Todos os posts de Ribarmar Correa

Candidatura de Haddad fortalece aliança PT/PCdoB, dá mais força a Dino e recrudesce ataques do Grupo Sarney

 

Fernando Haddad (tendo ao lado a mulher Ana Estala Haddad), Flávio Dino e a vice Manuela D`Ávila: unirão forças para atrair o eleitor de Lula para o petista

Martelo batido: com o aval do ex-presidente Lula da Silva, que assim sai da caça ao voto, o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad é o candidato do PT à presidência da República, tendo a deputada gaúcha Manuela D`Ávila (PCdoB) como vice. A decisão, tomada ontem em Curitiba, deve provocar alterações fortes nessa corrida após o choque causado pelo esfaqueamento do líder nas pesquisas Jair Bolsonaro (PSL). O novo cenário, referendado pela cúpula do PT com o aval do comando do PCdoB, envolve diretamente o governador Flávio Dino (PCdoB), que foi um dos principais articuladores da aliança PT/PCdoB. Ele vai intensificar sua campanha em todo o estado, agora levando junto Fernando Haddad, de modo a torná-lo o mais conhecido possível como “o candidato do Lula”, tarefa gigantesca para a qual deve contar com o apoio do braço maranhense do PT, que agora ganha um norte.

Por conta da sua relação pessoal e politicamente afinada com o ex-presidente Lula, Flávio Dino fez o que esteve ao seu alcance, no campo político, para viabilizar a candidatura do líder petista, mesmo sabendo, como ex-juiz federal, que ele estava irremediavelmente privado dos seus direitos políticos, portanto inelegível. O governador se expôs, colocou-se contra a condenação, defendeu os recursos, mesmo sendo eles protelatórios, articulou movimento de governadores em defesa do ex-presidente e visitou-o na prisão em Curitiba, tornando-se reconhecido como uma das vozes mais elevadas em favor do direito de o líder petista ser candidato a presidente. Ao mesmo tempo, Flávio Dino teve participação decisiva na decisão do PCdoB de manter a aliança com o PT e na indicação da deputada Manuela D`Ávila, que era a candidata comunista a presidente, a tornar-se a representante do seu partido na chapa liderada por Fernando Haddad.

Agora, superadas as dificuldades formais e tomadas as decisões políticas, Flávio Dino vai encarar o desafio de levar o nome de Fernando Haddad a todos os rincões do Maranhão onde estão os milhares e milhares de eleitores de Lula da Silva ainda não familiarizados com a situação e a substituição. O ex-prefeito de São Paulo, que já viveu a delícia de vencer e o amargor de perder uma eleição, tem plena consciência do desafio gigantesco que é transformar-se num candidato viável, e por isso deve entrar de cabeça na campanha, recebendo o apoio do governador e seu grupo e dando a contrapartida, que é o apoio integral do PT ao aliado. Os dois líderes sabem que as dificuldades são enormes – como a “onda” Jair Bolsonaro, por exemplo. Mas avaliam também que é perfeitamente possível vencê-las e transferir para o presidenciável petista pelo menos a grande maioria dos mais de 70% das intenções de voto em Lula no Maranhão, o que pode representar, grosso modo, algo em torno de 1,5 milhão de sufrágios.

Todas as avaliações descompromissadas e isentas que chegaram até agora o conhecimento da Coluna apontam para uma aliança destinada a ser bem sucedida nas urnas. Mas anotam, em tom de alerta, que não será um “passeio” sem percalços. A começar pelo fato de que, com a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) enfrentando dificuldades para repetir as performances de outros tempos e sem contar com uma referência incentivadora na corrida presidencial, o Grupo Sarney tende a recrudescer seus ataques ao governador Flávio Dino, como deixou bem claro na entrevista de ontem na TV Mirante, com o evidente objetivo de fragilizá-lo diante do candidato petista. Muito provavelmente concebida pela astúcia tarimbada do ex-presidente José Sarney, que não engole perder o controle do filé eleitoral lulista no estado, a estratégia de tentar desconstruir Flávio Dino é meta. O problema é que o governador fincou bases sólidas na política maranhense, é um combatente inteligente, acreditado e tenaz, difícil, portanto, de ser abatido.

O fato é que a definição da candidatura de Fernando Haddad a presidente da República e sua aliança entusiasmada com o governador Flávio Dino terá forte repercussão na corrida eleitoral no Maranhão. Reforçará, sem dúvida, o poder de fogo do governador na busca da reeleição, mas aumentará consideravelmente a determinação dos adversários de minar sua caminhada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Desempenho de Ciro Gomes entusiasma pedetista e pode reagrupar a aguerrida militância brizolista

Ciro Gomes. com Weverton Rocha,pode restaurar a força da militância pedetista

A pesquisa do Ibope divulgada ontem pela Rede Globo alimentou o entusiasmo do comando estadual do PDT com a candidatura presidencial do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes. Mesmo embolado com Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes tem demonstrado fôlego e disposição para enfrentar Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, que parece ser até aqui a única certeza dessa corrida ao Palácio do Planalto. Pedetistas que a princípio não demonstravam muito entusiasmo com a candidatura do ex-governador do Ceará, principalmente por conta da sua proverbial incapacidade de controlar a língua e seu gênio explosivo, agora se mostram animados com a possibilidade concreta de o candidato do PDT chegar ao Palácio do Planalto dando uma surra de votos em Jair Bolsonaro na “segunda volta” como dizem os portugueses, conforme apontam todas as pesquisas feitas recentemente. Há até quem aposte numa remota, mas possível, mobilização de pedetistas maranhenses da velha guarda, que se afastaram do partido após a morte do líder Jackson Lago em 2012, em torno do presidenciável. A evolução da campanha e os percentuais das pesquisas poderão mesmo reagrupar a grande e aguerrida militância da versão maranhense do brizolismo, que tem feito muita falta na política do Maranhão, especialmente em São Luís.

 

Listas já indicam favoritos para a reeleição na Assembleia Legislativa

Othelino Neto lidera o time dos favoritos, que incui Roberto Costa, Adriano Sarney e Marco Aurélio

Já são várias as listas de favoritos para a Assembleia Legislativa, e em todas elas alguns nomes aparecem como certos. Entre os que estão em busca de reeleição, o presidente Othelino Neto (PCdoB) é até aqui o mais destacado, seguido de Roberto Costa (MDB), Fábio Macedo (PDT), Marco Aurélio (PCdoB), Ana do Gás (PCdoB), Wellington do Curso (PSB), Adriano Sarney (PV), Rogério Cafeteira (DEM), Rigo Teles (PV), César Pires (PV), Edivaldo Holanda (PTC), Glaubert Cutrim (PDT) e Leo Cunha (PSC) são tidos como nomes certos. É claro que há nomes de peso, como Antonio Pereira (DEM), Neto Evangelista (DEM), Valéria Macedo (PDT), Levi Pontes (PCdoB), Rafael Leitoa (PDT) e Fábio Braga (SD), que podem figurar em qualquer lista, mas os do primeiro time de nomes têm frequência maior nas tais listas, o que para observadores são indicativos de que eles estão politica e eleitoralmente mais bem calçados.

São Luís, 11 de Setembro de 2018.

Presidência: Ciro e Haddad fortalecem posição de Dino; Roseana fica sem elo na corrida ao Palácio do Planalto

 

Flávio Dino conta com Fernando Haddad e Ciro Gomes, Roberto Rocha está fechado com Geraldo Alckmin, Maura Jorge vive os altos e baixos de Jair Bolsonaro, e Roseana Sarney está isolada da corrida presidencial

A pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial divulgada ontem pela Rede Globo injetou mais ânimo no comando da campanha do governador  Flávio Dino (PCdoB) à reeleição, manteve estável o QG do candidato do PSDB, senador  Roberto Rocha; aumentou as preocupações da candidata do PSL, Maura Jorge, e em nada alterou a posição da candidata do MDB, Roseana Sarney, em relação à corrida pelo Palácio do Planalto. O governador Flávio Dino viu dois aliados, Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), melhorarem sensivelmente suas posições no ranking dos presidenciáveis, um vencendo e o outro empatando com Jair Bolsonaro (PSL) num eventual segundo turno. Roberto Rocha anotou a oscilação para cima de Geraldo Alckmin e a provável vitória dele no segundo turno contra qualquer um. Maura Jorge festejou a leve subida de Jair Bolsonaro, mas logo desacelerou diante da informação contundente de que ele dificilmente será presidente, porque perde para todos no segundo turno. E a ex-governadora Roseana Sarney se manteve absolutamente fora de contexto na disputa pelo Palácio do Planalto com a virtual saída do ex-presidente Lula da Silva (PT) do quadro de candidatos e a inexpressividade eleitoral do candidato do seu partido, Henrique Meirelles (MDB), nas preferências do eleitorado.

O governador Flávio Dino não tem do que se queixar no grande cenário da corrida eleitoral. Primeiro porque lidera com folga a corrida no Maranhão, e depois, se reeleito, poderá ter um aliado forte na presidência da República, o petista Fernando Haddad, seu parceiro formal, que agora está entrando para valer na corrida presidencial, saltando de 4% para 9%, segundo o Datafolha, isso ainda na condição de vice do ex-presidente Lula, ou Ciro Gomes, que subiu para 13%, passando a ser o segundo na preferência do eleitorado e tornando-se o virtual adversário de Jair Bolsonaro no 2º turno. Fernando Haddad aposta alto numa parceria com Flávio Dino e vice-versa, enquanto Ciro Gomes não esconde sua admiração pelo governador maranhense, a ponto de ter declarado, meses atrás, que ele “foi a melhor coisa que já aconteceu na política brasileira nos últimos tempos”, mantendo essa posição mesmo diante da aliança dele com o ex-presidente Lula e, por via de desdobramento, com Fernando Haddad. Reeleito, Flávio Dino poderá ainda construir uma relação sólida e produtiva com Marina Silva (Rede), caso ela chegue ao Palácio do Planalto. O comunista encontra-se, pois, numa situação confortável em relação à corrida presidencial, o que lhe dá uma grande margem de movimentação política, podendo até mesmo reforçar sua vantagem eleitoral.

O cenário produzido pela pesquisa Datafolha não alterou substancialmente o ânimo do candidato tucano Roberto Rocha, uma vez que Geraldo Alckmin permanece embolado com Ciro Gomes, Marina Silva e agora também com Fernando Haddad. Roberto Rocha tem exibido confiança no cacife do presidenciável tucano, acreditando piamente que Geraldo Alckmin irá para o segundo turno com Jair Bolsonaro, e ele, Roberto Rocha, será o adversário do governador Flávio Dino num até aqui improvável 2º turno no Maranhão.

A candidata do PSL, Maura Jorge, vive uma situação em que alterna ânimo de paraíso e de purgatório, à medida que, ao mesmo tempo em que a pesquisa mostra seu candidato Jair Bolsonaro na cabeça da corrida presidencial com 24% das preferências do eleitorado, o vê também perdendo para todos os principais adversários num eventual 2º turno. Mais do que isso, a pesquisa encontrou Jair Bolsonaro como estratosféricos 43% de rejeição, uma indicação segura de que ele dificilmente ultrapassará o patamar dos 25% de preferência. Até agora, a posição de Jair Bolsonaro não injetou gás na candidatura da ex-prefeita de Lago da Pedra, que mesmo assim continua tentando decolar, sem sucesso até agora.

A pesquisa Datafolha complicou mais ainda a posição da ex-governadora Roseana Sarney em relação à corrida presidencial, à medida que o ex-presidente Lula da Silva foi substituído por Fernando Haddad como o nome do PT e, pior, o candidato do MDB, Henrique Meirelles, simplesmente não deu sinais de que irá a algum lugar nessa disputa. Roseana Sarney sabe que, por mais forte que seja o seu cacife político/eleitoral – que já foi muito maior, não há lugar para omissões nesse tabuleiro. Excluir-se da campanha presidencial é como impor-se uma espécie de flagelo que pode produzir duras consequências políticas. E chama a atenção o fato de que a candidata do MDB não dá sinais de que esteja se articulando nessa seara.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ricardo Murad avisa que se Roseana for eleita ele vai dar as cartas na Saúde

Ricardo Murad avisa que comandará a Saúde se Roseana Sarney for eleita

Se a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) voltar ao poder, o ex-deputado estadual Ricardo Murad (PRP), agora candidato a deputado federal, deverá ser de novo o todo-poderoso secretário de Estado da Saúde. Essa possibilidade foi levantada por ele próprio em vídeo que está sendo veiculado no horário eleitoral gratuito na TV, no qual fala maravilhas da sua gestão da área de Saúde do último Governo de Roseana Sarney, diz que “aí veio o Flávio Dino e acabou com tudo”, para concluir, taxativo: “Eu e a Roseana vamos reconstruir e fazer muito mais pelo Maranhão”. Chama a atenção na última frase de Ricardo Murad o fato de ele ser categórico e colocar-se no primeiro plano da ação de um Governo que é até aqui uma possibilidade remota, dando a impressão de que, se esse projeto eleitoral vingar, ele será o grande protagonista da área de Saúde, ficando a eventual governadora em segundo plano. Pode ser que Ricardo Murad não tenha se dado conta de que se colocou à frente da eventual chefe de Governo na sua propaganda, o que é improvável por se tratar de um político experiente e dono de um discurso inteligente e bem articulado, que dificilmente cometeria uma gafe dessas numa peça de uma campanha em que um segundo de TV tem peso, principalmente quando o candidato é um Ricardo Murad.

 

Edison Lobão mostra feitos e destaca a Avenida Litorânea como uma grande marca

Edison Lobão e sua maior obra na Ilha de Upaon Açu:, a Avenida Litorânea

O senador Edison Lobão (MDB) vem dando mostras de que sabe o que fazer numa corrida eleitoral. Depois de mostrar seu posicionamento atual, com a condição de ex-ministro de Minas e Energia dos Governos Lula e Dilma Rousseff (PT), assim como o de atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado da República, Lobão vem agora mostrando obras fundamentais que realizou quando governou o Maranhão. O item mais forte recordado até aqui é a Avenida Litorânea, que foi oficialmente batizada de Avenida Governador Edison Lobão. Quando assumiu o Palácio dos Leões em abril de 1991, encontrou a base – quilômetros de blocos de granito trazidos de Rosário – pronta, deixada pelo governador Luis Rocha e solenemente ignorada pelo seu sucessor, governador Epitácio Cafeteira, que preferiu investir na construção da Avenida dos Holandeses, deixando prontos os acessos à futura avenida. Lobão não perdeu tempo, correu atrás e conseguiu os recursos para implantar o complexo, abrindo caminho para que São Luís fosse dotada de uma artéria margeando hoje mais de 10 quilômetros de praias, transformando esse corredor numa das orlas mais belas e bem equipadas do País. Difícil medir forças com Edison Lobão quando o tema do debate são realizações.

São Luís, 10 de Setembro de 2018.

 

Campanha na TV: Flávio Dino promete fazer mais escolas e hospitais; Roseana Sarney quer bancar leite, luz e gás para pobres

 

Flávio Dino defende a continuidade do seu Governo, Roseana promete programas sociais assistencialistas na campanha na TV

É verdade que a corrida ao voto pelos canais agitados e perigosos das redes sociais já influencia expressiva fatia do eleitorado maranhense, como também é verdadeira a avaliação de que comícios, carreatas e caminhadas, no chamado corpo-a-corpo, têm parcela forte de poder para atrair o eleitorado, mas ninguém duvida que a campanha pelas vias do Rádio e da TV no horário eleitoral gratuito é ainda o meio mais eficiente para alcançar o coração e a mente do eleitor. Nesse contexto, passada a primeira semana do uso dos meios eletrônicos pelos candidatos às eleições de outubro, é possível definir suas linhas de ação ao Governo do Estado, especialmente do governador Flávio Dino (PCdoB), que busca a reeleição, e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que tenta voltar ao poder após 14 anos como detentora dele no Maranhão. São campanhas distintas, com enfoques absolutamente diferentes, que rascunham claramente as linhas de ação de cada um dos candidatos, caso cheguem ao comando do Estado.

Líder das pesquisas – umas preveem vitória no 1º turno, outras apontam para dois turnos -, o governador Flávio Dino tem o seu Governo e a virada política em curso no Maranhão, por ele comandada, como os principais motes do seu discurso de campanha. O candidato do PCdoB mostra os avanços em áreas básicas como educação, enfatizando programas avançados como a escola de tempo integral, a Escola Digna e dos Iemas, que de fato estão fazendo diferença; a saúde, destacando a implantação de seis hospitais regionais já em funcionamento; e a segurança, com a incorporação, por concurso público, de mais 3.500 novos policiais militares, bem como o aparelhamento do efetivo policial, e por aí vai. O governador argumenta que o Maranhão deixou de receber R$1,5 bilhão do Governo Federal por conta da crise, mas que, mesmo assim, cumpriu mais de 90% dos compromissos de campanha, feito ironicamente reconhecido pelo portal de notícias G1, do Sistema Globo, normalmente cheio de má vontade explícita para com o governador do PCdoB.

No campo político, Flávio Dino avança embalado por uma aliança com 16 partidos, num arco que abarca partidos como o DEM e o PT, e com o apoio integral do ex-presidente Lula da Silva, consolidado pelo “recado aos maranhenses” dado pelo vice e virtual substituto do líder petista, Fernando Haddad, duas semanas atrás em São Luís. No seu discurso, o governador enfatiza que há uma grande mudança em curso no estado, fustiga a “oligarquia” e dispara afirmando que “o Maranhão não será mais governado por uma, duas ou três famílias”, referindo-se aos Sarney, aos Lobão e aos Murad. O candidato simboliza essa virada ao exibir a Casa de São Marcos, antiga residência de veraneio dos governantes maranhenses, agora transformada na Casa Ninar, uma clínica para tratamento de crianças com síndromes especiais. Numa metáfora provocativa, tem dito que os leões palacianos, que antes rugiam para o povo, hoje rugem a  favor dos “invisíveis”, dos “excluídos”. E mesmo sendo o epicentro do movimento, o candidato Flávio Dino raramente fala na primeira pessoa – “eu isso, eu aquilo” -, preferindo usar o “nós isso, nós aquilo”, dando a impressão de que o seu Governo é uma obra coletiva.

Por sua vez, a candidata Roseana Sarney faz uma campanha fortemente personalista, explorando sua imagem como pessoa, como gestora e como líder política, apostando todas as suas fichas no seu carisma e na ideia de que se identifica plenamente com as massas, dando enfoque à linha de ação voltada para “dar aos pobres”. Até agora, a candidata vem mantendo na TV um cara a cara com o telespectador-eleitor no qual garante que, se eleita for, ressuscitará programas como o de distribuição de leite e de quitação da conta de luz, acrescentando a promessa de bancar o gás de cozinha dos pobres, numa visão de assistencialismo extremo, que reforça com vídeos nos quais pessoas carentes falam desses programas como a redenção das suas vidas. A esse mote a emedebista acrescenta a promessa de “trazer grandes indústrias, para gerar emprego”. Roseana Sarney tem anunciado enfaticamente que vai reduzir impostos, “principalmente o ICMS”, isso num contexto em que os estados se debatem contra a perda de receita.

Na seara política, Roseana Sarney enfrenta, como em 2006, a erosão da sua força político-partidária, que vem resumindo a aliança que lidera com seis partidos. E está mergulhada numa gigantesca contradição com o fato de que seu partido tem um candidato a presidente da República, Henrique Meirelles, mas ela tenta a todo custo alimentar a ideia de que mantém laços com o ex-presidente Lula, situação que tem sido constrangedora para ela e seus aliados. Avalia que deu um tiro certeiro ao chamar para vice o empresário tocantino Ribinha Cunha (PSC), mas as pesquisas feitas até aqui não indicaram se a escolha foi  eleitoralmente produtiva. É fato que a candidata emedebista tem cacife próprio, traduzidos em nada desprezíveis 30% de intenções de votos, o que a torna uma candidata competitiva, mas não o suficiente – pelo menos até aqui -, para virar o jogo em relação ao favorito Flávio Dino. Conta para isso, segunda prega, com o apoio das mulheres, “que devem estar na linha de frente”.

As duas campanhas vêm traduzindo com fidelidade as personalidades e as intenções dos dois candidatos mais bem posicionados nas preferências do eleitorado. Com o diferencial de que governador Flávio Dino se move sobre a plataforma bem estruturada de um Governo em curso, enquanto que a ex-governadora Roseana Sarney, com o recall de 14 anos de poder, se apresenta, ela própria, como a garantia que resolverá “os maiores problemas do Maranhão”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha brecado por Maura Jorge e vice-versa

Roberto Rocha empatado com Maura Jorge e Odívio Neto com Ramon Zapata

Nas suas primeiras semanas de campanha, o candidato Roberto Rocha (PSDB) e a candidata Maura Jorge (PSL) rivalizaram na ocupação da terceira posição, curiosamente sem travar um embate isolado, tendo ambos apontados seus canhões verbais para os líderes da corrida até aqui.

Roberto Rocha fez até agora uma campanha dosada com estocadas no favorito Flávio Dino e ensaios de disparos não concretizados contra Roseana Sarney. Ao mesmo tempo, o candidato tucano tem sido também propositivo, apresentado a base de um programa de Governo que chama de “Caderno de Boas Ideias”, sem detalhar tais ideias até agora. O tucano também se movimenta lastreado pela candidatura presidencial do seu partido, encarnada por Geraldo Alckmin, que não dá sinais de que vai deslanchar no Maranhão. Até agora, Roberto Rocha não encontrou o discurso e a rota que podem levá-lo a, pelo menos, sair da posição vexatória e incompatível com um candidato da sua estatura.

No plano inverso, a candidata Maura Jorge (PSL), que não dispõe de tempo nem de recursos, valendo-se quase que exclusivamente da sua aliança com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), faz uma campanha com alguma inteligência, puxando pelo campo do humor escrachado. E assim se mantém como um obstáculo difícil de ser removido por Roberto Rocha. Maura Jorge não apresentou até agora nenhuma ideia de programa de Governo, repetindo um apanhado de frases de feito sobre saúde, educação segurança e outros temas, sem, no entanto, mostrar um projeto concreto para o seu eventual Governo. Sua grande façanha até agora foi fazer sombra para o tucano Roberto Rocha.

Ramon Zapata (PSTU) e Odívio Neto (PSOL) não fugiram da linha radical de esquerda: querem re-estatizar todas as empresas privatizadas, a começar pelo Banco do Estado do Maranhão. Pregam uma revolução que levará a “classe trabalhadora” ao poder, com base nos postulados de Lênin na Revolução Russa de 1917, entre eles a extinção da propriedade privada.

 

São Luís ganha de volta a Pedro II nova em folha e com a musa Mãe D`Água da Amazônia

Dois ângulos da Praça Pedro II restaurada com a imagem da Mãe D`Água Amazônica

Depois de pelo menos duas décadas abandonada à própria sorte, quando amargou longas temporadas sem ser alcançada por uma gota de água, valendo-se somente dos pingos de chuva, a Mãe D`Água Amazônica, a linda deusa indígena com delicados pés de rã esculpida por Newton Sá, voltou a sorrir no centro da piscina onde mora desde os anos 50, no meio da Praça Pedro II, no centro velho de São Luís. A magia do renascimento aconteceu na noite de sexta-feira, num ato em que o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), o grande responsável pelo feito, e a presidente nacional do Iphan, Kátia Bogéa, descerraram a placa inaugurando a reforma de um dos mais belos e especiais logradouros localizados no coração da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. A restauração da Praça e a devolução do sorriso da Mãe D`Água Amazônica, transformando-a novamente numa das muitas e sedutoras musas que povoam as entranhas de pedra, barro e cal da mais bela joia urbana da Ilha de Upaon Açu, é o resultado de uma bendita parceria da Prefeitura de São Luís com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que em breve também vai reabrir ao público a emblemática Praça Deodoro, completamente restaurada e modernizada.

São Luís, 09 de Setembro de 2018.

 

Othelino Neto avança em busca da reeleição e prevê que Flávio Dino e a aliança que lidera vencerão as eleições

 

Othelino Neto se desdobra para conciliar as agendas de presidente do Poder Legislativo com a de candidato à reeleição

Em meio a uma guerra sem trégua pelo voto num cenário em que serão eleitos o presidente da República, o governador do Estado, dois senadores, 18 deputados federais e 42 deputados estaduais, e cujo desfecho ocorrerá em um mês, o presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB) se desdobra para conciliar o comando da Casa e a corrida em busca de votos e avalia que seu grupo, que é, liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), sairá das urnas vitorioso. Bem situado entre os que formam o primeiro time dos que devem ser bem votados, o chefe do parlamento estadual mostra equilíbrio nas suas avaliações e segurança nas suas conclusões, preferindo atuar com a lógica do que com o “chute” aleatório, e por isso prevê que a renovação da Assembleia Legislativa será de 30% a 40%. Foi o que deixou claro numa conversa com a Coluna, na manhã de Quinta-Feira, ao avaliar que o governador Flávio Dino (PCdoB) tem cacife político e preferência eleitoral suficientes para se reeleger no 1º turno, numa vitória que deve  refletir-se  na grande coligação que lidera.

Sereno na postura e cuidadoso com as palavras, como quem sabe que não pode cometer equívocos, o jovem presidente da Assembleia Legislativa fez o seguinte desenho verbal da guerra política e eleitoral em curso no âmbito do grupo a que pertence, respeitando os candidatos adversários:

“As pesquisas têm mostrado que se desenha uma liderança com uma relativa margem de segurança para o governador Flávio Dino, que hoje pontua com cerca de 60% dos votos válidos, ou seja, venceria a eleição no primeiro turno. Esse foi o quadro do início da campanha com a propaganda eleitoral gratuita. Eu acredito que, por termos o maior grupo político e também por termos o maior tempo de televisão, além do fato de que o governador Flávio Dino tem o trunfo de um Governo bem sucedido, com uma longa lista de obras, de realizações nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, segurança e transparência. E agora com a oportunidade que ele tem de mostrar, no horário eleitoral e nas caminhadas pelo estado, aquilo que fez pelo Maranhão, eu creio que a tendência natural é que se consolide a eleição do governador no primeiro turno”.

Com a mesma sensatez que vem moldando sua conduta política e de chefe de Poder, sendo visto até por adversários como “uma boa surpresa”, exatamente por se mostrar conhecedor das filigranas que movem o parlamento estadual, o presidente Othelino Neto faz um prognóstico firme do que deve acontecer na composição da Assembleia Legislativa:

“Toda previsão em período eleitoral é um pouco de exercício de adivinhação. Mas, olhando a movimentação de cada deputado, é possível prevê que a renovação na Assembleia Legislativa será pequena, entre 30% e 40%, considerando que tem colega que não disputará a reeleição, mas que deixaram candidatos da família, o que não se pode considerar exatamente uma renovação. Por exemplo, o deputado Josimar  Maranhãozinho (PR) é candidato a deputado federal e a esposa dele, Detinha (PR), é candidata a deputada estadual, e creio que os dois se elegerão. Nessa circunstância, o deputado Stênio Resende (DEM) não será mais candidato, mas lançou sua esposa, Andrea Resende (DEM); a deputada Graça Paz (PSDB) saiu, para ser candidata a vice-governadora,  mas lançou o filho, Leonardo Paz (PSDB); e o (ex-)presidente Arnaldo Melo (MDB) será candidato no lugar da filha, deputada Nina Melo (MDB), também com boas condições de conquistar o mandato. Então, acho que  a renovação vai ser entre 30% e 40%.

Antes visto como um nome de futuro, o deputado Othelino Neto ganhou outra dimensão no cenário político estadual desde que assumiu o comando do Poder Legislativo, em Janeiro, com a morte do presidente Humberto Coutinho (PDT ), tornando-se o grande articulador da Casa e surpreendendo pela habilidade com que vem cuidando das relações no parlamento. Provocado, ele se situa no cenário da guerra eleitoral:

“Eu sou, acima de tudo, um militante político, entusiasmado com o grupo do qual faço parte, sob a liderança do governador Flávio Dino. Acredito que estamos transformando o Maranhão para melhor, pois foi a isso que nos propusemos, e é essa a nossa missão. Acredito que os maranhenses  reconhecem isso, pelo que eu tenho visto em pesquisa e nas ruas a aprovação do governador. Acredito também que apresentamos para o Maranhão os dois melhores nomes para o Senado, o deputado federal Weverton Rocha, que se destaca hoje nacionalmente como líder da Oposição ao Governo Temer, que assumiu posições muito fortes na Câmara dos Deputados contra a reforma trabalhista e contra a cassação da presidente Dilma Rousseff, por exemplo, e a deputada federal Eliziane Gama, que foi uma excelente deputada estadual e tem também um mandato vibrante na Camara Federal. Nós apresentamos para o Maranhão um jovem político e uma jovem política comprometidos com o futuro do Maranhão”.

Ciente de que prestígio eleitoral se conquista no contato direto com o eleitorado, o deputado Othelino Neto tem cumprido uma surpreendente agenda de campanha, que começou no dia 16/08 em São Félix de Balsas e passou por Monção (18/08), Vargem Grande (21/08), Santa Helena (24/08), Grajaú (25/08), Barreirinhas (28/08), São Vicente Ferrer (30/08), Peri-Mirim (31/08), Presidente Sarney (1º/09), Anajatuba (04/09) e Conceição do Lago Açu (06/09). E deu a largada na campanha em São Luís na quinta-feira à frente de uma grande caminhada na Vila Palmeira, avançando numa maratona que alcançará ainda vários municípios nas próximas semanas e que fará com que saia das urnas como um dos mais bem votados, segundo prognósticos que correm nos bastidores da peleja eleitoral.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Líderes maranhenses se solidarizaram com Jair Bolsonaro

 

Todos os líderes da política maranhense, a começar pelo governador Flávio Dino, manifestaram solidariedade a Jair Bolsonaro, candidato do PSL a presidente da República, por verem no episódio do esfaqueamento que quase lhe tirou a vida durante ato de campanha eleitoral em Juiz de Fora (Minas Gerais). De um modo geral, esses líderes se preocuparam com o risco de morte a que o presidenciável foi submetido, como também se manifestaram no sentido de que se tratou de um ato isolado, radicado por um sujeito desequilibrado, o que afastou a impressão de que poderia ter sido um atentado contra o estado democrático de direito que garante a democracia plena no Brasil de hoje.

 

A Coluna errou

Na edição de ontem (07/09), a Coluna foi induzida a um erro ao afirmar que o governador Flávio Dino licenciou-se por 30 dias para se dedicar integralmente à campanha eleitoral. Na verdade, o chefe do Poder Executivo cumpriu uma formalidade e comunicou formalmente à Assembleia Legislativa que se licenciará do cargo apenas no dia 6 de Outubro, véspera das eleições. O erro decorreu do fato de que a informação fora obtida de maneira indireta, sem acesso ao documento, o que gerou o equívoco de interpretação. A Coluna pede desculpas aos seus leitores, a começar pelo governador Flávio Dino, que, ao contrário do que foi divulgado, permanecerá no cargo durante toda a campanha eleitoral, fazendo seguidos ajustes logísticos para conciliar os compromissos de candidato à reeleição com os de chefe de Estado e de Governo. A Coluna mantém integralmente todos os comentários e observações contidas no post na edição de ontem.

São Luís, 08 de Setembro de 2018.

 

Dino se licencia do Governo para se dedicar integralmente ao jogo duro da  campanha eleitoral

 

Flávio Dino se afasta do Governo para se dedicar à campanha pela reeleição

O governador Flávio Dino (PCdoB) deu ontem uma demonstração de que tem os pés politicamente bem assentados no chão. Num gesto de desprendimento político e maturidade institucional, ele encaminhou à Assembleia Legislativa um pedido de licença do cargo para o período em que durar a campanha eleitoral na qual se movimenta para conquistar novo mandato. O comunicado foi recebido pelo presidente da instituição legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), que o despachou para cumprir os trâmites normais. Licenciado do cargo, Flávio Dino pretende intensificar sua campanha à reeleição, determinado que está a comandar nas urnas uma ampla vitória da grande aliança partidária que conseguiu articular. Tudo leva a crer que o governador vai se desdobrar para consolidar o seu favoritismo apontado pelas pesquisas feitas até aqui, e mais do que isso, usar todo o seu prestígio para embalar as candidaturas dos deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) ao Senado, pretendendo também galvanizar a campanha dos seus aliados a deputado federal e deputado estadual num grande movimento que deverá também injetar “gás” na corrida do presidenciável Fernando Haddad (PT), já que se tornou quase impossível consolidar a candidatura do ex-presidente Lula da Silva ao Palácio do Planalto.

Licenciado do cargo, o governador Flávio Dino age exatamente em sentido contrário da maioria dos governadores candidatos à reeleição, que preferem permanecer no comando efetivo da máquina do que dele se desvencilhar por quatro semanas para ir ao encontro do eleitorado prestar contas e pedir votos. Com a atitude, governador do Maranhão quebra mais um “padrão” de comportamento político, demonstrando ser possível realizar um trabalho político forte e eficiente sem ter a “caneta na mão” em momentos decisivos como uma campanha eleitoral em que o futuro dele e da mega aliança partidária que comanda está em jogo.

Flávio Dino sabe que está em vantagem na corrida às urnas, que tem até aqui a preferência da maioria dos eleitores maranhenses e que tem condições de liquidar a fatura eleitoral em um só turno. Mas é dono de Inteligência política suficiente para saber que está em guerra aberta com adversários lastreados numa experiência madura, que tem no ex-presidente José Sarney (MDB), visto por muitos como a mais hábil raposa em atividade no País, o seu principal expoente. O governador sabe que cada passo, cada gesto, cada movimento seu está sendo medido e avaliado por quem conhece o jogo político e sabe tirar de um tropeço munição pesada para bombardear o adversário.  Principalmente agora, quando o Grupo Sarney, muito fragilizado com os catastróficos resultados eleitorais de 2014 e 2016, luta para se manter de pé e alimentar seu poder de fogo.

Ao se licenciar num momento decisivo da campanha eleitoral, o candidato Flávio Dino sinaliza com clareza que acredita piamente nos movimentos que o levam para mais perto do eleitorado. Político identificado com a sua geração, aposta alto nas redes sociais, investe bem na propaganda no rádio e na TV, mas acredita que o diferencial é encarar o cidadão “ao vivo e a cores”, como fez por longo período na pré-campanha e na campanha que o levou ao Palácio dos Leões em 2014. E vai para o corpo-a-corpo certo de que fez o que prometera e pode chegar agora, relatar os feitos e pedir para continuar trabalhando por mais quatro anos. Uma estratégia simples, mas que só pode produzir resultados se for praticada com jogo aberto, transparência e, principalmente, honestidade política. E principalmente com o argumento inevitável de um balanço positivo da sua gestão.

Licenciado do cargo, portanto, o governador Flávio Dino caminha também para o confronto direto dos debates, nos quais enfrentará a emedebista Roseana Sarney com seu lastro de 14 anos de poder, o senador  Roberto Rocha (PSDB) com um discurso desenvolvimentista bem articulado, a ex-prefeita de Lago da Pedra Maura Jorge (PSL), que tem na aliança com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) a sua principal bandeira, e os representantes da esquerda sonhadora, Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Firmeza democrática: atentado a Bolsonaro sacode o Brasil, mas não desestabiliza o processo eleitoral

Jair Bolsonaro: a democracia suporta sua candidatura, por ser um direito inalienável

Quem imaginou que o atentado a Jair Bolsonaro, candidato do PSL à presidente da República, praticado por um idiota político numa manifestação pública no interior de Minas Gerais, desestabilizaria o estado democrático de direito e comprometeria o processo sucessório em curso no Brasil, se deu mal. As reações imediatas condenando o ato criminoso, todas cobraram providências para que o processo seja mantido intacto e a democracia brasileira nada sofra além, claro, do trauma momentâneo e a possibilidade real de o candidato da direita sair do episódio beneficiado com um caminhão de votos a mais, melhorando sensivelmente a sua já destacada posição na corrida ao Palácio do Planalto. “Acabaram de o eleger”, declarou um dos filhos do candidato tão logo recebeu a notícia da agressão ao pai, numa espantosa  demonstração de pragmatismo, fazendo uma focada interpretação do episódio, enquanto o vereador Chico Carvalho, que preside o partido no Maranhão, que igualmente pragmático manifestou torcida para que o presidenciável  recupere logo e volte para a planície, rogando para que “Deus possa proteger a todos e que possa nos da sabedoria para juntos decidirmos o futuro de nosso país e de nossos estados”, afirmou. No mais, a previsão mais consistente é a de que os bolsonaristas vão usar o episódio à exaustão para tirar proveito político e eleitoral do ato tresloucado. No mais é manter a serenidade, apostar nos postulados da democracia, evitar e ignorar provocações e confrontos. A hora é de serenidade e de firmeza e não de oportunismo. A candidata do PSL ao Governo do Estado, ex-prefeita Maura Jorge, tem de estar preparada para conduzir essa situação nova, delicada e perigosa.

 

Escutec mostrou números diferentes da média de todas as pesquisas feitas até agora

Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Maura Jorge. Odívio Neto e Ramon Zapata encontram-se na pesquisa Escutec a mesma posição segundo os últimos, levantamentos, mas com números surpreendentemente muito diferentes

Último instituto a entrar no circuito da campanha eleitoral para aferir as preferências do eleitorado na corrida ao Governo do Estado e ao Senado, o Escutec trouxe uma pesquisa que destoa de tudo o que foi apurado até agora pelos vários institutos em suas pesquisas – DataIlha, Exata, Econométrica e Ibope. Os números encontrados pelo Escutec se distanciam fortemente dos mostrados pelos três primeiros institutos, e se aproximam dos do Ibope, formando dois blocos de avaliação. Daí uma série de restrições ao relatório da pesquisa Escutec/O Estado, cujo resultado é o seguinte:

Para o Governo do Estado: Flávio Dino (42%), Roseana Sarney (36%), Roberto Rocha (6%), Maura Jorge (5%), Ramon Zapata (1%) e Odívio Neto não pontuou. No levantamento, 6% disseram que votarão em branco ou anularão o voto e 4% não quis ou não soube responder.

Já para o Senado, o quadro se distancia ainda mais da média do que vem sendo mostrado por outros institutos. Os números são os seguintes: Edison Lobão (31%), Sarney Filho (28%), Eliziane Gama (21%), Zé Reinaldo (12%), Weverton Rocha (10%), Alexandre Almeida (4%), Saulo Arcangeli (2%), Bruno Iêgo (1%), Saulo Pinto (1%), Preta Lú (1%) e Samuel Campelo não pontuou.

Independente das eventuais controvérsias que possa conter, a pesquisa Escutec/O Estado é um levantamento que deve ser levado em conta por todos os candidatos.

Em Tempo: a pesquisa Escutec/O Estado foi realizada no período de 25 a 28 de Agosto, ouviu dois mil eleitores, tem margem de erro de 2.19% e está registrada na Justiça Eleitora com o protocolo MA-07603/2018.

São Luís, 07 de Setembro de 2018.

Indefinição quanto a candidato presidencial deixa Roseana Sarney numa situação desconfortável na corrida eleitoral

 

Roseana Sarney usa Lula da Silva mas pode ser pressionada a fazer campanha para Henrique Meirelles

O governador Flávio Dino (PCdoB) está firme com o ex-presidente Lula da Silva (PT) e deve abraçar a candidatura do ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), caso ela venha a ser confirmada; o senador Roberto Rocha (PSDB) está “colado” em Geraldo Alckmin (PSDB); a ex-prefeita Maura Jorge (PSL) não arreda da aliança com Jair Bolsonaro (PSL); Odívio Neto (PSOL) segue sem discutir Guilherme Boulos (PSOL), e Ramon Zapata (PSTU) está totalmente alinhado a Vera Lúcia (PSTU). Na corrida eleitoral do Maranhão, o único candidato que ainda não definiu posição clara e definitiva em relação a candidato a presidente da República é a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que até tem feito esforços para vincular-se ao ex-presidente Lula, ignorando ostensivamente o candidato do seu partido, Henrique Meirelles, que até agora não conseguiu romper a  desafiadora e desestimulante barreira do 1%. O maior problema da ex-governadora é que o ex-presidente Lula firmou aliança sólida com o governador Flávio Dino, que vai muito além do plano pessoal, já que envolve direta e formalmente o PT.

A situação da ex-governadora Roseana Sarney é igualmente complicada e delicada. Complicada porque ela espera contar com o apoio de um candidato que lidera com folga a corrida ao Palácio do Planalto e que já declarou apoio ao líder da corrida ao Palácio dos Leões. E delicada porque ela está obrigada, por imposição partidária, a apoiar um candidato que ninguém conhece e que patina na rabeira do grupo que briga pela presidência da República. E à medida que a campanha avança, a candidata do MDB se expõe numa constrangedora contradição, insistindo em citar o ex-presidente Lula na sua propaganda, diante do fato, incontestável, de que todas as manifestações dele, do seu porta-voz Fernando Haddad e do PT como um todo têm sido rigorosamente alinhadas ao governador Flávio Dino.

Nesse contexto, no qual as posições estão muito claras, chama a atenção o fato de que marqueteiros responsáveis pela propaganda de campanha da ex-governadora ainda não tenham se dado conta de que o ex-presidente Lula não se encaixa no discurso de campanha dela. Primeiro porque, ainda que tenha restado algum vínculo de natureza pessoal entre Lula e os Sarney depois de um casamento político de mais de uma década, os acontecimentos que culminaram com a polêmica deposição da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, por um movimento liderado pelo MDB, e depois com a condenação e prisão do ex-presidente Lula no implacável e controvertido rolo compressor da Operação Lava-Jato, que o jogaram na lista negra dos ficha suja, abriram um largo e profundo fosso político nessa relação, tornando quase impossível a reconstrução de uma aliança neste momento. E depois, porque o governador Flávio Dino tem tido papel destacado na defesa do ex-presidente Lula em todos os foros, ocupando no campo petista uma posição que a ex-governadora não tem condições de ocupar.

A situação se torna cada vez mais complicada para a ex-governadora à medida que, de um lado, o ex-presidente Lula vai saindo de cena e sendo substituído por Fernando Haddad, que por sua vez incorporou integralmente a aliança do PT com o PCdoB no Maranhão, totalmente avalizada pelo líder maior do partido, criando uma situação que praticamente desautoriza qualquer outro candidato, a começar pela emedebista, a usar Lula como mote de campanha. De outro, são fortes os sinais de que Henrique Meirelles vai mesmo cobrar o alinhamento dos candidatos a governador emedebistas de todo o País em relação ao sua candidatura, o que, se de fato vier a acontecer, obrigará Roseana Sarney a assumir a bandeira do ex-ministro da Fazenda.

Trata-se de um imbróglio com alguns vieses e que terá de ser solucionado o mais rapidamente possível, sob pena de, seduzidos pelo poder do Midas político e eleitoral em que se transformou o ex-presidente Lula, os marqueteiros de Roseana Sarney insistam em usá-lo, tornando seu discurso inócuo e politica e eleitoralmente desgastante, menosprezando o seu próprio cacife.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Em crescimento no plano nacional, Fernando Haddad deve disparar no Maranhão

Haddad já é 6º no plano nacional e já deixa Bolsonaro para trás na corrida no Maranhão

A pesquisa Ibope apontando as preferências do eleitorado para presidente da República, feita agora num cenário sem o ex-presidente Lula da Silva,  sinalizou com clareza que seu substituto, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) poderá, sim, entrar na disputa para valer a faixa presidencial, à medida que apareceu com 6% num cenário em que Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 22%, seguido por Marina Silva (Rede) com 12%, empatada com Ciro Gomes (PDT) com 12% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 9%. Enquanto avança no cenário nacional, no Maranhão, ele aponta para  ser um fenômeno eleitoral. Na sua pesquisa mais recente, feita na semana passada, o Instituto DataIlha investigou as intenções de voto dos maranhenses e encontrou o ex-presidente Lula com 69,41%  e Fernando Haddad com 29,84% das preferências simplesmente ao ser citado como eventual substituto do líder petista. Ou seja, se a sua candidatura for mesmo formalizada como está sendo desenhado, e a dobradinha com o governador Flávio Dino for consolidada, o que certamente acontecerá, o ex-prefeito de São Paulo deverá disparar no eleitorado do Maranhão, podendo mesmo alcançar mais de 50% dos votos, batendo com facilidade e por larga margem em Jair Bolsonaro, que no momento tem aquib 18% das intenções de voto. É só uma questão de definir e deixar a campanha avançar, uma vez que a fidelidade do eleitorado de Lula é firme e em sua maioria disposto a votar em quem ele indicar, caso fique mesmo de fora da corrida ao Palácio do Planalto. E nesse quadro de preferências o candidato do MDB, Henrique Meirelles, não tem a menor chance de entrar.

 

Adversários históricos, Sebastião Madeira e Ildon Marques brigam em Imperatriz por vaga na Câmara Federal

Sebastião madeira e Ildon Marques: polarização forte em Imoperatriz

Informações chegadas de Imperatriz por fontes diferentes apontam para o mesmo ambiente de dura disputa entre dois adversários históricos: os ex-prefeitos Sebastião Madeira (PSDB) e Ildon Marques (PP) por vaga na Câmara Federal. Não há um confronto direto, aberto, dos dois, mas ninguém duvida de que evolui ali uma polarização forte, estimulando até mesmo bolsas informais de aposta. Sebastião Madeira e Ildon Marques não brigam no plano nacional, já que os dois apoiam o tucano Geraldo Alckmin, mas divergem na corrida estadual, na qual o tucano apoia o senador Roberto Rocha e o pepista segue a orientação do partido apoiando o projeto de reeleição do governador Flávio Dino. Em meio ao fogo cruzado, o atual prefeito da Princesa do Tocantins, Assis Ramos (MDB), sinaliza apoio ao projeto de renovação do mandato do federal João Marcelo (MDB).

São Luís, 05 de Setembro de 2018.

Candidatos a governador dizem a empresários como vão agir nos campos tributário e fiscal

 

Flávio Dino defendeu as ´políticas tributária e fiscal do seu Governo diante de empresários, no encontro realizado pala Federação das Indústrias do Maranhão

Foi esclarecedor o Encontro Empresarial com Candidatos a Governador, realizado ontem pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão  (Fiema) com três dos candidatos melhor posicionados nas pesquisas. Os três que compareceram – o governador Flávio Dino (PCdoB), Roberto Rocha (PSDB) e Maura Jorge (PSL) –  traduziram bem o cenário tributário e fiscal do Maranhão, que pode ser resumido assim: um Estado com um rendimento tributário, limitado e com muitas dificuldades para ajustar sua realidade fiscal às necessidades, exigindo sacrifícios por parte do Poder Executivo. Essa realidade é fruto da dramática situação econômica que vem assolando o Brasil desde 2014 e que resultou em nada menos do  que o fechamento de 13 milhões de postos de trabalho no País, mergulhando a economia brasileira num implacável processo de fragilização. Nesse cenário, o Maranhão, que está na ponta da linha, paga um preço cruelmente elevado, obrigando governador Flávio Dino, que herdou a bomba em 2015, a fazer esforços gigantescos para manter uma política fiscal sustentada num férreo controle de gastos e numa definição rigorosa de prioridades. Candidata a um quinto mandato, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) não compareceu, responsabilizando uma virose pela sua ausência.

Primeiro a responder perguntas e questionamentos de empresários, o governador Flávio Dino não fez rodeios, sendo direto nos pontos de maior interesse do empresariado: política tributária, investimentos e geração de emprego e renda. O governador foi claro ao afirmar que a política tributária do seu Governo é sustentada na realidade de um Estado que tem enorme responsabilidade social e por isso precisa de uma arrecadação que se aproxime ao máximo das necessidades. Flávio Dino rebateu a acusação feita pela Oposição de que exorbita nas alíquotas de ICMS, principalmente nos casos da energia e dos combustíveis, deixando claro que a verdade é outra, uma vez que a maioria dos estados cobra muito mais que o Maranhão. Demonstrou que tem uma política tributária diferenciada para os pequenos negócios e que, ao contrário do que dizem seus opositores, não beneficia grandes empresas, que no seu governo recebem tratamento mais justo possível, que se baseia principalmente na capacidade dessas empresas gerarem emprego e renda. Além do mais, a situação tributária estadual é um reflexo da dura realidade econômica do País, que atinge fortemente estados, mas que, mesmo assim, o Maranhão está avançando, como muitas dificuldades, mas sem malabarismo nem traumas. Flávio Dino saiu da conversa como entrou: seguro de que faz uma política tributária equilibrada para as condições econômicas do Maranhão.

Maura Jorge expõe suas ideias tributárias e fiscais aos empresários em encontro

Maura Jorge fez uma participação modesta, sem avançar muito nas engrenagens do tema, provavelmente por não ter uma visão mais abrangente. Entrou e se manteve pelo caminho mais fácil, o de pintar com cores dramáticas o desemprego que, a exemplo do País, assola o Maranhão, o que causa, segundo o seu entendimento, “uma enorme frustração, principalmente nos jovens”. Sem entrar na complexidade técnica da engrenagem tributária e, por via de desdobramento, na realidade fiscal definida pelo Governo, a candidata do PSL insistiu na tecla segundo a qual é preciso gerar emprego e renda, dizendo acreditar que tem condições de fazer isso se conseguir o aval da maioria do eleitorado para trabalhar pelos próximos quatro anos no Palácio dos Leões.

Roberto Rocha criticou política tributária do governador Flávio Dino durante encontro

O candidato Roberto Rocha (PSDB) centrou seu discurso inicial em críticas à política fiscal do atual Governo, acusando o governador Flávio Dino de “ter gastado mau”. Para ele, o governador “é um Robin Hood às avessas, que tira dos pobres para dar aos ricos”, referindo-se à política tributária que estimula grandes empresas a ampliar seus investimentos. O candidato tucano disse que, se eleito, reverá a atual política tributária, mudando, por exemplo, as bases atuais do ICMS, sem explicar, no entanto, onde buscará recursos para cobrir as despesas do Governo com servidores, custeio e investimentos. Focado num discurso destinado a atingir o governador Flávio Dino, o senador Roberto Rocha criticou a política fiscal (arrecadação e gastos), afirmando que o Governo “gastou muito e mau”, mas sem dizer exatamente o que, na sua opinião, deveria ser feito diante de um cenário tão complexo como o que o Flávio Dino enfrenta, e que ele enfrentará se eleitor for.

O fato é que na avaliação de muitos, mesmo alimentando alguns pontos de desacordo com a classe empresarial, o governador Flávio Dino saiu do auditório do Sebrae bem avaliado, a começar pelo fato de que sua fala é a de quem está no comando da máquina estatal e, assim, enfrentando as dificuldades de caixa e as limitações dos gastos. Maura Jorge e Roberto Rocha deram seus recados, mas falaram como quem quer chegar lá e, por isso, mostram uma realidade bem  mais fácil de ser domada. Quanto à ex-governadora Roseana Sarney, ela perdeu uma boa oportunidade de dizer o que pretende nesse campo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Graça Paz comunica candidatura de vice-governadora à Assembleia, confirma candidatura do filho à sua vaga e pede apoio

Graça Paz informa sua candidatura a vice de Roberto Rocha na Assembleia Legislativa

Candidata à vice-governadora na chapa do senador Roberto Rocha, candidato do PSDB ao Governo do Estado, a deputada estadual Graça Paz (PSDB) ocupou ontem a tribuna da Assembleia Legislativa para fazer ao mesmo tempo um comunicado, uma apresentação e um pedido.

Ela comunicou aos deputados sua candidatura à vice-governadora, argumentando que não havia ainda feito essa comunicação: “Eu vim a esta tribuna confirmar, que eu sou candidata a vice-governadora do PSDB, do nosso candidato a governador Roberto Rocha. Eu  acho que fui escolhida por vários motivos: por ser mulher, mãe, avó, esposa, dona de casa, conhecedora dos problemas do meu povo, por ter dentro de casa sete mandatos, três do meu marido, o ex-deputado Clodomir Paz, e quatro meu. Sete mandatos prestando serviço ao povo do Maranhão, andando em todos esses municípios, conhecendo os problemas do nosso povo e tentando resolver, tentando ajudar, é o que nós temos feito ao longo de nossa vida. Roberto Rocha viu em mim, com certeza, uma figura que pode ajudar, ficha limpa, nome limpo, em todos esses mandatos – claro que eu me orgulho por isso. O partido escolheu uma mulher representante também das mulheres maranhenses, escolheu uma Deputada prestigiando também a nossa Casa, e eu acho que o povo do Maranhão poderá reconhecer e aplaudir esta escolha”.

Em seguida, fez a apresentação: “Indicamos meu filho (candidato a deputado estadual), Guilherme Paz, um jovem advogado, competente. E eu tenho certeza que com o que ele viu, o que ele aprendeu dentro da nossa casa, com o pai, Clodomir Paz, e com a mãe, Graça Paz, com a juventude que ele tem, é um menino estudioso, ele vai fazer mais e vai fazer melhor. Isso só me faz ter muito orgulho deste filho”.

O pedido: “É isto que eu vim dizer: sou candidata à vice-governadora e peço o apoio de todos os meus colegas, peço apoio da imprensa, dos funcionários desta Casa, da galeria, para que a gente possa continuar o trabalho que vem fazendo e que vem agradando o povo de meu estado, porque, se não, nós não estaríamos agora no nosso sétimo mandato”.

 

Daniella Tema intensifica campanha como um dos nomes com força eleitoral para chegar à Assembleia Legislativa

Daniella Tema, ao lado do governador Flávio Dino em Dom Pedro: nome forte para a Assembleia Legislativa

A campanha eleitoral começa de fato a “pegar fogo”, principalmente na caça ao voto para a Assembleia Legislativa, envolvendo mais de 500 candidatos. Nos bastidores começa-se a rascunhar listas de favoritos, que mudam a cada momento, sendo a mais movimentada delas a do “chapão” da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Nesse contexto de “quem é quem” na caça ao voto, um dos nomes que surgiu forte na pré-campanha e vem se mantendo firme é o nome da nutricionista Daniella Tema (DEM), que tem como base a região do Sertão, a partir de Tuntum, Presidente Dutra e Dom Pedro, se espalhando por mais duas dezenas de municípios do Leste, da Baixada Ocidental e na Ilha de São Luís. Incentivada pelo experiente e bem articulado prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), que também preside a Famem e conhece como poucos o caminho das pedras políticas do Maranhão, Daniella Tema tem a seu favor sua juventude, uma consciência política forte, grande desenvoltura e um discurso com início, meio e fim, focado no compromisso de dedicar o mantado à busca de soluções para os problemas dos municípios e do estado como um todo. Ela vem percorrendo as regiões onde sua ação política vem encontrando respaldo, sendo por isso apontada como um dos nomes fortes para compor o plenário da Assembleia Legislativa a partir de fevereiro de 2019. Seus aliados manifestam claro otimismo por um desfecho positivo da sua campanha e seus concorrentes se referem a ela como nome que vem ganhando mais projeção na campanha.

São Luís, 04 de Setembro de 2018.

Candidatos proporcionais omitem candidatos ao Senado nas suas peças de propaganda usadas na campanha

 

Edison Lobão, Sarney Filho, Eliziane Gama, José Reinaldo, Weverton Rocha e Alexandre Almeida praticamente não atuam como duplas e estão no “cada um por si e Deus por todos”, seguindo cada um a sua própria estratégia de caça ao voto

Algo muito estranho está contaminando e, ao mesmo tempo, complicando a corrida para o Senado Federal no Maranhão: grande parte dos candidatos a deputado estadual e a deputado federal está ignorando, na sua propaganda em papel e em vídeo, o fato de que são duas, e não uma, as vagas que estão em disputa para o Senado da República. E essa “indiferença” em relação ao segundo candidato vem criando uma situação esdrúxula, pois passa ao eleitor desavisado a impressão de que só existe uma vaga para o Senado. A distorção está acontecendo em todas as coligações, causando, se não uma confusão, um clima de desinformação generalizada que, se não for esclarecido urgentemente, em larga escala, e com muita ênfase, pode levar a uma distorção perigosa o suficiente para comprometer a representatividade dos eleitos.

Candidatos a deputado estadual e a deputado federal estão fazendo dobradinha com apenas um candidato a senador nas coligações lideradas pelo governador Flávio Dino (PCdoB), pela ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e pelo senador Roberto Rocha (PSDB). Apenas os candidatos proporcionais das coligações que têm à frente Maura Jorge (PSL) – com um candidato apenas, Samuel Campelo (PRTB) – e Odívio Neto (PSOL-PCB), e o PSTU de Ramon Zapata estão “vendendo” seus nomes ao Senado em duplas, como parece ser mais lógico em se tratando de aliança partidária.

“Sou Fábio Macedo e meu candidato ao Senado é Weverton Rocha”, declara enfaticamente o deputado estadual Fábio Macedo (PDT), em busca da reeleição, deixando no ar grande dúvida: ele apoia mesmo só um candidato a senador? Qual sua posição em relação à outra vaga, que tem a deputada federal Eliziane Gama (PPS), da sua coligação, como candidata? Outro exemplo: a deputada federal Luana Costa (PSC), que pertence à coligação “O Maranhão quer mais”, não faz qualquer referência aos candidatos ao Senado, senador Edison Lobão (MDB) e Sarney Filho (PV). O mesmo ocorre com o empresário e ex-prefeito de Imperatriz, Ildon Marques, que não estampa no seu material de campanha o nome de seus candidatos ao Senado nem o nome do candidato a governador. Há também inúmeros casos como o que envolve deputado federal André Fufuca (PP), da coligação “Maranhão de Todos”, que vota com Weverton Rocha e declarou apoio ao candidato Sarney Filho para a outra vaga. Em outro viés, Márcio Jerry (PCdoB), candidato a deputado federal, exibe na sua propaganda impressa os dois candidatos senatoriais da sua coligação, Weverton Rocha e Eliziane Gama. O mesmo está fazendo no seu material de propaganda o deputado presidente da Assembleia Legislativa Othelino Neto (PCdoB), que informa com clareza que tem dois candidatos a senador, Weverton Rocha e Eliziane Gama.

Essa omissão está sendo ostensiva em relação aos candidatos ao Senado e chega a ser agressiva, atingindo os próprios candidatos, porque nas suas propagandas não indicam os nomes dos colegas de coligação para a outra vaga. Assim: Sarney Filho (PV) não inclui Edison Lobão (MDB) na sua propaganda e vice-versa; Weberton Rocha faz campanha isolado de Eliziane Gama, que faz o mesmo em relação a ele; e José Reinaldo (PSDB) ignora totalmente o colega de partido Alexandre Almeida (PSDB), que também faz de conta que ele não existe para a outra vaga. Nessa peleja marcada pelo “cada um por si e Deus por todos”, a campanha transcorre esquisita, com certo ar de confusão, como se não houvesse duas vagas no Senado.

A situação de agora é bem diferente de 2010, por exemplo, quando os hoje senadores Edison Lobão e João Alberto formaram uma chapa compacta, de aliança, e venceram a eleição para as duas vagas no Senado sem necessidade de um correr para um lado e outro para outro, como se fossem concorrentes para uma única vaga, sem nem de longe produzir o clima de confusão como a disputa de agora. Trata-se de um cenário.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa mostra uma disputa dura pelas vagas no Senado

Pesquisa DataIlha/Difusora mostra Eliziane Gama, Edison Lobão, Sarney Filho e Weverton Rocha muito próximos, ligados pela margem de erro

A pesquisa DataIlha/Difusora encontrou um cenário que reforça mais ainda a impressão de que a corrida ao Senado encontra-se intrincada com os quatro candidatos mais bem posicionados na preferência do eleitorado no mesmo patamar, ligados pela margem de erro, que é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Eliziane Gama surpreende com 10,01% das intenções de voto, à frente de  Edison Lobão (MDB) com 9,40%, Sarney Filho (PV) com 9,23% e Weverton Rocha (PDT) com 7,51%. Os quatro candidatos estão rigorosamente no mesmo patamar, sendo absolutamente impossível prevê um desfecho neste momento.

Esse grupo é formado exatamente pelos candidatos que reúnem cacife político e eleitoral. Eliziane Gama, por exemplo, ganhou ânimo novo depois que o governador Flávio Dino declarou que ela, sim, é a “guerreira” do Maranhão. O senador Edison Lobão é um “ás” da política, que sabe o que faz quando sua posição de liderança é ameaçada. Sarney Filho vai se movimentando para não permitir que Weverton Rocha chegue de vez, o que é um problema, porque o pedetista é arrojado e está disposto a jogar tudo para se eleger e conta com o apoio integral do governador Flávio Dino. E é exatamente esse poder de fogo que cada um tem que alimenta ba saudável guerra pelo voto.

No grupo que vem em seguida está assim formado, segundo a pesquisa: José Reinaldo (PSDB) com 5,60%, Alexandre Almeida (PSDB) com 1,13%, Preta Lú (PSTU) com 0,39%, Samuel Campelo (PSL) e Saulo Pinto (PSOL) com 0,22%, Iêgo Brunno (PCB) com 0,20%, e Saulo Arcangeli (PSTU) com 0,5%. Brancos e nulos somaram 17,57%.

 

Números do DataIlha e da Econométrica sobre corrida sucessória batem

Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Maura Jorge. Odívio Neto e Ramon Zapata encontram-se na mesma posição segundo as duas últimas pesquisas

É quase uma regra nas campanhas eleitorais no Maranhão: as pesquisas são sempre desacreditadas por candidatos que estão perdendo e, claro, valorizadas ao extremo pelos que as lideram. O que ocorre no Maranhão neste momento é a confirmação desse jogo. Daí ser interessante a comparação dos números das duas pesquisas mais recentes sobre a corrida ao Palácio dos Leões, feitas pelos institutos DataIlha e Econométrica. Os percentuais de intenção de voto são praticamente iguais, confirmando a tendência já consolidada desde a pré-campanha.

Na pesquisa DataIlha/TV Difusora, o governador Flávio Dino (PCdoB) lidera com  60,47% dos votos válidos contra 30,08% de Roseana Sarney (MDB). Roberto Rocha (PSDB) aparece com 4,4%, Maura Jorge (PSL) com 3,56% e Ramon Zapata (PSTU) com 0,6% e Odívio Neto (PSOL) com 0,2%. A votação nominal encontrou 18,65% de nulos, brancos e indecisos.

A pesquisa Econométrica/TV Guará, divulgada na semana passada, encontrou o governador Flávio Dino com 60% dos votos válidos contra 32% da ex-governadora Roseana Sarney, seguida do senador Roberto Rocha com 4,2%, de Maura Jorge com 2,4%, Ramon Zapata e Odívio Neto somados não foram além de 1%. O levantamento da Econométrica encontrou 11,5% de brancos, nulos e indecisos.

Outras pesquisas recentes, como a do Ibope e a do instituto Exata encontraram números próximos, que poderiam se alinhar pela margem de erro, via de regra de três pontos percentuais para mais e para menos. Ou seja, se tais institutos não estiverem cometendo um erro coletivo monumental, o governador Flávio Dino caminha firme para a reeleição, tendência que só poderá ser revertida com surgimentos de fatos excepcionais durante a campanha, o que é improvável que aconteça.

São Luís, 03 de Setembro de 2018.

 

Início de campanha indica favoritismo de Flávio Dino e dificuldades de Roseana Sarney, Roberto Rocha e Maura Jorge para reverter tendência

 

Flávio Dino mantém favoritismo na corrida com Roseana Sarney e Roberto Rocha na corrida ao Palácio dos Leões

O que foi nitidamente rascunhado ao longo da pré-campanha eleitoral para o Governo do Estado começa a ser confirmado com desenho bem nítido na campanha para valer, com todos os seus ingredientes: todas as informações de números e movimentos indicam com clareza que o  governador Flávio Dino (PCdoB) caminha firme para conquistar mais um mandato, tendendo a fechar a conta em turno único à medida que os demais concorrentes não dão sinais de que dispõem de gás político, argumento programático ou encanto pessoal suficientes para reverter o quadro e apontar um desfecho diferente. Até o momento, a liderança e o  favoritismo do governador nessa corrida estão estampados nas pesquisas de opinião, no gigantismo da aliança partidária que articulou, no  desempenho positivo do seu Governo e na desenvoltura pessoal e política do próprio candidato do PCdoB. No contraponto, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), melhor posicionada no campo adversário, tem mostrado um lastro político sólido, um capital eleitoral denso e um visível poder de sedução, mas que, somados, não têm alcançado o peso necessário para ameaçar a liderança do governador no processo. O mesmo está acontecendo com o senador Roberto Rocha (PSDB), com a ex-prefeita Maura Jorge (PSL) e com os esquerdistas Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU), que se mantiveram nos mesmos patamares nas cinco últimas pesquisas.

As impressões iniciais, porém, não podem ser interpretadas como o desenho definitivo da corrida eleitoral. Pela frente está mais de um mês de campanha de rua, de caminhadas e carreatas, de trabalho de militantes e cabos eleitorais, de propaganda no Rádio e na TV, de entrevistas e debates, durante os quais os candidatos terão oportunidades de expor suas propostas e posições e assim convencer o eleitorado. Além do mais, todos sofrerão, em maior ou menor grau, os fluídos da disputa para a presidência da República, que poderá injetar ânimo ou aumentar o desânimo desse ou daquele candidato a governador. O que vem pela frente, portanto, pode alimentar o quadro desenhado até aqui na corrida ao Palácio dos Leões, como também pode alterar posições ou rumos, ainda que, pelo que vem acontecendo, há certo grau de previsibilidade no ar.

O cenário de agora é mais ou menos como os embates polarizados de Luiz Rocha (PDS)/Renato Archer (MDB) em 1982, Epitácio Cafeteira (MDB)/João Castelo (PDS) em 1987, Roseana Sarney (PMDB)/Epitácio Cafeteira (PTB) em 1994, Jackson Lago/Roseana Sarney (PMDB) em 2006, Roseana Sarney (PMDB)/ Flávio Dino (PCdoB) em 2010 e Flávio Dino/Lobão Filho (PMDB) em 2014, em que os primeiros foram favoritos desde sempre e venceram as eleições. Bem diferente das guerras com desfechos imprevisíveis que foram travadas com munição pesada em 1990 entre Edison Lobão (PMDB) e João Castelo (PRN), em 1994 entre Roseana Sarney (PMDB) e Epitácio Cafeteira (PTB) e em 2002 entre José Reinaldo Tavares (PMDB) e Jackson Lago, todas elas decididas à última hora.

Está muito claro que, repetindo a lógica da maioria das disputas para o Governo do Estado ocorridas desde a volta da escolha de governador pelo voto direto desde 1982, o governador Flávio Dino, por conta do seu favoritismo, será alvo preferencial de todos os concorrentes, como aconteceu na pré-campanha. O problema maior dos adversários reside no fato de que, por conta da sua postura política e da sua conduta administrativa, Flávio Dino é um alvo muito difícil de ser atingido por denúncias de desvio, como ficou demonstrado com a mais absoluta ineficácia do bombardeio que sofreu do Grupo Sarney desde que assumiu o comando do Estado em janeiro de 2015. Roseana Sarney também conseguiu blindagem eficaz contra eventuais petardos, não conseguindo, porém, livrar-se do visível e já acentuado desgaste do sarneysismo, independentemente do seu lastro de 14 anos de governo. Além disso, Roseana Sarney sabe como ninguém o poder de fogo de um governador que concorre no cargo, independente das práticas que usa para renovar o mandato. Os disparos dos franco-atiradores Roberto Rocha e Maura Jorge dificilmente arranharão o entorno blindado do governador Flávio Dino.

Por conta de todos os pontos, aspectos e vieses que desenham o cenário da disputa, o caminho é uma campanha propositiva, com os candidatos tentando seduzir o eleitor com ideias, planos e objetivos convincentes e viáveis.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roseana Sarney e Sarney Filho têm problemas para se situar na corrida presidencial

Roseana Sarney não abraçou ainda Henrique Meirelles e Sarney Filho não adotou Marina Silva na campanha

Fica cada a dia mais complicada a situação dos irmãos Roseana Sarney (MDB) e Sarney Filho (PV) em relação à disputa para presidente da República.

O partido da ex-governadora tem o candidato Henrique Meirelles, que parece disposto a tudo para, pelo menos, sair da rabeira da corrida presidencial. Só que a emedebista até agora ignorou solenemente a existência da candidatura de Meirelles, preferindo insistir numa relação com o ex-presidente Lula (PT), que não será candidato e cujo virtual substituto, o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), esteve há poucos dias em São Luís Maranhão e declarou reiteradas vezes que o candidato de Lula no Maranhão é o governador Flávio Dino. Roseana Sarney, no entanto, mantém peças de campanha nas quais insiste em vender ao eleitorado a falsa impressão de que Lula a apoia. Essa parada terá de ser resolvida cedo ou tarde.

A mesma situação envolve o deputado federal Sarney Filho, candidato do Grupo Sarney ao Senado. O partido de Sarney Filho, o PV, fez aliança com a Rede em torno da candidatura da presidenciável Marina Silva, tendo como vice-presidente o respeitadíssimo ex-deputado federal Eduardo Jorge (PV). Sarney Filho até agora não se manifestou sobre essa aliança, parecendo desconhecer o fato de que existe uma disputa presidencial em curso, na qual o padrinho maior do candidato emedebista Henrique Meirelles é o presidente Michel Temer (MDB), que o fez ministro do Meio Ambiente pela segunda vez. A qualquer momento a cúpula da Rede ou a do PV vai querer cobrar o desatar desse nó, exigindo uma posição clara do ex-ministro do Meio Ambiente em relação à corrida presidencial.

 

Econométrica confirma tendência de desfecho da eleição para governador em turno único

A medição das preferências do eleitorado maranhense em relação aos candidatos a governador, já bem apurada por pesquisa dos institutos Exata, DataIlha e Ibope ganha mais consistência com o levantamento feito pela Econométrica, a mais tradicional e experiente empresa de investigação estatística do Maranhão. De acordo com a sua apuração, contratada pela TV Guará, se a eleição fosse agora o governador Flávio Dino sairia das urnas com eleito em turno único com 53,1% dos votos nominais, o equivalente a 60% dos votos válidos. Em segundo lugar viria Roseana Sarney com 28,8% dos votos nominais, equivalendo a 32,5% dos votos válidos. Roberto Rocha teria 3,7% dos votos nominais ou 4,2% dos votos válidos, enquanto Maura Jorge teria 2,1% dos votos nominais ou 2,4% dos votos válidos. E somados, Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU) não alcançariam 1% dos votos. De acordo com Econométrica, somente 6,6% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto e 4,9% não saberiam em quem votar.

Mesmo com o cenário indicando nítida tendência de desfecho em turno único, a Econométrica consultou os eleitores entrevistados sobre a hipótese de um segundo turno. O resultado que encontrou: Se a disputa fosse entre Flávio Dino e Roseana Sarney, o comunista teria 56,3% dos votos nominais contra 30,8% da emedebista, tendo brancos e nulos somado 8,2% e não sabem ou não responderam, 4,7%. Na simulação com Roberto Rocha, Flávio Dino teria 63,3% dos votos nominais contra apenas 17,3% do candidato tucano, 13,1% de brancos e nulos e 6,3% dos indecisos.

Em Tempo: a Econométrica ouviu 1.407 pessoas em todo o Maranhão no período entre 21 e 25 de Agosto e foi registrada no TSE sob o número MA-08877/2018. A pesquisa tem intervalo de confiança de 95% margem de erro de 2,61%.

São Luís, 02 de Setembro de 2018.

 

Campanha na TV: Dino faz programa forte com a simbologia dos leões, Roseana mostra sua personalidade política e Maura Jorge ocupa “terceira via”

 

Flávio Dino, Roseana Sarney e Maura Jorge abriram o horário gratuito na TV com bons programas

A abertura da campanha dos candidatos ao Governo do Estado no Rádio e na TV, no início da tarde de sexta-feira (31), foi emblemática. O líder da corrida eleitoral, segundo as pesquisa, o governador Flávio Dino (PCdoB), e o segundo colocado na disputa, ex-governadora Roseana Sarney (MDB), ocuparam seus espaços em grande estilo, enquanto o terceiro colocado, senador Roberto Rocha (PSDB), visto por muitos como “terceira via”, não compareceu à telinha, deixando para o quarto colocado, a ex-prefeita Maura Jorge (PSL), a chance de funcionar como “terceira via” contra os que estão na frente, já que os dois candidatos mais radicais, Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU), não mostraram as garras, um por ausência plena, outro porque preferiu usar o espaço para protestar com a célebre palavra de ordem do seu partido: “Só a luta muda a vida”. A largada dos candidatos a governador reforçou a tendência de polarização entre o governador Flávio Dino, que pleiteia a reeleição, e a ex-governadora Roseana Sarney, que tenta voltar ao poder. Isso porque surpreendeu o fato de o senador Roberto Rocha haver esnobado espaço tão destacado num momento tão importante da campanha, deixando para a ex-prefeita Maura Jorge a oportunidade de enfrentar os dois primeiros com humor escrachado, mas inteligente.

O primeiro programa do governador Flávio Dino foi impecável, a começar pelo fato de que explorou com eficiência a poderosa simbologia política dos leões que guardam a sede do Governo. Abriu com um marcante trecho do histórico discurso de posse que fizera no dia 1º de Janeiro de 2015 na sacada do palácio: “Quero me dirigir aos leões. A esses leões que estão aqui. Vocês nunca mais vão rugir para o povo do Maranhão, porque esse palácio pertence sim, a partir de agora, aos invisíveis, aos esquecidos, aos humildes, àqueles que nada têm, mas que agora têm um governador ao lado dos seus sentimentos, dos seus desejos, dos seus sonhos e dos seus objetivos. Queridos leões, sejam bem vindos à democracia!”. E se transportando para agora, completou: “Hoje são os leões que simbolizam o orgulho de ser maranhense, são os leões dos trabalhadores, são os leões das quebradeiras de coco, são os leões dos empresários que acordam cedo, que lutam, são os leões das pessoas que nós alfabetizamos aos 50, 60 anos de idade, são os leões desses meninos que são leões, que conseguiram vencer. Esses sim, são os leões que fazem com que eu sinta muito orgulho de ter feito esse Governo”.

O programa de Flávio Dino prosseguiu mostrando realizações – contratação de 3.500 mil policiais, criação dos Iemas, implantação de oito grandes hospitais, transformação da antiga casa de veraneio em Casa de Ninar, escolas dignas -, e com o governador fustigando em seguida: “Acabou o tempo do Maranhão ser governado por duas ou três famílias. O Maranhão é governado para toda a família do Maranhão. Há quatro anos escolhemos o caminho da mudança, e hoje temos um governo diferente, feito por todos e para todos”. E seguiu afirmando que tirou do poder uma família “que pensava que o maranhão era uma monarquia”.  E concluiu:

“Quando assumimos encontramos a casa desarrumada. E com Michel Temer, do PMDB, a situação ficou muito ruim. Nós fizemos muito, mas não fizemos tudo. Quatro anos é pouco tempo para resolver problemas que se acumularam por 50 anos. Nenhum Governo é perfeito. O que o cidadão exige é que o cidadão seja sério, honesto e trabalhador. Isso nós somos. É para continuar esse trabalho no Maranhão que peço a oportunidade do segundo mandato, que você renove a sua confiança, que tenha fé no futuro e venha com a gente”.

Num programa de abertura também inteligente, os marqueteiros da ex-governadora Roseana Sarney optaram por explorar a sua figura humana e política, batendo forte na tecla de que ela é “guerreira”. Foram dois minutos e 32 segundos – o menor tempo que ele tem em toda sua trajetória – nos quais foi mostrada de maneira quase mitológica, identificada com pessoal, cultural e politicamente com o povo maranhense, e concluindo com a auto definição de que é um ser essencialmente político, agora também fazendo um inócuo esforço para desgrudar a marca “Sarney” da sua imagem, preferindo ser apenas “Roseana”

“Não sou eu que sou guerreira, é o povo do Maranhão que é guerreiro. Nós todos somos guerreiros, porque nos somos lutadores”, disse, como se estivesse sendo entrevistada. E prosseguiu: “Eu não penso em resolver todos os problemas do Maranhão. Mas eu penso em resolver os problemas mais graves. Penso sim. Eu tenho esse sonho”.

E sinalizou como pretende atuar se eventualmente retornar ao Palácio dos Leões: “Como governadora e, claro, eleita novamente governadora, se tiver obra inacabada, é prioridade, eu vou acabar essas obras. Se tiver programa dando certo, é claro que eu vou continuar”. E explorou uma seara que a favorece nas suas campanhas: “Fica uma palavrinha especial para as mulheres: vamos para a linha de frente, esse é o nosso lugar. Nós temos de lutar pelos nossos direitos. Vamos lutar para conseguir o que a gente quer”.

Sem mostrar obras, mas tendo uma voz de fundo exaltando-a como um mito, o roteiro do programa foi fechado com a candidata emedebista desenhando a se própria: “Sou uma pessoa muito aguerrida. Eu sou uma pessoa que briga pelas suas coisas. Sempre foi assim. Eu sou uma pessoa essencialmente política. Eu tenho a impressão de que essa é a minha missão e que eu nasci para fazer isso”.

Com a inexplicada ausência de Roberto Rocha, coube a Maura Jorge fazer o contraponto aos dois candidatos, recorrendo a uma peça de humor com escracho leve: uma moça numa banca de feira jogando bananas para os outros candidatos, mostrando em seguida a candidata do PSL como a mudança seguida por uma multidão.

O horário eleitoral gratuito no Rádio e na TV foi aberto com programas fortes e ausências significativas, mas não traduziu nem de longe o clima de confronto que já domina as manifestações dos candidatos nas redes sociais. Por isso ninguém se iluda, por que vem chumbo grosso por aí.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Candidatos ao Senado fazem abertura forte e sem tensões no horário eleitoral gratuito

Weverton Rocha abriu o horário eleitoral  na televisão, seguido de Eliziane Gama, Sarney Filho, Edison Lobão e Alexandre Almeida

A arrancada dos candidatos ao Senado da República no Rádio e na TV foi de apresentação, tendo iniciado com Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), da coligação “Maranhão para Todos”, liderada pelo governador Flávio Dino.

Weverton Rocha abriu a programação recordando sua trajetória de “ser político” desde criança, que passou intensamente pelo movimento estudantil, pela assessoria do governador Jackson Lago – seu padrinho político -, pela assessoria do Ministério do Trabalho até chegar à Câmara Federal, onde foi vice-líder, líder do PDT e agora exerce a liderança da Minoria, tendo frequentado com destaque e em linha de frente nos relatórios de organização que avaliam o desempenho de parlamentares no País. Eliziane Gama, por seu turno, fez uma bela abertura em que foi mostrada como uma mulher de origem humilde, fruto de uma mistura de cores e raças, vencedora, que pretende chegar ao Senado quebrando um tabu de que gente simples e humilde não chega lá”.

Em seguida entraram Sarney Filho (PV) e Edison Lobão (MDB), candidatos ao Senado pela coligação “O Maranhão Quer Mais”, comandada por Roseana Sarney. Sarney Filho se apresentou como um político diferente do grupo a que pertence e se declarando “ficha limpinha”. Destacou sua trajetória como deputado federal de nove mandatos e como ministro do Meio Ambiente nos Governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Michel Temer (MDB), assinalando que sua militância no PV, que na sua avaliação o tornou um político diferente. O senador Edison Lobão abriu sua falta agradecendo o eleitorado maranhense por sua trajetória de deputado federal, governador e senador por quatro mandatos e ministro de Minas e Energia nos Governos de Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), legitimado, portanto, para pedir votos para novo mandato.

O bloco foi fechado com os candidatos do PSDB ao Senado. José Reinaldo Tavares não participou do programa de abertura ao meio dia, ficando a representação tucana apenas com Alexandre Almeida, que se apresentou como um candidato jovem, mas já experiente pelos dois mandatos de deputado estadual. Falou do seu trabalho parlamentar e se comprometeu a ser um senador atuante e diferenciado.

 

Horário para candidatos a deputado estadual mostra bons resultados

Othelino Neto, Fábio macedo, Daniella Tema, Zé Inácio e Adriano Sarney se destacaram na abertura  da propaganda no horário eleitoral gratuito na TV,

Vários traços e aspectos chamaram atenção no espaço destinado aos candidatos a deputado estadual. O primeiro deles foi a apresentação do deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), presidente da Assembleia Legislativa, que se mostrou entusiasmado e descontraído, com discurso simples e firme, sustentado na palavra-slogan “Avante”, com a qual deixa claro que pretende ter longa na política. Outro foi o deputado Adriano Sarney (PV), eu usou uma linguagem jovem e descontraída, afirmando que fez “um trabalho legal”, de oposição, no primeiro mandato, e pedido apoio para continuar na Assembleia Legislativa. Destacaram-se também o deputado Zé Inácio (PT), que pediu apoio para sua reeleição, e o deputado Fábio Macedo (PDT), que pareceu muito mais descontraído do que antes, aparecendo ter assimilado o modo de ser político. Entre as novidades, destaque absoluto para a candidata Daniella Tema (DEM), que vem sabendo associar com precisão e eficiência juventude, maturidade, beleza e visão política.

São Luís, 31 de Agosto de 2018.