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Ministro maranhense do TCU, Raimundo Carreira vira alvo de investigação e por suspeita de corrupção

 

Foto: Jane de Araújo sexta-feira, 26 de maio de 2006 Raimundo Carreiro - Secretário Geral da mesa concede entrevista. Local: Secretaria Geral da Mesa OBS: Solicitamos sua atenção para o cumprimento da Lei do Direito Autoral n.º 5988, de 14 de dezembro de 1973, Cap. IV, Parágrafo 1º do artigo 82º, que determina: "A fotografia quando divulgada, indicará de forma legível, o nome de seu autor". O crédito deverá ser dirigido à Jane de Araújo / Agência Senado.
Raimundo Carreiro em situação delicada no TCU

É no mínimo desconfortável a situação do maranhense Raimundo Carreiro, ministro e vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), por causa da decisão de abandonar a relatoria de um processo que analisa a tentativa de acordo de leniência entre a empreiteira UTC e o Governo Federal. O gesto do ministro decorreu do fato de ele, juntamente com o advogado Thiago Cedraz, filho do presidente do TCU, Aroldo Cedraz, ser suspeito de receber propina da UTC para intervir à favor da empreiteira num processo que analisa o processo em que o acordo é proposto. A suspeita foi levantada ainda no ano passado, quando, em delação premiada, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, declarou que a empresa dele teria pagado propina ao advogado Thiago Cedraz e ao ministro Raimundo Carreiro para que eles intervissem no processo a favor à empreiteira. Thiago Cedraz e Raimundo Carreiro negam enfaticamente ter recebido propina, mas para o Ministério Público Federal (MPF) a declaração do empresário Ricardo Pessoa não deixa dúvida de que a propina foi paga.

Maranhense de Fortaleza dos Nogueira, Raimundo Carreiro chegou ao colegiado do TCU depois de ter feito carreira no Senado da República, onde exerceu vários cargos técnicos, entre eles o de chefe da Assessoria da Mesa da Casa, que foi por ele exercido por mais de uma década. Sua ascensão no Senado se deveu a dois fatores: sua condição de técnico competente e funcionário exemplar, e a “força” que sempre lhe deu o senador José Sarney (PMDB), a quem sempre foi e continua sendo muito ligado. Sua escolha para o TCU foi patrocinada pelo então presidente do Senado e do Congresso Nacional, tanto que ele se tornou conhecido como “homem de Sarney” no TCU.

Como membro da mais alta Corte de contas do país, tem se mantido com a imagem de ministro tecnicamente preparado e produtivo. A escolha dele para relatar o processo que analisa a proposta de firmar um acordo de leniência – a versão da delação premiada para pessoas jurídicas – da UTC com o Governo Federal foi feita por sorteio, realizado em junho do ano passado. Só que logo depois de definida a relatoria, veio à tona a declaração do empresário Ricardo Pessoa – considerado o grande operador do esquema de corrupção na Petrobras – afirmando que a UTC pagou propina para o advogado Thiago Cedraz, filho do presidente do TCU e lobista que atua nos bastidores da Corte, e para o ministro Raimundo Carreiro. A propina teria sido de R$ 1 milhão. A bomba estourou nos bastidores do TCU no final do ano passado, tendo Raimundo Carreiro se defendido afirmando não ter conhecimento da suspeita e que não há registro do seu envolvimento com tal trama, se é que ela existiu.

Raimundo Carreiro tratou a suspeita como um episódio mal explicado e que não teria nenhum desdobramento, principalmente diante do seu argumento de que a suposta interferência por influência do lobista Thiago Cedraz jamais existiu e de que a propina não lhe foi paga. Mas a situação começou a mudar quando, provocado pelo MPF, o STF autorizou abertura de inquérito para apurar a declaração do empresário Ricardo Pessoa nesse caso. O ministro Raimundo Carreiro se deu conta de que a situação começou a mudar acentuadamente na quarta-feira, quando o jornal O Globo o procurou para questionar a sua condição de relator um processo mesmo sob suspeita de ter recebido propina para manipulá-lo a favor da empresa UTC. Carreiro sentiu a pancada. Não respondeu à provocação de O Globo, mas comunicou oficialmente à Corte sua renúncia à relatoria do processo.

O fato é que a iniciativa de O Globo atingido em cheio a confiança que o ministro Raimundo Carreiro vinha exibindo, a começar pelo fato de que reanimou um caso que se encontrava em banho maria, tudo indicando que seu destino final seria o arquivo morto do STF. Todas as evidências dão a entender que a negativa pura e simples do ministro e do advogado Thiago Cedraz não convenceu ao MPF, que agora resolveu colocar tudo em pratos limpos.  E a situação de do ministro se tornou mais delicada por que ele, além de vice-presidente, é o corregedor da Corte, responsável, portanto, pela integridade dos seus integrantes. Se a denúncia do corrupto-mor da Petrobras Ricardo Pessoa não tiver fundamento, o ministro Raimundo Carreiro sairá ileso e continuará honrando o nome do Maranhão na mais alta Corte de contas do país. Mas se, por outro lado, ficar provado que ele escorregou no lastro ético, terá de arcar com o ônus do escorregão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Só um milagre salva Ribamar Alves da degola do cargo e da politica.

Esclarecedora e elucidativa, sob todos os aspectos, matéria do competente jornalista Gilberto Leda, publicada ontem em O Estado, sobre o futuro do prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves (PSB), e as soluções possíveis – todas envolvendo o vice-prefeito Neudo Dino (PT) – para resolver o vácuo no comando aberto com a prisão do titular sob a acusação de ter estuprado uma missionária e vendedora de livros de 18 anos. Leda foi direto na fonte certa, o presidente da Câmara Municipal de Santa Inês, vereador Orlando Mendes, que tem hoje nas mãos o poder de tomar decisões definitivas sobre o caso. Ontem foi o último dia para que a defesa de Ribamar Alves protocolasse na Câmara Municipal um pedido de 60 dias de licença, para ser avaliado e aceito ou não pela Câmara. Se o pedido foi protocolado, será apreciado na segunda-feira. Se for acatado, Ribamar Alves escapará da degola e ficará afastado por dois meses. Se o pedido for recusado, a Câmara votará imediatamente projeto de decreto legislativo que declarará a vacância do cargo. Nesse caso, Alves deixará de ser prefeito de Santa Inês no momento em que o resultado da votação for proclamado pela Mesa da Câmara. Nos dois caso o cargo será assumido pelo vice-prefeito. Detalhe importante: se a maioria dos vereadores aprovar o pedido de licença, isso não significa que um vereador ou um grupo de vereadores apresente um projeto de decreto legislativo declarando vacância do cargo. Ou seja: dificilmente Ribamar Alves continuará no comando da Prefeitura de Santa Inês, o que significa dizer que sua carreira acabou, sem qualquer possibilidade de uma reviravolta que inverta o curso iniciado quando ele foi preso há duas semanas, quando veio à tona aquele que muitos já avaliam como o maior escândalo da História de Santa Inês. Sua única chance de sair inteiro do caso é se a moça que o acusou de estupro voltar atrás e dizer que não foi bem assim, mas a julgar pelo que aconteceu até isso seria um milagre.

 

São Luís, 12 de Fevereiro de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

Em meio a adversários politicamente perdidos, Edivaldo Jr. consolida seu projeto de reeleição tomando decisões certas

 

 

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Edivaldo Jr. deixou mais o gabinete e agora se dedica à obras

Por mais que seus adversários tentem minimizar o seu poder de fogo, até aqui e faltando oito meses para as eleições, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) é o candidato à Prefeitura que se apresenta com maior consistência política e potencial eleitoral. No plano político e  no campo partidário, o prefeito não cometeu até aqui nenhum erro, e todos os seus movimentos serviram exatamente para fortalecer a sua candidatura. Também no campo administrativo, se não faz um governo de grandes realizações, comanda uma administração que trabalha a sério, realizando a obra possível num contexto de crise, sem fanfarronice faraônica. Além disso, até agora o prefeito Edivaldo Jr. faz um governo sobre o qual tem controle absoluto, com um bom nível de transparência e, mais do que isso, sem o registro de casos de desvio ou malfeitos por parte dos secretários e funcionários subalternos. Enfim, caminha para as urnas como um dirigente que está em condições de encarar o eleitor e pedir voto para renovar o mandato.

No campo político, o prefeito Edivaldo Jr. transita com muita segurança, mantendo, de um lado, uma relação sem tensões ou traumas com a Câmara Municipal, onde tem adversários duros e implacáveis – Fábio Câmara (PMDB) e Rose Sales (PV), para citar apenas dois que também estão também movidos pelo objetivo de disputar a Prefeitura -, mas também conta com uma folgada maioria de aliados. Nessa seara, o prefeito de São Luís costurou e preserva a sua aliança com o governador Flávio Dino (PCdoB), o que tem lhe assegurado um bom volume de recursos para obras importantes, como a melhoria e ampliação da malha viária de São Luís. Além disso, a parceria com o Palácio dos Leões tem fortalecido os laços políticos com o governador Flávio Dino, sendo compensada com o apoio quase incondicional da base política do governador à sua candidatura à reeleição.

Edivaldo Jr. também vem fazendo tudo certo no campo partidário. Quando muitos esperavam que ele tropeçasse na escolha do partido para tentar o segundo mandato, pois não mais havia justificativa para permanecer no PTC, um partido sem futuro algum, ele surpreendeu o mundo político e desembarcou no PDT. Com a guinada, não só resolveu sua pendência partidária, como se tornou figura de proa e candidato de um partido que conhece como nenhum outro o mapa eleitoral de São Luís, tanto que conquistou quatro mandatos de prefeito entre 1988 e 2004 – três de Jackson Lago e um de Tadeu Palácio -, como também fez um governador de Estado em 2006 – Jackson Lago. Edivaldo Jr. não só se filiou ao partido, como vem se engajando decisivamente na vida da agremiação fundada por Jackson Lago e Neiva Moreira e hoje comandada pelo jovem e arrojado deputado federal Weverton Rocha, líder do PDT na Câmara Federal e que está mobilizando a agremiação em torno da candidatura do prefeito à reeleição. Qualquer avaliação sobre o seu ingresso no PDT concluirá que ele fez um gol de placa. À mesma conclusão chegam os líderes pedetistas, que veem na figura do prefeito Edivaldo Jr. um reforço e tanto para dar ao PDT o peso político e eleitoral de antes.

Ao mesmo tempo em que vem acertando todas nos campos politico e partidário, o prefeito de São Luís também vem jogando certo no campo administrativo. Depois de enfrentar dois anos de quase paralisia e, por causa disso, uma forte pancadaria, Edivaldo Jr. acertou o prumo e o ritmo e está dando a volta por cima. Gargalos traumáticos como as áreas de saúde, educação e mobilidade vinham atropelando a atual gestão, mas agora, depois de serem controladas, começam a viver uma realidade nova, fruto de uma gestão mais racional e eficiente. Nessa nova fase administrativa, o prefeito vem mostrando, por exemplo que a mobilidade em São Luís não depende apenas de transporte de massa. Uma série de intervenções no trânsito está mostrando que é possível dinamizar mais o fluxo de veículos com simples reestruturação de vias e de fluxo. Os problemas da saúde estão sendo atacados em parceria com o Governo do Estado. Enfim, São Luís está vivendo um novo momento administrativo, o que dá ao prefeito autoridade para pedir ao eleitorado um novo mandato. Essa autoridade é reforçada pelo alto grau de transparência do seu governo, sobre o qual não circulam informações acerca de desvios, malfeitos ou corrupção; ao contrário, o que é corrente é que Edivaldo Jr. realiza um governo comprometido com a correção no uso do dinheiro público.

Nenhum outro postulante ao cargo de prefeito da Capital está tão política e partidariamente organizado como Edivaldo Jr.. Para se ter uma ideia da distância que ele se encontra dos demais concorrentes, o seu adversário mais próximo, a deputada federal Eliziane Gama, hoje na Rede, que ainda lidera, agora por poucos pontos, a corrida às urnas, não sabe por qual partido oficializará sua candidatura, já que tudo está indicando que a transferência dela do PPS para a Rede caminha para ser um grande erro de avaliação política. E quase todos os demais nem sabem se serão candidatos. Daí a avaliação de que o prefeito Edivaldo Jr. já conseguiu a faca e está muito próximo de por a mão no queijo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino pede pressa no projeto de sediar a 2ª Frota da Marinha em São Luís
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Rubens Jr., Flávio Dino, Aldo Rabelo, José Reinaldo Tavares e Carlos Brandão no Ministério da Defesa, após a audiência

O governador Flávio Dino não perdeu tempo com a ressaca carnavalesca. Ontem ele amanheceu em Brasília, onde cumpriu agenda intensa em quatro ministérios: Defesa, Saúde, Planejamento e Minas e Energia. Fez a maratona acompanhado do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), dos deputados José Reinaldo Tavares (PSB) e Rubens Jr. (PCdoB)

No Ministério da Defesa, reuniu-se com o ministro Aldo Rabelo, seu colega de partido, o PCdoB, e com quem tem relações muito próximas. A audiência o governador tratou de dois assuntos com o ministro. O primeiro foi sobre o projeto de instalação no Maranhão, nas proximidades de São Luís, de uma grande base naval para abrigar e sedia a 2ª Esquadra da Marinha no Maranhão, projeto que nasceu ainda no Governo do presidente Lula e que vem sendo amadurecido no Governo da presidente Dilma Rousseff, já tendo inclusive confirmado por estudos técnicos realizados pela Marinha. “Precisamos dar prioridade na implantação dessa estrutura, levando em conta o interesse da população maranhense e brasileira”, disse o governador, recebendo a concordância do ministro Aldo Rabelo.  O outro item da audiência foi o projeto de implantação de uma unidade do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) no estado, que também não é de agora e vem sendo amadurecido desde o Governo José Reinaldo, que vem batendo nessa tecla como deputado federal. O governador e ministro também trataram de investimentos necessários para seu funcionamento. E destacaram a relevância que tal unidade terá, em associação com a Base de Lançamento de Alcântara, para um projeto de desenvolvimento da política aeroespacial brasileira e da economia do estado. “Alcântara já está consolidada como parte central de nossa política aeroespacial e, portanto, é candidata natural à expansão do ITA”, assinalou o ministro da Defesa.

 

ZikaVirus, Itaqui e Energia

No Ministério da Saúde, o governador Flávio Dino tratou com o ministro Marcelo Castro dos detalhes do plano de combate ao mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, do ZikaVirus e da febre chikungunya. Uma mobilização especial foi lançada esta semana também em âmbito federal e contará com a presença do ministro-chefe da Casa Civil, Jacques Wagner, em São Luís amanhã (12). O governador pleiteou o aumento dos repasses de recursos federais ao Maranhão, baseado em estudo que mostra o Maranhão como um dos estados que recebe menor investimento per capta federal em saúde.

Com o ministro do Planejamento, Valdir Simão, responsável pelo gerenciamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as pautas foram a duplicação da BR-135 e os leilões para investimento privado em novas áreas do Porto de Itaqui. O governador destacou os resultados positivos apresentados pela EMAP em 2015 e detalhou ao ministro os planos de ampliação do Complexo Portuário de São Luís.

A agenda terminou com o ministro Eduardo Braga, titular da pasta de Minas e Energia, de quem o governador  Flávio Dino cobrou ações efetivas para  desentravar investimentos privados previstos para o estado  o setor energético.

 

Justiça mantém prefeito de Santa Inês na cadeia
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 Alves: situação complicada

Fica cada dia mais complicada a situação do prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, preso no dia 29 de janeiro acusado de estrupar uma missionária vendedora de livros em um motel. Durante o plantão judiciário do Carnaval, o desembargador Raimundo Melo não considerou como matéria de urgência dois pedidos de habeas corpus e uma cautelar inominada, que pediam a liberdade dele. No entendimento do magistrado, que costuma ser severo com esses casos, os pedidos não tinham a urgência necessária para que fossem analisados no plantão, uma vez que já tinham sido apreciados, tanto pelo plantonista anterior – desembargador José de Ribamar Castro -, quanto pelo relator do processo, desembargador Vicente de Paula Gomes.  As alegações levantadas pela defesa – como o excesso de prazo na prisão do gestor municipal – não convenceram o desembargador Raimundo Melo. Outro recurso – um pedido de habeas corpus -, impetrado no sábado (6), também não foi concedido pelo Ribamar Castro e Raimundo Melodesembargador José de Ribamar Castro, que respondeu pelo plantão de sexta-feira (5) a domingo (7). No plantão do desembargador Raimundo Melo, na segunda-feira (8), foram recebidos mais três recursos interpostos pela defesa do prefeito de Santa Inês, além de uma petição intermediária e um habeas corpus, que foi indeferido pelo plantonista. Raimundo Melo responderá pelo plantão judiciário do 2º Grau até a madrugada de segunda-feira (15).

 

 

 

 

 

 

PMDB, PSDB e PSB mergulham nas diferenças internas e não conseguem definir rumos para chegar à Prefeitura de São Luís

 

Três partidos importantes no tabuleiro do xadrez político do Maranhão chegam ao pós-Carnaval mergulhados num surpreendente clima de indefinição em relação à corrida para a Prefeitura de São Luís. PMDB, PSDB e PSB caminham para o processo eleitoral como agremiações em crise, sem comandos efetivos que definam o rumo que elas seguirão. Parece sofrer as consequências de lutas internas, que tiram o poder de decisão das suas cúpulas e passam para o eleitorado a impressão de que as dificuldades de entendimento doméstico são maiores do que as suas condições de enfrentar adversários na corrida às urnas. Para muitos, é inacreditável que essas agremiações partidárias exibam tanta fragilidade  a oito meses de eleições que serão decisivas para o futuro de cada uma delas, já que a força principal dos partidos está no número de prefeitos e vereadores que detém. Nesse contexto, tem peso importante no portfólio de um partido eleger o prefeito da Capital ou, pelo menos, sair das urnas com seu candidato a prefeito embalado por uma boa votação, numa demonstração de força eleitoral. PMDB, PSDB e PSB parecem desligados desses itens que formam a grande equação que fortalece os partidos.

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Câmara só vai se se viabilizar diz João Alberto

O PMDB é, ainda, o maior e mais forte partido político do Maranhão, com um bom número de prefeitos e vereadores e com poder de fogo para se dar bem num expressivo número de prefeituras. Em relação a São Luís, o partido poderia ter definido uma estratégia capaz de lançar um candidato em condições de disputar de igual para igual com o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e com a deputada federal Eliziane Gama (Rede). Com seus medalhões – Roseana Sarney, João Alberto, Lobão Filho, Ricardo Murad e Max Barros – de fora, o partido não soube selecionar quadros da nova geração para avançar. Mandou o deputado Roberto Costa, seu nome mais promissor na Capital, disputar a Prefeitura de Bacabal, não deu importância às pertinentes provocações da deputada estadual Andrea Murad e teve de se dobrar à saudável ousadia do vereador Fábio Câmara. Só que imediatamente após entregar o braço municipal do partido a Câmara, o senador João Alberto declarou, em entrevista a O Imparcial, que o vereador terá de se viabilizar, porque o partido também avalia a possibilidade de entrar no cordão partidário puxado pelo prefeito Edivaldo Jr.. Não estivesse com aspas, seria difícil acreditar que o presidente do partido deu tal declaração. Em resumo: no momento, o PMDB está dizendo que se Fábio Câmara não se mostrar viável, o partido baterá às portas do Palácio de la Ravardière e oferecerá sua força ao prefeito.

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Castelo e Brandão em posições diferentes no PSDB

No PSDB a situação é parecida, com a diferença que o partido tem um candidato forte e competitivo, o ex-prefeito e atual deputado federal João Castelo. A situação no ninho dos tucanos é a seguinte: de um lado, João Castelo e um grupo expressivo do partido brigam para lançar o ex-prefeito como candidato; de outro o presidente da agremiação, vice-governador Carlos Brandão, puxa brasa para levar os tucanos para as fileiras do prefeito Edivaldo Jr.. O movimento de Castelo tem a simpatia do tucanato nacional, que já emitiu vários sinais de que o quer como candidato. No contrapeso, Brandão se desdobra para manter o partido na esfera de influência do governador Flávio Dino (PCdoB), que trabalha discretamente pelo fortalecimento do prefeito. Muitos tucanos de proa e a ala mais jovem do partido começam a agir em defesa do projeto de candidatura de João Castelo. Os partidários da posição defendida pelo vice-governador já dão como certa a aliança do PSDB com o PDT. Mais ainda: se levar a melhor, o vice-governador Carlos Brandão levará só metade do partido para Edivaldo Jr., porque Castelo até hoje não digeriu a derrota de 2012 e, provavelmente com seu grupo, declarará apoio a outro candidato.

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Pindaré (centro) depende de Rocha e José Reinaldo

O caso mais curioso é o do PSB, que, ao contrário do PMDB – que tem um pré-candidato que precisa viabilizar – se – e do PSDB – que tem um candidato forte, mas sem o apoio da cúpula – está em crise exatamente por ter vários candidatos com nome e força política e potencial eleitoral para participar da corrida sucessória em São Luís: o senador Roberto Rocha, o deputado estadual Bira do Pindaré e o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares. O aspirante mais assumido é Bira do Pindaré, que tem dito e repetido que quer ser o candidato do PSB, mas os seus acenos não estão sensibilizando os comandantes do partido. O senador Roberto Rocha andou declarando, sem muita convicção, que pode ser candidato, mas nos bastidores o que corre é que ele quer mesmo é emplacar o vereador Roberto Rocha Filho como candidato a vice- prefeito numa chapa forte, que pode ser a do prefeito Edivaldo Jr. ou a da deputada Eliziane Gama. Já o ex-governador José Reinaldo, que poderia ser o candidato a prefeito, já declarou apoio à Eliziane Gama, deixando claro que não fecha com Roberto Rocha nem com Bira do Pindaré. Recentemente, Pindaré ouviu da direção nacional do PSB, em Brasília, que o partido tem de ter candidato em São Luís, mas a manifestação foi recebida com absoluta indiferença pelo senador Roberto Rocha e pelo deputado federal José Reinaldo. Bira do Pindaré já trabalha com a possibilidade de mudar de partido para ser candidato.

É verdade que o jogo para a definição de candidaturas começa agora, mas nada indica que PMDB, PSDB e PSB resolvam suas diferenças e escolham candidatos num processo normal.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Troca de nomes: parece antipática, mas é legal
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Dino faz certo, mas Sarney sofre danos

O governador Flávio Dino está pagando preço alto por cumprir uma regra constitucional já regulamentada por Lei Federal: renomear prédio ou espaço público batizado  com nome de pessoas vivas. De acordo com levantamento feito pelo jornalista Diego Emir, nada menos que 37 estabelecimentos públicos já foram rebatizados. Chama atenção, naturalmente, que o ex-presidente José Sarney tenha tido seu nome retirado de sete estabelecimentos, para que esses recebessem novos nomes. Mesmo levando em conta o fato de que a mudança está rigorosamente assentada em bases legais e que não há como contestá-la, rebatizar uma escola de periferia porque ela se chamava José Sarney parece não fazer sentido algum. Afinal, o José Sarney político foi deputado federal, governador do Maranhão, senador, presidente da República e presidente do Senado da República e do Congresso Nacional quatro vezes; e o Sarney intelectual é escritor consagrado, com livros publicados em quase uma dezena de idiomas, o que o levou à Academia Brasileira de Letras. Não existe na história do Maranhão alguém com uma biografia mais rica, o que lhe dá estatura suficiente para nomear qualquer prédio público no Maranhão. Mas existe um ditame na Constituição Federal que proíbe esse batismo, e não há como reverter isso, já que a norma é explícita e não deixa brecha para exceções. Assim, independente do ânimo que está lhe  movendo, se aprova ou não a regra o governador Flávio Dino está fazendo o que manda a lei. O que muita gente avalia é que essa regra é tola, burra e absolutamente inócua. Bastaria a definição de alguns critérios bem pensados e por meio dos quais se evitaria, por exemplo, que o prédio do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão fosse batizado de “Governadora Roseana Sarney Murad”. (No caso, primeiro pecaram grosseiramente os conselheiros de então – parte deles ainda está no Tribunal – ao escolher o nome da nova casa. Depois, pecou a própria governadora, que talvez mal aconselhada pela vaidade, não chamou os chefes da Corte à razão e ao bom senso, correndo o risco de amargar o vexame que amargou ao ver seu nome apagado da fachada da sede do TCE). Critérios bem amarrados inibiriam os excessos e evitaria o constrangimento. Identificar os decretos do governador do Estado tratando dessa troca de nomes como perseguição política não é correto. É chato, constrangedor, parece retaliação, mas é uma medida legal, em relação à qual não cabe discussão.

 

 

 

Mirando a Prefeitura de São Luís, Sérgio Frota pode entrar no PSL e melhorar o nível da disputa

 

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Sérgio Frota pode injetar mais ânimo na corrida à Prefeitura

A disputa pela Prefeitura de São Luís pode ganhar uma forte injeção de ânimo e ter alterado o cenário em que atualmente estão consolidados o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e a deputada federal Eliziane Gama (Rede) se o deputado estadual Sérgio Frota, hoje no PSDB, entrar na briga para passar quatro anos no gabinete principal do Palácio de la Ravardière. Registrada em primeira mão no bem informado blog do jornalista Marco D`Eça, a possibilidade de Sérgio Frota vir a ingressar no PSL, a convite do seu presidente, vereador Chico Carvalho, com o projeto de ser candidato a prefeito chega no contexto da disputa como uma lufada de vento politicamente saudável. Primeiro porque entra no campo de enfrentamento eleitoral um político de cabeça arejada, que parece não estar contaminado pelos vícios e ranços da velha prática; e depois porque é um vencedor, adjetivo apropriado pelo vem realizando como empresário, pelos bons resultados eleitorais e, principalmente, pela guinada que vem dando no futebol maranhense capitaneando o Sampaio Corrêa.

Se vier mesmo a se inscrever como candidato a prefeito de São Luís, o deputado Sérgio Frota entrará na briga com alguns recursos que podem fazer diferença e colocá-lo em posição bem situada entra os pré-candidatos. O primeiro deles, é claro, a condição de presidente bem sucedido do Sampaio Corrêa que saiu do limbo e hoje disputa título com o Vasco da Gama e o Fluminense na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, podendo, por isso, atrair um caminhão de votos da maior torcida do futebol de São Luís. Frota também pode montar um bem armado grupo de apoio na Câmara Municipal, já que saiu do Palácio Pedro Neiva de Santa como um quadro que ali construiu boas relações, podendo contar com raposas felpudas da política municipal, como o vereador Chico Carvalho, que está oferecendo-lhe legenda, e o parceiro dele no PSL, o vareador Isaías Pereirinha – os dois conhecem como poucos o caminho das pedras por onde se chega ao eleitorado da São Luís da periferia.

No leque de recursos que podem embalar sua possível candidatura, Sérgio Frota – que é membro de uma família com história no universo comercial de São Luís -, é bem visto no meio empresarial, principalmente na esfera das empresas de médio porte, onde ocupou e consolidou um espaço respeitável como prestador de serviços na área de informática. Dispõe aí de um amplo ambiente para interlocução e ampliação do seu raio de ação política e com desdobramentos eleitorais. Frota tem bom trânsito também no meio artístico, e entre os candidatos nenhum tem estatura com parável à dele na seara esportiva, especialmente a do futebol. Nesse particular, o deputado ainda tucano se movimenta como uma espécie de mandarim, respeitado e admirado até mesmo pelos seus adversários, pois todos avaliam que ao turbinara Bolívia, ele estimula os de mais clubes a procurarem meios de entrar nesse embalo e com isso elevar o nível do futebol maranhense.

O namoro com o PSL vem do fato de que Sérgio Frota está no meio de uma guerra dentro do PSDB, onde o presidente do partido, vice-governador Carlos Brandão, quer os tucanos engajados ao projeto de reeleição do prefeito Edivaldo Jr., e o deputado federal e ex-prefeito João Castelo quer entrar na disputa para tirar a prova dos noves com o prefeito nas urnas. Se entrar nessa guerra, Frota pode ser atropelado pelos tucanos mais emplumados, já que seu projeto de disputar a prefeitura entra em choque com os dois maiores caciques do partido. Nesse caso, o caminho mais seguro para sair candidato a prefeito será aproveitar a janela e mudar de partido sem o risco de perder o mandato. O PSL pode ser esse caminho.

Sérgio Frota sabe que se entrar na disputa majoritária o fará sem a mola do favoritismo nem numa posição confortável. Isso significa dizer que terá de construir, palmo a palmo, a estrada em direção à Praça Dom Pedro II e enfrentando candidatos pesos pesados como o prefeito Edivaldo Jr., que já ameaça alcançar a liderança nas pesquisas, a deputada Eliziane Gama, que ainda não deslancho e perde pontos a cada levantamento, e o ex-prefeito João Castelo, que se ganhar o PSDB entrará na corrida com dois dígitos de intenções de voto. É um grande desafio formado por vários obstáculos, que pode levá-lo a um bom desempenho ou a um tropeço gigantesco na sua incipiente mas até agora bem sucedida caminhada política. Mas para quem colocou o “Mais Querido” durante dois anos entre os 10 melhores da Segundona do Brasileirão, o desafio de chegar à prefeitura de São Luís é como um campeonato em que vence quem souber se movimentar melhor.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Especial: artistas homenageiam artistas e militante
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Chico Coimbra, Magno Cruz e Nelson Brito homenageados…

Os organizadores do que foi batizado como “Carnaval de Todos” reforçaram o traço cultural da festança ao dar batizar palcos do circuito da folia na Madre Deus nomes de artistas, compositores e militantes culturais, numa homenagem que em alguns momentos provocaram fortes emoções nos artistas que se apresentaram e nos foliões que identificaram os homenageados.

Cantor e compositor que não dissocia arte de militância social, César Teixeira conviveu com algumas das pessoas homenageadas nos espaços destinados a programação do “Carnaval de Todos”. Após a apresentação no palco “Magno Cruz”, batizado em homenagem um ex-companheiro de caminhada na Sociedade Maranhense de Defesa de Direitos Humanos (SMDH), o autor de “Oração Latina”, considerado um hino dos movimentos sociais no Maranhão, definiu como um reconhecimento merecido a homenagem a pessoas como Magno Cruz, cuja história de vida foi marcada pela militância aguerrida que se concretizou em ações importantes como a atuação na fundação do Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN).

Além de César Teixeira que apresentou-se no primeiro dia de programação do Carnaval promovido pelo Governo do Maranhão e Prefeitura de São Luís, outros nomes de grande relevância no cenário cultural do Estado também viveram um momento especial a se apresentarem em espaços que homenageiam pessoas com as quais tiveram o privilégio de conviver como é caso de Nelson Brito, um dos fundadores do Laborarte (Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão) e que este ano foi incluído no circuito oficial do carnaval.

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…César Teixeira, Josias Sobrinho e Joãozinho Ribeiro no Carnaval

Autor de clássicos da música maranhense como “Engenho de Flores” cantada mais cedo no circuito Chico Coimbra, durante a apresentação do Bloco Tradicional “Os Baratas”, Josias Sobrinho foi uma das atrações do show realizado na noite da segunda-feira de Carnaval no palco “Nelson Brito”. Antes de subir ao palco, ele relembrou o período em que conviveu com Nelson Brito na caminhada de construção do Laborarte. “O nome Nelson Brito concretiza muitas das coisas que a gente observa hoje por aqui. Era meu amigo, estivemos juntos na luta pela consolidação do Laborarte ele representa esta luta constante pela valorização da cultura popular e me sinto honrado em cantar em um palco que recebe o nome de alguém que tanto contribuiu para a cultura maranhense”, comentou.

Nem mesmo a forte virose que ameaçou deixá-lo afônico no dia do show, impediu que Joãozinho Ribeiro, subisse no palco “Nelson Brito” para reverenciar a memória de um amigo homenageado. “Esta homenagem premia toda uma história de militância em prol da cultura popular e é muito gratificante ter a oportunidade de se apresentar neste palco ao lado de outros grandes artistas”, ressaltou.

A canção que abriu o show, a clássica “Te Gruda no Meu Fofão”, composta por Joãozinho Ribeiro para uma peça teatral do Laborarte, que tinha entre outros objetivos alertar de forma satírica para a necessidade de valorização do carnaval maranhense, enaltecendo-o através dos personagens e brincadeiras que fazem da festa de Momo no Estado algo que não se encontra em outra parte do país.

Antes de começar o show, Joãozinho Ribeiro pediu desculpas por conta da voz, prejudicada pela virose, mas disse que não poderia deixar de se apresentar em um palco que leva o nome de uma pessoa que tem uma grande importância para o carnaval e a cultura maranhense. “É muita honra se apresentar aqui neste palco, que recebe o nome de Nelson Brito”.

Ao comentar a homenagem prestada a Magno Cruz, que além de militar no Centro de Cultura Negra (CCN) militou também no movimento sindical, César Teixeira ressaltou que este tipo de atitude por parte do poder público simboliza o reconhecimento a uma vida pautada pela militância em prol de uma causa coletiva. Quando Magno Cruz faleceu em 2010, César Teixeira ressaltou que pessoas cuja vida foi marcada pelo comprometimento com questões como as que eram abraçadas por Magno Cruz permanecem vivas na lembrança de quem compartilha estes mesmos compromissos e afirmou que a “memória não morre”.

Magno Cruz e Nelson Brito fazem parte do time de 19 pessoas que em suas diversas áreas de atuação deram contribuição importante para a cultura maranhense por isto mereceram este reconhecimento na homenagem prestada no “Carnaval de Todos”. Como diria a clássica canção de César Teixeira, é preciso dizer sim “a quem nos quer abraçar, a quem nos quer acolher” e cada uma destas pessoas teve uma trajetória de vida, marcada por gestos concretos de comprometimento com a cultura popular maranhense.

 

São Luís, 10 de Fevereiro de 2016.

Bicho Terra anima o Carnaval de São Luís e arrasta multidões com alegria e celebrando a vida

 

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Personagens do Bicho, os criadores Godão e Bulcão , os cantores Inácio e Brandão e multidão sendo arrastada pelo grupo

Já era uma verdade absoluta apontar o Carnaval de São Luís como “o terceiro melhor do Brasil”. E medição e comparações à parte, nenhum argumento tem o poder de negar essa verdade quando é lembrado que a magia carnavalesca da hoje Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade é feita pelo peso rítmico dos blocos tradicionais, pela imagem e o andar desengonçado dos fofões de máscaras horrendas e bonequinhas nas mãos, pelo batuque refinado do Fuzileiros da Fuzarca, pelas tribos de índio, enfim, por grupos carnavalescos ímpares, não encontrados em nenhuma outra região do país do Carnaval. Essa originalidade incontestável manifestada no reinado de Momo em São Luís ganhou força e se consolidou definitivamente com a explosão de alegria trazida para as ruas de São Luís, especialmente as da Madre Deus, com a chegada espetacular do Bicho Terra, uma das três óperas de céu aberto criadas, alimentadas e já eternizadas pela Companhia Barrica de Teatro de Rua e que neste reinado de Momo completa um quarto de século de feliz existência.

Nada se compara ao Bicho Terra no embalo que agita milhares de foliões por onde passa. Seja no Largo do Caroçudo e suas imediações, seja no Circuito Deodoro/Madre Deus ou ainda no palco do Ceprama ou também em muitos outros espaços abertos e fechados, o Bicho Terra arrasta multidões numa alegria explosiva e incontida e leva plateias ao êxtase. Seus personagens, vestidos de fibras coloridas e lembrando entes da nossa rica fauna, entre eles o próprio homem, são saudados, aplaudidos e em certa medida reverenciados pelos milhares de alegres e fiéis seguidores nas noites do reinado momesco na Madre Deus ou fora dela. Dão-lhes vida e graça artistas identificados com a originalidade cultural do bloco e por isso, quando se entregam ao bailado ao mesmo tempo frenético e elegante do Bicho, levam aos foliões mais do que uma simples animação carnavalesca, pois seu canto e sua dança contagiam mesmo quem se imagina apenas um espectador.

Onde, além das marchinhas tradicionais do Carnaval brasileiro do tipo “Olha a cabeleira dom Zezé”, multidões entram em êxtase quando ouvem “Enlouqueço amor, essa menina tem cheirinho de praia, essa menina tem cheirinho de praia. Eu não consigo me controlar, esse ciúme vai às raias da loucura. Quando ela passa com graça, fazendo pirraça, e a turma da praça fazendo fiufiu, fiufiu e dizendo: é gostosa, é gostosa, parece um avião, meu coração vai explodir…”, marchinha nascida da genial e produtiva parceria de Zé Pereira Godão e Luis Bulcão? E quem consegue manter-se  parado ao ouvir “Costela de Adão”, “Vou passear”, “Doidinha”, “Trem do Bicho”, “Beija-Flor”, “Chamego”, “Canguru” e muitas outras do seu repertório nas vozes de Inácio e Brandão, imortalizadas no cancioneiro carnavalesco? O Bicho anima o folião de qualquer gênero ou idade com uma poesia limpa, pura, que é leve, mesmo nos trocadilhos e duplo-sentidos maliciosos comuns às letras momescas, e por isso cativa multidões e tempera a folia com insuperáveis ingredientes poéticos e melódicos que tornam ímpar a música que move o folguedo.

Se fosse apenas um bloco carnavalesco como tantos outros, o Bicho Terra já seria um grupo especial, diferenciado e que se imortalizaria pela contribuição que dá a todos os aspectos que envolvem o Carnaval. Mas o Bicho é muito mais, principalmente pelo fato de que sua existência é inspirada na consciência cidadã contemporânea, pois é ao mesmo tempo um grito de protesto e de alerta relacionado com a vida em todos os seus vieses. Poucos movimentos preservacionistas conseguem clamar por mais cuidados com a vida no planeta com mais eficiência do que o Bicho Terra. O grupo atua de maneira politicamente correta, sem o falatório cansativo e sem consequência dos ecochatos e sem abrir mão da alegria.

Rebento caçula da Companhia Barrica de Teatro de Rua, fruto da genial invenção de Zé Pereira Godão e Luiz Bulcão fundada em 1985, o Bicho Terra nasceu no Carnaval de 1991 do século passado, trazendo para o reinado de Momo a alegria politicamente correta e encantada que o primogênito Boizinho Barrica trouxera para as festas juninas e a Natalina da Paixão acrescentara nas festas natalinas de São Luís. E não é exagero afirmar que depois do Bicho Terra com seus personagens de fibra, a sua música rica e contagiante interpretada pelas vozes mágicas e singulares de Inácio e Brandão, o Carnaval da São Luís de tantos encantos nunca mais foi o mesmo. E com uma vantagem excepcional: não disputou espaço com nenhuma outra manifestação carnavalesca, encaixando-se por inteiro no roteiro anual da folia, dando a ela mais melodia, mais poesia, mais emoção. E com o diferencial de que celebra a vida.

 

 

São Luís, 7 de Fevereiro de 2016.

 

 

 

Unidos de Fátima volta à Passarela do Samba para fazer história contando a trajetória do gigante Jackson Lago

 

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Jackson Lago comemora vitória histórica para governador

O Carnaval de São Luís tem sido pródigo em homenagear figuras importantes da vida maranhense, já tendo levado para os aplausos na avenida personagens da vida real maranhense cuja importância está acima de qualquer discussão: a médica e revolucionária Maria Aragão, o ex-presidente da República José Sarney, a maga da cozinha Edimé Duailibe, o genial poeta Nauro Machado, o pai-de-santo Bita do Barão, o poeta e cronista José Chagas, entre muitos políticos, artistas, intelectuais, escritores, poetas, profissionais liberais, e por aí vai. Neste Carnaval, a Escola de Samba Unidos de Fátima fará um resgate que certamente entrará para a História das escolas de samba do Maranhão ao homenagear, in memorian, o médico e político Jackson Lago, que entre vitórias e derrotas chegou ao Governo do Maranhão. Sua trajetória, uma das mais ricas entre os políticos maranhenses, será contada no enredo “Jackson Lago… de Pedreiras ao Carcará da Ilha Rebelde. A Unidos conta a sua história”. A ex-primeira-dama Clay Lago, que com ele viveu o que amigos do casal definem como “uma bela história de amor”, se emocionou com a decisão da escola de homenagear o ex-governador e certamente participará do desfile em lugar de destaque.

Para começar, a Unidos de Fátima se fortaleceu como escola como uma espécie de braço do PDT no Carnaval de São Luís, fazendo contraponto com a Flor do Samba, agremiação apontada como a representação do Grupo Sarney no grupo das escolas. A “Unidos” tinha  a cara do brizolismo local, sempre torcendo o nariz para o poder e sempre puxando seus enredos temas mais próximos ao universo da esquerda no Maranhão. Tanto que viveu seus anos supremos de campeã quando a figura política de Jackson Lago estava no poder. Mesmo pessoalmente arredio à festança momesca, o Jackson Lago prefeito e governador foi um incentivador do Carnaval. E é exatamente por ter sido ele o apoiador e inspirador dos seus enredos que a “Unidos” resolveu romper um isolamento de três carnavais, reunir meios e voltar à passarela mostrando o médico e o homem público que foi seu patrono.

Jackson Lago foi um gigante na História do Maranhão, com participação destacada e decisiva também no cenário nacional. Pedreirense nascido em 1º de novembro de 1934, foi um dos fundadores e líderes do PDT. E fez isso sem deixar de lado um competente exercício da medicina como cirurgião nos hospitais de São Luís, nem o de professor na Universidade Federal do Maranhão, contribuindo decisivamente para a formação de várias gerações de bons médicos. Apesar de todas as suas exigências e caprichos, a História não conseguiu separar o médico do político, pois eles viveram mais de cinco décadas em total harmonia. O gigante que foi na política, fundando e promovendo o PDT, um dos partidos mais importantes surgidos no país com a queda do regime militar, foi também grande como um craque em cirurgias torácicas, especialidade que trouxe para o Maranhão depois de anos e anos estudando e praticando no Rio de Janeiro, formou-se e se especializou ao longo da década 50 e parte dos anos 60, participando dos movimentos políticos e presenciando a conturbada transição da ditadura getulista para a democracia com a eleição do próprio Vargas, num processo tenso que levaria o presidente ao suicídio, a eleição de Juscelino Kubitschek, a eleição e renúncia de Jânio Quadros e que culminaria com o golpe de 1964 contra o Governo democrático de João Goulart.

O tamanho político de Jackson Lago comeeçou a se delinear quando ele assumiu abertamente duas posições: a combater a ditadura militar na linha do trabalhismo de Getúlio Vargas, aproximou-se de Jango e de Leonel Brizola, de quem se tornou amigo e parceiro. Incentivado por Neiva Moreira, então político de expressão nacional, mesmo no exílio, Jackson Lago se agigantou no cenário da política quando, liderado por Brizola, participou do célebre encontro de políticos trabalhistas de esquerda no exílio, em Lisboa (Portugal). Era um momento de crise na esquerda, com o fracasso da Terceira Internacional Socialista. A esquerda comunista, inspirada em Moscou, vinha perdendo terreno para a esquerda democrática, expressada no trabalhismo europeu e na socialdemocracia avançada pregada pelo líder alemão Willy Brant. Brizola, Jackson Lago, Neiva Moreira e Darcy Ribeiro optaram pela via moderada, impondo-se o compromisso de lutar para derrubar a ditadura no Brasil e, implantada uma nova ordem democrática, assumir o PTB e o legado político de Getúlio Vargas e João Goulart. E foi numa reunião em um café de Lisboa, no dia 17 de junho de 1979, que eles plantaram a semente do que viria a ser o PDT diante da manobra dos militares de negar-lhe o comando do PTB.

Enquanto não criou o seu partido, Jackson Lago militou no MDB, a grande frente de oposição ao regime militar. E por ele foi deputado estadual (75/79) e disputou a Prefeitura de São Luís em 1985 e perdeu para Gardênia Castelo (PDS). Seu primeiro grande salto político foi dado em 1988, quando rompeu com o governador Epitácio Cafeteira (PMDB), de quem era secretário de Saúde, para disputar, já pelo PDT, o comando de São Luís com o deputado Carlos Guterres (PMDB), candidato do Palácio dos Leões e com o aval do Palácio do Planalto, a quem impôs dura derrota. Venceu de novo a eleição para prefeito de São Luís em 1996 e se reelegeu em 2000. Renunciou em 2002 para disputar o Governo do Estado contra o governador José Reinaldo Tavares e perdeu, por conta de uma manobra protagonizada por Ricardo Murad, então no PSB. Mas seu prestígio reelegeu o prefeito Tadeu Palácio em turno único.

O maior momento político de Jackson Lago no Maranhão foi a derrota que ele impôs à então senadora Roseana Sarney (PMDB) na disputa para o Governo do Estado em 2006. O fez liderando uma frente que reuniu o então governador José Reinaldo Tavares e o ex-ministro STJ, Edison Vidigal. Além do forte impacto que causou no Maranhão, a vitória de Jackson, valorizada por derrotar a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), ganhou o mundo. Afinal, sua eleição desbancaria do poder o grupo liderado pelo então senador José Sarney, quebrando uma hegemonia eleitoral iniciada em 1982 com a eleição de Luis Rocha, depois de três governadores escolhidos pelos militares e avalizados por Sarney – Pedro Neiva, Nunes Freire e João Castelo. Foi uma virada política espetacular, mas a briga politica seguiu para o tapetão da Justiça Eleitoral e dois anos depois Jackson Lago, num movimento judicial iniciado em 2006 pelo então promotor eleitoral Juarez Medeiros e incorporado pelo grupo sarneysista, que denunciou o governador eleito por fraude eleitoral. Jackson Lago lutou uma luta desigual e caiu em 2009, por decisão do TSE, numa ação que seus aliados chamam até hoje de “golpe judicial” e os adversários garantem que foi legal.

Deputado estadual, três vezes prefeito de São Luís e governador do Maranhão, Jackson Lago foi um coerente implacável e não um radical como era visto por alguns. Nunca arredou um centímetro da luta política contra o sarneysismo, usando sempre um discurso duro, mas recheado de coerência. E politicamente indiscutível. Mas isso não o impediu de, como prefeito de São Luís, conviver muito bem com o então governador João Alberto (PMDB) e no segundo mandato de prefeito dialogar institucional e politicamente com a então governadora Roseana Sarney, que o apoiou na corrida para o segundo mandato de prefeito, mas sem o compromisso do toma-lá-dá-cá. Quando governador, manteve o discurso contra os adversários sarneysistas, mas seu foco mesmo foi o projeto reformista que envolvia reforma agrária, supressão de privilégios e políticas prioritárias nas áreas de saúde e educação.

O líder do PDT voltaria a disputar o Governo em 2010, mas o fez muito doente devido à luta contra um câncer na próstata. Participou da campanha visivelmente debilitado, fazendo um esforço sobre-humano para parecer bem. Muitos amigos, aliados e até adversários criticaram a participação dele naquela que foi a sua última corrida ao voto, mas ele resistiu e foi em frente, como que se despedindo das lutas políticas. Jackson Lago faleceu no Hospital das Clínicas, em São Paulo, no dia 4 de abril de 20011, seis meses depois da maratona eleitoral. Poucos atos públicos ocorridos em São Luís se comparam à comoção popular diante da sua partida. Naquele momento, os maranhenses esqueceram as diferenças políticas e reverenciaram, de maneira comovente e respeitosa, um cidadão exemplar, um profissional competente e um líder político que fez da coerência e da honestidade de propósitos o seu principal legado.

É o Jackson Lago de uma cara, que os ludovicenses devem identificar nas imagens criadas pelo carnavalesco Léo Lima, que serão produzidas no desfile da Unidos de Fátima, no início da madrugada de segunda-feira sambódromo da Areinha, onde o Carnaval de São Luís vai mais uma vez fazer História.

Em tempo: a homenagem da Unidos de Fátima a Jackson Lago nasceu de um esforço da direção da escola, formada por Ribão D`Oludô (presidente), Djalma Rodrigues e Jeová França (diretores) e Léo Lima (carnavalesco). O entusiasmo dessa turma emocionou a viúva Clay Lago e alcançou e contagiou o PDT de ontem e de hoje.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Turma do Quinto também homenageia o seu ídolo

gabriel melonio 1A Turma do Quinto vai também homenagear um gigante, este da música: o cantor Gabriel Melônio. Nascido em Anajatuba, crescido como artista na Madre Deus, onde é um dos ídolos dos cultores da música e da cultura maranhenses. Melônio é uma das maiores expressões das mais recentes gerações de intérpretes, incluindo suas mais de duas décadas como puxador de samba oficial da escola da Madre Deus, que agora retribui a força que dele vem recebendo há décadas. O enredo que vai retratar o artista na avenida é “Anjo Gabriel”. Dono de uma voz doce e refinada, educada por anos de uso correto, Gabriel Melônio é um curinga que consegue incluir diferentes gêneros no seu repertório. É, por essa e outras virtudes – inclusive na condição de ser humano – é um desses fenômenos culturais raros, mas que não nasceu da improvisação. Ainda criança e desde cedo demonstrou inclinação pela música, deixando claro o rumo profissional que seguiria. Começou a cantar profissionalmente há mais de cinco décadas, depois de participar de um concurso de calouros na antiga Rádio Ribamar. Desde então, cresceu profissionalmente, aperfeiçoando o seu canto e participou de inúmeros projetos, como shows, discos e espetáculos musicais. O mais longevo deles é sua intepretação das canções conhecidas pela voz magistral de Elis Regina, em quem sempre se inspirou como intérprete que ele apresenta anualmente, tornando-o um dos shows mais vistos em São Luís e outros centros culturais. Gabriel Melônio fez parte, nos anos 70, do Grupo RTA – Regional Tocada a Álcool e, em seguida, foi convidado para a Turma do Quinto para ser o seu ori9ncipal puxador de samba, convite que aceitou festejando. Já em 1986, participou do Projeto Pixinguinha, onde cantou ao lado de Jerry Adriane, Leila Pinheiro e Elba Ramalho. No início dos anos 90, cantou na grande festa ao ar livre que marcou a visita do Papa João Paulo II a São Luís. Ao homenagear Gabriel Melônio, a Turma do Quinto homenageia também todos os cantores da geração do Anjo Gabriel, e das mais recentes, como Inácio, Cláudio, Papete e muítos outros, além de gigantes da música popular cujas – todas primas – como César Teixeira, José Pereira Godão e Botão, e ainda a si própria, já que Gabriel é a própria imagem da escola madredivina, e à qual já deu muitos títulos como intérprete de alguns dos sambas mais geniais levados para a avenida nas ultimas três décadas. Homenagem mais que justa.

 

São Luís, 6 de Fevereiro de 2016.

 

 

Disputa entre aliados poderá criar problemas para o governador na corrida às Prefeituras

 

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PCdoB pode lançar Marco Aurélio ou Cleyton Noleto contra Rosângela Curado (PDT)

Duas situações envolvendo partidos que apoiam o governador Flávio Dino podem resultar em tensões e até desgaste para a base governista, ao mesmo tempo em que traduzem a estratégia do chefe do Executivo de não interferir nas articulações partidárias, ainda que partidos que apoiam vão para o embate entre si. O governador já disse que não se envolverá onde partidos aliados estiverem em campos adversários. É o caso, por exemplo, da disputa para a Prefeitura de São Luís, que terá o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e a deputada federal Eliziane Gama (Rede) em campos adversários, numa guerra que pode envolver outros aliados do governo, como o deputado estadual Bira do Pindaré como candidato do PSB e o deputado federal João Castelo (PSDB).

Não será surpresa se o PCdoB vier a lançar o deputado Marco Aurélio ou o secretário de Estado de Infraestrutura, Cleyton Noleto, como candidato a prefeito de Imperatriz. Alguns observadores estão cometendo o equívoco de achar que o Palácio dos Leões vai “segurar” uma candidatura do PCdoB e levar o partido a apoiar a candidata do PDT, Rosângela Curado. Isso porque, ao contrário da Capital, está claro que o governador Flávio Dino (PCdoB) deverá apoiar o candidato do PDT, prefeito Edivaldo Jr., tendo seu partido como integrante destacado da aliança. É ululante que o governador não nutre qualquer simpatia pela candidata do PDT em Imperatriz. Mais do que isso, pesquisas que aterrissaram na mesa principal do Palácio dos Leões indicariam claramente a viabilidade de um candidato do PCdoB, podendo o comando partidário de se dar o luxo de escolher entre Marco Aurélio e Cleyton  Noleto.

Em princípio, por atender a um pedido do governador para continuar no cargo, onde avalia que faz um bom trabalho, o mundo político tocantino achou que Noleto estaria definitivamente fora do páreo. Mas não é bem assim, pois dentro do PCdoB muitos acreditam na candidatura do secretário. O mesmo acontece com o deputado Marco Aurélio, que não se declara candidato, mas não nega enfaticamente quando alguém o aponta como tal. O fato é que, para observadores que conhecem bem o cenário de Imperatriz, a situação é a seguinte: caso o ex-prefeito Ildon Marques não possa ser candidato – o que é provável, até por pressão da família – e como o  prefeito Sebastião Madeira (PSDB) parece não ter um nome viável, a grande guerra pela Prefeitura de Imperatriz será travada entre a candidata do PDT e o candidato do PCdoB, seja ele Cleyton Noleto u Marco Aurélio.

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Rochinha vai enfrentar Doutor Erik (PDT) e Chico Coelho (PMDB)

Se em Imperatriz o PCdoB poderá enfrentar o PDT, seu principal aliado na base governista, em Balsas, os dois se unirão contra o candidato do PSB, prefeito Luiz Rocha Filho, que pleiteia a reeleição com o apoio incondicional do seu irmão, o senador Roberto Rocha, um dos chefes do partido no Maranhão. O PDT vai lançar, com o apoio do PCdoB, a candidatura do médico Doutor Erik , que perdeu a disputa de 2012 com Rochinha por 125 votos e até aqui apontado como o mais forte adversário do prefeito Rocha Filho, numa disputa em que o desfecho dependerá do desempenho do ex-prefeito e para muitos líder na corrida Chico Coelho.

Se a aliança PDT/PCdoB se confirmar em Balsas, ela produzirá reflexos em vários municípios, a começar por São Luís, com a candidatura do próprio senador Roberto Rocha a prefeito ou o lançamento de um candidato contra Edivaldo Jr., que pode ser o deputado licenciado Bira do Pindaré. O fato é que o senador Roberto Rocha já teria dito que não vai tolerar a união do PDT – que em Balsas é controlado por Márcio Honaiser, secretário de Estado de Agricultura – com o PCdoB do governador Flávio Dino, e comandado pelo influente secretário de Articulação Política e Comunicação, Márcio Jerry.

O governador Flávio Dino terá de usar toda a sua habilidade para evitar enfrentamentos que possam arranhar seriamente a base política do seu governo.

 

São Luís, 05 de Fevereiro de 2016.

Waldir Maranhão põe em xeque seu futuro político em mais uma decisão para favorecer Eduardo Cunha

 

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Waldir Maranhão: parceria complicada e perigosa com Eduardo Cunha

O deputado federal Waldir Maranhão (PP) voltou a se destacar no cenário político nacional, mais uma vez como personagem central de um imbróglio legislativo que compromete a estabilidade da Câmara Federal, instituição da qual é o 1º vice-presidente. Desta vez ele atraiu os holofotes e as duras críticas da imprensa por haver acatado recurso do presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pedindo anulação da sessão do Conselho de Ética que decidira pela continuidade do processo de cassação do parlamentar pemedebista. A decisão de Waldir Maranhão foi interpretada como uma manobra articulada pelo presidente da Câmara, já que o despacho do deputado maranhense praticamente anula todas as decisões anteriores do Conselho sobre o caso, retrocedendo quase à estaca zero. Dez entre 10 analistas avaliam que o acatamento do recurso por Waldir Maranhão foi mais uma manobra protelatória articulada pelo presidente Eduardo Cunha, a quem o deputado maranhense tem devotado fidelidade quase canina atuando sem limites de acordo com as estratégias definidas pelo presidente da Câmara. O acatamento do recurso que bombardeia o Conselho de Ética e estraçalha o processo contra o presidente é visto por muitos como um ato do “homem do Cunha”.

Difícil compreender os movimentos do deputado Waldir Maranhão, principalmente quando ele coloca em risco o que ainda tem de credibilidade como representante político escolhido pelo voto. Para começar, exerce o mandato garantido apenas por uma liminar, conseguindo adiar, com recursos frágeis, o julgamento do mérito de ações nas quais é acusado de graves crimes eleitorais – numa delas, ele até ontem não havia conseguido explicar a origem de R$ 600 mil que gastou na campanha eleitoral de 2010. Outra bomba cujo pavio está aceso no seu gabinete foi a inclusão do seu nome na lista de parlamentares do seu partido, o PP, acusados de terem financiado suas campanhas com propina oriundas do esquema de corrupção na Petrobras, conforme apurado na Operação Lava-Jato. E, finalmente, as decisões polêmicas que ele vem tomando como vice-presidente da Câmara para livrar o presidente da degola.

Todas as avaliações feitas até aqui por fontes politicas e analistas experimentados chegaram a uma só conclusão: o deputado federal Waldir Maranhão acredita que cerrando fileira com o deputado federal Eduardo Cunha ele conseguirá sobreviver aos bombardeios que vem sofrendo. Mas os fatos têm demonstrado o contrário, já que a cada dia a situação do presidente da Câmara se torna mais complicada, à medida que se agiganta o voluma de provas que o Ministério Público e Federal tem juntado para consolidar a ação em que o acusa de remessa ilegal de dinheiro para o exterior, corrupção ativa, recebimento de propina, formação de quadrilha e outros itens não menos graves. Mestre na arte da manipulação, Eduardo Cunha trem se defendido acusando o chefe do MPF, procurador Rodrigo Janot de persegui-lo para aparecer. Mas a verdade é que, motivado ou não, Janot tem reafirmado as acusações e empurrado ainda mais o presidente da Câmara para o cadafalso onde muito provavelmente sofrerá degola moral e política. Daí a dificuldade de se entender a obediência cega de Waldir Maranhão a Eduardo Cunha.

No caso da medida em que revogou decisões do Conselho de Ética, o presidente do órgão de controle parlamentar, o experiente deputado João Carlos Araújo (PSD-BA) protestou: “A Mesa decidiu em cima de uma questão de ordem inexistente. É fato inédito nesta Casa”. E o também experiente e preparado deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que há pouco desmoralizara uma artimanha do esquema de Eduardo Cunha para cassar o seu mandato no Conselho de Ética, disparou: “Estamos diante de mais um golpe sujo e manobra absurda do presidente da Câmara que não tem o menor escrúpulo em usar o cargo dele para destruir o Conselho de Ética”. Araújo e Alencar avisam que vão bater |às postas do Supremo Tribunal Federal para questionar a legalidade da decisão de Waldir Maranhão contra o Conselho de Ética. Sua situação é tão delicada que se o Supremo lhe der razão, tudo bem, mas se der razão ao presidente do Conselho de Ética, o vice-presidente da Câmara será duramente desmoralizado. O pior é que, independente do que disser o Supremo e do futuro de Eduardo Cunha, muita gente acredita que cedo ou tarde Waldir Maranhão poderá enfrentar o Conselho que hoje tenta desmoralizar.

O que mais chama atenção nessa opereta é que Waldir Maranhão não é um deputado qualquer. Formado em veterinária, entrou para o magistério superior pela porta da frente, surpreendendo pela sua formação acadêmica e pela amplitude dos seus conhecimentos, tanto que foi reitor da UEMA e é reconhecido na Câmara Federal como um dos seus especialistas em educação. Waldir Maranhão é também apontado como um parlamentar ativo, que participa de todas as ações da bancada em favor do estado, além dos pleitos que encaminha. Ao mesmo tempo, tem posição ambígua em relação ao Governo da presidente Dilma Rousseff, pois ao mesmo tempo em que se diz da base governista, tendo conseguido, por exemplo, emplacar o superintendente do Iphan no Maranhão, atropelando todos os interessados, Waldir Maranhão é um dos “homens-chave” de Eduardo Cunha, que conspira 24 horas do dia para prejudicar a chefe da Nação.  Seus colegas mais experientes não sabem onde ele vai parar.

 

 

PONTO & CONTRAPONTO

Especial: Audiência de Custódia, uma boa inovação
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Froz Sobrinho comanda primeira audiência de custódia  de 2º grau da história do TJ, tendo Ribamar Alves como denunciado

Numa das suas mais arrojadas mudanças no sentido da modernização, visando garantir os direitos fundamentais de cidadania elencados na Constituição Federal, o Poder Judiciário oficializou, no âmbito da Justiça do 2º Grau – a que é decidida por desembargadores – a realização de Audiências de Custódia, com acusados detentores de prerrogativa de foro privilegiado, em função do cargo que exercem. Com a iniciativa, o Tribunal de Justiça cumpre a Resolução nº 213/2015, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O procedimento foi adotado pela primeira vez em segunda instância, no Maranhão, na última sexta-feira (29), quando o desembargador Froz Sobrinho, plantonista de 2º Grau, realizou a Audiência de Custódia do prefeito de Santa Inês, José de Ribamar Costa Alves, preso em flagrante pela polícia acusado de estupro contra uma jovem de 18 anos. Na audiência, foi decretada a prisão preventiva do suspeito. Essa foi a primeira Audiência de Custódia presidida por um desembargador em âmbito nacional.

Para o desembargador Froz Sobrinho, realizar Audiência de Custódia no âmbito do 2º Grau mantém o cumprimento da missão constitucional do TJMA e de sua competência originária – quando aprecia os casos de agentes que tem foro privilegiado. “É uma oportunidade de se antecipar determinados fatos antes do julgamento ou de qualquer tipo de processo ou ação constitucional que se iria julgar; e de se obter o conhecimento bem próximo ao fato, 24 horas da concepção do crime, isso vale muito na decisão do magistrado”, explica.

O magistrado frisou que em caso de preso em flagrante, como no evento do prefeito citado, em não havendo Audiência de Custódia, a defesa iria manusear habeas corpus (HC) e o desembargador iria julgar sem olhar o réu, sem conversar com a defesa e sem conversar com a acusação. Ele diz que a Audiência de Custódia permite ao magistrado estar frente a frente com o acusado, ver o momento da prisão, perceber se o custodiado foi preso de maneira correta, se a prisão está legal, se ele sofreu algum tipo de tortura da autoridade policial. Também se ele naquele momento sonegou provas ou não, se as provas que foram colhidas pela autoridade policial estão corretas. “Existe uma grande diferença entre você está olhando um papel, uma letra morta, e você estar de frente com o réu”, argumenta.

“A realização de Audiência de Custódia no âmbito da Justiça de 2º Grau é um avanço para o processo penal e muito gratificante para o Judiciário maranhense que registrou pioneirismo nessa mudança, adotando o procedimento desde outubro de 2014 na Justiça de 1º Grau”, ressalta.

A Audiência de Custódia consiste na apresentação do preso à autoridade judiciária, que deve decidir pela manutenção ou não da prisão, baseando-se nos princípios da legalidade e necessidade. Nelas são ouvidas também as manifestações do Ministério Público, da Defensoria Pública ou do advogado do preso.

A Resolução nº 213/2015, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que os Tribunais de Justiça e os Tribunais Regionais Federais, no prazo de 90 dias, contados a partir do dia 1º de fevereiro de 2016, implementem a Audiência de Custódia no âmbito de suas respectivas jurisdições.

De acordo com a Resolução, o deslocamento da pessoa presa em flagrante delito ao local da audiência e desse, eventualmente, para alguma unidade prisional específica, no caso de aplicação da prisão preventiva, será de responsabilidade da Secretaria de Administração Penitenciária ou da Secretaria de Segurança Pública, conforme os regramentos locais. Os tribunais poderão celebrar convênios de modo a viabilizar a realização da audiência de custódia fora da unidade judiciária correspondente.

Antes da apresentação da pessoa presa ao juiz, será assegurado seu atendimento prévio e reservado por advogado por ela constituído ou defensor público, sem a presença de agentes policiais, sendo esclarecidos por funcionário credenciado os motivos, fundamentos e ritos que versam a Audiência de Custódia. Será reservado local apropriado visando garantir a confidencialidade do atendimento prévio com advogado ou defensor público.

Com a medida, o Judiciário maranhense cumpre ainda o termo de compromisso nº 2/2015, celebrado entre o CNJ, Ministério da Justiça, Governo do Estado, TJMA, Corregedoria Geral da Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública e OAB-MA, destinado à reestruturação do sistema carcerário e de execução penal do Estado, considerado um dos mais problemáticos do país.

A iniciativa também atende aos pactos internacionais nos quais o Brasil é signatário e a decisão do Supremo Tribunal Federal, que consignou a obrigatoriedade da apresentação, em 24 horas – independentemente da motivação ou natureza do ato – da pessoa presa à autoridade judicial competente, sendo esta ouvida sobre as circunstâncias em que se realizou sua prisão ou apreensão, tratando as prisões de forma humanizada.

 

Em tempo: a reportagem acima foi produzida pela Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça.

 

Florianópolis, 04 de Fevereiro de 2016.

 

Reabertura da Assembleia mostrou que os três Poderes estão operando em sintonia fina no Maranhão

 

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Dino e Coutinho: independência, sólida aliança política e fina  sintonia institucional

A reabertura da Assembleia Legislativa para o segundo período da atual legislatura foi um momento revelador da nova realidade política instalada no Maranhão desde a virada de poder imposta pelas urnas nas eleições de 2014. E o dado mais cristalino observado ao longo da solenidade ocorrida no Palácio Manoel Bequimão foi a sintonia fina entre os três Poderes, amarrada nos discursos do governador Flávio Dino (PCdoB) e do presidente da Casa, deputado Humberto Coutinho (PDT) e nas declarações da vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Maria das Graças Mendes, que representou o desembargador-presidente Cleones Cunha. O ato de natureza institucional, mas de forte conotação política, produziu um bem delineado script de como interagem Executivo, Legislativo e Judiciário hoje no Maranhão. Os Poderes estão harmonizados, mas com uma diferença essencial em relação a lutos tempos: nenhum está fazendo o papel de subordinado, o que deixa no ar a forte impressão de que subordinado e de que, apesar das mazelas que ainda existem, o cenário político maranhense ganha novos desenhos e novos movimentos.

Os discursos do governador Flávio Dino e do presidente Humberto Coutinho foram reveladores nesse sentido. Eles falaram como chefes de chefes de Poderes autônomos, mas linkados pelas relações políticas e partidárias. Cada um disse o que pensa da realidade, sem impor um ao outro o velho tabu de que sempre colocava o chefe do Poder Executivo como o senhor supremo e incontestável do estado, ao qual todos se curvavam sem trazer à discussão o mais elementar dos problemas. A solenidade de reabertura do Poder Legislativo mostrou que as instituições maranhenses começam de fato a compreender e a exercer os seus papéis, cada uma atuando na sua esfera sem pretender invadir o espaço da outra.

Não se discute que o governador do Estado é o ente mais observado, cobrado e criticado entre os chefes de Poder, pois é ele que cobra e gasta, que tem a responsabilidade de cuidar do bem estar da sociedade no que diz respeito aos seus direitos mais fundamentais: saúde, educação, segurança e lazer, aos quais se associam muitos outros. No seu discurso, o governador Flávio Dino cumpriu a obrigação constitucional apresentar aos deputados, na presença do chefe do Poder Judiciário, um balanço do que foram as realizações do seu primeiro ano de governo. E a julgar pelo que foi relatado e pela maneira tranquila e segura com que se manifestou, o governador Flávio Dino parece estar de fato inaugurando uma nova realidade no Maranhão, dentro da expectativa que motivou o eleitorado quando lhe deu uma vitória esmagadora e incontestável nas urnas. E o fez expressando verbalmente o respeito que tem pelo Poder Legislativo.

Na mesma linha, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho se manifestou, abordando, de maneira objetiva e direta, em relação a problemas que ainda infernizam a vida dos maranhenses mais mal situados na pirâmide social, que carecem da ação do Governo para dispor de assistência. Lembrou que o Maranhão ainda sofre com as graves deficiências nas áreas de saúde e segurança pública, mas destacou, com a ênfase necessária, os esforços que o Executivo tem feito para dar a volta por cima naquelas duas áreas, transformando em hospitais regionais os esqueletos de concreto deixados pelo Governo passado, a exemplo do de Pinheiro e de Caxias; e dos investimentos feitos até aqui na área de segurança pública, a começar pela contratação de centenas de novos policiais e na aquisição de novos equipamentos e viaturas. O deputado-presidente, que é da área de saúde e sabe o que diz, bateu forte na maneira discriminatória com que o SUS trata o Maranhão.

É claro que dentro desse contexto de harmonia existem problemas, a começar distribuição dos recursos escassos administrados pelo Poder Executivo; assim como as diferenças na interpretação de determinados ditame constitucional e, muitas vezes, nas decisões tomadas pelo plenário da Assembleia Legislativa. Mas, de um modo geral, e com alguns “porens”, o Maranhão vive uma nova realidade institucional, que assegura a normalidade política, que se consolida com o saudável confronto de situação e oposição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Deputados rumo a prefeituras

robertalSe as relações institucionais dominaram a sessão de reabertura da Assembleia Legislativa, nos bastidores fervilharam as conversas tendo como tema central as eleições. E nessas conversas vários deputados confirmaram que estão mesmo dispostos a enfrentar as urnas em outubro. O deputado Roberto Costa (PMDB) se mostrou mais candidato do que nunca a prefeito de Bacabal, tanto que quebrou oi gelo político e pediu ao governador Flávio Dino apoio para algumas ações em Bacabal, encontrando muita receptividade no chefe do Executivo. A deputada Andrea Murad (PMDB) também foi lembrada como possível candidata em São Luís. O deputado Alexandre Almeida (PMN) desfilou em todas as rodas como candidatíssimo à Prefeitura de Timon. Circulou como certeza que a deputada Francisca Primo (PT) vai mesmo disputar a Prefeitura de Buriticupu. Também foi ventilada com muita força a possível candidatura do deputado licenciado Bira do Pindaré, por enquanto no PSB, à Prefeitura de São Luís, assim como foi dada como certa a candidatura do deputado Hemetério Weba à Prefeitura de Presidente Sarney. Nessas conversas, o deputado Marco Aurélio (PCdoB) foi citado como candi9datpissimo à Prefeitura de Imperatriz. O deputado Souza Neto (PTN) foi apontado como candidato forte á Prefeitura de Santa Inês, principalmente depois da derrocada moral do prefeito Ribamar Alves (PSB). E não será surpresa se num rompante futuro o deputado Wellington do Curso venha a se lançar a candidato a prefeito de São Luís. É possível que depois da peneirada que é feita por meio de pesquisas alguns saiam do páreo, mas a verdade é que esses nomes pesquisas são quase irreversíveis. A conferir.

 

Bira do Pindaré procura um partido para ser candidato

bira 3Confirma-se o que a Coluna havia previsto: o deputado licenciado Bira do Pindaré estaria à procura de um partido para sair candidato à Prefeitura de São Luís. Os fatos o convenceram de que, com seus problemas internos, principalmente causados pela indefinição do senador Roberto R Rocha em relação a ser candidato, e pelas divergências dele, senador, com o deputado federal José Reinaldo Tavares, o PSB não é o caminho seguro para um projeto tão arrojado. Com um lastro conseguido quando foi candidato há 10 anos a senador e bateu na Capital pesos pesados da política como João Castelo (PSDB), Pindaré avalia que pode surpreender na disputa, mesmo sabendo que suas chances são remotas diante de candidaturas como a do prefeito Edivaldo Jr., (PDT), Eliziane Gama e, provavelmente, João Castelo. Há quem diga que seu caminho natural  será o Solidariedade, a começar pelo fato de que já está convidado pelo presidente do partido Simplício Araújo. Tem até meados de março para definir seu futuro partidário e, se for mesmo o caso, consolidar o seu projeto de candidatura.

 

Florianópolis, 03 de Fevereiro de 2016.

Governador dirá hoje a deputados como foi seu primeiro ano e alertará para os tempos difíceis que virão

 

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Dino discursando na tribuna da Assembleia Legislativa

A Assembleia Legislativa volta hoje ao trabalho com os deputados mergulhados em expectativa em relação ao discurso do governador Flávio Dino (PCdoB), que confirmou sua presença na sessão solene no Palácio Manoel Bequimão. Na sua mensagem, o governador fará um balanço altamente positivo do que foi o seu primeiro ano de gestão e apontará os rumos que o Governo deve seguir neste e nos próximos anos. Reafirmará disposição para manter um bom relacionamento com o Poder Legislativo, devendo também fazer uma avaliação política do conturbado e imprevisível do cenário nacional, podendo soltar pistas sobre como o Dino governador atuará na maratona para a eleição de prefeitos e vereadores. As manifestações do governador deverão repercutir fortemente entre os deputados, tanto no que disser respeito ao balanço do Governo, quanto no que respeitar ao processo político que agita o país com a tramitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e a corrida eleitoral que já está em curso, ainda que oficiosamente.

Não há dúvida que, mesmo tendo ali adversários implacáveis como a   deputada Andrea Murad (PCdoB), que não perde uma só oportunidade de alfinetar o governo, principalmente nas áreas de saúde e segurança pública, o governador se sentirá confortável  no Palácio Manoel Bequimão. Primeiro por cinta ali com o apoio determinado de mais de dois terços do plenário; e segundo por contar com o empenho dos líderes governistas e o aval do presidente da Casa, deputado Humberto Coutinho (PDT). Daí a segurança com que o governador mostrará os resultados do seu primeiro exercício administrativo, avaliado dentro do governo como altamente positivo.

Flávio Dino relatará aos deputados que seu governo foi bem sucedido em dois campos muito importantes. O primeiro foi deslanchar programas de largo alcance social; o segundo, a transparência, o combate à corrupção, o que possibilitou juntar recursos para uma série de realizações. Vai dizer que o governo foi bem nos programas sociais – como o Mais IDH, por exemplo – e na política de transparência, que possibilitou economia de mais de R$ 300 milhões, que garante ter alcançado com racionalizando gastos, cortando privilégios. O governador dirá que melhorou expressivamente segurança pública, com uma política de investir nas Polícias e no Sistema Penitenciário, colocando mais policiais concursados nas ruas e melhorando as condições prisionais, com presidiários trabalhando, resultando na redução das fugas em 70% e também expressivamente as rebeliões e os assassinatos brutais que eram comuns do Complexo de Pedrinhas. O governador relatará também bons resultados nas áreas de saúde, com o avanço dos hospitais macrorregionais, e educação, com o projeto Escola Digna e os institutos de formação técnica.

No geral, o governador informará à Assembleia Legislativa que o seu primeiro ano foi bem sucedido, sem atropelos maiores, sem derrapagens morais, sem desvios criminosos, enfim, que o primeiro ano de gestão foi marcado pela correção administrativa e por um padrão ético, que permitiu o com, bate à corrupção.

Flávio Dino se referirá ao quadro nacional de crise política e distorções econômicas. No campo político, deve reafirmar o seu apoio ao mandato da presidente Dilma Rousseff, criticando o pedido de impeachment em curso no Congresso Nacional. Na seara econômica, voltará a defender medidas que a seu ver podem mudar o curso da economia brasileira, como a taxação maior dos mais ricos. O governador dirá finalmente aos deputados que não permitirá o envolvimento do governo na corrida eleitoral, e preverá 2016 como um ano difícil, complicado e tenso, mas que seu governo está pronto para enfrentar os desafios.

 

PONTO & CONTRAPONTO

PSB pode perder José Reinaldo

josé reinaldo 1Poucos a partidos no Maranhão passam no momento por tantas turbulências como o PSB. Não bastassem as diferenças internas, os movimentos em direções diferenças das suas várias correntes no que respeita à disputa pela Prefeitura de São Luís e, mais recentemente, a escandalosa prisão do prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, acusado de estuprar uma missionária evangélica de 18 anos prisão, outro estrondo abala a agremiação e seus seguidores: o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares revela que vai deixar o partido. A revelação pelo bem informado Blog do Ludwig. Conforme o registro feito naquele espaço, o ex-governador admitiu que esteja arrumando as malas para se mudar, embora ainda não saiba para onde irá. Opções não lhe faltam, afinal José Reinaldo é um político respeitado, tem peso político e eleitoral e não será difícil encontrar uma agremiação que o queira como referência. Ao avisar que deixará o PSB, José Reinaldo Tavares manda um só recado: não vai entrar em refrega partidária desgastante, pois tem mais o que fazer, como reforçar seu apoio á candidatura da deputada federal Eliziane Gama (Rede) à Prefeitura de São Luís.

 

Queda de Ribamar Alves também abala PSB

ribamar alves 2Somadas, a saída do deputado federal José Reinaldo Tavares e a queda escandalosa do prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, representarão perdas devastadoras para o braço maranhense do PSB. Se confirmar mesmo sua retirada, José Reinaldo levará com ele o ex-deputado e atual chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares, e um número expressivo de líderes municipais que seguem a sua orientação. Ninguém mais aposta no futuro político de Ribamar Alves depois do vexatório escândalo sexual em que ele foi acusado de estuprar uma vendedora de 18 anos. Preso e transportado para São Luís em helicóptero da Polícia, e depois transferido para Pedrinhas, o prefeito de Santa Inês deve ter hoje plena consciência de que sua carreira, que previa a possibilidade e depois alguns mandatos de deputado federal, foi interrompida no momento em que ele cometeu o erro político e o desvio moral de entrar num motel e fazer sexo com quem não o queria com o parceiro na cama. A partir daquele momento a bem encaminhada carreira do prefeito começou a afundar no seu pântano moral, não devendo lhe restar qualquer naco de prestígio para refazer o caminho. O PSB terá agora de investir pesado nos prefeitos de Balsas, Luis Rocha Filho, e de Timon, Luciano Leitoa – os dois estão com avaliação modesta, atrás de adversários em pré-campanha, o que os obrigará novamente a se desdobrarem com visão de adulto, pois só isso poderá salvá-los da degola nas urnas.

 

São Luís, 01 de Fevereiro de 2016.