Flávio Dino reage duro às notícias falsas sobre preço dos combustíveis no Maranhão: “É coisa de bandido”  

 

Flávio Dino rebate investida bolsonarista culpando-o pelo preço dos combustíveis

Alcançou o patamar do inacreditável a tentativa dos adversários do governador Flávio Dino (PSB) – em especial os militantes bolsonaristas que se refugiam na pantanosa seara das notícias falsas, também conhecidas como “fake news” – de atribuir-lhe o poder e a prática de majorar o preço dos combustíveis no Maranhão aumentando o valor da alíquota constitucional de ICMS que incide sobre combustíveis. Sem argumentos convincentes para explicar o aumento, sistemático, dos preços dos combustíveis produzidos pela Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua tropa tentam, num claro e perigoso jogo de manipulação, colocar a bomba inflacionária no colo dos governadores, tendo o chefe do Estado maranhense sido escolhido como um dos alvos preferenciais da falange bolsonarista nas redes sociais. Indignado com a investida da falange bolsonarista, o governador Flávio Dino reagiu ontem rebatendo notícia falsas, dizendo tratar-se de “coisa de bandido”.

Nos últimos dias, diante dos seguidos aumentos nos preços dos combustíveis fixados pela Petrobrás em razão das variações de preços do petróleo no mercado mundial, falangistas da extrema direita intensificaram os ataques ao governador, claramente estimulados pelo presidente da República, que vinha fazendo declarações nesse sentido. Ontem, Flávio Dino reagiu: “Criminosos estão espalhando que eu autorizei aumento de alíquota de imposto sobre gasolina no Maranhão. Isso é mentira. Coisa de bandidos. Problema de preço de combustíveis é nacional”. E logo arrematou: “Criminosos que estão mentindo sobre aumento de combustíveis no Maranhão deveriam saber que não existe “tabelamento de preços” de combustíveis. O governo do Estado não tem poder de fixar preço de combustíveis. O imposto previsto na Constituição incide sobre o preço de mercado”.

Na semana passada, além de demonstrar uma relação dos preços dos combustíveis nos estados, além da falange bolsonarista, o deputado Wellington do Curso (PSDB) fez um discurso na Assembleia Legislativa acusando erroneamente o governador Flávio Dino de aumentar o ICMS dos combustíveis. O assunto que levou também para a seara movediça a governadora Roseana Sarney (MDB), que, ao que parece desavisadamente, usou os mesmos argumentos, numa intervenção nitidamente infeliz. Isso porque, ao fazer tal crítica, a ex-governadora referendou a falsa acusações ao governador nesse caso. E por isso foi atingida por tabela pela dura reação do governador, que, no caso, está coberto de razão.

A equação que leva ao preço dos combustíveis é simples, e foi mostrada, em tom didático, pelo secretário de Esportes, Rogério Cafeteira, num contra-ataque cirúrgico e civilizado ao senador Roberto Rocha (sem partido), que entrara no tiroteio atacando duramente o governador Flávio Dino com os mesmos argumentos da falange bolsonarista: “Senador, sempre que há aumento do preço de combustíveis, 15 dias depois, a Agência Nacional do Petróleo faz a pesquisa e define o preço médio de venda para consumidor final para todos os Estados da Federação. Este preço médio, definido pela pesquisa da ANP, é publicado pela União. Por força de convênio, que já tem séculos, este preço é a base de cálculo do ICMS. Não há aumento, mas atualização da base de cálculo do imposto, para que este não seja corroído pela inflação. Então, é a gasolina que aumenta e quinze dias depois a pesquisa colhe o aumento e a base de cálculo do ICMS é atualizada. O ICMS é atualizado (consequência) pelo aumento da gasolina (causa). É assim, e não o contrário como você fala. É consequência e não causa. Sem fake news”.

Esse caso é revelador de que uma mentira repetida muitas vezes acaba ganhando cores de verdade. Todo cidadão minimamente informado sabe que o assunto é velho, já foi ressuscitado várias vezes sem que nada alterasse a equação que resulta no valor dos combustíveis nas bombas. Os governadores, Flávio Dino incluído, rebateram, em nota, ontem a notícia falsa e divulgaram o preço da gasolina em cada estado, na qual o Maranhão aparece com o menor preço em toda a Federação.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Após quase três décadas, família Lobão abre mão do controle do Grupo Difusora

Willer Tomaz e Waris Moura: novos donos da TV Difusora

Formado por três emissoras de TV, que se espalham no território maranhense por meio de 140 retransmissoras, três emissoras de rádio FM, que integram 150 cidades e mais o portal de notícias MA10, o Sistema Difusora, o segundo maior e mais importante grupo de comunicação do Maranhão, não mais pertence à família Lobão, que tinha o empresário e ex-senador Lobão Filho como capitão da empresa. O grupo agora pertence ao advogado Willer Tomaz e ao jornalista e empresário Wrias Moura, conforme nota divulgada ontem pelos dois confirmando informação noticiada na edição de Domingo do Jornal Pequeno. O anúncio, feito em meio a uma forte onda de especulação sobre a propriedade do Sistema Difusora, confirma o que há tempos já era comentado sobre o destino do Grupo criado nos anos 60 do século passado pelos irmãos Raimundo e Magno.

Primeira emissora de TV aberta do Maranhão, tendo se tornado o braço maranhense da Rede Globo, a TV Difusora talvez tenha sido a empresa de comunicação que mais mudou de dono em todo o País. Nos idos de 1984, o Grupo Difusora foi venda pelos irmãos Bacelar para o empresário Chico Coelho, que encabeçou um grupo do qual fez parte também o então governador Luiz Rocha e que investiu também na comora da TV Ribamar. No final da década de 1980, o Sistema Mirante, que trouxera o SBT para o Maranhão, conseguiu uma troca inimaginável: ganhou a concessão da Rede Globo e repassou a do SBT para o Grupo Difusora. (Os donos se “vingaram” mantendo a grife “Bom Dia, Brasil”, impondo à TV Mirante a humilhante condição de única afiliada global a não ter o seu primeiro telejornal com aquele nome). No início dos anos de 1990, o Grupo Difusora foi comprado pelo então governador Epitácio Cafeteira, através do empresário William Nagem, que três anos mais tarde, em 1993, repassou o controle da emissora para a família Lobão, tendo como controlador o empresário Lobão Filho.

Agora, quase três décadas depois, Lobão Filho abre mão do controle da empresa ao repassá-lo à dupla associada Willer Tomas e Wrias Moura, atingidos por rumores segundo os quais seriam testas de ferro do senador Weverton Rocha (PDT), o que juram não ser verdade, na seguinte nota:

Sobre reportagem divulgada neste domingo no conceituado Jornal Pequeno, que vincula o Sistema Difusora ao PDT e ao senador Weverton, viemos através desta esclarecer o que segue:

  1. O Sistema Difusora pertence ao advogado Willer Tomaz e ao jornalista e empresário Wrias Moura;
  2. Sim, os dois são amigos do senador Weverton, a quem temos o maior respeito;
  3. Sim, estamos dispostos a sermos parceiros de todos aqueles que respeitarem comercial e institucionalmente o Sistema Difusora, inclusive o senador Weverton;
  4. Não temos bandeira política nem filiação partidária. Somos um veículo de comunicação cujo objetivo é levar informação e entretenimento aos cidadãos maranhenses. Somos mantidos por clientes públicos e privados, entregando, assim um serviço de comunicação de excelência há mais de 50 anos, através das nossas 3 emissoras de Televisão, 140 retransmissoras no Estado, 3 rádios Fms que chegam a mais de 150 cidades do Maranhão, além do portal de notícias portal MA10;
  5. Dialogamos com todas as vertentes políticas do Estado e não teremos nenhuma bandeira política específica, a não ser o primor pelo bom jornalismo e pela independência editorial;

Reiteramos o respeito e admiração pelo zeloso trabalho realizado pelo Jornal Pequeno e a todos que exercem o jornalismo de forma profissional no Estado do Maranhão.

Atenciosamente

Wrias Moura
Presidente Executivo Sistema Difusora

Willer Tomaz
Presidente do Conselho do Sistema Difusora

 

Em “Cadernos do Terceiro Mundo”, obra de Neiva Moreira, um rico registro sobre Paulo Freire em 1980

Paulo Freire entrevistado em 1980, na sua volta do Brasil após 15 anos de exílio, pela revista “Cadernos do Terceiro Mundo”, editada por Neiva Moreira

O Brasil maior, real, racional, consciente, democrático e sempre preocupado em avançar comemora os 100 anos de nascimento do educador e pensador pernambucano e cidadão do mundo Paulo Freire, criador genial do revolucionário método de alfabetização que leva seu nome, por meio do qual o alfabetizando também aprende a pensar e, por via de desdobramento, a refletir criticamente sobre a realidade social, econômica e cultural em que vive. Já o Brasil menor, irracional, insensível, preconceituoso e de viés fascista o vê como um risco, que ameaça o seu status quo e desdenha do centenário.

Incursionando pelos alfarrábios da sua pequena biblioteca, o autor da Coluna deu de cara, ontem, com alguns exemplares de Cadernos do Terceiro Mundo, uma revista bimestral sobre política, economia e cultura nos países desse mosaico geopolítico mergulhados em crises, golpes, ditaduras, mas também abrigando preciosos focos de resistência, ensaios revolucionários e até mesmo revoluções, editada pelo genial jornalista e político maranhense Neiva Moreira. Cadernos do Terceiro Mundo mergulhou fundo nas realidades da América Latina, Oriente Médio, África e Ásia, mostrando, em edições em português e espanhol, a rotina de golpes, contragolpes e também esforços de construção democrática em dezenas de países desses continentes.

Atraído por uma matéria de capa da edição nº 28, de Outubro/Novembro de 1980, que analisa, naquele momento, as “aberturas” nas violentas ditaduras militares que infernizavam Argentina, Chile e Uruguai, o autor da Coluna se deparou uma entrevista de Paulo Freire, que, após 15 anos de exílio, naquele momento retornava ao Brasil nas asas da anistia concedida pela já combalida ditadura militar, que começava a desabar sob a pressão das forças civis e democráticas. Concedida ao jornalista Paulo Cannabrava Filho, a entrevista é reveladora do Paulo Freira daquele momento, então com 69 anos, bem mais maduro e enriquecido por experiências como exilado e educador em diversos países, entre eles Chile, Estados Unidos, Suíça, Guiné, Cabo Verde e Granada.

Alguns dos seus ensinamentos:

“Volto ao Brasil contente por ter vivido intensamente em um momento difícil que é o tempo da distância. Mas volto ao Brasil com a humildade não demagógica, com a humildade que a própria riqueza da experiência que eu tive me deu”

“Os problemas pedagógicos são problemas políticos, que se expressam na pedagogia, no ato educativo”.

“O processo de aprendizagem me mostrou, fundamentalmente, o caráter político da educação. É (assim) toda vez que se faça, onde quer que se faça, independentemente da consciência que se tenha disso”.

“Estamos permanentemente nos fazendo, nos refazendo, na própria prática da transformação da realidade”.

“No momento em que fazemos a História, a atuação política na História, não fazemos o que queremos, mas fazemos o que é possível fazer”.

“Não se pode programar uma ação pedagógica sobre os níveis de consciência e de percepção das massas populares”.

“Numa campanha de alfabetização, se você alfabetiza o homem hoje, mas não o insere no processo econômico, político e social da Nação, dentro de um ano ele voltará a ser analfabeto”.

“Não me preocupamos métodos. O que me preocupa é a clareza política do educador”.

Em Tempo: Assim como todas as edições de Cadernos do Terceiro Mundo, a de nº 28 é um documento jornalístico de grande importância. Com um jornalismo de primeira grandeza, ela retrata a situação das ditaduras que infernizavam a Argentina, o Chile e o Uruguaia naquele momento, quando o Brasil iniciava a lenta transição para a democracia. Uma enorme e especialíssima contribuição do gigante Neiva Moreira ao jornalismo e à História, bem no nível da sua participação na vida política do País (foi um dos fundadores do PDT, junto com Leonel Brizola e Jackson Lago), em especial na do Maranhão, que representou na elite da Câmara Federal em sete mandatos.

São Luís, 21 de Setembro de 2021.

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