoritos para trabalhar em Brasília a partir de janeiro do ano que vem.
A convenção dos socialistas recebeu a visita do petista Felipe Camarão, candidato a governador. Na sua fala, ele manifestou apoio total ao partido e seus candidatos e recebeu uma declaração de apoio feita pelo deputado Othelino Neto, que falou também em nome da presidente do partido, senadora Ana Paula Lobato.
A chapa para a Assembleia Legislativa terá como destaques os deputados estaduais Carlos Lula, que é vice-presidente do partido, Rodrigo Lago, que deixou o PCdoB, Júlio Mendonça e Leandro Bello. Eles têm feito oposição cerrada ao Governo Brandão, a quem acusam de coronelismo, buscarão a reeleição com um discurso oposicionista cada vez mais duro.
São Luís, 06 de Agosto de 2026.
