Consumada às vésperas das eleições, a federalização da MA-006 dificilmente sairá do papel ainda neste ano

 

Edilázio Jr., Roberto Rocha Cléber Verde, Josivaldo JP, Juscelino Filho e Pastor Cavalcante festejam federalização da MA-006 garantida em lei por Flávio Dino, Othelino Neto e Assembleia Legislativa, que votou em massa pela aprovação

Oito meses depois de autorizada pela lei estadual Nº 385/2021, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), e a pouco mais de quatro meses das eleições, a federalização de 241,7 quilômetros da MA-006, entre Balsas e Alto Parnaíba, foi formalizada ontem por meio de portaria do ministro da Infraestrutura Marcelo Sampaio. Com a federalização, o Governo da República poderá realizar as obras de pavimentação e de restauração da rodovia, que liga o Sul do Maranhão ao resto do mundo e integra a região do chamado Matopiba, uma das maiores do País em produção de grãos pela vertente do agronegócio, que tem Balsas como um dos seus polos mais importantes da região. O ato foi bem recebido no geral, mas causou má impressão a conotação político-eleitoreira dada pelo senador Roberto Rocha (PTB) e alguns deputados federais e estaduais bolsonaristas.

Se levada a sério pelo Governo Federal – o que não está acontecendo com outras rodovias federais que cortam o Maranhão, como a BR-135 e parte da BR-316 -, a federalização pode ser um ganho real para a infraestrutura rodoviária do Maranhão, incluindo o abandonado e caótico acesso à cidade de Imperatriz. Como tem acontecido nas mais diversas regiões do País, a começar pelo Mato Grosso, as rodovias federais que ligam as áreas de produção de grãos aos portos de escoamento, como é o caso da ligação Balsas-Itaqui no Maranhão, encontram-se em sua maioria quase intrafegáveis, aguardando ação por parte do DNIT, que quase nunca são efetivadas. Daí ser lícito prenunciar que, por uma série de fatores, nenhum metro de asfalto será colocado na agora federalizada MA-006 pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), principalmente se o projeto for entregue ao Exército, como próprio senador Roberto Rocha previu.

Realizado em um auditório do Ministério da Infraestrutura, em Brasília, o ato de edição da portaria pelo ministro Marcelo Sampaio foi animado pela ala bolsonarista da bancada maranhense no Congresso Nacional. Como já estava previsto, o senador Roberto Rocha (PTB), que não participou dos debates e dos esforços para viabilizar a concessão feita pelo Governo do Maranhão com o aval da Assembleia Legislativa, fez as vezes de “dono da bola”, com a coadjuvância dos deputados federais Cléber Verde (Republicanos), Edilázio Jr. (PSD), Juscelino Filho (União Brasil), Josivaldo JP (PSD) e do deputado estadual Pastor Cavalcante (PSC). Nenhum deles se dignou a lembrar dos verdadeiros “pais da criança”: a maioria da Assembleia Legislativa reunida no dia 31 agosto do ano passado, sob a orientação do presidente Othelino Neto (PCdoB), e logo em seguida o governador Flávio Dino, que sancionou a lei aprovada, consolidando o processo de transferência da rodovia para a esfera federal.

Não há o que discutir quanto à importância da federalização da MA-006. Mas não deixa de ser estranho que a portaria do ministro da Infraestrutura seja editada dois meses antes da campanha eleitoral propriamente dita, e no mesmo dia em que aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciaram a vinda dele ao Maranhão em junho, a convite do deputado estadual Pastor Cavalcante, para participar de encontro de pastores da Assembleia de Deus, exatamente em Balsas. Não precisa ser especialista para perceber com clareza que se trata de uma jogada eleitoreira bem armada, mas não o suficiente para esconder seu objetivo imediato: a turbinar a combalida imagem do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados nas eleições no Maranhão.

O fato é que, pelo menos, a federalização foi consumada, o que abre caminho para que algo sejas feito pelo bem de todos, ainda que seja fácil perceber e constatar a natureza política e eleitoral do esforço.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tudo indica que não há consenso no PSD no apoio a Roberto Rocha

Edivaldo Holanda Jr. 

Há fortes sinais de que o PSD não está unido no apoio à pré-candidatura do senador Roberto Rocha à reeleição. O presidente estadual do partido, deputado federal Edilázio Jr., participou do ato de lançamento e declarou seu apoio ao senador do PTB, mas não foi claro se estava de acordo com o resto do partido. Nesse contexto, o candidato do PSD a governador, Edivaldo Holanda Jr., que é apoiado pelo nacional do partido, não fez até aqui uma só declaração apoiando o projeto de reeleição do senador Roberto Rocha. Ao contrário, quando aceitou o convite do presidente Gilberto Kassab para ser candidato a governador, obteve o acordo pelo qual o partido não lançasse candidato ao Senado, de modo que ele pudesse votar no ex-governador Flávio Dino (PSB). A iniciativa do presidente Edilázio Jr. de declarar apoio a Roberto Rocha não arrastou Edivaldo Jr., que parece determinado a manter a posição inicial de disputar o Governo sem candidato a senador.

 

Roseana corre o risco de sair da zona de conforto com comentários soltos

Roseana Sarney

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) bem que poderia conter seus impulsos e evitar provocações desnecessárias ao ex-governador Flávio Dino (PSB), a quem já declarou que não apoia. Vez por outra ela sai da zona de conforto em que se encontra para fazer provocações. Aqui e ali, ensaia uma crítica à política de saúde do Governo Dino, que em sete anos fez na área o que ela nem de longe fez em mais de 12 anos de governo. Faz também, aqui e ali, comentários soltos tentando criticar a política educacional do governo passado, quando aquele governo de longe, e com sobra, todos os seus feitos na área educacional. Nesta semana, se manifestou com um estranho comentário em relação à onda de assaltos a ônibus: “Quando você perde o foco e atira para todos os lados, a probabilidade de dar errado é muito grande”. Será que ela sentiu isso em janeiro de 2013, quando São Luís viveu noites de terror com incêndio criminosos a ônibus, causando até morte de criança e algumas tragédias familiares? Como já diziam os mais antigos: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

São Luís, 21 de Maio de 2022.

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