Indefinição quanto a candidato presidencial deixa Roseana Sarney numa situação desconfortável na corrida eleitoral

 

Roseana Sarney usa Lula da Silva mas pode ser pressionada a fazer campanha para Henrique Meirelles

O governador Flávio Dino (PCdoB) está firme com o ex-presidente Lula da Silva (PT) e deve abraçar a candidatura do ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), caso ela venha a ser confirmada; o senador Roberto Rocha (PSDB) está “colado” em Geraldo Alckmin (PSDB); a ex-prefeita Maura Jorge (PSL) não arreda da aliança com Jair Bolsonaro (PSL); Odívio Neto (PSOL) segue sem discutir Guilherme Boulos (PSOL), e Ramon Zapata (PSTU) está totalmente alinhado a Vera Lúcia (PSTU). Na corrida eleitoral do Maranhão, o único candidato que ainda não definiu posição clara e definitiva em relação a candidato a presidente da República é a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que até tem feito esforços para vincular-se ao ex-presidente Lula, ignorando ostensivamente o candidato do seu partido, Henrique Meirelles, que até agora não conseguiu romper a  desafiadora e desestimulante barreira do 1%. O maior problema da ex-governadora é que o ex-presidente Lula firmou aliança sólida com o governador Flávio Dino, que vai muito além do plano pessoal, já que envolve direta e formalmente o PT.

A situação da ex-governadora Roseana Sarney é igualmente complicada e delicada. Complicada porque ela espera contar com o apoio de um candidato que lidera com folga a corrida ao Palácio do Planalto e que já declarou apoio ao líder da corrida ao Palácio dos Leões. E delicada porque ela está obrigada, por imposição partidária, a apoiar um candidato que ninguém conhece e que patina na rabeira do grupo que briga pela presidência da República. E à medida que a campanha avança, a candidata do MDB se expõe numa constrangedora contradição, insistindo em citar o ex-presidente Lula na sua propaganda, diante do fato, incontestável, de que todas as manifestações dele, do seu porta-voz Fernando Haddad e do PT como um todo têm sido rigorosamente alinhadas ao governador Flávio Dino.

Nesse contexto, no qual as posições estão muito claras, chama a atenção o fato de que marqueteiros responsáveis pela propaganda de campanha da ex-governadora ainda não tenham se dado conta de que o ex-presidente Lula não se encaixa no discurso de campanha dela. Primeiro porque, ainda que tenha restado algum vínculo de natureza pessoal entre Lula e os Sarney depois de um casamento político de mais de uma década, os acontecimentos que culminaram com a polêmica deposição da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, por um movimento liderado pelo MDB, e depois com a condenação e prisão do ex-presidente Lula no implacável e controvertido rolo compressor da Operação Lava-Jato, que o jogaram na lista negra dos ficha suja, abriram um largo e profundo fosso político nessa relação, tornando quase impossível a reconstrução de uma aliança neste momento. E depois, porque o governador Flávio Dino tem tido papel destacado na defesa do ex-presidente Lula em todos os foros, ocupando no campo petista uma posição que a ex-governadora não tem condições de ocupar.

A situação se torna cada vez mais complicada para a ex-governadora à medida que, de um lado, o ex-presidente Lula vai saindo de cena e sendo substituído por Fernando Haddad, que por sua vez incorporou integralmente a aliança do PT com o PCdoB no Maranhão, totalmente avalizada pelo líder maior do partido, criando uma situação que praticamente desautoriza qualquer outro candidato, a começar pela emedebista, a usar Lula como mote de campanha. De outro, são fortes os sinais de que Henrique Meirelles vai mesmo cobrar o alinhamento dos candidatos a governador emedebistas de todo o País em relação ao sua candidatura, o que, se de fato vier a acontecer, obrigará Roseana Sarney a assumir a bandeira do ex-ministro da Fazenda.

Trata-se de um imbróglio com alguns vieses e que terá de ser solucionado o mais rapidamente possível, sob pena de, seduzidos pelo poder do Midas político e eleitoral em que se transformou o ex-presidente Lula, os marqueteiros de Roseana Sarney insistam em usá-lo, tornando seu discurso inócuo e politica e eleitoralmente desgastante, menosprezando o seu próprio cacife.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Em crescimento no plano nacional, Fernando Haddad deve disparar no Maranhão

Haddad já é 6º no plano nacional e já deixa Bolsonaro para trás na corrida no Maranhão

A pesquisa Ibope apontando as preferências do eleitorado para presidente da República, feita agora num cenário sem o ex-presidente Lula da Silva,  sinalizou com clareza que seu substituto, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) poderá, sim, entrar na disputa para valer a faixa presidencial, à medida que apareceu com 6% num cenário em que Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 22%, seguido por Marina Silva (Rede) com 12%, empatada com Ciro Gomes (PDT) com 12% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 9%. Enquanto avança no cenário nacional, no Maranhão, ele aponta para  ser um fenômeno eleitoral. Na sua pesquisa mais recente, feita na semana passada, o Instituto DataIlha investigou as intenções de voto dos maranhenses e encontrou o ex-presidente Lula com 69,41%  e Fernando Haddad com 29,84% das preferências simplesmente ao ser citado como eventual substituto do líder petista. Ou seja, se a sua candidatura for mesmo formalizada como está sendo desenhado, e a dobradinha com o governador Flávio Dino for consolidada, o que certamente acontecerá, o ex-prefeito de São Paulo deverá disparar no eleitorado do Maranhão, podendo mesmo alcançar mais de 50% dos votos, batendo com facilidade e por larga margem em Jair Bolsonaro, que no momento tem aquib 18% das intenções de voto. É só uma questão de definir e deixar a campanha avançar, uma vez que a fidelidade do eleitorado de Lula é firme e em sua maioria disposto a votar em quem ele indicar, caso fique mesmo de fora da corrida ao Palácio do Planalto. E nesse quadro de preferências o candidato do MDB, Henrique Meirelles, não tem a menor chance de entrar.

 

Adversários históricos, Sebastião Madeira e Ildon Marques brigam em Imperatriz por vaga na Câmara Federal

Sebastião madeira e Ildon Marques: polarização forte em Imoperatriz

Informações chegadas de Imperatriz por fontes diferentes apontam para o mesmo ambiente de dura disputa entre dois adversários históricos: os ex-prefeitos Sebastião Madeira (PSDB) e Ildon Marques (PP) por vaga na Câmara Federal. Não há um confronto direto, aberto, dos dois, mas ninguém duvida de que evolui ali uma polarização forte, estimulando até mesmo bolsas informais de aposta. Sebastião Madeira e Ildon Marques não brigam no plano nacional, já que os dois apoiam o tucano Geraldo Alckmin, mas divergem na corrida estadual, na qual o tucano apoia o senador Roberto Rocha e o pepista segue a orientação do partido apoiando o projeto de reeleição do governador Flávio Dino. Em meio ao fogo cruzado, o atual prefeito da Princesa do Tocantins, Assis Ramos (MDB), sinaliza apoio ao projeto de renovação do mandato do federal João Marcelo (MDB).

São Luís, 05 de Setembro de 2018.

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