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Grupo Sarney joga pesado sobre elegibilidade de Carlos Brandão, mas Flávio Dino não vai aceitar eleição com “turno judicial”  

 

Flávio Dino não abre mão de ter o vice Carlos Brandão como candidato à reeleição 

O debate que se instalou em torno da candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PRB) à reeleição na chapa do governador Flávio Dino (PCdoB) sinaliza com a possibilidade de o Maranhão vir a ser confirmado um estado onde questões de natureza essencialmente políticas serem resolvidas no tapetão judicial. Agora, ganha forma uma dúvida simples, sem qualquer peso na decisão eleitoral que está a caminho e sem nenhuma influência positiva ou negativa no futuro do governador Flávio Dino (PCdoB) e seu projeto de poder, nem acrescenta qualquer ganho ou perda político ou eleitoral para o projeto da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) voltar ao poder. O projeto de imbróglio causa, sim, alguma celeuma política, a exposição de várias teses jurídicas, algumas manchetes de jornal, matérias para telejornais, muita agitação nas chamadas redes sociais, uma guerra de petardos incendiários na blogosfera e muitas discussões animadas em rodas de conversas e em mesas de bar.

A pergunta que está gerando tudo isso é a seguinte: o vice-governador Carlos Brandão tornou-se inelegível por haver substituído o governador Flávio Dino durante uma viagem de cinco dias que o titular do Poder Executivo fez aos Estados Unidos, no início do ano? Num país onde as leis são claras e objetivas, a resposta seria dada com uma simples consulta à Carta Magna ou à legislação eleitoral em vigor. Mas no Brasil, onde a Constituição é confusa e dúbia em muitos casos e a legislação eleitoral é mudada pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal a cada intervalo eleitoral, não existe uma resposta precisa, objetiva, direta, que não deixe uma réstia de dúvida em relação ao que é certo e o que é errado nesse caso. Tanto que a Coluna consultou quatro advogados experientes e bem sucedidos no tatame eleitoral e, por incrível que pareça, nenhum deu uma resposta taxativa, definitiva, irretocável. Ao contrário, todos divagaram por capítulos, parágrafos e incisos da Carta Magna e do Código Eleitoral, juntaram uns com outros, acrescentaram e subtraíram argumentos, mas nenhum com precisão cartesiana: “Está inelegível” ou “Não está inelegível”. Menos pela competência de cada um, mais pelas armadilhas que permeiam a legislação eleitoral. O que significa dizer que num tribunal as interpretações dos julgadores podem consolidar ou demolir teses a favor e contrárias à candidatura do vice-governador à reeleição.

Quando o governador Flávio Dino confirmou Carlos Brandão como o seu companheiro de chapa, o zumzum sobre a suposta inelegibilidade do vice-governador já estava posta. O que ficou claro foi que o governador, com a bagagem jurídica que tem e a experiência que acumulou no campo judiciário, com o magistrado federal, tinha plena segurança de que nada havia de errado com o fato de o vice ter assumido o Governo naquele período, tanto que não deu muita importância ao assunto. O Grupo Sarney, por sua vez, com a experiência de haver salvado a ex-governadora Roseana Sarney da guilhotina no Caso Lunus (2002) e derrubado o  governador pedetista Jackson Lago (2009) por suposta fraude eleitoral, sabe onde pisa nesse ringue. Formulado pelo senador João Alberto, presidente estadual do MDB e um dos cardeais mais pé no chão do sarneysismo, o pedido para que o Ministério Público impugne a chapa Flávio Dino/Carlos Brandão não deve ser vista apenas como um ato inconsequente de um grupo em crise.

Por outro lado, o Grupo Sarney joga pesado porque sabe que do outro lado tem um adversário preparado, experiente e que conhece o caminho das pedras e das manhas da política maranhense, e que também carrega um sólido entendimento a respeito de como funcionam as engrenagens da Justiça, o que lhe dá expertise para driblar as ciladas. Mais ainda: não será problema nenhum para o governador Flávio Dino mudar o seu vice se as circunstâncias obrigarem. A começar pelo fato de que o que está em jogo não é um caso de fraude ou de corrupção na montagem da chapa, nem a integridade ética do governador e do vice-governador. Trata-se,  apenas de um caso de poder ou não poder ser candidato por conta de uma substituição num determinado momento.

Pela dimensão que está dando a uma questão, o Grupo Sarney sinaliza que tem a dúvida sobre a elegibilidade de Carlos Brandão como um trunfo a ser alimentado até quando lhe for possível, apostando num (im)provável desgastes à imagem política do governador.  Mas tudo leva a crer que o governador Flávio Dino está preparado para tomar a decisão certa: manter ou mudar o seu vice. Isso porque, a julgar pelo que corre nos bastidores, ele não permitirá a realização de um “terceiro turno” da eleição no tapetão judicial. Principalmente porque vislumbra liquidar a fatura em um turno só, ou, no máximo, em dois, como é a regra.

Vale, portanto, aguardar os próximos lances do “caso”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão manterá defesa de Lula durante a campanha

Edison Lobão e lula da Silva: amizade sólida construída durante anos de Governo

Ninguém duvida de que o senador Edison Lobão (MDB) abraçará a candidatura do ex-ministro Henrique Meirelles à presidência da República e a levará até onde for possível em território maranhense. Militante partidário e político de grupo, Lobão dificilmente ignoraria um candidato emedebista, por pior que ele fosse, durante a campanha. Ao mesmo tempo, o senador fará e seus discursos de campanha registros o calvário do ex-presidente Lula da Silva (PT), que na sua opinião foi preso para não voltar a ser presidente do Brasil, conforme tem deixado registrado nos anais do Senado nas duras críticas que tem feito ao tratamento dispensado ao ex-presidente na prisão e as restrições tem que sofrido nas tentativas para provar que a condenação dele é injusta, sem crime definido e sem base legal. Algumas vozes têm criticado o senador  acusando-o de oportunismo. Edison Lobão tem reagido sem dar a menor importância aos seus críticos. Tem a seu favor argumentos irrefutáveis, sendo o mais eficiente deles o fato de ter sido ministro de Minas e Energia nos Governos de Lula, e que nesse período construiu uma sólida amizade com então presidente. Nessa linha, Edison Lobão pretende manter sua coerência apoiando o candidato do seu partido, mas manifestando o que pensa sobre o que Lula da Silva está vivendo, principalmente se o ex-presidente vier mesmo a ser impedido de votar e ser votado.

 

Comando da Famem homenageia o governador Flávio Dino

Acima: Flávio Dino com os dirigentes da Famem. Abaixo: Flávio Dino exibe a placa que lhe foi entregue por Dlalma Melo e Miltinho Aragão durante a reunião 

Uma visita do governador Flávio Dino à sede da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem) estreitou ainda mais as relações já produtivas entre o Governo do Estado e a importante e influente entidade municipalista. Aconteceu na segunda-feira (6), quando o governador, acompanhado dos deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), ambos candidatos ao Senado, foi recebidos pelos prefeitos de Arari, Djalma Melo (???) e de São Mateus, Miltinho Aragão (PSB), que comandam interinamente a organização em razão do afastamento temporário do presidente Cleomar Tema (PSB), prefeito de Tuntum. Praticamente todos os membros da diretoria da Famem na sua nova sede, na Avenida dos Holandeses.

Foi uma reunião informal e descontraída. Bem à vontade entre os prefeitos, o governador fez um rápido balanço da sua gestão, falou sobre as conquistas do Governo e também comentou sobre o quadro dramático causado pela crise que ainda abala o País. E ouviu deles informações na mesma direção, como os problemas que afetam os municípios devido à queda de receita e as dificuldades causadas pela falta de recursos para investimentos.

Os dirigentes temporários da Famem consideraram que o governador adotou uma linha de ação identificada com o municipalismo, com a adoção de politicas públicas importantes para as unidades municipais no seu Governo, e movidos pelo reconhecimento, o homenagearam com uma placa com os seguintes dizeres: “A Famem reconhece, ao tempo em que agradece, ao governador Flávio Dino pelo incansável e reconhecido trabalho ora desenvolvido à frente do governo do estado do Maranhão, através de um amplo leque de ações municipalistas que culminaram com notáveis avanços e maior desenvolvimento social ao nosso povo maranhense”.

Sensibilizado, o governador Flávio Dino agradeceu a homenagem, destacou a importância da entidade, principalmente pelo papel que ela exerce no esforço para tornar o Maranhão mais justo e igualitário, fazendo ainda o seguinte comentário: “Admiro e constato a importância da Federação desde jovem, quando meu pai [Sálvio Dino] foi prefeito de João Lisboa. Trata-se de uma entidade parceira do Governo e que muito nos ajuda a fazer um estado melhor”.

Além de Djalma Melo, Miltinho Aragão e Cleomar Tema, participaram do encontro os prefeitos Erlânio Xavier (Igarapé Grande), Padre Domingos Costa (Matões do Norte), Magrado (Viana), Laércio Arruda (Lago da Pedra), Rodrigues da Iara (Nina Rodrigues), Manino (Alto Alegre do Maranhão), Chico Freitas (Lagoa Grande), Carlinhos Barros (Vargem Grande), Joãozinho do Dimaizão (Itaipava do Grajaú) e Maria da Conceição Araújo (São Vicente Ferrer).

São Luís, 07 de Agosto de 2018.

 

Acordo PT/PCdoB dá um candidato presidencial forte e mais cacife político a Flávio Dino na corrida aos Leões

 

Flávio Dino e Lula da Silva: aliança garantida pelo acordo firmado entre PT e PCdoB na corrida ao Palácio do Planalto

A grande articulação que resultou na retirada da candidatura presidencial da deputada gaúcha Manuela D`Ávila, abrindo caminho para uma aliança PT/PCdoB, com o lançando em breve da candidatura do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Hadade (PT), a presidente da República na vaga do ex-presidente Lula da Silva, que será irremediavelmente retirado da corrida, colocou o governador Flávio Dino (PCdoB) no circuito onde se trava a disputa pelo Palácio dos Planalto. O governador do Maranhão viu, assim, sua tese de união de parte da banda maior da esquerda (PT, PCdoB e PSB) em torno de um candidato tornar-se uma realidade. Agora, ao contrário de todos os demais aspirantes ao Palácio dos Leões, que formalizaram suas candidaturas aliando-as, querendo ou não, a candidatos presidenciais, o governador defenderá nas batalhas da guerra eleitoral um candidato presidencial forte.

Flávio Dino oporá Lula ou Fernando Hadade a Henrique Meirelles (MDB), candidato de Roseana Sarney (MDB); a Geraldo Alckmin (PSDB), candidato de Roberto Rocha, e a Jair Bolsonaro (PSL), candidato de Maura Jorge. Mas será cuidadoso com Ciro Gomes (PDT), que o trata como um fenômeno político, e com Guilherme Boulos (PSTU), candidato de Odívio Neto, e com Maria Laura (PSTU), candidata de Ramon Zapata, todos esses do campo esquerdista. Ao contrário de 2014, quando o PT preferiu abraçar a candidatura de Lobão Filho, dentro do grande acordo nacional com o então PMDB, obrigando-o a abrir o seu movimento a petistas desgarrados e a tucanos atrás de um muro seguro, o governador vai agora se dedicar a um candidato presidencial forte, um aliado assumido e que o terá também como o seu candidato para o Governo do Maranhão.

O governador Flávio Dino poderia tranquilamente tocar sua campanha à reeleição distanciado da guerra pelo poder nacional. Mas como a sua postura política não comporta a chaga da omissão, ele entrou de cabeça no grande debate como a voz mais firme e fundamentada na defesa do ex-presidente Lula, a quem considera injustiçado, vítima de decisões judiciais com as quais não concorda. Nesse movediço campo de batalha,  jogou todo o peso do seu prestígio político pela libertação do ex-presidente, operando fortemente também para unir as esquerdas em torno de Lula ou seu substituto na vaga de candidato do PT ou até mesmo de Ciro Gomes. Na equação sem Lula, sua inclinação inicial era pela candidatura do ex-governdor do Ceará, mas diante das diferenças que ainda distanciam pedetistas e petistas, o governador deverá abraçar a candidatura do substituto Lula, deixando seus aliados livres para apoiar o projeto do candidato do PDT, mas aliando-se a quem desse campo for para o segundo turno da corrida presidencial.

Ao aliar-se ao PT e aos outros segmentos da chamada esquerda democrática em torno de um candidato presidencial – seja Lula ou Fernando Hadade -, o governador Flávio Dino se consolida como o referencial desse campo no Maranhão e um dos principais em todo o País, não dando margem para que seus principais adversários, a começar por Roseana Sarney, façam movimentos no sentido de usar Lula ou seu substituto a seu favor, como aconteceu em 2010 e 2014. A começar pelo fato de que, ainda que algumas vozes envergonhadas do PT façam jogo duplo, não há como negar que o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora Roseana Sarney se distanciaram e mesmo que tentem agora uma tardia defesa do ex-presidente. Assim, adversários poderão até usar Lula como mote de campanha, mas a aliança PT/PCdoB foi amarrada de tal maneira que o referencial dos petistas é o atual ocupante do Palácio dos Leões. Até porque, queira ou não, o MDB tem candidato a presidente, Henrique Meirelles, que não vai admitir que a candidata emedebista ao Governo do Maranhão não o apresente ao eleitorado maranhense como o salvador da Pátria.

Agora definido na esfera da corrida presidencial, o governador Flávio Dino mostra que estava certo quando em 2015 levantou o estandarte da sua defesa sobre a recém reeleita presidente Dilma Rousseff.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton Rocha e Sarney Filho vivem situações semelhantes na corrida presidencial

Duas situações parecidas envolvem os deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Sarney Filho (PV), ambos candidatos ao Senado, o primeiro pela aliança comandada pelo governador Flávio Dino e o segundo pela coligação comandada pela ex-governadora Roseana Sarney.

Weverton apoiará Ciro Gome 

Com o acordo PT/PCdoB, o governador Flávio Dino vai apoiar o candidato presidencial do PT, que poderá ser o ex-presidente Lula da Silva, que está preso, ou o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, o deputado Weverton Rocha terá de navegar na contramão desse projeto e fazer campanha para o candidato presidencial do seu partido, o ex-ministro Ciro Gomes. Um entendimento nesse sentido já foi estabelecido governador Flávio Dino e o deputado Weverton Rocha, que preside o PDT no Maranhão é um dos principais articuladores da candidatura presidencial do ex-governador do Ceará.

Sarney Filho vai com Marina Silva

Já o deputado federal Sarney Filho, que é candidato a senador pela aliança liderada pela irmã, não apoiará o candidato do MDB, ex-ministro Henrique Meirelles, mas a candidata da Rede, Martina Silva, por conta de uma aliança por meio da qual o PV indicou o vice da presidenciável e fundadora da Rede Sustentabilidade. Sarney Filho, que era do PFL quando se engajou no movimento que fundou o PV no Brasil nos anos 90 do século passado, seguindo uma tendência mundial.

Como se vê, são situações ao mesmo tempo lógicas e estranhas só tolerada no universo das alianças partidárias.

 

Flávio Dino diz que José Sarney desconhece a realidade atual do Maranhão

Flávio Dino e José Sarney: Dino: provocação e desafio

Do governador Flávio Dino, em entrevista ao jornalista Raimundo Borges, de O Imparcial, ao ser indagado sobre o que pensou da provocação que lhe foi dirigida pelo ex-presidente José Sarney, que o acusou de estar aplicando o “Conto do Vigário” no comando do Estado:

“O ex-presidente José Sarney está há muito tempo afastado da realidade do Maranhão, né? Nesse período em que a filha quer voltar ao poder, talvez fosse o momento de ele conhecer tantas coisas boas que têm sido feitas no Maranhão. Coisas sérias, decentes, honestas. Eu acho que nesse caso é absoluto desconhecimento”

São Luís, 06 de Agosto de 2018.

 

Candidaturas: Dino vai enfrentar Roseana, Rocha e Maura na corrida ao Palácio dos Leões; ultra esquerda só quer marcar posição

 

Flávio Dino com Carlos Brandãoo, Weverton Rocha e Eliziane Gama na festiva convenção; Roseana Sarney com Edison Lobão e Sarney Filho; Roberto Rocha com Eduardo Braide no ato da aliança; Maura Jorge entre Rafael Filho e Samuel Itapecuru; Odívio Neto fala na convenção, e Ramon Zapata (e) líderes do PSTU

Vencida a última etapa de definições político-partidárias, os 4,5 milhões de eleitores maranhenses têm definido o quadro de candidatos ao Palácio dos Leões: Flávio Dino (PCdoB), Roseana Sarney (MDB), Roberto Rocha (PSDB), Maura Jorge (PSL), Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU). Trata-se, como se vê, de um arco que vai da direita radical (Maura Jorge), passa pelo centro-direita (Roseana Sarney), avança pelo centro (Roberto Rocha), segue pela esquerda moderada (Flávio Dino), alcança a esquerda radical (Odívio Neto) e termina a extrema-esquerda (Ramon Zapata). Nesse contexto, o governador Flávio Dino, que concorre à reeleição e lidera as intenções de voto – segundo todas as pesquisas feitas até agora para medir as preferências do eleitorado -, é o grande referencial da disputa, definido, portanto, como o candidato que os outros cinco vão tentar derrotar. As articulações frenéticas que movimentaram os bastidores partidários nas últimas semanas produziram o plantel possível de candidatos, principalmente se levadas em conta as montagens que se deram no plano da disputa para a presidência da República. É esse o cenário que qualquer olhar isento identificará no tabuleiro político do Maranhão desde a noite de sábado.

No comando de um Governo forte e acreditado, em que pese o bombardeio cerrado com o objetivo de desacreditá-lo, o governador Flávio Dino soube se movimentar e articulou uma coligação-gigante, reunindo um leque de 16 partidos dos mais diversos vieses ideológicos: PCdoB, PT, PDT, PTB, PST, DEM, PP, PRB, PR, SD, PROS, PPS, Avante, PSB, PTC e PPL, impondo fortes limitações aos seus adversários nesse campo. Valeu-se, licitamente, do poder de fogo que armazenou como líder de um projeto de poder que tem como grande objetivo fazer a grande transição do sarneysismo para uma nova realidade política no Maranhão. Tanto que vai para a campanha reforçando o mote da mudança que lhe serviu de argumento maior na campanha de 2014. No comando dessa coligação-gigante, o governador seguirá para as urnas com o objetivo de liquidar a fatura já no primeiro turno, mas também preparado para encarar um eventual segundo turno. Com um currículo em que constam duas tentativas de chegar ao Palácio dos Leões – a primeira em 2010, quando perde para Roseana Sarney, e a segunda em 2014, quando venceu derrotando Lobão Filho (PMDB) -, faz dele um candidato que conhece o caminho das pedra que lhe permite se movimentar como favorito. Leva como vice Carlos Brandão (PRB), um vice fiel e alinhado.

Principal adversário do governador Flávio Dino, com metade das suas intenções de voto, a ex-governadora Roseana Sarney tentou, sem sucesso, montar uma frente com os demais candidatos, consolidando assim sua candidatura por uma coligação bem mais modesta: MDB, PV, PSD e PSC.  Roseana Sarney vai para a sua quinta tentativa de chegar ao Governo do Estado – venceu em 1994 e 1998 contra Epitácio Cafeteira e em 2010 contra Jackson Lago (PDT) e Flávio Dino (PCdoB) e perdeu em 2006 para Jackson Lago. Ao contrário de outras campanhas, Roseana Sarney vai para o campo de batalha sem os instrumentos que embalaram suas três eleições: suporte das máquinas estadual e federal, apoio de presidente da República e ampla rede partidária. Pior: por força de imposição partidária, terá de vender aos eleitores o presidenciável Henrique Meirelles, ex-banqueiro e ex-ministro da Fazenda e político sem voto e sem charme. Entra na guerra consciente de que o cenário lhe é desfavorável em todos os sentidos, mas confia no prestígio político e eleitoral que conseguiu nos mais de 12 anos em que esteve no cargo e, claro, no seu poder de sedução política. Tem como vice o empresário tocantino Ribinha Cunha (PSC), escolhido para seduzir Imperatriz e adjacências.

O senador Roberto Rocha vai para a guerra à frente de uma coligação modesta: PSDB, Podemos, Rede, DC, PMN e PHS. Conseguiu na última hora atrair o apoio do deputado estadual Eduardo Braide, que, inteligentemente, andou agitando os bastidores na fase prévia da corrida  como pré-candidato a governador, mas acabou candidato a deputado federal e avisando que será candidato a prefeito de São Luis em 2020. Roberto Rocha conseguiu rascunhar o que poderá vir a ser uma “terceira via” na política maranhense, à medida que disputa o Governo aparentemente sem chance de sucesso, mas delimitando um espaço expressivo no cenário estadual. Seu grande trunfo agora é a candidatura presidencial do tucano Geraldo Alckmin, que após absorver o Centrão ganhou competitividade e poderá injetar algum gás na corrida estadual. Falta-lhe ainda um vice, que poderá ser um aliado ou sair das entranhas do ninho dos tucanos.

Maura Jorge disputa o Palácio dos Leões na esteira de um projeto que nasceu sem pé nem cabeça, mas que ganhou forma depois que ela, num lance ousado: semanas depois de receber em São Luís o presidenciável Álvaro Dias, do seu partido, o Podemos, ela foi a Brasília com a cara e a coragem e propôs uma aliança com o presidenciável Jair Bolsonaro no Maranhão, que topou sem pensar duas vezes. Firmado o acordo, Maura Jorge aproveitou a janela partidária, abandonou o Podemos e filiou-se ao PSL, transformando o projeto bolsonarista no principal mote da sua campanha. Amargou o isolamento, foi convidada para ser vice de Roberto Rocha, com liberação para defender seu candidato a presidente, mas manteve seu projeto. Confirmou sua candidatura tendo como vice o tenente-coronel Roberto Filho (PSL). Vai sair do processo com a dignidade que entrou.

Odívio Neto (PSOL), que tem como vice Gigia Helena, do mesmo partido, e Ramon Zapata (PSTU), cujo vice é Nicinha Durães, entram na corrida ao Palácio dos Leões sem qualquer expectativa de bom resultado. Partidos ideológicos, que inclusive questionam o modelo de sociedade em vigor no Brasil e as regras do sistema de escolha e representação políticas, participam do processo para marcar suas posições. Mais pragmático, o PSOL espera sair da corrida eleitoral com cacife que lhe permita, por exemplo, participar das eleições municipais de 2020.

É esse o cenário que a Coluna enxerga.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maura Jorge invoca Deus para não aceitar aliança com Roberto Rocha

Maura Jorge disse a Sebastião Madeira que segue a orientação de Deus

A interferência divina foi o motivo que impediu a aliança do PSDB com o PSL na qual a bolsonarista Maura Jorge seria candidata a vice na chapa de Roberto Rocha, projeto que foi intensamente discutido pelas cúpulas dos dois partidos. A última tentativa aconteceu na noite de sexta-feira (29), véspera das convenções que confirmariam as duas candidaturas. Secretário geral do PSDB e coordenador da campanha dos tucanos, o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, foi escalado para convencer a ex-prefeita de Lago da Pedra de que ela sozinha não teria qualquer chance e que o melhor caminho seria fazer uma aliança PSDB-PSL pela qual ela sairia candidata a vice na chapa comandada por Roberto Rocha. Político hábil e tarimbado nesse jogo, Sebastião Madeira relacionou uma série de argumentos, todos consistentes, e os apresentou um a um, certo de que dobraria a resistência da então pré-candidata do PSL. A reação de Maura Jorge foi surpreendente: ela respondeu também com uma série de argumentos, entre eles a de que se desistisse agora de ser candidata ao Governo sairia do processo politicamente malvista. Madeira tentou quebrar esse argumento mostrando que ela só teria a ganhar com a aliança com o PSDB, e diante da resistência de Maura, jogou a última cartada: como candidata a vice de Roberto Rocha ela poderia fazer a campanha de Jair Bolsonaro no Maranhão sem qualquer restrição por parte do PSDB. Veio então o argumento fatal de Maura Jorge:

– Doutor Madeira, não posso recuar da minha candidatura do Governo. Sofri muito para chegar aqui. E que nessa caminhada, sempre converso com Deus, e ele tem me incentivado a prosseguir na minha luta, e eu não o posso decepcioná-lo.

Diante do argumento inspirado na orientação do Criador, Sebastião Madeira jogou a toalha:

– É, querida Maura, fiz o que pude para tê-la como aliada, mas eu não posso concorrer com Deus. Seria muita pretensão da minha parte.

E foi embora sem a pretendida aliada.

 

Coronel saiu da corrida aos Leões rejeitado, sozinho e zangado

Coronel Monteiro: entrou e saiu sozinho da corrida aos Leões

O coronel aposentado Ribamar Monteiro deixou a corrida ao Palácio dos Leões do jeito que entrou: sozinho. Há alguns meses, o militar apareceu no circuito sucessório falando alto e externando ideias esdrúxulas e descontextualizadas sobre temas complexos como saúde e educação e sensíveis como homossexualismo. E falou mais alto quando se apresentou como o porta-voz do presidenciável Jair Bolsonaro, exibindo uma foto dos dois almoçando no restaurante da Câmara Federal. Jair Bolsonaro, porém, não confirmou essa aliança. Semanas depois, o mundo político foi surpreendido com um anúncio, feito em Brasília, concidentemente no mesmo restaurante: Jair Bolsonaro declarava seu apoio à candidatura de Maura Jorge ao Governo do Estado e ela fazia o mesmo em relação à pretensão do capitão aposentado quanto ao Palácio do Planalto. O coronel Ribamar Monteiro reagiu indignado, atacando Maura Jorge, tentando passar a impressão de que reverteria a situação a seu favor. Não conseguiu. Tentou uma saída pelo PHS, que lhe deu as costas, levando-o a gravar um vídeo dizendo cobras e lagartos do presidente desse partido no Maranhão, Jorge Arturo, que levou a legenda para a orbita do PSDB. O que ficou da passagem do coronel Ribamar Monteiro foi a imagem de um cidadão de extrema direita, com  proposições confusas e projetos absolutamente inviáveis. Mesmo com ideias temerárias, poderia ter tido uma participação mais produtiva no processo, mas faltou-lhe um mínimo de compreensão sobre como são os movimentos no tabuleiro da política.

São Luís, 05 de Agosto de 2018.

Assembleia Legislativa: deputados abrem o último semestre com o desafio de enfrentar concorrentes e encarar as urnas

 

Plenário da Assembleia Legislativa voltará a se reunir a partir de hoje sob o comando do presidente Othelino Neto, que tem conduzido a Casa com cuidado e equilíbrio

Após um recesso de pouco mais de duas semanas, os 42 deputados estaduais do Maranhão iniciarão hoje o último semestre de atividades na atual legislatura, e o farão embalados pelo clima da disputa eleitoral que será deflagrado oficialmente tão logo seja realizada a última convenção partidária para a escolha de candidatos às eleições de Outubro. Será um período difícil, marcado por tensão e correria em Agosto e Setembro, e por alegria dos reeleitos e frustração dos derrotados nas urnas em outubro, como tem sido a regra ao longo da história política. Nos próximos 60 dias, o presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB), terá de se valer de todo bom senso e equilíbrio para, a um só tempo, manter a Casa em pleno funcionamento e evitar que as disputas transformem o Plenário num campo de pelejas que fujam aos padrões e mergulhem a instituição numa quadra de 1.500 horas de guerra suja.

A atual Assembleia Legislativa vive uma situação singular, que começa com o fato de que oito dos 42 deputados, o que representa cerca de 20% da composição do Plenário, não concorrerão à reeleição – o deputado Alexandre Almeida (PSDB) será candidato a senador, Edilázio Jr. (PSD), Eduardo Braide (PMN), Josimar de Maranhãozinho (PR) e Bira do Pindaré (PSB) tentarão vaga na Câmara Federal, e Max Barros (PMB), Nina Melo (MDB) e Graça Paz (PSDB) resolveram não tentar renovar seus mandatos.  Os 34 que formam a maioria irão para a caça ao voto enfrentando a investida de centenas de candidatos, muitos dos quais estão se movimentando com “sangue nos olhos e faca nos dentes” e muito poder de fogo, turbinados por um só objetivo: substituir os atuais. E para isso não medirão esforços, a começar pelo uso da estratégia mais comum e eficiente: desacreditar os atuais integrantes do parlamento perante o eleitorado. Tem sido assim, e dificilmente esse enredo será mudado agora.

No geral os atuais deputados fizeram o seu dever de casa e no conjunto cumpriram suas obrigações nos três anos e meio de mandato que exerceram até aqui. Isso está demonstrado num balanço divulgado pela Mesa Diretora logo no início do recesso. O documento registra que naquele período o Plenário e as Comissões Técnicas Permanentes e Temporárias realizaram o seguinte: 81 sessões ordinárias, 19 sessões solenes, duas sessões especiais e 15 audiências públicas. Os deputados  apresentaram 1.414 Indicações, 365 Requerimentos, 169 Projetos de Lei Ordinária, 55 Projetos de Resolução, sete moções, cinco Propostas de Emenda Constitucional (PEC) e dois Projetos de Decreto Legislativo. O Poder Executivo demandou o Poder Legislativo com 43 proposições: 14 Medidas Provisórias, 12 Vetos Totais, 11 Projetos de Lei Ordinária, cinco vetos parciais e um Projeto de Lei Complementar; o Poder Judiciário encaminhou dois Projetos de Lei Complementar e um Projeto de Lei Ordinária; enquanto o Ministério Público do Maranhão propôs um Projeto de Lei Complementar, e a Defensoria Pública do Estado apresentou dois Projetos de Lei Ordinária. E as comissões técnicas realizaram 16 reuniões ordinárias, 30 reuniões extraordinárias, emitiram 270 pareceres escritos, 36 pareceres verbais, com um total de 278 proposições apreciadas e 270 pareceres escritos, e, além disso, realizaram audiências públicas para a discussão de diversos temas relevantes.

Mesmo marcado por um intenso embate entre Oposição, que atacou dura e fortemente o Governo, e a Situação, que fez a igualmente intensa defesa governista, produzindo aqui e ali momentos de forte tensão no Plenário, os trabalhos do semestre passado aconteceram dentro da tradição e da normalidade, com todos os altos e baixos comuns ao exercício parlamentar. Essa situação se deveu em parte à atuação prudente dos líderes governistas e oposicionistas, e em parte pela eficiência do presidente Othelino Neto, um político jovem que surpreendeu pela maturidade e que conduziu a Casa com rigor republicano, respeitando as diferenças e sem atropelar as regras que asseguram igualdade de direito na instituição legislativa.

Os deputados estaduais que irão à luta pela renovação do mandato sabem também que como instituição essencialmente política, o parlamento é o mais importante canal por meio do qual a sociedade se expressa. Cada deputado sabe que, se compreendeu bem isso, suas chances nas urnas são amplas, mas se fez o inverso, é bom começar a limpar as gavetas. O  resultado das urnas a serem anunciados na noite do dia 7 de Outubro expressarão a verdade sobre isso.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PSOL formaliza chapa certo de que não terá a menor chance de bom resultado nas urnas

Odívio Neto seguirá a orientação de Guilherme Boulos, candidato do PSOL a presidente da República já oficializado

O PSOL confirmará hoje, em convenção, a aliança com o PCB, a chapa liderada pelo professor Odívio Neto, tendo como vice a professora Gigia Helena. Maior agremiação da chamada “esquerda radical”, que abriga hoje ex-petistas insatisfeitos como os rumos do PT na direção do centro e da direita, o PSOL tem plena consciência de que é igual a zero a possibilidade de vir a ter nas urnas um desempenho que lhe assegure algum mandato majoritário (governador e senador) ou proporcional (deputado federal e deputado estadual). E justifica sua participação nas eleições no Maranhão como um esforço político para consolidar a democracia e intensificar seu discurso contra o que considera errado no País. Esse é o compromisso do candidato presidencial do partido, Guilherme Boulos, no plano nacional. Neste ano, o PSOL também investirá esforços para eleger vereadores em 2020. O candidato Odívio Neto fará uma campanha com um discurso de oposição ao governador Flávio Dino, mas já admite que se houver segundo turno se aliará ao candidato do PCdoB. Trata-se de um alinhamento natural, sem aliança nem compromisso partidário formal.

 

Flávio Dino pode entrar no circuito para evitar bombardeio contra Eliziane Gama

Eliziane Gama tem candidatura pressionada pelo PT, que a acusa de “golpismo” 

O governador Flávio Dino terá de realizar um grande esforço diplomático no âmbito interno da aliança partidária que o apoia para evitar que a candidatura da deputada federal Eliziane Gama ao Senado seja bombardeada com o chamado “fogo amigo”, como vêm ensaiando aliados principalmente do PT. Esses segmentos não aceitam apoiar Eliziane Gama, pelo farto de ter ela feito campanha e votado pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Os petistas, que integram a coligação dinista vêm usando todas as oportunidades possíveis para minar a posição da parlamentar, tratando a deputada como inimiga política e taxando-a de “golpista”. Nesse contexto, há petistas que simplesmente renegam a candidatura de Eliziane Gama, tem os que pregam voto no deputado federal Weverton Rocha (PDT), enquanto outros defendem dobradinha de Weverton Rocha com o senador Edison Lobão (MDB), Sarney Filho (PV) e até mesmo com José Reinaldo, que será candidato pelo PSDB. Por sua vez, Eliziane Gama tenta abrir diálogo com petistas, argumentando que sua posição foi partidária e não pessoal e que o impeachment é matéria vencida e que o que vale é seguir em frente. E não será surpresa se o governador Flávio Dino for acionado pela deputada para fazer essa mediação.

São Luís, 02 de Agosto de 2018.

 

Unidos em rede, órgãos de fiscalização se reúnem em São Luís para reforçar combate à corrupção no Maranhão e no País

 

Luiz Gonzaga Martins entre Eduardo Nicolau (e) e representantes do Ministério Público Federal e do Ministério da Justiça no ato de abertura da reunião da Enccla

O Maranhão é um dos estados brasileiros mais sangrados por corrupção nos mais diferentes níveis da administração pública – federal, estadual e municipal, mas os órgãos de fiscalização e controle, a começar pelo Ministério Público, federal e estadual, estão se mobilizando, se aparelhando e atuando cada vez mais para combater essa chaga nacional, inclusive no processo eleitoral, como uso de caixa dois com dinheiro para financiar campanhas. Esse foi, em resumo, o duro recado dado ontem (31), em encontro aberto da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) – uma rede nascida em 2003 e tecida com os fios de 95 órgãos e instituições cujas atividades estão direta ou indiretamente ligadas ao combate à corrupção e lavagem de direito – que reuniu em São Luís membros do Ministério Público do Maranhão, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público Federal e Advocacia Geral da União, e representantes da sociedade civil, com o compromisso de propor, discutir e definir estratégias eficientes para a elaboração do Plano Nacional de Combate à Corrupção.

Logo no discurso de abertura, o procurador-chefe da República no estado, Fabrício Santos Dias, não deixou pedra sobre pedra ao afirmar que, a julgar pelos dados levantados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) – presidente José Caldas Furtado estava presente -, o Maranhão é um dos estados mais corruptos do Brasil. E foi mais longe ao fazer a seguinte afirmação: “Curiosamente, o evento é realizado aqui, sendo que 10% dos acórdãos do TCU se direcionam contra gestores ímprobos maranhenses”. Santos Dias fechou sua dura fala enfatizando que, para combater a corrupção, no estado e no resto do País, é preciso o engajamento da sociedade por meio da implementação de uma cultura de boa governança ética, aumento da transparência pública, fortalecimento e articulação das instituições de combate à corrupção, entre outros fatores.

Por sua vez, o diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, Luiz Roberto Ungaretti de Godoy, diretor da Enccla, foi igualmente duro no seu recado aos corruptos de todo o Brasil: “Temos que mostrar aos governantes e, especialmente aos políticos, que temos força e que podemos propor ações concretas, porque estamos cansados desse cenário extremamente negativo”.

Muito provavelmente incomodado por ouvir o que disseram os oradores que o antecederam sobre a corrupção no Maranhão, o procurador-geral de Justiça, Luiz Gonzaga Martins Coelho, lembrou que o estado ostenta os piores indicadores sociais do país, sendo a causa deste problema uma consequência direta da corrupção. “É devido a esta prática que desaparece o dinheiro que deveria estar nas escolas, nos hospitais, na infraestrutura dos municípios pobres deste estado e de outros lugares do Brasil”. E tendo ao lado o corregedor-geral do MPMA, Eduardo Jorge Hiluy Nicolao deu uma demonstração de que o MPE está engajado nessa luta: “Estamos aqui para levantar propostas concretas e ouvir a sociedade civil. Nós vamos fazer a nossa parte”.

Coincidência ou não, o encontro aconteceu exatamente no dia em que o presidente do TCE, Caldas Furtado, entregou ao presidente do tribunal Regional Eleitoral, desembargador Ricardo Duailibe uma relação com centenas de nomes de fichas-suja, que não poderão participar do processo eleitoral. Além da lista do TCE, formada por gestores ímprobos por conta de desvios de recursos do Município e do Estado, outros integram a lista negra do TCU com mais de sete mil condenados por improbidade e que, por isso, encontram-se expurgados do processo eleitoral em todo o País.

Em Tempo: Vale registrar que o bombardeio das vozes do MPF e do MPMA na direção dos corruptos maranhenses foi genérico, não apontando nenhum caso em particular, o que deixou os gestores em geral em situação no mínimo incômoda. O próprio procurador geral de Justiça do Maranhão, Luiz Gonzaga Martins Coelho, tem dito e repetido que sob a orientação do governador Flávio Dino (PCdoB), o Maranhão passa por um período severo de controle de gastos e tem adotado medidas draconianas de combate à corrupção.  Além disso, não há também registros de casos de corrupção ou desvio na atual gestão da Prefeitura de São Luís, sob o comando do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), nem na Prefeitura de Tuntum, comandada por Cleomar Tema, presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), que no início do atual mandato firmou parceria com o MPMA no sentido de alertar e orientar os prefeitos a cuidar bem do dinheiro do contribuinte.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maura Jorge escolhe vice e mostra que manterá candidatura até o fim

Maura Jorge entre Roberto Filho e Samuel de Itapecurú, respectivos candidatos a vice-governador e a senador na chapa que serpa confirmada no sábado (4)

Errou quem apostou que a ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, desistiria da candidatura ao Governo do Estado para fazer uma composição com outro candidato. Mesmo mergulhada em dificuldades estruturais, em atropelos políticos e em inconsistência eleitoral, Maura Jorge dá seguidas demonstrações de firmeza e tenacidade, alimentando seu projeto aos trancos e barrancos. Depois de muitas idas e vindas, escolheu o candidato a vice-governador na sua chapa: coronel/PM Roberto Filho, um oficial de bom conceito dentro e fora da corporação. A escolha agrega algum valor político à sua chapa, a começar pelo fato de ser um militar, um viés que se encaixa perfeitamente no maior motor da sua candidatura, o presidenciável Jair Bolsonaro. Maura Jorge preencheu uma vaga de senador ao escolher Samuel de Itapecuru, um político sem expressão estadual, mas que anima a chapa, pelo simples fato de, provavelmente, ter uma base regional, ou mesmo municipal que seja. Para fechar sua chapa e realizar sua convenção, agendada para sábado (4) à tarde, ela depende agora de escolher o candidato a senador para a outra vaga e seus respectivos suplentes. Mesmo com essas definições, ainda correm nos bastidores rumores de que Maura Jorge desistirá da corrida ao Governo e se candidatará à uma cadeira na Câmara Federal, embalada pela projeção que ganhou nesse período. Difícil, pois ela tem demonstrado disposição indiscutível de levar seu projeto até o fim.

 

Waldir Maranhão se mexe pela vaga de Alexandre Almeida ao Senado

Waldir Maranhão mira agora na vaga já ocupada por Alexandre Almeida

Por mais que os líderes tucanos Roberto Rocha, presidente do PSDB e candidato do partido ao Governo do Estado, e Sebastião Madeira, secretário geral e coordenador da campanha, tentem minimizar o quadro, a verdade mesmo é que a briga pelas vagas de candidato ao Senado está sacudindo as entranhas do partido. Agora, os movimentos do deputado federal Waldir Maranhão, que não tira da cabeça a ideia de ser candidato a senador, ameaçam a posição do deputado Alexandre Almeida, o primeiro escolhido para essa vaga na chapa tucana. Ciente de que não tem mesmo poder de fogo eleitoral e prestígio político para catapultar José Reinaldo Tavares, que deixou de ser foco de crise para a vaga de candidato, Waldir Maranhão estaria agora se voltando para a vaga já ocupada por Alexandre Almeida, que por sua vez deu um aviso bem claro: não abre mão da candidatura. Em conversas fechadas, porém, fala-se que Waldir Maranhão estaria propondo transferir suas bases de deputado federal para Alexandre Almeida, que assim se candidataria a Câmara Federal dentro de um grande acordo, formando um trio de candidatos fortes com Sebastião Madeira e Eduardo Braide (PMN). É possível.

São Luís, 01 de Agosto de 2018.

Movimentos de Rocha, Braide e Maura não mudarão tendência, mas podem dar mais animação à corrida aos Leões

Roberto Rocha, Maura Jorge e Eduardo Braide darão o desenho final da disputa pelo Governo do Estado

As convenções que confirmaram e oficializaram as candidaturas do governador Flávio Dino (PCdoB) e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) rascunharam o rumo da corrida ao Palácio dos Leões, mas o desenho final só estará concluído com a definição do futuro de duas pré-candidaturas. A primeira é a do senador Roberto Rocha, que deverá ser ungido por uma aliança formada por PSDB, Podemos, PHS e PMN, cujas convenções serão realizadas na manhã de sábado (4), e a outra é a do PSL, que terá a ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, como candidata ao Governo, e que será realizada de sábado (4). É muito provável que a definição do quadro de candidatos não altere a tendência do desfecho previsto pelas pesquisas divulgadas até aqui, e a menos que ocorra um fato político surpreendente e avassalador, Roberto Rocha e Maura Jorge dificilmente irão além de onde chegaram até aqui, tendo auferido apenas o ganho político de ocupação de espaço.

O tucano Roberto Rocha perdeu o vice ideal, o empresário Ribinha Cunha (PSC), que embarcou na chapa de Roseana Sarney (MDB). Além da sua condição de aliado do Grupo Sarney, foi também empurrado pela posição da deputada federal Luana Costa (PSC) que, incentivada pelo marido, o ex-prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, seu mentor político, brecou a aliança de Cunha com o PSDB, que vinha sendo articulada pelo chefe tucano Sebastião Madeira, ex-prefeito de Imperatriz. Luana Costa e Ribamar Alves calcularam que numa coligação com o PSDB a reeleição dela correria riscos, resolvendo então que ela embarcaria no chapão liderado pelo MDB, tendo como trunfo o passe de Ribinha Cunha, que estava praticamente acertado para ser o vice de Roberto Rocha. Todas as avaliações ouvidas pela Coluna indicaram que Luana Costa teria vida mais fácil na chapa dos tucanos, já que no chapão de Roseana Sarney vai medir forças com João Marcelo (MDB), Hildo Rocha (MDB), Victor Mendes (PSD), Edilázio Jr. (PSD), Cláudio Trinchão (PSD), entre outros.

Mas se perdeu o vice que mirou, Roberto Rocha está prestes a comemorar dois reforços expressivos. O primeiro é o deputado federal Aluísio Mendes, que fez o caminho inverso ao de Luana Costa e desembarcou na seara tucana levando o Podemos e o PHS. Ele fez as contas e concluiu que tem mais chance de reeleição na chapa encabeçada pelo PSDB do que no chapão puxado pelo MDB. Outro reforço é o deputado Eduardo Braide (PMN), que ainda não bateu martelo, mas tende mesmo a somar forças com Roberto Rocha. Primeiro porque já examinou exaustivamente as alternativas e sabe que só lhe restou dois caminhos: se jogar de vez na corrida ao Governo, sem eira nem beira, ou aliar-se a uma coligação leve como candidato a deputado federal. É quase 100% certo que Eduardo Braide optará pelo rumo de Brasília, aliando-se aos tucanos, devendo anunciar esse caminho a qualquer momento.

O caminho de Maura Jorge (PSL) é mais complicado e tortuoso. O seu projeto de candidatura ao Governo, que começou como um factóide do tipo “vai que pega”, e ganhou peso e forma com sua associação com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), tornou-se um fator incômodo para o Grupo Sarney, que com algumas manobras garroteou seus movimentos e lhe impôs um duro esvaziamento, levando-a a um claro isolamento. Maura Jorge tem agora dois caminhos: insistir numa candidatura sem lastro e sem futuro ou embarcar na coligação dos tucanos para tentar uma vaga na Câmara Federal. Ela poderá aproveitar a visibilidade que ganhou com a ousada e politicamente saudável ideia de ser governadora, apesar da tremenda guinada à extrema-direita que deu ao abraçar o bolsonarismo.

Com essas definições, é possível prever que dificilmente, somados, a ex-governadora Roseana Sarney e o senador Roberto Rocha, com o reforço do deputado Eduardo Braide e da própria Maura Jorge, formem uma frente capaz de reverter o favoritismo do governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Grupos se posicionam em relação à disputa pelas vagas no Senado

Edison Lobão e Sarney Filho e Weverton Rocha e Eliziane Gama: movimentação dentro dos grupos depois da pesquisa

A disputa para as duas vagas no senado está gerando diferentes estados de ânimo nas duas maiores coligações. Na seara do Grupo Sarney é visível o entusiasmo com os números da pesquisa Exata/JP, que mostraram o senador Edison Lobão (MDB) e do deputado federal Sarney Filho (PV) na liderança. Já na aliança liderada pelo governador Flávio Dino a pesquisa gerou duas reações: uma explosão de alegria com o crescimento do deputado Weverton Rocha (PDT), e uma forte preocupação com a perda de força da deputada federal Eliziane Gama (PPS). Evidenciou também que Edison Lobão e Sarney Filho fazem suas campanhas procurando espaços próprios, com o primeiro fortalecendo seu projeto com o apoio de dezenas de prefeitos, e o segundo trilhando no mesmo campo no mesmo. O mesmo vem acontecendo com Weverton Rocha e Eliziane Gama, com ele procurando reforçar sua candidatura com base política e partidária, e ela aumentando seus esforços para ampliar sua base no eleitorado evangélico. A próxima pesquisa vai desenhar o quadro que poderá ser o definitivo.

 

Grupo de João Alberto fecha com Brandão em Bacabal; grupo de Zé Vieira está indeciso

João Alberto mobiliza grupo para apoiar Edvan Brandão na disputa em Bacabal

O grupo liderado pelo senador João Alberto (MDB) bateu mesmo martelo em apoio à candidatura do prefeito Edvan Brandão na disputa pela Prefeitura de Bacabal, marcada para o dia 28 de Outubro, tenha ou não segundo turno na disputa para governador ou presidente da República. Com a decisão – inteligente, diga-se de passagem – do deputado Roberto Costa (MDB) de arquivar o projeto de ser prefeito da Princesa do Mearim e se voltar inteiramente para o projeto de renovar seu mandato na Assembleia Legislativa, e não dispondo de outro nome em condições de disputar, o senador decidiu dar total apoio a Edvan Brandão, prefeito interino, que chegou ao cargo como presidente da Câmara Municipal após consumada a cassação do prefeito Zé Vieira. O grupo aliado ao ex-prefeito ainda não decidiu quem será o candidato, tendo inicialmente optado pelo deputado Carlos Florêncio (PCdoB), que declinou, indicando o filho, Florêncio Neto, que era vice-prefeito. Florêncio Neto esteve quase confirmado, mas alguns movimentos dentro do grupo fizeram com que sua candidatura fosse colocada em suspense. Nesse contexto estaria crescendo por fora o nome de Brito Boca Torta, que pode vir a ser o candidato apoiado pelo ex-prefeito Zé Vieira e seus aliados.

 

São Luís. 31 de Julho de 2018.

 

Roseana Sarney vai liderar coligação com seis partidos e critica Flávio Dino e exalta Lula em convenção animada, mas modesta

 

Entre Edison Lobão e José Sarney, Roseana Sarney acena para os convencionais e apoiadores que lotaram ontem o grande salão de festa  do espaço Renascença

A ex-governadora Roseana Sarney vai disputar o Governo do Estado liderando uma coligação formada por seis partidos (MDB, PV, PSD, PRP, PSC e PMB), tendo como vice o empresário tocantino Ribinha Cunha (PSC), e como candidatos às vagas no Senado o senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV). A chapa majoritária foi formalizada ontem em clima de festa partidária no Espaço Renascença, onde os seis agremiações realizaram suas convenções, reunindo representantes de todas as regiões do Maranhão. Embalada pelo slogan de sentido dúbio “Que bom ter você de volta” e por um jingle em que exaltada como “guerreira”, apresentado pela cantora Alcione Nazareth, Roseana Sarney comandou o ponto alto da reunião partidário dando a palavra ao pai, o ex-presidente José Sarney, que fez um discurso exaltando a candidata.

A convenção que oficializou a candidatura da ex-governadora foi animada, mas em volume e peso político foi bem mais modesta do que a mega reunião comandada sábado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), e nem de longe lembrou os eventos partidários espetaculares realizados pelo Grupo Sarney em outros tempos. A coligação poderia ser maior, mas o deputado federal Aluízio Mendes rompeu com o Grupo e levou o Podemos, seu partido, e o PHS, sob sua influência, para aliarem-se ao senador Roberto Rocha, pré-candidato tucano ao Governo do Estado, que também ganhou o apoio do deputado estadual Eduardo Braide (PMN). Além disso, os seis partidos formaram uma única coligação para disputar as 18 cadeiras da Câmara Federal e as 42 da Assembleia Legislativa.

No seu discurso, Roseana Sarney se disse preparada para enfrentar o governador Flávio Dino durante a campanha, afirmando que grande parte das obras do atual Governo foi planejada na sua última gestão. Prometeu retomar programas como Luz Para Todos e Primeiro Emprego, mas não foi muito além dessas considerações, resumindo sua fala com algumas críticas ao governador Flávio Dino outros. A ex-governadora também defendeu a candidatura de Lula da Silva (PT) presidente, considerando sua prisão uma injustiça. Em seguida, Roseana passou o microfone ao ex-presidente José Sarney – que só foi ao Espaço Renascença atendendo a um insistente pedido da filha. Embalado pela palavra de ordem “Sarney, guerreiro do povo brasileiro”, o ex-presidente se animou destacou obras que Roseana realizou nos seus mais de 12 anos de Governo. Tomado pela empolgação em meio a uma crítica ao governador Flávio Dino, o ex-presidente estimou que “um mandato é suficiente para se fazer uma revolução”, lembrando, claro, do seu próprio Governo (1966-1970): “Em apenas quatro anos eu fiz o Porto do Itaqui, a Barragem do Bacanga, a Ponte do Caratatiua, a estrada São Luís-Teresina (BR-135), a estrada Santa Luzia-Açailândia, a usina de Boa Esperança e ainda deixei pronto o projeto da Ponte Bandeira Tribuzi”, listou. Mas o fez provavelmente esquecido de que, mesmo realizando boas gestões, Roseana Sarney não fez a tal revolução em três mandatos.

Curiosamente, nem Roseana Sarney nem José Sarney situaram a candidatura da ex-governadora no cenário nacional, não fazendo  referência direta ao Governo do presidente Michel Temer (MDB), nem ao candidato dele e do MDB a presidente, o ex-banqueiro e ex-ministro da Fazenda Henrique Meireles. Ambo preferiram limitar a disputa às fronteiras do Maranhão.

Em seus pronunciamentos, o vice Ribinha Cunha, o senador Edison Lobão e deputado Sarney Filho prometeram se empenhar ao máximo para dar suporte á candidatura da ex-governadora, mote que foi adotado por candidatos a deputados federal do chapão: João Marcelo (MDB), Hildo Rocha (MDB), Edilázio Jr. (PSD), Ricardo Murad (PRP), e a deputado estadual: Roberto Costa (MDB), Adriano Sarney (PV), Andrea Murad, entre outros. Em busca de um mandato federal, o ex-deputado Ricardo Murad (PRP) bateu forte contra o Governo Flávio Dino, mas avaliou que o governador é favorito na corrida ao Palácio dos Leões, mas que essa situação será mudada por Roseana Sarney durante a campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edison Lobão e Sarney Filho formalizam candidaturas ao Senado e escolhem suplentes

Edison Lobão e o suplente Lobão Filho e Sarney Filho com os suplentes João Manoel Souza e Clóvis Fecury (A Coluna não conseguiu imagem do pecuarista Franciscano)

A convenção que firmou a coligação liderada por Roseana Sarney também definiu as vagas de suplente de senador. O senador Edison Lobão terá como primeiro suplente o empresário Lobão Filho (MDB), que já ocupa a vaga e vai para a reeleição, e como segundo suplente Francisco Soares, o Franciscano, pecuarista conhecido de São Francisco do Brejão, antigo militante do MDB. Já o deputado federal Sarney Filho terá como primeiro suplente o ex-deputado federal Clóvis Fecury (MDB), que já ocupa a vaga no mandato do senador João Alberto (MDB), e como segundo suplente o professor e pastor evangélico João Manoel de Souza (MDB), filho do presidente regional do MDB.

 

Arnaldo Melo confirmou sua candidatura à Assembleia Legislativa

Arnaldo Melo: ex-presidente de novo candidato a deputado estadual

Além do residente Othelino Neto (PCdoB), a disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa atraiu nomes de peso da política estadual. Um deles é o ex-deputado Arnaldo Melo, que presidiu o parlamento estadual por dois mandatos consecutivo e assumiu o Governo do Estado por duas semanas, fechando o mandato de Roseana Sarney em 2014. Naquele ano, Arnaldo Melo transferiu suas bases eleitorais para a médica Nina Melo (MDB), sua filha. Nos últimos três anos, Arnaldo Melo, que é médico por formação, morou em Brasília, onde ocupou uma das diretorias da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), mas decidiu voltar à militância partidária disputando uma cadeira no parlamento maranhense no lugar da filha, que desistiu de buscar a reeleição para ceder-lhe a vaga.

São Luís, 30 de Agosto de 2018.

Em clima de otimismo, Flávio Dino mobiliza 15 partidos e milhares de seguidores e dá a largada na corrida à reeleição

 

Flávio Dino entre Weverton Rocha, Eliziane Gama e Carlos Brandão em momento festivo da convenção que formalizou a coligação sua candidatura à reeleição e a aliança de 15 partidos

O governador Flávio Dino deu ontem a largada em busca da reeleição. E o fez com uma gigantesca festa partidária poucas vezes realizada no Maranhão nos últimos tempos, com a participação de 15 partidos (PCdoB, PT, PDT, PPS, PTB, PSB, DEM, PP, PR, PRB, PROS, SD, PEN, PTC e PPL), e que resultou na poderosa coligação “Maranhão para todos”, pela qual foram confirmadas ainda as candidaturas do vice-governador Carlos Brandão à reeleição e as dos deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) ao Senado, além de várias coligações para deputado federal e deputado estadual. O clima da festa partidária foi de entusiasmo e favoritismo, a começar pelo fato de que a grande coligação dará ao governador mais de três minutos na propaganda de rádio e TV durante a campanha eleitoral. Flávio Dino fez um discurso no qual garantiu que realizou o que foi possível realizar num contexto de crise econômica no País, afirmando, enfático, que, apesar dos problemas, o Maranhão é hoje um estado respeitado em todo o País, principalmente pela seriedade com que está sendo governado pelo PCdoB e seus aliados. Ovacionado por milhares de partidários, o governador convocou a todos para a corrida às urnas.

“Todos os estados do Brasil respeitam o Governo do Maranhão, porque sabem que nós estamos na direção certa, e quando a gente está na direção certa a agente não se perde”, declarou o governador Flávio Dino. Assinalou em seguida que esse ânimo vivido atualmente pelo estado se deve ao fato de que “O Maranhão não tem dono, o Maranhão é de todos nós, e quem anda para trás é caranguejo”. Para assinalar ainda: “A mudança vai continuar para o Maranhão seguir em frente, o trabalho continua para o Maranhão seguir em frente”. Visivelmente animado, o governador aproveitou a apresentação dos seus companheiros de chapa para destacar o papel do vice-governador Carlos Brandão   “Vice tem que ser amigo e Brandão é meu amigo, se preocupa com a minha saúde. Carlos Brandão sabe que na hora em que é para ele assumir, ele assume e faz muito bem. Ele sabe que eu confio nele”.

O governador Flávio Dino comandou a festa partidária exibindo confiança de que vai para as urnas com um suporte político maior do que os dos demais candidatos ao Governo do Estado, e com ele a tendência do eleitorado de reelegê-lo. E as informações trazidas pelas pesquisas, mostradas pelas manifestações das lideranças das mais diferentes correntes que o apoiam, e a resposta entusiasmada de uma militância aguerrida, vinda de todos os recantos do estado, lhe deram impulso para se movimentar como um candidato convencido de que os ventos estão soprando a seu favor. Tanto que ele preferiu ignorar seus adversários no seu discurso, optando por exaltar os resultados alcançados pelo seu governo, pedindo desculpas pelo que não conseguiu realizar devido às duras limitações impostas pela escassez de recursos devido à crise econômica.

Flávio Dino comandou a festas das convenções sem qualquer crise para administrar no acordo partidário nem na escolha dos candidatos – até o PT, que vinham ensaiando um enredo de tensão, resolveu suas pendências a tempo de chegar às convenções de ontem inteiramente harmonizado e comportando-se como aliado de frente na aliança dinista. O governador teve o cuidado de sanar todas as pendências e focos de tensão com bastante antecedência, o que lhe permitiu chegar à data da formalização das chapas majoritária e proporcional sem qualquer foco de insatisfação. Acomodou cuidadosamente todos os partidos na aliança, tendo a prudência de usar o equilíbrio para montar a chapa majoritária e coordenar a montagem das coligações para a corrida às 18 vagas na Câmara Federal e às 42 cadeiras da Assembleia Legislativa.

Agora candidato legitimado pelo lastro político e oficializado pela convenção do PCdoB e tendo mais 14 partidos como avalistas, o governador Flávio Dino vai para o confronto direto com Ramon Zapata (PSTU), que já é candidato formal, com Roseana Sarney (MDB), cuja candidatura será formalizada neste Domingo, com o senador Roberto Rocha (PSDB), que será oficializado no dia 4 de Agosto, com Odívio Neto (PSOL), que se tornará candidato no dia 2 de Agosto, e com Maura Jorge (PSL), que deve realizar sua convenção a qualquer momento. E levando na bagagem a condição de governador mais bem avaliado do País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton e Eliziane emplacam Roberth Bringel e Suely Pereira e Pedro Fernandes e Gilson Kity como suplentes

 

Os deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) oficializaram suas candidaturas ao Senado pela coligação “Maranhão para todos” com uma bem articulada escolha de suplentes. Weverton Rocha armou bem ao escolher o ex-prefeito de Santa Inês, Roberth Bringel (DEM) para uma das vagas, numa bem sucedida articulação com o presidente estadual do partido, deputado federal Juscelino Rezende. E jogou com competência ao entregar a outra vaga de suplente à ex-prefeita de Matões, Suely Pereira (PCdoB), mãe do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), dona de forte liderança na região. Já Eliziane Gama fez escolhas igualmente inteligentes. Para primeiro suplente ela definiu o deputado federal Pedro Fernandes (PTB), um dos políticos mais bem sucedido, experiente e politicamente correto do Maranhão, que decidiu não mais renovar seu mandato na Câmara Federal, abrindo caminho para o filho, o vereador Pedro Lucas Fernandes (PTB). Para segundo suplente Eliziane Gama foi buscar um líder na Região Tocantina: o médico e pecuarista Gilson Kity, que preside entidade que congrega segmentos da pecuária em Imperatriz.

Em Tempo: Na edição de ontem, a Coluna noticiou que a primeira-dama de São Luís, Camila Holanda (PTC), seria suplente na chapa senatorial de Weverton Rocha. Na verdade, Camila Holanda fora convidada, mas declinou do convite. Repórter Tempo pede, portanto, desculpas aos seus leitores e à própria primeira-dama Camila Holanda pelo equívoco.

 

Othelino Neto avalia que a reeleição de Flávio Dino consolidará a transição política no Maranhão

Othelino Nemo teve  presença forte na megaconvenção  no Multicenter Sebrae

Como é tradição nas convenções partidárias, os aspirantes  a mandatos parlamentares marcam posição. A convenção do PCdoB que definiu a coligação “Todos pelo Maranhão” foi marcada pela forte presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, que formalizou sua candidatura a novo mandato no parlamento estadual. Um dos líderes mais jovens e bem sucedidos da nova geração e da transição política que o Maranhão está vivendo sob a liderança do governador Flávio Dino, o presidente do Poder Legislativo encabeça todas as listas dos deputados estaduais em condições de renovar o mandato no pleito de Outubro. Ontem, no seu discurso na festa partidária, Othelino Neto defendeu a reeleição do governador Flávio Dino como um imperativo para o Maranhão, para que ele complete sua obra de Governo e consolide a transição política que começou em 2006 com a eleição de Jackson Lago (PDT),  interrompida em 2010 com a eleição de Roseana Sarney, e retomada em 2014 com a eleição de Flávio Dino e, na sua previsão, será completada em 2018 com a reeleição do governador.

São Luís, 29 de Julho de 2018.

 

Ribinha Cunha opta por ser candidato a vice de Roseana Sarney, mas se distancia do sonho de ser prefeito de Imperatriz

 

Ribinha Cunha decidiu ser candidato a vice de Roseana Sarney

A escolha do empresário tocantino Ribinha Cunha (PSC) para companheiro de chapa da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) na corrida ao Palácio dos Leões foi o desfecho de uma disputa que teve como contrapeso o candidato do PSDB, senador Roberto Rocha, também interessado no passe do dono do Café Viana e vários outros negócios rentáveis. A emedebista jogou todo o peso do seu prestígio na família Cunha, a começar pelo aval do irmão do disputado, deputado estadual Leo Cunha (PSC), que “nada tem contra Roberto Rocha”, mas que preferiu o acordo celebrado com o Grupo Sarney, do qual é membro assumido. A decisão teve mesmo força de pancada contra o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira (PSDB), que em 2016 transformara Ribinha Cunha de “zero à esquerda” na política tocantina em terceiro colocado na disputa pela Prefeitura da Princesa do Tocantins, “mordendo os calcanhares” do influente ex-prefeito Ildon Marques (PSB), que chegou em segundo na espetacular eleição da qual saiu vitorioso o azarão Assis Ramos (PMDB). Ao acrescentar o PSC na sua coligação, a candidata do MDB quis mostrar que está no jogo, enquanto o candidato do PSDB sofreu um duro revés.

Numa corrida eleitoral como a de agora existem situações diversas relacionadas com a escolha de vice. Um candidato a governador forte e consolidado precisa de um companheiro de chapa confiável e que agregue segurança ao governador, tenha ou não algum cacife eleitoral, como é o caso do vice-governador Carlos Brandão (PRB), mantido na chapa do governador Flávio Dino (PCdoB). Outro tipo de vice é aquele entra na chapa com a responsabilidade de abrir caminho ao candidato numa região onde ele não consegue avançar. É o caso de Ribinha Cunha, cuja função na chapa de Roseana Sarney será a de tentar quebrar uma forte resistência à candidata emedebista na independente e caprichosa Princesa do Tocantins.

São várias as nuanças que envolvem a escolha de Ribinha Cunha para vice de Roseana Sarney. A primeira é que, de fato, os Cunha e os Sarney criaram ao longo dos anos uma sólida amizade, tendo a importante família imperatrizense mostrado muito prestígio e muita influência durante os Governos da emedebista. Ao mesmo tempo, Ribinha Cunha ligou-se politicamente ao forte e influente prefeito Sebastião Madeira, que o lançou à sua sucessão, transformando-o num candidato que saiu do zero e que, tivesse um pouco mais de tempo, teria medido forças com o azarão emedebista Assis Ramos, que ganhou a eleição, batendo a pedetista Rosângela Curado, um fenômeno que murchou, e o influente ex-prefeito e grande empresário Ildon Marques (PSB), capitão do Grupo Liliane. Ribinha Cunha será, portanto, o canal que Roseana Sarney precisava para se comunicar com o eleitorado imperatrizense.

Se não houve um grande “acordo de gaveta” entre MDB e PSDB, a tomada de posição do PSC a favor de Roseana Sarney pode significar o deslanche de vez do político Ribinha Cunha, mas pode também transformar-se num calvário para ele, dependendo do resultado das eleições de Outubro. No meio político é sabido que o sonho dourado do dono do Café Viana é ser prefeito de Imperatriz. Tal sonho seria possível com o apoio de Sebastião Madeira, como ficou demonstrado em 2016. Só que agora, se a decisão de optar por Roseana Sarney e não por Roberto Rocha não passou por um acordo subterrâneo com Sebastião Madeira, o projeto de governar Imperatriz fica inviável. Primeiro por que depois de preterir Roberto Rocha, não terá mais o apoio do influente ex-prefeito, e depois porque em 2020 enfrentará o emedebista Assis Ramos, que certamente será candidato à reeleição – isso se o próprio Sebastião Madeira não resolver dar continuidade ao excelente trabalho que realizou nas suas duas gestões.

Independente do emaranhado politico que está por trás da sua decisão, o fato é que Ribinha Cunha aceitou o chamado de Roseana Sarney para a tarefa de convencer Imperatriz e adjacência de que ela será melhor para a região do que está sendo o governador Flávio Dino. Um desafio e tanto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton Rocha dá tacada de mestre ao escolher Robert Bringel e Camila Holanda como candidatos a suplente de senador

Robert Bringel e Camila Holanda: candidatos a suplente de Weverton Rocha

O deputado federal Weverton Rocha (PDT) deu uma tacada de mestre na escolha dos seus dois candidatos a suplente de senador. Como candidato a primeiro suplente escolheu o médico e ex-prefeito de Santa Inês Robert Bringel (DEM), um político de prestígio que pertenceu por muito tempo ao PMDB e cuja esposa, também médica e ex-deputada estadual, Vianey Bringel (DEM), comanda hoje aquela Prefeitura. A escolha foi uma articulação do presidente estadual do DEM, deputado federal Juscelino Filho, que hoje lidera o grupo regional que tem ni casal Bringel um esteio e tanto.

Como candidata a segundo suplente Weverton Rocha escolheu a primeira-dama de São Luís Camila Holanda (PDT). Com sua postura de bailarina e seu jeito de esposa firme e mãe dedicada, Camila Holanda vem ais poucos mostrando-se como militante no cenário político de São Luís, acompanhando o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), antes em inaugurações, mas agora até no acompanhamento de obras. E o faz com a autoridade de quem sempre participou com determinação de todos os passos políticos do marido, atuando na coordenação e até na panfletagem de rua nas suas bem sucedidas campanhas. Tanto que protagonizou uma das mais belas e marcantes imagens do segundo turno da campanha de 2016: grávida avançada e distribuindo panfletos com a determinação de quem estava numa batalha pelo bem de todos. Camila Holanda é a prova de que a polpitica maranhense encontra-se, de fato, em processo intenso de renovação.

 

PT realiza encontro movimentado e decide apoiar chapa liderada por Flávio Dino

Robert Lobato, Flávio Dino, Márcio Jardim e Márcio Jerry: aliança fechada

Depois de meses de debates, reuniões, bate-bocas, declarações bombásticas, ameaças e abafamentos, o PT finalmente bateu martelo: vai integrar a aliança liderada pelo governador Flávio Dino – que será formalizada neste sábado -, sem ocupar espaço na chapa majoritária. A decisão foi tomada por maioria acachapante no Encontro de Tática Eleitoral do PT no Maranhão realizado ontem no Auditório Fernando Falcão, da Assembleia Legislativa. A reunião foi a expressão integral do PT, com debate forte, discursos enfáticos e decisões previsíveis. A grande estrela da reunião foi o ex-secretário Márcio Jardim, que liderou um movimento para pressionar os comandos nacional e regional do partido reivindicasse uma vaga para o PT na chapa majoritária – a vaga de candidato a vice-governador, uma vaga de candidato a senador ou, pelo menos, uma ou duas vagas de candidato a suplente de senador. Não funcionou. Mesmo assim, o PT decidiu apoiar integralmente a chapa majoritária da aliança dinista, tendo como meta principal a reeleição do governador Flávio Dino.

São Luís, 28 de Julho de 2018.

Flávio Dino vai para a convenção com chapa definida e embalado pelo favoritismo; Roseana Sarney tenta mudar cenário

 

Flávio Dino, Odívio Neto e Ramon Zapata já tem vice, enquanto Roseana Sarney, Roberto Rocha e Maura Jorge ainda procuram seus companheiros de chapa

Chegou o momento da verdade para os candidatos às eleições de Outubro, em especial aos aspirantes do Governo do Estado. As convenções vão definir exatamente a estrutura partidária e o peso político que levarão os aspirantes a governador, senador, deputado federal e deputado estadual a mostrar suas musculaturas eleitorais nos próximos dois meses, no que será a primeira corrida pelo voto movida por novas regras, entre elas um período de campanha mais curto (45 dias) e o financiamento público. O governador Flávio Dino (PCdoB), a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), a ex-prefeita de Lago da Pedra Maura Jorge (PSL), o senador Roberto Rocha (PSDB), o professor universitário Odívio Neto (PSOL) e o servidor público Ramon Zapata (PSTU) serão confirmados para disputar o Governo do Estado num cenário marcado pela previsibilidade, conforme avisaram as pesquisas divulgadas até aqui. Nesse ambiente, é possível fazer uma leitura panorâmica da posição dos líderes com boa possibilidade de acerto, a começar pelo indicativo segundo o qual o governador Flávio Dino vai para sua convenção neste sábado (28) com indicação certa e condições políticas e partidárias para entrar em campanha como franco favorito, podendo liquidar a fatura em turno único. Terá como principal adversário a ex-governadora Roseana Sarney, dona de indiscutível prestígio político e expressivo cacife eleitoral, mas aparentemente sem instrumentos necessários para virar o jogo. E pelo que está desenhado, os demais candidatos honrarão a disputa com sua participação, lustrando seus nomes para embates futuros.

Flávio Dino chega à convenção com grande poder de fogo e congregando 14 partidos porque soube construí-lo. Primeiro fazendo um Governo com forte viés social, com elevado grau de transparência e nitidamente marcado pelo uso correto dos recursos públicos, dado reconhecido formalmente por órgãos de controle e fiscalização, tornando a pancadaria adversária apenas uma animada e lícita ciranda de factóides até aqui sem consequências. E depois, fazendo uma construção política inteligente, fortemente pragmática e com a transparência possível, conseguindo reunir, em torno do seu projeto de reeleição e de poder, um espectro partidário que vai da esquerda à direita, num pluralismo perfeitamente ajustado às democracias liberais da atualidade. Não há até aqui registro de alguma incoerência grosseira, marmelada ou falcatrua praticada pelo governante ou pelo militante político Flávio Dino ou pelo seu Governo, por maior que sejam os esforços oposicionistas para derrubar a sua guarda nesse campo. E é exatamente pela inexistência de “porens” e “senões” que o governador chegará à convenção como candidato incontestável.

Sem adversário ou concorrente no MDB ou em qualquer partido do seu campo político-partidário – PV, PSD, PSC, PRTB, Podemos, entre outros -, e ainda em busca de um companheiro de capa, a ex-governadora Roseana Sarney irá para a sua convenção neste Domingo (29) para ser consagrada sem contestação. A emedebista tem lastro para comandar o processo no seu campo e sair da reunião partidária para entrar imediatamente em campanha. Outrora à frente da máquina pública estadual e no plano federal, embalada pelo prestígio de presidentes (Lula da Silva, Dilma Rousseff, do PT, e Fernando Henrique Cardoso, do PSDB), e tendo como suporte a força política do ex-presidente José Sarney, Roseana Sarney chega à convenção numa situação inversa, ainda forte eleitoralmente, mas sem o gás da máquina, sem os fluídos emanados do Palácio do Planalto e sem a parceria de um candidato presidencial pelo menos viável, o que a leva a ter somente metade das intenções de voto dadas a Flávio Dino, segundo a pesquisa mais recente.

O senador Roberto Rocha será confirmado candidato do seu partido em convenção marcada para o dia 4 de Agosto, podendo até lá definir seu candidato a vice, e Maura Jorge deve receber sinal verde do seu partido, cuja convenção ainda não tem data definida. Ambos atrelados a candidatos presidenciais fortes – Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL), respectivamente -, os dois aspirantes ao Governo do Estado entraram em ritmo de campanha cientes de que suas chances nessa corrida são mínimas e remotas, mas também que sua participação funciona como fator de legitimação do processo eleitoral deste ano. Os dois vão para as convenções sem vice, que só será definido durante as reuniões do PSDB e do PSL. Há quem aposte que Roberto Rocha e Maura Jorge poderão funcionar como fatores de desequilíbrio, contribuindo para levar a eleição para o segundo turno, mas a julgar pelo que informou a pesquisa Exata/JP,  só uma reviravolta de proporção inimaginável, portanto improvável, poderá mudar o curso dessa disputa.

E numa realidade à parte, os candidatos da ultraesquerda, Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU) já estão com chapas definidas. O primeiro terá como vice a professora universitária Gigia Helena, e o segundo tendo a também professora universitária Nicinha Durans.

É esse, sem tirar nem por, o cenário em que serão realizadas as convenções.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ribinha Cunha, empresário tocantino entre Roseana Sarney e Roberto Rocha

Roseana Sarney e Roberto Rocha disputam Ribinha Cunha para vice

O empresário Ribinha Cunha (PSC) caminha para ficar de fora da lista de potenciais candidatos a vice nas chapas de Roseana Sarney e Roberto Rocha, pelos quais está sendo disputado. Tendo como projeto prioritário candidatar-se a prefeito de Imperatriz em 2020, Ribinha Cunha sabe que se for o vice de Roseana Sarney, terá muitas dificuldades para se tornar adversário do Assis Ramos, que é do MDB, aliado de proa, portanto, de Roseana Sarney. Já em relação ao projeto de Roberto Rocha, ele terá o apoio, que pode ser decisivo, do ex-prefeito Sebastião Madeira, que o apoiou na corrida à Prefeitura em 2016, colocando-o em boa posição. Se abraçar o projeto tucano, Ribinha Cunha entrará em rota de colisão com a ex-governadora Roseana Sarney, cujo Governo o prestigiou no plano empresarial. Se abraçar o projeto da emedebista, ele se distanciará do ex-prefeito Sebastião Madeira, a quem deve sua projeção política até aqui. Esse clima de indefinição envolve também o seu irmão, deputado estadual Leo Cunha (PSC), que sempre foi aliado do Grupo Sarney, embora atualmente vote na base do governador Flávio Dino na Assembleia Legislativa. Leo Cunha estaria inclinado a apoiar o irmão numa eventual aliança com Roseana Sarney, mas também não descarta avalizar sua candidatura na chapa

dos tucanos. Vale aguardar até amanhã.

 

Cleomar Tema se afasta da presidência da Famem para coordenar campanha de Daniella Tema

Cleomar Tema entre os prefeitos Djalma Mello e Miltinho Aragão, na Famem

Num gesto revelador da sua postura política, o prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), licenciou-se por 60 dias da presidência da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), para se dedicar à coordenação da campanha de Daniella Tema à Assembleia Legislativa. Nesse período, a entidade municipalista será comandada pelos prefeitos de Arari, Djalma Mello, primeiro-vice-presidente, e de  São Mateus,  Miltinho Aragão (PSB), segundo-vice-presidente. Cleomar Tema dá um bom exemplo de  correção política e administrativa ao ausentar-se do comando da entidade para cuidar de um projeto político e eleitoral da sua mulher e aliada política, que vem se destacando entre os pré-candidatos à Assembleia Legislativa. O projeto, que inicialmente tratava-se de uma simples postulação da jovem nutricionista, está ganhando peso de um projeto político maior dado o volume que a pré-candidatura vem ganhando, principalmente em Tuntum e Presidente Dutra, que são as suas duas bases políticas e eleitorais mais importantes. O presidente agora licenciado temia  que permanecendo no comando da entidade poderia criar embaraços desnecessários. Sua decisão foi avaliada por todos os seus colegas de entidade, principalmente os da diretoria.

 

São Luís, 27 de Julho de 2018.