PSD dá primeiro passo para a construção de uma aliança com o MDB em torno de Edivaldo Jr.

 

Uma aliança do PSD com o MDB em torno de Edivaldo Holanda Jr. pode ter sido o objetivo maior do movimento feito por César Pires e Edilázio Jr. à Roseana Sarney

É verdade que não houve tratativas para aliança nem a conversa avançou em relação a candidaturas majoritárias, mas não há dúvida de que a visita de ontem do deputado federal Edilázio Jr., presidente regional do PSD, e seu colega estadual César Pires, que também integra a cúpula do partido, à ex-governadora Roseana Sarney, que comanda o MDB no estado, pode ter sido o primeiro movimento no sentido de unir as duas agremiações em torno da candidatura do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD), ao Governo do Estado. Essa possibilidade de aliança, na avaliação de observadores experientes, poderá reunir os pedaços do já foi o Grupo Sarney, que foi explodido em 2014 e estilhaçado em 2018. O ingresso de Edivaldo Holanda Jr. no PSD já com acerto sobre sua candidatura a governador foi um lance bem armado por Edilázio Jr., César Pires e pelo próprio ex-prefeito de São Luís, que ocuparam espaço no tabuleiro sucessório com um projeto de candidatura potencialmente viável, com mostraram as últimas pesquisas.

Há algumas semanas, a Coluna registrou estranhamento em relação ao fato de PSD e MDB, ambos correntes de proa do Grupo Sarney, não terem aberto um canal de diálogo sobre o projeto de Edivaldo Holanda Jr., enquanto as forças emedebistas se dividem entre as candidaturas do senador Weverton Rocha (PDT) e do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Uma fonte ligada ao ex-prefeito fez contato com RepórterTempo para informar, pedindo reserva temporária, que o canal de conversas com o MDB estava sendo construído. Ou seja, logo, logo os comandos dos dois partidos sentariam para avaliar o cenário e tomar decisões. A visita de ontem, no apartamento da ex-governadora, na Península, foi, portanto, o item inicial de uma pauta que poderá levar os dois partidos a uma aliança.

Se no PSD o clima é inteiramente favorável e o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. torce por um entendimento, no MDB a situação é bem mais complicada. Ali, uma banda do partido, comandada pelo deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente do partido, se mexe por uma aliança com o candidato do PDT, Weverton Rocha, estando outra torcendo por um acerto em torno do tucano Carlos Brandão. O senador pedetista e o vice-governador apostam alto no apoio do MDB, mas sabem que o rumo das forças emedebistas depende da ex-governadora Roseana Sarney, que não se posicionou e, aqui e ali, ainda fala em ser candidata ao Governo, e ex-presidente José Sarney, que seguirá a escolha da filha.

Nascidos na forja do sarneysismo, Edilázio Jr. e César Piores conheceu o MDB o suficiente para saber como construir essa aliança. Sabem que o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. ganhou corpo político como adversário do Grupo Sarney, mas que sempre evitou confrontos diretos e agressivos com Roseana Sarney quando ambos ocuparam, respectivamente, o Palácio de La Ravardière e o Palácio dos Leões no período de 2013/2014. Além, disso Edivaldo Holanda Jr, cresceu vendo seu pai, o deputado Edivaldo Holanda, cultivando relação próxima com o sarneysismo. Assim, certamente avalia que não há obstáculo intransponível que o impeça de negociar o apoio do MDB, ou pelo menos parte dele, à sua candidatura.

Ainda é cedo para afirmar com certeza que Edivaldo Holanda Jr. consolidará o seu projeto de candidatura com o apoio do MDB. Mas é possível considerar que essa aliança é possível e dispõe dos ingredientes necessários para trazer Roseana Sarney e seus aliados – que são muitos nos quatro cantos do estado – de volta à proximidade com o poder. E com um dado a mais: pode puxar também o PV, cujo objetivo maior é a reeleição do deputado estadual Adriano Sarney, seu presidente estadual.

Não surpresa, portanto, se na próxima visita à ex-governadora Roseana Sarney o deputado federal Edilázio Jr. levar junto o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr..

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Depois de deputados, Brandão recebeu vereadores de São Luís

Carlos Brandão (de paletó) recebeu 12 vereadores de São Luís que devem apoiá-lo

O vice-governador Carlos Brandão (PSDB) continua reforçando politicamente o seu projeto de candidatura à sucessão do governador Flávio Dino (PSB). Depois de receber 15 deputados estaduais na Sexta-Feira que passou, ele recebeu nesta Segunda-Feira, em sua residência, um grupo de 12 vereadores de São Luís, que declararam apoio ao seu projeto de candidatura. As duas visitas inibem fortemente a avaliação, feita por adversários, de que a candidatura do futuro governador à reeleição não dispõe de suporte político. Carlos Brandão é forjado na escola da conversa e dos acordos, preferindo primeiro montar esse lastro político, para depois sair a campo em busca do eleitorado. A reunião com os 15 deputados estaduais foi uma demonstração cabal de que, ao contrário do que pregam seus adversários, o vice-governador tem mais força do que muitos imaginam. Um bloco compacto de 15 deputados estaduais não é pouca coisa, o mesmo acontecendo com 12 vereadores da Capital em escala reduzida. Perde tempo e pode estar cometendo grave erro quem avalia que o cenário da disputa já está definido.

 

Caravana do PT vai ao interior para discutir o Brasil atual e resgatar imagem de Lula

Lula da Silva terá sua pré-candidatura levada aos municípios pela caravana do PT

O PT inteligente e não movido pelo sectarismo nem pela guerra intestina travada pelas diversas correntes que o formam, resolveu se movimentar, colocando em prática a caravana “Lula livre, Brasil livre”, que percorre o interior do País, para fazer o debate possível acerca do que se passa no País desse momento, e na esteira dessas ações, colocar, de maneira subliminar, o projeto político- eleitoral para 2022, a começar pela pré-candidatura do ex-presidente Lula da Silva ao Planalto.

Essa ação partidária chega em meio ao desmoronamento do governo comandado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que vê suas chances de reeleição se evaporar a cada dia, conforme têm revelado pesquisas, como a mais recente feita pelo Datafolha, segundo a qual o chefe da Nação corre o risco até de não chegar ao segundo turno numa disputa com o líder petista.

O PT tem noção exata do estrago feito na sua imagem com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que não cometeu um só crime, e das manobras implacáveis que impuseram 580 dias de cadeia ao ex-presidente Lula da Silva, sob a acusação de corrupção, que não se sustentou. A caravana tem também o desafio de desmontar essa bomba diante de uma população que, mergulhada em problemas e atormentada por causa da pandemia do novo coronavírus, tem dificuldade de compreender o que se passa no Brasil e de se posicionar nas urnas em 2022.

Com grande parte da responsabilidade pelo Brasil de agora, o PT faz a coisa certa quando vai onde o povo está, para encará-lo e discutir a relação.

São Luís, 22 de Setembro de 2021.

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