O ex-senador Roberto Rocha, candidato ao Governo do Estado pelo PRTB, enfrenta dois desafios. O primeiro é consolidar a sua candidatura, que está sendo questionada na Justiça Eleitoral pelo Novo, ao qual esteve filiado por algumas semanas, tendo sido pré-candidato a senador e depois a governador, até revelar ao mundo que estava mesmo era filiado ao PRTB, pelo qual se candidatou a governador. O segundo é reunir em torno do seu nome e da sua candidatura os votos da direita, em especial os extratos mais radicais, identificados como bolsonaristas, corrente com a qual declarou ser inteiramente identificado. E deixou isso claro no discurso com que recebeu o apoio da corrente bolsonarista da Região Tocantina: “Eu também quero o que Bolsonaro quer para o Brasil”.
O desafio de consolidar formalmente a sua candidatura é um embate que se dá no campo judicial. O presidente do Novo, Leonardo Arruda, o acusa de agir de má fé, com dupla filiação. E diante do que considera uma ilegalidade insanável, bateu às portas da Justiça para passar essa história à limpo. Por sua vez, o ex-senador contra-ataca alegando que não há qualquer ilegalidade na sua filiação ao PRTB, que só aconteceu porque ele teria detectado um movimento para prejudica-lo no Novo. O comando estadual do Novo tem uma versão bem diferente. Mas o fato é que foi instalada uma situação de conflito que será resolvida na Justiça. E assim como pode ter sua filiação ao PRTB confirmada, e a sua candidatura a governador, Roberto Rocha corre o risco de um revés que pode deixa-lo fora das eleições de outubro.
No campo da corrida ao voto propriamente dita, o ex-senador Roberto Rocha vem se movimentando com o objetivo de ser “a voz” da direita no Maranhão e, nessa condição, tornar-se o representante e porta-voz do bolsonarismo no estado. Tanto que o seu maior projeto, como ele próprio admitiu, será trazer o candidato presidencial do PL, senador Flávio Bolsonaro, ao Maranhão, o que lhe permitirá assumir definitivamente a condição de representante do bolsonarismo em solo maranhense. Sua ideia é fazer o contrapeso aos candidatos a governador que apoiam a reeleição do presidente Lula da Silva (PT).
O problema é que no Maranhão a direita está dividida em vários segmentos. A direita pé no chão, democrática, mais próxima do centro, e que é a grande maioria desse segmento, está mobilizada em torno do projeto de candidatura, do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD). Já os segmentos de direita mais independentes, principalmente o grande grupo que segue a liderança do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, já se posicionou afirmando que não apoiará nenhum candidato a governador, deixando seus eleitores livres para cada um votar em quem quiser para presidente e governador. Roberto Rocha nunca foi referência para esses estratos, que forma uma massa eleitoral considerável e seguem firme a cartilha de Josimar de Maranhãozinho.
Além disso, o quadro de candidatos a governador conta agora com André Luís (Missão), porta-voz no Maranhão do controvertido candidato presidencial Renan Santos, e que se declara membro de uma “nova direita” cujo discurso expressa os postulados do liberalismo mais radical. Revelado no debate da Band, no domingo (09), esse candidato deixou claro que tem um projeto de poder muito bem definido, e que, pelo que foi dito, o ex-senador Roberto Rocha e seu radicalismo bolsonarista não têm espaço nele.
Político com um mandato de deputado estadual, três de deputado federal, meio de vice-prefeito de São Luís e um de senador da República, experiência que se completa com duas derrotas acachapantes nas duas últimas eleições gerais, Roberto Rocha inicia uma campanha se vendendo como o quadro “mais preparado” de um estado que “tem a pior e mais corrupta classe política do Brasil”. E para chegar pelo menos perto do Palácio dos Leões, o ex-senador precisará minar os lastros de Eduardo Braide, Orleans Brandão (MDB) e Felipe Camarão (PT), o que, pelo menos até aqui, parece inviável.
PONTO & CONTRAPONTO
Weverton mantém agenda eleitoral, mas reduz o ritmo por causa da Operação Sem Desconto
O senador Weverton Rocha (PDT) ´mergulhou` desde a nova fase da Operação Sem Desconto na qual a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra a sua mulher, Samya Rocha, uma filha e duas irmãs, em endereços dele em Brasília e São Luís.
Até agora, o senador, que busca a reeleição, só fez três manifestações, e parece ter “dado um tempo” da campanha no interior. Sua primeira reação foi a divulgação de uma nota repudiando a operação e repetindo a suspeita de estar sendo politicamente perseguido. Dias depois, se apresentou em vídeo mostrando recorte de jornais que na verdade a Operação da PF tentou alvejar o presidente Lula da Silva (PT), de quem é vice-líder no Senado.
A terceira reação, mais recente, foi uma reclamação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), de quem é muito próximo, quanto ao vazamento de uma foto na qual ele e vários políticos curtem um banho de piscina numa fazenda no interior de Goiás, pertencente ao advogado Willer Tomaz, a quem a PF aponta como parceiro de Weverton Rocha em negócios milionários e foi o principal alvo da última operação da PF.
No que diz respeito a campanha pela reeleição, o senador continua cumprindo compromissos no interior, mas é visível que ele tirou, pelo menos momentaneamente, o pé do acelerador, para se dedicar à sua defesa e dos seus familiares.
Deve retornar à campanha pela reeleição com força total nos próximos dias.
Aliados de Roseana Sarney não querem Ricardo Murad envolvido na campanha dela
O ex-deputado Ricardo Murad, que foi figura de proa no último Governo de Roseana Sarney, comandando a Secretaria de Saúde com poderes quase ilimitados, pode ter feito um cálculo errado ao contestar, duas semanas atrás, os números da pesquisa Veritá no que respeita à corrida ao Senado, na qual a deputada federal Roseana Sarney (MDB) apareceu em na quinta colocação.
Segundo Ricardo Murad, a pesquisa seria “comprada”, sem revelar quem fez a compra e quanto custou.
Publicamente, nenhum aliado, assessor ou familiar de Roseana Sarney se manifestou contra a pesquisa. Alguns que tocaram no assunto foram cautelosos, preferindo não polemizar. Internamente, não houve alvoroço, mas algumas vozes não gostaram nem um pouco da manifestação de Ricardo Murad, vendo nela uma tentativa de se reaproximar do grupo sarneysista.
Uma fonte com trânsito no grupo sarneysista revelou que no entorno de Roseana Sarney a opinião geral é contrária qualquer aproximação de Ricardo Murad durante a campanha. Esse entorno quer a eleição de Ricardo Muras para a Câmara Federal, mas recomendas que ele faça a sua campanha distante da corrida da ex-chefe dele ao Senado.
São Luís, 12 de Agosto de 2026.


