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Dono de base política e potencial eleitoral, Neto Evangelista garante que é candidato e não abre “nem pro trem”  

Neto Evangelista garante: candidatura a prefeito de São Luís é irreversível

“Sou candidato a prefeito de São Luís, e não abro dessa candidatura nem pro trem”. Foi como reagiu o deputado estadual Neto Evangelista (DEM) ao responder à indagação – feita pela Coluna – sobre se entrará mesmo na corrida pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) nas eleições do ano que vem. “Minha candidatura é uma das prioridades do DEM em todo o País, e eu não posso decepcionar o partido que está me dando essa oportunidade”, acrescentou com a ênfase de quem não está mesmo disposto a voltar atrás.  O caráter prioritário foi definido em maio, quando o DEM realizou a convenção estadual, que confirmou o deputado federal Juscelino Filho na presidência regional e Neto Evangelista na liderança do partido na Capital, numa festa partidária que e trouxe a São Luís ninguém menos que o presidente nacional da agremiação democrata, o prefeito de Salvador (BA), ACM Neto. O parlamentar foi enfático ao afirmar que será candidato com ou sem aliança, assinalando que se vier a ser apoiado pelo PDT, tudo bem, mas se esse apoio não for possível, seu projeto será mantido sem uma vírgula a menos.

Herdeiro político de João Evangelista, que foi vereador e presidente da Câmara Municipal de São Luís e deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Neto Evangelista não é um outsider nem um aventureiro que surgiu do nada no mapa da política maranhense. Entrou para a política vivenciando a animada ciranda que movimenta as forças políticas da Capital e do estado, tornando-se com o tempo um ovem político com o feeling e as manhas de raposa tarimbada.

Sua trajetória política está diretamente relacionada com São Luís. Foi candidato a vice-prefeito na chapa de João Castelo em 2012, está no terceiro mandato de deputado estadual com expressiva votação na Capital e viveu uma forte experiência administrativa como secretário de Estado de Desenvolvimento Social no Governo Flávio Dino, tendo sido responsável direto pela ampliação de programas como o Restaurante Popular na Ilha de Upaon Açu. Conhece como poucos os meandros e as sutilezas da política estadual, em especial os de São Luís, transitando nesse contexto com a desenvoltura, dando cada passo como quem sabe onde quer chegar. Sabe, portanto, onde está pisando, e não o faria de maneira tão determinada se não soubesse o que está fazendo e não tivesse certeza de que pode vir a ter um bom desempenho nas urnas.

“O presidente ACM Neto me garantiu que minha candidatura é uma das prioridades do partido em todo o País”, declarou, como que exibindo um troféu. Se, de fato, tem esse cacife excepcional no comando nacional do partido, pode trabalhar para construir um lastro político que dará mais consistência ao seu potencial eleitoral. As últimas pesquisas o colocaram, grosso modo, no patamar de oito a 10 pontos percentuais de intenções de voto, o que o torna o pré-candidato competitivo.

A equação ideal para embalar sua candidatura é uma aliança do DEM com o PDT, admitida e defendida, com poucas ressalvas, dentro dos dois partidos. O presidente do PDT, senador Weverton Rocha, não esconde sua simpatia pelo projeto de aliança, tendo expressado isso na convenção do DEM, empolgando o próprio ACM Neto. Naquele momento, até o governador Flávio Dino, que visitou a convenção, deixou no ar a impressão de que a candidatura de Neto Evangelista é um projeto da sua simpatia. Não se sabe com exatidão o que o prefeito Edivaldo Holanda Jr., que terá peso decisivo na montagem, pensa sobre o assunto, mas nos bastidores da Prefeitura há quem garanta que se a aliança se consolidar, ele o abraçará sem maiores problemas.

No meio político, é opinião dominante que o deputado Neto Evangelista tem cacife político graúdo e potencial eleitoral a perder de vista para se tornar, de fato, um adversário com peso e preparo para encarar o favoritismo que embala fortemente a candidatura do deputado federal Eduardo Braide (Podemos), hoje dono de pelo menos metade das intenções de voto, segundo anunciaram todas as pesquisas divulgadas até aqui.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edilázio Jr. pode vir a ser o candidato de Bolsonaro à sucessão de Edivaldo Jr.

Edilázio Jr.: pode ser candidato do Palácio do Planalto a prefeito de São Luís no ano que vem

Há menos de duas semanas, a Coluna chamou a atenção para nomes que o Palácio do Planalto poderá apoiar na disputa para a Prefeitura de São Luís, pondo em prática uma estratégia de dar suporte a candidatos alinhados com alguma força para tentar chegar a grandes prefeituras, especialmente as das capitais. Um deles foi o deputado federal Edilázio Jr. (PSD), que junto com o colega e aliado Aloísio Mendes (Avante), forma a dupla mais próxima do Governo de Jair Bolsonaro (PSL) na bancada maranhense. Uma fonte com trânsito em Brasília confirmou a estratégia do Palácio do Planalto – revelada há algumas semanas por Dora Kramer, colunista de Veja – e disse que a relação de potenciais candidatos bolsonaristas à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) faz todo sentido. E destacou que de todos, o deputado Edilázio Jr. é o que tem maior cacife para entrar na corrida do Palácio de la Ravardière empunhando a bandeira bolsonarista, concorrendo pelo PSD. De acordo com a mesma fonte, a possível candidatura de Edilázio Jr. à prefeito de São Luís não seria uma ação do Grupo Sarney, mas um projeto desenhado em Brasília com o apoio do deputado Aloísio Mendes, sem qualquer relação com o grupo comandado pelo ex-presidente José Sarney, que por sua vez examina a possível candidatura do deputado Adrian Sarney, seu neto, pelo PV, e acompanha a corrida do MDB por um candidato, que poderá ser mesmo o ex-deputado federal Victor Mendes. Uma fonte ligada ao deputado federal Edilázio Jr. disse à Coluna que “até o momento”, tudo não passa de especulação.

 

Memória

 

Assembleia Legislativa presta justa homenagem à memória de três jovens deputados mortos em tragédia aérea em 1996

O presidente Othelino Neto e o deputado Ciro Neto (o terceiro da direita para a esquerda) entrega comendas aos familiares dos deputados Waldir Jorge Filho, Jean Carvalho e João Silva, mortos na tragédia aérea de 1996

A Assembleia Legislativa do Maranhão realizou terça-feira (12) sessão solene em memória dos estaduais maranhenses Waldir Jorge Filho, João Silva e Jean Carvalho, todos do PFL, mortos no acidente aéreo quando se deslocavam de São Luís para Imperatriz. A homenagem proposta pelo deputado Ciro Neto (PP), sobrinho de Jean Carvalho. Os familiares receberam in memoriam a Medalha Manuel Beckman, a maior honraria do Poder Legislativo do Maranhão. “É muito importante reconhecer a importância dos três deputados, ao mesmo tempo em que estamos resgatando a história do Maranhão. Foi uma tragédia o que aconteceu com eles, mas deixaram um legado político grande, por isso, o povo do Maranhão está prestando a homenagem aos familiares”, destacou o presidente Othelino Neto (PCdoB). O deputado Ciro Neto destacou o legado de todos: “Três grandes políticos que morreram atuando pelo Maranhão.  Políticos jovens que deixaram uma semente.  Jean Carvalho deixou um trabalho grande, pensando no crescimento do Maranhão”, recordou. A viúva de João Silva, Regina Soares, o filho de Waldir Jorge, Samuel Jorge, e os filhos de Jean Carvalho, Jalves Carvalho e Robson Carvalho, receberam a homenagem.

A tragédia aconteceu na tarde de 25 de março de 1996, uma segunda-feira, quando os três deputados se deslocavam para Imperatriz no bimotor Embraer 810, de prefixo PT-EPL, que não resistiu a uma forte tempestade e caiu nas matas de Cajari. Seriam cinco passageiros, mas à última hora os deputados Hemetério Weba e Kinkas Araújo, também do PFL, não conseguiram chegar a tempo para o embarque. O piloto Antônio Carlos Vasques também morreu no acidente. Os três parlamentares participariam das sessões da Assembleia Legislativa, então presidida pelo deputado Manoel Ribeiro (PFL) e que havia sido transferida por cinco dias para Imperatriz, transformada em Capital do Maranhão pelo Governo Itinerante comandado pela governadora Roseana Sarney (PMDB).

Além do drama familiar, a tragédia interrompeu a trajetórias de três dos mais importantes políticos em ascensão no Maranhão naquele momento.

Waldir Jorge Filho despontou na política ainda muito jovem como prefeito de Lago da Pedra, onde seu pai, Waldir Jorge, tinha forte liderança, no município e na região. Comandou a prefeitura durante seis anos – beneficiado pela ampliação em dois anos de todos os prefeitos eleitos em 1982 -, com atuação municipalista forte, tendo sido um dos pioneiros no comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) e com forte influência no Governo Luiz Rocha. Elegeu-se deputado estadual em 1990 e reelegeu-se em 1994, caminhando para ampliar seu espaço no cenário político estadual. Com sua morte, a irmã, Maura Jorge, assumiu o legado do pai e do irmão. João Silva trilhava o mesmo caminho, formando com Waldir Jorge e Jean Carvalho um grupo que atuava em sintonia. Foi prefeito de Pindaré também durante seis anos, teve participação forte no Governo Luiz Rocha elegeu-se deputado estadual em 1990 e reelegeu-se em 1994 e, como os demais, se movimentava para ocupar espaço amplo na política estadual. Jean Carvalho teve trajetória idêntica: foi prefeito de Presidente Dutra entre 1989 e elegeu-se deputado estadual em 1994, se destacando no grupo ligado ao ex-governador Luiz Rocha. Seu legado é agora continuado pelo filho, deputado Ciro Neto.

Eram parte ativa de um grupo articulado pelo líder balsense Chico Coelho, que foi o principal articulador político de Luiz Rocha. Os três perderam força no Governo de Epitácio Cafeteira (PMDB), e estavam em franca recuperação política quando a tragédia aconteceu.

A tragédia de 25 de março de 1996 abriu três vagas na Assembleia Legislativa. O suplente Raimundo Leal assumiu no ligar de Jean Carvalho, Edmar Cutrim ocupou a vaga de João Silva e José Eider Santos substituiu a Waldir Jorge Filho.

Justa, portanto, a homenagem prestada pela Assembleia Legislativa à memória de três bons nomes daquela geração.

São Luís, 14 de Agosto de 2019.

Bolsonaro afirma que vai retaliar governadores nordestinos que não se curvarem às suas exigências

 

Flávio Dino pode sofrer a retaliação de Jair Bolsonaro

Primeira: “Não vou negar nada para esses estados, mas se eles quiserem que isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro. Caso contrário, eu não vou ter conversas com eles”. Segunda: “Eu não posso admitir que governadores como o do Maranhão e o da Paraíba façam ´politicalha` no tocante à minha pessoa”. As duas   declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL), dada ao jornal O Estado de S. Paulo, terça-feira, durante sua visita a Sobradinho, na Bahia, reascenderam o confronto do presidente da República com os governadores nordestinos, em particular com o maranhense Flávio Dino (PCdoB) e João Azevedo (PSB).

Ao se manifestar nesse nível e nesse tom, o chefe da Nação confirmou, sem meias palavras, o seu ânimo para o confronto, agora admitindo claramente que pretende afrontar a Carta Magna e sufocar de vez a civilidade política e retaliar os dois governadores, e com eles as populações maranhense e paraibana. Além disso, suas palavras ratificam, sem qualquer margem de engano, a conversa que manteve com o ministro chefe da Casa Civil, Ônix Lorenzoni, no dia 19 de Julho, minutos antes de uma entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros no Palácio do Planalto, quando avaliou: “Daqueles governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão”, e ordenou: “Tem que ter nada com esse cara”.

Afeito ao confronto aberto, estratégia que tem lhe rendido bons números de seguidores e simpatizantes, o presidente da República, no entanto, vem dando sinais de que lhe falta um ingrediente da maior importância nesse jogo: a noção de limite. Falta-lhe perceber que foi fragorosamente derrotado nas urnas em toda a região Nordeste, exatamente por conta desse perfil polêmico. Eleito, o caminho natural seria mudar essa postura e assumir uma nova, conciliatória, e por meio da qual sinalizasse disposição honesta para uma convivência, se não inteiramente harmônica, pelo menos possível, que permitisse um diálogo em torno dos interesses reais dos 57 milhões de nordestinos, brasileiros com os mesmos direitos dos demais previstos na Constituição Federal.

Quando o presidente da República, depois de ordenar ao ministro-chefe da Casa Civil que retalie quem quer que seja, ele está sujeito a responder pelo crime de improbidade. E quando exige que, para terem seus pleitos atendidos em Brasília, os nove governadores nordestinos terão de se obrigar a “falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro”, e que, se não se curvarem à exigência, “eu não vou ter conversas com eles”, o chefe da Nação sela, em definitivo, a sua incapacidade de se relacionar com contrários. Com isso, ele próprio, pela sua própria boca, fortalece a imagem de político que, mesmo tendo vivido três décadas no Congresso Nacional, não conseguiu compreender as diferenças regionais, culturais, políticas e socioeconômicas que movem o Brasil. Se tivesse se esforçado minimamente para perceber as diferenças que se manifestam na Câmara Federal durante os mais de 10 mil dias que atuou como deputado federal, certamente não se comportaria como vem se comportando.

Além dos problemas causados por ele próprio, o presidente Jair Bolsonaro amarga o fato de ter escolhido para adversário um político do quilate de Flávio Dino: líder inconteste da sua geração no Maranhão, quadro de preparo excepcional, ex-juiz federal, ex-presidente da Associação dos Juízes Federais, ex-deputado federal – com atuação parlamentar muito acima da média enquanto Jair Bolsonaro se mantinha defendendo a ditadura no chamado Baixo Clero -, e governador eleito, reeleito e muito bem avaliado. Sem qualquer favor, o atual presidente da República não tem preparo, nem técnico nem político nem cultural, para enfrentar o governador do Maranhão num debate franco e direto sobre qualquer tema de interesse nacional, de economia a segurança pública. Seria fulminado em pouco tempo, pois não teria informação nem argumento para sustentar. Seu único cacife é o mandato presidencial, que vem usando indevida e abusivamente para impor suas vontades.

O presidente Jair Bolsonaro pode até consumar seu intento retaliar o governador Flávio Dino negando direitos à população maranhense, mas o fará sabendo que pagará preço político salgado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Revelação: Roberto Rocha teria tentado esconder fraude na eleição da Mesa do Senado

Roberto Rocha: suspeito de tentar abafar fraude eleitoral no Senado

Algum muito errado parece estar contaminando o mandato do senador Roberto Rocha (PSDB). Não bastassem o seu vínculo cada vez mais próximo com a Família Bolsonaro, os rumores de que ele estaria se movimentando para garantir a aprovação da indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) para a Embaixada do Brasil em Washington, a sua defesa enfática do ataque que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) aos governadores do Nordeste, especialmente Flávio Dino, e a postura de apoiar o Governo, mesmo sendo líder da bancada do PSDB, partido que se movimenta para se afastar do presidente Jair Bolsonaro, agora o senador é apontado como acobertador de fraude no Senado quando exerceu o influente cargo de corregedor geral da instituição.

De acordo com O Antagonista, um blog que faz um jornalista claramente alinhado à direita, o senador teria pedido ao chefe da Polícia Legislativa, que investigava o crime, o forjamento de um relatório mostrando que não seria possível identificar o senador que, ao votar na eleição da Mesa Diretora, teria depositado um voto a mais, uma fraude que anularia o tal pleito em qualquer lugar do mundo, principalmente por envolver um eleitorado tão qualificado quanto ao formado por senadores. Corregedor da Casa, Roberto Rocha ficou com a tarefa investigar o caso para identificar e denunciar o fraudador. Só que, de acordo com O Antagonista, o senador maranhense não apenas não fez a investigação devida, como tentou abafar o caso dando uma carteirada infeliz no chefe da Polícia Legislativa. O que disse O Antagonista:

O que o repórter Caio Junqueira revela é a trama construída nos bastidores de Brasília para engavetar as evidências e afastar qualquer punição. Leia um trecho da reportagem exclusiva:

“Roberto Rocha ainda era o corregedor do Senado e estava com a atribuição de descobrir o autor da fraude na eleição para a presidência da casa, quando chamou em seu gabinete, no 25º andar de uma das torres gêmeas do Congresso, o chefe da Polícia Legislativa, Alessandro Morales. Queria uma conversa reservada. (…) A conversa do corregedor com o chefe da polícia do Senado foi constrangedora. Roberto Rocha foi direto ao ponto. Ele pediu a Morales que sua equipe elaborasse uma perícia apontando que seria impossível culpar algum senador pela fraude. Àquela altura, no escuro, já estava decidido que seria melhor para o Senado jogar tudo para debaixo do tapete. Incomodado, Morales respondeu que não atenderia o pedido, levantou-se da cadeira e foi embora…”

A reportagem não esconde os nomes dos envolvidos: estão lá pesos-pesados da política, como Davi Alcolumbre (DEM), presidente do Senado, e Fernando Bezerra (MDB), líder do Governo na Casa.

Nada mais precisa ser dito. Falta apenas o senador Roberto Rocha explicar.

 

Climão entre Gil Cutrim e Eudes Sampaio em inauguração antecipa o clima de disputa em Ribamar

Observado por Gil Cutrim, Eudes Sampaio fala durante a inauguração em São José

Já é de forte tensão o clima político em São José de Ribamar por conta da proximidade do ano eleitoral, que será formalmente iniciado no dia 7 de Outubro. Isso ficou muito claro no entrevero entre o prefeito Eudes Sampaio (PTB) e o deputado federal Gil Cutrim (PDT), durante a inauguração de um Batalhão de Polícia, terça-feira, pelo governador Flávio Dino. No ato, o deputado Gil Cutrim assinalou, em discurso, que “nós doamos” o terreno para a construção do BP. Visivelmente irritado, o prefeito reagiu desmentindo o parlamentar. Gil Cutrim explicou que não tentou tirar proveito da situação e que só falou “nós doamos” porque o terreno fora doado ao Estado pelo então prefeito Luis Fernando Silva, de quem na época era vice-prefeito. Mesmo assim, o prefeito Eudes Sampaio manteve o clima de mal-estar.

O episódio poderia ter sido evitado se o deputado federal e ex-prefeito Gil Cutrim não tivesse comparecido ao ato de inauguração ou se o prefeito Eudes Sampaio não tivesse reagido tão mal à afirmação do seu antecessor. Ocorre que os dois, que um dia foram aliados, agora são adversários figadais, um distanciamento que vem aumentando velozmente diante das especulações de que o deputado federal Gil Cutrim ou o pai dele, Edmar Cutrim – conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), poderá ser o adversário do prefeito Eudes Sampaio na disputa pela Prefeitura em 2019. E por conta disso, esse não foi o primeiro nem será o último confronto direto entre eles nos próximos tempos.

São Luís, 08 de Agosto de 2019.

Fábio Gentil mostra que tem jogo político e que enxerga além dos limites da guerra paroquial de Caxias

 

Fábio Gentil entre os representantes caxienses Cleide Coutinho, Adelmo Soares e Zé Gentil(seu pai): desenvoltura política no centro nervoso da Assembleia Legislativa

A sessão de reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, segunda-feira (5), aconteceu rigorosamente dentro dos padrões: mais de 30 dos 42 deputados compareceram e se relacionaram em clima de confraternização, num ambiente descontraído. Um dado, no entanto, funcionou como diferencial: a desenvolta, animada e bem-sucedida incursão que o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (PRB), fez no plenário do Parlamento. Ali, acompanhado pelo pai, o igualmente animado deputado Zé Gentil (PRB), ele cumprimentou efusivamente a todos os deputados presentes, saudou a Mesa Diretora, trocou informações em pequenas rodas, concedeu inúmeras entrevistas, registrou, ele próprio, momentos da ação no celular, foi festejado pela esquerda, pelo centro e pela direita, e igualmente tratado por situacionistas e oposicionista. Ao sair do plenário, cerca de uma hora mais tarde – após conferir se todos os deputados receberam um DVD com informações sobre a Caxias -, deixou em todos a impressão de que está em campanha aberta pela reeleição, mas vislumbrando um horizonte político muito mais amplo.

Não é comum prefeitos incursionarem no plenário da Assembleia Legislativa durante sessões. Vez por outra o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), que comanda a Capital, comparece ali para algum compromisso, mas raramente se registra a presença de um Assis Ramos (DEM), que dá as cartas em Imperatriz, ou de um Luciano Leitoa, de Timon e preside o PSB no estado. E quando um ou outro aparece, o faz de maneira discreta, como o prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio (PP), que esteve ali algumas vezes, mas apenas para visitar discretamente a mulher, deputada Thaíza Hortegal (PP). Isso acontece por razões diversas, a começar pelas diferenças políticas. A incursão do prefeito de Caxias, na sessão inaugural, quebrou esse paradigma. Ele adentrou ao plenário com a autoridade de quem comanda o município que abriga a quarta maior população do Maranhão, que tem um peso diferenciado no cenário político estadual e que é respeitado pela sua tradição de independência política. E o fez motivado pelos ecos da festa do fim de semana, quando os caxienses comemoraram o aniversário da cidade (1º de Agosto) e os 196 anos da Adesão de Caxias à Independência, (7 de Agosto), e que levou à cidade um expressivo número de convidados, entre eles o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), e o vice-governador Carlos Brandão (PRB).

Pela maneira como circulou no centro nervoso do Palácio Manoel Beckman, o prefeito de Caxias demonstrou ser politicamente bem maior do que muitos imaginavam. Isso ficou claro pela maneira cordial com que tratou, por exemplo, a deputada Cleide Coutinho (PDT), que comanda o legado político do ex-deputado Humberto Coutinho e encarna o papel de arqui-adversária na política caxiense, com quem deve disputar a Prefeitura no ano que vem. Dispensou tratamento de político maduro e tarimbado a deputados governistas, incluindo os mais ligados ao Palácio dos Leões, que por força partidária apoiarão o projeto do Grupo Coutinho, fazendo o mesmo com parlamentares independentes e de Oposição. Deu uma demonstração de que sua visão política vai bem além das amarras grupais que travam movimentos mais ambiciosos. Comportou-se, enfim, como um político pragmática, que não se submete às fronteiras imposta pela guerra paroquial.

Nas conversas paralelas travadas durante e após a sessão, ouviu-se muito declarações do tipo “Esse cara é bom” e “Esse aí vai longe”, mas também indagações do tipo “Onde ele está querendo chegar?!”, e ainda estocada como “Está querendo se mostrar”. Mas o fato é que, com seu jeito meio despojado roqueiro cinquentão, apesar do terno bem composto que vestia, o prefeito de Caxias exibiu um forte apetite político, sinalizando com clareza que tem fôlego e desinibição suficientes para brigar pela reeleição e para dar passos mais audaciosos depois de concluir seu compromisso de gestor municipal. E tem os seus movimentos embalados por uma gestão que, segundo até mesmo alguns adversários, tem produzidos bons resultados: a cidade está bem cuidada, as escolas estão funcionando a contento, a rede de saúde presta bom atendimento, os servidores estão em dia e a Princesa do Sertão dá sinais de que vive, de fato, um bom momento.

Todas evidências sugerem que o prefeito Fábio Gentil ocupou na política caxiense um espaço muito maior do que muitos esperavam, e que o seu desempenho administrativo e sua desenvoltura política fizeram dele um adversário muito difícil de ser batido. Sua incursão na Assembleia Legislativa foi uma dessas evidências.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Posse da vice de Dutra é normal, mas ela deve ter cautela para evitar uma crise em Paço do Lumiar

Paula da Pindoba vive o desafio de substituir temporariamente o prefeito Domingos Dutra

Por mais que alguns partidários do prefeito Domingos Dutra (PCdoB) se sintam incomodados, a posse da vice-prefeita Paula Azevedo, também conhecida como Paula da Pindoba, é um fato da mais absoluta normalidade administrativa e institucional. Não poderia acontecer outra coisa. O prefeito Domingos Dutra sofreu um AVC violento, está internado, sua recuperação está em curso, mas é lenta, causando por isso uma forte tocar o barco lumience de acordo com a sua visão de gestora, garantindo a dinâmica que o prefeito Domingos Dutra vinha imprimindo à sua gestão, dando a Paço do Lumiar, que está entre os sete maiores municípios maranhenses, uma nova feição urbana. Certamente não está sendo fácil para ela substituir o prefeito Domingos Dutra, um político diferenciado, de esquerda, de personalidade forte, posições firmes e com uma visão de política que foge ao padrão, principalmente quando tem por perto a primeira-dama Núbia Dutra, uma advogada de personalidade muito forte e que não dispensa uma boa briga quando a posição do marido está em jogo. Paula da Pindoba terá de agir com firmeza, mas também com muita cautela, ciente de que não é titular do cargo e que o prefeito poderá retornar em algum tempo. Qualquer atitude precitada poderá desencadear uma crise política grave e de desfecho imprevisível. A cautela também serve para os partidários de Domingos Dutra, que nesse momento só têm de aguardar e torcer pela sua recuperação.

 

Josimar de Maranhãozinho “ganha” o Incra e reforça seu cacife político em Brasília e no Maranhão

Josimar de Maranhãozinho emplacou Mauro da Hidrale no comando regional do Incra

Não surpreendeu a nomeação do engenheiro e empresário Mauro Rogério Maranhão Pinto no cargo de Superintendente Regional do Incra no Maranhão por indicação do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL). Mais conhecido como Mauro da Hidrale – referência à Hidrale Projetos e serviços, empresa da qual é sócio -, o novo superintendente do Incra é engenheiro ambiental, engenheiro de segurança do trabalho e tecnólogo em saneamento ambiental. Empresário, ele é sócio da Hidrale Projetos e Serviços. A indicação é reveladora do poder de fogo que Josimar de Maranhãozinho conseguiu em Brasília com a “minibancada” federal do PL que controla, formada por ele próprio e os deputados Júnior Lourenço e Pastor Gildenemyr. Com ela, ele tem força dentro da bancada nacional do PL e, segundo um colega seu, criou um canal direto com o ministro-chefe da Casa Civil, Onix Lorezoni, com quem negociou e conseguiu vários pleitos, incluindo a nomeação de Mauro da Hidrale para o comando do Incra no estado. Com a nomeação, Josimar de Maranhãozinho cria o seu próprio “feudo”, a exemplo do senador Roberto Rocha (PSDB), que tem o controle do braço da Codevasf no estado. O controle do Incra dá ao parlamentar mais um reforço importante no seu projeto político.

São Luís, 07 de Agosto de 2019

Othelino Neto abre canal ousado e inovador com a sociedade e amplia protagonismo do presidente do Legislativo

 

Othelino Neto com os deputados Glaubert Cutrim (PDT), Rafael Leitoa (PDT), Duarte Jr. (PCdoB), Adelmo Soares (PCdoB), o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (PRB) e o deputado Dr. Yglésio (PDT) na retomada dos trabalhos da Assembleia Legislativa

A nova realidade da comunicação produziu ontem uma mudança decisiva na relação do presidente da Assembleia Legislativa com a sociedade. O passo além foi a primeira edição do podcast (arquivo digital em áudio e vídeo) “Diálogo com Othelino”, por meio do qual o presidente Othelino Neto (PCdoB) inaugurou um canal de comunicação direto com o cidadão, a quem relatará semanalmente tudo o que acontecer no comando, no plenário e na máquina administrativa do Poder Legislativo, incluindo até os gastos. A primeira edição do canal tem 23 minutos e 36 segundos, tempo em que o presidente da Assembleia Legislativa, numa linguagem direta e franca, ora enfática e ora didática, resume o que é, o que faz, para que serve e como funciona o Poder Legislativo. O roteiro da sua fala inclui o perfil político atual do Poder, a grande renovação no pleito de 2018, a motivação dos deputados novos e dos com mais de um mandato, mostrando o que realizaram até aqui: 368 Projetos de Lei, mais de 900 indicações e 440 requerimentos. O presidente define o momento como politicamente “efervescente”.

Em tom quase didático e sem o peso formal da gravata, o presidente Othelino Neto explica como funciona o sistema legislativo, a importância das Comissões Técnicas na análise dos projetos e proposições, assim como a caminhada até o plenário, que é soberano e tem palavra final sobre qualquer tema que lhe seja submetido. Mostra também que a Casa é necessariamente plural, com opiniões diversas, com Situação e Oposição, o que faz a sua essência como instituição democrática. E anota que o seu papel como presidente é funcionar como mediador nos confrontos causados pelos choques das diferenças políticas e ideológicas. Essa mediação, explica, feita pelo diálogo, ocorre também na relação com os Poderes Executivo e Judiciário, que devem conviver em harmonia, mas sem abrir mão das suas prerrogativas constitucionais. Othelino Neto chama a atenção para a postura do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) de alimentar tensões nas relações entre o Excetivo e o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, classificando-a como um mau exemplo. “No Maranhão é diferente. Os Poderes dialogam”, explica.

O presidente enfatiza a cultura da transparência que, segundo afirma, vem ganhando espaço no Poder Legislativo, bem como os esforços para modernizar os procedimentos aposentando alguns instrumentos – como a eliminação do uso do papel, por exemplo – associados à redução de gastos. A chave desse processo tem sido os investimentos em tecnologia, a começar por programas de computador, que armazenam informações e agilizam os processos, facilitando a vida dos deputados e garantindo mais qualidade às suas atividades.

Ao criar esse canal de comunicação e instituir esse procedimento, o deputado Othelino Neto pode ter mudado, em caráter definitivo, o papel do presidente da Assembleia Legislativa. Sim, porque não se trata de uma entrevista eventual a uma emissora de rádio ou de TV, nem de um contato rotineiro com jornalistas. Pelo conteúdo do podcast, ele deu a largada num processo que terá de manter com a mesma qualidade e   credibilidade durante os três anos e meio de mandato presidencial que tem pela frente. E que ganhará a força de um procedimento irreversível, um legado de uso obrigatório pelos deputados que o sucederão na presidência do Poder Legislativo. Jornalista que é por formação, o presidente da Assembleia Legislativa sabe que o passo que deu com a primeira edição do “Diálogo com Othelino” tem a dimensão de uma inovação audaciosa e de poder transformador. Na sua fala, ele registra que o cidadão-eleitor está antenado, procura se informar para medir o desempenho dos políticos. Daí não haver dúvida de que o podcast semanal será, com certeza, uma referência que poderá ser decisiva na formação do juízo que a sociedade formará do Poder Legislativo.

Não bastasse o seu conteúdo inovador, o podcast inaugurado ontem pelo presidente da Assembleia Legislativa tem uma estrutura e uma embalagem estética de qualidade visual superior, com imagens em azul e negro que exprimem a força da política e o peso da História.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Vereadores voltam com o desafio de discutir e aprovar um Plano Diretor de fato para São Luís

O presidente Osmar Filho lançou, na manhã de ontem, o programa GeneroCidade durante a sessão de reabertura dos trabalhos da Câmara Municipal de São Luís

Sob o comando do presidente Osmar Filho (PDT), a Câmara Municipal de São Luís retomou suas atividades com uma responsabilidade que é também um desafio: debater e dar forma definitiva ao Plano Diretor do Município. A responsabilidade se dá no sentido de que, agora mais do que nunca, com a transformação de fato numa cidade com 1,1 milhão de habitantes e de estar-se transformado efetivamente numa metrópole, São Luís precisa de um planejamento macro, que lhe dê as condições estruturais para garantir acomodação, mobilidade assistência à sua população. E o desafio dos vereadores é realmente compreender a dimensão que a cidade ganhou nas duas primeiras décadas deste século, de modo a dotá-la de instrumentos legais e de planejamento capazes de torná-la habitável agora e nos tempos que estão a caminho. São Luís precisa, por exemplo, resolver, urgentemente, o grave problema de ocupação do solo, tanto na área urbana como no seu território rural, pois não é mais possível o surgimento de ocupações descontroladas como a Cidade Olímpica, uma cidade de pequeno porte sem água, energia, rede de esgoto, urbanização mínima, transporte nem uma estrutura básica de assistência social, como escola, postos de saúde, delegacia de polícia, enfim, o necessário para atender minimamente a uma população de 100 mil pessoas. Outros exemplos: Coroadinho e seus “bairros”, Sol e Mar, Vila Luizão, entre outras ocupações comandadas por líderes comunitários inescrupulosos, políticos aproveitadores, quadrilhas de traficantes e comerciantes desonestos, grupos que, cada um ao seu modo, exploram e manipulam a massa de pobres ali concentrada. Um Plano Diretor consistente e sintonizado com a realidade atual vai muito além de um documento meramente técnico, que diga o que e onde construir. Respeitada sua área central, uma joia arquitetônica elevada à condição de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, São Luís precisa ser repensada e planejada estruturalmente, pensando na sua população crescente e nos desafios de crescer como centro turístico, de vir a ser a sala de recepção da nova era da Base de Alcântara, de acomodar demanda provável com a ampliação do Complexo do Itaqui, da possível Base Naval da Quinta Frota, entre outros projetos que estão a caminho. Com a palavra os 31 vereadores, que vão discutir o Plano Diretor às vésperas das eleições municipais, que decidirão o futuro de cada um.

 

PDT só tem três caminhos para disputar a Prefeitura de São Luís no pleito do ano que vem

Weverton Rocha 

De uma fonte bem situada na aliança partidária comandada pelo governador Flávio Dino (PCdoB): sem um candidato com poder de fogo maior do que a conveniência partidária, o PDT tem hoje três caminhos para a corrida eleitoral para a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr.. O primeiro é lançar um candidato próprio, que no momento só podem ser o presidente da Câmara Municipal, vereador Osmar Filho, ou o deputado estadual Dr. Yglésio. O segundo é costurar uma parceria com o DEM em torno do deputado estadual Neto Evangelista. E o terceiro é abraçar um candidato forte do PCdoB – o deputado federal Rubens Jr. ou o deputado estadual Duarte Jr. -, emplacando o candidato a vice. Na avaliação da mesma fonte, que sabe o que o diz nesse campo, pelo cenário do momento, a alternativa mais viável seria investir forte no projeto de candidatura do deputado Dr. Yglésio, que pode construir uma base política e aumentar o seu potencial eleitoral. E a alternativa menos viável, quase impossível de ser levada a cabo, seria a indicação de um vice numa chapa liderada por um candidato do PCdoB. Faz sentido, principalmente se a análise levar em conta os projetos do senador Weverton Rocha, que conta com a força do Palácio de la Ravardière para seguir em frente.

São Luís, 05 de Agosto de 2019.

Deputados voltam ao trabalho com agenda de temas graves, decisões políticas de peso e guerra por Prefeituras

 

Plenário da Assembleia Legislativo viverá no semestre uma agenda importante e realizará debates políticos fortes, sob o comando do presidente Othelino Neto

A Assembleia Legislativa retoma suas atividades nessa segunda-feira (05) com alguns traços diferenciados e uma agenda robusta. Começa que os novos deputados, que viveram o aprendizado no primeiro semestre legislativo, ingressarão no segundo mais experientes, com uma compreensão mais ampla e consistente da atividade parlamentar, contando, portanto, com a oportunidade de aprimorar suas atuações como legisladores e representantes políticos da sociedade. Eles estão situados num ambiente nacional de tensão política, com a responsabilidade de se posicionar pela normalidade institucional ameaçada pelos humores autoritários do poder conservador instalado em Brasília, contra o qual o governador Flávio Dino (PCdoB) tem se posicionado com autoridade e firmeza. Ao mesmo tempo, o semestre deve intensificar e ampliar o grande debate sobre o futuro dos municípios, com a antecipação dos embates pré-eleitorais pelo controle das prefeituras. Nesse contexto em que deve funcionar como pilar garantidor da estabilidade democrática, a Assembleia Legislativa estará sob o comando firme e equilibrado do deputado Othelino Neto (PCdoB), cuja presidência vai se consolidando a cada dia como uma garantia do equilíbrio entre os Poderes.

No que respeita ao cenário nacional, os deputados estaduais maranhenses podem perfeitamente funcionar como o elo entre comunidades e os deputados federais e senadores, chamando-lhes a atenção para as dificuldades e as necessidades das suas bases, como fazem atuando como porta-vozes junto ao Palácio dos Leões. Questões como o Pacto Federativo, principalmente no que diz respeito à divisão do bolo tributário, na qual a União fica com a parte gorda e os municípios são obrigados a administrar algumas migalhas, estão em aberto. (Frentes parlamentares poderiam, por exemplo, apoiar formalmente a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) na guerra que a entidade municipalista trava para evitar o bloqueio do FPM, sem o qual muitos municípios mergulham no caos). Os deputados devem também estar preparados para o debate que virá se o Senado da República decidir incluir Estados e Municípios na Reforma da Previdência, bem como a posição Maranhão na Reforma Tributária anunciada.

Agora com seis meses de mandato, e certamente mais antenados para um jogo bem mais amplo e decisivo, os deputados estaduais maranhenses não podem perder de vista o momento político que o Maranhão está vivendo com o protagonismo do governador Flávio Dino no cenário nacional. Independentemente da sua condição partidária e ideológica, cada um deve ter opinião formada sobre esses movimentos e contribuir para o grande debate que está sendo travado sobre o futuro político do Maranhão no cenário nacional. Seja qual for a opinião, é importante que ela seja exposta e debatida, porque as conclusões dos debates podem ser importantes na evolução dos acontecimentos.

Mas o grande mote da ação política dos deputados serão, sem dúvidas, os preparativos para as eleições municipais de 2020. Pelo simples fato de que o resultado das urnas selará o futuro de muitos dos atuais parlamentares, já que são os prefeitos e vereadores que atuam como o suportes dos seus mandatos. Há guerras políticas localizadas em vários municípios importantes, a começar por São Luís, onde quatro deputados lutam para viabilizar candidaturas à prefeito de São Luís, travando luta ainda surda nos bastidores: Neto Evangelista (DEM), Duarte Jr. (PCdoB), Wellington do Curso (PSDB) e Dr. Yglésio (PDT); em Bacabal, o confronto se dá entre o deputado Roberto Costa (MDB), que apoia o prefeito Edvan Brandão, e o deputado Carlinhos Florêncio (PCdoB), que faz oposição; em Barra do Corda, a guerra se dá entre o deputado Rigo Teles (PV), que faz oposição ao prefeito Eric Costa (PCdoB), e o deputado Fernando Pessoa (Solidariedade), que o apoia; em Presidente Dutra, uma disputa está se desenhando entre a deputada Daniella Tema (DEM) e o deputado Ciro Neto (PP), e em Caxias, onde mesmo havendo esforços de composição, está em curso a guerra declarada entre o deputado Zé Gentil (PRB), que apoia o prefeito Fábio Gentil (PRB), seu filho, e a deputada Cleide Coutinho (PDT), que tenta segurar o legado do ex-deputado Humberto Coutinho. Esses e outros vários exemplos dão bem a dimensão e o tom que pode ganhar a disputa municipal no plenário do Palácio Manoel Beckman a parte dessa semana.

Temas complexos, situações e cenários movimentados à parte, os deputados estaduais do Maranhão voltam ao trabalho conscientes das suas obrigações institucionais: legislar, fiscalizar e debater os problemas da sociedade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maranhão leva experiência usada em Pedrinhas para ajudar a conter a crise penitenciária no Pará

Flávio Dino manda apoio para Heldar Barbalho resolver crise penitenciária

Numa ação articulada com o governador Hélder Barbalho (MDB), o governador Flávio Dino (PCdoB) mandou agentes do Sistema Penitenciário ao Pará para ajudar na solução da crise que culminou na morte por estrangulamento, decapitação e asfixia de 57 detentos numa guerra entre facções criminosas numa prisão de Altamira. A iniciativa é o resultado de uma experiência em andamento no Sistema Penitenciário do Maranhão, que tem o Complexo de Pedrinhas como epicentro, e que já foi palco das maiores atrocidades em confronto entre bandidos – motins, assassinatos brutais e decapitações, como as ocorridas em 2013, que chocaram o País, quando essas organizações agiram de dentro para além dos muros penitenciários acionando sua turma para incendiar ônibus, gerar pânico na sociedade e deixar claro que elas tinham a força. O Governo Flávio Dino encarou o problema com determinação política, fez os investimentos possíveis em estrutura, organização e humanização, e tirou o Complexo de Pedrinhas e seus apêndices da lista dos bolsões mais violentos do Sistema Prisional nacional. Hoje, o Governo do Maranhão é um dos mais investem em Segurança Pública e é o que mais avançou nos últimos anos em organização penitenciária. O Complexo de Pedrinhas certamente ainda não um modelo, certamente guarda problemas, mas já uma realidade muito diferente do que era recentemente, a ponto de ter se tornado uma referência já procurada por vários Governos encrencados com essa chaga brasileira, como o do Pará, por exemplo, onde as facções dão as cartas nos porões de um sistema de segurança corrompido de cabo a rabo. Alguns ainda afirmam que não é bem assim – e é saudável que opositores do Governo e vozes críticas independentes se mantenham ativos -, mas não há como negar que a realidade nesse campo mudou no Maranhão. E muito.

 

Investida de Astro de Ogum no MDB não foi recebida com simpatia por boa parte do partido

Astro de Ogum: tudo indica que não terá espaço no MDB

Tudo indica que o MDB não será a base partidária a partir da qual o vereador Astro de Ogum (PL) lançará sua pretensa candidatura a prefeito de São Luís. Ali, vozes da banda mais jovem do partido não simpatizaram nem um pouco com a “visita surpresa” do dublê de político e babalorixá à sede do partido, na semana passada, onde conversou com o ex-presidente José Sarney e o presidente emedebista, ex-senador João Alberto. Acham que Astro de Ogum não se encaixa na visão do partido e que não tem o perfil adequado para representá-lo numa corrida eleitoral dessa dimensão. Nos bastidores emedebistas corre que o ex-presidente José Sarney, mesmo tendo sido cortês com o vereador, não teria simpatizado com a ideia de o vereador ingressar no partido para ser candidato a prefeito da Capital. Astro de Ogum, como é sabido, está afastado da aliança liderada pelo PDT em São Luís. Ele não esconde a insatisfação de ter sido atropelado pelo vereador Osmar Filho (PDT) quando pretendeu emplacar mais um mandato de presidente da Câmara Municipal. Para muitos, faz um jogo esperto para se manter em evidência e se cacifar para renovar seu mandato em 2020. Falta definir por qual partido, porque estaria fritado no PL, que é comandado com mão de ferro pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho.

São Luís, 04 de Agosto de 2019.

Planalto quer tomar Capitais em 2020, e São Luís pode ter candidato bolsonarista com aval do Planalto

 

Alan Garcez, Ribamar Pinheiro, Roberto Veloso, Wellington do Curso, Roberto Rocha e Edilázio Jr.: um deles pode disputar a Prefeitura de São Luís em 2020 com a bandeira do bolsonarismo como parte de uma estratégia concebida pelo Palácio do Planalto  

Há duas semanas, a consagrada colunista Dora Kramer, de Veja, fez uma revelação: “O aviso aos navegantes do barco de Jair Bolsonaro foi dado: reúnam suas tropas, recarreguem as baterias e disputem as eleições municipais de 2020 com a gana de um exército disposto a ocupar o máximo de território no cenário nacional”. A colunista acrescentou: “A ideia é repetir, ao menos nas capitais e nas grandes cidades, o embate de 2018 entre os chamados conservadores e os ditos progressistas”. E fechou a equação: “(O presidente) já compartilhou com mais de um interlocutor a intenção de formar uma legião de candidatos país afora, independentemente de filiação partidária. O critério é o mesmo aplicado a tudo o mais que diz respeito ao presidente: afinidade de ideias, propósitos e procedimentos. Além de, obviamente, compromisso com a reeleição para a Presidência”. Os estrategistas do Palácio do Planalto apostam alto que até meados do ano que vem as medidas econômicas comecem a dar resultados, transformando o atual cenário de instabilidade na política e incertezas na economia num ambiente que permita a candidatos bolsonaristas entrar, com alguma chance, na disputa por prefeituras.

Por mais que sejam remotas as possibilidades de candidatos bolsonaristas, oficiais ou oficiosos, virem a ocupar espaços expressivos em São Luís e em cidades como Imperatriz e Caxias, por exemplo, a revelação do plano do Palácio do Planalto para as eleições municipais do ano que vem é um bom motivo para que as forças que comandam o estado se coloquem em estado de alerta, façam a leitura correta dos sinais e se preparem para o que vier por aí na guerra eleitoral que se aproxima.

Em São Luís, até o momento, os nomes de extrema-direita que já manifestaram interesse em entrar na disputa, como o médico Allan Garcez e o coronel aposentado Ribamar Pinheiro, ambos do PSL, não são levados a sério por líderes partidários, por serem, de fato, política e eleitoralmente inexpressivos. Mas há também bolsonaristas por afinidade, mas menos conservadores, como o senador Roberto Rocha (PSDB), por exemplo, que pode convencer o deputado Wellington do Curso (PSDB), que aparece bem posicionado nas pesquisas, a assumir a bandeira do conservadora na corrida ao Palácio de la Ravardière. Ou ele próprio, que foi eleito vice-prefeito em 2012, na chapa do prefeito Edivaldo Holanda Jr., pode se lançar candidato a prefeito com as bênçãos do presidente, de quem já se declarou amigo e com quem tem fortes afinidades políticas, sendo hoje um dos seus aliados mais ativos no Senado.

E nos movimentos da ciranda da política, outros nomes podem entrar na corrida sucessória em São Luís abraçando o discurso conservador e exibindo afinidades com o presidente Jair Bolsonaro, caso seu Governo exiba algum resultado animador nos próximos meses. É o caso do juiz federal Roberto Veloso, que embalado pelos estímulos do ministro Sérgio Moro, de quem já se disse candidato, pode entrar em cena, empunhar a bandeira da extrema-direita e tentar suceder ao prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). Não será surpresa também se o deputado federal Edilázio Jr. (PSD) viera a ser o nome do Palácio do Planalto.

O fato é que, de acordo com a revelação da colunista Dora Kramer, o presidente Jair Bolsonaro e sua turma estão dispostos a jogar pesado em 2020. E nesse contexto não será surpresa se dedicarem atenção especial a São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha luta pela relatoria da indicação de Eduardo Bolsonaro embaixador nos EUA

Roberto Rocha: se for relator dará voto favorável à ida de Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos

O senador Roberto Rocha é um dos quatro membros da Câmara Alta que disputam a relatoria do processo de indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) ao cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, o mais importante a cobiçado posto da diplomacia brasileira, na Comissão de Relações Exteriores. Roberto Rocha, que é líder da bancada do PSDB, mede forças com os senadores Randolfe Rodrigues (Rede) e Marcos Val (Cidadania), ambos críticos ferrenhos da indicação e votariam contra, e com o senador Chico Rodrigues (DEM), que é amigo da família do presidente e emprega no seu gabinete o famoso e controvertido primo Leo Índio, que funciona como uma espécie de X-9 de 01, 02 e 03. Na contramão da maioria dos senadores tucanos, Roberto Rocha já defendeu publicamente a escolha do presidente, rebatendo, com ar de indignação, as críticas à nepótica indicação. Seu alinhamento ao Palácio do Planalto já vai muito além das afinidades políticas, tendo evoluído para o plano da amizade com o presidente Jair Bolsonaro. Daí a certeza geral de que, caso seja escolhido relator, não hesitará em recomendar entusiasticamente a nomeação do fritador de hambúrguer no Meine para comandar a diplomacia brasileira em Washington.

 

Weverton Rocha afaga Osmar Filho para manter o PDT harmonizado

Weverton Rocha afaga Osmar Filho ao apontá-lo como possível nome do PDT

O vereador Osmar Filho, presidente da Câmara Municipal, ganhou forte injeção de ânimo no seu projeto de sair candidato do PDT à Prefeitura de São Luís. Ele foi incentivado por ninguém menos que o senador Weverton Rocha, que o definiu como um “dirigente jovem, um vereador que tem mostrado coragem de enfrentar os problemas e de dialogar com a comunidade. Sempre foi bem votado dentro de São Luís e é um nome forte sim, para a disputa”. O afago do presidente do PDT no presidente da Câmara é uma jogada eticamente correta e politicamente inteligente para evitar um mal-estar dentro do seu partido afinal, não ficaria bem o senador Weverton Rocha tratar um membro destacado do seu partido, chefe de um poder no âmbito municipal, ignorando o fato de ele ter se lançado pré-candidato à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr.. Mais do que qualquer outro líder pedetista, o senador Weverton Rocha sabe que o vereador Osmar Filho ainda não dispõe de um suporte político e eleitoral para disputar a Prefeitura de São Luís com alguma chance de vitória. Tanto que trabalha seriamente na construção de uma aliança com o DEM, tendo o deputado estadual Neto Evangelista como opção de candidatura. Mas, como líder partidário já tarimbado, para muitos já com o status de raposa, joga bem para manter o arraial pedetista em harmonia até que chegue a hora da verdade.

São Luís, 02 de Agosto de 2019.

Weverton Rocha descarta disputar a Prefeitura de São Luís e foca seus movimentos na direção do Palácio dos Leões em 2022

 

Weverton Rocha concede entrevista no Senado, de onde só pretende sair se for para o Palácio dos Leões

O senador Weverton Rocha (PDT) mandou ontem para o espaço todas as possibilidades de vir a ser candidato à prefeito de São Luís nas eleições do ano que vem. Em áudio publicado no blog Marrapá, comandado pelo bem informado jornalista Leandro Miranda, o senador pedetista foi claro e taxativo: “Quero agradecer a lembrança do nosso nome, mas de já quero adiantar que nós não estamos nesse debate”. E justificou afirmando que está compromissado em brigar para melhorar a vida dos maranhenses, em respeito aos quase dois milhões – foram exatamente 1.997.443 – que o escolheram para representá-los no Senado Federal. Weverton Rocha respondeu a uma provocação jornalística causada por especulações segundo as quais, por falta de um nome forte no PDT, ele poderia vir a ser candidato à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). Sua negativa foi absolutamente previsível, uma vez que, além de encontrar-se fortemente envolvido com o mandato senatorial, a única disputa eleitoral escrita com letras garrafais na sua agenda é a corrida pelo Palácio dos Leões em 2022.

Não há dúvidas de que, como comandante maior do PDT, o senador Weverton Rocha enfrenta uma grave falta de quadros com expressivo peso político e eleitoral dentro do partido que comanda. Um problema que ganha dimensão nada desprezível quando o cenário aponta que o partido corre risco de perder o comando da Prefeitura da Capital, a mais importante do estado. Por dois motivos muito claros. O primeiro é exatamente a falta de um pedetista com cacife político e eleitoral, e o segundo é o fato, indiscutível, de que a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. será disputada por vários candidatos fortes, a começar pelo deputado federal Eduardo Braide (Podemos) e líder absoluto nas pesquisas realizadas até aqui, e o deputado estadual Duarte Jr., um candidato a fenômeno eleitoral que saiu das urnas de São Luís como o mais votado para a Assembleia Legislativa em 2018.

No impreciso e volúvel universo das especulações, é perfeitamente natural que, diante desse drama do PDT, o próprio senador Weverton Rocha seja eventualmente colocado no cenário como solução possível e mais viável. Até mesmo alguns pedetistas bem situados avaliam que entre um mandato de senador e a Prefeitura de São Luís, preferem a segunda, por considerarem-na uma importantíssima fonte de poder político. A maioria da elite pedetista, no entanto, tem um entendimento radicalmente diferente, preferindo perder a mais preciosa joia municipal do estado a abrir mão de um mandato senatorial que pode levar o chefe maior do PDT ao Governo do Estado em 2022 ou em 2026, dependendo das circunstâncias.

Ao decidir não entrar na corrida pelo Palácio de la Ravardière, o senador Weverton Rocha sinaliza claramente que está determinado a viabilizar o projeto maior de chegar ao comando do Estado. Mas sabe que para isso precisará do suporte político do futuro prefeito de São Luís, sendo, portanto, fundamental elegê-lo. E diante da circunstância de não dispor de um nome forte para carregar o estandarte pedetista, trabalha com um “plano B”, que é consolidar uma aliança com o DEM e apoiar a candidatura do deputado estadual Neto Evangelista. Ou, num outro cenário, negociar uma aliança com o PCdoB em torno do candidato do Palácio dos Leões, que pode ser o deputado estadual Duarte Jr., ou deputado federal licenciado Rubens Jr., atual secretário das Cidades.

Um terceiro motivo para o senador Weverton Rocha não se candidatar a prefeito de São Luís: ele precisa usar toda sua energia política, sua liderança partidária e sua capacidade de organização e articulação para comandar o PDT na briga por prefeituras em pelo menos 130 municípios, o que jamais conseguiria se entrasse na disputa em São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Disputa em Imperatriz será polarizada entre Assis Ramos e Professor Marco Aurélio

Assis Ramos e Marco Aurélio devem polarizar; Sebastião Madeira e Ildon Marques travarão uma guerra paralela

Todas as evidências indicam que a disputa pela Prefeitura de Imperatriz, a segunda maior do estado, caminha para uma polarização entre o prefeito Assis Ramos (DEM) e o deputado estadual Professor Marco Aurélio (PCdoB). Ainda que possa haver outros candidatos, como os ex-prefeitos Sebastião Madeira (PSDB) e Ildon Marques (PP), por exemplo, o desenho do embate eleitoral na Princesa do Tocantins dificilmente mudará, exatamente pelo fato de que Assis Ramos tem a seu favor a poderosa máquina administrativa municipal e Professor Marco Aurélio conta com o poder de fogo do Palácio dos Leões. O prefeito já começa a trabalhar focado no projeto de reeleição, inaugurando obras e agilizando as que estão em andamento, numa maratona muito mais intensa do que algum tempo atrás. Por sua vez, Professor Marco Aurélio vem aos poucos assumindo a condição de pré-candidato governista e assumindo o papel de principal representante político do Governo Flávio Dino, inclusive fazendo um acompanhamento exigente das obras do Governo em desenvolvimento na antiga Vila do Frei. Se entrar mesmo, o tucano Sebastião Madeira só levará os resultados dos seus oito anos no comando da cidade, que qualifica como revolucionários. É o caso de Ildon Marques, que governou a cidade primeiro como interventor, nomeado no primeiro mandato de Roseana Sarney no Governo do Estado, em 1995, e depois como prefeito em dois mandatos. Os dois ex-prefeitos devem travar uma disputa para ver quem irá mais longe.

 

Lei de Fábio Macedo abre novo horizonte na luta contra o alcoolismo no Maranhão

Fábio Macedo: boa lei reflete o drama que ele próprio enfrenta

O deputado estadual Fábio Macedo (PDT) volta hoje ao batente na Assembleia Legislativo com o que se pode definir como um troféu arduamente conquistado: a sanção, pelo governador Flávio Dino, de projeto de lei de sua autoria que institui no estado a Política de Atenção, Acompanhamento e Tratamento do Alcoolismo. A nova lei estadual abrirá caminho para uma nova política de prevenção, controle e assistência às pessoas com dependência alcoólica. O parlamentar justifica o seu importante produto legislativo: “O alcoolismo é um problema de saúde grave, que atinge homens e mulheres no Maranhão. Nossa lei implementa uma rede de atenção e cuidados aos dependentes do álcool, através de ações de educação, proteção, recuperação da saúde e prevenção de danos”. A lei prevê ações conjuntas das secretarias estaduais da Saúde, Educação, Trabalho e Economia Solidária, Mulher, Segurança Pública e Ciência, Tecnologia e Informação, de modo que a política pública compreenderá três níveis de atenção: básica, média e alta complexidade.

Com a sua conquista, o deputado Fábio Macedo dá a milhares de maranhenses que amargam a dependência alcoólica a oportunidade de contar com o apoio do Estado para lutar contra esse grave problema de saúde. A chave da sua motivação para legislar nessa área é ele próprio, que vem lutando há tempos para livrar-se do uso do álcool. Essa dependência várias vezes o levou a viver situações dramáticas, como o escândalo que, alcoolizado, produziu há alguns meses em Teresina, durante um show do cantor “Cachorrão”, quando perdeu o controle, brigou e só não foi preso no Piauí por interferência do presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), que conseguiu a sua liberação.

A lei agora sancionada demonstra que, além de prestar um bom serviço à luta contra o flagelo do alcoolismo, o deputado Fábio Macedo realizou, com a lei, um excelente trabalho parlamentar.

São Luís, 01 de Agosto de 2019.

Três décadas e sete presidentes depois, o Brasil se vê ameaçado pelo autoritarismo, o obscurantismo, a violência e a mediocridade

 

José Sarney fez a transição e abriu a nova era democrática, que avançou e se consolidou com Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer, agora ameaçada por Jair Bolsonaro

Quando José Sarney assumiu a presidência da República, no dia 15 de Março de 1985, o Brasil estava mergulhado em tensão, expectativa e incerteza, mas respirando esperança. Tensão porque naquela data morria, em definitivo, a ditadura militar; expectativa e incerteza por causa da saúde do presidente Tancredo Neves, que morreria pouco mais de um mês depois; e esperança, porque, depois de duas décadas de ditadura militar, com supressão de liberdades, censura, repressão brutal e assassinatos cometidos por agentes do Estado contra adversários do regime, acreditava-se que o Brasil mergulharia numa nova era, moderna e, principalmente, democrática. Contra todos os    prognósticos e expectativas, José Sarney fez a sua parte: restaurou a plenitude democrática, liquidou a censura, baniu a repressão, tirou a esquerda da clandestinidade e garantiu direitos plenos a todos e convocou a Assembleia Nacional Constituinte, que em 1988 entregou à Nação uma nova ordem institucional, uma democracia plena, com direitos e deveres bem definidos e, mais do que isso, um sentimento muito forte: ditadura nunca mais. E coroou a transição passando a faixa ao primeiro presidente eleito na nova era, o jovem político alagoano Fernando Collor de Mello.

Hoje, passadas três décadas do momento em que José Sarney consolidou a restauração democrática, entregando um novo País ao seu sucessor, iniciando o processo natural da alternância pelo voto direto, o Brasil é novamente assediado pelo fantasma do autoritarismo, agora acompanhado de primarismo político, desprezo pelas instituições, obscurantismo cultural, mediocridade e nítida inclinação para o autoritarismo. Tudo isso concentrado na figura do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que, usando todos os recursos, a começar pela falta de ética e pela manipulação grosseira da realidade, chegou legitimamente à Presidência da República.

Antes do acidente Jair Bolsonaro, fora mais de 12 mil dias passados desde que José Sarney iniciou a transição da ditadura para a democracia, enfrentando, de um lado, pressões de militares e, de outro, da sociedade que se mobilizava pelas organizações partidárias e civis. O Brasil viveu, então, um processo fantástico de ajustes com a passagem de sete presidentes: o próprio José Sarney (PMDB), Fernando Collor de Melo (PRN), Itamar Franco (PMDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB).

À frente de um Governo inicialmente reformador, mas marcado pela corrupção, o presidente Fernando Collor de Mello (1991-1992) usou todos os artifícios políticos e jurídicos possíveis, mas acabou   renunciando no dia 29 de dezembro de 1992 para se livrar do peso das leis. A manobra não deu certo:  e, no dia seguinte, o Congresso Nacional lhe cassou os direitos políticos e o tornou inelegível. Durante o seu Governo, porém, não há registro de que Fernando Collor tenha pronunciado uma só frase questionando as instituições ou exibindo qualquer traço de autoritarismo. Seu sucessor, Itamar Franco (1992-1994), político mineiro sério e temperamental, com um histórico de decência, devolveu a confiança dos brasileiros com o Plano Real, fechando o primeiro mandato da nova era sem ter manifestado qualquer simpatia pelo autoritarismo ou atacado as instituições democráticas.

Veio a era tucana, com dois mandatos do socialdemocrata, presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que governou de 1995 a 2002, consolidando a democracia com um Governo liberal no plano econômico e com forte inclinação social.  FHC restaurou a reeleição e se reelegeu. Durante os dois mandatos, ficou conhecido no planeta como um democrata pleno, que defendeu as instituições, no discurso e na prática, à frente da segunda maior democracia ocidental. Durante seus mandatos, nenhuma palavra contra as instituições e as liberdades civis.

Lula da Silva virou a página e iniciou o período da esquerda, chegando endeusado pelas camadas mais pobres, festejado pela maior parte da classe média e visto com restrições pela banda menor, e encarado com fortes restrições pelas elites. Governou democraticamente por oito anos (2003-2010), sem que nesse período tivesse levantado qualquer bandeira contra as instituições democráticas. Sua sucessora, Dilma Rousseff, quebrou paradigma ao entrar para a História como a primeira mulher a governar o País. Manteve o viés social do Governo, se reelegeu e sofreu um polêmico e questionado impeachment no dia 31 de Agosto de 2016, durante o grande debate institucional travado no País, mas em nenhum momento se pronunciou tentando desacreditar as instituições nem ensaiou algum arroubo autoritário.

O vice Michel Temer (PMDB) comandou o País de 2016 a 2018 em meio a uma forte crise política e institucional. Dono de uma posição de centro, Michel Temer exibiu sua postura de constitucionalista, defendendo as regras da Constituição de maneira intransigente.

Depois de comandado por esses democratas da direita civilizada, do centro e da esquerda, o Brasil elegeu o presidente Jair Bolsonaro, um político de extrema-direita, conservador e primitivo, que não tem formação elementar, que não consegue separar o público do privado, não compreende o que é ética, prudência, bom senso, que defende o uso de arma de fogo por cidadão comum, que faz pouco do esforço gigantesco que ONGs fazem para preservar o meio ambiente, que acha que massacres como o desta semana numa prisão de Altamira são bons para a sociedade, que lamentou não ter alguém com um revólver para abater o morador de rua do Rio de janeiro, que surtado matou duas pessoas à faca, que defende a tortura praticada por agentes da repressão durante a ditadura, que tem um torturador e assassino frio e cruel como ídolo, que declara, com ar de deboche, saber como um jovem oponente da ditadura foi assassinado, mexendo, com requinte de sadismo, numa ferida familiar, e que não esconde uma vontade doentia de amordaçar a imprensa livre do Brasil.

Os brasileiros, que deveriam estar tranquilos e avançando, se veem de novo mergulhados na perplexidade e na incerteza. Mas com uma   convicção: juntas, as instituições e a sociedade são mais fortes.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Para ser candidato do MDB, Astro de Ogum terá que encarar alguns desafios dentro e fora do partido

Astro de Ogum

O vereador Astro de Ogum está mesmo decidido a deixar o PL e se filiar ao MDB, alimentando a possibilidade de vir a ser o candidato do Grupo Sarney à Prefeitura de São Luís. O ex-presidente da Câmara Municipal, porém, avalia uma série de pequenos entraves, que precisará superar se de fato decidir migras para as fileiras emedebistas. O primeiro deles é a pré-candidatura do ex-deputado Victor Mendes, bancada dentro do partido pelo deputado estadual Roberto Costa, dono de grande peso hoje dentro do partido. Depois, terá que conseguir o aval da ex-governadora Roseana Sarney, que hoje já não nutre por Astro de Ogum a mesma simpatia de quando ele era mais babalorixá do que político. Além disso, o deputado Adriano Sarney ensaia ser candidato a prefeito pelo PV, e se esse projeto ganhar corpo, a família Sarney certamente se mobilizará em torno dele – disse ninguém duvida. Além disso, como reagirá o PL diante dessa mudança? Não é, portanto, só chegar, entrar e ganhar a vaga de candidato de presente.

 

Daniella Tema estaria inclinada a disputar a Prefeitura de Presidente Dutra

Daniella Tema: nome forte em Presidente Dutra

A deputada Daniella Tema (DEM) não confirmou nem desmentiu a especulação segundo a qual ela estaria avaliando seriamente a possibilidade de disputar a Prefeitura de Presidente Dutra, sua terra natal. Casada com o médico Cleomar Tema (PSB), prefeito de Tuntum e com forte liderança em toda a região, Daniella Tema detém cacife político para entrar numa disputa desse quilate. Além da força política e do potencial eleitoral, a parlamentar conta ainda com um fator de peso: nutricionista por formação, durante quase três anos ela dirigiu com competência e eficiência o importante e estratégico Hospital Regional de Presidente Dutra, que dá suporte emergencial a mais de uma dezena de municípios da região. Seu trabalho ali foi elogiado pelo secretário de Saúde Carlos Lula e até pelo governador Flávio Dino. Há quem diga que Daniella Tema prefere continuar cumprindo seus compromissos com seus eleitores como membro a Assembleia Legislativa, o que está fazendo com desenvoltura surpreendente. Mas há quem garanta que ela está inclinada a encarar o desafio da guerra eleitoral em Presidente Dutra. Se fizer a opção pela disputa municipal, os outros candidatos que se preparem, porque ela é um adversário difícil de ser batido.

São Luís, 31 de Julho de 2019.