Sem Braide, debate na Band registrou disputa pelo apoio de Lula e declarações bolsonaristas

Orleans Brandão e Felipe Camarão disputaram o apoio
de Lula da Silva, e Saulo Arcangeli provocou
manifestações bolsonarista de Roberto Rocha
e André Luís se assumiu como direita

Se não foi exatamente um momento de apresentar, defender e debater propostas, o primeiro debate entre os candidatos a governador do Maranhão, realizado na noite de domingo pelo braço maranhense da rede Band de TV foi usado pelos participantes como uma oportunidade confirmar para o eleitor que essa disputa repete, com exatidão, a divisão ideológica que domina o país. Sem a participação de Eduardo Braide (PSDE), que justificou estar cumprindo agenda no interior, o debate teve Orleans Brandão (MDB) e Felipe Camarão (PT) brigando para ter o apoio do presidente Lula da Silva (PT), enquanto que Roberto Rocha (PRTB) e André Luís (Missão), se esforçaram, cada um à sua maneira, para se colocar como autênticos representantes e porta-vozes da direita. Entre os quatro, Saulo Arcangeli se reafirmou como porta-voz da esquerda radical, que tem a revolução dos trabalhadores como objetivo maior.

Orleans Brandão e Felipe Camarão não perderam nenhuma oportunidade de se apresentaram como candidatos ligados ao presidente Lula da Silva. Logo na apresentação, Orleans Brandão se colocou como aliado do líder petista, que concorre à reeleição. “Nessa eleição, vamos ter dois lados: o lado da conveniência, e o lado do povo, o lado do presidente Lula, o lado do governador Carlos Brandão”. Ele acrescentou que pretende se eleger para continuar a parceria com o presidente Lula, seguindo o exemplo do que acontece hoje com o governador Carlos Brandão (MDB)”.

Segundo a se apresentar na abertura do debate, Felipe Camarão não perdeu tempo e fez o contraponto a Orleans Brandão em relação ao presidente Lula da Silva. “Sou candidato a governador escolhido pelo presidente Lula e pelo PT com muito orgulho, o único que tem o apoio do nosso presidente”, declarou. E acrescentou: “Quero fazer pelo Maranhão o que o presidente Lula está fazendo pelo Brasil”. E completou: “Os caminhos estão colocados: de um lado o bolsonarismo, do outro uma monarquia oligárquica. Por isso, quero dizer a vocês que Lula lá e Camarão cá”.

Num outro momento, Saulo Arcangeli (PSTU), que estava muito à vontade no papel de esquerda radical, sem vínculo com nenhuma corrente, rotulou o ex-senador Roberto Rocha de “bolsonarista”. Rocha viu na provocação a oportunidade para fazer uma investida sobree o eleitorado bolsonarista, passando um denso verniz nesse viés ideológico: “Bolsonarismo é defender a livre iniciativa, a família, a pátria e a liberdade, é defender a segurança pública, é defender as Forças Armadas, combater a corrupção implacavelmente? Se for isso o bolsonarismo, eu tenho orgulho de dizer que sou de direita”.

E foi apanhado no contrapé, porque Saulo Arcangeli disparou: “Bolsonarismo é machismo, é racismo, é negacionismo, bolsonarismo é o pior mal da história, e se você está defendendo o pior da história, você nem sabe o que está defendendo”.

André Luís nem teve um forte embate com Saulo Arcangeli no campo ideológico, mas fez curvas ampla para evitar o rótulo de bolsonarista e no final do debate, se limitando a defender as teses do partido Missão, reforçando o item que programático que típico da direita tem causado muito polêmica: a regra do “prendeu, matou” como base do programa de segurança pública.

O fato é que, seja pela ausência do candidato Eduardo Braide, seja por de ter sido o primeiro debate e a maioria dos participantes estavam se confrontando diretamente pela primeira vez, o embate foi pobre em apresentação de projetos para mudar o Maranhão. Teve alguns momento em que Orleans Brandão estou fortemente Felipe Camarão, insinuando que ele estria ali como porta-voz de Eduardo Braide. E o bate-rebate de domingo na TV Band foi uma indicação clara de que os próximos debates serão de confronto direto e ácido entre os candidatos, especialmente entre Orleans Brandão, Felipe Camarão e Roberto Rocha, tendo Saulo Arcangeli como provocador.

PONTO & CONTRAPONTO

Debate na Band também foi marcado por troca de acusações, declarações polêmicas e desabafo

O debate na Band entre os candidatos a governador teve momentos de tensão, com alfinetadas e troca de acusações.

Começou com a declaração de André Luís (Missão) confirmando o ponto chave da política de segurança no seu plano para a segurança pública: o programa “Prendeu, Matou”. Diante da reação de Saulo Arcangeli (PSTU), que o criticou por esse item, André Luís justificou que o programa se baseia na tese de um jurista alemão, segundo a qual bandido não se submete às leis do país e por isso têm de morrer.

Outra passagem que chamou a atenção foi quando o ex-senador Roberto Rocha (PRTB) causou perplexidade ao afirmar, não se sabe com que autoridade técnica, que educação não pode ser iniciada com português e matemática, e que, se eleito, não haverá Secretaria de Educação, mas Secretaria do Conhecimento. Com a autoridade de ex-secretário de Educação e professor universitário, Felipe Camarão (PT) rebateu a ideia do ex-senador, afirmando que “você bolsonaristas não gostam de educação nem de arte nem cultura”.

Outro embate entre Felipe Camarão e Roberto Rocha, e se deu de forma escalonada. Primeiro, ao reagir a um ataque de Roberto Rocha a Flávio Dino, sem citar-lhe o nome, Felipe Camarão reagiu na bucha, lembrando que “foi ele que o elegeu senador”. Rocha não gostou bem um pouco da lembrança e fez outro ataque, desta vez acusando Flávio Dino de “estelionato eleitoral”, opor haver ele renunciado ao mandato der senador para ser ministro do Supremo. Felipe Camarão reagiu de novo: “Ele lhe elegeu e o derrotou de forma acachapante em 2022”. Roberto Rocha reagiu mostrando certo desapontamento.

Provocado por André Luís sobre a CPI da Assembleia legislativa em que é acusado de desvio na Secretaria de Educação, Felipe Camarão pediu e conseguiu direito de resposta. Ele acusou a cúpula governista de estar, citou o ex-secretário Raimundo Cutrim, que continua preso, como referência, e declarou, em tom de desabafo: “Já tenho decisão do Tribunal de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça contra essa patifaria contra mim”.

A troca de estocadas no debate da Band produziu a impressão de que o clima poderá esquentar nos próximos debates.

Edivaldo Jr. sofre contra-ataques por ataques a Eduardo Braide

Edivaldo Jr. teve declarações contestadas
por Douglas Pinto e Joel Nunes

O ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (MDB), candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão (MDB), saiu da posição de atacante e entrou na linha de tiro de aliados do ex-prefeito Eduardo Braide. Ele atacou o ex-prefeito Eduardo Braide em duas áreas sensíveis.

Primeiro, disparou declarações fortes contra o que seria desgastes no setor de transporte de massa, e depois entrou na mais sensível ainda área de saúde, embarcando no tiroteio sobre mortes no Hospital da Criança.

Em relação ao transporte de massa, que ele afirma haver deixado com um número de ônibus muito maior que o atual, o vereador Douglas Pinto (PSD), aliado de Eduardo Braide, e que conhece como poucos essa realidade em São Luís, informações que armazenou como repórter da TV Mirante, disparou chumbo grosso contra o ex-prefeito, desmentindo as suas declarações.

Ontem, foi a vez do vereador e ex-secretário municipal de Saúde, Dr. Joel (PSD), que também apresentou uma série de informações mostrando que no governo dele, Edivaldo Jr., morreram mais crianças naquele hospital do que agora. E faz uma afirmação de peso contra o ex-prefeito: “Infelizmente, Edivaldo Jr. mentiu”.

As réplicas foram tão contundentes, que muito provavelmente Edivaldo Jr. reagirá com uma tréplica.

São Luís, 11 de Agosto de 2026.

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