Já era previsto: Maranhãozinho enfrenta dificuldade para unir grupo em torno de Weverton

 

Josimar de Maranhãozinho: parte do seu grupo  não quer Weverton Rocha, nas quer a reeleição de Carlos Brandão

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho não vai entregar ao senador Weverton Rocha (PDT) o pacote completo de suportes previsto no acordo para apoiar a pré-candidatura dele ao Governo do Estado, como anunciou em live na noite de segunda-feira (23). Essa possibilidade foi por ele admitida ontem, em entrevista à Rádio Mirante AM, durante a qual informou que o grupo que controla não está unido em torno do pré-candidato do PDT, existindo nas suas fileiras segmentos que preferem se alinhar à pré-candidatura do governador Carlos Brandão (PSB) à reeleição. Ele citou o exemplo do deputado federal Marreca Filho, cujo pai, o ex-deputado federal e ex-prefeito de Itapecuru Mirim Júnior Marreca, é o controlador do Patriotas no estado, não quer apoiar o senador Weverton Rocha por ter mais afinidade política com o governador Carlos Brandão. Nos bastidores, sabe-se que vários dos 40 prefeitos eleitos com o apoio de Josimar de Maranhãozinho são a favor do projeto de reeleição do governador, já tendo alguns deles se posicionado nessa direção dentro do grupo.

A rigor, excetuando o PSB e o PCdoB, praticamente todos os partidos enfrentam situações como essa. O próprio PDT, presidido pelo senador Weverton Rocha e carro-chefe do seu projeto de candidatura, está sendo sacudido por segmentos que não o apoiam, tendo alguns nomes destacados, como o do ex-deputado federal Julião Amin, por exemplo, declarado apoio ao governador Carlos Brandão. O caso do PL é mais impactante porque Josimar de Maranhãozinho sempre passou a impressão de que controla um grupo sem dissidência, quadro agora exposto com um retrato bem diferente. A resistência dos Marreca ao acordo firmado por Josimar de Maranhãozinho com o senador Weverton Rocha mostra que o poder de fogo do chefe do PL tem limite. E mais, mostra que nesse jogo ganha quem tem suporte mais sólido.

Os traços de fragilidade do comando de Josimar de Maranhãozinho sobre o grupo talvez explique a quase indiferença demonstrada pelos líderes da aliança PSB/PT/PCdoB/PP/Cidadania/PSDB, que tem Carlos Brandão como candidato à reeleição e o ex-governador Flávio Dino (PSB) como candidato ao Senado, em relação ao anúncio de aliança com Weverton Rocha. Parte dessa atitude pouco preocupada se deve ao fato de que o comando da aliança governista já trabalha com a adesão de parte das fileiras de Josimar de Maranhãozinho ao governador. O chefe do PL sabe disso e já o admitiu nas entrelinhas das suas declarações em entrevistas recentes, como a de ontem, que foi a mais esclarecedora dessa opereta.

Vale registrar também o fato de o chefe do PL haver confirmado que o acordo para apoiar o governador Carlos Brandão não foi fechado porque não lhe fora dada a vaga de candidato a vice-governador, preenchida por Felipe Camarão, indicado pelo PT, nem a de primeiro suplente na chapa de Flávio Dino para o Senado, já ocupada pela vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula Lobato (PCdoB).

A conversa com o senador Weverton Rocha foi diferente. Com sua base política e partidária minada e perdendo consistência, e sem perspectiva de alcançar reforço por outro caminho, o líder pedetista aceitou ceder a vaga de pré-candidato ao PL em troca do apoio à sua pré-candidatura. Eles firmaram um acordo partidariamente normal e lícito, mas politicamente muito estranho, ficando Josimar de Maranhãozinho com o poder de fazer a indicação, que, segundo ele próprio, será feita em junho. Na bolsa de especulações o nome mais forte é o da deputada estadual e pré-candidata a deputada federal Detinha (PL), esposa do chefe do PL, ou a advogada Fabiana Villar (PL), sua sobrinha, que foi secretária de Agricultura no Governo Flávio Dino e candidata a vice-prefeita de São Luís em 2020, na chapa encabeçada pelo estadual Duarte Jr., candidato do Republicanos.

No plano da aparência, que é importante como fator de mídia, a aliança com Josimar de Maranhãozinho, pode ter sido uma boa cartada para o senador Weverton Rocha. Mas do ponto de vista político e eleitoral propriamente dito, a união pode dar luz a um grande fiasco.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de Othelino a Velten reafirma relação harmoniosa entre Legislativo e Judiciário

Othelino Neto e Paulo Velten: clima descontraído e boas relações entre os Poderes 

Enquanto no plano nacional os Poderes Legislativo e Judiciário encontram-se em clima de confronto institucional e político, por conta das provocações golpistas do presidente Jair Bolsonaro (PL), no Maranhão a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Justiça mantêm-se independentes, mas afinados na seara institucional, convivendo dentro da harmonia prevista na Constituição. Foi esse o clima que dominou a visita que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), fez ontem ao novo presidente do Poder Judiciário, desembargador Paulo Velten.

Ao sair do Palácio Clóvis Bevilacqua, sede do Tribunal de Justiça do Maranhão, o presidente da Assembleia Legislativa revelou a pauta que orientou a conversa. “Conversamos sobre assuntos importantes para o Legislativo e para o Judiciário, entre eles projetos de lei que tratam da reestruturação administrativa do Tribunal e que, em breve, serão enviados à apreciação do Parlamento estadual”, disse Othelino Neto, que fez a visita acompanhado do procurador-geral da Assembleia Legislativa, Tarcísio Araújo.

Por seu turno, o presidente do TJMA, Paulo Velten, informou ao visitante que dará continuidade ao trabalho do ex-presidente da Corte, desembargador Lourival Serejo, mantendo sempre o bom relacionamento institucional entre os dois Poderes: “Estamos dando sequência ao excelente trabalho desenvolvido pelo desembargador Lourival Serejo, que teve todo o apoio da Assembleia Legislativa em sua gestão. O parlamento sempre tratou com muita atenção e prioridade os projetos de organização do Judiciário. E eu fico feliz em ouvir do presidente Othelino Neto que esse relacionamento institucional positivo terá continuidade”.

 

Márcio Jerry bate martelo e anuncia que buscará novo mandato na Câmara Federal

Bom desempenho político e partidário pode reelegê-lo

Depois de ter frequentado listas de possíveis candidatos a vice na chapa do governador Carlos Brandão (PSB) e de prováveis nomes para primeira suplência na chapa do ex-governador Flávio Dino (PSB), o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) anunciou ontem que será candidato à reeleição. A decisão de tentar renovar o mandato é justa e faz todo sentido, à medida que Márcio Jerry, além de ser o mais ativo parceiro de Flávio Dino, foi, de longe, o nome mais influente dos sete anos de Governo do PCdoB. Bem articulado, dono de ampla e sólida cultura política, e com a experiência de anos e anos de militância iniciada no movimento estudantil, nos anos 80 do século passado, Márcio Jerry tem tido papel decisivo no Governo do Estado. Primeiro como líder partidário, reconhecido pelo trabalho que vem realizando para manter de pé o PCdoB, que preside; como assessor e conselheiro do governador Flávio Dino, papel que exerceu como secretário de Comunicação e Articulação Política, e depois na pasta das Cidades; e como deputado federal atuante, uma das vozes mais duras da oposição ao presidente Jair Bolsonaro e seu governo. É apontado como um dos atuais membros da bancada maranhenses que renovarão seus mandatos.

São Luís, 26 de Maio de 2022.

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