Candidaturas presidenciais complicam montagens dos aspirantes ao Governo no Maranhão

 

 

 

Carlos brandão, Weverton Rocha, Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim: problemas com candidaturas presidenciais

É de complexa solução a equação política que envolve os pré-candidatos ao Governo do Maranhão e seus pré-candidatos a presidente da República. Os dois casos mais complicados têm como protagonistas exatamente o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que na engenharia de montagem das forças partidárias para a corrida às urnas enfrentam problemas espinhosos em relação aos candidatos presidenciais que aspiram como aliados. Outros aspirantes ao Palácio dos Leões também enfrentam o mesmo obstáculo, mas como franco-atiradores, não demonstram maior preocupação com esse aspecto essencial das chapas que tentam montar. O único pré-candidato ao Governo estadual para quem que tal item está rigorosamente definido é o senador Roberto Rocha (sem partido), que tem o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na cabeça da chapa.

O senador Weverton Rocha vive uma situação de alta complexidade. Na montagem da sua base partidária, ele opera para contar com o apoio do PT, que, mesmo na linha do “entre tapas e beijos”, sempre foi aliado preferencial do PDT, o que lhe permite aspirar ter o ex-presidente Lula da Silva, pré-candidato ao Planalto, como aliado de proa da sua candidatura. Só que o seu partido tem como pré-candidato o ex-governador cearense Ciro Gomes, que tem como um dos motes de campanha atacar dura e implacavelmente o líder petista. O senador tem aliados no PT de São Luís, alguns deles já o apoiando declaradamente, mas é fato que, enquanto o PDT, ou o PT, não definirem com clareza seus candidatos presidenciais, sua relação com o PT não será também definida.

A situação do vice-governador Carlos Brandão é rigorosamente igual. Enquanto esteve no Republicanos, Carlos Brandão cultivou boas relações com o PT, a ponto de incluir o partido na sua base de apoio. Com o seu retorno ao PSDB, a boa perspectiva de uma aliança com o PT sofreu abalos. É que no geral o PT tem o PSDB como inimigo figadal e boa parte do partido ainda não perdoa o fato de os tucanos terem sido força de proa no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Carlos Brandão conseguiu o apoio do comando estadual do PT e recebeu afagos do ex-presidente Lula da Silva na sua recente passagem por São Luís. O problema é que cresce no PSDB a tendência de lançar candidato a presidente da República, podendo ser o governador de São Paulo João Doria ou o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite. É uma equação complicada, que preocupa, porém não desanima o vice-governador em relação ao PT.

Se por um lado não ter candidato ao Planalto é vantajoso por ser uma preocupação a menos, por outro pode ser um fator complicador, por sugerir fragilidade política perante o eleitorado. O item não alcança, ainda, o ex-prefeito de São Luís e pré-candidato do PSD Edivaldo Holanda Jr., cujo partido não cogita lançar candidato a presidente da República, mas ninguém duvida que o presidente nacional, Gilberto Kassab, engatará a legenda numa candidatura presidencial. A mesma situação afeta o projeto de candidatura do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, cujo partido, o PL, tem fortes vínculos com o presidente Jair Bolsonaro. Bolsonarista de proa, o prefeito de São padro dos Crentes e pré-candidato do PSL Lahesio Bonfim vive o drama inversamente por não saber se o partido, hoje comandado pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, adversário do Governo Bolsonaro, lhe dará a vaga de candidato.

Nesse complexo cenário de indefinições, a posição mais confortável nesse item é a do senador Roberto Rocha, que é bolsonarista de proa e, se não houver uma reviravolta inacreditável, será candidato a governador carregando a candidatura do presidente à reeleição como a sua principal bandeira.

Ainda é cedo para fazer afirmações sobre os casos indefinidos, mas uma situação já se pode prever: a julgar pelo que aconteceu em todas as eleições deste século no Maranhão, o PT marchará dividido, tendo ou não o ex-presidente Lula da Silva como candidato a presidente.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Câmara dos EUA impede liberação de recursos para remoção de quilombolas em Alcântara

Área do CLA pode ser ampliada para atender a clientes lançadores de foguetes em operações comerciais

O Centro de Lançamento de Alcântara foi motivo de discussão no Congresso dos Estados Unidos. E por um motivo que confirma a suspeita de que nos anexos do Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST), firmado pelos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, seriam incluídas garantias de que, em havendo necessidade de ampliação do complexo aeroespacial de Alcântara para atender a exigências da clientela que o alugará para lançar foguetes, comunidades quilombolas e indígenas teriam de ser removidas de lá, por bem ou na marra.

Segue o trecho da reportagem de Ana Rosa Alves sobre o assunto, publicada ontem em O Globo: “Deputados democratas da ala mais à esquerda do partido, críticos das políticas do presidente Jair Bolsonaro, se mobilizam mais uma vez para dificultar a implementação de acordos entre o Brasil e os Estados Unidos. O grupo apresentou duas emendas ao Orçamento de Defesa americano, que dizem respeito ao status de aliado preferencial extra-Otan (Organização do Tratado Atlântico Norte) do Brasil e à realocação forçada de povos indígenas e quilombolas”.

E prossegue: “A menção à necessidade de realocação dos quilombolas e povos indígenas diz respeito à implementação do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre Brasil e Estados Unidos, assinado durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington em 2019. O acordo protege tecnologia sensível americana, a fim de viabilizar a utilização comercial da Base de Alcântara, no Maranhão, pertencente à Força Aérea Brasileira. Ao apresentarem a cláusula no Orçamento do ano passado, os democratas a justificaram alegando que a expansão da base de lançamentos em Alcântara demandaria o deslocamento dessas comunidades, argumento endossado por organizações sociais que apontam para significativos impactos socioambientais. A política ambiental de Bolsonaro e de seu impacto para as comunidades indígenas também é motivo frequente de críticas de democratas mais progressistas”.

E arremata: “Nenhum recurso federal poderá ser destinado ou gasto para que os Estados Unidos forneçam qualquer assistência ou cooperação de segurança para as forças policiais, de Defesa ou de segurança do governo do Brasil para realocar involuntariamente, incluindo por coerção ou pelo uso de força, comunidades indígenas ou quilombolas do Brasil”, diz a emenda. Medidas quase idênticas foram apresentadas no ano passado, porém não foram aprovadas: a referente às comunidades indígenas e quilombolas chegou a receber o aval da Câmara, mas não passou pelo Senado”.

Como se vê, os alertas feitos pelo deputado federal Bira do Pindaré (PSB) na época em que o AST foi assinado por Jair Bolsonaro e Donald Trump – inclusive com o apoio da Coluna, que não enxergou o que havia nas entrelinhas – sobre os riscos a que aquelas comunidades poderiam ser submetidas, faziam todo sentido.

 

PDT sofre mais uma perda importante com a saída de Ivaldo Rodrigues

Ivaldo Rodrigues: mais um líder de peso deixa o PDT

O PDT sofreu mais uma perda importante, o ex-vereador Ivaldo Rodrigues, um dos seus líderes mais destacados, com atuação forte em São Luís, tendo exercido vários mandatos na Câmara da Capital, sem, porém, ter alcançado a reeleição em 2020. O motivo da saída seriam divergências com o comandante maior do partido, senador Weverton Rocha, a exemplo do que aconteceu com outros líderes do partido, como a ex-primeira-dama Clay Lago e o vereador, deputado estadual e ex-deputado federal Julião Amin, que rompeu com a corrente, liderada por Weverton Rocha meses depois da morte do patriarca do partido, governador Jackson Lago. Ivaldo Rodrigues foi forjado sob a liderança direta de Jackson Lago nas lutas estudantis que culminaram com a greve de 1979, que incendiou São Luís durante semanas. Vereador de quatro mandatos, não alcançou a reeleição no último pleito, desfecho que debita na conta do presidente da agremiação.

São Luís, 17 de Setembro de 2021.

 

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