Todos os posts de Ribarmar Correa

Candidatura de Bolsonaro pelo PL aliado ao PP pode levar Maranhãozinho a disputar os Leões

 

Jair Bolsonaro pode estimular Josimar de Maranhãozinho a disputar o Governo com o apoio de André Fufuca; Roberto Rocha pode seguir outra via na corrida aos Leões

A revelação de que o presidente Jair Bolsonaro se filiará ao Partido Liberal (PL) para concorrer à reeleição, e que a agremiação se juntará ao Partido Progressista (PP), dando-lhe a vaga de vice, movimentou ontem o cenário político nacional, como era esperado. E como não poderia deixar de ser, essa equação partidária em torno do presidente, cuja montagem deve ser concluída e consumada nos próximos dias, terá desdobramentos no Maranhão. Para começar, a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição abre caminho para uma dobradinha com a provável candidatura do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe maior do braço maranhense do PL, ao Governo do Estado. E se a aliança com PL/PP for confirmada, o PP, que tem como presidente nacional interino o deputado federal maranhense André Fufuca, provavelmente seguirá os passos do PL no rompimento com a base partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PSB). O movimento partidário em curso, se consumado, pode resolver a pendência partidária do senador Roberto Rocha, que se manteve até agora sem partido aguardando a definição do presidente.

Não há dúvidas de que a eventual candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição pelo PL, que muitos definem como a verdadeira “alma” do Centrão, colocará o deputado federal Josimar de Maranhãozinho numa situação próxima ao “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”. Isso porque, se até aqui sua pré-candidatura foi um blefe, como muitos acreditam, a partir da filiação do presidente ao PL, ele não mais poderá “brincar” de pré-candidato. Josimar de Maranhãozinho será obrigado, pelas circunstâncias políticas que envolvem o projeto de reeleição do presidente, a decidir, de maneira irreversível, se será mesmo, ou não, candidato a governador. Josimar de Maranhãozinho, que de bobo nada tem, dificilmente correrá o risco de entrar numa fria e ficar sem mandato por causa do projeto de sobrevivência política do presidente da República, cuja reeleição é hoje tida rigorosamente como incerta.

Nesse cenário, é quase certo que, em se confirmando a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL e, por conta disso, o partido some forças com o PP, todos os sinais indicam que o presidente do Progressistas, deputado federal André Fufuca, tirará o partido da aliança governista no Maranhão. O parlamentar, que está no exercício da presidência do partido pelo fato de o titular, senador Ciro Nogueira (PI), ter se afastado para comandar a Casa Civil no Governo Bolsonaro, dificilmente manterá o partido na aliança comandada pelo governador Flávio Dino. Como acontece com Josimar de Maranhãozinho, André Fufuca poderá enfrentar problemas para manter a unidade do seu partido no estado, correndo o risco de comprometer o seu projeto maior para o futuro, que é se reeleger deputado e se tornar candidato a governador, provavelmente em 2030. Sabe que apoiar a candidatura do presidente à reeleição pode conduzir a um gigantesco fiasco. Sua carreira até agora tem sido muito bem-sucedida para ser colocada em risco por conta da aventura bolsonarista.

O senador Roberto Rocha tem uma situação bem mais complexa. Não há dúvida de que, em princípio, desembarque de Jair Bolsonaro no PL beneficiará diretamente Josimar de Maranhãozinho, que certamente continuará no controle do partido. Resta saber se, no caso, Roberto Rocha se filiará ao PL para ser liderado por Maranhãozinho, mas com possibilidade de ser candidato a governador, ou se preferirá ser candidato a governador ou a senador pelo PP, onde será comandado pelo deputado André Fufuca. Com uma trajetória política sempre atuando como dirigente partidário, tendo presidido vários partidos no estado – os mais recentes foram o PSB e o PSDB -, Roberto Rocha tem experiência suficiente para saber que no seu caso o melhor mesmo será buscar uma terceira via partidária, que lhe dê o comando.

O que parece certo é que a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL, sob a liderança férrea do notório ex-deputado federal Waldemar Costa Neto, e a aliança com o PP certamente produzirão um projeto de candidatura ao Governo do Maranhão. Sem muita chance de sucesso, mas com o poder de fazer zoada durante a campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Missão (quase) impossível: vice nacional do PT vai tentar unificar o partido para 22

Lula da Silva apoia a missão de Márcio Macedo de tentar unir o PT do Maranhão

É de expectativa o clima dentro do PT com o desembarque, nesta quarta-feira, em São Luís, de uma comissão de dirigentes nacionais do partido, comandada pelo vice-presidente Márcio Macedo, para avaliar as tendências que movimentam o partido em relação às eleições do ano que vem. O foco principal, claro, é o projeto de candidatura de Felipe Camarão, que está em discussão dentro do partido.

Márcio Macedo encontrará no Maranhão um PT fortemente dividido em três correntes. Uma mobilizada em torno do projeto de candidatura de Felipe Camarão, formada por nomes fortes e prestigiados do partido, com atuação mais independente, como o professor Francisco Gonçalves. Outra, representada pelo comando estadual do partido, liderado pelo presidente Augusto Lobato, que propõe aliança com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), considerando a possibilidade de indicar o candidato a vice, repetindo a fórmula de 2010, quando o PT compôs com o PMDB e chegou ao poder com Washington Oliveira como vice de Roseana Sarney.  E uma terceira corrente, liderada pelo ex-vereador Honorato Fernandes, que comanda o partido em São Luís, e que já declarou apoio, para ele “irreversível”, à pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT). Além disso, há vozes isoladas pregando candidatura própria do partido.

Esse painel de tendências dá uma ideia do tamanho do abacaxi que Márcio Macedo e demais integrantes da missão terão de descascar se de fato pretendem unificar o partido em torno de um projeto comum. Mas é uma situação bem mais amena do que a encontrada pelo então presidente nacional Zé Dirceu, quando veio a São Luís, no início deste século, tentar, pela primeira vez, convencer o braço maranhense do PT a se aliar ao Grupo Sarney.

Depois de horas de conversa dura, com socos e caneladas verbais, e que não produziu o resultado esperado, Zé Dirceu desabafou com um jornalista: “O PT do Maranhão é o mais complicado do Brasil”. Outras ações, algumas envolvendo o próprio Lula da Silva, dobraram finalmente o PT, mas com o preço de o partido perder quadros importantes, como Domingos Dutra, que migrou para o PCdoB, e Bira do Pindaré, que se converteu ao PSB.

O detalhe a observar é que o grupo que apoia Felipe Camarão é praticamente o mesmo que se rebelou em 2010 contra a aliança PMDB/PT, tendo Washington Oliveira como vice de Roseana Sarney, e apoiou, aberta e ostensivamente, a candidatura do então deputado federal Flávio Dino (PCdoB).

 

Claudia Coutinho credenciada para o desafio de comandar o Grupo Coutinho

Claudia Coutinho deve suceder a Cleide Coutinho na AL e no comando do Grupo Coutinho com o aval do marido, Ferdinando Coutinho

Depois de causar a impressão de que estava desmoronando, ressentindo-se da falta de um líder capaz de preencher pelo menos parte da enorme lacuna aberta com a partida do deputado Humberto Coutinho, em janeiro de 2018, o Grupo Coutinho, que Caxias como base, dá sinais de estar se reinventando. E, ao contrário do que se poderia prever, esse movimento não tem origem exatamente em Caxias, mas na vizinha Matões, onde pontifica o prefeito reeleito Ferdinando Coutinho, cujo bom desempenho administrativo e político é fortalecido pela ação da primeira-dama Claudia Coutinho. A movimentação da consorte é tão forte, que ela ganhou o desafio de suceder a deputada Cleide Coutinho na Assembleia Legislativa e, por um processo natural, no comando do Grupo Coutinho, uma força política hoje com várias ramificações, sob risco de se desfazer, carecendo de uma nova liderança para unificá-lo. Outros nomes foram avaliados, mas ninguém se mostrou politicamente mais credenciado do que a primeira-dama de Matões. Ela se viabilizou no grupo com o aval do marido Ferdinando Coutinho, que depois de Cleide Coutinho, foi o verdadeiro braço direito de Humberto Coutinho. A ascensão de Claudia Coutinho à cúpula do Grupo Coutinho se deve, portanto, à sua veia política natural e ao apoio incondicional de Ferdinando Coutinho, que avalizou seu projeto de se candidatar a deputada estadual, com o objetivo de manter o espaço do Grupo Coutinho na Assembleia Legislativa e na política maranhense. A julgar pela trajetória eleitoral dos Coutinho, Claudia Coutinho entra na briga por cadeira na Assembleia Legislativa com cacife para sair das urnas com votação acima da média.

São Luís, 09 de Novembro de 2021.

Nomes fortes reforçam a previsão de que a eleição da bancada federal será o diferencial nas urnas

 

Josimar de Maranhãozinho, Márcio Jerry, Júnior Lourenço e Rubens Jr., por exemplo, devem se reeleger, mas terão suas posições ameaçadas por Roseana Sarney, Lobão Filho, Carlos Lula e Clayton Noleto na corrida à Câmara Federal no ano que vem

Em meio à forte expectativa que vem marcando a contagem regressiva para a reunião, prevista para acontecer até o final deste mês, na qual o governador Flávio Dino (PSB) e aliados definirão, ou não, o candidato da aliança partidária governista à sua sucessão, uma forte movimentação ganha volume no cenário político estadual: a disputa pelas 18 cadeiras da bancada maranhense na Câmara Federal. Confirmando previsão feita acerca de um ano pela Coluna, a julgar pelo cacife da grande parte dos atuais deputados federais e pela força política e eleitoral de alguns nomes que estão se apresentando como pré-candidatos, a eleição da nova bancada federal deverá fugir a todos os padrões vistos até agora nessa disputa. Os “bons de voto” que lideraram a corrida em 2018 agora enfrentarão concorrentes com poder de fogo difícil de medir, mas que certamente sairão das urnas com expressivas votações, provavelmente brigando por posições entre os mais votados.

Eleitos em 2018 com votações acima dos 100 mil votos, Josimar de Maranhãozinho (PL), Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PCdoB), André Fufuca (PP), Aluísio Mendes (PSC), Edilázio Jr. (PSD), Júnior Lourenço (PL), Pedro Lucas Fernandes (Aliança Brasil) e Cléber Verde (Republicanos) terão seus cacifes eleitorais testados com a entrada na disputa de nomes como a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), o ex-suplente de senador Lobão Filho (MDB), o secretário de Saúde, Carlos Lula (PSB), o secretário de Infraestrutura, Clayton Noleto (PCdoB), que já estão no jogo em movimentação aberta e intensa, e outros nomes que se preparam para entrar, como o ex-prefeito de Timon, Chico Leitoa (PDT) e, provavelmente, o ex-vereador de São Luís Roberto Rocha Filho (sem partido), visto por muitos como nome certo na futura bancada.

A grande expectativa dessa eleição está no desempenho da ex-governadora Roseana Sarney nas urnas. Isso porque uma das motivações da sua candidatura é receber um a grande quantidade de votos – há quem calcule entre 250 e 300 mil – e, assim, turbinar a representação do MDB na bancada, inclusive facilitando a reeleição dos deputados Hildo Rocha e João Marcelo. Não se sabe são certo qual será, por exemplo, o destino do deputado Josimar de Maranhãozinho, que está se apresentando como candidato “irreversível” a governador, mas avisando que pelo menos parte da sua montanha de votos será destinada à sua mulher, a deputada estadual Detinha (PL), que deverá ser candidata a deputada federal. Nesse contexto, ninguém duvida de que, se for mesmo candidato, o empresário Lobão Filho será beneficiado pelo prestígio político da sua família, com forte possibilidade de sair das urnas muito bem votado.

Nos bastidores são altas as apostas nos projetos de candidatura dos secretários Carlos Lula e Clayton Noleto. Reconhecido como o grande responsável pelo bom desempenho do Maranhão contra o coronavírus e pela montagem do sistema que vem tornando o Maranhão diferenciado na área de saúde pública, Carlos Lula caminha para as urnas com chances reais de eleição. O mesmo acontece com Clayton Noleto, que pelo desempenho no comando da Sinfra está credenciado a pleitear um mandato federal, que muitos enxergam como favas contadas. Na mesma direção está o secretário de Indústria, Comércio e Energia, Simplício Araújo (Solidariedade), que atua como pré-candidato a governador com o objetivo de conquistar uma cadeira na Câmara federal, dando um passo além da sua atual condição de primeiro suplente.

Nesse cenário de possibilidades, os ventos podem soprar favoravelmente a deputados de eleitorado forte como Bira do Pindaré, agora mais embalado pelo fortalecimento do seu partido, o PSB. Esses fluídos eleitorais bafejam também Juscelino Filho (Aliança Brasil), Marreca Filho (Patriotas), Zé Carlos (PT), Gil Cutrim (Republicanos) e Pastor Gildenemyr (PMN). Membro desse grupo desde Janeiro, quando herdou a vaga aberta na Câmara Federal com a eleição de Eduardo Braide para a Prefeitura de São Luís, Josivaldo JP é, por enquanto o principal nome do Podemos, o que lhe dá chances na disputa.

A verdade é que o quadro que ganha forma nessa seara reforça a certeza de que a corrida à Câmara Federal será o grande diferencial das eleições de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino reforça estrutura da UemaSul com implantação do Centro de Ciências Agrárias

Flávio Dino e Carlos Brandão comemoram inaugurações e decisões na UemaSul

Na semana que passou, o governador Flávio Dino deu mais uma demonstração de que transita na contramão da visão sombria do atual Governo Federal no que diz respeito à pesquisa e à educação. Na visita que fez a Imperatriz, quarta-feira (3), para marcar o quinto aniversário da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UemaSul), inaugurar o Centro de Ciências Agrárias da instituição, obra que custou R$ 20 milhões e que vai abrir um novo horizonte nas atividades agrárias da Região Tocantina. No mesmo evento, Flávio Dino também assinou edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) de apoio ao curso de Medicina da UemaSul, tendo ainda autorizado abertura de concurso público para o Centro de Ciências da Saúde (CCS).

Vista inicialmente com reservas e tendo até sido objeto de críticas, a criação da UemaSul, resultante da divisão da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), é hoje um projeto vitorioso e bem-sucedido, com campus próprios, instalações adequadas e estrutura que ganha espaço e equipamentos a cada semestre. O Centro de Ciências Agrárias inaugurado na semana passada é um bom exemplo de que os investimentos feitos ali produzem resultados. A UemaSul é parte de um programa de Educação que inclui o reforço da Uema-mãe, a adoção progressiva do ensino básico e médio em tempo integral, da implantação da rede de Iemas e das mais de mil unidades de Escola Digna. Trata-se de um programa sem similar neste momento em todo o País.

 

Othelino Neto é apontado como “republicano e democrático” no comando da Assembleia

Othelino Neto apontado como “republicano e democrático” no comando da Assembleia Legislativa

O deputado Othelino Neto (PCdoB) teve reforçada sua postura democrática e republicana como presidente da Assembleia Legislativa. Esses traços da sua atuação institucional com o chefe de Poder foram destacados pelo deputado Wellington do Curso (PSDB), que em discurso revelou que boa parte da sua atuação como parlamentar de oposição se deve às condições proporcionadas pelo presidente da Casa, que, segundo afirmou, dispensa tratamento igualitário e democrático a todos os deputados, sejam situacionistas ou oposicionistas. “O meu mandato, que é de oposição, de fiscalização e de denúncia, deve muito ao deputado Othelino Neto. E eu tenho respeito e gratidão, pois consigo realizar as minhas atividades parlamentares de forma democrática e republicana, porque temos um presidente que nos respeita”, frisou o deputado tucano.

De fato, é difícil encontrar entre os deputados estaduais e até mesmo no meio político em geral vozes que se manifestem em sentido contrário. Mesmo entre adversários, o presidente da Assembleia Legislativa é visto como um político com os pés no chão, que sabe administrar crises e que consegue manter a Casa como um parlamento normal, apesar das fortes tensões entre deputados causadas por pelas guerras pelo poder nas regiões. Não é sem razão que alguns chegam a cogitar noiva eleição para presidente em 23, caso renove o mandato parlamentar no ano que vem.

São Luís, 07 de Novembro de 2021.

 

Ao lançar sua pré-candidatura, Felipe Camarão torna a corrida sucessória mais intensa e imprevisível

 

Felipe Camarão fala no lançamento da sua pré-candidatura dentro do PT

Em meio a uma visível mal-estar nas fileiras de apoiadores do senador Weverton Rocha (PDT), que segundo as pesquisas feitas até agora lidera a corrida ao Palácio dos Leões, e a um silêncio cauteloso das forças alinhadas ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB), e também a um clima de expectativa entre os aliados do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD), o secretário de Estado da Educação Felipe Camarão (PT) lançou ontem sua pré-candidatura à sucessão no Governo do Maranhão. Com o ato, que repercutiu fortemente no meio político estadual, Felipe Camarão desembarcou de vez no cenário prévio da corrida ao Governo do Estado, contribuindo fortemente para aumentar as expectativas em relação à reunião, a ser realizada neste mês e na qual o governador Flávio Dino (PSB), juntamente com os líderes partidários da base governista, deve escolher o candidato do grupo à sua sucessão.

Um dos “ases de espada” da equipe do Governo Flávio Dino, responsável pelo gigantesco e bem-sucedido programa educacional em curso, o advogado Felipe Camarão entra na corrida sucessória com dois desafios pela frente: convencer o seu próprio partido, o PT, que está dividido entre o pedetista Weverton Rocha e o tucano Carlos Brandão, com vozes também defendendo candidatura própria, e mostrar viabilidade numa disputa em que os concorrentes já estão há tempos na estrada. A superação do primeiro desafio está bem encaminhada devido ao peso das forças que o apoiam dentro do partido. O segundo é que depende de uma pesquisa em que ele seja apontado como pré-candidato, o que deve acontecer nos próximos dias.

Desde que se consolidou como nome de proa do Governo Flávio Dino, Felipe Camarão passou a ser apontado como um nome com potencial para entrar na guerra pelo voto. Filiou-se ao DEM, foi sondado para disputar a Prefeitura de São Luís, e depois migrou para o PT, agora com um propósito claro: disputar mandato de deputado federal. A ciranda da corrida sucessória, porém, o empurrou para a restrita e desafiadora seara na qual se concentram os candidatos ao Governo do Estado. Incentivado dentro e fora do partido, ele deu uma guinada radical e decidiu entrar na briga pelo gabinete principal do Palácio dos Leões, tendo confirmado ontem esse propósito ao lançar sua pré-candidatura dentro do PT.

Ao contrário dos demais pré-candidatos da base governista, Felipe Camarão exibiu confiança no seu projeto de ser candidato e de chegar ao Governo do Estado. Durante o lançamento, ele mostrou que acredita que será o escolhido para suceder a Flávio Dino no comando do Governo do Maranhão. Mas, também ao contrário dos demais pré-candidatos, o secretário de Educação sugeriu que o governador adie a escolha para o ano que vem, mostrando-se confiante de que, se tiver mais tempo para consolidar seu projeto, será o escolhido:  “Creio que ano que vem, mais próximo de ele se desincompatibilizar e eu também, ele deverá escolher o seu sucessor e acredito plenamente que será o candidato do PT”. Na sua concepção, “agora é o momento do diálogo, do debate e do trabalho”.

Mesmo pressionado pelo complicado desafio de primeiro conquistar o apoio do PT para se tornar seu candidato, Felipe Camarão causa forte impacto no cenário da sucessão estadual. Isso porque, se vier a ser referendado pelo partido, ele ganhará, de cara, o suporte de uma poderosa estrutura partidária, o alinhamento de uma ativa militância e o direito de pedir votos em dobradinha com ex-presidente Lula da Silva, que tem forte influência eleitoral no Maranhão, liderando a corrida presidencial, e com o governador Flávio Dino, que comanda a aliança partidária e o favorito disparado à vaga no Senado.

O fato incontestável é que, com o lançamento da sua pré-candidatura, Felipe Camarão sacudiu de vez o cenário sucessório maranhense, levando todos os demais pré-candidatos a ajustarem suas estratégias, tornando a corrida ao Palácio dos Leões bem mais intensa e imprevisível.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ao se filiar ao PSB, Marco Aurélio diz que Carlos Lula será “puxador” de votos

Apoiado por Flávio Dino e Carlos Lula, Marco Aurélio exibe sua ficha de filiação ao PSB, em ato realizado em Imperatriz

O secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, foi a grande estrela do ato de filiação do deputado Marco Aurélio ao PSB, ontem, em Imperatriz. Também filiado ao partido, ele teve sua pré-candidatura à Câmara Federal como fato consumado, o que ratifica a convicção da Coluna de que a corrida pelas 18 cadeiras da bancada maranhense será, de longe, a mais renhida dos últimos tempos. Ao assinar sua ficha de filiação ao PSB, na presença do governador Flávio Dino, o deputado Marco Aurélio, que é candidato à reeleição, turbinou potencial eleitoral do secretário de Saúde, fazendo a seguinte previsão: “Carlos Lula vai ser o grande puxador de voto do PSB. Vai trazer 100 mil votos e vai me puxar também”.

A declaração do deputado Masco Aurélio foi reforçada pelo governador Flávio Dino, que elogiou o desempenho de Carlos Lula no comando da párea de Saúde: “Tenho muito orgulho de termos conseguindo enfrentar a maior crise de saúde pública da humanidade e de hoje o Maranhão ser referência para o país inteiro. O secretário Carlos Lula foi reeleito presidente do Conass por reconhecimento a esse trabalho de combate a pandemia. Ele tem autoridade política para representar todos os secretários do país”.

O governador justificou o elogio ao secretário de Saúde lembrando que no início da gestão o Estado dispunha de apenas 25 cadeiras de hemodiálise e atualmente são mais de 400 cadeiras disponíveis em todas as regiões do Maranhão, bem como a para ele histórica expansão dos leitos executa desde de 2015:  “Tínhamos leitos de UTI em apenas três cidades maranhense, hoje temos 7 vezes mais que esse número e foi por isso que salvamos vidas”, finalizou.

Realizado no Palácio do Comércio de Imperatriz, o ato filiação do deputado estadual Marco Aurélio ao PSB serviu para dar uma ideia de como será dura a disputa pelas cadeiras do Maranhão na Câmara Federal.

 

Weverton Rocha propõe regras para normatizar o mercado de crédito de carbono no Brasil

Weverton Rocha propõe regras para normatizar o mercado de crédito de carbono no Brasil, de acordo com a COP 26

Mesmo mergulhado na pré-campanha para consolidar o seu projeto de candidatura ao Governo do Estado, o senador Weverton Rocha (PDT) não descuida das suas obrigações parlamentares e mantém sua posição de legislador produtivo. Sua iniciativa mais recente foi a apresentação de Projeto de Lei que regulamenta o mercado de negociação de créditos de carbono. Na linha da Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP 26), realizada há duas semanas na Itália, a proposta cria normas que viabilizam a venda e ganho de capital pelas empresas que entrarem no Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE) com a intenção de diminuírem os gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera.

“O texto estabelece um novo modo de funcionamento desse mercado, que foi criado em 2009 e até hoje não se consegue operacionalizar”, justificou o senador, destacando que a viabilidade do mercado de carbono só se dará com as regras contidas no seu projeto. Weverton Rocha propõe que a preservação da vegetação nativa, o fomento às ações de mitigação da mudança do clima por meio da negociação de títulos representativos de emissões de gases de efeito estufa (GEE) evitadas certificadas e a adoção de tecnologias menos intensivas em carbono sejam condições indispensáveis.

Para o senador, o mercado de créditos de carbono é uma alternativa econômica viável para incentivar empresas a reduzirem a emissão de GEE na atmosfera. “O objetivo central deste projeto é regulamentar um mercado que ninguém sabe exatamente como funciona. As transações em créditos de carbono podem incentivar empresas e governos a reduzir as emissões de poluentes, mas precisam de regulamentação”, explicou Weverton Rocha.

Em Tempo: como estado em parte amazônico, o Maranhão tem muito a ver com o mercado de crédito de carbono.

São Luís, 05 de Novembro de 2021.

Felipe Camarão e Weverton Rocha travam disputa pelo apoio de Lula; Carlos Brandão corre por fora

 

Lula da Silva (centro) tem apoio disputado por Felipe Camarão e Weverton Rocha na corrida ao Governo

Líder folgado na corrida à Presidência da República, com cacife para vencer, com boa vantagem, todos os concorrentes, a começar pelo presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido), num eventual segundo turno da eleição presidencial do ano que vem, sendo favorito disparado no Maranhão, o ex-presidente Lula da Silva (PT), está sendo disputado fortemente por dois pré-candidatos ao Palácio dos Leões: o secretário de Educação Felipe Camarão (PT) e o senador Weverton Rocha (PDT). Os dois estão em campanha aberta e renhida pelo apoio do líder petista, que deverá se posicionar em breve, provavelmente depois que o governador Flávio Dino (PSB) reunir, em algum dia deste mês, os partidos da base governista, para bater o martelo do consenso em torno de um candidato do grupo à sua sucessão. Além deles, numa outra perspectiva, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) também se movimenta para atrair o apoio do ex-presidente, tendo inclusive já obtido o aval comando petista no Maranhão, num processo político complicado que ainda está em evolução. No momento, a queda de braço por Lula da Silva está sendo travada mais ostensivamente pelo petista e pelo pedetista.

Não é uma disputa entre concorrentes cordatos. Felipe Camarão e Weverton Rocha estão usando todos os espaços e estratagemas que podem numa pré-campanha para convencer o ex-presidente a se manifestar por um deles, recorrendo também, cada um a seu modo, a artifícios de mídia para convencer o eleitorado de que estão com Lula da Silva e que Lula da Silva está com ele. Desde o início da semana, Felipe Camarão veicula nas suas redes sociais e em espaços aliados dele na internet um cartaz em que ele e Lula da Silva aparecem sorrindo como aliados. Weverton Rocha não ficou atrás: há alguns dias ônibus circulam em São Luís com um cartaz com imagem em que ele aparece ao lado do líder petistas como velhos parceiros.

Essa medição de força pelo apoio do ex-presidente ganhou intensidade nos últimos dias, devido principalmente ao fato de que Felipe Camarão submeterá hoje seu projeto de candidatura ao aval do PT, apostando, naturalmente, que a eventual aceitação do seu pleito pelo partido significará o alinhamento automático do ex-presidente Lula da Silva à sua pré-candidatura. A investida de Felipe Camarão, que já conta com importantes setores do PT maranhense, tem recebido críticas de porta-vozes informais do pré-candidato pedetista. Eles implicam com o fato de Felipe Camarão ser oriundo do DEM e recém convertido ao petismo pretender o apoio de Lula da Silva, enquanto Weverton Rocha, tendo nascido e crescido no PDT, um dos aliados preferenciais do PT, estaria mais próximo e mais identificado com o líder petista.

Na disputa pela influência do líder petista na corrida ao Governo do Estado, Felipe Camarão estaria em vantagem devido ao fato de pertencer ao partido, independentemente de sua conversão ao petismo ser recente. Há, porém, quem veja Weverton Rocha com maior cacife para ganhar o apoio do ex-presidente, devido principalmente ao fato de que, mesmo numa relação de muitos tapas e beijos, os PT e PDT sempre estiveram do mesmo lado. Esses pontos favoráveis a cada um sugerem que muita água ainda rolará até que Lula da Silva anuncie sua escolha.

Ao contrário do que muitos imaginam, a disputa entre Felipe Camarão e Weverton Rocha pelo apoio de Lula da Silva não está desanimando o vice-governador Carlos Brandão, que corre por fora articulando uma aliança com o PT, que já contou com o aval da cúpula estadual do partido. Carlos Brandão sabe que suas chances nessa disputa são modestas, mas acredita que o apoio do PT e de Lula da Silva ao seu projeto de candidatura não uma impossibilidade, e pode se tornar uma realidade.

Vale destacar que o troféu desse jogo vai além do puro e simples apoio de Lula da Silva. Junto com ele, o PT garante bom tempo de TV e rádio e a mobilização da sua militância, instrumentos importantes na corrida ao voto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lahesio Bonfim entra no PTB e será liderado pela terrivelmente evangélica Mical Damasceno

Lahesio Bonfim entra no PTB para ser liderado por Mical Damasceno e Roberto Jefferson na corrida aos Leões

O prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, já não é mais um sem-partido, como continua seu ídolo maior, o presidente Jair Bolsonaro, que está enfrentando enormes dificuldades para encontrar um abrigo partidário. Semanas depois de anunciar que se filiaria a “um grande partido” para disputar o Governo do Estado, Lahesio Bonfim armou barraca no PTB, que depois de ter vivido bons momentos como o legado político de Getúlio Vargas e João Goulart, encontra-se hoje relegado à condição de um simulacro de partido.

O terrivelmente evangélico prefeito de São Pedro dos Crentes, um município terrivelmente evangélico, será liderado pela terrivelmente evangélica deputada Mical Damasceno, escalada pelo presidente nacional, o visivelmente desequilibrado ex-deputado federal Roberto Jefferson – preso exatamente por se tornar um desequilibrado armado e perigoso – para comandar o braço maranhense da agremiação. E é nessa condição, com as “bênçãos” de Roberto Jefferson e Mical Damasceno, que ele pretende oficializar sua candidatura, apresentando-se como “o melhor prefeito da história do Maranhão”.

De acordo com as pesquisas divulgadas até aqui, o agora petebista Lahesio Bonfim contabiliza pelo menos um ganho real nessa corrida: disputa, de igual para igual, a sexta colocação na preferência do eleitorado com o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL).

 

CPI sobre transportes pode prestar grande serviço a São Luís

CPI proposta por Marquinhos e Chico Carvalho poderá desmontar o engodo do “ônibus novo” e esclarecer o domínio do “transporte alternativo” em São Luís

Se vier a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar, sem manipulações, o serviço municipal de transporte coletivo, como querem os vereadores Marquinhos (DEM) e Chico Carvalho (PROS), a Câmara Municipal de São Luís terá uma oportunidade de ouro para prestar um bom serviço à população da Capital.

Para começar, poderá desmontar a farsa segundo a qual a frota de ônibus tem sido renovada. Poderá mostrar que isso não existe e o que tem sido vendido como veículos saídos de fábrica são, na verdade, refugos adquiridos por ninharia a grandes frotas de São Paulo e restaurados de modo a parecerem novos. Ontem, numa reportagem reveladora, a TV Mirante mostrou pelo menos três ônibus da frota “renovada” em pane nos acostamentos, atrapalhando o tráfego.

A CPI poderá virar pelo avesso e colocar em pratos limpos o que de fato ocorre para que a população de São Luís seja tão maltratada por um serviço de transporte urbano obsoleto e ineficaz. E também oferecer ao usuário uma explicação plausível para o domínio ostensivo do chamado “transporte alternativo” – automóveis, vans e uma frota fora de controle dos carros ligados a aplicativos -, que “atropelam” o sistema de coletivos e infernizam o trânsito em determinadas áreas da cidade.

Em Tempo: A CPI da Câmara Municipal poderá finalmente informar ao contribuinte o destino do VLT, um mini trem que custou R$ 5 milhões, pagos à vista, em 2012, pela gestão que terminava, e que ligaria o Aterro do Bacanga ao Aeroporto do Tirirical, mas que foi arrancado dos trilhos e trancafiado num galpão no Anjo da Guarda, de onde nunca mais saiu.

Como se vê, a CPI tem muito a investigar e a esclarecer.

São Luís, 04 de Novembro de 2021.

Marco Aurélio anuncia saída do PCdoB para ingressar no PSB, que deve ganhar mais força

 

Marco Aurélio: migrando do PCdoB para o PSB, conforme ele mesmo anunciou

O deputado estadual Marco Aurélio, líder do bloco governista na Assembleia Legislativa, anunciou que vai deixar o PCdoB para ingressar no PSB. A migração partidária do parlamentar, que te, por base a Região Tocantina, é marco expressivo no cenário político maranhense do momento, onde é intensa a movimentação migratória na seara dos partidos. Além disso, a conversão do deputado tocantino ao socialismo democrático tem uma série de implicações, que vão dos efeitos da mudança na trajetória do próprio parlamentar ao tamanho que o partido comandado pelo governador Flávio Dino vai alcançar. O movimento de Marco Aurélio deve consolidar outros projetos de mudança para o PSB, como o do deputado Antônio Pereira, também de base tocantina, que anunciou: deixará o DEM para se tornar um militante do PSB. Com a migração, o deputado Marco Aurélio, que vinha atuando alinhado ao senador Weverton Rocha (PDT) na corrida prévia ao Palácio dos Leões, poderá dar uma guinada quando filiado ao PSB. A mudança se dará quando a janela para troca partidária se abrir, conforme ele próprio previu.

O passo anunciado pelo deputado Marco Aurélio não é um movimento qualquer, a começar pelo fato de que ele não é um deputado qualquer. Professor por profissão e político por convicção, Marco Aurélio é um deputado diferenciado, que alia consciência política a ética política, o que o torna um exemplo de parlamentar bem próximo do chamado “politicamente correto”. Foi assim nos dois mandatos de vereador de Imperatriz, e está sendo assim nos dois mandatos na Assembleia Legislativa, onde chegou em 2015 como um dos ases do movimento vitorioso nas eleições de 2014. Governista convicto, aliado de proa do governador Flávio Dino, sempre atuou como tal dentro e fora do plenário, não deixando qualquer réstia de dúvida sobre sua posição. Assim disputou, sem sucesso, a Prefeitura de Imperatriz em 2020, mas saiu das urnas com a trajetória e a dignidade intactas.

Com a filiação do deputado Marco Aurélio, o governador Flávio Dino vê seu novo partido ganhar um quadro de excelência, e abrindo caminho para outras filiações, como a do também deputado tocantino Antônio Pereira, que anunciou sua saída do DEM para ingressar no PSB. Marco Aurélio deverá comandar o braço do partido na Região Tocantina, a partir de Imperatriz, onde tem sua base mais forte – a tarefa de comandar o PCdoB naquela região sempre foi do secretário de Infraestrutura, Clayton Noleto, pré-candidato a deputado federal. A expectativa é a de que, junto com Clayton Noleto e Antônio Pereira, forme na macrorregião política polarizada por Imperatriz uma frente de apoio ao candidato que vier a ser apoiado pelo governador Flávio Dino e pelos partidos da sua base.

Já contando com os deputados Duarte Jr. e Edson Araújo, dois “bons de voto”, o PSB ampliará significativamente seu cacife na Assembleia Legislativa com a filiação do deputado Marco Aurélio. Nos bastidores, especulações preveem mais pelo menos cinco filiações ao PSB, em março, o que dará ao partido a maior bancada na base de apoio do Governo Carlos Brandão (PSDB). Especula-se também que, além de Rubens Júnior, que deve deixar o PCdoB, outros dois deputados federais poderão ingressar no PSB, igualando-se, numericamente, ao PL, controlado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Há quem preveja que o PSB será bem maior, mas isso só será confirmado com a abertura da janela, em março, quando parlamentares poderão mudar de partido sem correr o risco de perder o mandato, conforme a regra em vigor.

Na nota que divulgou anunciando a migração, Marco Aurélio agradeceu acolhida do PCdoB pelos anos que pertenceu aos seus quadros: “Foram 12 anos de muitas lutas e vitórias. Sou grato por todo o companheirismo! Essas lutas continuarão, pois permaneceremos do mesmo lado, o lado do povo. Estarei me filiando ao PSB, partido do governador Flávio Dino e nossa jornada segue com muita gratidão, renovando nossos compromissos de luta”.

A ciranda de migrações partidárias deve ganhar intensidade nos próximos meses.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Moro no Podemos tira Braide da zona de conforto e aciona artilharia de Dino

Sérgio Moro no Podemos mexe com Eduardo Braide e atrai Flávio Dino para o confronto

Se vier a ser confirmada, a filiação do ex-ministro Sérgio Moro ao Podemos, anunciada para o próximo dia 10, abrindo caminho para disputar votos, provavelmente na corrida à Presidência da República, terá desdobramentos no cenário político do Maranhão.

Para começar, vai tirar o prefeito Eduardo Braide da “zona de conforto” por não ter candidato a presidente e atirá-lo para a linha de frente da campanha do ex-ministro, seu colega de partido. Figura proeminente do Podemos, por comandar uma cidade com mais de 600 mil eleitores, onde Sérgio Moro não é visto com simpatia, o prefeito de São Luís certamente será acionado pelo comando partidário para entrar na “guerra” eleitoral, na qual o provável candidato do Podemos enfrentará seu ex-líder e hoje arqui-inimigo, o presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido), e sua vítima judicial e hoje inocentada, o ex-presidente Lula da Silva (PT), que não quer vê-lo nem pelas  costas, quando mais sentado na cadeira que ele ocupou quando comandou o País. Não se sabe o que o sempre discreto e reservado prefeito Eduardo Braide pensa do projeto de candidatura presidencial do ex-chefe da Lava Jato.

Na outras ponta, a provável candidatura de Sérgio Moro enfrentará oposição implacável do governador Flávio Dino (PSB), que o criticou duramente pelas lambanças da Lava Jato e pela sua decisão de deixar a magistratura para ser ministro do Governo Bolsonaro. Para se ter uma ideia do que virá por daí, caso Sérgio Moro se candidate a presidente, ontem, tão logo foi informado da iminente filiação dele ao Podemos, Flávio Dino postou no Instagram: “O conceito de justo não é adequado para um juiz que foi declarado incompetente e suspeito pelo Supremo Tribunal Federal. Tampouco pode ser considerado justo alguém que alimentou e serviu alegremente a Bolsonaro até ser descartado”.

Como se vê, vem chumbo grosso por aí.

 

Fantástico mostra obra suspeita do Fórum de Imperatriz e constrange o Judiciário

Carcaça do Fórum de Imperatriz constrange o TJ

É de constrangimento e tensão o clima criado nos bastidores do Tribunal de Justiça do Maranhão por causa da reportagem veiculada domingo (31/10), no Fantástico, da Rede Globo, revelando o escandaloso caso da construção do Fórum de Imperatriz, que já consumiu R$ 75 milhões do contribuinte maranhense, está com as obras suspensas e com a aparência de escombros abandonados, e que, segundo cálculos do momento, precisa de R$ 147 milhões para ser concluído. O escândalo foi mostrado no quadro “Cadê o dinheiro que estava aqui?!”, que via de regra aborda crimes graves de corrupção no serviço público.

A obra começou na presidência da desembargadora Cleonice Freire, já falecida, e ganhou corpo da gestão do desembargador-presidente Guerreiro Júnior, quando estancou por falta de dinheiro e de dotação orçamentária. Os presidentes seguintes – desembargadores Cleones Cunha, José Joaquim Figueiredo dos Anjos e Lourival Serejo (atual) – não souberam o que fazer com o esqueleto, que começou sendo de concreto e depois passou a ser de estrutura metálica, e não tem dotação orçamentária para ser concluído.

O caso foi denunciado pelo Ministério Público, que além de apontar irregularidades cabeludas na execução da obra, ocupa o prédio ao lado, bem estruturado e que foi construído com módicos R$ 9 milhões.

O destino do “esqueleto judiciário” de Imperatriz é incerto. Até o momento só tem servido para constranger a cúpula do Poder Judiciário do Maranhão.

São Luís, 03 de Novembro de 2021.

Braide superou crise dos transportes na mesa de negociações, evitando tensões e confrontos

 

Eduardo Braide anuncia o fim da greve nos transportes: negociação sem confronto

O sistema de transporte coletivo de São Luís voltou a operar ontem, no final da tarde, e o serviço deve ser plenamente normalizado neste feriado, Dia de Finados, depois de 12 dias de paralisação. E com um compromisso respeitado: aumento de 5% nos salários dos rodoviários – motoristas e cobradores -, mas sem um centavo de aumento nas passagens. O ponto final na greve, que fora causada por um descompasso nos custos e pela reivindicação por aumento salarial por rodoviários, foi possível depois de intensas negociações, durante as quais o prefeito Eduardo Braide (Podemos) manteve o compromisso de não autorizar majoração no valor das tarifas, evitando assim que o ônus desse acordo saia do bolso do cidadão. Foi a primeira vez em anos que a “peleja” anual de rodoviários, empresários do setor e Prefeitura de São Luís terminou sem que a fatia maior da conta tenha sido debitada diretamente na conta do usuário, na forma de aumento de tarifa. E mais do que isso: em nenhum momento dos dias parados houve atos de violência, além da tensão natural que esse tipo de situação produz.

Na edição do dia 26, com a greve em andamento, a Coluna comentou o quadro daquele momento registrando a postura de firmeza e habilidade com que o prefeito Eduardo Braide vinha conduzindo a crise, e prevendo que ele não se dobraria ao jogo de pressão das “cobras criadas” desse sistema – empresários e líderes sindicais rodoviários. E também previu que muito provavelmente ele articularia uma solução oferecendo algum “subsídio” bancado com dinheiro público, mas que pouparia o usuário de pagar a conta no arremate final. O comentário provocou alguns comentários em sentido contrário, entre eles uns afirmando que o prefeito não suportaria a pressão e se dobraria concedendo o aumento de tarifa reivindicado pelos empresários com o aval dos rodoviários. Os fatos mostraram que a Coluna estava com a razão.

Dessa vez, a paralisação impôs os mesmos transtornos à população e danos corrosivos de sempre à economia municipal, principalmente na área de comércio, mas ocorreu sem tensões nem confrontos de rua, sem ônibus incendiados nem prisão de manifestantes. Isso foi possível, em grande medida, devido à postura do prefeito Eduardo Braide, marcada pelo pragmatismo, pela firmeza e pelo bom senso. Ele permitiu que a corda fosse esticada na medida certa, mas sem deixar que a fanfarronice política levasse o jogo de interesse um toma-lá-dá-cá. O processo foi tão bem conduzido que não restou espaço para a turma periférica da política pudesse tirar “uma lasca” em benefício próprio. Isso porque o prefeito encarou a pressão naturalmente, sem dar à greve uma roupagem catastrófica.

A chave dessa “normalidade” foi o fato de o prefeito Eduardo Braide ter se preparado reunindo meios para colocar na mesa de negociações, como auxílio emergencial e aumento de salário para os rodoviários e subsídios da Prefeitura às empresas – R$ 12 milhões em quatro meses, segundo o deputado estadual Yglésio Moyses (PROS), evitando assim que uma conta chegasse ácida aos mais de 600 mil usuários diários do sistema em São Luís. Foi assim, buscando concessões e compensações, que ele chegou a um aumento de 5% nos salários, 6% no vale-alimentação, o não desconto dos dias parados e nenhum centavo a mais nas tarifas, por enquanto.

No comentário do dia 26, a Coluna anotou que o prefeito Eduardo Braide é um político centrado, que se movimenta com o juízo e não com o fígado, que amadurece suas posições calculando possibilidade de ganho e risco de perda. Quando, no início da greve, ele declarou que não haveria aumento de preço nas passagens de ônibus, certamente já tinha cacife para sentar à mesa de negociações. E não foi surpresa quando ontem anunciou o fim da greve sem que o valor das passagens tenha sido aumentado, valendo a avaliação de que ele passou na sua segunda “prova de fogo”- a primeira foi a pandemia. Até quando essa normalidade permanecerá é difícil prever, mas quem conhece o prefeito Eduardo Braide sabe que ele não será apanhado de surpresa, sem munição para contra-atacar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton repete evento de massa em Peritoró, dando força à pré-campanha

Weverton Rocha recebe o apoio do prefeito Luiz Amovelar Filho (PT) e do presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, no evento de Peritoró

Articuladores da pré-campanha do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado deixaram Peritoró, na noite de sábado, em clima de euforia com o resultado da edição do projeto “Maranhão mais feliz” naquele município. Um deles afirmou não ter dúvidas de que o líder pedetista será candidato a governador, “em qualquer situação”, com cacife para chegar ao Palácio dos Leões. Para essa fonte, três aspectos do evento de Peritoró indicaram a força do senador nessa faze prévia da corrida aos Leões: a presença massiva da população de Peritoró, o discurso do prefeito de Coroatá, Luiz (PT), e o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), ao projeto de candidatura.

No seu discurso, o senador Weverton Rocha se disse entusiasmado com os eventos da pré-campanha: “Além da adesão da classe política, a população como um todo tem participado em grande número. Isso nos dá a responsabilidade de saber que estamos no caminho certo e, claro, nos preparar para esse importante desafio, que é ajudar o Maranhão a ser mais feliz”, disse o senador.

Antes dele, o deputado Othelino Neto, o mais ativo e importante avalista do projeto, destacou a série de eventos “Maranhão mais feliz”, assinalando que, neles, o pré-candidato do PDT tem ouvido e anotado as demandas das regiões por onde tem passado, e que a população está assimilando e se envolvendo no projeto. “É muito bom ver que, a cada edição, mais pessoas estão participando e levando a mensagem desse grande movimento que tem buscado ouvir a população para a construção de um estado cada vez mais forte”, frisou o parlamentar.

Já o prefeito reeleito de Coroatá, Luiz da Amovelar Filho (PT), declarou apoio determinado a Weverton Rocha, o que reforça seus movimentos na corrida pelo apoio petista. “Assim como eu fui o prefeito mais jovem da história de Coroatá, com apenas 21 anos, eu tenho certeza que você vai ser o governador mais jovem do nosso estado”, declarou. O prefeito de Peritoró, Josué Júnior (PP), disse acreditar no movimento e num eventual governo de Weverton Rocha. Outros prefeitos marcaram presença: o de Cajari, José Constâncio (PDT), a de Pedreiras, Vanessa Maia (Solidariedade) e o de São Benedito do Rio Preto, Wallas Rocha (PSC), participaram do ato, totalizando 85 prefeitos que já marcaram presença no “Maranhão Mais Feliz”. A eles se somaram os deputados estaduais Neto Evangelista (DEM) e Ciro Neto (PP), vice-prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, entre outras lideranças.

 

Brandão se mostra coerente ao participar da prévia tucana para presidente

Na presença de Tasso jereissati e de José Reinaldo, Carlos Brandão declara apoio a Eduardo Leite na prévia tucana

O vice-governador Carlos Brandão se posicionou pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, nas prévias do seu partido, o PSDB, para escolher o candidato a presidente da República. Ao contrário do que alfinetaram alguns adversários, sua participação no processo tucano de escolha de candidato presidencial mostra que o vice-governador tem identidade partidária. Isso não significa que ele esteja impedido de batalhar pelo apoio do PT. Faz parte do jogo político, principalmente nas montagens para eleições. Vale lembrar que Carlos Brandão não caiu de paraquedas no PSDB. Ele foi deputado federal duas vezes pelo partido e só o deixou em 2016 quando o senador Roberto Rocha, usando o peso do mandato recém iniciado, retomou o controle do partido, que manteve até 2021, quando Carlos Brandão, que estava abrigado no Republicanos, retomou o controle do ninho dos tucanos no Maranhão. O fato é que o vice-governador parece saber exatamente o que está fazendo quando participa da prévia e escolhe seu candidato a candidato a presidente pelos tucanos.

São Luís, 02 de Outubro de 2021.

Dino confirma reunião da base partidária em Novembro para definir candidato à sua sucessão

 

Flávio Dino e partidos escolherão entre Weverton Rocha, Carlos Brandão, Felipe Camarão e Simplício Araújo

O mês de Novembro, que começa nesta segunda-feira, será mesmo decisivo para a definição do candidato das forças governistas que enfrentará as urnas do ano que vem pelo comando do Governo do Estado. “Como eu me comprometi, reunirei os partidos que compõem o Governo em Novembro”, declarou ontem o governador Flávio Dino (PSB) em resposta a indagação feita pela Coluna, confirmado informação que dera há pouco mais de um mês. Com a confirmação, o governador, que coordena as articulações para a escolha de um candidato da aliança que lidera à sua própria sucessão, mostra que está determinado a cumprir o roteiro montado em Janeiro, quando ele e líderes desses partidos firmaram um documento contendo alguns critérios para balizar a escolha. De lá para cá, muita coisa aconteceu, dentro e fora da aliança, mas, de acordo com o governador, o compromisso está mantido, apesar de alguns movimentos destinados a quebrar o acordo, como a renhida disputa entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), recentemente incrementada pela entrada do secretário de Educação, Felipe Camarão (PT), e da determnação do secretario de Indústria, Comércio e Energia Simplício Araújo (Solidariedade).  Quanto aos partidos, acontecimentos surpreendentes alteraram muito o peso de alguns deles, o que pode influenciar no desfecho da reunião de Novembro.

A disputa Weverton/Brandão segue intensa e dura, mas ainda civilizada, em que pesem os “empurrões e caneladas” trocados nos bastidores e com reflexos na blogosfera partidarizada, onde é travada uma cruenta guerra de informação. O pré-candidato pedetista cumpre a agenda do projeto “Maranhão mais feliz”, grandes eventos de massa, como o realizado na noite deste sábado em Peritoró, no qual reuniu prefeitos e vereadores de uma região que envolve mais de uma dezena de municípios, mais a população local, a exemplo do que já fez em vários municípios-polo, além de outras ações políticas com viés eleitoral. Carlos Brandão não fica atrás: participa de eventos políticos organizados por seus partidários, segue cumprindo agendas representando o governador e lidera manifestações organizados por partidários nos mais deferentes recantos, além de cumprir uma lotada agenda de conversas com prefeitos. Felipe Camarão (PT), faz uma frenética articulação doméstica, para convencer o seu partido a lança-lo candidato a governador, de modo que ele participe como uma das opções no processo de escolha. Simplício Araújo mantém sua pré-candidatura.

No campo partidário, o cenário é claro para partidos como PDT, PSDB, PT, PSB e PCdoB, para citar os mais fortes, e nebuloso para DEM, PSL, PTB, Republicanos e PP, mergulhados na indefinição. O PDT, mesmo com algumas dissenções, está mobilizado em torno de Weverton Rocha, enquanto o PSDB está “fechado” com Carlos Brandão, e o PT, dividido em várias correntes, ainda não bateu martelo em relação a Felipe Camarão, embora já seja nítido o crescimento do seu espaço dentro do partido.

Nesse campo, o PSB – que está se transformando numa potência partidária – tende a apoiar Carlos Brandão, mas com uma fatia inclinada por Felipe Camarão, como a sinalização feita pelo deputado federal Bira do Pindaré, e uma terceira corrente, mais especificamente o Grupo Leitoa, de Timon, alinhada à Weverton Rocha. O PCdoB também está dividido, com quadros alinhados a Weverton Rocha – como os deputados Othelino Neto, presidente da AL, e Marco Aurélio, líder do bloco governista -, e a Carlos Brandão – como o deputado federal Rubens Jr. e deputada estadual Ana do Gás, entre outros.

Partidos como DEM, PSL, PTB e Republicanos, que pareciam fortes, estão perdendo o rumo. DEM e PSL se fundiram no plano nacional e criaram no plano estadual um monstrengo partidário que ninguém sabe para onde irá. O Republicanos, mesmo declarando apoio a Weverton Rocha, tem boa parte dos seus prefeitos já alinhados com Carlos Brandão. E o PTB, que antes era uma garantia na aliança governista e tendia a apoiar Weverton Rocha, foi atacado pela loucura do presidente Roberto Jefferson, que num acesso de fúria, tirou o comando do centrado deputado federal Pedro Lucas Fernandes e o entregou à deputada estadual Mical Damasceno, “terrivelmente evangélica” e “bolsonarista de raiz”, que deve apoiar o senador Roberto Rocha (sem partido), se ele vier a ser candidato a governador.

E o PP? Continua estável, permanece na base governista liderada pelo governador Flávio Dino, mas poderá mudar radicalmente sua posição se o presidente Jair Bolsonaro e sua turma a ele se filiarem, como querem seus chefes.

É esse complexo conjunto partidário que o governador Flávio Dino reunirá num dia qualquer do mês de Novembro, que será iniciado amanhã, Dia de Todos os Santos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PROS: Carvalho dá a volta por cima e ganha comando que Gastão deixou escapar

Chico Carvalho assume comando do PROS, deixado por Gastão Vieira

A mudança de comando no braço maranhense do PROS, consumada na semana que passou, está marcada por duas situações curiosas. Uma, a ascensão do vereador Chico Carvalho (74 anos) à direção do partido; outra, a saída do suplente de deputado federal no exercício do mandato Gastão Vieira (75 anos) da presidência da agremiação no estado.

Chico Carvalho comandou o PSL no estado durante uma década e meia, rompeu com o partido por divergir dos rumos que a legenda vinha ganhando no Maranhão e se filiou ao PROS, assumindo a chefia em São Luís, e agora recebe o comando estadual, numa surpreendente demonstração de vitalidade política. Sua desenvoltura é tamanha que ele já levou o partido para a base de apoio do vice-governador Carlos Brandão (PSDB).

Por sua vez, Gastão Vieira fez o caminho inverso. Tinha o comando pleno do PROS no Maranhão, e poderia ter continuado se tivesse trabalhado duro pelo seu fortalecimento. Sua respeitável trajetória de décadas no MDB, com vários mandatos e momentos de decisão, revela que ele nunca foi afeito a gestão partidária. O seu desempenho no comando do PROS ficou muito abaixo do esperado, em que pese sua sempre positiva atuação como parlamentar. Ele próprio já não queria permanecer no partido.

 

Ideia de blindar Bolsonaro com mandato de “senador vitalício” já nasceu morta

Jair Bolsonaro não será blindado com mandato de “senador vitalício”

 

O projeto “genial” de aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de criar um mandato de “senador vitalício” com o objetivo de blinda-lo com imunidade parlamentar, livrando-o de responder a processos e até mesmo ir parar na cadeia, caso não consiga se reeleger, não é nada original e, pelos antecedentes, já nasceu morta.

A ideia foi ventilada quando José Sarney (MDB) ainda era presidente da República e se encontrava numa situação complicada. José Sarney, que na época já havia sido senador duas vezes pelo voto direto, percebeu logo que a iniciativa era barca furada”, e não tendo a legenda do MDB maranhense para disputar a senatória ao sair da presidência da República, se mandou para o Amapá, estado por ele criado e então governado pelo seu amigo e assessor Jorge Nova da Costa, por onde foi eleito para o Senado em 1990, e por onde se reelegeu duas vezes.

A ideia voltou a circular no Congresso Nacional no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Aliados seus chegaram a redigir projeto de lei nesse sentido, justificando a criação do “senador vitalício” com o argumento segundo o qual ex-presidentes investidos nessa função dariam, pela sua experiência, rica contribuição ao debate dos grandes temas no Senado da República.  A reação foi tão dura que o projeto nem chegou a tramitar na Casa.

A premiação de ex-presidentes com mandato de “senador vitalício”, sem direito voto, foi ainda ventilada em relação aos ex-presidentes Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). E sempre que veio à tona em momentos de crise, e todas as vezes considerou que beneficiaria todos os ex-presidentes: José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Está mais do que claro que Jair Bolsonaro não será blindado por esse caminho.

São Luís, 31 de Outubro de 2021.

TV Assembleia expande sinal, chega a 39 municípios e pode alcançar 3,9 milhões de maranhenses

 

A Mesa Diretora, o logo da TV Assembleia e momentos do parlamento estadual registrados pela emissora, que agora se expande para alcançar 39 municípios e 3,9 milhões de pessoas

Num momento em que as redes de TV aberta brasileiras passam por uma espécie de prova de fogo, travando uma guerra contra a desinformação e tentativas reacionárias de inibir os meios de comunicação eletrônicos que fazem Jornalismo sério e a concorrência implacável das TVs pagas, o Maranhão produz uma boa notícia: a TV Assembleia, órgão de divulgação do Poder Legislativo, que já cobria São Luís e 11  municípios da sua região metropolitana, onde habitam 1,6 milhão de maranhenses, deu um salto e, desde ontem, ampliou o seu alcance em 27 novos municípios, que reúnem 2,3 milhões de pessoas. Isso quer dizer que o alcance da emissora da Assembleia Legislativa é agora de 39 municípios, berços de 3,9 milhões dos 7,5 milhões que formam a população maranhense.

Até ontem, o sinal da TV Assembleia chegava a São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa São Luís, São José de Ribamar, Raposa, Paço do Lumiar, Alcântara, Bacabeira, Rosário, Morros, Axixá, Presidente Juscelino, Cachoeira Grande e Bacurituba, que formam a Região Metropolitana da Capital. Agora, além desses, o sinal da TV Assembleia também chega a Imperatriz, Timon, Caxias, Codó, Açailândia, Bacabal, Balsas, Santa Inês, Barra do Corda, Pinheiro, Chapadinha, Buriticupu, Grajaú, Itapecuru-Mirim, Coroatá, Barreirinhas, Tutóia, Vargem Grande, Viana, Zé Doca, Lago da Pedra, Coelho Neto, Presidente Dutra, São Bento, Bom Jardim, São Mateus do Maranhão e Colinas.

Com estrutura técnica consolidada e contando com uma equipe de profissionais de ponta em todas as áreas, a começar pelo Jornalismo, cuja base está no Centro de Comunicação, instalado na área do Palácio Manoel Beckman e hoje comandado pelo jornalista Edwin Jinkings, a TV Assembleia deixa, definitivamente, de ser uma emissora de alcance restrito a um bolsão privilegiado de maranhenses com direito a acompanhar o trabalho dos deputados estaduais. Agora, está ela transformada numa grande janela por meio da qual grande parte desses quase quatro milhões de maranhense têm a oportunidade de assistir ao vivo as sessões plenárias da Casa e, assim, conhecer o desempenho parlamentar dos deputados estaduais. Esse quadro transforma a Assembleia Legislativa do Maranhão numa das instituições legislativas mais avançadas do País nesse aspecto.

Não é pouca coisa. A começar pelo fato de que a atual programação da emissora é ampla e diversificada, com programas jornalísticos, e também os que são voltados para a comunidade, com informações sobre cultura, política, entretenimento e temas diversos, como direitos civis e meio ambiente, por exemplo. Mas o seu “horário nobre” são as sessões plenárias transmitidas ao vivo, nas quais os deputados – agora presentes no plenário ou com participação remota, por videoconferência – se manifestam, fazem propostas, debatem projetos oriundos dos demais Poderes, especialmente do Executivo, discutem temas os mais diversos, denunciam, se defendem de ataques, e vez por outra travam embates políticos às vezes ácidos relacionados a assuntos nacionais, estaduais, regionais e municipais. Por meio da TV Assembleia, o cidadão-eleitor pode formar juízo sabre a atuação de todos os parlamentares.

Fundada em 2011 na gestão do presidente Marcelo Tavares (PSB), advogado, estruturada na gestão do presidente Arnaldo Melo (MDB), médico, e fortalecida na presidência de Humberto Coutinho (PDT), também médico, a TV Assembleia ganhou mais envergadura na atual gestão, comandada pelo presidente Othelino Neto (PCdoB), jornalista profissional, que escalou para comandar a política de comunicação do Poder Legislativo, na qual a TV Assembleia está inserida, o jornalista profissional Edwin Jinkings, diretor de Comunicação. O viés jornalístico da formação do presidente da Casa e a experiência do diretor de Comunicação colocaram a TV Assembleia em 39 municípios, entre os quais os maiores, Imperatriz, Timon e Caxias, portanto, num patamar mais elevado, tornando-a uma emissora de largo alcance.

– Demos um passo importante com o início da transmissão ao vivo das sessões plenárias e a exibição de outras atividades da Casa para mais 27 municípios do Estado. É uma forma de fazer com que milhares de maranhenses tenham acesso aos trabalhos dos parlamentares e às discussões que ocorrem na Casa. Um investimento que a Assembleia Legislativa está fazendo para que tudo o que acontece aqui chegue ao maior número possível de pessoas, facilitando, assim, o acesso à informação – explicou o presidente Othelino Neto, com um discurso de quem sabe o que diz na área de comunicação.

Na mesma linha, o diretor de Comunicação Edwin Jinkings falou da expansão: “A expansão do sinal da TV Assembleia para municípios com mais de 40 mil habitantes do interior do Maranhão, além dos que já são alcançados na Região Metropolitana de São Luís, possibilita uma maior publicidade dos atos do Parlamento Estadual, bem como oferece à sociedade melhor conhecimento acerca do trabalho prestado pelos seus representantes, os deputados estaduais, na Assembleia Legislativa”. Edwin Jinkings deu uma informação importante: o processo licitatório de contratação da empresa de radiodifusão retransmissora do sinal da TV Assembleia ocorreu por meio de Pregão Eletrônico, mais ágil e mais transparente.

A importância da expansão da TV Assembleia pode ser medida pela reação dentro da própria Casa, onde, ontem, nada menos que oito deputados foram à tribuna comemorar o ganho: Marco Aurélio (PCdoB), Socorro Waquim (MDB), Rildo Amaral (SD), Rafael Leitoa (PDT), Neto Evangelista (DEM, Yglésio Moyses (PROS), Antônio Pereira (DEM) e Daniella Tema (DEM).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

MDB vai se reunir para avaliar pré-candidatos e bater martelo

Roseana Sarney vai comandar a escolha do MDB entre os pré-candidatos a governador do Estado

O comando estadual do MDB deve se reunir em breve para definir a posição do partido em relação à disputa para o Governo do Estado. Sem candidato a governador, já que seu único nome viável, a ex-governadora Roseana Sarney decidiu não entrar na disputa, a cúpula partidária avaliará quatro caminhos: o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que tem fortes ligação com o Grupo Sarney; o senador Weverton Rocha (PDT), que tem o apoio do deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente do partido; Edivaldo Holanda Jr. (PSD), que se aproxima do MDB levado pelo deputado federal Edilázio Jr., presidente do PSD, e o deputado estadual César Pires, dois aliados de proa de Roseana Sarney, e Felipe Camarão (P), que tem fortes laços de família com os Sarney. Nos bastidores, correm rumores de que neste momento os ventos começam a soprar mais forte em favor de Carlos Brandão.

 

Weverton leva pré-campanha a Peritoró

Weverton Rocha com a bandeira do PDT

O senador Weverton Rocha (PDT) leva hoje seu projeto de candidatura a Peritoró, em mais uma edição do “Maranhão mais feliz”. Será o quinto ato da sua intensa pré-campanha, que começou em Imperatriz, Presidente Dutra, Pinheiro. O “Maranhão mais feliz” é um evento no qual o pré-candidato do PDT a governador reúne líderes municiais – prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias -, com as quais discute pontos centrais do que pretende realizar à frente do Governo. Nas edições já realizada, Weverton Rocha atraiu alguns milhares de pessoas, exibindo confiança no seu projeto de candidatura. No seu discurso, deixa entrever que sua candidatura é irreversível, independentemente do acordo pelo qual o governador Flávio Dino está coordenando a escolha de um candidato na base governista.

São Luís, 29 de Outubro de 2021.

PT maranhense ganha estatura ao ser disputado por três pré-candidatos de peso

 

Felipe Camarão (camisa marrom) entre líderes petistas após reunião sobre eleições

As investidas do senador Weverton Rocha (PDT) e do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) pelo seu apoio, e agora a intensa movimentação, dentro do seu quadrado, de um dos seus quadros, o secretário de Educação Felipe Camarão, que decidiu há pouco entrar na corrida aos Leões, estão fazendo do PT maranhense um partido que pode ser decisivo na corrida à sucessão do governador Flávio Dino (PSB). Nas últimas 24 horas, Felipe Camarão voltou a se reunir com a cúpula estadual da legenda e, mais tarde, junto com líderes petistas, sentou à mesa para mais uma rodada de conversa com o PSOL. Da reunião com o PT o secretário disse ter avançado no sentido de consolidar sua pré-candidatura. Do encontro com o PSOL, avaliou que o caminho está aberto para uma aliança com o PT em torno da sua candidatura, o que foi em parte confirmado pelo presidente do partido, Enilton Rodrigues. Ou seja, nas contas do secretário de Educação e pré-candidato a governador, as condições estão criadas para que o PT lhe dê a vaga de candidato a governador e o PSOL apoie sua candidatura fazendo uma aliança com o PT.

Não há como negar que Felipe Camarão, um jovem e bem-sucedido homem público, desembarcou no PT como um furacão, atraindo, de cara, o apoio de boa parte das correntes que formam o partido, mas enfrentando a resistência dos que já haviam decidido dar apoio a Carlos Brandão, e das que estão na base de apoio da candidatura de Weverton Rocha. E como é sabido que dificilmente haverá consenso entre as alas maranhenses do partido, o caminho será repassar o “abacaxi” ao comando nacional do partido e, claro, pelo crivo do ex-presidente Lula da Silva.

Todas as informações que chegaram à Coluna dão conta de que a pré-candidatura do secretário Felipe Camarão não é balão de ensaio. E que é exatamente por esse motivo que as lideranças petistas estão levando a discussão a sério em torno do seu nome. Antes considerando que o máximo que o PT alcançaria nessa aliança seria a vaga de candidato a vice-governador numa das chapas, agora essas lideranças ampliam o horizonte, vendo no projeto de candidatura de Felipe Camarão uma possibilidade real de chegar ao poder. Os líderes das diferentes correntes do PT no Maranhão, porém, dificilmente tomarão uma decisão dessa envergadura sem um acerto bem conversado com o governador Flávio Dino, que não abraçou o projeto nem o rejeitou. Afinal, o PT está em dívida ativa com o governador, que foi uma voz incansável em defesa da presidente Dilma Rousseff na guerra do impeachment e do ex-presidente Lula antes, durante e depois da sua prisão.

Felipe Camarão está consciente de que nada será fácil para ele na corrida para se consolidar como candidato do PT. O seu partido está dividido em três frentes, uma com ele, uma com o senador Weverton Rocha e outra com vice-governador Carlos Brandão, o que torna muito mais complexo e desafiador o seu objetivo de juntar todo o partido em torno da sua candidatura. Isso porque, na condição de recém convertido ao petismo, o jovem político enfrenta a concorrência do senador pedetista, que é aliado preferencial do PT, e do pré-candidato tucano, que já conversa há tempos com a cúpula estadual do partido. Só que o que com o aval do governador Flávio Dino, claro.

O fato é que o PT se encontra numa situação ao mesmo tempo confortável e complicada, com um pré-candidato “da casa” potencialmente forte, e cortejado por dois pré-candidatos com chances de “chegar lá”. E a pergunta que se faz nos bastidores é a seguinte: saberá o partido fazer a escolha certa? Há quem diga que sim, mas também há quem responda que não, o que deixa a palavra final para outro momento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Detinha reclama da operação policial na sua casa

Detinha defende o marido e a família e critica ação 

A decisão judicial, tomada pelo desembargador Antônio Bayma, de suspender as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que realizou uma operação de busca e apreensão na residência do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), suspeito de participar de um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares, repercutiu dentro e fora do meio político. A medida liminar devolveu ao parlamentar o gás que ele perdera com a chamada Operação Maranhão Nostrum. A retomada do ânimo do chefe maior do PL e controlador do Avante e do Patriota no Maranhão, foi expressada ontem pela deputada estadual Detinha (PL), que ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa para comunicar a decisão judicial que beneficiou seu marido, e aproveitar para dizer que o parlamentar foi vítima de uma grande injustiça. Ela disse que foi desrespeitada pelos policiais que entraram em sua casa, em Zé Doca, em busca de provas para o inquérito.

A deputada Detinha reclamou na tribuna que foi desrespeitada na Operação feita pelo Gaeco em sua residência, onde encontrava-se com os filhos. “Lavarem tudo o que quiseram e o que não deviam”, declarou, acrescentando: “Quem fez isso, sabia que não ia dar em nada”. A parlamentar fez a defesa do marido ao afirmar que, “durante os oito anos da administração como prefeito [do município de Maranhãozinho], a prestação de contas do Josimar sempre foi correta”.

E apontou a operação policial como “perseguição”, por conta da pré-candidatura de Josimar de Maranhãozinho na disputa para o Governo do Estado.

– Será que não temos direito? Será que não podemos lançar uma pré-candidatura a governador? Será que o Estado do Maranhão é um ambiente fechado, onde temos que pedir autorização para alguém? – indagou em tom de questionamento.

A deputada Detinha não fez referência ao motivo da Operação Maranhão Nostrum: um esquema milionário de desvio de recursos parlamentares envolvendo prefeituras, empresas de fachada e dezenas de pessoas envolvidas, incluindo prefeitos, empresários e o deputado Josimar de Maranhãozinho.

E um detalhe: a decisão do desembargador Bayma Araújo não extingue o inquérito nem põe fim às investigações.

 

Brandão usa camisa simbólica no aniversário de Lago do Junco

 

 

Ao lado de Flávio Dino e Maria Edina, Carlos Brandão assina esse modelito

Em meio à animação comemorativa aos 60 anos de emancipação de Lago do Junco com a presença do governador Flávio Dino (PSB) e comitiva, saudados com festa pela prefeita Maria Edina (PDT), um detalhe chamou a atenção dos presentes: a camisa do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). A peça exibia na parte da frente metade da bandeira do Maranhão e metade com a bandeira do Brasil, e na parte de cima a palavra “Maranhão”. O vice-governador abriu caminho para que a bandeira nacional seja o símbolo de todos os brasileiros, retomando a propriedade simbólica do País à militância bolsonarista, que se apropriou do lábaro verde-amarelo como suas cores. E fez mais: associou a bandeira brasileira à do Maranhão, passando a saudável imagem de que uma completa a outra, e que elas pertencem a todos, indistintamente.

Muitos duvidaram do gosto, mas todos, sem exceção, reconheceram que foi uma boa sacada. E Independentemente do que pensam observadores diversos, o fato é que a camisa de Carlos Brandão ganhou as teias da internet e lhe deu muita visibilidade. Se isso lhe renderá votos, só o tempo dirá.

São Luís, 27 de Outubro de 2021.