Dino se licencia do Governo para se dedicar integralmente ao jogo duro da  campanha eleitoral

 

Flávio Dino se afasta do Governo para se dedicar à campanha pela reeleição

O governador Flávio Dino (PCdoB) deu ontem uma demonstração de que tem os pés politicamente bem assentados no chão. Num gesto de desprendimento político e maturidade institucional, ele encaminhou à Assembleia Legislativa um pedido de licença do cargo para o período em que durar a campanha eleitoral na qual se movimenta para conquistar novo mandato. O comunicado foi recebido pelo presidente da instituição legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), que o despachou para cumprir os trâmites normais. Licenciado do cargo, Flávio Dino pretende intensificar sua campanha à reeleição, determinado que está a comandar nas urnas uma ampla vitória da grande aliança partidária que conseguiu articular. Tudo leva a crer que o governador vai se desdobrar para consolidar o seu favoritismo apontado pelas pesquisas feitas até aqui, e mais do que isso, usar todo o seu prestígio para embalar as candidaturas dos deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) ao Senado, pretendendo também galvanizar a campanha dos seus aliados a deputado federal e deputado estadual num grande movimento que deverá também injetar “gás” na corrida do presidenciável Fernando Haddad (PT), já que se tornou quase impossível consolidar a candidatura do ex-presidente Lula da Silva ao Palácio do Planalto.

Licenciado do cargo, o governador Flávio Dino age exatamente em sentido contrário da maioria dos governadores candidatos à reeleição, que preferem permanecer no comando efetivo da máquina do que dele se desvencilhar por quatro semanas para ir ao encontro do eleitorado prestar contas e pedir votos. Com a atitude, governador do Maranhão quebra mais um “padrão” de comportamento político, demonstrando ser possível realizar um trabalho político forte e eficiente sem ter a “caneta na mão” em momentos decisivos como uma campanha eleitoral em que o futuro dele e da mega aliança partidária que comanda está em jogo.

Flávio Dino sabe que está em vantagem na corrida às urnas, que tem até aqui a preferência da maioria dos eleitores maranhenses e que tem condições de liquidar a fatura eleitoral em um só turno. Mas é dono de Inteligência política suficiente para saber que está em guerra aberta com adversários lastreados numa experiência madura, que tem no ex-presidente José Sarney (MDB), visto por muitos como a mais hábil raposa em atividade no País, o seu principal expoente. O governador sabe que cada passo, cada gesto, cada movimento seu está sendo medido e avaliado por quem conhece o jogo político e sabe tirar de um tropeço munição pesada para bombardear o adversário.  Principalmente agora, quando o Grupo Sarney, muito fragilizado com os catastróficos resultados eleitorais de 2014 e 2016, luta para se manter de pé e alimentar seu poder de fogo.

Ao se licenciar num momento decisivo da campanha eleitoral, o candidato Flávio Dino sinaliza com clareza que acredita piamente nos movimentos que o levam para mais perto do eleitorado. Político identificado com a sua geração, aposta alto nas redes sociais, investe bem na propaganda no rádio e na TV, mas acredita que o diferencial é encarar o cidadão “ao vivo e a cores”, como fez por longo período na pré-campanha e na campanha que o levou ao Palácio dos Leões em 2014. E vai para o corpo-a-corpo certo de que fez o que prometera e pode chegar agora, relatar os feitos e pedir para continuar trabalhando por mais quatro anos. Uma estratégia simples, mas que só pode produzir resultados se for praticada com jogo aberto, transparência e, principalmente, honestidade política. E principalmente com o argumento inevitável de um balanço positivo da sua gestão.

Licenciado do cargo, portanto, o governador Flávio Dino caminha também para o confronto direto dos debates, nos quais enfrentará a emedebista Roseana Sarney com seu lastro de 14 anos de poder, o senador  Roberto Rocha (PSDB) com um discurso desenvolvimentista bem articulado, a ex-prefeita de Lago da Pedra Maura Jorge (PSL), que tem na aliança com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) a sua principal bandeira, e os representantes da esquerda sonhadora, Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Firmeza democrática: atentado a Bolsonaro sacode o Brasil, mas não desestabiliza o processo eleitoral

Jair Bolsonaro: a democracia suporta sua candidatura, por ser um direito inalienável

Quem imaginou que o atentado a Jair Bolsonaro, candidato do PSL à presidente da República, praticado por um idiota político numa manifestação pública no interior de Minas Gerais, desestabilizaria o estado democrático de direito e comprometeria o processo sucessório em curso no Brasil, se deu mal. As reações imediatas condenando o ato criminoso, todas cobraram providências para que o processo seja mantido intacto e a democracia brasileira nada sofra além, claro, do trauma momentâneo e a possibilidade real de o candidato da direita sair do episódio beneficiado com um caminhão de votos a mais, melhorando sensivelmente a sua já destacada posição na corrida ao Palácio do Planalto. “Acabaram de o eleger”, declarou um dos filhos do candidato tão logo recebeu a notícia da agressão ao pai, numa espantosa  demonstração de pragmatismo, fazendo uma focada interpretação do episódio, enquanto o vereador Chico Carvalho, que preside o partido no Maranhão, que igualmente pragmático manifestou torcida para que o presidenciável  recupere logo e volte para a planície, rogando para que “Deus possa proteger a todos e que possa nos da sabedoria para juntos decidirmos o futuro de nosso país e de nossos estados”, afirmou. No mais, a previsão mais consistente é a de que os bolsonaristas vão usar o episódio à exaustão para tirar proveito político e eleitoral do ato tresloucado. No mais é manter a serenidade, apostar nos postulados da democracia, evitar e ignorar provocações e confrontos. A hora é de serenidade e de firmeza e não de oportunismo. A candidata do PSL ao Governo do Estado, ex-prefeita Maura Jorge, tem de estar preparada para conduzir essa situação nova, delicada e perigosa.

 

Escutec mostrou números diferentes da média de todas as pesquisas feitas até agora

Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Maura Jorge. Odívio Neto e Ramon Zapata encontram-se na pesquisa Escutec a mesma posição segundo os últimos, levantamentos, mas com números surpreendentemente muito diferentes

Último instituto a entrar no circuito da campanha eleitoral para aferir as preferências do eleitorado na corrida ao Governo do Estado e ao Senado, o Escutec trouxe uma pesquisa que destoa de tudo o que foi apurado até agora pelos vários institutos em suas pesquisas – DataIlha, Exata, Econométrica e Ibope. Os números encontrados pelo Escutec se distanciam fortemente dos mostrados pelos três primeiros institutos, e se aproximam dos do Ibope, formando dois blocos de avaliação. Daí uma série de restrições ao relatório da pesquisa Escutec/O Estado, cujo resultado é o seguinte:

Para o Governo do Estado: Flávio Dino (42%), Roseana Sarney (36%), Roberto Rocha (6%), Maura Jorge (5%), Ramon Zapata (1%) e Odívio Neto não pontuou. No levantamento, 6% disseram que votarão em branco ou anularão o voto e 4% não quis ou não soube responder.

Já para o Senado, o quadro se distancia ainda mais da média do que vem sendo mostrado por outros institutos. Os números são os seguintes: Edison Lobão (31%), Sarney Filho (28%), Eliziane Gama (21%), Zé Reinaldo (12%), Weverton Rocha (10%), Alexandre Almeida (4%), Saulo Arcangeli (2%), Bruno Iêgo (1%), Saulo Pinto (1%), Preta Lú (1%) e Samuel Campelo não pontuou.

Independente das eventuais controvérsias que possa conter, a pesquisa Escutec/O Estado é um levantamento que deve ser levado em conta por todos os candidatos.

Em Tempo: a pesquisa Escutec/O Estado foi realizada no período de 25 a 28 de Agosto, ouviu dois mil eleitores, tem margem de erro de 2.19% e está registrada na Justiça Eleitora com o protocolo MA-07603/2018.

São Luís, 07 de Setembro de 2018.

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