Todos os posts de Ribarmar Correa
Dono de poder para influenciar sua sucessão, Edivaldo Holanda Júnior mantém silêncio sobre preferência

A pergunta mais insistente feita atualmente nos bastidores da corrida à Prefeitura de São Luís é a seguinte: Qual será a posição do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) na sua própria sucessão? As especulações sobre essa interrogação são frenéticas, ouve-se diariamente as mais diversas hipóteses possíveis, mas a verdade é que, demonstrando uma enorme capacidade de se manter no cenário escondendo o jogo, mesmo fazendo gestos aqui e ali, o prefeito vem surpreendendo com um silêncio obstinado sobre o assunto. Politicamente, é sabido que Edivaldo Holanda Júnior já acertou ponteiros com o governador Flávio Dino (PCdoB), de quem recebeu a tarefa de coordenar o processo sucessório no âmbito dos partidos que integram a aliança governista, uma tarefa complexa e que exigirá dele muita habilidade, paciência e eficiência como articulador. Partidariamente, ele depende de um posicionamento do comando do PDT, mais precisamente do senador Weverton Rocha, que não tem candidato e deve sugerir o vice numa aliança com o DEM ou com o PCdoB. Uma situação pouco confortável, uma vez que muito do seu futuro político, que é promissor, depende do desfecho da sua própria sucessão.
No que diz respeito à tarefa de coordenar a corrida sucessória na seara dos partidos governistas, é evidente que, por mais delicada que ela seja, o prefeito não terá maiores dificuldades: tem bom relacionamento com todos os partidos que apoiam sua gestão, tem se mostrado aberto a conversas reservadas e, para completar, é um craque na arte de ser discreto, pois nada, ou quase nada do que articula tem vindo à tona. Tem mantido conversas com o presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, do Cidadania, senadora Eliziane Gama, e do PSB, deputado federal e candidato a prefeito Bira do Pindaré, entre outros. Isso evidencia que o prefeito está cumprindo sua tarefa de articulador, sem soprar a brasa de nenhum pré-candidato até aqui. Vem fazendo, à sua maneira discreta, a parte que lhe cabe no entendimento com o governador Flávio Dino, que não pretende se envolver diretamente no embate do primeiro turno.
Partidariamente, o prefeito de São Luís encontra-se numa posição delicada. Primeiro porque, numa situação insólita, o seu partido, o PDT, não tem nome de peso para disputar a sua sucessão – alguns foram lembrados, como o presidente da Câmara Municipal, Osmar Filho, por exemplo, mas não prosperaram. E depois, têm corrido insistentes rumores de que já não seria mais firme como dantes a sua relação com o senador Weverton Rocha. Intrigas à parte, o fato é que Edivaldo Holanda encontra-se na politicamente inusitada e estranha posição de prefeito de um partido forte e no comando de uma gestão bem avaliada, mas obrigado a apoiar um candidato de outro partido ou, se preferir, ficar de fora sem apoiar ninguém.
Aos 41 anos, e dono de um lastro que inclui dois mandatos de vereador de São Luís, meio mandato de deputado federal e dois mandatos de prefeito da Capital, à frente de uma gestão equilibrada e eficiente, com um enorme saldo positivo a seu favor, Edivaldo Holanda Júnior tem maturidade suficiente para saber que não pode errar. Tem consciência que cada passo que vier a dar de agora por diante será decisivo para o desfecho da corrida à sua sucessão, podendo ser-lhe favorável ou desastroso. Sabe, finalmente, que, com a autoridade de quem tirou São Luís de uma cratera fiscal, pagou salários rigorosamente em dia, investiu forte em educação, saúde e infraestrutura e deu uma guinada radical na revitalização do Centro da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, tem cacife para projetar futuro politicamente ambicioso.
Nesse contexto, aonde a partir de agora todo movimento será decisivo, o prefeito de São Luís passa o reinado de Momo distante da folia, certamente aproveitando para avaliar o cenário e se preparando para tornar sua coordenação mais efetiva com a chegada das águas de março. E com o trunfo de saber que o rumo que vier a tomar, discreta ou ostensivamente, influenciará fortemente no desfecho da disputa.
PONTO & CONTRAPONTO
PCdoB vai ter de mostrar o tamanho político real do pré-candidato Rubens Júnior

O PCdoB está se movimentando para transformar o deputado federal Rubens Júnior, seu pré-candidato ao palácio de la Ravardière, no grande nome da base dinista para enfrentar na campanha e nas urnas o deputado federal Eduardo Braide (Podemos), até aqui o nome a ser batido nessa disputa. A parte visível da estratégia é mostrá-lo como um dos políticos mais bem sucedidos da nova geração, aliado de primeira hora do projeto de poder desenhado nos primeiros anos deste século pelo então ex-juiz federal e candidato a deputado federal Flávio Dino, e nome de proa em todos os movimentos do grupo que começou a chegar ao poder em 2012, com a eleição de Edivaldo Holanda Júnior (PTC) prefeito de São Luís, e que culminou com a eleição de Flávio Dino governador do Maranhão e a reeleição em 2018, tomando também as três vagas do Senado, uma em 2014 e duas em 2018. O PCdoB vai mostrar que, advogado de formação e político por profissão, Rubens Júnior é um quadro com sólida base de conhecimento, ampliada pela vivência em dois mandatos de deputado estadual e um cumprido e outro em andamento de deputado federal e do qual se licenciou para assumir a Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano. Esse currículo, enriquecido por uma ação política intensa na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal – onde atuou fortemente em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), fez oposição intensa ao Governo do presidente Michel Temer (MDB) e foi duro com o Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no curso período em que o enfrentou. Rubens Júnior, portanto, não é um político qualquer, o que exige do PCdoB um cuidado especial ao mostrá-lo ao eleitorado de São Luís como candidato à sucessão. Vale aguardar o produto a ser embalado por marqueteiros.
Avante e Patriota apoiam Detinha por serem controlados com mão-de-ferro por Josimar de Maranhãozinho

Ao explicar sua pré-candidatura à Prefeitura de São Luís, a deputada estadual Detinha (PL) diz que seu nome foi escolhido após intenso debate no seu partido e no Avante e no Patriota, agremiações que, segundo ela, “somam com o projeto político do nosso grupo”. Só que a situação é bem mais que isso. Primeiro, Avante e Patriota não são partidos independentes no Maranhão. Assim como o PL, eles são controlados com mão-de-ferro pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que mantém seus representantes rigorosamente na linha que ele traça, e ponto final. Nessas reuniões ocorrem conversas animadas, mas a palavra final é do marido da deputada Detinha, que não aceita discordâncias. No meio político é sabido que os deputados federais Júnior Lourenço (PL), Pastor Gildenemyr (PL) e Marreca Filho (Patriota) e os deputados estaduais Hélio Soares, Vinícius Louro e Leonardo Sá seguem à risca as orientações de Josimar de Maranhãozinho. Ou seja, mais que um grupo político, o marido da deputada Detinha está formando uma tropa de choque com aliados incondicionais. O que muitos perguntam é do que é tecido o fio condutor de tanta lealdade.
São Luís, 23 de Fevereiro de 2020.
A Coluna será atualizada ao meio-dia deste Domingo, 23/02/2020.
A Coluna será atualizada neste Domingo, 23/02/2020.
Definições no PDT, MDB e PSDB podem influenciar nos rumos da corrida para a Prefeitura de São Luís

O PCdoB bateu martelo pelo deputado federal Rubens Júnior, o Podemos confirmou o deputado federal Eduardo Braide, o PSB já está em campanha pelo deputado federal Bira do Pindaré, o Republicanos deu a vaga ao deputado estadual Duarte Júnior, a Rede balançou para o jornalista Jeisael Marx, o PROS assumiu o projeto eleitoral do deputado estadual Yglésio Moisés, o PSOL deve confirmar o professor Franklin Douglas, o PSTU avisou que vai com Saulo Arcangeli, o PL lançou a deputada Detinha, e é quase 100% certo que o DEM confirmará o deputado estadual Neto Evangelista. Para que o plantel de pré-candidatos a prefeito de São Luís fique completo, aguarda-se a manifestação do PDT, do MDB e do PSDB. São três legendas com histórico de participação forte na vida política de São Luís, com fatias gordas do eleitorado ludovicense, e que por isso o rumo que cada uma vier a tomar terá influência considerável na corrida para a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).
É forte a expectativa pelo posicionamento do PDT, o partido com maior capilaridade em São Luís, que conta com uma militância forte e ativa e que comandou a Prefeitura por mais de 20 dos últimos 30 anos, a partir da eleição de Jackson Lago em 1988. No momento, porém, o PDT encontra-se numa encruzilhada: controla a máquina com um prefeito bem avaliado, mas sem um nome de peso para a sua sucessão, obrigando-se a fazer uma coligação indicando o vice. A aliança mais provável é com o DEM em torno do deputado Neto Evangelista, com o aval dos comandos nacionais do Democratas e do PDT. Mas poderá também compor com o PCdoB indicando o vice do deputado Rubens Júnior, como advogam algumas das suas vozes. Poderá, ainda, lançar candidato próprio. O comandante maior do partido, senador Weverton Rocha, diz que o momento “é de costura”, e que a posição do PDT será definida em convenção no dia 28 de março. “A partir daí começará o jogo de verdade”, disse ao bem informado blog do jornalista Marco D`Eça.
O MDB, que representa a banda maior do que restou do Grupo Sarney, “só vai resolver São Luís depois do Carnaval”, avisou o seu presidente, senador João Alberto. Inicialmente, o MDB tentou atrair sem sucesso a arquiteta Kátia Bogea, ex-presidente do Iphan, vista por muitos como um nome adequado para a São Luís atual. Depois, apostou muitas fichas no ingresso do ex-juiz Carlos Madeira, que após de várias conversas abandonou o projeto emedebista e se filou ao Solidariedade, pelo qual será candidato. Finalmente, o MDB radicalizou lançando a ex-governadora Roseana Sarney, que inicialmente pareceu animada, mas logo desanimou e recusou a acabou recusando proposta. Agora, o partido tem dois caminhos: lançar um candidato que ainda não tem, ou apoiar a candidatura do deputado estadual Adriano Sarney (PV) – que o presidente João Alberto considera “muito difícil”. Isso reforça a especulação de que o MDB poderá aliar-se ao Podemos em torno de Eduardo Braide. “Na política do Maranhão boi voa, até de asa quebrada”, lembra, acertadamente, o ex-senador João Alberto.
O terceiro foco de indefinição é o PSDB, que já esteve no poder municipal com o prefeito João Castelo (2009/2012). O deputado estadual Wellington do Curso é pré-candidato assumido, mas até agora não recebeu o aval do presidente tucano, senador Roberto Rocha. Nos bastidores, corre que o projeto de Roberto Rocha é levar o PSDB para uma aliança o Podemos, indicando o vice de Eduardo Braide. É provável que Wellington do Curso busque outra legenda – o PSL, por exemplo – para se candidatar. A expectativa é a de que o nó será desatado em março.
O fato é que depois que essas forças políticas e partidárias se posicionarem, a corrida para a Prefeitura de São Luís terá largada definitiva.
PONTO & CONTRAPONTO
Quinto homenageará Bacabal lembrando Padre Mohana e Papete e com ala dedicada ao “Carcará”

A Turma do Quinto vai levar para a avenida o enredo O Centenário de Bacabal, uma homenagem ao século de existência de um dos maiores e mais importantes municípios maranhenses. A escola da Madre Deus, que costuma encantar o público e por isso coleciona campeonatos, vai destacar figuras importantes nascidas em Bacabal, como o padre, médico e escritor conhecido João Mohana; o nacionalmente respeitado percussionista, arranjador, compositor e cantor Papete, e o ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-prefeito, ex-governador e ex-senador João Alberto. Os dois primeiros serão lembrados em destaques, segundo uma fonte da escola. Para homenagear o ex-governador João Alberto, os carnavalescos criaram a ala “Carcará”, que promete ser uma das mais animadas. O samba assinado por Manoel Henrique, Carlos Boni e Cecel Mix homenageia os três gigantes bacabalenses. Num dos trechos destaca o genial Papete cantando que o seu disco, considerado o maior clássico da MPM, “Bandeira de Aço encanta os ouvidos”; em seguida lembra João Mohana destacando que “Conselhos do padre me fazem sentido”; e fecha a estrofe com “No voo do meu João”, numa alusão ao Carcará. O ex-senador anda visivelmente empolgado com a honraria carnavalesca.
PSC lança Mariana Carvalho à Prefeitura de Imperatriz

Depois da confirmação das candidaturas do prefeito Assis Ramos (DEM), do deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), do ex-prefeito Ildon Marques (PP) e do ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), os quatro candidatos que, pelo menos em princípio, de fato pesam no cenário político local, a disputa para a Prefeitura de Imperatriz ganhou ontem um dado novo: a pré-candidatura da bacharel em Direito Mariana Carvalho (PSC). Ela foi lançada pelo comandante do partido no Maranhão, deputado federal Aloísio Mendes, após assinar ficha de filiação na legenda. Mariana Carvalho entra com o diferencial de ser jovem e mulher. E vai para a corrida com a experiência de quem recebeu 14 mil votos para deputada estadual em 2018. O presidente do PSC aposta alto na candidatura dela, que mostrou firmeza quando declarou: “Acredito que pelo modo de fazer uma política orgânica, sem conchavos, com respeito e diálogo, meu nome possa ter se sobressaído na escolha do partido”.
São Luís, 21 de Fevereiro de 2020.
Candidatura de Detinha em São Luís é jogada de Josimar de Maranhãozinho para ganhar projeção estadual

A corrida para a Prefeitura de São Luís ganhou ontem um ingrediente a mais e diferenciado: a pré-candidatura da deputada estadual Detinha (PL), ex-prefeita de Centro do Guilherme, um dos feudos políticos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, seu marido e mentor político, já também lançado candidato ao Governo do Estado em 2022. Com a iniciativa, por ela própria confirmada ontem em discurso na Assembleia Legislativa, Detinha desembarca na seara política da Capital com uma marca e um objetivo bem claros. A marca: é a primeira, e provavelmente a única, mulher na disputa, já que a ex-governadora Roseana Sarney não aceitou o convite do MDB. O objetivo: demarcar um espaço para o marido no território político de São Luís. Sua candidatura é o desfecho de uma série de movimentos malsucedidos feitos por Josimar de Maranhãozinho para figurar na linha de frente da política estadual.
Para quem não a conhece, Detinha é Maria Deusdete Lima Cunha Rodrigues, assistente social cearense, natural de Cariús, cidade de 18 mil habitantes distante 411 quilômetros de Fortaleza, casada com o empresário e político cearense Josimar Cunha Rodrigues, natural de Várzea Alegre, cidade de 40 mil habitantes 446 quilômetros distante de Fortaleza, hoje conhecido como Josimar de Maranhãozinho. Ele foi prefeito de Maranhãozinho de 2005 a 2012, foi o deputado estadual mais votado em 2014 (99.252 votos) e o deputado federal mais votado em 2018 (195.798 votos), controlando com mão de ferro o braço maranhense do agora PL. Ela foi prefeita de Centro do Guilherme de 2009 a 2015 e foi campeão de votos (88.402) em 2018 para a Assembleia Legislativa, onde comanda a chamada “Bancada do Josimar”, formada pelos deputados Hélio Soares, Vinícius Louro e Leonardo Sá. Josimar de Maranhãozinho tem o controle político e, dizem, administrativo de várias prefeituras, entre elas a de Zé Doca, a mais importante do Alto Turiaçu, comandada por sua irmã, Maria Josenilda Cunha Rodrigues (PL), e uma bancada fiel na Câmara Federal, formada pelos deputados Júnior Lourenço. Pastor Gildenemyr e Marreca Jr.. Em São Luís, controla o vereador Aldir Jr. (PL).
A candidatura da deputada Detinha à Prefeitura de São Luís pouco ou nada tem a ver com o seu desempenho como prefeita de Centro do Guilherme, município de 12 mil habitantes localizado na Região do Gurupi. Trata-se, na verdade, de uma jogada ousada de Josimar de Maranhãozinho para ganhar projeção política e sentar na mesa principal das negociações para a sucessão estadual de 2022. Para ele, não interessa permanecer rotulado como um político interiorano, marcado pela sombra de controvérsias. Seu projeto é adquirir estatura de político estadual, e para alcançar esse objetivo é imperativo mostrar força também em São Luís. Um projeto arrojado, que vem sendo tentado sem sucesso desde o ano passado.
A movimentação de Josimar de Maranhãozinho para ganhar força em São Luís começou para valer em meados de 2019, quando ele investiu fortemente para fazer o deputado federal Eduardo Braide, então no PMN e líder nas pesquisas, candidato do seu partido, o hoje PL. Nas várias rodadas de conversa, Eduardo Braide percebeu com clareza que Josimar de Maranhãozinho pretendia usá-lo para se fortalecer politicamente e recusou a proposta. Com o fracasso da investida sobre Eduardo Braide, Josimar de Maranhãozinho jogou pesado para cooptar os deputados Duarte Júnior, que ganhou liberação do PCdoB e se tornou pré-candidato do Republicanos, e Yglésio Moisés, que foi liberado pelo PDT e se tornou pré-candidato do PROS. Com a recusa dos três, o chefe do PL ficou sem alternativa fora do seu partido.
A candidatura da deputada Detinha à Prefeitura de São Luís foi a solução encontrada por Josimar de Maranhãozinho para fincar estacas e demarcar algum território na Capital, de modo a ganhar projeção estadual como um líder político com estatura para disputar o Governo do Estado. O discurso que fez ontem na Assembleia Legislativa foi revelador de que ela entra como parceira de um projeto mais ambicioso do marido. Isso, porém, não invalida o fato de que, caso seja mantida, será uma candidatura também para ser levada em conta, por mais estranha que pareça ao cenário político ludovicense.
PONTO & CONTRAPONTO
Dino agiu com razão institucional ao pedir audiência a Bolsonaro para discutir situação das BRs

Foi sensata e absolutamente justificada a iniciativa do governador Flávio Dino (PCdoB) de pedir formalmente, por ofício, uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para tratar do grave e danoso problema das estradas federais que cortam o Maranhão, como as BRs 135, 010, 402, 316, 222, 226 e 230, todas em estado lastimável de degradação e carecendo de obras imediatas de reparo e restauração. Vozes da Oposição criticaram, algumas de maneira contundente, como o deputado César Pires (PV) em discurso na Assembleia Legislativa, mas os seus argumentos caíram por terra depois que o governador divulgou um vídeo explicando a sua iniciativa.
Primeiro, Flávio Dino informa que pediu a audiência “para discutir” o problema com Jair Bolsonaro, e buscar providências que permitam solucionar, parcial ou integralmente, o problema, evitando assim os prejuízos causados diariamente aos que nelas trafegam e à economia do estado e do País. Exatamente por saber que Governo estadual não pode cuidar da infraestrutura federal no estado, Flávio Dino esclarece que o seu propósito é conseguir que o presidente tome providências, e se coloca à disposição do chefe da Nação para apoiar as medidas com os instrumentos que dispõe a Secretaria de Infraestrutura. Nada demais, uma proposta sensata e equilibrada e administrativamente saudável. Se aceitar, Jair Bolsonaro dará uma demonstração de que é também capaz de agir com normalidade institucional. Se recusar, o presidente cometerá mais uma das suas idiossincrasias políticas.
Os que criticara a inciativa parecem não perceber que poucos políticos no País têm a consciência que Flávio Dino tem do seu papel institucional.
Sebastião Madeira avisa que é pré-candidato a prefeito de Imperatriz

Imperatriz já tem o quarto candidato a prefeito: o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB). Na edição de ontem, a Coluna comentou a entrada do ex-prefeito Ildon Marques (PP) na disputa, que já contava com o prefeito Assis Ramos (DEM) e o deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), enfocando a participação de Sebastião Madeira como uma possibilidade a ser confirmada nas próximas semanas. Mas ontem mesmo ele informou que é pré-candidato e que já está iniciando movimentos de pré-campanha. O lastro de dois mandatos consecutivos de prefeito, que se somam três mandatos de deputado federal, Sebastião Madeira conhece como poucos os humores eleitorais da Princesa do Tocantins. Ao decidir entrar na disputa, mesmo ainda sob impacto da devastadora derrota sofrida pelo seu partido, o PSDB, nas eleições 2018 no Maranhão, Sebastião Madeira sabe exatamente onde está pisando. Com sua experiência, é capaz de medir peso de cada um dos candidatos e chegar à conclusão de que, ainda que remotamente, ultrapassar seus concorrentes e chegar lá. Isso porque avalia que, a exemplo de 2016, essa deverá ser uma eleição em que a diferença entre os candidatos pequena. Daí acreditar que está no jogo.
São Luís, 20 de Fevereiro de 2020.
Entrada de Ildon Marques acirra a disputa pela Prefeitura de Imperatriz

A confirmação da pré-candidatura do empresário, ex-interventor e ex-prefeito Ildon Marques, pelo PP, é mais uma pincelada forte no desenho do cenário em que se dará a disputa pela Prefeitura de Imperatriz, o segundo maior, mais rico e mais importante município do Maranhão. Ele confirmou ontem o projeto eleitoral à Coluna, afirmando que está atendendo a “um chamamento do PP”, e que sua pré-candidatura é fato. Ildon Marques, que já vinha dando sinais claros de que seria candidato, entra na corrida ao comando da Princesa do Tocantins quando já se encontram em movimento o prefeito Assis Ramos (DEM), que busca a reeleição, e o deputado estadual Professor Marco Aurélio (PCdoB), que de acordo com as últimas pesquisas aparece como favorito. A entrada de Ildon Marques dá novo impulso a uma peleja eleitoral entre forças expressivas e que deve ganhar mais intensidade com a provável candidatura do ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), que de acordo com vozes tucanas, deve ser confirmada depois do reinado de Momo, provavelmente em meados de março.
Com um período de interventor e dois mandatos de prefeito no currículo, isso associado à posição de megaempresário, sem ser, portanto, uma novidade, Ildon Marques entra numa disputa difícil de alto risco. Com experiência política que acumulou, sabe que vai enfrentar um prefeito disposto a jogar pesado para renovar o mandato, e um político jovem, comprometido com causas sociais, parlamentar competente e bem posicionado, e que representa, de fato, uma ideia de renovação. Politicamente, o ex-prefeito é um nome respeitável em Imperatriz – foi suplente de senador e de deputado federal -, mas o seu desafio será transformar esse cacife em prestígio eleitoral e inibir o sopro de renovação que, tudo indica, vai embalar a campanha rumo à Prefeitura.
O prefeito Assis Ramos trocou o MDB pelo DEM, enfrenta dificuldades e aparece em terceiro lugar nas pesquisas feitas até agora. Mas políticos experientes alertam para o fato de que a máquina administrativa que move a segunda maior Prefeitura do Maranhão é um instrumento político muito poderoso, principalmente em períodos de disputa eleitoral, o que torna o prefeito um candidato que não pode ser subestimado. O próprio Ildon Marques sabe disso muito bem. E quando decide entrar na disputa e enfrentá-lo, certamente o faz com plena consciência de que enfrentará uma máquina. (O melhor exemplo disso é a trajetória do ex-prefeito Sebastião Madeira: elegeu-se em 2008, reelegeu-se em 2012, e em 2016, quando não pode mais se candidatar, tirou do nada o empresário Ribinha Cunha e lhe deu mais de 15% dos votos numa eleição em que Ildon Marques disputou a cabeça com Assis Ramos e perdeu).
Na outra ponta da linha adversária está o deputado estadual Professor Marco Aurélio, líder na preferência do eleitorado segundo pesquisas publicadas até aqui. Além do cacife político pessoal demonstrado em suas seguidas eleições com votações crescentes e de ser o candidato do PCdoB, Professor Marco Aurélio entra na corrida com o aval do Palácio dos Leões e, pelo que está sendo rascunhado, no comando de uma aliança que reunirá partidos como Solidariedade, PDT e PT. Ao contrário do prefeito Assis Ramos, que se elegeu como um outsider sem história política e até hoje não criou uma identidade político-partidária, e do ex-prefeito Ildon Marques, que já é marca registrada para agrado de uns e desagrado de outros, o deputado Marco Aurélio é um quadro em ascensão, até aqui sem manchas e com horizonte político largo pela frente.
É evidente que a entrada de Ildon Marques na corrida à Prefeitura de Imperatriz certamente contribuirá para elevar o nível do debate dos problemas e desafios de uma cidade com jeito de metrópole e com o peso de séria candidata a capital em futuro não tão distante.
PONTO & CONTRAPONTO
Reação na medida a uma agressão indecente
Sob o impacto das inacreditáveis palavras usadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ofender uma jornalista cuja atuação séria e correta o incomodou fortemente, a Coluna reproduz editorial do Jornal Folha de S. Paulo, fazendo seus as posições, as afirmações e os alertas nele expressados:
Editorial
Sob ataque, aos 99
Bolsonaro reincide na ofensiva ao jornalismo; alvo é o edifício constitucional
Ao completar 99 anos de fundação, esta Folha está mais uma vez sob ataque de um presidente da República. Jair Bolsonaro atiça as falanges governistas contra o jornal e seus profissionais, mas seu alvo final não é um veículo nem tampouco a imprensa profissional. Ele faz carga contra o edifício constitucional da democracia brasileira.
Frustraram-se, faz tempo, as expectativas de que a elevação do deputado à suprema magistratura pudesse emprestar-lhe os hábitos para o bom exercício do cargo. É a Presidência que vai se contaminando dos modos incivis, da ignorância entranhada, do machismo abjeto e do espírito de facção trazidos pelo seu ocupante temporário.
O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando. Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária. Presidentes da Câmara e do Senado, ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores de estado, repórteres e organizações da mídia tornaram-se vítimas constantes de insultos e ameaças.
Há método na ofensiva. Os atores agredidos integram o aparato que evita a penetração do veneno do despotismo no organismo institucional. Bolsonaro não tem força no Congresso nem sequer dispõe de um partido. Testemunha a redução de prerrogativas da Presidência, arriscada agora até de perder o pouco que lhe resta de comando orçamentário.
Escolhe a tática de tentar minar o sistema de freios e contrapesos. Privilegia militares com verbas, regras e cargos, e o exemplo federal estimula o apetite de policiais nos estados. Governadores são expostos por uma bravata presidencial sobre preços de combustíveis a um embate com caminhoneiros.
Pistoleiros digitais, milicianos e uma parte dos militares compõem o contingente dos sonhos do presidente para compensar a sua pequenez, satisfazer a sua índole cesarista e desafiar o rochedo do Estado democrático de Direito.
Não tem conseguido conspurcar a fortaleza, mas os choques vão ficar mais frequentes e incisivos caso a resposta das instituições esmoreça. A democracia é o regime da responsabilidade, o que implica a necessidade de punir a autoridade que se desvia da lei.
Defender o reemprego de um ato que fechou o Congresso Nacional, como fez o deputado Eduardo Bolsonaro ao invocar o AI-5, não deveria ser considerado deslize menor pelos colegas que vão julgá-lo no Conselho de Ética.
As imunidades para o exercício da política não foram pensadas para que mandatários possam difamar, injuriar e caluniar cidadãos desprovidos de poder, como está ocorrendo. Dignidade, honra e decoro são requisitos legais para a função pública. O presidente que os desrespeita comete crime de responsabilidade.
Ao entrar no seu centésimo ano, a Folha está convicta de que o jogo sujo encontrará a resposta das instituições democráticas. Elas, como o jornalismo, têm vocação de longo prazo. Jair Bolsonaro, não.
São Luís, 19 de Fevereiro de 2020.
Mais do que decisão política, a compra de ambulâncias pela Assembleia Legislativa foi ato de consciência cívica

Em ato concorrido, realizado no dia 12 em frente ao Palácio dos Leões, deputados estaduais liderados pelo presidente Othelino Neto (PCdoB) receberam do governador Flávio Dino (PCdoB) 24 das 42 ambulâncias compradas com recursos da sobra orçamentária da Assembleia Legislativa, obtida via política de contenção de gastos. A inciativa do Poder Legislativo foi bem recebida por muitos, mas também criticada por alguns. A compra foi possível depois que o presidente Othelino Neto fez consulta técnica ao Tribunal de Contas do Estado sobre a legalidade do emprego da sobra de recursos na compra desses equipamentos, obtendo como resposta a informação de que não existe regra que impeça o uso de recursos do Poder Legislativo com essa finalidade. A decisão de investir os recursos em ambulâncias foi submetida aos deputados, que a aprovaram e autorizaram a operação. Sem obstáculos, o presidente Othelino Neto comunicou a decisão ao governador Flávio Dino e autorizou o Poder Executivo a realizar a compra. A sobra foi de R$ 6,6 milhões, o que permitiu a aquisição de 42 ambulâncias ao preço de R$ 157 mil cada unidade devidamente equipada. Cada deputado escolheu o município a ser beneficiado com uma ambulância.
A princípio, a iniciativa da Assembleia Legislativa causou surpresa, mas logo foi assimilada e compreendida como um gesto saudável sob diversos aspectos. Para começar, a Assembleia Legislativa poderia de usar a sobra de recursos em obras físicas no complexo do Palácio Manoel Beckman, em equipamentos administrativos, em troca de frota, ou simplesmente devolver o “superávit” ao Tesouro do Estado. A opção foi por empregar os R$ 6,6 milhões na compra de ambulâncias, para reforçar a mobilidade de maranhenses com problemas de saúde e, ao mesmo tempo, dar uma mostra de que, unidos em torno de causas da sociedade, os deputados podem contribuir com algo efetivo além das suas emendas parlamentares e dos seus pleitos junto ao Poder Executivo.
Em relação às poucas críticas que a iniciativa sofreu, vale destacar que elas foram de natureza política. Isso porque, tecnicamente, ninguém em sã consciência se colocaria contra a aquisição de ambulâncias, fosse qual fosse a origem dos recursos. Os que eventualmente se manifestam fazendo restrições certamente não têm a mínima ideia da importância de ambulância em municípios remotos do interior do Maranhão. O transporte de doentes em busca de socorro em centros mais adiantados em matéria de saúde pública continua intenso e extremamente necessário, alimentando o que o então governador Jackson Lago (PDT) chamava de “romaria de ambulâncias nas estradas do Maranhão”. Mesmo com os indiscutíveis avanços que o estado vem alcançando na área de saúde, uma das prioridades do atual Governo do Estado, com a implantação de centros hospitalares em regiões estratégicas, o uso de ambulâncias continua fundamental. E o acréscimo de 42 ambulâncias à frota atual é de extrema valia para o atendimento dos que precisam.
A entrega das 24 ambulâncias na semana passada, fato definido pelo governador Flávio Dino como “uma grande iniciativa”, demonstrou que o presidente Othelino Neto tinha acertado em cheio quando propôs a iniciativa e recebeu total apoio da Mesa Diretora, das lideranças e dos deputados. O procedimento foi decidido em dezembro passado e confirmado pelo presidente Othelino Neto em Trizidela do Vale, na abertura da terceira edição do projeto “Assembleia em Ação”, no dia 6 de janeiro, diante de centenas de lideranças da Região do Médio Mearim. Naquele momento, as providências para a aquisição já haviam sido tomadas, o que permitiu a entrega do primeiro lote na semana passada. As 18 restantes serão entregues na primeira semana de março, segundo previsão feita à Coluna por um parlamentar.
O fato é que, ao destinar sobras orçamentárias do Poder Legislativo para a compra de ambulâncias para municípios carentes do equipamento, o presidente Othelino Neto e seus pares dispararam um tiro certeiro na deficiência que ainda atrapalha a mobilidade na área de saúde no Maranhão. Praticaram um gesto de consciência cívica.
PONTO & CONTRAPONTO
Grupos ligados ao sarneysismo descartam apoio à candidatura de Adriano Sarney

Ao contrário do que muitos imaginavam, o que restou do Grupo Sarney não se mobilizará em torno da candidatura do deputado estadual Adriano Sarney (PV) à Prefeitura de São Luís. O presidente do MDB, ex-senador João Alberto, declarou que acha “muito difícil” que o partido venha a apoiar o candidato do PV, confirmando o que já havia sido sinalizado pelo deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente. Também o PSD, comandado no estado pelo deputado federal Edilázio Júnior, anunciou que se aliará ao candidato do Podemos, deputado federal Eduardo Braide, quando a tendência era no sentido de apoiar o projeto do PV. Resta na base sarneysista a posição do PSC, comandado pelo deputado federal Aloísio Mendes.
Não surpreende a pulverização dos partidos ligados ao sarneysismo nesta corrida à Prefeitura de São Luís. Eles são liderados por políticos que sobreviveram à dizimação do Grupo nas últimas eleições e, por isso, preferem seguir caminhos diferentes do que colar suas digitais na única candidatura que representa a família do ex-presidente José Sarney, já que a ex-governadora Roseana Sarney não aceitou a vaga de candidata que lhe foi oferecida pelo MDB, do qual ela continua sendo o nome mais forte. Adriano Sarney sabe que não terá o apoio do MDB nem do PSD, e muito provavelmente não contará também com o PSC, o que o obrigará a procurar outras alianças ou seguir numa campanha-solo.
Vale lembrar, porém, que os acertos de agora só serão confirmados nas convenções, em julho, restando tempo suficiente para mudanças e ajustes possíveis na seara política.
Pré-candidatos exploram aumento nas passagens: Yglésio Moisés faz abordagem diferenciada

Vários pré-candidatos à Prefeitura de São Luís aproveitaram o reajuste nas tarifas dos coletivos para mostrar suas preocupações com a população ludovicense. Quase todos os que se manifestaram o fizeram com discurso convencional, já manjado, jogando o “absurdo” na conta do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).
O diferencial foi o deputado Yglésio Moisés (PROS), que ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa e por quase meia hora fez uma análise criteriosa e surpreendente dos problemas da mobilidade urbana na Capital, destacando aspectos importantes, mas pouco observados, do sistema de transporte coletivo de São Luís. Na sua abordagem, revelou, por exemplo, que a tarifa dos coletivos é tributada, enquanto serviço de transporte por aplicativo explorado em São Luís, a começar pela multinacional Uber, não paga um centavo de ISS, privando a Prefeitura de arrecadar cerca de R$ 1 milhão por mês, dinheiro que, na sua opinião, poderia ser usado na melhoria da infraestrutura e do sistema de transporte de massa.
O pré-candidato do PROS mostrou que saberá o que fazer na área se chegar ao Palácio de la Ravardière.
São Luís, 18 de Fevereiro de 2020.
Gestão eficiente, posições claras e reportagem de Veja colocam de vez Flávio Dino na corrida presidencial

De todos os momentos importantes que viveu desde que decidiu entrar no fechado, complexo, restrito e movediço circuito da política nacional, habitado pelas raríssimas personalidades dispostas a encarar a disputa pela Presidência da República, nenhum foi melhor e mais significativo para o governador Flávio Dino (PCdoB) do que a semana que passou. Foi um período em que ele expôs enfaticamente suas posições e opiniões numa entrevista ao canal virtual do jornal candango Correio Braziliense, debateu o Pacto Federativo com o experiente ex-governador capixaba Paulo Hartung (PSB) no Centro de Debates de Políticas Públicas (CDPP), rebateu declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), viu seu nome aparecer como terceiro colocado num dos cenários de uma pesquisa nacional sobre sucessão presidencial, e fechou a semana com a publicação, pela revista Veja, de ampla e consistente reportagem sobre seu Governo e sua atuação política. Desdobramentos de uma longa série de entrevistas, debates e posicionamentos políticos fortes – como a defesa do ex-presidente Lula da Silva (PT) e a proposta de formação de uma ampla frente reunindo centro e esquerda para enfrentar a direita conservadora, por exemplo -, os eventos da semana sinalizaram, pelo tom, que o governador do Maranhão desembarcou de vez, como protagonista, na cena política nacional.
Na reportagem de Veja – revista que defende ideias da direita liberal, mas que prima pela liberdade de expressão -, Flávio Dino é mostrado, sem rasgos de simpatia, como líder de um Governo bem-sucedido, que, apesar da crise que assolou o País, vem alcançando bons resultados nas áreas de saúde, educação e segurança pública, conseguindo fazer investimentos em infraestrutura e mantendo em dia o pagamento dos servidores públicos. A reportagem aponta também supostos problemas, mas no geral o identifica como um Governo inovador, correto e eficiente. Veja mostra que no campo político, além de dizimar o Grupo Sarney, Flávio Dino conseguiu a proeza de construir uma frente com 16 partidos, incluindo porta-vozes da direita liberal, como o DEM, por exemplo, indicando que esse projeto pode ser viável no plano nacional. Numa entrevista ao repórter Edoardo Ghirotto, admite que poderá disputar ser a Presidente da República, desde que candidato de uma frente ampla. Na sua visão, essa é a única maneira de destronar a direita conservadora do poder no País.
Independentemente do que vier a acontecer de agora por diante, e dos obstáculos que certamente surgirão na sua caminhada, Flávio Dino já é parte ativa e reconhecida do seleto grupo de presidenciáveis. Isso implica dizer que nenhum projeto de poder da Oposição, do PSDB ao PSOL, incluindo o PT, ganhará forma sem passar pelo Palácio dos Leões. No domínio pleno do espaço que ocupou, e que tende a ampliar, Flávio Dino tornou-se uma voz autorizada na banda oposicionista, e com a vantagem de alimentar um discurso crítico forte e fundamentado aos atuais mandarins da República sem o ranço da agressividade odienta. Fala com a autoridade de ex-juiz federal, com a didática de professor universitário, com a experiência de deputado federal apontado como excelente legislador, e com o cacife de líder de um Governo estadual que está dando certo. E aborda com igual proficiência os temas mais distintos, no que se revela um estudioso obstinado. Ninguém duvida de que num debate direto com o governador do Maranhão, o atual presidente da República será triturado.
Flávio Dino será candidato a presidente? Ele próprio responde: “Uma candidatura à Presidência só será colocada se houver um conjunto de forças me apoiando. Você não disputa uma eleição majoritária sozinho. Eu ganhei a eleição de governador duas vezes porque tinha um movimento coletivo de partidos que me sustentou. Se não houver esse conjunto de forças, então é claro que serei candidato ao Senado pelo Maranhão”. Ou seja, para ele, candidatura presidencial não pode ser fruto apenas da vontade do candidato, um ímpeto de vale-tudo, que tem de ser consolidado de qualquer maneira. Trata-se de um movimento maior, plural, em torno de um projeto consistente para mudar o País. Se as condições básicas – a começar pela frente partidária – forem construídas, tudo bem, ele pode entrar o jogo; se não, usará seu prestígio político para ser senador pelo Maranhão.
Vale registrar que todas as manifestações do governador do Maranhão são indicativos claros de que, diferentemente do que dizem alguns, ele não age com açodamento por haver alcançado espaço no cenário nacional. Ao contrário, demonstra estar com os pés firmes no chão.
PONTO & CONTRAPONTO
A indagação do momento: PDT e DEM vão mesmo se aliar na disputa em São Luís?

Resolvida a situação no PCdoB, com a candidatura do deputado federal licenciado Rubens Júnior e a filiação do deputado estadual Duarte Júnior ao Republicanos, numa equação que atendeu ao grego e ao troiano, a grande expectativa do meio político e dos observadores se volta agora para o PDT, mais especificamente para os movimentos do presidente do partido, senador Weverton Rocha.
Sem nome de peso para lançar na disputa, o mais provável é mesmo a articulação de uma aliança com o DEM em torno do deputado estadual Neto Evangelista. Weverton Rocha tentou fazer com que Neto Evangelista migrasse para o PDT, mas o presidente nacional do DEM, o prefeito de Salvador (BA) ACM Neto estrilou alto e barrou a operação. E defendeu a proposta inicial de lançar o deputado do DEM como candidato a prefeito com um vice indicado pelo PDT. Uma reunião recente entre as cúpulas do PDT e do DEM, em Brasília, confirmou o projeto de aliança e deixou no ar a impressão de que o acordo foi finalmente fechado. Resta ajustar a aliança e fazer o anúncio do casamento.
O que todos estão esperando é a posição do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Ele apoia esse projeto? Há quem diga que sim, mas há também que diga que não.
Sem líderes acreditados nem apoiadores assumidos, bolsonarismo não tem vez no Maranhão

O bolsonarismo parece mesmo não ter vez no Maranhão, a começar pelo fato de que seus porta-vozes mais ativos estão caminhando rapidamente para o ostracismo. A ex-prefeita Maura Jorge está politicamente fragilizada, cuidando de se manter à frente do braço maranhense da Funasa, agora agitado pela incerteza por conta da troca do comando nacional da autarquia. O coronel da reserva José Ribamar Monteiro continua à frente do braço maranhense da SPU, tendo assumido a tarefa de arranjar assinaturas para respaldar o partido que o chefe maior, o presidente Jair Bolsonaro, está tentando criar, o Aliança pelo Brasil. E o médico Allan Garcez, que depois de ter feito campanha para Bolsonaro no maranhão, participado do plano de governo, assumido um cargo de peso relativo terceiro escalão do no Ministério da Saúde, largou tudo para ser secretário de Saúde no Acre, mas acabou demitido pouco mais de um mês após assumir. Outros bolsonaristas de carteirinha, mas de cacife miúdo, simplesmente não existem no cenário político do Maranhão. E os aliados de proa no Congresso Nacional, como o senador Roberto Rocha, por exemplo, que pertence ao PSDB, o deputado federal Pastor Gildenemyr (Podemos), e a deputada estadual Mical Damasceno (PTB), não parecem nem um pouco interessados no embrião partidário de Jair Bolsonaro. Em resumo: salvo pela voz de alguns políticos desgarrados, de alguns prefeitos e de uma penca modesta de vereadores, ninguém mais está se arriscando a defender o Governo de Jair Bolsonaro nem fazer parte da sua base política.
São Luís, 17 de Janeiro de 2020.