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Braide entra no jogo eleitoral, declara apoio a Roberto Rocha e diz que grupo decidirá candidato aos Leões

Com gestão sob controle, apesar dos problemas,  Eduardo Braide entra na guerra eleitoral

Bem antes do que muitos imaginavam, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (sem partido), começou a se posicionar em relação à corrida eleitoral do ano que vem, declarando apoio à pré-candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição. E o fez ontem, durante entrevista à TV Mirante, durante a qual disse também que ainda não tem definido o nome que apoiará para o Governo do Estado, mas avisando que essa tomada de posição será feita pelo grupo que o apoiou na corrida à Prefeitura, sem, no entanto, identifica-lo. Com esse movimento, o prefeito do maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, sai da chamada zona de conforto, para entrar na disputa eleitoral. Sem partido político desde que deixou o Podemos, em fevereiro, Eduardo Braide deve ter uma atuação personalizada, o que está dentro do script que ele rascunhou desde que assumiu o comando administrativo da Capital, em janeiro de 2021.  E pelo que corre nos labirintos das especulações, o prefeito de São Luís tende a apoiar a pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), que após o fracasso do seu candidato, deputado Neto Evangelista, que concorreu pelo DEM, apoiou sua candidatura no 2º turno, contra o deputado estadual Duarte Jr., que concorreu pelo Republicanos.

A explicação para o apoio ao projeto de reeleição do senador Roberto Rocha vai muito além do argumento que o parlamentar tem apoiado sua gestão com recursos federais. O motivo principal está no fato de que ele mantém o ex-governador Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado, entre os primeiros na sua cota de desafetos políticos. O deputado estadual Eduardo Braide foi líder do Governo Flávio Dino na Assembleia Legislativa – um líder atuante, diga-se -, mas rompeu com o governador quando ele decidiu apoiar o projeto de reeleição do então prefeito Edivaldo Holanda Jr., então filiado ao PDT, em 2016, tendo concorrido, sem conseguir eleger-se. Em 2018, pressionado para ser candidato a governador contra Flávio Dino (PCdoB), o então deputado se elegeu deputado federal com mais de 180 mil votos, a maioria em São Luís, sendo o segundo mais votado.

A eleição contundente para a Câmara Federal credenciou Eduardo Braide para a disputa da Prefeitura de São Luís em 2020. Favorito desde as primeiras pesquisas, ele teve como principal oponente o deputado estadual Duarte Jr., que disputou pelo Republicanos, então o partido do vice-governador Carlos Brandão e apoiado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL). Eduardo Braide venceu no 1º e no 2º turno, numa campanha que o afastou muito do vice-governador e o levou ao rompimento definitivo com o então governador Flávio Dino. Vem daí a motivação política do seu anunciado apoio ao projeto de reeleição do senador Roberto Rocha.

A posição do prefeito de São Luís é aguardada com expectativa, mais do grupo que espera o apoio do que pelo grupo que considera adversário. Se prevalecer a lógica, a tendência do prefeito é declarar apoio ao senador Weverton Rocha. Mas chamou a atenção o fato der que na entrevista de ontem Eduardo Braide não ter citado o senador Weverton Rocha como apoiador da sua gestão com verbas federais. Mesmo assim, é difícil imaginar o prefeito declarando apoio ao seu antecessor, Edivaldo Holanda Jr. (PSD), a quem fez ontem uma crítica indireta ao avaliar como “malfeita” a nova licitação para os transportes coletivos da Capital. É, em escala mais ampla, a mesma situação em relação ao governador Carlos Brandão, que foi o principal apoiador de Duarte Jr. que, até onde se sabe, será o seu grande adversário na disputa pela Prefeitura em 2024.

Mas como em política o imprevisível costuma surpreender, não dá para confirmar uma tendência. Ou seja, só o prefeito de São Luís dirá o nome que quer no palácio vizinho.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Duas informações chamaram a atenção na pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial

Lula da Silva amplia vantagem sobre Jair Bolsonaro, que pode tumultuar processo eleitoral

A primeira, claro, é a ampliação da vantagem do ex-presidente Lula da Silva (PT), que tem 48% das intenções de voto, sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL), pré-candidato à reeleição, que aparece com 27%, situação que lhe dá 58% contra 33% num eventual 2° turno.

A outra informação é altamente positiva, mas traz com ela uma nuvem de preocupação. O Datafolha quis saber o que os brasileiros pensam da urna eletrônica. Nada menos que 78% responderam que aprovam. Só que em pesquisa anterior, os que aprovavam somavam 85%. Ou seja, a estratégia criminosa do presidente Jair Bolsonaro de tentar minar a credibilidade do sistema de votação brasileiro vem ganhando adeptos, podendo dar a ele o argumento que precisa para tumultuar o processo.

 

Mulheres se mobilizam por mais participação na política

Eliziane Gama, Márcio Jerry e Clay Lago participaram do seminário de ontem, na Assembleia Legislativa

São Luís será palco hoje de uma grande mobilização convocada pela Frente Maranhense de Mulheres na Política com o objetivo de estimular mulheres a participarem da vida política do estado e do processo eleitoral, candidatando-se principalmente a cadeiras nos parlamentos estadual e federal. O movimento foi iniciado ontem com um seminário realizado com o apoio da Assembleia Legislativa sobre o tema “Mais Mulheres na Política”. Na caminhada de hoje, as mulheres lançarão uma Carta Aberta aos Maranhenses.

Ontem, o movimento realizou o seminário “Seminário Estadual Mais Mulheres na Política”, no auditório “Neiva Moreira”, da Assembleia Legislativa, que apoia a iniciativa. No seminário, as participantes discutiram termas como “Mulheres na Política”, “Mais Mulheres na Política”, Mais Mulheres nas democracias” e mais Mulheres das eleições”. Na sua fala, a senadora Eliziane Gama (Cidadanias), criadora da Frente Maranhense Mais Mulheres na Política, defendeu esforços para que as mulheres, que hoje representam apenas 14% dos detentores de mandato no país, avancem para alcançar a paridade, ou seja, 50% nas casas legislativas.

Hoje, uma caminhada saindo da Praça Deodoro, reunirá centenas de mulheres em favor do movimento, que se deslocarão para a Rua Grande até a praça João Lisboa. Na caminhada, as integrantes do movimento tentarão convencer mulheres indecisas a participarem ativamente da vida política da sua cidade, do estado e do País. O movimento pretende estimular mulheres a se filiarem a partidos políticos e, se possível, se candidatarem às eleições do ano.

São Luís, 28 de Maio de 2022.

 

Petistas ligados a Weverton querem tirar Camarão e emplacar Zé Inácio como vice de Brandão

 

Zé Inácio quer a vaga de vice já preenchida por Felipe Camarão

O braço maranhense do PT decidiu reabrir a discussão sobre a indicação pelo partido do companheiro de chapa do governador Carlos Brandão (PSB) à reeleição, ao adiar para os dias 04 e 05 de junho o Encontro Tático que estava agendado para este fim de semana. O motivo do adiamento foi a decisão do deputado Zé Inácio (PT) de questionar a indicação do advogado e ex-secretário de Estado da Educação Felipe Camarão para a vaga de pré-candidato a vice na chapa de Carlos Brandão, de modo a que ele próprio seja avaliado para a vaga. A imprevista alteração na agenda do partido, que já tinha como certa a chapa Carlos Brandão/Felipe Camarão, está sendo comemorado como uma “vitória” da pequena e barulhenta dissidência do PT, alinhada ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) a governador, e que exige também que o partido lance o sociólogo Paulo Romão como candidato do Senado, ao invés de apoiar a candidatura do ex-governador Flávio Dino (PSB). Com a mudança, os petistas colocam em dúvida a relação do PT com o PSB e passam para o eleitorado a impressão de que o partido está dividido. Isso num momento em que Weverton Rocha amplia sua aliança com setores bolsonaristas, com apoio entusiasmado da ala dissidente do PT.

Para quem não sabe, o chamado Encontro Tático é parte da preparação do PT nas as campanhas eleitorais. Nele, as lideranças do partido discutem candidaturas, examinam o contexto das disputas, avaliam o potencial das candidaturas, medem o peso e o poder de fogo das alianças, e tomam decisões sobre mudanças, que são enviadas como propostas à cúpula nacional da agremiação, que tem a palavra final sobre tudo o que lhe é proposto. No caso maranhense, a ideia da dissidência alinhada ao pré-candidato pedetista, agora em parte apoiada pelo deputado Zé Inácio, é desfazer o que já foi definido e acertado ao longo de meses de negociações do ex-governador Flávio Dino e o governador Carlos Brandão com a cúpula nacional do PT, a começar pelo próprio ex-presidente e pré-candidato a presidente Lula da Silva, e com o aval da cúpula do partido no Maranhão.

Os autores do pedido de adiamento do Encontro Tático justificam a iniciativa com o argumento segundo o qual as lideranças do partido terão mais tempo para avaliar a situação e as propostas de alteração, principalmente em relação à vaga de vice-governador. Em que pese a fantasia senatorial do sociólogo Paulo Romão e o esforço quase obstinado do ex-vereador Honorato Fernandes para atrelar o PT maranhense à candidatura do senador Weverton Rocha, o grande objetivo é rifar o ex-secretário Felipe Camarão, recém convertido ao petismo, para que a vaga de vice seja ocupada por um “petista orgânico”, no caso o deputado Zé Inácio, criando várias categorias de petista.

O problema é que, caso o PT resolva trocar Felipe Camarão por Zé Inácio – o que não está sendo admitido sequer hipoteticamente pelo comando da aliança PSB/PT no Maranhão -, o resultado seria uma troca de “uma dúzia por meia dúzia”. E a explicação é simples: mesmo sendo um militante linha de frente do PT, com experiência e um bom naco de credibilidade, o deputado Zé Inácio não tem o potencial eleitoral do ex-secretário Felipe Camarão, hoje um nome estadualizado e que, para muitos, seria um dos mais votados se disputasse uma cadeira na Câmara Federal. Além disso, a intenção clara, e para muitos inexplicável, dos chefes da barulhenta e politicamente inexpressiva dissidência petista é criar constrangimentos ao governador Carlos Brandão e ao ex-governador Flávio Dino.

Todos os sintomas e indícios sugerem que entre as decisões que o braço maranhense do PT tomará no Encontro Tático agora agendado para o início der junho estará a confirmação de Felipe Camarão como vice de Carlos Brandão e de Flávio Dino como o candidato a senador a ser apoiado pelo partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maranhãozinho jogo quando diz que PL ainda não decidiu apoiar Roberto Rocha

Roberto Rocha ainda não tem mesmo o apoio de Josimar de Maranhãozinho?

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) estaria fazendo jogo de cena quando diz que nada está definido em relação ao apoio do seu partido à pré-candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição. Fonte com trânsito fácil no seu QG garante que os acertos que fez em Brasília teriam incluído, além da aliança com o senador Weverton Rocha para o Governo do Estado, o apoio do PL ao projeto de reeleição de Roberto Rocha. Essa negociação teria passado pelo presidente nacional do PL, Waldemar Costa Neto, pelo presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP/AL), e pelo presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que estariam seguindo orientação do Palácio do Planalto. Josimar de Maranhãozinho detém, de fato, o controle quase absoluto do PL no Maranhão, mas nessas eleições, por conta do “fator” Jair Bolsonaro (PL), ele não estaria dando um passo sem se articular com Brasília. E, embora não simpatize muito com o projeto do senador, não tem como ficar indiferente à situação dele.

 

Federações já criadas têm posições definidas no Maranhão

Carlos Brandão e Flávio Dino têm o apoio de duas das três federações já criadas, inclusive a que inclui o PT de Lula da Silva, pré-candidato a presidente 

O TSE aprovou ontem (26), por unanimidade, a criação de duas novas federações partidárias, a primeira unindo PSDB e Cidadania, e a outra juntando PSOL e Rede. A primeira, unindo PT, PCdoB e PV, foi aprovada na terça-feira (24).

A grande novidade desse processo eleitoral, a federação, ao contrário da coligação, mantém os partidos juntos durante os quatro anos seguintes, atuando com unidade programática e dividindo os recursos do Fundo Partidário. Na prática, a medida veio salvar siglas que, devido ao baixo desempenho eleitoral, corriam o risco de não cumprir a cláusula de barreira, instrumento que restringe o acesso ao Fundo Partidário e ao horário gratuito de TV e rádio.

No Maranhão, a primeira federação criada, unindo PT, PCdoB e PV integra a base da pré-candidatura do governador Carlos Brandão (PSB) à reeleição e a do ex-governador Flávio Dino ao Senado. A primeira criada ontem, juntando PSDB e Cidadania, partidos atualmente controlados pela senadora Eliziane Gama (Cidadania), também estão na base da chapa Carlos Brandão/Flávio Dino.

Já a terceira federação, formada por PSOL e PV segue caminho independente. Isso porque o PSOL já definiu Enilton Rodrigues como pré-candidato a governador, não se sabendo ainda qual será o espaço do Rede na chapa.

São Luís, 27 de Maio de 2022.

Já era previsto: Maranhãozinho enfrenta dificuldade para unir grupo em torno de Weverton

 

Josimar de Maranhãozinho: parte do seu grupo  não quer Weverton Rocha, nas quer a reeleição de Carlos Brandão

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho não vai entregar ao senador Weverton Rocha (PDT) o pacote completo de suportes previsto no acordo para apoiar a pré-candidatura dele ao Governo do Estado, como anunciou em live na noite de segunda-feira (23). Essa possibilidade foi por ele admitida ontem, em entrevista à Rádio Mirante AM, durante a qual informou que o grupo que controla não está unido em torno do pré-candidato do PDT, existindo nas suas fileiras segmentos que preferem se alinhar à pré-candidatura do governador Carlos Brandão (PSB) à reeleição. Ele citou o exemplo do deputado federal Marreca Filho, cujo pai, o ex-deputado federal e ex-prefeito de Itapecuru Mirim Júnior Marreca, é o controlador do Patriotas no estado, não quer apoiar o senador Weverton Rocha por ter mais afinidade política com o governador Carlos Brandão. Nos bastidores, sabe-se que vários dos 40 prefeitos eleitos com o apoio de Josimar de Maranhãozinho são a favor do projeto de reeleição do governador, já tendo alguns deles se posicionado nessa direção dentro do grupo.

A rigor, excetuando o PSB e o PCdoB, praticamente todos os partidos enfrentam situações como essa. O próprio PDT, presidido pelo senador Weverton Rocha e carro-chefe do seu projeto de candidatura, está sendo sacudido por segmentos que não o apoiam, tendo alguns nomes destacados, como o do ex-deputado federal Julião Amin, por exemplo, declarado apoio ao governador Carlos Brandão. O caso do PL é mais impactante porque Josimar de Maranhãozinho sempre passou a impressão de que controla um grupo sem dissidência, quadro agora exposto com um retrato bem diferente. A resistência dos Marreca ao acordo firmado por Josimar de Maranhãozinho com o senador Weverton Rocha mostra que o poder de fogo do chefe do PL tem limite. E mais, mostra que nesse jogo ganha quem tem suporte mais sólido.

Os traços de fragilidade do comando de Josimar de Maranhãozinho sobre o grupo talvez explique a quase indiferença demonstrada pelos líderes da aliança PSB/PT/PCdoB/PP/Cidadania/PSDB, que tem Carlos Brandão como candidato à reeleição e o ex-governador Flávio Dino (PSB) como candidato ao Senado, em relação ao anúncio de aliança com Weverton Rocha. Parte dessa atitude pouco preocupada se deve ao fato de que o comando da aliança governista já trabalha com a adesão de parte das fileiras de Josimar de Maranhãozinho ao governador. O chefe do PL sabe disso e já o admitiu nas entrelinhas das suas declarações em entrevistas recentes, como a de ontem, que foi a mais esclarecedora dessa opereta.

Vale registrar também o fato de o chefe do PL haver confirmado que o acordo para apoiar o governador Carlos Brandão não foi fechado porque não lhe fora dada a vaga de candidato a vice-governador, preenchida por Felipe Camarão, indicado pelo PT, nem a de primeiro suplente na chapa de Flávio Dino para o Senado, já ocupada pela vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula Lobato (PCdoB).

A conversa com o senador Weverton Rocha foi diferente. Com sua base política e partidária minada e perdendo consistência, e sem perspectiva de alcançar reforço por outro caminho, o líder pedetista aceitou ceder a vaga de pré-candidato ao PL em troca do apoio à sua pré-candidatura. Eles firmaram um acordo partidariamente normal e lícito, mas politicamente muito estranho, ficando Josimar de Maranhãozinho com o poder de fazer a indicação, que, segundo ele próprio, será feita em junho. Na bolsa de especulações o nome mais forte é o da deputada estadual e pré-candidata a deputada federal Detinha (PL), esposa do chefe do PL, ou a advogada Fabiana Villar (PL), sua sobrinha, que foi secretária de Agricultura no Governo Flávio Dino e candidata a vice-prefeita de São Luís em 2020, na chapa encabeçada pelo estadual Duarte Jr., candidato do Republicanos.

No plano da aparência, que é importante como fator de mídia, a aliança com Josimar de Maranhãozinho, pode ter sido uma boa cartada para o senador Weverton Rocha. Mas do ponto de vista político e eleitoral propriamente dito, a união pode dar luz a um grande fiasco.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de Othelino a Velten reafirma relação harmoniosa entre Legislativo e Judiciário

Othelino Neto e Paulo Velten: clima descontraído e boas relações entre os Poderes 

Enquanto no plano nacional os Poderes Legislativo e Judiciário encontram-se em clima de confronto institucional e político, por conta das provocações golpistas do presidente Jair Bolsonaro (PL), no Maranhão a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Justiça mantêm-se independentes, mas afinados na seara institucional, convivendo dentro da harmonia prevista na Constituição. Foi esse o clima que dominou a visita que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), fez ontem ao novo presidente do Poder Judiciário, desembargador Paulo Velten.

Ao sair do Palácio Clóvis Bevilacqua, sede do Tribunal de Justiça do Maranhão, o presidente da Assembleia Legislativa revelou a pauta que orientou a conversa. “Conversamos sobre assuntos importantes para o Legislativo e para o Judiciário, entre eles projetos de lei que tratam da reestruturação administrativa do Tribunal e que, em breve, serão enviados à apreciação do Parlamento estadual”, disse Othelino Neto, que fez a visita acompanhado do procurador-geral da Assembleia Legislativa, Tarcísio Araújo.

Por seu turno, o presidente do TJMA, Paulo Velten, informou ao visitante que dará continuidade ao trabalho do ex-presidente da Corte, desembargador Lourival Serejo, mantendo sempre o bom relacionamento institucional entre os dois Poderes: “Estamos dando sequência ao excelente trabalho desenvolvido pelo desembargador Lourival Serejo, que teve todo o apoio da Assembleia Legislativa em sua gestão. O parlamento sempre tratou com muita atenção e prioridade os projetos de organização do Judiciário. E eu fico feliz em ouvir do presidente Othelino Neto que esse relacionamento institucional positivo terá continuidade”.

 

Márcio Jerry bate martelo e anuncia que buscará novo mandato na Câmara Federal

Bom desempenho político e partidário pode reelegê-lo

Depois de ter frequentado listas de possíveis candidatos a vice na chapa do governador Carlos Brandão (PSB) e de prováveis nomes para primeira suplência na chapa do ex-governador Flávio Dino (PSB), o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) anunciou ontem que será candidato à reeleição. A decisão de tentar renovar o mandato é justa e faz todo sentido, à medida que Márcio Jerry, além de ser o mais ativo parceiro de Flávio Dino, foi, de longe, o nome mais influente dos sete anos de Governo do PCdoB. Bem articulado, dono de ampla e sólida cultura política, e com a experiência de anos e anos de militância iniciada no movimento estudantil, nos anos 80 do século passado, Márcio Jerry tem tido papel decisivo no Governo do Estado. Primeiro como líder partidário, reconhecido pelo trabalho que vem realizando para manter de pé o PCdoB, que preside; como assessor e conselheiro do governador Flávio Dino, papel que exerceu como secretário de Comunicação e Articulação Política, e depois na pasta das Cidades; e como deputado federal atuante, uma das vozes mais duras da oposição ao presidente Jair Bolsonaro e seu governo. É apontado como um dos atuais membros da bancada maranhenses que renovarão seus mandatos.

São Luís, 26 de Maio de 2022.

Aliança Lula/Brandão/Dino está definida e caminha para a consolidação, apesar das pressões adversárias

 

Lula da Silva confirma aliança com Carlos brandão e Flávio Dino, em São Paulo

O Maranhão está fora da lista de estados onde o PT está enfrentando dificuldades para montar alianças em torno da pré-candidatura do ex-presidente Lula da Silva à Presidência da República. Isso significa dizer que, mesmo pressionados pelas fortes investidas do PDT, comandadas pelo senador Weverton Rocha, pré-candidato do partido ao Governo do Estado, o PSB, comandado pelo ex-governador Flávio Dino, pré-candidato ao Senado, tendo o governador Carlos Brandão candidato à reeleição, e o PT, que indicou Felipe Camarão como pré-candidato a vice, acertaram todos os detalhes e pendências, estão se articulando e já falam praticamente a mesma linguagem, e começam, de fato, a preparar o roteiro de campanha incluindo a chapa Lula da Silva/Geraldo Alckmin. Os fatos mais recentes mostram que, apesar de todos os esforços que fez para atrair o apoio de Lula da Silva, o senador Weverton Rocha perdeu essa disputa. O ex-presidente vai com Carlos Brandão, empurrando o pré-candidato do PDT a buscar aliados na base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Maranhão, como foi o caso do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e seu grupo.

Até pouco tempo atrás, os grandes jornais, assim como os portais de notícia mais influentes, davam o Maranhão como item certo entre os estados com problemas para montar essa equação, mas esse cenário mudou. Na segunda-feira, por exemplo, o jornal O Globo publicou uma reportagem sobre o assunto, mostrando os entraves para alianças em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e na qual faz apenas o seguinte registro sobre o Maranhão: “A tendência é que Lula também atue para que o PT do Maranhão apoie a reeleição do governador Carlos Brandão (PSB), que assumiu o cargo após a renúncia de Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado”. Ou seja, as nuvens cinzentas sobre a aliança, espalhadas por uma fatia dissidente do PT maranhense, foram definitivamente dissipadas.

As evidências de que PSB e PT caminhavam nessa direção foram surgindo com os fatos. Um deles, a minúscula e zoadenta fatia do PT, comandada pelo ex-vereador de São Luís Honorato Fernandes e fortemente influenciada pelo senador Weverton Rocha, tentou mais uma vez, mas sem sucesso, melar a aliança PSB/PT espalhando que o Encontro Tático do PT, programado para o final deste mês, para o partido definir suas estratégias e metas de campanha, seria adiado por conta de diferenças internas em relação à indicação de Felipe Camarão como vice de Carlos Brandão. A informação era falsa e, ao contrário do que foi dito, o encontro foi confirmado para o dia 29, tendo como item central da pauta a confirmação da aliança com PSB e PCdoB. No evento, os líderes petistas definirão táticas de campanha, com foco central nas candidaturas de Lula da Silva, de Carlos Brandão e de Flávio Dino.

Também não passou de mise-en-scène o encontro do sociólogo Paulo Romão (PT) com o deputado estadual Adriano Sarney (PV), numa tentativa de usar a federação PT/PCdoB/PV para dar sentido ao seu projeto de candidatura ao Senado pelo PT. Integrante da política e eleitoralmente fraca dissidência petista, Paulo Romão vem teimando em se manter como pré-candidato do PT ao Senado, quando o partido já fechou questão no apoio a Flávio Dino. Na visão da cúpula, nada disso muda a decisão do partido de marchar para as urnas com Carlos Brandão e Felipe Camarão para o Governo, e Flávio Dino para o Senado. Os dissidentes petistas levarão a questão para o Encontro Tático do partido, mas é quase certo que seu pleito será arquivado.

Uma das mais nítidas evidências de que a aliança com o PT é fato consumado foi o início, ontem, da campanha partidária do PSB, na qual o ex-governador Flávio Dino e o governador Carlos Brandão participam do mesmo clipe, mostrando uma integração pouco vista nas relações eleitorais no Maranhão. A propaganda partidária do PSB chega depois que Edivaldo Holanda Jr., usando o espaço do seu partido, o PSD, usou o discurso do “bom moço”, que não briga e só trabalha. Também o clipe do PSC, no qual Lahesio Bonfim se apresenta como um gênio, assim como Simplício Araújo, dono de solução para todos os problemas do estado. E, finalmente, Weverton Rocha, que tenta dizer que o Maranhão não está bem e que ele tem a solução para todos os problemas.

A campanha iniciada na segunda-feira (23) pelo PSB poderá funcionar como poderoso contrapeso ao que já foi levado ao ar nessa fase. E também ao acordo que tornou possível a aliança entre o pré-candidato pedetista Weverton Rocha e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho.

PONTO & CONTRAPONTO

Pré-candidatura presidencial de Simone Tebet cria situação embaraçosa para José e Roseana Sarney

Pré-candidatura de Simone Tebet cria situação incômoda para José Sarney e Roseana Sarney

A possibilidade, agora concreta, de a senadora mato-grossense Simone Tebet (MDB) vir a se consolidar como pré-candidata presidencial da chamada “terceira via”, que ganhou um grande reforço com a desistência do ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB), colocou a ex-governadora Roseana Sarney e o ex-presidente José Sarney em estado de alerta. Integrantes graduados da cúpula nacional do MDB, os dois emidebistas já demonstraram várias vezes sua inclinação pelo projeto de candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT), de quem foram aliados durante os oito anos em que ele esteve no Palácio do Planalto. Se a construção da “terceira via” vingar, a ex-governadora e o ex-presidente ficarão numa situação no mínimo delicada, já que será criada um ambiente difícil. Até onde se sabe, Lula da Silva conta com o apoio dos dois ex-aliados, que se afastaram do PT durante o movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, que ambos apoiaram abertamente e que resultou na ascensão do vice-presidente Michel Temer (MDB). Os próximos passos do movimento pela construção de uma candidatura presidencial de centro, para quebrar a polarização Lula da Silva/Jair Bolsonaro, serão decisivos para definir o futuro de José e Roseana Sarney.

 

Aliança Weverton/Josimar aumenta o desafio de Edivaldo Jr.

Edivaldo Jr. desafio

A anunciada aliança Weverton Rocha/Josimar de Maranhãozinho tirou de vez o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD) da zona de conforto em que se encontrava, atuando com o objetivo de alcançar e ultrapassar o pré-candidato pedetista, para se tornar o principal adversário governador Carlos Brandão. Na avaliação de um aliado do pré-candidato do PSD, a aliança PDT/PL reforça o pré-candidato pedetista, dando-lhe condições eleitorais para ultrapassar a barreira do 1º turno e disputar o turno decisivo com o governador Carlos Brandão. Isso significa que o ex-prefeito de São Luís tem pela frente o hercúleo desafio de tirar do jogo o senador Weverton Rocha ou o governador Carlos Brandão.

São Luís, 25 de Maio de 2022.

Maranhãozinho fecha com Weverton e vai indicar o vice, que pode ser a deputada Detinha

 

Weverton Rocha acerta com Josimar de Maranhãozinho a aliança para a disputa pelo Governo do Estado

Josimar de Maranhãozinho (PL) bateu o seu martelo e decidiu firmar aliança com o senador Weverton Rocha, pré-candidato do PDT, na disputa para o Governo do Estado. A decisão foi tomada no fim de semana e anunciada ontem, durante uma live ao longo da qual o parlamentar revelou o acordo e as condições em que ele se dará. O item principal do acerto é que Josimar de Maranhãozinho indicará o candidato a vice na chapa de Weverton Rocha. E pelo que correu ontem à noite nos bastidores, na forma ainda de especulação, o pré-candidato a vice será a deputada estadual Detinha, esposa de Josimar de Maranhãozinho, que em princípio disputaria uma cadeira na Câmara Federal. Ao comentar o item-chave da negociação com o senador Weverton Rocha, Josimar de Maranhãozinho disse que a vaga de vice lhe foi oferecida, quando se sabe que esse era seu trunfo.

A opção por uma aliança com Weverton Rocha foi, na verdade, uma reviravolta, orientada por vozes de Brasília, para estancar a tendência do parlamentar no sentido de apoiar o governador Carlos Brandão (PSB). A aliança com o PL leva o senador Weverton Rocha definitivamente para a seara bolsonarista, tendo, entre outras consequências, a restrição a que ele adote um discurso duro contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha. Mais do que isso, pela primeira vez na história tira o PDT do bloco democrático de centro-esquerda, para situá-lo na órbita da extrema-direita, já Josimar de Maranhãozinho será o seu principal que parceiro.

Josimar de Maranhãozinho, que controla três deputados federais, quatro deputados estaduais, cerca de 40 prefeitos e várias dezenas de vereadores, jogou todas as cartas que podia jogar para chegar a esse acordo. Primeiro encenou a personagem de pré-candidato a governador, que era balela, uma vez que, por conta das suspeitas que lhe pesam sobre os ombros, ele talvez não pudesse ser candidato. Depois, colocou as cartas tendo a vaga de vice como contrapartida ao seu apoio – tentou emplacar o seu vice na chapa de Carlos Brandão, mas não obteve sucesso. Usou o mesmo argumento com Weverton Rocha, que fez as contas do desgaste e resolveu pagar para ver – com o detalhe que ele, se derrotado, continua senador, enquanto os seus aliados vão para casa.

Ao anunciar o acordo, Josimar de Maranhãozinho contou que reuniu seus aliados e fez uma eleição, com chapa e tudo, para que eles fizessem a escolha. Curiosamente, a maioria votou sem escolher, mas dando autorização para que o chefe escolhesse, ele próprio, sozinho, o candidato do seu grupo. E ele, então, “pensou”, “pensou”, e escolheu o senador Weverton Rocha, com quem já vinha conversando há tempos. Numa outra versão, a escolha se deu porque o chefe do PL foi “aconselhado” por vozes de Brasília a se afastar do grupo liderado pelo ex-governador Flávio Dino (PSB), sob pena de ser retaliado no processo de cassação que corre na Câmara Federal. Certas de que ele dificilmente entraria nessa disputa, teriam recomendado o chefe do PDT no Maranhão.

Não há dúvida de que a aliança com Josimar de Maranhãozinho turbina fortemente a pré-candidatura de Weverton Rocha, já que o chefe do PL controla um grupo expressivo. Mas, por outro lado, poderá ser o seu Calcanhar de Aquiles. Do ponto de vista eleitoral, o chefe do PL pode dar ao pré-candidato do PDT um cacife expressivo. Mas do ponto de vista político, Weverton Rocha poderá sofrer consequências por se aliar ao chefe do grupo cujo líder pode ser um tremendo ficha-suja, que dará suporte à campanha do presidente Jair Bolsonaro no Maranhão.  Ao contrário do que aconteceria se ele declarasse apoio a Carlos Brandão, na aliança com Weverton Rocha ele entra com o (a) vice, o que lhe dá poder de fogo para dar cartas na campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Nicolau vence eleição e deve comandar o Ministério Público em novo mandato

Eduardo Nicolau obteve vitória

O procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, deu ontem o primeiro e decisivo passo para renovar o mandato por mais dois anos. Ele foi o mais votado no processo eleitoral do Ministério Público do Estado do Maranhão, e será o cabeça da lista formada por dois nomes, para que o governador Carlos Brandão (PSB) faça a escolha e a nomeação, devendo manter a tradição de nomear o mais votado.

Num pleito tranquilo, com a participação 324 eleitores – 293 promotores e 31 procuradores de Justiça -, Eduardo Nicolau recebeu 264 votos, enquanto seu concorrente, o promotor José Augusto Cutrim Gomes, recebeu 115. Ao contrário de tempos não muito distantes, quando o órgão ministerial viveu um longo período tensionado por uma “guerra” de grupos, o processo transcorreu sem problemas nem tensões, mostrando que o MP/MA é hoje uma instituição sólida e madura.

A reeleição do procurador geral Eduardo Nicolau não surpreendeu. Ela foi fruto de um grande pacto informal, que ganhou forma à medida que seu primeiro mandato foi mostrando uma gestão firme, que colocou o Ministério Público acima da fogueira das vaidades e o fez funcionar como um eficiente fiscal da lei. Ao mesmo tempo, o atual procurador geral de Justiça trabalhou para manter a unidade do Ministério Público, o que lhe valeu credibilidade e autoridade para se candidatar a novo mandato. Sua votação foi a renovação da carta de crédito dada por seus pares.

 

Candidatura de Lahesio tem dois objetivos

Lahesio Bonfim

Corre nos bastidores que o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC), tem dois objetivos nessa corrida ao Palácio dos Leões. O primeiro é ser governador do Maranhão, claro, estando ele acreditando, de verdade, que será eleito. O outro objetivo a ser alcançado é: não sendo eleito governador, fazer lastro político e eleitoral para disputar a Prefeitura de Imperatriz em 2024.

São Luís, 24 de Maio de 2022.

Flávio Dino diz que só o povo e as consciências deles podem dizer se Weverton Rocha e Roberto Rocha são traidores

 

Flávio Dino já sabia que, após eleitos com o seu apoio, Roberto Rocha (2018) e Weverton Rocha (2022) não o apoiariam na disputa para a vaga de senador

O ex-governador Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado, confirmou o que muitos observadores atentos já suspeitavam: ele sabia que, assim como o senador Roberto Rocha (PTB), que se elegeu em 2014 com seu apoio, o senador Weverton Rocha (PDT), também beneficiário da sua força política para se eleger em 2018, não o apoiaria nessa caminhada.  “Realmente, não acreditava que nesse momento fossem me apoiar, pela trajetória e conduta que vinham adotando e pelas suas atuais posições políticas”, revelou. Indagado sobre se vê traição na postura dos dois senadores – que se odiavam, mas resolveram se juntar contra o seu maior apoiador -, Flávio Dino respondeu: “Não considero que nesse momento eu me sinta traído. E, se são traidores ou não, as suas próprias consciências e a população é quem devem julgar”. E completou, como que jogando uma pá de cal sobre o assunto: “Sinto muito, claro, o caminho que adotaram, mas faremos a campanha e, com a graça de Deus, venceremos”.

Feitas ao meio-dia de sábado (21), em entrevista na estreia do programa Sem Ponto, da Rádio 92.3 FM, comandado pelos jornalistas Daniela Bandeira e Thiago Soares, e com a participação dos influenciadores digitais Garoto Mídia e Poliana Dominici, as declarações do ex-governador Flávio Dino repercutiram no meio político e colocaram ordem no tabuleiro da corrida eleitoral. Elas soaram como fechamento da questão em relação ao senador Weverton Rocha, que disputa o Governo do Estado contra o governador Carlos Brandão (PSB), e ao senador Roberto Rocha, que tentará a reeleição tendo o ex-governador seu adversário na corrida à única vaga em disputa. Mais do que isso, embora não tenha sido explícito, Flávio Dino deixou no ar a impressão de que não vê possibilidade de reatamento, à medida que o rompimento foi iniciativa dos dois.

A posição de Flávio Dino em relação a Roberto Rocha é o resultado de um roteiro bem armado e protagonizado às claras, passo a passo, pelo senador petebista. Depois de eleito em 2014, derrotando o então deputado federal Gastão Vieira (MDB), com o apoio firme e intenso de Flávio Dino (PCdoB), então candidato a governador, sem o qual dificilmente teria saído vencedor, o senador colocou em marcha sua estratégia para se afastar do benfeitor. Começou criticando a “atuação ideológica” do núcleo central do Governo, sem conseguir esconder que se tratava de um jogo de pressão para obter do governador o compromisso de apoiar sua candidatura ao Governo em 2018, o que na prática significaria Flávio Dino abrir mão da sua candidatura à reeleição. O que se seguiu foi uma sucessão de provocações, bate-boca com governistas e, por fim, a desastrada candidatura do senador ao Governo em 2018, quando saiu das urnas com pouco mais de 2% dos votos. E depois disso, Roberto Rocha entrou para as fileiras do bolsonarismo cujas cores defende na disputa direta com Flávio Dino nesse pleito.

O roteiro que levou o senador Weverton Rocha a romper com Flávio Dino é parecido. Como seu colega Roberto Rocha, não satisfeito com o mandato senatorial, que conseguiu em 2018 em grande medida devido ao apoio do então governador Flávio Dino, Weverton Rocha decidiu ser candidato a governador. Pressionou o governador a apoiá-lo, quando até as pedras de cantaria da Praia Grande já sabiam que, por razões óbvias, o candidato do grupo seria o vice-governador Carlos Brandão, que viabilizou politicamente o seu projeto de.  reeleição. Houve várias tentativas de fazê-lo sair do páreo, apoiar Carlos Brandão e criar as condições para disputar o Governo em 2026, mas ele não quis conversa e resolveu partir para o confronto político e eleitoral, já tendo declarado que seu ele e seu grupo apoiar não votarão em Flávio Dino. A julgar pelo que aconteceu em São Luís em 2020, a estratégia de Weverton Rocha guarda o risco de levá-lo a outro tombo monumental. Daí a posição do ex-governador de fechar questão e encerrar a conversa com o senador pedetista e seguir em frente.

Por mais que os dois senadores tentem justificar o rompimento deles com Flávio Dino, o fato é que a única justificativa é a sede de poder de cada um deles falou mais alto. Não foi sem razão que na sua entrevista à 92.3 FM, o ex-governador disse o que pensa a respeito e encerrou o assunto, de maneira polida, sem uma palavra agressiva dirigida aos dois ex-aliados.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ex-governador rebate o que chama de fake news sobre pobreza no Maranhão

Weverton Rocha e Roberto Rocha teriam divulgado fake news 

Nos seus discursos de pré-candidatos ao Governo do Estado e à reeleição, os senadores Weverton Rocha e Roberto Rocha têm usado o argumento de que a pobreza no Maranhão aumentou “nos últimos anos”, ou seja, no Governo Flávio Dino. Na entrevista à 92.3 FM, externou sem rodeios o que pensa a respeito: “Inventaram que eu tinha dito que ia acabar com a pobreza no Maranhão. Acabou em algum lugar do Brasil? A pobreza no Brasil aumentou e os bolsonaristas é quem têm que responder por isso no país inteiro. Na posse, eu falava do Plano Mais IDH e disse que lutaríamos para que na próxima mensuração deste índice, não houvesse município maranhense na lista dos 30 piores com menor Índice de Desenvolvimento Humano”.

E classificou de mentirosa a informação, divulgada pelos senadores Weverton Rocha e Roberto Rocha de que a pobreza no Maranhão aumentou no seu Governo, que será desmentido com os números que serão levantados no próximo censo do IBGE: “Aí sim, podemos comparar. Inventaram uma fake news que dos 10 piores IDHs do Brasil, oito são de cidades do Maranhão. É mentira. Uma estimativa com base no último censo aponta dois municípios do Maranhão nessa lista. Tenho muita tranquilidade em debater números, pois os nossos são verdadeiros, diferente destes que são inventados pela caravana da insensatez”.

Acrescentou que, caso chegue ao Senado irá “ajudar para a captação de recursos reais e não dinheiro mental, a fim de auxiliar na execução das políticas sociais” e enumerou projetos como a rede IEMA, construção de creches em tempo integral, Restaurante Popular, Escola Digna e outros. “Se essa for a vontade do povo, espero poder ser seu representante no Senado Federal”, concluiu.

Um grupo e duas maiorias sobre quem apoiar para o Governo

No final da semana passada, o deputado Josimar de Maranhãozinho (PL) se reuniu com prefeitos aliados dele para consultá-los sobre quem deve apoiar para o Governo do Estado. Fontes da base governista divulgaram que a maioria dos prefeitos se manifestou a favor de apoiar o projeto de reeleição do governador Carlos Brandão, enquanto aliados do senador Weverton Rocha fizeram o mesmo, só que garantindo que a maioria de prefeitos defendeu uma aliança com o pré-candidato do PDT.

São Luís, 23 de Maio de 2022.

Consumada às vésperas das eleições, a federalização da MA-006 dificilmente sairá do papel ainda neste ano

 

Edilázio Jr., Roberto Rocha Cléber Verde, Josivaldo JP, Juscelino Filho e Pastor Cavalcante festejam federalização da MA-006 garantida em lei por Flávio Dino, Othelino Neto e Assembleia Legislativa, que votou em massa pela aprovação

Oito meses depois de autorizada pela lei estadual Nº 385/2021, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), e a pouco mais de quatro meses das eleições, a federalização de 241,7 quilômetros da MA-006, entre Balsas e Alto Parnaíba, foi formalizada ontem por meio de portaria do ministro da Infraestrutura Marcelo Sampaio. Com a federalização, o Governo da República poderá realizar as obras de pavimentação e de restauração da rodovia, que liga o Sul do Maranhão ao resto do mundo e integra a região do chamado Matopiba, uma das maiores do País em produção de grãos pela vertente do agronegócio, que tem Balsas como um dos seus polos mais importantes da região. O ato foi bem recebido no geral, mas causou má impressão a conotação político-eleitoreira dada pelo senador Roberto Rocha (PTB) e alguns deputados federais e estaduais bolsonaristas.

Se levada a sério pelo Governo Federal – o que não está acontecendo com outras rodovias federais que cortam o Maranhão, como a BR-135 e parte da BR-316 -, a federalização pode ser um ganho real para a infraestrutura rodoviária do Maranhão, incluindo o abandonado e caótico acesso à cidade de Imperatriz. Como tem acontecido nas mais diversas regiões do País, a começar pelo Mato Grosso, as rodovias federais que ligam as áreas de produção de grãos aos portos de escoamento, como é o caso da ligação Balsas-Itaqui no Maranhão, encontram-se em sua maioria quase intrafegáveis, aguardando ação por parte do DNIT, que quase nunca são efetivadas. Daí ser lícito prenunciar que, por uma série de fatores, nenhum metro de asfalto será colocado na agora federalizada MA-006 pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), principalmente se o projeto for entregue ao Exército, como próprio senador Roberto Rocha previu.

Realizado em um auditório do Ministério da Infraestrutura, em Brasília, o ato de edição da portaria pelo ministro Marcelo Sampaio foi animado pela ala bolsonarista da bancada maranhense no Congresso Nacional. Como já estava previsto, o senador Roberto Rocha (PTB), que não participou dos debates e dos esforços para viabilizar a concessão feita pelo Governo do Maranhão com o aval da Assembleia Legislativa, fez as vezes de “dono da bola”, com a coadjuvância dos deputados federais Cléber Verde (Republicanos), Edilázio Jr. (PSD), Juscelino Filho (União Brasil), Josivaldo JP (PSD) e do deputado estadual Pastor Cavalcante (PSC). Nenhum deles se dignou a lembrar dos verdadeiros “pais da criança”: a maioria da Assembleia Legislativa reunida no dia 31 agosto do ano passado, sob a orientação do presidente Othelino Neto (PCdoB), e logo em seguida o governador Flávio Dino, que sancionou a lei aprovada, consolidando o processo de transferência da rodovia para a esfera federal.

Não há o que discutir quanto à importância da federalização da MA-006. Mas não deixa de ser estranho que a portaria do ministro da Infraestrutura seja editada dois meses antes da campanha eleitoral propriamente dita, e no mesmo dia em que aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciaram a vinda dele ao Maranhão em junho, a convite do deputado estadual Pastor Cavalcante, para participar de encontro de pastores da Assembleia de Deus, exatamente em Balsas. Não precisa ser especialista para perceber com clareza que se trata de uma jogada eleitoreira bem armada, mas não o suficiente para esconder seu objetivo imediato: a turbinar a combalida imagem do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados nas eleições no Maranhão.

O fato é que, pelo menos, a federalização foi consumada, o que abre caminho para que algo sejas feito pelo bem de todos, ainda que seja fácil perceber e constatar a natureza política e eleitoral do esforço.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tudo indica que não há consenso no PSD no apoio a Roberto Rocha

Edivaldo Holanda Jr. 

Há fortes sinais de que o PSD não está unido no apoio à pré-candidatura do senador Roberto Rocha à reeleição. O presidente estadual do partido, deputado federal Edilázio Jr., participou do ato de lançamento e declarou seu apoio ao senador do PTB, mas não foi claro se estava de acordo com o resto do partido. Nesse contexto, o candidato do PSD a governador, Edivaldo Holanda Jr., que é apoiado pelo nacional do partido, não fez até aqui uma só declaração apoiando o projeto de reeleição do senador Roberto Rocha. Ao contrário, quando aceitou o convite do presidente Gilberto Kassab para ser candidato a governador, obteve o acordo pelo qual o partido não lançasse candidato ao Senado, de modo que ele pudesse votar no ex-governador Flávio Dino (PSB). A iniciativa do presidente Edilázio Jr. de declarar apoio a Roberto Rocha não arrastou Edivaldo Jr., que parece determinado a manter a posição inicial de disputar o Governo sem candidato a senador.

 

Roseana corre o risco de sair da zona de conforto com comentários soltos

Roseana Sarney

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) bem que poderia conter seus impulsos e evitar provocações desnecessárias ao ex-governador Flávio Dino (PSB), a quem já declarou que não apoia. Vez por outra ela sai da zona de conforto em que se encontra para fazer provocações. Aqui e ali, ensaia uma crítica à política de saúde do Governo Dino, que em sete anos fez na área o que ela nem de longe fez em mais de 12 anos de governo. Faz também, aqui e ali, comentários soltos tentando criticar a política educacional do governo passado, quando aquele governo de longe, e com sobra, todos os seus feitos na área educacional. Nesta semana, se manifestou com um estranho comentário em relação à onda de assaltos a ônibus: “Quando você perde o foco e atira para todos os lados, a probabilidade de dar errado é muito grande”. Será que ela sentiu isso em janeiro de 2013, quando São Luís viveu noites de terror com incêndio criminosos a ônibus, causando até morte de criança e algumas tragédias familiares? Como já diziam os mais antigos: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

São Luís, 21 de Maio de 2022.

Licença de Weverton tem muito mais ingredientes do que Bringel definiu como gesto de quem “honra seus pares”

 

Weverton Rocha abre vaga no Senado para Roberth Bringel

O senador Weverton Rocha (PDT), pré-candidato ao Governo do Estado, vai se licenciar do mandato por quatro meses, exatamente no período em que se dará a companha eleitoral e a realização das eleições. Ele anunciou sua saída no dia 6 de julho, para retornar no dia 6 de novembro, depois de um eventual segundo turno da eleição para governador. Na condição de senador licenciado, o pedetista vai intensificar os acordos visando fortalecer sua pré-candidatura e avançar na sua pré-campanha em todo o estado. Sua cadeira será ocupada pelo primeiro suplente, o médico Roberth Bringel, ex-prefeito de Santa Inês (2005/2013), que será senador pelo União Brasil. Licenciado, Weverton Rocha vai escolher seu candidato a vice e, tudo indica, confirmar o apoio do PDT ao projeto de reeleição do senador Roberto Rocha (PDT). Além disso, presidente que é do PDT, Weverton Rocha deverá se dedicar à organização da convenção na qual o partido oficializará a chapa majoritária por ele encabeçada, e as chapas proporcionais (deputado federal e estadual). Depois da convenção, se confirmada sua candidatura a governador, o senador licenciado comandará a campanha, que se iniciará no dia 16 de agosto e terminará no dia 30 de setembro, para ir às urnas no dia 2 de outubro e, dependendo do resultado, voltar às urnas três semanas depois.

As 16 semanas da sua licença serão marcadas por uma situação curiosa e politicamente pouco comum: o suplente Roberth Bringel será um senador do União Brasil, um partido do Centrão cuja bancada nesse período engordará, passando de oito para nove senadores, aumentando assim o poder de fogo da legenda. Por outro lado, a bancada do PDT, que já é pequena, com apenas quatro senadores, com a saída temporária de Weverton Rocha encolherá 25%, ficando com apenas três senadores, o que reduzirá muito a sua já limitada influência na Casa. Se for um político que honra partido, o senador temporário Roberth Bringel estará eticamente obrigado a declarar apoio ao pré-candidato do seu partido a presidente da República, o deputado federal Luciano Bivar (UB). Nesse caso, Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, ficará com um pedetista a menos no plenário do Senado.

Ao transferir o mandato senatorial para Roberth Bringel durante a campanha eleitoral, reduzindo a força do seu partido na Câmara Alta para aumentar a já gigantesca musculatura de um partido de direita, que não apoia a pré-candidatura presidencial do pedetista Ciro Gomes nem a do próprio ex-presidente Lula da Silva (PT), que diz apoiar, o senador Weverton Rocha reforça a impressão de muitos de que essa aliança PDT/União Brasil vai muito além do que é visível no Maranhão. No estado ela parece ser apenas uma relação com viés familiar com o deputado federal Juscelino Filho, que é sobrinho de Roberth Bringel, mas que comanda apenas uma banda do novo partido – a outra é comandada pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, filho de Pedro Fernandes, prefeito de Arame e, por coincidência, primeiro suplente da senadora Eliziane Gama (Cidadania).

Essa aliança começou em 2018, com a escolha de Roberth Bringel para suplente de senador. Na época, a esposa dele, a também médica e ex-deputada estadual Vianey Bringel, então do MDB, era prefeita de Santa Inês. A relação ganhou força surpreendente nas eleições municipais de 2020, principalmente na disputa para a Prefeitura de São Luís, onde Weverton Rocha, já evidenciando o seu projeto de poder, afastou-se do governador Flávio Dino (PCdoB), descartou o então prefeito Edivaldo Holanda Jr., que era do PDT, e lançou um desafeto dele, o deputado estadual Neto Evangelista, filiado ao DEM, candidato a prefeito da Capital. O resultado foi a maior desastre da história eleitoral do PDT em São Luís. O partido que foi esmagado nas urnas, perdeu o controle da maior Prefeitura do Maranhão, encolheu na Câmara Municipal e acabou obrigado a apoiar de graça a eleição do deputado federal Eduardo Braide (Podemos), que será um dos seus mais fortes adversários em eleições futuras.

Assim, a licença do senador Weverton Rocha, que o futuro senador temporário Roberth Bringel classificou como um gesto de grandeza de “um aliado fiel que honra seus pares”, tem um fundo político bem mais abrangente e complexo, que ultrapassa as fronteiras do Maranhão e alcança os bastidores de Brasília. No que diz respeito exclusivamente à campanha, proporcionará ao pré-candidato do PDT o tempo que ele precisa para se manter firme na guerra pelo voto.

Em tempo: o médico Roberth Bringel nasceu político no antigo PMDB. Ele se elegeu prefeito de Santa Inês em 2004 e se reelegeu em 2008 com o apoio do Grupo Sarney.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Com Ângela Salazar no comando, Justiça Eleitoral está em boas mãos

A presidente do TRE-MA Ângela Salazar e o vice e corregedor José Luís Oliveira

A desembargadora Angela Salazar assumiu ontem a presidência do Tribuna Regional Eleitoral (TRE-MA), e nessa condição comandará as eleições deste ano no Maranhão. Segunda mulher negra a presidir a Corte Eleitoral maranhense – a primeira foi a desembargadora Anildes Cruz -, a desembargadora Ângela Salazar chega ao posto embalada pela sua trajetória na magistratura e por uma série de símbolos que representa. Sua caminhada nas entrâncias judiciárias é exemplar: bacharela em Direito pela UFMA, foi delegada de Polícia, promotora de Justiça e, finalmente, juíza de Direito, função que cumpriu com correção e eficiência nas diversas comarcas por onde passou. Chegou ao colégio de desembargadores por merecimento e tem feito pleno jus à ascensão. Ao falar já como presidente da Justiça Eleitoral, ele mandou um recado claro aos que tentam desacreditar o sistema eleitoral com informação falsa: “Temos vivenciado um período desafiador, com disseminações do falseamento da verdade e das fakes news com impacto na vida econômica, social e política dos cidadãos, cidadãs e das instituições. A Justiça Eleitoral sendo atacada de forma constante sobre a confiabilidade da urna eletrônica, e o Estado Democrático de Direito sob perigo. Descabe, portanto, apoiar esses desvios de condutas”. No plano simbólico, sua importância ganha amplitude pelo fato de ser mulher, negra e de origem humilde, condições que no Brasil conservador que ainda teima em existir, tornam improvável protagonizar uma carreira bem-sucedida, principalmente numa instituição formal e conservadora como o Poder Judiciário. A nova presidente do TRE-MA é a prova – e faz questão de sê-lo – de que a educação, o esforço e a consciência cidadã são as armas mais eficientes na luta contra o atraso e o preconceito.

A presidente Ângela Salazar terá como vice, que acumula a função de corregedor-eleitoral, o desembargador José Luís Oliveira, um magistrado sério, estudioso e crítico duro das deficiências da Justiça e conhecido pela correção ética.

A Justiça Eleitoral do Maranhão está, portanto, em boas mãos, tanto na seara técnica quanto no ponto de vista ético.

 

Carlos Lula avança como nome forte para a Assembleia Legislativa

Carlos Lula

Surfando no prestígio – justo, vale anotar – que conseguiu como um dos mais destacados auxiliares dos Governos Flávio Dino, principalmente pelo eficiente desempenho na luta contra o novo coronavírus, o advogado Carlos Lula, ex-secretário de Estado da Saúde e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Saúde (Conas), avança como um dos mais fortes marinheiros de primeira viagem na corrida para a Assembleia Legislativo. Filiado ao PSB, ele vem quebrando progressivamente a imagem fechada de advogado militante que continua sendo, para se transformar num pré-candidato expansivo e perdendo o medo de chegar onde pretende. Além da monumental rede de Saúde que implantou no Maranhão, ele entra na luta pelo voto como o secretário de Saúde cujo estado foi, proporcionalmente, o que menos perdeu vidas para a covid-19. Não é pouca coisa não, nem aqui nem na China.

São Luís, 20 de Maio de 2022.

Edivaldo Jr. tenta um desafio gigantesco: se livrar de Lahesio e alcançar Weverton com discurso “antibriga”  

 

Edivaldo Jr. quer se desgarrar de Lahesio Bonfim e alcançar Weverton Rocha na corrida aos Leões

Confirmado na terceira posição na corrida ao Palácio dos Leões, o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. vai centrar sua pré-campanha de pré-candidato do PSD no objetivo de se desgarrar do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim, pré-candidato do PSC, e jogar pesado para alcançar o segundo colocado, que segundo a pesquisa Escutec mais recente, é o senador Weverton Rocha, pré-candidato do PDT, recém ultrapassado pelo governador Carlos Brandão, pré-candidato do PSB à reeleição. Para tanto, vai intensificar o discurso com qual pretende ser identificado como a “terceira via”, certo de que essa posição poderá lhe empurrar para um eventual combate em segundo turno com o governador Carlos Brandão ou até mesmo com o senador pedetista. Edivaldo Jr. já está dando os primeiros passos nessa estratégia com o discurso dos filmetes de propaganda do PSD, nos quais se apresenta como bom moço e crítico da política do confronto.

Sem ser exatamente original, o mote é inteligente e a estratégia tem tudo para ser eficiente. Primeiro porque num país em que, sem um projeto de Governo e conquistas visíveis, o presidente da República se alimenta do confronto, comprando brigas com Deus do mundo, à esquerda e à direita, parece um bom negócio adotar uma estratégia nessa linha, como paladino do trabalho e da moderação. E segundo, porque o cidadão e o político Edivaldo Holanda Jr. se encaixam sem maiores dificuldades nesse perfil. Sua trajetória de dois mandatos de vereador de São Luís, meio mandato de deputado federal e dois mandatos de prefeito das Capital justifica, sem muito esforço, esse movimento. E encontra alvos nítidos em Lahesio Bonfim, pré-candidato do PSC, e em Weverton Rocha, pré-candidato do PDT, dois políticos pré-dispostos a entrar nessa seara perigosa, se for o caso, para chegar onde pretendem.

Com 12% de intenções de voto, segundo a última pesquisa Escutec, tecnicamente empatado com Lahesio Bonfim, que apareceu com 11% no mesmo levantamento, e oito pontos percentuais atrás de Weverton Rocha, que tem se mantido na faixa dos 20%, Edivaldo Jr. parece ter clara noção de que o seu objetivo é, na verdade, um desafio gigantesco nas duas pontas do projeto. Ele sabe que os dois oponentes que pretende deixar para trás não são presas fáceis, muito ao contrário.

O ex-prefeito de São Luís está plenamente ciente de que Lahesio Bonfim se mostra cada dia mais confiante de que o fato de ser “a novidade” no contexto da disputa lhe dá um gás extra para desempatar o jogo a seu favor e seguir em frente, para, ele próprio, tentar chegar no segundo colocado. Essa confiança aumentou com a saída do senador Roberto Rocha (PTB) do páreo para disputar a reeleição, e mais ainda com a desistência já admitida do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que por indução do Palácio do Planalto, poderá apoiá-lo. E certamente já avaliou que tirar o colega ex-prefeito do seu calcanhar poderá exigir uma ação de confronto direto, que vai exatamente na contramão da política pacifista que ele está pregando. Uma forma de ação política que Lahesio Bonfim parece gostar.

Se desgarrar-se de Lahesio Bonfim é tarefa difícil, dá para imaginar o tamanho da encrenca que será engordar na preferência do eleitorado o suficiente para alcançar e ultrapassar o senador Weverton Rocha e se posicionar como o adversário do governador Carlos Brandão num eventual segundo turno. A julgar pela pré-campanha intensa e quase obstinada do pré-candidato do PDT, o discurso “civilizado e antibriga” do candidato do PSD não será suficiente para alcançar o objetivo traçado. Weverton Rocha tem se mostrado um adversário forte e determinado, tendo a seu favor uma megaestrutura de campanha. Alcançá-lo e deixá-lo para trás não é exatamente impossível, mas qualquer observador sabe que não será nada fácil.

Em resumo: o projeto do pré-candidato Edivaldo Jr. de tornar a “terceira via” é um desafio gigantesco, que, se vier a ser alcançado, reafirmará em definitivo a imprevisibilidade da política.

Em tempo: A pesquisa Estutec foi feita entre 26 e 30 de abril, ouviu 2 mil eleitores em 73 municípios, tem margem de erro de 2,19% para mais ou para menos, intervalo de confiança de 95% e está registrada no TRE sob o protocolo MA 02565/2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

União Brasil deve continuar rachado no Maranhão

Juscelino Filho e Pedro Lucas Fernandes: União Brasil vai continuar rachado no MA

Não surpreenderam as declarações do deputado estadual Neto Evangelista comentando, em tom de desânimo, a indefinição do União Brasil – resultado da fusão DEM/PSL – em relação à disputa para o Governo do Estado e Senado. E se ele não foi direto e esclarecedor nas explicações, a situação é simples, e foi objeto de um comentário da Coluna na semana que passou: o União Brasil no maranhão está rachado ao meio, com seus dois líderes, os deputados federais Juscelino Filho (ex-DEM) e Pedro Lucas |Fernandes (ex-PSL), posicionados em campos opostos, o primeiro ao lado do senador Weverton Rocha (PDT), apoiando também a pré-candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição, e o segundo alinhado ao governador Carlos Brandão (PSB), tendo o ex-governador Flávio Dino (PSB) como candidato do Senado. E como parece haver um acordo pelo qual o comando nacional do partido não se envolverá nos seus braços regionais, os dois parlamentares se juntarão para apoiar o candidato que o partido vier a escolher para a Presidência da República, ficando liberados para se posicionar no estado de acordo com as suas conveniências. E como estão em campos opostos sem serem inimigos, Juscelino Filho e Pedro Lucas Fernandes tendem a manter a situação como está no primeiro turno, para decidir o que fazer em caso de segundo turno.

 

Bancada mantém silêncio sobre ataques à urna eletrônica

Tem chamado a atenção a indiferença da esmagadora maioria da bancada federal do Maranhão em relação aos ataques, cada vez mais ostensivos, do presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua turma ao mundialmente elogiado e cada vez mais seguro sistema de votação brasileiro por urna eletrônica. Salvo os oposicionistas senadora Eliziane Gama (Cidadania) e os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PSB), que se manifestam sempre que o presidente Jair Bolsonaro investe contra o sistema eleitoral, os demais representantes permanecem em silêncio, como se nada estivesse acontecendo. Vale registrar que o silêncio é mantido também pela fatia bolsonarista da representação maranhense no Congresso Nacional.

São Luís, 19 de Maio de 2022.