Todos os posts de Ribarmar Correa

Cauteloso por causa de turbulências, Grupo Sarney aguarda melhor momento para definir candidato ao Governo

 

Roseana Sarney: movimentos mais intensos, mas atenta ao futuro de Michel Temer
Roseana Sarney se mantém em compasso de espera para decidir com segurança se vai ser candidata

A forte pressão da Operação Lava Jato sobre a cúpula nacional do PMDB – incluindo a denúncia contra o ex-presidente José Sarney -, a instabilidade ainda evidente do Governo pemedebista do presidente Michel Temer, a indefinição sobre itens decisivos da Reforma Política e a aliança entre o ex-presidente Lula da Silva (PT) em torno do projeto de reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB) são fatores que têm feito com que o Grupo Sarney se mantenha ainda aguardando o melhor momento para decidir se a ex-governadora Roseana Sarney entrará ou não na briga pelo Palácio dos Leões. O comando do Grupo dificilmente decidirá o futuro da ex-governadora antes dessas definições, o que significa dizer que a batida de martelo só será dada no início do ano que vem. Essa indefinição pode ser prejudicial ao Grupo, mas também gera um clima de incerteza no cenário político, onde outras forças ficam sem saber se montam suas estratégias e suas alianças contando ou não com um candidato do Grupo Sarney, cujo peso na disputa dependerá do nome a ser lançado.

O comando do Grupo Sarney sabe que o momento não é adequado para lançar um dos seus quadros para disputar o Governo do Estado. Em meio à turbulência que movimenta o cenário político em todo o País, agravada pelos novos rumos da Operação Lava jato, qualquer movimento nesse sentido seria colocar o candidato numa situação incômoda, já que entre os seus líderes maiores estão acusados de malfeitos pelo Ministério Público Federal. Os casos mais graves envolvem o ex-presidente José Sarney e o senador Edison Lobão na denúncia segundo a qual eles e outros chefes pemedebistas – os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Waldir Raupp e Jader Barbalho -, teriam recebido mais de R$ 800 milhões em propina desviada da Petrobras para irrigar o caixa dois do PMDB.

Mesmo a ex-governadora Roseana Sarney, que é o nome politica e eleitoralmente mais viável do Grupo, segundo as pesquisas divulgadas até aqui, enfrentaria dificuldades para manter uma pré-candidatura assumida nesse clima se tensão e instabilidade. Ainda que até aqui nada tenha pesado diretamente sobre ela, as investigações em curso sobre ações do seu Governo – como o Caso da “Máfia da do ICMS” e suspeitas sobre o programa Saúde é Vida, envolvendo o ex-secretário Ricardo Murad, por exemplo – podem ganhar corpo e respingar na sua imagem de candidata. Mesmo dona de uma grande habilidade, adquirida com a pancada do Caso Lunus em 2002, para conviver com situações desfavoráveis, Roseana Sarney certamente avalia que o momento é impróprio e que não deve se precipitar correndo o risco de sofrer um bombardeio e sair arranhada antes da eleição.

O problema do Grupo Sarney é que, enquanto se vê obrigado a conter os movimentos pré-eleitorais por conta dos fatores que podem prejudicar o seu projeto, o governador Flávio Dino, que pelo menos até aqui não convive com esse tipo de restrição, avança na consolidação do seu projeto de reeleição, alimentando a condição de favorito na corrida eleitoral do ano que vem. E essa vantagem do governador se amplia a cada dia, aumentando, na mesma proporção, as dificuldades de Grupo Sarney na escolha do candidato. Dona de um cacife eleitoral expressivo, o que a torna uma candidata com lastro para competir, Roseana avalia esse cenário a partir de pesquisas contratadas pelo PMDB para medir o poder de fogo dos prováveis candidatos ao Governo, a começar pelo governador. A não divulgação de resultados recentes indica que os números não lhe são favoráveis.

Esse contexto, porém, não é uma indicação definitiva de que o Grupo Sarney esteja liquidado e sem condições de entrar na briga com chances de sucesso. Mesmo fora do poder no Maranhão, a corrente liderada pelo ex-presidente José Sarney conta ainda com um forte contingente de líderes municipais e tem capilaridade suficiente para viabilizar uma candidatura a governador. Sabendo, claro, que a retomada do poder é um projeto complicado e de difícil realização. Daí a impressão de alguns de que a ex-governadora Roseana Sarney está dominada mais pela dúvida do que pela certeza.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

Braide quer ser deputado federal pensando na Prefeitura de São Luís em 2020

Eduardo Braide: projeto de disputar a prefeitura de São Luís em 2020
Eduardo Braide: projeto de comandar São Luís em 2020

Depois de dois bem sucedidos mandatos na Assembleia Legislativa, o  deputado Eduardo Brande (PMN) é candidato assumido à Câmara Federal, já figurando nas previsões como um dos prováveis futuros deputados federais. Ao mesmo tempo, Braide mantém firme e na sua pauta de ações o seu projeto de ser candidato a prefeito de São Luís na eleição de 2020. Embalado pelos mais de 240 mil votos que recebeu no segundo turno travado com Edivaldo Jr. (PDT), Eduardo Braide mantém um pé no palanque, mantendo um discurso de fortes críticas ao prefeito, fazendo questão de ocupar a posição de seu principal adversário. Lembrado para disputar uma cadeira no Senado e até como nome para disputar o Governo com o suporte do Grupo Sarney, Eduardo Braide avalia o cenário e acha que o seu melhor caminho é eleger-se deputado federal em 2018 e, dois anos depois, encarar a briga pelo Palácio de la Ravardière, mirando ser o sucessor do prefeito Edivaldo Jr.. No meio político, é quase unânime a avaliação de que, se a sua trajetória continuar ascendente como vem se mantendo até aqui, Eduardo Braide será um candidato fortíssimo à Prefeitura de São Luís em 2020, o que exigirá do prefeito Edivaldo Jr. um grande esforço para escolher um candidato com cacife político e eleitoral para conter essa tendência.

 

Aliados de Sarney se mobilizam para livrá-lo da acusação feita por Janot

José Sarney: biografia ameaçada por birra de Rodrigo Janot
José Sarney: biografia ameaçada 

A cúpula do Grupo Sarney está inteiramente mobilizada no esforço para evitar que a denúncia contra o ex-presidente José Sarney e o senador Edison Lobão prospere. No caso do ex-presidente, seus familiares e aliados apostam alto na avaliação do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que classificou de “coisa sem pé nem cabeça” a denúncia feita pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, contra o ex-presidente da República e o senador pemedebista. O próprio José Sarney se declarou surpreso com a acusação e, segundo uma fonte a ele ligada, vai se defender para mostrar que sua trajetória não será manchada. Sarney está definitivamente aposentado das pelejas eleitorais, tendo decidido que não mais disputará votos, o que lhe assegura a imagem do político que sempre alcançou seus espaços pelo voto e jamais perdeu uma eleição. E pretende fechar sua biografia sem também jamais ter sido condenado. Exatamente por saber o quanto ele é cioso da sua estatura política, até adversários de Sarney no plano nacional se recusam a acreditar que o ex-presidente pegou ou intermediou propina na Petrobras para favorecer o PMDB.

São Luís, 12 de Setembro de 2017.

Ao dar apoio a Lula, Flávio Dino faz política madura e aposta alto no futuro da esquerda

 

Lula recebe u apoio de Flávio Dino em ato em frente ao Palácio dos Leões
Lula recebe u apoio de Flávio Dino em ato em frente ao Palácio dos Leões

Muita gente está perguntando por que o governador Flávio Dino (PCdoB), um político sem manchas éticas e cujo comprometimento com a causa pública é reconhecido até por  seus adversários, entra de cabeça na contramão da Operação Lava Jato e comanda um ato público, em frente ao Palácio dos Leões, em defesa do ex-presidente Lula da Silva (PT), como se tivesse plena convicção de que o líder petista seja, de fato, vítima de uma armação destinada a destruir sua reputação e sufocar seu partido, e assim varrer os dois da vida pública brasileira. Essa indagação foi reforçada na terça-feira (5), quando Flávio Dino foi o grande anfitrião de Lula no encerramento da peregrinação do ex-presidente pelo Nordeste em busca de suporte político e popular para o seu projeto de voltar ao poder em 2018. Naquela noite, os fatos produziram uma grande contradição: enquanto o governador e o ex-presidente reagiam, com discursos fortes, às investidas da direita contra o PT e as esquerdas de um modo geral e teciam duras críticas às ações da Operação Lava Jato sobre as acusações ao líder petista, os telejornais da noite anunciavam que o procurador geral da República, Rodrigo Janot, protocolava no Supremo Tribunal Federal (STF) mais uma denúncia contra Lula da Silva, acusando-o de formar quadrilha e de tentar obstruir a Justiça.

A primeira impressão sugere que o governador Flávio Dino vive uma baita contradição, porque o governador tem razões de sobra para querer ver o ex-presidente pelas costas, bastando para isso a posição assumida pelo líder petistas nas eleições de 2010 e 2014, quando usou mão de ferro para obrigar o PT maranhense a romper com seus aliados tradicionais para se juntar ao Grupo Sarney, jogando pesado contra o líder comunista. O governador, porém, encara o cenário como uma confrontação política entre as forças progressistas, que o têm como um dos seus líderes, e as forças conservadoras, como as que lhe fazem oposição no Maranhão, lideradas pelo ex-presidente José Sarney (PMDB). Flávio Dino, por sua vez, controla sua racionalidade e alimenta a esperança de que, cedo ou tarde, a boa política prevalecerá, consolidando de vez a democracia no País. O governador tem dito que não se opõe à Operação Lava Jato e que não tolera a corrupção, mas tem também sido enfático quando afirma, do alto da sua condição de ex-juiz federal, que os responsáveis pela Operação cometem erros, excessos e abusos, enquadrando, pelo menos até a o ex-presidente Lula da Silva e a ex-presidente Dilma Rousseff na cabeça da lista dos supostamente injustiçados.

Flávio Dino atua consciente de que representa hoje uma banda expressiva da esquerda que não contrariou os seus postulados, principalmente no campo ético. E numa visão mais abrangente, enxerga um Brasil em crise, essa agravada exatamente pelos esforços que o Governo do presidente Michel Temer (PMDB) está fazendo para diminuir o tamanho do Estado, enquadrar  programas sociais -Bolsa Família, por exemplo -, não adotando, porém, medidas efetivas para beneficiar diretamente a população, mas sim para salvar o mercado e o status quo político. “Precisamos financiar os serviços públicos e, para isso, precisamos de Justiça Tributária, no sentido de que os mais ricos, os milionários, bilionários, os rentistas e o capital financeiro tenham de pagar os seus impostos com proporcionalidade em relação aos mais pobres”, sugeriu Flávio Dino, em entrevista recente a um portal de notícias.

O governador do Maranhão tem clareza de que Lula é o mais o mais importante elo das esquerdas com a sociedade e com o eleitorado, e que com ele fora do tabuleiro, o chamado campo progressista corre o risco de perder o espaço que conquistou no cenário político brasileiro desde a redemocratização conduzida pelo presidente José Sarney. Flávio Dino sabe também que se tornou provavelmente a maior referência das esquerdas, e que por isso o seu papel nesse contexto é de extrema importância, podendo ser “convocado” para dar um passo bem mais largo do que reeleger-se governador do Maranhão. Isso ficou muito claro quando o ex-governador e pré-candidato a presidente Ciro Gomes (PDT), que apontou como “a coisa mais importante que aconteceu na política brasileira nos últimos tempos”.

São esses vieses políticos que explicam a posição do governador Flávio Dino como aliado e defensor do ex-presidente Lula da Silva e da mobilização das esquerdas em torno de um projeto comum, o que lhe abre caminho para se consolidar como uma liderança nacional. Mas, com faro suficiente apurado para saber que sua prioridade é reeleger-se governador do Maranhão, de preferência tendo o ex-presidente e as forças petistas como aliados.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Sarney e Lobão contestam denúncia de Janot sobre desvios de chefes do PMDB

José Sarney e Edison Lobão contestam denúncia de Rodrigo Janot
José Sarney e Edison Lobão contestam a nova denúncia de Rodrigo Janot

Os canhões do procurador geral da República, Rodrigo Janot, se voltaram de novo contra o ex-presidente José Sarney e o ex-ministro e senador Edison Lobão (PMDB). Denuncia agora que eles, mais senadores pemedebistas Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA), Waldir Raupp (AC) e Romero Jucá (RR) formaram uma quadrilha que teria operado mais de R$ 800 milhões em propina desviada de contratos bilionários da Petrobras, tendo o dinheiro sido usado como caixa dois em campanhas eleitorais do PMDB. Dois fatos chamam atenção nessa denúncia. O primeiro é que nem José Sarney nem Edison Lobão presidiram o PMDB, não havendo registro fático, documental, de que eles tenham realmente participado da gigantesca falcatrua, que teria gerado um prejuízo de R$ 5 milhões à Petrobras. O outro é que o advogado de José Sarney e Edison Lobão, Antônio Carlos de Almeida Castro, chamou-a de “falácia”, corroborando com o argumento de que o procurador geral da República, Rodrigo Janot, de vender gato por lebre para encobrir as derrapagens que andou fazendo, como a escandalosa delação premiada da gang da JBS.E a julgar pela reação dos demais acusados, a denúncia é fraca e inconsistente. Na sua crônica domingueira ao O Estado do Maranhão, o ex-presidente José Sarney tentou desmoralizar mais essa flecha de bambu disparada pelo chefe do Ministério Público Federal. Do alto dos seus 87 anos, com mais de 70 deles dedicados à vida pública, Jose Sarney se jacta de jamais ter sido apanhado em desvios de conduta. E tenta demonstrar que a acusação é genérica, não fazendo qualquer sentido, dando a entender que, se autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, a investigação será inócua. O advogado Almeida Castro diz exatamente o mesmo em relação a Edison Lobão.

 

Se Janot denunciar Temer de novo, bancada maranhense manterá posições na Câmara Federal

Se g=for denunciado de novo, Michel temer terá o apoio da maioria da bancada maranhenseHildo Rocha

Se o procurador geral da República disparar mesmo mais uma flecha de bambu para tirar Michel Temer da cadeira presidencial, a bancada maranhense (foto) terá o mesmo desempenho no plenário da Câmara Federal, dando a maioria dos seus votos para que o pacote acusatório seja mandado para o arquivo morto. Os deputados Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Pedro Fernandes (PTB), André Fufuca (PP), Juscelino Filho (DEM), Cléber Verde (PRB), Júnior Marreca (PEN), Aluízio Mendes (PTN), José Reinado Tavares (PSB), Victor Mendes (PSD) e Sarney Filho (PV) – que deixará momentaneamente o Ministério do Meio Ambiente para participar da votação – votarão a favor do o presidente Michel Temer, repetindo o voto contra a denúncia anterior. Já os deputados Rubens Jr, (PCdoB), Zé Carlos (PT), Weverton Rocha (PDT), Deoclídes Macedo (PDT), Eliziane Gama (PPS), Waldir Maranhão (PTdoB), Luana Alves (PSB) votarão a favor da autorização para que o presidente da República seja investigado pelo Supremo.

 

São Luís, 10 de Setembro de 2017.

São Luís aniversaria no embalo da inteligência política mostrada na aliança de Edivaldo Jr. com Flávio Dino

 

São Luis velha e nova cuidada pela pela parceria de Edivaldo Jr. com Flávio Dino
São Luis cuidada pela boa política  praticada pelo prefeito Edivaldo Jr. e pelo governador Flávio Dino

São Luís completa hoje 405 anos vivendo uma situação bem diferente da realidade que viveu na maior parte desses 147.825 dias de existência. Agora uma cidade com status de metrópole, que abriga 1,1 milhão de habitantes e exibe duas feições, uma antiga, formada por densos registros de História, e outra moderna, embalada pela modernidade que não para, a Capital do Maranhão vivencia e usufrui a experiência de ter aliados ocupando os gabinetes principais do Palácio de la Ravardière e do Palácio dos Leões. Diferentemente do que aconteceu na primeira metade do seu primeiro mandato, quando enfrentou a distância e a indisposição do Governo dirigido por Roseana Sarney (PMDB), o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) viu o jogo ser radicalmente virado com a chegada do Governo comandado por Flávio Dino (PCdoB). Afinados, os dois governos costuraram e vêm alimentando uma parceria efetiva e produtiva, que apesar da escassez de recursos por conta da crise que assola o País, apresenta resultados, ora creditados ao Palácio de la Ravardière, ora ao Palácio dos Leões. Evidente que as necessidades estruturais da cidade são imensas, mas não há como negar que São Luís está sendo cuidada na medida do possível.

A São Luís de hoje, que parece uma cidade formada por várias e diferentes cidades todas com problemas os m ais diversos, mas seguindo em frente com as intervenções possíveis para tornar a vida melhor. E não é exagero afirmar que a gestão do prefeito Edivaldo Jr. tem avançado de maneira consistente, melhorando o que era ruim e desatando nós que mantinham setores essenciais entravados e resistentes à modernidade. De maneira modesta, mas efetiva, tem havido uma clara preocupação em destacar a essência cultural da cidade, explorando, numa rica associação, o excepcional acervo arquitetônico, a música, a poesia, a literatura e outros campos culturais que dão forma à rica História e sentido à sua condição de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.

Graças à parceria Município/Estado, proporcionada pela aliança política do prefeito Edivaldo Jr. com o governador Flávio Dino, a Educação avança com um amplo programa de reforma de escolas, já tendo assegurado dignidade a milhares de crianças e caminhando para atender às que ainda se encontram no sufoco de uma escola indigna. Na Saúde os serviços têm melhorado, há novas estruturas funcionando nessa área, e os Socorrões, que são a base e a parte mais visível do sistema, continuam alimentando a falsa ideia de que, por conta das suas carências, funcionam mal, quando na verdade salvam centenas de vidas todos os dias.

O fato é que de janeiro de janeiro de 2015 para cá houve uma ampla e progressiva mudança na dinâmica operacional da Prefeitura de São Luís. Um bom exemplo ocorreu foi o desmonte recente do velho cartel que controlava o transporte de massa, abatido por uma licitação com base numa legislação atualizada e com regras duras, o que tornou o sistema  mais eficiente do que aquele que a atual gestão recebeu, tendo até unidades sanfonadas com ar condicionado. com ar condicionado. São vários os desafios ainda a serem vencidos nessa área: “carrinhos”, táxis piratas, Uber, vans e mototáxis. Ao mesmo tempo, a mobilidade da população, que movimenta mais de 700 mil ludovicenses por dia ganha mais rapidez e segurança com o recapeamento asfáltico dos grandes eixos rodoviários da cidade. A isso se acrescentem intervenções inteligentes e baratas no trânsito, como a feita na Forquilha, por exemplo.

Nada disso seria possível se o Palácio de la Ravardière permanecesse sem comunicação com o palácio dos Leões, sendo difícil imaginar como estaria a cidade à essas alturas em meio à violência da crise econômica que tem solapado as finanças pública, sufocando especialmente os municípios, onde os serviços são mais demandados. A máquina municipal certamente não estaria paralisada, mas com certeza seu desempenho seria bem mais modesto. A dinâmica vivida por São Luís nesse momento é uma demonstração indiscutível de que a política de aliança e de cooperação é o caminho certo para se transformar problemas em solução.

Com a boa ação política, o prefeito Edivaldo Jr. e o governador Flávio Dino dão à Capital do Maranhão bons motivos da festejar aniversário.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Alckmin convida Rocha para voltar ao PSDB, mas o senador sabe que a situação no ninho é complicada

Roberto Rocha e Geraldo Alckmin: convite feito no Palácio dos Bandeirantes
Roberto Rocha e Geraldo Alckmin: convite feito no Palácio dos Bandeirantes

O braço do PSDB no Maranhão está em ebulição desde quarta-feira, quando chegou à imprensa a informação de que, durante uma audiência no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, convidou o senador Roberto Rocha a deixar o PSB e voltar ao ninho dos tucanos. Alckmin foi tão incisivo no convite que se dispôs a voar para São Luís para prestigiar o ato de filiação do senado. O convite está agitando o PSDB em vários aspectos. Positivamente, se aceito, o partido reforçará sua bancada no Senado, impondo consequente desgaste à bancada do PSB. No plano maranhense, os tucanos ganhariam mais força parlamentar com o retorno.

Uma análise mais cuidadosa, porém, leva à conclusão de que, mesmo resultando de um convite feito por Geraldo Alckmin, um dos mais importantes chefes tucanos e pré-candidato assumido a presidente da República, o possível retorno do senador Roberto Rocha do PSDB é uma equação política muito complicada, por que envolve fatores que pesam no sentido contrário. O ponto chave é que, segundo corre nos bastidores, Rocha quer se reconverter ao tucanismo, mas na condição de voltar a comandar o partido no estado. Nesse caso, a direção nacional, terá de combinar com o atual presidente, o vice-governador Carlos Brandão, que segura o posto de comando com unhas e dentes, e com o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que trava uma guerra sem trégua com Carlos Brandão pelo controle do partido. Essa disputa passa pelo apoio do grupo do ex-governador João Castelo, hoje comandado por Dona Gardênia Castelo, e pelo prefeito de São José de Ribamar, Luiz Fernando Silva, considerado hoje o mais importante e politicamente mais forte nome do PSDB no Maranhão. O empecilho maior é a oposição que Roberto Rocha faz ao governador Flávio Dino, chocando-se com o vice-governador Carlos Brandão, que se movimenta para manter o PSDB na base de apoio do Governo do PCdoB.

Na avaliação de tucano de proa, a volta do senador Roberto Rocha ao PSDB é, de um modo geral, bem aceita, mas dificilmente será viabilizada por causa das profundas diferenças que conturbam hoje o ambiente interno do ninho dos tucanos no Maranhão.

 

André Fufuca frustrou previsões sombrias e mostrou que é bem mais do que um jovem político provinciano

André Fufuca: exercício da presidência sem cometer erros
André Fufuca: exerceu a presidência  da Câmara sem cometer erros

Não foi surpresa para a Coluna o bom desempenho do deputado André Fufuca (PP) na presidência da Câmara Federal nos sete dias em que substituiu o presidente efetivo, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumiu interinamente a presidência da República durante a viagem do presidente Michel Temer (PMDB) à China. Ao contrário do que diziam os prognósticos mais sombrios, a começar pelos dos “idôneos” comentaristas da Rede Globo – aí incluídos as “vestais” da Globo News -, exalando preconceito em relação à idade, ao nome e ao estado do parlamentar, André Fufuca deu um baile de bom senso, de equilíbrio e habilidade, conduzindo sem tropeços duas sessões, uma delas resultando na votação na aprovação de  dois itens dos mais complicados da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 282/16, que trata da Reforma Política: a regra que acaba com as coligações proporcionais e a que institui a cláusula de desempenho para os partidos poderem ter acesso aos recursos do Fundo Partidário e obter tempo de propaganda no rádio e na TV. Foi elogiado por seus pares.

Desde que chegou à Câmara dos Deputados e se posicionou no núcleo de ferro que cercava o então o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sem, no entanto, transformar-se num dos seus peões, a Coluna percebeu que o parlamentar levara para Brasília muito mais do que um mandato e um voto. Este espaço lhe fez observações críticas e algumas restrições, mas essas foram perdendo sentido à medida que o parlamentar foi ganhando espaço e se situando contexto da Casa. A edição da Coluna do dia 5 de Fevereiro deste ano observou que o deputado André Fufuca – eleito 2º vice-presidente da Câmara Baixa – e o senador João Alberto (PMDB) – eleito 2º vice-presidente da Câmara Alta – representavam duas gerações de políticos maranhenses em postos chave do Congresso Nacional. Na edição do dia 16 de Junho, destacou que o deputado André Fufuca estava revelando habilidade para se situar no centro do poder em Brasília. E na edição do dia 29 de Agosto, avaliou que ao assumir a residência da Câmara em meio ao furacão em torno da Reforma Política, o jovem deputado estaria diante do maior desafio da sua vida política. André Fufuca não se dobrou aos comentários preconceituosos, manteve a cabeça erguida, enfrentou os desafios que o aguardavam e saiu por cima, apresentando resultado de político experiente. Seu desempenha lhe deu autoridade e força política para continuar pavimentando sua trajetória, que parece ser longa e com as condições para ser bem sucedida.

São Luís, 07 de Setembro de 2017.

 

Lula encerra caravana dizendo que se for candidato, será para ganhar, e agradece apoio enfático de Flávio Dino

 

Flávio Dino e Lula: aliança  firme para 2018
Flávio Dino e Lula: aliança firme para 2018 foi selada ontem à noite em São Luís

“Se eu for candidato, serei candidato para vencer. Se querem me derrotar, que venham para as ruas”. Desafio feito pelo o ex-presidente Lula da Silva (PT). “Eleição sem Lula não será eleição, será golpe”. Palavras do governador Flávio Dino (PCdoB).

As duas declarações foram feitas ontem à noite, na Praça Pedro II, pelos dois líderes, no ato de encerramento da peregrinação feita pelo primeiro na Região Nordeste em busca da reafirmação da sua estatura política e da mobilização do seu partido. Diante de cerca de quatro mil pessoas, a maioria militantes do PT, membros de centrais sindicais e dos mais diversos movimentos sociais do campo e da cidade, o ex-presidente esbanjou disposição política e confirmou o seu poder de sedução.  Foi saudado por líderes de organizações sociais, deputados estaduais, deputados federais e senadores, pelo governador do Piauí, o petista Wellington Dias, e foi elevado à condição de maior líder político do Brasil pelo anfitrião, o governador Flávio Dino, que classificou o ato como “o mais bonito da caravana de Lula”.

Mesmo com a voz limitada pela rouquidão, Lula encantou a massa que o aguardou em festa. Fez um discurso ao mesmo tempo emocionado e duro, chamando atenção para as realizações que contabilizou nos seus oito anos de presidência, bateu forte nos seus adversários, reclamou que está sendo vítima de uma perseguição sem precedentes na história política do País, invocou as conquistas da sua gestão nos campos econômico e social, destacou um vasto elenco de conquistas, enfatizou o combate à pobreza que comandou, atribuiu-se o mérito de haver transformado o País e apontou o governador Flávio Dino como um dos mais importantes líderes do Brasil na atualidade. Ao mesmo tempo, avaliou que o atual Governo está tentando controlar a crise com medidas que penalizam os mais pobres, e deixou no ar que se voltar a despachar no Palácio do Planalto vai dar uma guinada na orientação que esta sendo em curso no País.

– Estou cansado. Mas não é o cansaço da covardia, é o cansaço da alegria e da vitória – declarou, mas cuidou de esclarecer que o cansaço lhe dá forçar para continuar sua peregrinação para mostrar aos brasileiros que está sendo vítima de uma trama para tirá-lo da vida pública. “Se eles querem prender corrupto, eles sabem quem são. O Geddel está aí mesmo”, provocou, referindo-se ao caso da apreensão de malas e caixas num apartamento em Salvador contendo milhões de reais, que seria dinheiro de corrupção pertencente ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB). Mas avaliou que isso não acontece porque “juiz e promotor da Lava Jato são reféns da Rede Globo”. Mas disse acreditar que essa realidade está mudando, porque o povo brasileiro, principalmente os mais pobres, já sabe o que está acontecendo e vai reagir nas urnas.

A todo momento interrompido por aplausos da militância petista, Lula disse não ter dúvida de que a perseguição que enfrenta é consequência do fato de ter ele enfrentado as eleitores para combater a pobreza e diminuir a distância entre ricos e pobres, o que foi alcançado por meio de programas sociais como o Bolsa-Família, carro-chefe das ações para acabar as desigualdades da pirâmide social brasileira. Ele reafirmou que se o PT voltar ao poder os programas sociais, hoje sofrendo cortes de recursos, voltarão a todo vapor. E enfatizou que “querem transformar o PT numa organização criminosa, mas o nosso partido é limpo e vai continuar assim”.

O ex-presidente da República encerrou sua maratona pelo Nordeste em festivo clima de pré-campanha e saudado euforicamente pela militância petista.  E deixou no ar a impressão de que tem plena consciência do seu poder de fogo político e eleitoral e de que é favorito na corrida presidencial. E foi enfático quando disse que, “se deixarem”, irá para a guerra eleitoral de 2018 ao lado do governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Em fala entusiasmada, Flávio Dino define Lula como “o maior líder politico do Brasil”

Com as fichas de filiação abonadas pelo ex-presidente Lula, o irmão do governador Flávio Dino, Sálvio Dino Júnior e o ex-delegado geral Lawrence Melo passaram a reforçar  quadros do PT do Maranhão.
O advogado Sálvio Dino Júnior e o delegado Lawrence Melo passaram a reforçar quadros do PT do Maranhão.

Empenhado em dar a Lula da Silva uma recepção em grande estilo em termos políticos, o governador Flávio Dino fez um discurso marcadamente ideológico na saudação ao ex-presidente, acentuando a inclinação do seu Governo na trilha da esquerda.  O governador saudou o ex-presidente como “o maior líder do Brasil”, que infelizmente vem sofrendo as consequências de uma brutal perseguição política. Disse também, que o Maranhão tem muito a agradecer ao ex-presidente, destacando os programas sociais que mantêm e dá segurança a milhares de famílias em todo o estado, que espera reforçar e ampliar com a volta dele ao comando do País. E garantiu que a maioria dos maranhenses se mobilizará para respaldar politicamente a caminhada do ex-presidente de volta ao Palácio do Planalto. Para o governador, mais do que qualquer outro político, Lula é merece dor do apoio dos maranhenses: “Toda vez que que o senhor precisar, presidente, pode contar com o povo do Maranhão”.  Entusiasmado com a beleza de São Luís, e com a lua cheia, Flávio Dino fez um discurso forte exaltando a coincidência de aquele ato público “histórico” ser realizado às vésperas de a Capital completar 405 anos. “Para nós é uma honra recebê-lo aqui neste momento”, disse o governador, acrescentando: “Este é o ato mais bonito de toda a caravana de Lula”.

 

Áudios causam revolta pelo tom de deboche com que empresários armam delação

“A Odebrecht já moeu o Legislativo, agora eu vou moer o Executivo e você vai moer o Judiciário”. A frase, dita em tom de deboche, mas com peso de sentença, foi pronunciada por Joesley Batista, dono da JBS, numa conversa com seu empregado e diretor do Grupo Ricardo Saub, e encerra o segundo áudio liberado ontem pelo Supremo Tribunal Federal após a explosiva entrevista concedida na noite de segunda-0feira pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, para anunciar o que poderá ser a maior e mais devastadora reviravolta já sofrida pela Operação Lava Jato. Em quase uma hora de conversa, Joesley Batista e Ricardo Saub parecem tramar a delação, como se estivessem seguindo um roteiro traçado por assessores. São conversas marcadas pelo deboche e pela certeza de que fazendo a delação seguiriam em frente sem ser importunados, como de farto aconteceu. Os diálogos sugerem que eles já tinham garantido prêmio de não irem para a cadeia e poderiam continuar usufruindo da fortuna que acumularam erguendo empresas com dinheiro fácil do BNDES. Ouvir esses primeiros áudios – muitos outros devem ser liberados nos próximos dias – nauseia qualquer cidadão, porque eles são o retrato da sujeira que muitas vezes move as relações do poder econômico com as instituições que deveriam controlá-lo e mantê-lo nos eixos.

São Luís, 06 de Setembro de 2017.

 

 

 

Maior parte da base partidária que dá apoio a Flávio Dino é adversária do ex-presidente Lula

 

Flávio Dino recebe Lula da Silva no desembarque do ex-presidente em São Luís
Flávio Dino recebe Lula da Silva no desembarque do ex-presidente em São Luís, onde fará hoje um grande ato

A maior parte dos partidos que forma a base de sustentação do governador Flávio Dino (PCdoB) atua na contramão do Palácio dos Leões em relação ao ex-presidente Lula da Silva (PT). Enquanto PCdoB, PT, PDT e PSB representam, juntos, o pilar mais forte da aliança, PSDB, DEM, SD, PPS, PTB, PRB e PR, entre outros, estão firmemente posicionados na frente anti-Lula que se formou no Congresso Nacional e que tem reflexos muito nítidos nos estados, a começar pelo Maranhão. São situações políticas que a princípio não fazem muito sentido, mas que na prática têm explicações muito claras, sendo a principal delas o “instinto de sobrevivência”, que não é limitado por regras e dá pouca importância à coerência. É verdade que, reunida, a frente partidária de esquerda que forma a linha dianteira das forças lideradas pelo governador Flávio Dino tem um poder de fogo muito maior, mas o que chama atenção nesse cenário é que elas se mobilizam facilmente quando a situação exige e que só estão orbitando o Palácio dos Leões e incensando um Governo de esquerda pela vontade indômita de sobreviver. Isso significa dizer que , enquanto o grupo de partidos de esquerda permanecerá com governador Flávio Dino em qualquer circunstância, os representantes do Centrão no Maranhão se movimentarão de acordo com a maré, tendo ou não apoio ao governador atualmente no poder.

A situação mais delicada e difícil de entender é a do PSDB, o mais duro, atuante e intransigente adversário do PT e, por via de desdobramento, o mais duro crítico do ex-presidente Lula. No Maranhão, o PSDB está sob o comando de ninguém menos que o vice-governador Carlos Brandão que, ate onde é sabido, cultiva boas relações com a mais destacada – e agora controvertida – figura do senador mineiro Aécio Neves, que como o – ex-presidente petista caiu nas malhas da Operação Lava Jato. Brandão tem feito um esforço gigantesco para se equilibrar nessa gangorra, mesmo sabendo que o rompimento do PSDB com o PCdoB no Maranhão é apenas uma questão de tempo. Por providencial coincidência, o vice-governador maranhense encontra-se na China prospectando investimentos para a implantação de uma refinaria, a fim de ocupar o frustrante vazio causado pelo PT na sua aliança com o PMDB, mantida por mais de uma década.

Partidos como o DEM, por exemplo, apoia o Governo de esquerda no Maranhão, mas no plano nacional é peça-chave na aliança de centro-direita que dá sustentação ao frágil Governo do presidente Michel Temer (PMDB), não deixando qualquer dúvida de que, dependendo do traçado final do cenário em construção para as eleições de 2018, poderá permanecer na base d governador Flávio Dino ou migrar para outro, desde que ele seja mais seguro e garanta a sua sobrevivência de raposas como o deputado estadual Stênio Rezende, por exemplo. Na mesma linha se movimentam o Solidariedade e outros partidos menores, como PRB e PR, representados no estado pelos deputados Júnior Verde e Josimar de Maranhãozinho, mas que no plano nacional estão fechados com o Governo do PMDB.

Duas situações se destacam nesse contexto, a do PTB e a do PPS. Partido trabalhista que poderia estar na esquerda, mas que prefere navegar pelo centro e se adaptar às circunstâncias, o PTB foi linha de frente do Governo do presidente Lula até que teve seus interesses foram contrariados e levaram o seu presidente, Jefferson, a conceder a explosiva entrevista que deu origem ao “Mensalão”, que mandou para o limbo as mais ilustres e promissoras figuras do PT, a começar por José Dirceu, o ex-guerrilheiro que comandava o partido e dava as cartas como número dois do Governo petista e que era apontado como o sucessor do presidente Lula no Palácio do Planalto. Atualmente, o PTB, que já fez parte do chamado Grupo Sarney, alimenta uma tênue aliança com o Governo do PCdoB no estado, mas é linha de frente na base de sustentação de Michel Temer em Brasília. A situação do PPS é um pouco diferente: representado no Maranhão pela deputada Eliziane Gama, o partido formou com o PSDB e o DEM uma trica poderosa na grade de oposição aos Governos Lula e Dilma Rousseff, contribuiu para a derrubada do segundo e a ascensão do vice Michel Temer, de quem já está se afastando, mas que no Maranhão está posicionado ao lado do governador Flávio Dino.

Em resumo: o ex-presidente Lula da Silva deve ter claro que o seu futuro político está na busca do apoio das massas, porque se vier a depender de suporte partidário para voltar ao poder, só contará mesmo com PT, PCdoB, PDT e PSB.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Reviravolta na Lava Jato alcança Lula em São Luís, onde tudo começou com a prisão de Alberto Youssef.

documento será apresentado pelo presidente do Conselho, Rodrigo Janot, na sede do CNMP, em Brasilia.  FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO
Rodrigo Janot: saia justa ao anunciar reviravolta na Operação  Lava Jato

Por uma dessas peças que o destino costuma pregar para alterar a rotação da ciranda que move a política, a chegada do ex-presidente Lula da Silva a São Luís, onde a Operação Lava Jato apanhou o seu primeiro peixe-grande – o doleiro Alberto Youssef -, coincidiu com a bombástica entrevista na qual o procurador geral da República, Rodrigo Janot, revelou a existência de uma armação criminosa entre delatores e procuradores e que pode desmanchar muito foi feito até agora, a começar pelo perdão concedido aos irmãos Batista, que podem perder os benefícios e acabar na cadeia, onde deveriam estar. Se a história apontar se confirmar como o procurador geral da República a anunciou, a Operação Lava Jato passará pelo seu maior testes desde que foi deflagrada. A confirmação de relações subterrâneas espúrias e criminosas entre procuradores e delatores, que já vinha sendo objeto de fartas suspeitas levantadas por delatados e denunciados, produzirá uma avalanche de contestações sobre a lisura das ações realizadas até aqui. Será uma reviravolta monumental. E não há dúvida de que o ex-presidente Lula da Silva será um dos primeiros a se posicionar, já que nenhuma das acusações que lhe foram está forrada provas concretas, robustas e irrefutáveis. É quase certo de que a entrevista bombástica do procurador geral Rodrigo Janot será um dos temas do discurso que o ex-presidente fará no final da tarde na Praça Pedro II, na Capital do Maranhão.

 

Assembleia Legislativa adia votações mais uma vez por falta de quórum

Othelino Neto: defesa de Dino e provocação à Oposição
Othelino Neto: faz verificação de quórum para votações

A Assembleia Legislativa adiou mais uma vez a pauta de votação. Na sessão de ontem, de novo não reuniu quórum suficiente para submeter ao crivo do plenário uma série de Medidas Provisórias editadas pelo governador Flávio Dino, entre elas uma que autoriza o Governo a definir uma política de benefícios fiscais para o projeto de refinaria que está sendo prospectado pelo Governo do Estado. No comando da sessão, o deputado Othelino Neto (PCdoB), cuidou de atender à solicitação de verificação de quórum. Líderes explicam a ausência de parlamentares com o fato de, além do fato de que a corrida eleitoral para eles já está começando para valer, a ausência de ontem foi ampliada pela chegada do ex-presidente Lula a São Luís no meio da tarde. Depois do feriadão da Semana da Pátria, está previsto que as lideranças farão esforços para normalizar o processo de votações, já que há matérias importantes para serem decididas pelo plenário do Poder Legislativo.

 

São Luís, 04 de Setembro de 2017.

Visita de Lula ao Maranhão vai liquidar vestígios da aliança com Sarney e consolidar união com Flávio Dino

 

Lula da Silva e Flávio Dino consolidando aliança
Lula da Silva e Flávio Dino consolidando aliança para 2018

São Luís será palco, nas próximas 72 horas, de uma série de eventos que poderão ter influência decisiva no desenho político-partidário para a corrida eleitoral do ano que vem. Trata-se da etapa maranhense da peregrinação que o ex-presidente Lula da Silva (PT) faz pelo Nordeste, na qual terá o governador Flávio Dino (PCdoB), seu aliado declarado, como anfitrião, e o ex-presidente José Sarney (PMDB), também aliado e guru durante seu governo, agora como adversário.  Dois itens da programação marcarão a visita: a recepção do ex-presidente pelo governador no Palácio dos Leões e o ato público no qual o PT espera reunir uma multidão para ouvir e aplaudir seu maior líder. Lula tem dois objetivos claros: consolidar-se como vítima do que ele chama de armação político-judicial destinada a sufocar sua trajetória e tirá-lo da vida pública, e pavimentar a estrada para disputar estrada para tentar voltar ao Palácio do Planalto se puder ser candidato. Nesse contexto, além de anfitrião, o governador Flávio Dino reafirmará sua posição de referência destacada da esquerda moderada no País e de apoiador linha de frente da (im)provável candidatura do líder petista.

Nas avaliações feitas por entusiasmados militantes petistas, de certa maneira corroboradas por analistas ligados ao Palácio dos Leões, Lula aposta alto que, se candidato, arrebanhará entre 70% e 80% dos mais de quatro milhões de votos maranhenses. Tal perspectiva se baseia no histórico do seu vitorioso desempenho eleitoral no Maranhão. E nesse contexto, nada mais natural e promissor do que uma dobradinha com o governador Flávio Dino, que caminha para consolidar a tendência de favoritismo na corrida ao voto. Mesmo os observadores mais cautelosos e nada simpáticos ao ex-presidente petista, a expectativa é que, em sendo candidato, Lula não terá menos que 50% dos votos no Maranhão, sejam quais forem seus concorrentes.

Durante sua passagem por São Luís, onde desembarcará amanhã (4) à tarde e seguirá em frente na manhã de quarta-feira (6), Lula deverá colocar pingos nos is e até mesmo ponto final nas dúvidas que ainda restam a respeito do seu relacionamento com o ex-presidente José Sarney e em relação à solidez da sua amizade política com o governador Flávio Dino. Isso porque sua aliança pessoal e política com o ex-presidente foi tão forte que em 2006, quando Lula deu as costas para seus antigos aliados no Maranhão e obrigou o PT a romper com Dino e Jackson Lago (PDT) para apoiar a candidatura de Roseana Sarney (PMDB), chegando ao ponto de, às vésperas da eleição, num discurso emocionado em Timon, pedir “pelo amor de Deus” que os maranhenses elegessem Roseana, que àquela altura já estava irreversivelmente derrotada. A aliança Lula-Sarney se manteve firme em 2010 em torno das candidaturas de Dilma Rousseff (PT) para presidente e Roseana Sarney para o Governo, tendo inviabilizado as candidaturas de Flávio Dino e Jackson Lago. Em 2014, Lula e Dilma de novo ficaram com o Grupo Sarney, desta vez apoiando o empresário e suplente de senador Lobão Filho (PMDB) contra Flávio Dino. Naquela disputa, porém, pressionado pela banda rebelada do PT, que o apoiava aberta e ostensivamente, Flávio Dino fez uma campanha pedindo votos para Dilma contra José Serra (PSDB), mesmo com a petista mantendo indiferença ao candidato pemedebista.

Os laços de Lula e do comando nacional do PT com Flávio Dino só se estreitaram na crise do impeachment, quando Dilma Rousseff foi abandonada pelo PMDB, que arrastou o Centrão para a campanha do “Fora Dilma!” tendo o Grupo Sarney na linha de frente. Dino assumiu a defesa da então presidente, entrando em choque aberto com os caciques do Congresso Nacional, acusando-os de tramar um golpe de estado contra a presidente, e até mesmo com os chefes da Operação Lava Jato, questionando decisões do juiz Sérgio Moro em relação ao ex-presidente Lula.  Nos momentos mais decisivos da crise, Dino colocou em risco o seu cacife político e seu prestígio pessoal e se expôs na defesa de Dilma e Lula. A tomada de posição do governador resultou na reunificação do PT no Maranhão, que agora está inteiramente integrado à aliança partidária comandada pelo governador.

A visita de Lula servirá para colocar uma pá de cal nas dúvidas e incertezas do passado recente e consolidar definitivamente uma relação política sólida que abra um horizonte largo no grande confronto eleitoral que está a caminho.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lula e Dino devem conversar sobre aspirações do PT em relação à vice e ao Senado

Waldir maranhãom entra no PTdoB para ser candidato a senador
Waldir Maranhão entra no PTdoB e pode ser  candidato a senador apoiado por Lula

O governador Flávio Dino e o ex-presidente Lula da Silva deverão se reunir a portas fechadas para colocar sobre a mesa alguns pontos que precisam ser ajustados na relação do PCdoB com o PT no Maranhão. Mesmo com cacife eleitoral não muito atraente – tem um deputado federal (José Carlos), um estadual (Zé Inácio) e uma penca modesta de sete prefeitos e algumas dezenas de vereadores –, a cúpula do PT quer emplacar o candidato a vice-governador na chapa que será liderada por Flávio Dino, ou um nome do partido ou o deputado federal Waldir Maranhão (PTdoB), que teria o aval de Lula, compor com o deputado federal Weverton Rocha (PDT) a chapa de candidatos ao Senado. No caso da candidatura à vice, o PT, além de não ter nome para propor, terá de brecar os movimentos do vice-governador Carlos Brandão para permanecer no PSDB e convencer o tucanato de que o partido deve mantar a aliança com o PCdoB no Maranhão. Além disso, está em andamento um movimento destinado a viabilizar a candidatura de Cleomar Tema Cunha, atual prefeito de Tuntum e presidente da Famem, à vice-governador.  No núcleo que cerca o governador há quem garanta que esses assuntos não serão tratados agora, mas garantem que é apenas uma questão de tempo, de escolher o momento mais adequado, que deve surgir provavelmente até o final deste mês de setembro. Mas há também que ache que o PT entrar na aliança e apoiar o projeto de reeleição de Flávio Dino só com seus candidatos a deputado federal e deputado estadual, por considerar que o importante agora e alimentar o poder eleitoral de Lula da Silva no Maranhão e torcer para que ele seja candidato a presidente.

 

“Fake news” tentou encurtar a interinidade de Fufuca no comado da Câmara Federal

André Fufuca: exercício da presidência sem cometer erros
André Fufuca: presidente interino da Câmara

Tentaram diminuir em um dia – de quarta-feira (6) para terça-feira (5) – a interinidade do deputado maranhense André Fufuca (PP) na presidência da Câmara Federal. O jornalismo sôfrego que vem sendo feito pela Globo News, que se preocupa em investigar quem entra e quem sai do Palácio do Jaburu, produziu uma imensa barriga na sexta-feira, quando a bela repórter Andrea Sadi, ouvindo sabe-se lá que fonte – ministro, assessor, porteiro, motorista ou jardineiro? –, “descobriu” que, por causa de provável nova denúncia do empresário-bandido Joesly Batista, o presidente Michel Temer anteciparia em um dia o seu retorno da bem sucedida viagem à China. Era uma “fake news” (notícia falsa) grosseira, desmentida pelo próprio presidente da República, que exibiu um indisfarçável ar de ironia. André Fufuca, que passa o fim de semana no estado, nem se tocou para o imbróglio que a turma da Globo News se desdobrou para desmanchar, tarefa que foi entregue ao Jornal Nacional.

 

São Luís, 02 de Setembro de 2017.

 

Extinção de reserva ambiental por Temer causa protestos e cria embaraço para Sarney Filho

 

Sarney Filho: ônus de explicar extinção de reserva ambiental
Sarney Filho: ônus de explicar extinção de reserva ambiental

A decisão do presidente Michel Temer  (PMDB) de extinguir, via decreto, a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) – uma área de preservação de 47 mil quilômetros quadrados incrustada entre o Pará e o Amapá, rica em cobre, ouro, ferro, manganês e outros minerais nobres, mas que também abriga reservas, parques e terras indígenas – abriu uma grande janela para o incremento da indústria da mineração, mas também formou uma onda de protestos de ambientalistas do Brasil e do mundo inteiro. A reação contrária foi tão forte que o presidente voltou atrás, desfez o primeiro decreto e editou outro na perspectiva de tornar mais claros os objetivos da decisão inicial, corroborada pelo Ministério de Minas e Energia. Só que a bomba estourou no birô do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, que nada teve a ver com o decreto presidencial, mas acabou pressionado pelos desdobramentos e tendo de assumir a espinhosa tarefa de destacar as vantagens e as virtudes e de explicar as marchas e contramarchas da decisão, funcionando como anteparo das críticas dirigidas ao presidente Michel Temer. O ministro corre o risco de enfrentar os respingos dessa reação no seu projeto de chegar ao Senado no ano que vem.

Posicionado no centro do fogo cruzado da imprensa e das organizações ambientalistas que querem preservar a Renca tal como ela foi criada, há 43 anos, pelo general João Figueiredo, o último presidente da Ditadura Militar, Sarney Filho, vem fazendo as vezes de porta-voz do Governo, já que o ministro de Minas e Energia, Marcelo Coelho Filho, mais diretamente envolvido no assunto, não vinha dando conta de colocar a coisa no seu devido lugar com explicações técnica e politicamente convincentes. Sarney Filho informou que o novo decreto mantém a extinção da Renca, mas institui regras duras e muito claras sobre a pesquisa ou lavra nas áreas de preservação. Mesmo mais claro e mais leve em relação à abertura da área para pesquisas e explorações minerais, o novo decreto do presidente da República acalmou os ânimos e amenizou as críticas à iniciativa.

Experimentado na convivência com organizações ambientalistas que vivem medindo força com o Governo, Sarney Filho deu a garantia de que o seu Ministério dispõe de recursos suplementares para bancar fiscalização “rigorosa contra garimpos ilegais”. “Achamos que precisava ficar mais clara nossa preocupação ambiental”, destacou. Segundo ele, o decreto deixa claro que não pode haver exploração mineral em unidade de conservação. “O decreto cria comitê de acompanhamento das áreas ambientais da extinta Renca”, explicou. Para o ministro do Meio Ambiente, o decreto ajuda a ordenar o desenvolvimento na Amazônia.

Ao entrar de cabeça nessa bola dividida, Sarney Filho corre o risco de ter seu projeto senatorial arranhado pelo imbróglio. Vivenciado nesse jogo, o ministro sabe exatamente com quem está lidando e por isso tem consciência de que pode sair politicamente arranhado do episódio. Quando se apresentou numa entrevista coletiva sobre o assunto, Sarney Filho parecia fortemente incomodado com a situação, sinalizando involuntariamente que, politicamente, a extinção da Renca pode lhe causar algum dano.

Em Tempo: Na área da Renca extinta pelo decreto presidencial estão sete unidades de conservação, sendo três de proteção integral (Estação Ecológica do Jari, Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e Reserva Biológica de Maicuru); quatro de uso sustentável (Reserva Extrativista Rio Cajari, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, Floresta Estadual do Amapá e Floresta Estadual do Paru) e duas terras indígenas (Rio Paru d’Este e Waiãpi).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto destaca arquivamento de denúncia contra Dino e provoca Oposição

Othelino Neto: defesa de Dino e provocação à Oposição
Othelino Neto: defesa de Dino e provocação à Oposição

O deputado Othelino Neto (PCdoB), vice-presidente da Assembleia Legislativa foi o único integrante da base do Governo a ocupar a tribuna  para registrar, com entusiasmo, o arquivamento, pelo STJ, do pedido de investigação baseado na delação fajuta do executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho, que disse em depoimento que o governador Flávio Dino teria recebido R$ 200 mil de “caixa dois” para sua campanha em 2010. O parlamentar comunista foi duro com a Oposição, dizendo que os adversários do governador Flávio Dino deveriam pedir-lhe desculpas pelo fato de o terem atacado duramente enquanto a suspeita, ainda que inconsistente, se manteve de pé. Othelino Neto lembrou do entusiasmo que dominou políticos do campo adversário com a tentativa de emplacar  Flávio Dino como investigado da Operação Lava Jato.  “Eu gostaria de ver a oposição saudosista informando o arquivamento do processo com a mesma veemência, com a mesma alegria, com o mesmo espetáculo, com o mesmo entusiasmo que comemorou quando houve a frágil citação de Flávio Dino na delação da Odebrecht”, provocou.

 

André Fufuca supera primeiros obstáculos e tensões na presidência da Câmara Federal

André Fufuca: exercício da presidência sem cometer erros
André Fufuca: exercício da presidência sem cometer erros

O deputado federal André Fufuca (PP) fechou as primeiras complicadas e tensas 48 horas como presidente interino da Câmara Federal sem cometer um escorregão, o que reforçou sua posição que inicialmente parecia extremamente frágil, segundo as avaliações apressadas da turma de comentaristas da Globo News e da equipe do Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Numa entrevista que concedeu ainda na quarta-feira, André Fufuca colocou pingos nos is em relação à Reforma Política, admitindo que a falta de consenso poderá inviabilizar a votação das mudanças para as eleições do ano que vem. Disse que se houver um esforço das lideranças partidárias, a situação poderá ser resolvida na próxima semana. E num rasgo de autonomia, avisou que se a nova denúncia contra o presidente Michel Temer chegar à Câmara Federal durante a sua presidência, ele dará prosseguimento ao processo, encaminhando à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, de acordo com o que reza o regimento da Casa.

São Luís, 31 de Agosto de 2017.