Campanha na TV: Flávio Dino promete fazer mais escolas e hospitais; Roseana Sarney quer bancar leite, luz e gás para pobres

 

Flávio Dino defende a continuidade do seu Governo, Roseana promete programas sociais assistencialistas na campanha na TV

É verdade que a corrida ao voto pelos canais agitados e perigosos das redes sociais já influencia expressiva fatia do eleitorado maranhense, como também é verdadeira a avaliação de que comícios, carreatas e caminhadas, no chamado corpo-a-corpo, têm parcela forte de poder para atrair o eleitorado, mas ninguém duvida que a campanha pelas vias do Rádio e da TV no horário eleitoral gratuito é ainda o meio mais eficiente para alcançar o coração e a mente do eleitor. Nesse contexto, passada a primeira semana do uso dos meios eletrônicos pelos candidatos às eleições de outubro, é possível definir suas linhas de ação ao Governo do Estado, especialmente do governador Flávio Dino (PCdoB), que busca a reeleição, e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que tenta voltar ao poder após 14 anos como detentora dele no Maranhão. São campanhas distintas, com enfoques absolutamente diferentes, que rascunham claramente as linhas de ação de cada um dos candidatos, caso cheguem ao comando do Estado.

Líder das pesquisas – umas preveem vitória no 1º turno, outras apontam para dois turnos -, o governador Flávio Dino tem o seu Governo e a virada política em curso no Maranhão, por ele comandada, como os principais motes do seu discurso de campanha. O candidato do PCdoB mostra os avanços em áreas básicas como educação, enfatizando programas avançados como a escola de tempo integral, a Escola Digna e dos Iemas, que de fato estão fazendo diferença; a saúde, destacando a implantação de seis hospitais regionais já em funcionamento; e a segurança, com a incorporação, por concurso público, de mais 3.500 novos policiais militares, bem como o aparelhamento do efetivo policial, e por aí vai. O governador argumenta que o Maranhão deixou de receber R$1,5 bilhão do Governo Federal por conta da crise, mas que, mesmo assim, cumpriu mais de 90% dos compromissos de campanha, feito ironicamente reconhecido pelo portal de notícias G1, do Sistema Globo, normalmente cheio de má vontade explícita para com o governador do PCdoB.

No campo político, Flávio Dino avança embalado por uma aliança com 16 partidos, num arco que abarca partidos como o DEM e o PT, e com o apoio integral do ex-presidente Lula da Silva, consolidado pelo “recado aos maranhenses” dado pelo vice e virtual substituto do líder petista, Fernando Haddad, duas semanas atrás em São Luís. No seu discurso, o governador enfatiza que há uma grande mudança em curso no estado, fustiga a “oligarquia” e dispara afirmando que “o Maranhão não será mais governado por uma, duas ou três famílias”, referindo-se aos Sarney, aos Lobão e aos Murad. O candidato simboliza essa virada ao exibir a Casa de São Marcos, antiga residência de veraneio dos governantes maranhenses, agora transformada na Casa Ninar, uma clínica para tratamento de crianças com síndromes especiais. Numa metáfora provocativa, tem dito que os leões palacianos, que antes rugiam para o povo, hoje rugem a  favor dos “invisíveis”, dos “excluídos”. E mesmo sendo o epicentro do movimento, o candidato Flávio Dino raramente fala na primeira pessoa – “eu isso, eu aquilo” -, preferindo usar o “nós isso, nós aquilo”, dando a impressão de que o seu Governo é uma obra coletiva.

Por sua vez, a candidata Roseana Sarney faz uma campanha fortemente personalista, explorando sua imagem como pessoa, como gestora e como líder política, apostando todas as suas fichas no seu carisma e na ideia de que se identifica plenamente com as massas, dando enfoque à linha de ação voltada para “dar aos pobres”. Até agora, a candidata vem mantendo na TV um cara a cara com o telespectador-eleitor no qual garante que, se eleita for, ressuscitará programas como o de distribuição de leite e de quitação da conta de luz, acrescentando a promessa de bancar o gás de cozinha dos pobres, numa visão de assistencialismo extremo, que reforça com vídeos nos quais pessoas carentes falam desses programas como a redenção das suas vidas. A esse mote a emedebista acrescenta a promessa de “trazer grandes indústrias, para gerar emprego”. Roseana Sarney tem anunciado enfaticamente que vai reduzir impostos, “principalmente o ICMS”, isso num contexto em que os estados se debatem contra a perda de receita.

Na seara política, Roseana Sarney enfrenta, como em 2006, a erosão da sua força político-partidária, que vem resumindo a aliança que lidera com seis partidos. E está mergulhada numa gigantesca contradição com o fato de que seu partido tem um candidato a presidente da República, Henrique Meirelles, mas ela tenta a todo custo alimentar a ideia de que mantém laços com o ex-presidente Lula, situação que tem sido constrangedora para ela e seus aliados. Avalia que deu um tiro certeiro ao chamar para vice o empresário tocantino Ribinha Cunha (PSC), mas as pesquisas feitas até aqui não indicaram se a escolha foi  eleitoralmente produtiva. É fato que a candidata emedebista tem cacife próprio, traduzidos em nada desprezíveis 30% de intenções de votos, o que a torna uma candidata competitiva, mas não o suficiente – pelo menos até aqui -, para virar o jogo em relação ao favorito Flávio Dino. Conta para isso, segunda prega, com o apoio das mulheres, “que devem estar na linha de frente”.

As duas campanhas vêm traduzindo com fidelidade as personalidades e as intenções dos dois candidatos mais bem posicionados nas preferências do eleitorado. Com o diferencial de que governador Flávio Dino se move sobre a plataforma bem estruturada de um Governo em curso, enquanto que a ex-governadora Roseana Sarney, com o recall de 14 anos de poder, se apresenta, ela própria, como a garantia que resolverá “os maiores problemas do Maranhão”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha brecado por Maura Jorge e vice-versa

Roberto Rocha empatado com Maura Jorge e Odívio Neto com Ramon Zapata

Nas suas primeiras semanas de campanha, o candidato Roberto Rocha (PSDB) e a candidata Maura Jorge (PSL) rivalizaram na ocupação da terceira posição, curiosamente sem travar um embate isolado, tendo ambos apontados seus canhões verbais para os líderes da corrida até aqui.

Roberto Rocha fez até agora uma campanha dosada com estocadas no favorito Flávio Dino e ensaios de disparos não concretizados contra Roseana Sarney. Ao mesmo tempo, o candidato tucano tem sido também propositivo, apresentado a base de um programa de Governo que chama de “Caderno de Boas Ideias”, sem detalhar tais ideias até agora. O tucano também se movimenta lastreado pela candidatura presidencial do seu partido, encarnada por Geraldo Alckmin, que não dá sinais de que vai deslanchar no Maranhão. Até agora, Roberto Rocha não encontrou o discurso e a rota que podem levá-lo a, pelo menos, sair da posição vexatória e incompatível com um candidato da sua estatura.

No plano inverso, a candidata Maura Jorge (PSL), que não dispõe de tempo nem de recursos, valendo-se quase que exclusivamente da sua aliança com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), faz uma campanha com alguma inteligência, puxando pelo campo do humor escrachado. E assim se mantém como um obstáculo difícil de ser removido por Roberto Rocha. Maura Jorge não apresentou até agora nenhuma ideia de programa de Governo, repetindo um apanhado de frases de feito sobre saúde, educação segurança e outros temas, sem, no entanto, mostrar um projeto concreto para o seu eventual Governo. Sua grande façanha até agora foi fazer sombra para o tucano Roberto Rocha.

Ramon Zapata (PSTU) e Odívio Neto (PSOL) não fugiram da linha radical de esquerda: querem re-estatizar todas as empresas privatizadas, a começar pelo Banco do Estado do Maranhão. Pregam uma revolução que levará a “classe trabalhadora” ao poder, com base nos postulados de Lênin na Revolução Russa de 1917, entre eles a extinção da propriedade privada.

 

São Luís ganha de volta a Pedro II nova em folha e com a musa Mãe D`Água da Amazônia

Dois ângulos da Praça Pedro II restaurada com a imagem da Mãe D`Água Amazônica

Depois de pelo menos duas décadas abandonada à própria sorte, quando amargou longas temporadas sem ser alcançada por uma gota de água, valendo-se somente dos pingos de chuva, a Mãe D`Água Amazônica, a linda deusa indígena com delicados pés de rã esculpida por Newton Sá, voltou a sorrir no centro da piscina onde mora desde os anos 50, no meio da Praça Pedro II, no centro velho de São Luís. A magia do renascimento aconteceu na noite de sexta-feira, num ato em que o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), o grande responsável pelo feito, e a presidente nacional do Iphan, Kátia Bogéa, descerraram a placa inaugurando a reforma de um dos mais belos e especiais logradouros localizados no coração da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. A restauração da Praça e a devolução do sorriso da Mãe D`Água Amazônica, transformando-a novamente numa das muitas e sedutoras musas que povoam as entranhas de pedra, barro e cal da mais bela joia urbana da Ilha de Upaon Açu, é o resultado de uma bendita parceria da Prefeitura de São Luís com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que em breve também vai reabrir ao público a emblemática Praça Deodoro, completamente restaurada e modernizada.

São Luís, 09 de Setembro de 2018.

 

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