Operação da PF alcança familiares de Weverton e coloca candidatura à reeleição na linha de tiro

Weverton Rocha e Willer Tomaz:
amizade e negócios

Depois de uma série frenética de fatos surpreendentes – entrada e saída fugaz do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União), reviravolta da deputada federal Roseana Sarney (MDB), brandonização do ex-prefeito Hilton Gonçalo (Mobiliza) e o chega-prá-lá do Avante no deputado federal Duarte Jr., por exemplo -, a corrida ao Senado no Maranhão desemboca numa situação que vai muito além das encrencas partidárias. A nova etapa da Operação Sem Desconto, que investiga a fraude bilionária contra os aposentados do INSS, colocou ontem a Polícia Federal nas residências do senador Weverton (PDT) em São Luís e em Brasília. A operação, que tem como alvos a esposa, uma filha e duas irmãs, e também o advogado, do senador, o atinge em cheio e pode causar um estrago devastador no seu projeto de reeleição, que entra na linha de tiro, podendo causar incômodo em Roseana Sarney e no comando da campanha de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado. E com teor explosivo capaz de respingar até na corrida do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição no Maranhão.

Vale, inicialmente, um esclarecimento: embora já esteja sendo investigado nesse escândalo, o senador Weverton Rocha não foi alvo na operação desta terça-feira. Mas os investigados são a sua mulher, Samya Rocha, sua filha e suas duas irmãs, que seriam parte de um suposto esquema gigantesco de lavagem de dinheiro, destinado a dar vazão, com a aparência legal, de milhões e milhões desviados dos contracheques dos aposentados do INSS. O caso, o esquema envolve um advogado-empresário de Brasília, muito ligado pessoal, advocatícia e empresarialmente ao senador Weverton Rocha, tornando impossível separá-lo dessa teia. Isso porque é inadmissível, sob qualquer ângulo ou hipótese, imaginar que seus familiares estivessem envolvidos num caso dessa abrangência sem que ele nada tivesse a ver com o peixe.

O senador Weverton Rocha é conhecido, dentro e fora do maio político, como um quadro arrojado, dotado de habilidades diferenciadas e com uma capacidade felina de sobrevivência. E foi com esse suporte que ele reagiu, colocando-se como vítima de uma trama política destinada a prejudicar a sua candidatura. Disse o senador:

“Apesar de não ter sido diretamente alvo da Operação de hoje, eu sabia que com a minha candidatura ao Senado e com as minhas posições políticas, sofreria ataques e perseguições. Por isso eu não fiquei surpresa com a nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava que eles fossem tão longe, ao envolver aminha família e até apoiadores políticos. Apesar da minha indignação, eu recebo essa operação com a tranquilidade que me é possível, pois nada tenho a esconder. Todas as movimentações mencionadas são frutos de atividades profissionais e empresariais, e foram devidamente declaradas à Receita Federal. Eu quero ressaltar que o Ministério Público Federal foi novamente contra a busca e apreensão contra meus familiares e apoiadores. Apesar da dureza desse jogo político, eu quero aqui reafirmar que eu não me renderei e que me manterei firme no propósito lutar pelo Maranhão, trabalhando por você e pelos que mais precisam”.

A declaração do senador Weverton Rocha parece um clichê, mas ela traz interrogações que precisam ser respondidas: quem está incentivando a PF a atingi-lo e à sua família? Quem são “eles”, que agora foram “longe demais?” O que significa a expressão “mas eu não me renderei?”. Quais são, de fato, as suas relações com o advogado Willer Tomaz, que movimentou muitos milhões em seu nome – só pela conta de Samya Rocha, advogada associada ao escritório, passaram mais de R$ 11 milhões -, lhe comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília e lhe cedeu jatinho para viagens?

Sem responder a essas – e várias outras – perguntas, a manifestação do senador Weverton Rocha deixará sempre densa nuvem de interrogações no ar, o que não é nada saudável para um parlamentar da Câmara Alta em busca da reeleição.

O problema é que aqui e ali, rumores, suspeitas e agora indícios, quase evidências, que alimentam a suspeita de que o senador Weverton Rocha trilharia caminhos pouco republicanos. Até aqui, ele vinha conseguindo driblar esses sinais, mas a etapa de ontem da Operação Sem Descontos representou uma pancada muito forte, tanto no plano pessoal quando no seu projeto de reeleição. A começar pelo fato de que funcionou como munição pesada para os seus concorrentes.

 PONTO & CONTRAPONTO  

Candidato a governador, Rocha garante palanque a Flávio e diz que quer o que os Bolsonaro querem para o Brasil

Roberto Rocha fala numa convenção fria,
mas com fé no bolsonarismo

O ex-senador Roberto Rocha é o mais novo candidato a governador do Maranhão. Sua candidatura foi oficializada ontem pelo PRTB, depois de um longo período de indefinições, durante o qual ele se filiou ao Novo, mudou de objetivo e se candidatou ao Senado, tendo em seguida retomado o projeto de ser de novo candidato a governador, para, finalmente, deixar o Novo, se filiar ao PRTB, e por último se lançar candidato a governador, após uma operação partidária muito difícil de entender.

Autoproclamado o representante da direita radical bolsonarista no Maranhão e fazendo uma profissão de fé no bolsonarismo Roberto Rocha anunciou como o seu principal objetivo político montar o palanque maranhense do anfitrião do candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro, no Maranhão. Em uma das suas falas, ele reafirmou a sua estreita relação com a família Bolsonaro, elogiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado. Em relação a Flávio Bolsonaro, Roberto Rocha o cobriu de elogio, lembrando que os dois foram senadores juntos. E fez uma declaração emblemática sobre os Bolsonaro:

– O que eles querem para o Brasil, eu também quero.

Na convenção, o PRTB lançou a candidatura do político tocantino Sidônio Gonçalves (PRTB) como candidato ao Senado. E oficializou chapa à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa.

Roberto Rocha agora vai medir forças com Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT), André Luís (Missão) e Saulo Arcangeli (PSTU). E, como era previsível, escolheu o ex-prefeito de São Luís para atacar violentamente, começando por apontar Eduardo Braide como o cérebro de uma trama destinada a retira-lo da corrida eleitoral. Acusou o ex-prefeito de “comprar” o Novo para evitar que ele, Roberto Rocha, fosse candidato, primeiro ao Senado, depois a governador.

Roberto Rocha disse que sua candidatura ao Palácio dos Leões tem três objetivos principais. O primeiro é combater a violência “em todos os sentidos”. O segundo é enfrentar o crime organizado. E o terceiro ponto é o combate à pobreza. “Nós não podemos continuar vendo a política tirar proveito dessa pobreza”, declarou.

Filho do ex-governador Luiz Rocha, Roberto Coelho Rocha é empresário, foi deputado estadual, deputado federal por três mandatos, vice-prefeito de São Luís e senador da República pelo Maranhão entre 2015 e 2023. Tentou o Governo do Estado em 2018 e ficou em quarto lugar. Foi de novo derrotado nas urnas em 2022 na disputa com Flávio Dino para o Senado.

Fred Campos esclarece ação da PF, mas deixa dúvida quanto à natureza do contrato investigado

Fred Campos: mensagem com muita
propaganda de propaganda do seu
governo e quase nenhuma explicação
sobre o contrato investigado

Também alcançado pela nova etapa da Operação Sem Descontos, tendo iniciado o dia com agentes da Polícia federal tocando sua campainha, querendo esclarecimentos sobre uma bolada que uma empresa da sua família repassou a uma empresa chamada Petrus, o prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos (ainda filiado ao PSB), fez um vídeo destinado a colocar o preto no branco e encerrar o assunto.

Curiosamente, ele utilizou mais da metade da sua fala para falar das suas conquistas administrativas, que não estão sendo alvo de questionamentos nem de críticas, muito ao contrário, para só em um pequeno trecho informar que repassou à PF cópia de um documento que demonstra que o pagamento vultoso – o valor não foi informado – saiu de uma empresa familiar para a empresa Petrus, pelo arrendamento de vários postos de combustível.

– Antes de ser prefeito de Paço do Lumiar, eu sou empresário – declarou, acrescentando que as empresas da sua família geram e mantêm cerca de seis mil empregos.

Segundo o prefeito Fred Campos, não precisava a PF fazer busca e apreensão na sua residência. Bastava que pedisse o documento, que seria entregue normalmente, porque, conforme afirma no vídeo nada de errado existe no contrato de arrendamento de postos.

Afora o nítido propósito publicitário do vídeo, que termina com ele afirmando que haverá dois Paço do Lumiar, um antes e o outro depois da sua gestão, o prefeito Fred Campos deixou várias dúvidas no ar, sendo a principal a seguinte: a quem pertence a empresa Petrus e a quem arrendou os postos e pagou pelo arrendamento.

A resposta a essa indagação pode desvendar a natureza do negócio investigado pela PF.

São Luís, 05 de Julho de 2026.

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